História A Burning Touch - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camila, Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui
Visualizações 121
Palavras 3.665
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Galera, deixando claro mais uma vez que é apenas uma adaptação, com pequenas mudanças para que eu possa encaixar cada personagem em seu devido papel. Ah... E se vocês precisarem de capa para fanfics vão até o @Capas_Fanficss lá no twitter. Eles são incríveis e atenciosos. Aliás... Foram eles que fizeram essa belíssima capa 😍. Enfim... vamos ao primeiro capítulo? Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo Um


A tenente Camila Cabello entrou na delegacia de Mansfield, Nova Jersey, cantarolando baixinho. O sargento de plantão avisou:
— Bom dia, tenente. O capitão quer vê-la. Há uma moça esperando para falar com a senhora no escritório, e... — Voltou-se para uma mulher carrancuda, a um canto da sala.
— Já era hora de você chegar, Cabello — resmungou a mulher de cabelos loiros, tirando um bloco de estenografia do bolso. Dinah Jane era uma mulher alta, bonita, com uma voz suave e um tanto intrometida.
— Desculpe, Dinah, estou mesmo atrasada e... — Dinah a interrompeu:
— Uma entrevista de cinco minutos, Camila. Vou à redação amanhã, e o Courier é um semanário, portanto, se eu esperar muito por essa história, já será uma notícia velha quando meus leitores a lerem.
— Que história? — perguntou Cabello.
O sargento informou:
— É sobre isso que o capitão Ferrer quer lhe falar, tenente.
— A história do incendiário — explicou Dinah.
— Chegou outro bilhete esta manhã, assinado por "The Firefly", igual aos outros três — informou o sargento. — Diz que vai atacar novamente, esta semana.

Camila xingou baixinho. O primeiro bilhete havia chegado três semanas atrás. Quatro dias depois, no meio da noite, o estabelecimento nos fundos de uma loja de conveniências ardera em chamas. Todos na cidade deram graças a Deus por não ter sido pior.
Após mais alguns dias, chegara outro bilhete, seguido de mais um incêndio, pior que o anterior. Uma casa em construção virará cinzas. As pessoas em Mansfield começaram a ficar inquietas.
O terceiro precipitara uma série de especulações sobre qual seria o próximo alvo do Firefly. Acabaram por descobrir que se tratava de uma hospedaria de beira de estrada, chamada Little Eddie. Havia queimado rapidamente, ao alvorecer, uma semana atrás. Felizmente, sem vítimas, porém Camila Cabello ansiava por deter o incendiário, antes que o pior acontecesse.
— Cada incêndio vai se tornando mais audacioso que o anterior — disse Dinah. — Você é a encarregada do caso, então a mulher que o aguarda lá em cima tem algo a ver com a história. Talvez saiba a respeito do bilhete de hoje.
Com um suspiro, Cabello virou-se para o sargento.
— Ela sabe?
— Não sei lhe dizer, tenente. Apareceu aqui há quarenta e cinco minutos, perguntando pela senhora.
Dinah reclamou:
— Eu não posso ficar esperando, Cabello. Pensando melhor, ela deve ser só mais uma das suas conquistas. — Dinah falou com desaprovação.
— Uma de minhas conquistas? — Camila ergueu as sobrancelhas — Dinah, você exagera no meu poder de sedução.
— Querida, você é linda, e tem um emprego bastante razoável também. Isso já é o suficiente, sem contar o sotaque cubano, que é mais um dos motivos que a torna tão atraente.
— Se descobrir alguém interessado, pode me conseguir o nú¬mero do telefone? Já que você insiste em bancar a difícil...
— Agora entendo por que está sempre me despindo com os olhos — brincou a jornalista.
— Tenente!
A voz era de um homem magro, apoiado no batente da porta do corredor.
Camila acenou.
— Capitão. Deseja falar comigo?
— Não tenho pressa, tenente — disse John Ferrer, o capitão, com seu sotaque texano.
Tinha o rosto muito vincado e cabelos grisalhos, parecendo um cowboy envelhecido, deslocado naquela delegacia. Olhando de Camila para Dinah, continuou:
— Espero até você acabar de tentar seduzir a srta. Jane.
— Para o seu azar, eu não gosto da mesma fruta que você. Caso o contrário, bem que gostaria da ideia de ser seduzida — disse Dinah, indo embora.
A expressão de Ferrer tornou-se séria. Estendeu uma folha de papel para Camila, uma fotocópia de um bilhete escrito com letras recortadas de revistas, igual ao anterior.
"Minha caixa de fósforos está falando comigo. Alguma coisa vai arder esta semana. The Firefly."
— O bilhete original está no laboratório com o perito em documentos, mas posso declarar, de antemão, que não vai encontrar nenhuma pista, nenhuma impressão digital, com certeza — disse o capitão. — Temos um piromaníaco que pretende incendiar outro prédio em Mansfield, entre hoje à noite e a próxima segunda-feira. Se agir como das outras vezes, vai atacar de madrugada, usando querosene para acelerar o fogo. O que acha?
Cabello deu de ombros, desanimada.
— Não tenho nenhuma pista. Por onde, diabos, devo começar?
— Fale com a moça lá em cima. Descubra o que ela quer. Se houver alguma conexão com o caso, sugiro que analise muito bem, e rápido — comandou o capitão Ferrer.
Cabello subiu as escadas, encheu duas xícaras de café e ficou parada à porta de vidro de seu pequeno escritório, observando a mulher sentada em frente à escrivaninha.
Para a tia de Camila, Celeste, observar a aparência e os gestos de uma pessoa chamava-se: "estudar o terreno". Sua tia procurava sempre saber se estava lidando com um ingênuo e se ele tinha dinheiro. Na faculdade, Camila aprendera a observar as pessoas para que a ajudassem em seu trabalho.
Pelos seus cálculos, a mulher que a aguardava tinha uns trinta e cinco anos. Cabelos negros, longos, pele clara, físico delgado, altura mediana. Usava calça jeans desbotada, e aquele era o único toque colorido em seu traje. O suéter de gola alta, as botas e a bolsa eram pretas, assim como as lentes dos óculos que escondiam seus olhos.
Até as luvas de couro que usava eram pretas, embora estivessem no início de novembro e não fizesse muito frio.
Além do mais, estava dentro da delegacia fazia quase uma hora, portanto, por que usar luvas? Ou óculos escuros? As pessoas se comunicavam através das mãos e dos olhos. Cobri-los dessa maneira era, sem sombra de dúvida, um sinal: "Não quero aproximação".
Cabello abriu a porta e colocou as xícaras sobre a escrivaninha.
— Bom dia. Desculpe-me por tê-la feito esperar tanto.
A mulher fez um aceno seco, cauteloso.
Camila estendeu a mão. Ela disfarçou, olhando para as duas xícaras.
— Uma delas é para mim? — perguntou em voz baixa.
Após um momento, vendo que ela não iria apertar-lhe a mão, Cabello entregou-lhe uma xícara. Ela aceitou, sem tirar as luvas. Sua voz era delicada, revelando uma pessoa educada.
A tenente apresentou-se.
— Sou Camila Cabello.
— Sim, eu sei, tenente.
A visitante levou a xícara à boca e soprou o café quente. Seus lábios eram a única parte do rosto que a investigadora podia examinar. Bem desenhados, como a boca de uma boneca de porcelana. Devia estar usando apenas brilho labial.
Ela sentou-se, tirando um caderninho azul espiralado do bolso.
— Qual é o seu nome?
Houve uma pausa. Cabello percebeu que ela engoliu em seco, antes de responder:
— Maria...
— Maria Ninguém? — brincou a tenente. Um leve rubor cobriu as faces da visitante. Com gentil autoridade, Camila prosseguiu:
— Se me der um nome falso, vou ficar sabendo logo. Senhorita... senhora...
— Doutora. Lauren Jauregui.
— Doutora em quê?
— Precisa anotar tudo? — ela questionou, franzindo a testa. 
— Sem dúvida. Agora, poderia me responder... 
— Sou veterinária. Especializada em gatos. 
— Verdade? Odeio gatos!
— Medo de gatos significa que, provavelmente, tem algo a esconder.
— Não falei que tenho medo deles. E, por favor, poderia tirar os óculos? Gosto de ver os olhos das pes¬soas com quem converso.
Ela hesitou, e Cabello ficou pensando que talvez a visitante estivesse com um olho roxo ou, pior, fosse desfigurada. Porém, muito devagar, ela tirou os óculos, ajeitando-os no alto da cabeça.
Quando ergueu o rosto, Cabello prendeu a respiração.
Os olhos da jovem eram... Nunca vira nada parecido. Eram extremamente lindos, verdes, de uma tonalidade linda, sob longas sobrancelhas, que lhe davam um ar dramático.
Ela era linda, uma beleza.
Seria por esse motivo que usava os óculos? Para que as pessoas não perdessem a fala ao vê-la? Para que não ficassem encarando-a, como bobas, como ela fazia agora?
— Obrigada! — murmurou a tenente. Disfarçando seu embaraço, abaixou a cabeça sobre o caderninho e fez uma anotação. Depois, leu para si mes¬ma o que escrevera: "Os mais belos olhos que já vi".
— Não deseja saber por que estou aqui? — pergun¬tou a Dra. Jauregui.
— E claro. Estava esperando que... ficasse à vontade. Tem alguma informação para a polícia?
Ela mexeu no suéter com gestos nervosos.
— Tenho informações sobre um crime.
— Um crime? — repetiu Camila.
Talvez a doutora realmente soubesse algo sobre o bilhete.
Cabello remexeu na gaveta da escrivaninha e retirou um pequeno gravador, ligando-o.
Lauren Jauregui pareceu aborrecida. Suas pupilas se transformaram em dois pontinhos negros, os olhos brilhavam como duas gemas de esmeralda.
Cabello explicou:
— Preciso gravar suas declarações.
— Então vou embora.
Assim dizendo, Lauren levantou-se e pegou seu casaco no suporte.
— O quê? Não pode simplesmente...
— Vai tentar me deter aqui, contra minha vontade?
Camila se ergueu e deu a volta na escrivaninha.
Colocou as mãos sobre os ombros de Lauren, no momento em que ela segurava a maçaneta da porta. Ofegante, ela recuou para um canto, segurando o casaco como um escudo.
Camila levantou as mãos, em um gesto de paz, notando como os olhos dela estavam amedrontados, antes que voltasse a se controlar.
Algo acontecera a ela, algo muito ruim. Nenhuma mulher reagiria desse modo ao ser tocada, a não ser que tivesse sofrido um ataque. Assalto? Estupro? Por isso estava ali na delegacia? Maldizendo mentalmente sua falta de sensibilidade, ela recuou.
— Pode partir a hora que quiser. Não vou impedir, nem a tocar de novo. Prometo.
Voltando a sentar-se à escrivaninha, apontou para a outra cadeira.
— Por favor, desculpe-me. Não quer sentar-se novamente?
Lauren Jauregui relanceou um olhar para a porta e voltou a encobrir o rosto com as lentes escuras. Mantendo no colo o casaco todo amassado, sentou-se.
Camila respirou fundo. Seria um milagre se conseguisse fazer com que ela confiasse nela agora, mas iria tentar.
— Pode me contar o que aconteceu?
Com o caderninho sobre os joelhos, girou a cadeira, de modo a ficar de costas para a doutora. Isso iria ajudá-la a relaxar.
Lauren começou:
— Na semana passada, um novo gato apareceu. Tenho um barracão nos fundos de casa, e, quando o tempo começa a esfriar, coloco um aquecedor para os gatos de rua que alimento. Daí, notei esse novo hóspede, preto-e-branco, de pelos curtos. Parecia ser macho, mas não conseguia me aproximar dele, pois, sempre que eu chegava perto do abrigo, todos os gatos escapavam.
Gatos? Imaginando aonde essa conversa iria levar, Camila indagou:
— Onde fica sua casa? Vive na cidade?
— Nos arredores. Minha casa fica próxima à hospedaria da estrada.
Cabello a encarou.
— A Hospedaria Little Eddie? A que pegou fogo na semana passada?
— Exatamente. Moro no número quatro da estrada Crescent Lake.
— Há muito tempo?
Cabello sabia, de antemão, que a resposta seria ne¬gativa, pois, se fosse uma antiga moradora de Mansfield, já a teria reconhecido. 
Mansfield, apesar de ser classificada como cidade, não passava, de fato, de um vilarejo grande. Ela conhecia de vista quase todos os habitantes, e a maioria pelo nome.
— Mudei-me para cá em primeiro de setembro deste ano. Moro na casa que pertencia a meu pai. Cresci lá. Meu pai morreu na primavera passada e deixou-me a casa como herança.
Cabello estalou os dedos, fazendo uma descoberta.
— Você é a filha de Michael Jauregui! Ela fez um aceno afirmativo.
O advogado Michael Jauregui havia defendido boa parte dos maus elementos que Camila prendera durante seus dez anos na polícia de Mansfield, mas não era por esse motivo que Camila nunca havia gostado dele. O problema fora a personalidade de Michael Jauregui, que se julgava um homem cheio de virtudes, o tipo que só considera certo aquilo que faz. Camila não lamentava sua morte, mas, educadamente, disse:
— Meus pêsames.
— Obrigada. Vivi em Nova York nos últimos três anos. Antes disso, em New Port, Rhode Island. Quero dizer, a maior parte dos anos. Nós viajávamos muito, tínhamos casas em diversos lugares.
Nós. Não ocorrera a Camila que ela pudesse ser casada. Automaticamente, olhou para a mão esquerda de Lauren, mas, se existia uma aliança, estava encoberta pela luva. Ficou surpresa ao sentir uma grande frustração. Acabara de conhecer aquela mulher e lá estava ela, como uma garota de escola, com ciúme de um marido de New Port, Rhode Island, que tinha "casas em diversos lugares".
Ela percebeu o olhar curioso da tenente sobre sua mão esquerda.
— Sou divorciada.
O humor da policial pareceu melhorar. Ela não era mais casada.
— Por favor, agora continue sua história sobre o gato. A doutora brincou com a alça da bolsa.
— Reparei que ele mancava ligeiramente. Finalmente, ontem, consegui segurá-lo. Levei-o até a sala de exames e descobri que todas as quatro patas e parte da anca direita estavam queimadas. Fiz curativos nos ferimentos e ministrei antibióticos.
Camila parou de tomar notas e olhou para Lauren.
— Queimaduras. Tem certeza? Quero dizer, devem ser ferimentos antigos...
— Fênix apareceu na semana passada, justamente depois que a hospedaria da estrada pegou fogo.
— Chama o gato de Fênix? — perguntou a tenente, Lauren confirmou.
— Ele renasceu das cinzas, como Fênix, o pássaro mitológico. Seus pelos estão chamuscados e cheiram um pouco a querosene. Tenho certeza de que ele estava no Little Eddie quando ocorreu o incêndio.
— Então é por isso que veio me procurar?
Lauren acenou afirmativamente, porém, pelo terror que demonstrara ao ser tocada, Cabello podia jurar que fora molestada no passado, um fato lamentável, mas muito comum. De qualquer modo, isso nada tinha a ver com o caso do incendiário. E era nos incêndios criminosos que a tenente precisava se concentrar.
Lauren Jauregui suspirou.
— Mas tenho ainda outras coisas para contar.
— Prossiga.
— Gostaria que não revelasse a ninguém o que vou lhe dizer agora.
Lauren voltou a tirar os óculos escuros, a olhando com um ar de súplica.
— O que deseja me contar?
Um olhar infeliz sombreou as belas feições da Dra. Jauregui.
— Não quero ser a louca da cidade, é isso. Só desejo contar o que sei, sair daqui e ficar sozinha. É tudo o que peço e tenho medo de que, se as pessoas souberem o que vou lhe dizer, você...
Cabello assumiu uma expressão sincera e lançou um rápido olhar para o gravador ligado em cima da escrivaninha, observando a luzinha vermelha acesa.
Deliberadamente, fechou o caderninho e guardou-o no bolso.
— Agora, pode contar. Estamos a sós. Lauren mordeu o lábio, muito nervosa.
— Por favor, prometa que não vai me julgar louca. Cabello sorriu com indulgência.
— Prometo.
Após um momento de hesitação, ela começou:
— Eu... pressinto coisas. Digamos que consigo ler mensagens vindas de pessoas, animais e até de objetos inanimados. Leituras extra-sensoriais.
Cabello ficou olhando para a visitante, dissimu¬lando cuidadosamente qualquer reação. Não acreditava em paranormais ou videntes. Seria mesmo louca? Ou uma farsante esperta? Não podia acreditar, vendo seu olhar meigo e jeito frágil. Ela era sedutoramente intrigante.
Pensou de novo em tia Celeste, como era maquiavé¬lica ao elaborar seus planos, adotando uma nova per¬sonalidade para cada criatura ingênua que desejava enganar. Com raiva, concluiu que era lógico achar Lauren Jauregui intrigante, pois era exatamente o que ela queria que pensasse. Aquela mulher bonita ali sentada sabia exatamente o que estava fazendo e desempenha¬va seu papel muito bem.
Cabello levantou-se, dirigiu-se até a porta e disse secamente:
— Obrigada pela visita, Dra. Jauregui. Entraremos em contato, caso precisemos falar com você.
Lauren franziu a testa, erguendo o queixo em desafio, e encarou a policial friamente. Recolocou os óculos, mas não fez menção de se levantar.
— Não gosto de ser dispensada, tenente.
— E eu não gosto de fazer papel de boba, doutora. —  Ela cruzou os braços, mirando-a com uma postura teimosa.
— Possuo poderes paranormais de verdade, tenente. Há três anos eles se manifestaram. Antes disso, também, quando eu era criança, por um curto tempo.
— Dra. Jauregui, encontrou a policial errada para contar essas lorotas.
— Estou falando com a investigadora responsável pelo caso dos incêndios criminosos. Li no Mansfield Courier. Por que não acredita em mim?
— Tenho meus motivos. Agora, se me der licença...
— Não posso sair daqui sem contar o que sei. No caso de o incendiário voltar a atacar, ficaria cheia de remorsos por não ter tentado impedir.
Cabello bufou, impaciente, sentou-se e acenou com a mão, como se dissesse: "Vá em frente".
Lauren Jauregui umedeceu os lábios, demonstrando nervosismo. Estaria com medo de não ter ensaiado bem seu papel? Ou, talvez, pensasse que, com aquele gesto sensual da ponta da língua nos lábios bem delineado, iria deixar a tenente louca.
Bem, não ia dar certo. Sem dúvida que era uma mulher atraente. Se não fosse pela revelação de seus poderes paranormais", até que ela, Cabello, poderia dar asas à imaginação e fantasiar sobre a linda boca unida a sua, a maciez dos lábios e a sensualidade da língua em sua pele. Poderia imaginar como seria tocá-la, as bocas unidas em um longo beijo.
— Está me ouvindo, tenente?
Lauren a despertou do devaneio, e ela se espantou com a rapidez com que ficara excitada.
— Sim, claro. Dizia...
— Que tenho dois tipos de percepção extra_sensorial.

A primeira acontece quando toco algo vivo, uma pessoa ou um animal. Posso ler seus pensamentos. Isso se chama telepatia. A segunda acontece quando tenho visões através de objetos inanimados. São apenas resquícios de energia deixados por quem os tocou, antes de mim. Isso se chama...
— Psicométrica — adiantou a tenente.
— Sim. Entende de fenômenos psíquicos?
— Oh, sem dúvida — respondeu Cabello com sarcasmo, a excitação que sentira momentos atrás, diminuindo.
Lauren continuou:
— Quando, pela primeira vez, toquei Fênix, o gato, imediatamente tive uma visão de labaredas circundando-o. Pude sentir como estava aterrorizado e indefeso. Depois, quando limpava e medicava suas queimaduras, vi o rosto de um homem jovem, de cabelos pretos. Havia uma espécie de porão ou oficina em um velho prédio. Vi escadas com um estranho corrimão de aço com desenhos, porém o prédio não estava em chamas.
Cabello não conseguiu conter o riso.
— Viu tudo isso através de um gato?
— Foram visões muito fortes e detalhadas. Emoções intensas criam as mais intensas energias. Tenho pavor de fogo e foi exatamente isso o que Fênix sentiu no incêndio da hospedaria da estrada.
Camila levantou-se.
— Obrigada, novamente, por ter vindo dar seu depoimento, Dra. Jauregui.
— Eu poderia reconhecer o rapaz de cabelos escuros, se o visse — insistiu a doutora. — Reconheceria aquele rosto em qualquer lugar. Não gostaria que visse os' arquivos de fotos da delegacia?
E talvez possa trazer o gato e examinar as fotos com ele. Era de morrer de rir!
— Não será necessário, obrigada.
Depois que Lauren saiu, Camila pegou o gravadorzinho e ouviu a fita.
— Lauren Jauregui! É você mesma?
Lauren viu John Ferrer avançando em sua direção, em meio ao tumulto da delegacia de Mansfield. A filha de John fora sua melhor amiga na época de escola. Eram inseparáveis, e Lauren praticamente vivera na casa dos Ferrer. Entretanto, só vira o capitão duas vezes, depois que partira para a faculdade, quinze anos atrás: uma vez no seu suntuoso casamento em New Port, e no enterro do pai, ali mesmo em Mansfield, em maio. Mas em nenhuma dessas ocasiões tiveram oportunidade de conversar.
— Capitão Ferrer, como vai?
O policial estendeu a mão, porém Lauren disfarçou, tirando os óculos.
— Meu nome é John — corrigiu o velho capitão em tom cordial — e eu estou ótimo. Vou me aposentar dentro de cinco meses, três semanas e quatro dias. E você? Nadando em dinheiro com o marido milionário?
— Na verdade, Sam era quem nadava em dinheiro. Casei com separação de bens, ele continua rico, e eu pobre, após o divórcio.
John ficou embaraçado.
— Desculpe, menina. Não sabia.
— Vivo aqui, agora. Mudei-me para a casa de papai há alguns meses. Transformei a entrada e o escritório em sala de espera e consultório, e comecei a clinicar.
—  E, então, o que a trouxe hoje ao meu humilde local de trabalho?
Lauren hesitou, imaginando o que poderia contar a ele. Lembrou-se de como sempre o julgara o tipo de pai ideal: firme, mas justo, um espírito compreensivo.
Tomando fôlego, contou-lhe os fatos mais importantes dos últimos quatro anos de sua vida. O raio que a atingira na praia, os estranhos poderes extra-sensoriais e, finalmente, sobre Fênix e a visão do rosto do rapaz.
John a observava, e Lauren temeu que a pusesse para fora, como fizera aquela antipática tenente Cabello.
Porém, John acabou sorrindo.
— Ouça bem. Só para tirarmos isso a limpo, vamos examinar algumas fotos nos arquivos. O que você acha?
Momentos depois, Lauren estava sentada em frente a uma mesa grande, do lado de fora do escritório de John, examinando álbuns de fotografias. John Ferrer simplesmente disse:
— Tente encontrar o rosto que viu.
Bem que seu pai poderia ter tido, pelo menos, a metade da compreensão de John, aceitando-a como era.
Tentou rever, mentalmente, o rosto de sua visão nos álbuns de fotos, um jovem bonito, de cabelos negros e olhos penetrantes. Havia centenas de fotos e, depois de um certo tempo, começou a sentir que não iria descobri-lo ali. Todos aqueles rostos começaram a se embaralhar à sua frente, adquirindo as feições do... te¬nente Cabello.
Apesar de ser ora gentil, ora antipática, Lauren tinha de admitir que Cabello era muito linda.
Suas feições eram marcantes, a testa, a mandíbula, o queixo firme e o nariz perfeito. Possuía cabelos escuros e longos, que teimavam em cair na testa, e uma boca sempre prestes a se abrir em um sorriso jovial.
Seu terninho azul marinho feminino nada tinha de especial. Isso  a fez lembrar de quando estava casada com Samuel, que sempre mandava fazer suas roupas em Milão. Sam insistia para que ela usasse roupas caríssimas, ela achava tudo aquilo ridículo. Só não mais ridículo que os enchimentos nos ombros que ele usava a fim de dar a impressão de força atlética que tanto admirava, mas que não possuía. Poderia continuar gastando milhões de dólares com seus ternos, mas jamais seria como figura da tenente Cabello que ficava linda em um terninho simples.
Além disso, havia um ar de autoridade na policial que demonstrava estar pronta para enfrentar qualquer situação.
O tipo de mulher que todos respeitavam.
Por outro lado, as pessoas deviam adorá-la. Sua beleza, a voz calma e um pouco rouca, com ligeiro sotaque latino, e os olhos castanhos, com lampejos irônicos. A tenente Cabello exalava sensualidade por todos os poros, e ficar perto dela era um perigo, ainda que fosse um tipo tão irritante.


Notas Finais


Até mais :)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...