História A Burning Touch - Capítulo 3


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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Tags Camila, Camila Cabello, Camren, Fifth Harmony, Lauren Jauregui
Visualizações 98
Palavras 3.044
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Capítulo Dois


Camila Cabello viu Lauren do lado de fora da sala do capitão. John Ferrer a chamou, dirigindo-se para sua sala.

— Poderia entrar um minuto? —  Camila fechou a porta.

— Aquela moça é uma atriz e tanto, John. Gravei sua declaração e tomei nota das partes mais importantes que você vai achar bem engraçadas. — John foi breve e direto.

— Quero que trabalhe com ela no caso do incendiário.

— O que? Que absurdo! Estamos sendo manipulados por ela. Ou melhor, você está sendo. Quero que saiba que me oponho a ser ajudada por essa mulher.

— Que mal pode haver nisso? — perguntou Ferrer.

— Que bem pode haver? Pelo amor de Deus, John, não estamos tão desesperados assim.

Ferrer passou uma das mãos pelos cabelos.

— Estamos desesperados, sim. Precisamos deter esse incendiário, mas não temos pistas. Só podemos contar com a ajuda de Lauren Jauregui.

— Quando tudo falha, chama-se a curandeira da tribo, huh? — ironizou Cabello. — Não acredito que você esteja levando a sério essa brincadeira de poderes extra-sensoriais.

— Eu dou as ordens e você obedece, lembra-se? Ainda sou o capitão... pelo menos até abril. Aí, então, você assumirá o comando. Mas até lá...

— O que o faz ter tanta certeza de que vão me oferecer o posto?

O capitão deu uma risadinha.

— Você é a melhor policial de Mansfield, a que tem a maior chance de ficar com o cargo. Quer ser capitã ou não quer?

Não havia palavras que descrevessem o quanto Camila desejava aquele posto. Concordou, com um sorriso, e Ferrer deu-lhe um tapinha no ombro.

— Então, resolva esse caso dos incêndios. Isso selará a sua promoção.

Camila resmungou:

— Acredite, quero solucionar o mistério. Mas não desejo trabalhar com a "conexão paranormal", sentada lá fora. Não preciso de bruxaria.

— Muitos departamentos de polícia trabalham com paranormais, Camila. Você sabe disso. Até o FBI e a CIA.

— É verdade. A cada minuto, nasce mais um otário neste mundo.

— Então, você está olhando para um agora — rebateu John severamente. — Como seu capitão, ordeno que empregue os serviços de Lauren Jauregui para resolver esse caso.

Suspirando, Camila teve de obedecer, e Ferrer confidenciou:

— Vou mostrar a Lauren o terceiro bilhete e quero que você esteja presente. Ela ignora a existência do quarto recado, de modo que será um teste.

Ligeiramente surpresa, Camila riu.

— Você quer ver se a Dra. Jauregui  tem mesmo poderes para adivinhar sobre o quarto bilhete desta manhã. Afinal, não é tão crédulo quanto eu pensava.

— Não, não sou crédulo, mas tenho mente aberta. Até certo ponto. Vi Lauren Jauregui crescer, gosto e confio nela, porém, mesmo assim, uma pequena prova não vai fazer mal. Considere como... uma pesquisa.

Camila continuou com seu risinho malicioso, e John acrescentou:

— Uma experiência amigável, e gostaria que fosse educada. Ela é uma boa moça, não importa o que você pense. Caia nas suas boas graças. Você sabe ser bastante educada quando quer.

Camila rendeu-se. John sempre conseguia vencer uma discussão.

— Farei o possível, mas não aposto na Dra. Jauregui.

— Boa garota — murmurou John, indo ao encontro de Lauren.

 

 

Ela ergueu as mãos num gesto de desânimo. Não havia reconhecido o homem de sua visão. Encarando John, puxou os óculos para o alto da cabeça e, novamente, Cabello teve a visão dos olhos maravilhosos que não deixavam um único ser raciocinar claramente.

Ela fazia bem seu papel, segundo a opinião da tenente. Comparada a ela, tia Celeste não passava de amadora no mundo dos falsos paranormais. Celeste sempre foi muito óbvia, ansiosa por publicidade. Sua exuberância causava suspeitas, especialmente nos policiais desconfiados que ela tentava "ajudar" a fim de consolidar a reputação de vidente.

Ao contrário, Lauren Jauregui era sutil, confiável. Sua fingida timidez, sua insistência em ficar sozinha, era a melhor atuação que ele já vira. Acrescentando-se a isso o fato de ter um título universitário: todo o mundo acredita em médicos. Sim, Camila podia entender como alguém tão astuto quanto John Ferrer pudesse cair naquela armadilha.

A comédia sobre não querer ser tocada...

Provavelmente, Cabello também teria acreditado, se não fosse pelo seu passado e experiência com tia Celeste.

 

Era melhor que ninguém soubesse de nada. Se os cidadãos de Mansfield descobrissem sobre a juventude malcomportada de Camila Cabello, jamais chegaria ao cargo de capitã.

E ela desejava, com todas as forças, subir na vida.

Lauren foi convidada a entrar na sala, e John abriu um envelope pardo que continha um bilhete original do incendiário, envolvido em plástico. Entregou-o à Dra. Jauregui.

— É este o bilhete, Lauren. Deseja que eu tire a capa de plástico?

— Não. Posso ler através do plástico, se não for muito grosso.

Assim dizendo, segurou o bilhete entre as palmas das mãos, concentrando-se.

— Objetos inanimados emitem leituras muito fracas, mas a pessoa que enviou este bilhete teve de manuseá-lo muito para colar todas estas letras, e isso aumenta as vibrações.

Fez uma pausa, os olhos cerrados.

— O autor do bilhete estava pensando sobre os incêndios que provocara até então, incêndios tão... sem importância, a seu modo de ver. Essa pessoa os provocou pensando em algo maior, sua grande meta. Isso faz sentido?

Camila impacientou-se. Qualquer cigana que lia a sorte, cheia de pulseiras nos braços, dominava aquele truque: começar a fazer perguntas para saber mais a respeito, procedendo, então, à "leitura parapsicológica". Se fingisse bem, nove entre dez otários acreditariam na história.

John, propositalmente, manteve uma expressão neutra. Apenas respondeu:

— Prossiga.

A Dra. Jauregui fechou os olhos, continuando:

— O incendiário não vai parar por aí, tenho certeza. Esse homem pretende dar continuidade a seus crimes, enviar mais bilhetes e incendiar outros prédios.

— Pode-me falar mais sobre ele? — perguntou John.

— Sinto... arrogância. Extrema arrogância. Mas nenhuma descrição física. Tudo conduz para um determinado objetivo. Algo muito grande, espetacular.

Estremecendo, a Dra. Jauregui abriu os olhos, finalizando:

— O derradeiro incêndio será devastador. Tenho certeza de que já enviou um quarto bilhete.

John concordou:

— Sim, chegou esta manhã.

— Você estava me testando, John? — perguntou Lauren, contrariada.

O capitão assentiu:

— Foi muito rude de minha parte. Peço desculpas, mas estou impressionado por saber que você descobriu sobre o quarto bilhete.

Virou-se para Camila.

— O que pensa agora?

 

Camila deu um sorriso evasivo.

— Talvez a Dra. Jauregui tenha ouvido falar a respeito do quarto bilhete, quando chegou à delegacia, esta manhã.

Lauren levantou-se, ofendida com a insinuação.

— Não, tenente. Não ouvi nada a respeito;

John interferiu prontamente, tentando evitar uma discussão:

— Acho que Cabello é muito desconfiada, Lauren, mas também tem sexto sentido.

Cabello ia responder, mas John interrompeu.

— Como se explica estar dirigindo perto da loja, "ter tido a sensação" de que algo estava acontecendo lá dentro, dar meia-volta com o carro e impedir um assalto? Ou aquela vez em que uma velhinha desapareceu e você foi procurar exatamente...

— Palpites, apenas palpites — explicou Camila.

— Palpite é sinônimo de sexto sentido — rebateu o capitão.

Camila protestou, erguendo as mãos:

— Chamo a isso de raciocínio dedutivo.

O capitão encerrou a discussão, dizendo a Lauren:

— Ficarei muito grato se concordar em trabalhar no caso com a tenente Cabello. Precisamos de toda ajuda possível.

Lauren ergueu as sobrancelhas em um gesto gracioso.

— Tenho a impressão de que a tenente acha que pode passar muito bem sem minha ajuda. Cooperação não funciona, amenos que seja mútua.

— A tenente Cabello irá cooperar com você, Lauren. — John sorriu, lançando um olhar ameaçador a Camila.

— Ela é teimosa, mas também é esperta o bastante para não ser insubordinada a esta altura... delicada de sua carreira.

A Dra. Jauregui pareceu hesitar.

— Não sei, John. Acho que não vai funcionar. Lamento ter vindo aqui. Fui exposta ao ridículo e nem mesmo descobri o rosto de minhas visões nas fotos de seus criminosos.

Camila pensou que ela poderia receber um Oscar pela pequena cena de jovem ofendida. Como era esperta aquela mulher.

— Será um favor --- pediu John.

 

Lauren pareceu pesar aquelas palavras.

— Está certo. Mas me reservo o direito de deixar o caso a qualquer momento.

— Concordo — disse John. Em seguida, perguntou:

— O porão que visualizou tinha uma escada com corrimão de aço em que havia desenhos... do que mesmo? Pássaros?

Ela concordou:

— Havia uma decoração com pássaros. Talvez por causa disso, Fênix gravou na memória, pois gatos sempre notam passarinhos.

Camila tentou trocar olhares com John, porém o capitão a evitou propositalmente.

— O que mais, Lauren? Que tipo de pássaros?

 

Ela deu de ombros.

— Não sei de que espécie. Tinham cristas.

— Cristas. Como o quê?

— Como cardeais. Acho que eram cardeais... Com um ar de surpresa, Lauren riu.

— Cardeais! Eram mesmo cardeais!

Dessa vez, John olhou na direção de Camila, com expressão interrogativa. Camila balançou a cabeça. Na verdade, não entendia nada daquela conversa.

— Editora Lorillard! — exclamou Lauren Jauregui, de repente, com animação.

Camila e John ficaram olhando para ela, sem nada entender.

— É claro que já ouviram falar das publicações Lorillard. Camila respondeu secamente:

— Seria esquisito não ter ouvido, já que é a maior fonte de empregos da cidade.

John disse:

— Não vejo relação com cardeais. Publicam livros de contabilidade, e não sobre aves.

Lauren explicou:

— Não vê a relação porque não viveu muito tempo em Mansfield.

— Vinte anos não é muito tempo? — provocou John.

— A Editora Lorillard foi fundada vinte e cinco anos atrás — Lauren continuou. — Alden Lorillard abandonou a profissão de advogado, comprou dois prédios desabitados no centro da cidade e transformou-os em uma editora. Seu depósito era o antigo ginásio da cidade, e o prédio ao lado, onde funciona o escritório da editora, era...

John estalou os dedos, compreendendo.

— Cardeal alguma coisa...

— Companhia de Máquinas de Escrever Cardeal — ela completou. — Eu tinha sete anos quando o velho Alden fundou a Editora Lorillard.

Cabello ergueu as sobrancelhas, ao perguntar:

— Alden? Você o chama pelo primeiro nome?

— Ele era sócio de meu pai no escritório de advocacia. Sempre foram bons amigos.

— Hum...

Camila pôs as mãos na cintura e olhou-a bem nos olhos.

— Deixe-me entender isso direito. Você acha que o corrimão de aço de sua visão, obtida através de um gato, pertence aos escritórios da Editora Lorillard.

A Dra. Jauregui conservou um silêncio frio, voltando-se, então, para John.

— Talvez o homem de minha visão trabalhe para a Lorillard. Gostaria que perguntasse a Alden se mantém fotos de seus funcionários.

— De antemão, posso dizer que não mantém. Alden administra seus negócios de um jeito muito próprio. Só temos uma opção: vocês duas deverão montar guarda perto da Editora Lorillard, das três e meia às cinco e meia da tarde, quando os funcionários vão embora. A Dra. Jauregui deverá procurar pelo rosto conhecido. Alguma pergunta?

Camila soltou um longo suspiro.

— Vou buscá-la às três e quinze, Dra. Jauregui. Até logo.

— Tenente, espere — ela pediu. Camila deu meia-volta.

— O que foi agora?

— Isto não é seu?

Aproximando-se da mesa de John, ela pegou o caderninho azul de Camila. Estendeu-o para a detetive, mas, subitamente, afastou-se, franzindo a testa.

John perguntou:

— O que aconteceu, Lauren?

Jogando as luvas dentro da bolsa, a Dra. Jauregui prensou o caderninho entre as mãos. Pouco a pouco, uma expressão de raiva invadiu o lindo rosto.

Encarou Camila. Seus olhos soltavam faíscas.

— Golpe sujo o seu, tenente. Não desligou o gravador. Captei isso, segurando este seu caderninho.

E atirou o caderno de notas para ela, que o pegou no ar.

— Não sabia que a senhora era tão traiçoeira.

Sem entender como Lauren descobrira a verdade, Cabello tentou manter uma atitude displicente, forçando um sorriso.

— Ser traiçoeir faz parte de minhas funções.

— Obrigada por me avisar. Lembrarei de tomar cuidado.

Ela se virou e saiu.

 

 

Camila Cabello foi buscar Lauren, dirigindo um discreto sedã cinza, e observou que ela usava um novo par de óculos.

Em silêncio, foram até uma parte da cidade onde havia prédios velhos. A Editora Lorillard ocupava os dois mais antigos, que se erguiam lado a lado.

As duas construções dividiam um estacionamento nos fundos, circundado por árvores, que ostentavam uma brilhante folhagem de outono.

A entrada para o estacionamento, na rua Jefferson, possuía um grande letreiro que dizia: "Editora Lorillard, Publicações Comercias de Qualidade".

Estacionaram por ali, e Lauren observou Cabello com o canto dos olhos. Ela trocara a roupa social por jeans e uma camiseta cinzenta com capuz, indumentária que combinava muito bem com os cabelos rebeldes e olhos castanhos.

Lauren sentia-se nervosa, sentada tão perto dela. E se Cabello a tocasse?

Camila quebrou o silêncio.

— Este é um bom lugar. As árvores nos darão cobertura. Ficaremos quase invisíveis para as pessoas que saem do prédio. Prometi a John que, caso você identifique alguém, seguirei o suspeito para saber onde mora. A polícia irá vigiar a casa todas as noites, durante esta semana, seguir o suspeito, se sair, e prendê-lo, caso tente começar um incêndio.

Durante várias horas, ficaram ali, a observar os funcionários que saíam do prédio, mas nenhum era o homem que Lauren vislumbrara em sua visão. Ela começava a desanimar.

Por diversas vezes, Cabello lhe lançou olhares. Observou também pela janela do carro, pegando, então, seu caderninho e uma caneta no bolso da jaqueta.

— Será que devo pensar que estou sendo vigiada às escondidas, novamente, tenente?

Camila procurou visualizar os olhos de Lauren através das lentes escuras. Então, um lento sorriso surgiu em seu rosto.

— É você quem deve responder. Quem é a vidente aqui?

— Preciso tocar as pessoas para ler suas mentes.

— Pessoas ou coisas, não é mesmo? — perguntou a tenente, sacudindo o caderninho. — Não acredito em nada do que diz. Deseja apenas conseguir publicidade, fingindo ajudar a polícia a prender o Firefly, através dos seus ditos poderes extra-sensoriais.

— É isso o que pensa, que eu...

— É o que sei que está fazendo, Dra. Jauregui. Lauren soltou um suspiro, impaciente, mantendo os olhos grudados nos funcionários que iam saindo.

— Como explica eu saber que havia gravado nossa conversa lá na delegacia?

Camila soltou um risinho irônico.

— Deveria praticar mais seus joguinhos de salão, Dra. Jauregui. São coisas de amador. Viu-me ligando o gravador e observou que não o desliguei. Porém, em vez de reclamar na hora, guardou o trunfo para uma pequena demonstração de seus poderes.

— Soa frio e calculista.

— E é isso mesmo.

— A senhora não me conhece, tenente.

— Conheço melhor do que imagina, Dra. Jauregui. E sugiro que mantenha sua atenção no estacionamento, de modo que eu possa contar a John que realmente fizemos nosso trabalho.

Caíram em um silêncio profundo.

Em dado momento, Lauren soltou uma exclamação admirada, tirando os óculos para ver melhor.

Uma lufada de vento carregara centenas de folhas douradas das árvores que as cercavam. Pairavam contra o céu azul, brilhando ao sol. O espetáculo era maravilhoso, e Lauren sentiu-se enlevada.

Percebeu que a tenente a observava.

— Que coisa linda! — exclamou, tentando disfarçar o embaraço, e ameaçando recolocar os óculos, mas Cabello a impediu, colocando a mão sobre a sua.

Na fração de segundo, antes de fugir ao contato físico, Lauren sentiu uma onda de intenso desejo subir por seu braço, tirando-lhe o fôlego. A televisão dentro de seu cérebro piscou rapidamente, mas ela teve tempo de ver os seus próprios olhos tomando conta de toda a tela. Eram... extraordinários. Os mais belos olhos que já vira.

— Oh, meu Deus — suspirou Lauren, o coração batendo loucamente no peito.

Camila desculpou-se:

— Não tive a intenção de assustá-la. Só não quero mais que coloque esses óculos. Seus olhos são muito bonitos e... poderá ver melhor se não os usar.

Lauren engoliu em seco, concordando. Com mãos trêmulas, guardou os óculos na bolsa e perguntou:

— Então, qual é o perfil psicológico de um piromaníaco? Por que essas pessoas provocam incêndios deliberadamente?

— Pela emoção. Esse é um dos motivos que fazem os incêndios criminosos se tornarem um dos tipos mais difíceis de crimes a investigar, piromaníacos são desequilibrados. Em geral, são movidos por um impulso sexual.

Lauren enrubesceu. Não gostava de conversas sobre sexo. Mas Camila continuou sua explicação:

— Começam o incêndio e ficam por perto, observando a multidão se formar e os carros de bombeiros chegando ao local. As chamas e a comoção das pessoas são altamente excitantes para eles. Ficam eletrizados.

— Entendo.

Sentindo-se ridícula, Lauren percebeu o rosto ruborizado.

— É surpreendente como o estímulo sexual motiva uma série de crimes. Você ficaria espantada, ao saber quanta coisa estranha excita as pessoas.

Lauren olhou fixamente para o estacionamento, rezando para que a tenente parasse de falar sobre sexo. Isso fazia com que sua mente torturada enveredasse por caminhos que não desejava explorar. Sem querer, começou a imaginar o que excitaria Cabello sexualmente. O que a tenente Camila Cabello considerava "extremamente excitante"?

 

 

O tempo ia passando. Todas as turmas de funcionários já haviam saído, e o estacionamento estava deserto.

— Nada do Firefly? — perguntou Cabello.

— Não, nada.

Por trás deles, veio o som barulhento de um veículo precisando urgentemente de um novo amortecedor. Lauren virou-se e viu um velho carro verde, manchado de ferrugem, passar por eles, diminuindo a marcha a fim de entrar no estacionamento da Editora Lorillard.

Lauren esticou o pescoço para dar uma boa olhada no motorista do carro verde e... teve um choque, ao reconhecê-lo. Os cabelos escuros, os olhos profundos...

— Oh, Deus meu!

Era o rosto que esperara ver o dia todo, primeiro nas fotos da delegacia e agora ali. O rosto que a perseguia, não saindo de seu pensamento, o rosto que vira, ao tocar o gato Fênix.

— Tenente! É ele!

Apontou para o carro velho, enquanto este virava à esquerda, logo em frente. Cabello arregalou os olhos.

— Conheço aquele garoto! É Tommy Finn! Às pressas, enfiou o capuz.

— Se ele me reconhecer, vai tudo por água abaixo.

 

Tommy Finn desceu o vidro do carro, ao alcançar o portão de entrada, apertou o botão de um interfone e falou qualquer coisa. Enquanto o portão se abria vagarosamente, ajustou o retrovisor, olhando para todos os lados.

Cabello sussurrou:

— Está tentando ver quem somos.

— Vamos torcer para que não consiga.

Mas o rapaz virou-se totalmente e olhou sobre o ombro.

— Maldição! — exclamou a tenente.

 

Com grande presença de espírito, Cabello virou-se no banco do carro, dando as costas ao volante. Lauren não entendeu o que pretendia fazer, até que ela a agarrou. Ela recuou o mais que pôde entre o assento e a porta do carro.

— O que está fazendo... Não!

Subitamente, os olhos de ambas estavam muito próximos. Camila tomou o rosto de Lauren entre as mãos pequenas e desceu os lábios sobre os dela, murmurando:

— Me desculpe...



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