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História A Busca (Malvie - Mevie) - Capítulo 43


Escrita por:


Notas do Autor


Fala galerinha! Me deram folga ontem e eu consegui terminar o capítulo \o/
Aproveitem, fiz com muito carinho (Perdoem os possíveis erros de digitação)
Vejo vocês nos comentários!

Obs.: Há uns versos que eu usei nesse capítulo que pertence a música Become the Beast da Karliene, se alguém quiser ouvir vou deixar o link aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=XmDb__VqKDk

Capítulo 43 - Ascensão


Fanfic / Fanfiction A Busca (Malvie - Mevie) - Capítulo 43 - Ascensão

- Você vai Ascender... Mas não com quem Hades espera.

As palavras de Evie ecoaram pela mente de Mal diversas e repetidas vezes enquanto ela deixava a prisão na companhia de Agonia e Pânico. Eles tinham repassado o plano de Evie pelos menos umas seis vezes. Nada poderia sair errado e não poderia haver pontas soltas e brechas para um revide.

- Acha que o plano da sua humana vai dar certo, soberana? – indagou Pânico preocupado.

- Tem que dá – Mal respondeu sem olhar para ele – E não a chamem de minha humana. O nome dela é Evie.

- Como quiser vossa soberaneza.

Mal assentiu de olho no caminho cheio de rochas disformes pelo chão.

- Não queremos que você vá embora – confessou Agonia um pouco triste.

A garota parou de caminhar e se abaixou para ficar na mesma altura que os demônios coloridos.

- Rapazes, mesmo eu sendo filha de Hades e tudo mais... Não pertenço a este lugar. Tenho pessoas que amo me esperando na Terra dos Vivos. Evie e eu na verdade e precisamos voltar. Conseguem entender? – ela perguntou com as mãos nos ombros dos seus ajudantes.

Os dois trocaram olhares e Pânico respondeu.

- Nós entendemos. Aprendemos essa coisa de amor quando Hércules veio buscar a Mégara e derrotou o mestre.

- Ótimo. Vocês... – Mal se interrompeu vendo o demônio vermelho chorar - Agonia? Está chorando?

- Não! São os gases daqui. Demônios não choram – Agonia respondeu fungando e enxugando os olhos.

Mal riu acariciando os cabelos da criatura e brincando com seus chifres que eram menores do que os de Pânico.

- Não fiquem assim. Se tudo correr bem podemos nos ver sempre que quiserem – disse Mal para tentar amenizar a situação.

- Você promete? – Pânico perguntou animado.

- Claro – Mal respondeu ficando de pé cruzando os braços.

- Podemos visitar o mundo dos vivos? – Agonia indagou com seu sorriso cheio de dentes afiados.

- Eles vão ter um ataque quando vocês aparecerem, mas... Por que não?

Os dois demônios deram as mãos e começaram a pular e a rodar de alegria e ansiedade por voltarem a pisar fora do Submundo. Mal gargalhou com a cena, mas logo seu sorriso morreu quando se lembrou de Evie presa sozinha naquela caverna escura. Não era certo deixá-la naquele lugar, mas Evie a convenceu de que estava tudo bem e que seria por pouco tempo. Mal esperava que ela estivesse certa.

- Mas para isso acontecer – disse ela fazendo os dois parar e prestar atenção – Vocês precisam seguir nosso plano.

- Sabemos disso Soberana e vamos arrasar – sussurrou Pânico esfregando as mãos.

- É isso ai. Agora vamos ter uma conversinha com o papai – disse Mal dando tapinhas no bolso da jaqueta onde havia algo escondido.

Os três riram empolgados e seguiram o caminho.

 

Depois que Mal e os ajudantes de Hades foram embora Evie ficou sozinha de novo naquele buraco escuro e por um momento ela se arrependeu por ter deixado a namorada partir. Mas no fundo ela sabia que Mal e os dois pequeninos precisavam dar início aos planos deles. Pensando nisso ela tirou a jaqueta e a dobrou para usar de travesseiro e se deitou no chão sentindo as pedras incomodarem suas costas. Evie virou de um lado para o outro procurando uma posição melhor para tentar dormir um pouco. A menina já havia dormido em lugares piores quando estava na Floresta Negra, mas aquele chão era mil vezes mais desconfortável e depois de se remexer tanto ela desistiu e sentou encostada a parede.

Evie levou as mãos ao rosto coçando os olhos irritada, estava morrendo de sono e de cansaço, mas sua mente trabalhava a todo vapor pensando em um feitiço para libertar os poderes de Mal.

- Como eu queria poder falar com o Sebastian agora. Ele saberia o que fazer - murmurou a garota encolhendo as pernas junto ao corpo e se aninhando na rocha fria.

Evie havia bolado um plano para conseguirem voltar para casa e esperava que ele funcionasse ou as coisas seguiriam outro rumo.

 

Alguns minutos antes

Depois de beijá-la e abraçá-la com força, Mal viu o buraco e sangue seco na jaqueta de Evie.

- Você disse que estava bem. O que é isso? – perguntou preocupada.

- Está tudo bem, Mal. Foi a minha mãe, mas sarou quando eu curei a Melody – Evie respondeu tocando o ombro.

Os olhos de Mal se arregalaram em surpresa.

- Você pode curar? E curou a Melody? Como assim? – indagou a filha de Hades sentindo a cabeça explodir com a descoberta.

Evie riu dando de ombros, nem ela sabia que podia fazer aquele tipo de magia.

- É. Me deixou esgotada.

- Não é para menos. Minha mãe disse uma vez que magias de cura consumiam sua vida – comentou Mal se arrependendo em falar sobre a mãe.

- Eu sei, eu sei. Temos muito que conversar sobre esse dia maluco em Auradon e nossas mães, mas depois. Agora precisamos falar sobre outro assunto.

Então Evie contou para a namorada sobre a segunda parte do rito de Ascensão e depois de Mal querer matar Pânico e Agonia, ela falou sobre seu plano. Mal a encarou com um misto de surpresa e excitação ao ouvir Evie dizer que ela não iria ascender com quem Hades planejava.

- O que quer dizer? - perguntou a filha de Malévola.

- Explico depois - disse Evie lhe dando um sorriso tímido - Primeiro você precisa fingir que não sabe sobre a segunda parte do rito e que também não entende muito sobre a cerimônia.

Uma interrogação se formou entre as sobrancelhas de Mal. Pânico e Agonia se colocaram ao lado dela para ouvir o plano.

- Vá até Hades e o faça contar sobre a cerimônia, o distraia enquanto esses dois acham a brasa e a trazem para mim.

- O que? - os três exclamaram ao mesmo tempo.

- O mestre vai nos matar se roubarmos sua brasa - disse Pânico tremendo só de pensar em passar a perna em seu senhor.

- Ele vai nos esfolar e depois nos cortar em pedacinhos - completou Agonia.

- A brasa não vai funcionar com você. Por que precisa dela? - Mal perguntou ignorando os demônios medrosos ao seu lado.

- Eu sei. Mas se meu palpite estiver certo, preciso dela para encontrar onde seus poderes estão guardados - revelou Evie com voz rouca e calma.

Mal não entendia como Evie usaria a brasa para encontrar seus poderes, mas não queria perguntar e gerar uma discussão sem necessidade.

- Tudo bem. Mas não podemos simplesmente roubar a brasa. Ele vai perceber - disse ela.

Evie se abaixou e pegou uma pedra do chão.

- Hades não vai perceber que foi roubado por que nós vamos deixar uma réplica da brasa no lugar da original - contou a menina segurando a pedra na frente do rosto de Mal.

- E como vamos fazer isso?

- No momento somos duas baterias de magia descarregadas, mas acho que o que recuperamos é o suficiente para criar uma ilusão - Evie respondeu dando de ombros - Me dá sua mão.

Sem demora Mal segurou a mão dela e as duas fecharam os olhos.

- Se concentra em como é a brasa do seu pai. Imagina ela na sua mão. Não precisamos usar palavras... - Evie murmurou - Deixe sua magia fluir e ser absorvida por ela.

Com a mão livre Mal tocou o pedaço de pedra e o feitiço teve início. Pânico e Agonia ficaram maravilhados com a luz azul que envolveu as mãos das garotas iluminando a caverna e deixando a pedra igualzinha a brasa de Hades.

- É lindo - sussurrou Pânico com os olhos brilhando de admiração.

As meninas riram e Mal observou a brasa falsa sentindo magia vindo dela.

- Com isso estamos novamente sem poderes - disse ela deixando transparecer um pouco da sua aflição.

- Eu sei, mas confie em mim. Vai dar certo.

Mal balançou a cabeça em concordância. Não havia ninguém que ela confiasse mais do que a namorada.

- É claro que confio - respondeu sorrindo - Agora, qual o resto do plano?

- Sentem aqui - pediu a filha da Rainha Má e os quatro fizeram um círculo no chão para ouvir as ideias de Evie.

Ao final da explicação Mal estava dividida entre dar um beijo na namorada por sua capacidade de pensar com clareza naquela situação ou bater nela pelas suas ideias perigosas.

- Vocês entenderam tudo?

- Sim, nós entendemos humana - disse Pânico assentindo firmemente.

- Ótimo. Agora vão. Precisamos começar.

- Precisam mesmo se apressar - disse Baudeir aparecendo nas sombras e os assustando - A Ascensão será amanhã.

Mal e Evie ficaram de pé em um salto e se armaram defensivamente. Agonia se escondeu atrás das pernas de Evie e Pânico se agarrou nas de Mal.

- Baudeir, o que está fazendo aqui? - Mal perguntou sentindo o coração bater contra o esterno.

- Segui vocês e ouvi seu plano - confessou o demônio se aproximando deles - Não precisam ficar com medo. Não vou entregá-los a Hades. Na verdade eu odeio seu pai!

As meninas trocaram olhares desconfiados.

- A maioria de nós odeia aquele cara. Só o aceitaram de volta por que acham que vão casar com você e governar o Reino dos Mortos no lugar dele. Mas eu quero ajudar vocês a derrotá-lo e a irem embora se quiserem.

- Isso é muito bom, mas como podemos confiar em você?

- Vi onde ele guardou a brasa - disse o demônio com calma - Se isso ajudar.

- Ele está certo - disse Agonia largando as pernas de Evie e dando um passo a frente - Muitos aqui não gostam do mestre.

- O temperamento dele não é lá dos bons - completou Pânico.

Mal olhou para Evie e as duas conversaram em uma cumplicidade silenciosa que mais ninguém entenderia. Então a Soberana se aproximou do seu servo pessoal com uma das expressões maldosas que usava na Ilha para assustar alguém, o agarrou pelo chifre e o puxou para baixo deixando seus rostos a milímetros um do outro.

- Se nos trair... Nenhum castigo que Hades impôs até hoje chegará aos pés do que farei a você.

Mal o viu engolir a seco e sentiu sua respiração acelerar de medo.

- Tem minha palavra Soberana - Baudeir respondeu.

Mal o estudou com calma e depois o soltou.

Evie ouvia um barulho estranho e ao olhar para baixo viu os demônios tremendo de medo. Seus joelhos batiam um no outro e emitiam um som engraçado.

- Está tudo bem rapazes - disse a menina para acalmá-los.

- Me espere lá fora Baudeir - ordenou Mal ao seu servo que lhe fazendo uma reverência obedeceu sumindo nas sombras.

- Assustou ele para valer - comentou Evie indo até a namorada.

- Fazia parte do show - Mal respondeu virando-se para ela e a segurando pelas mãos - Eu não quero deixar você sozinha nesse lugar horrível.

- Está tudo bem, Mal. É por pouco tempo. Além do mais me lembra o castelo da minha mãe. Já estou acostumada.

- Eu odiava o castelo da sua mãe - disse Mal as fazendo rir.

- Podem ir. Não se preocupe - Evie respondeu lhe dando um beijo e a impedindo de falar mais.

Elas se abraçaram e os demônios limparam a garganta para lembrá-las de que ainda estavam lá.

- Não vejo a hora de estarmos sozinhas de novo - Mal sussurrou ao ouvido de Evie e lhe deu um beijo no pescoço.

Evie soltou uma risada e segurou o rosto dela.

- Eu também dragãozinho. Agora vão!

- Amo você - disse Mal a beijando antes de seguir com os demônios coloridos.

- Eu também.

 

Agora

Evie soltou um suspiro torcendo que Agonia e Pânico não colocassem tudo a perder deixando ser pegos por Hades.

- O que eu não daria por um banho agora? – sussurrou a menina imaginando que se banhar a deixasse mais tranquila para conseguir dormir.

- Seu desejo será atendido, minha senhora – disse Baudeir surgindo agachado ao lado de Evie.

A menina soltou o grito e pulou ficando de pé com a mão no peito.

- Baudeir! O que... O que está fazendo ai? Quer me matar de susto? – ela berrou assustada.

- Sinto muito – disse o demônio se levantando – A Soberana ordenou que eu ficasse de guarda e ajudasse você no que precisasse.

Evie riu da provável cara de assustada que estava fazendo e colocou as mãos na cintura analisando a criatura na sua frente.

- Pelo menos ela não puxou meus chifres dessa vez – brincou o demônio e Evie riu - Posso levá-la para um banho se quiser.

- Seria ótimo – ela respondeu vestindo sua jaqueta.

Baudeir sorriu e apontou para a saída se abrindo na rocha e deixando luz entrar. Evie estreitou os olhos com a claridade e encheu os pulmões com o ar que vinha de fora.

- Siga-me princesa – disse o demônio mostrando o caminho.

- Princesa... – sussurrou Evie lembrando-se de novo de Sebastian – Não me chame assim.

- Ouvi dizer que você é a filha da Rainha Má. Sua mãe é famosa por aqui – contou Baudeir andando ao lado dela – Já mandou incontáveis almas para nós.

- Eu... Eu a matei – confessou Evie engasgando um pouco.

Baudeir arregalou os olhos para ela surpreso.

- Viu a alma dela por ai?

- Não. Se ela não tinha uma moeda consigo Caronte não vai trazê-la em seu barco.

Evie assentiu e eles não tocaram mais no assunto. Ela imaginou que nem a mãe nem Malévola tinham moedas quando foram destruídas. O que era um alívio naquele momento por que não aguentaria enfrentá-las de novo no Reino dos Mortos. Eles passaram por vários buracos nas rochas e Evie lutou para não prestar atenção nos demônios sendo castigados dentro deles ou em seus carrascos.

Passando por uma passagem estreita e descendo uma pequena ladeira eles chegaram a um lugar amplo, mas de teto baixo cheio de fontes de água. O vapor delas pairava sobre as águas o que dizia a Evie que eram normas.

- Fique a vontade. Escolha uma delas e se banhe o tempo que precisar. Ninguém vai perturbá-la – disse Baurdeir.

- Posso perguntar uma coisa?

- Sim.

- Se odeia tanto Hades por que obedece a Mal?

 - Por que a Soberana vai destroná-lo. Já passamos muito tempo sem um governante, não precisamos dele de volta – Baudeir respondeu sem demora e deu as costas para ela – Não pode tomar banho de roupas. Vamos. Relaxe.

- Como você pode ser um demônio e ser tão educado?

Baudeir gargalhou sentando-se em uma pedra e dando de ombros fazendo seus cabelos loiros balançarem.

- Não é por que somos demônios que não podemos ter educação.

Evie riu e começou a tirar sua roupa olhando para os lados. Mesmo Baudeir falando que ninguém a incomodaria, não poderia descuidar. Com cuidado ela entrou na água e se sentiu maravilhada com a temperatura dela contra sua pele. Estava norma e deliciosa e ela aproveitou cada segundo de relaxamento que o banho lhe proporcionou, mas não podia demorar demais e arriscar não está na caverna quando os demônios levassem a brasa de Hades para ela.

 

Pânico e Agonia levaram Mal até a toca de Hades onde o mestre deles estava desfrutando de algum tipo de comida que Mal não quis nem imaginar o que era.

A toca era bem iluminada com tochas de fogo e limpa diferente do lugar onde Evie estava.

- Então, o que achou do seu reino? Melhor do que Auradon não é? - Hades perguntou saindo da mesa de pedra e se jogando em uma poltrona muito confortável para pertencer ao Submundo.

- Trouxe lá de cima há muito tempo - disse Hades apontando para o teto respondendo a pergunta interna da filha.

Mal assentiu e cruzou os braços.

- Eu preciso de algumas informações sobre minha ascensão - disse a menina com cuidado.

- Informações? Achei que esses estúpidos já tivessem lhe contado a respeito.

Pânico e Agonia se olharam e deram de ombros.

- Contamos o que o senhor mandou – disse o demônio verde.

- É. Eles me contaram que é um casamento e que serei coroada e governarei a Morada dos Mortos.

- Isso - Hades respondeu sorrindo - Não há nada para se preocupar. É só um casamento. Vocês garotas sonham a vida toda com isso.

- Não. Não sonhamos. Algumas de nós têm outras prioridades - Mal respondeu sentando na cadeira de pedra na frente do pai – Tem algo mais que eu precise saber?

- Talvez – Hades respondeu jogando uma uva ou algo parecido dentro da boca – Você vai se conectar com seu marido na frente de todos nós.

- O que? – Mal fingiu surpresa – Pai isso é indecente!

- Ah Mal! Qual é? Pudor é para humanos! Não seja estraga prazeres!

Mal cruzou as pernas e os braços com raiva.

- Isso é a coisa mais ridícula que eu já ouvi. Como pode expor sua filha?

- Se acostume, Mal. Aqui não existe privacidade.

Hades olhou para as próprias unhas e revirou os olhos.

- Agonia!

- Sim, vossa malvadeza - exclamou o demônio batendo uma continência.

- Pinte minhas unhas. A tinta dos mortais já está saindo.

Mal assistiu o demônio vermelho pegar uma caixa de madeira com frascos de tinta preta e começar a pintar as unhas do pai enquanto Pânico se esgueirava nas pontas dos pés a procura da brasa. Ela precisava distrair Hades.

- Bom... Pelo menos eu posso escolher qualquer um, não é mesmo? - ela perguntou – Qualquer um.

- Pinta isso direito seu verme! - gritou Hades com seu servo - Sim! Qualquer um que pertença ao Submundo. Pode escolher até o Agonia se quiser.

Agonia olhou para Mal e sorriu batendo os cílios de maneira sedutora.

- Nossos filhos teriam quantos chifres?

Mal riu daquela idiotice vendo Pânico por cima do ombro de Hades mexendo em algo.

- Não fique nervosa, Mal. Tudo estará pronto amanhã - disse Hades observando de perto o trabalho de Agonia e fazendo careta.

- E depois você vai libertar a Evie, não é?

- É, é - ele respondeu fazendo pouco caso.

- Pai, você disse que... - Mal começou, mas foi interrompida com um barulho de coisas caindo.

Hades ficou de pé derrubando Agonia e virando-se para trás onde Pânico estava no chão segurando a brasa.

- Mas o que você está fazendo? - esbravejou o ex-Deus com seus cabelos queimando.

Mal olhou para o demônio com o coração na mão. Droga! Eles tinham sido pegos.

- Perdão meu senhor! Perdão! Esbarrei no pedestal e ela caiu - suplicou Pânico de joelhos estendendo a brasa para seu mestre.

Hades a pegou com violência e ergueu o braço para bater no demônio verde. Pânico fechou os olhos e esperou o castigo.

- Não! - Mal exclamou segurando o braço do pai - Não faça isso. Ele é só um destrambelhado. Sua brasa está inteira, não está?

Hades olhou para a filha com um bico e então olhou sua brasa.

- Está - disse guardando-a na túnica - Deem o fora daqui! - ele gritou e os demônios saíram correndo.

Ao passar por Mal, Pânico piscou dando a entender que ele havia conseguido fazer a troca. A menina riu e se voltou para o pai.

- O que estava comendo?

 

Evie estava certa e o banho a deixou mais relaxada e de corpo leve. No caminho de volta para a prisão Baudeir ficou em silêncio, o que ela não achou nem um pouco ruim, não estava mesmo querendo conversar. Ele se despediu e a deixou sozinha com seus pensamentos e quando Evie estava finalmente caindo no sono Pânico e Agonia chegaram gritando agitados.

- Evie! Evie! – berrou Pânico.

- Agora sei por que chamam esse lugar de inferno – Evie murmurou abrindo os olhos e rindo vendo a euforia dos dois – Se acalmem. Conseguiram?

- Sim! – Agonia exclamou – Mas quase fomos pegos.

- Minha nossa! Vocês são um desastre mesmo – disse Evie ficando de pé.

- Aqui está – disse Pânico entregando a brasa azul para a menina.

Evie a pegou com receio e a observou tentando sentir algum resquício da magia de Hades.

- Trouxemos isso também – disse Agonia oferecendo um manto preto com capuz para ela.

- Não podemos arriscar que te vejam na escultura – completou Pânico vendo-a guardar a brasa no bolso da jaqueta.

- Tudo bem – Evie respondeu pegando e vestindo o manto – Vamos lá.

Os três saíram da caverna e Evie deu de cara com Baudeir de pé encostado na rocha.

- Vão. Eu cubro vocês – sussurrou o demônio.

Evie lhe deu um pequeno aceno com a cabeça e seguiu os nanicos coloridos pelos tuneis da prisão até uma encruzilhada.

- Onde estão indo? – disse uma voz atrás deles os fazendo parar.

Evie puxou ainda mais o capuz para melhor cobrir o rosto.

- Estamos indo ajudar na organização da cerimônia – disse Agonia virando-se para encarar o demônio alto e robusto que os parou.

- Sabe como são casamentos, muitos detalhes – Pânico o ajudou.

- Não vejo a hora de a Soberana me escolher como seu consorte – disse o demônio convencido.

- Vai sonhando – Evie sussurrou com raiva.

- O que disse? – perguntou o demônio dando um passo na direção dela.

- Nada! – Pânico gritou nervoso.

- Temos muitos preparativos para finalizar! Até amanhã! – exclamou Agonia agarrando Evie pela mão e a puxando com pressa.

Para sorte deles o demônio não os seguiu nem pareceu se importar para onde estavam indo. Evie imaginou que estava perto por que sentia a magia chamando-a como da primeira vez que saiu da caverna e depois de virar a esquerda eles finalmente chegaram. Observando a escultura uma pergunta surgiu na mente da menina.

- Como vocês sabiam sobre a Ascensão se quando a Mal nasceu Hades já havia sido derrotado e estava na Ilha dos Perdidos?

- As Parcas contaram ao mestre o que aconteceria se ele perdesse a luta contra Hércules – Agonia respondeu com um dedo erguido – Elas mostraram a soberana e todo o seu poder para ele.

- As Parcas... As três mulheres que controlam passado, presente e futuro e cortam nosso fio de vida – Evie murmurou mais para si mesma do que para seus companheiros – Achei que fossem só uma lenda.

- A única lenda é que são bonitas. Por que elas são três velhas horrorosas – zombou Pânico e os três riram.

- Ok. Então isso confirma minha suspeita. Hades já sabia de tudo quando deu aquele feitiço para Mal. Desgraçado!

- O mestre é bem esperto – apontou Agonia.

- Isso é o que vamos ver – disse Evie dando um passo para mais perto da parede – Fiquem de olho.

Os demônios assumiram suas posições atrás dela e ficaram de vigia enquanto Evie tirava a brasa do bolso.

- Bom, não posso usar seus poderes, mas posso fazer você me contar coisas – sussurrou a menina para a brasa – Revelare anima nera.

Ao comando de Evie a brasa acendeu e esquentou liberando alguns filamentos azuis cristalinos que serpentearam no ar e foram atraídos pela parede. Os fios se espalharam e se enraizaram pelos contornos dos desenhos escavados na pedra. Em poucos segundos a escultura estava tomada por eles e brilhando. A luz chamou a atenção dos demônios coloridos e eles ficaram de boca aberta quando viraram para a parede.

- Uau – eles disseram ao mesmo tempo.

A magia no sangue de Evie rugiu em resposta a instigando a tocar a rocha e ela obedeceu prontamente. Ao encostar a palma da mão na escultura Evie sentiu um solavanco no corpo e seu braço formigou como se seu sangue estivesse aquecendo.

- Revelare – ela disse de novo e então eles viram traços brilhantes surgirem ao redor das duas figuras talhadas.

- O que é isso? – indagou Agonia admirado.

Os traços se transformaram em letras e frases completas, mas que pareciam ser um dialeto antigo e perdido por que nenhum dos três conseguia ler. Evie os estudou com atenção e flashes das correntes brotando da terra e prendendo Mal na Floresta Negra invadiram sua mente e ela soube o que fazer.

- Absorbere – ela disse com autoridade e todas as letras começaram a se dissolver e escorrer pela parede até a sua mão.

Os traços cintilantes foram absorvidos por Evie através da sua mão e então desapareceram assim como o brilho da brasa e da parede.

- O que foi isso? – questionou Pânico – O que você fez?

Evie enfiou a brasa de volta no bolso e virou-se para eles com seus olhos brilhando em azul.

- O feitiço para libertar os poderes da Mal – ela respondeu controlando seja lá o que houvesse dentro de si e fazendo seus olhos voltarem ao normal.

- Então estão mesmo presos ai?

- Sim. Estão aqui – Evie respondeu se ajoelhando na frente deles e puxando o capuz para trás – Me prometam que se alguma coisa sair errado amanhã vocês irão cuidar da Mal.

- Por que diz isso? – quis saber Agonia.

- É só precaução.

 

Mal não sabia que no Submundo não dava para distinguir a noite do dia ou muito menos que horas eram exatamente. Ela não tinha noção de quanto tempo ficou ouvindo Hades falar sobre si mesmo enquanto comia e bebia como um porco. Pelo menos ele não tinha percebido ou fingiu não perceber o plano deles de roubar a brasa. Fazia poucos minutos desde que Pânico foi lhe ver e contar que Evie havia conseguido descobrir onde estavam seus poderes.

- Uma noticia boa ao menos – ela sussurrou encarando seu anel de noivado feito por Evie e sorrindo.

Foi pensando nos beijos e no cheiro bom da namorada que Mal adormeceu em seu quarto cavernoso. Ela não sonhou com nada em especifico, todos os sonhos que teve foram confusos, sem sentido e repletos de gritos. Tomou um susto quando acordou e viu duas figuras paradas ao lado de si.

- Está na hora de se preparar, Soberana – disse uma delas sibilando.

As duas eram demônios fêmeas e lembravam as servas do Rei Ben com seus uniformes estranhos e iguais. Elas não tinham chifres como os outros que Mal conheceu, mas seus dentes eram tão grandes que passavam de suas bocas como espetos.

Mal esfregou os olhos e saiu da cama devagar ainda olhando para elas com cuidado.

- Não precisa calçar as botas – disse a outra com olhos amarelos – Vamos banhar você.

- Não, valeu. Eu mesma posso tomar banho. É só me mostrar onde – disse a menina olhando para as grandes e sujas unhas das duas.

- É o nosso trabalho. Não faça desfeita – exclamou a mulher demônio parecendo brava.

Mal não queria mesmo que alguém lhe ajudasse com o banho, ainda por cima dois demônios, mas não conseguiu escapar delas quando começaram a arrancar suas roupas a deixando nua e sem graça.

- Não seja tímida – riu uma delas a empurrando por uma passagem que Mal não tinha visto antes e que dava para uma pequena fonte de água cristalina.

- Entre! – exigiu a outra apontando para a fonte.

Mal olhou para o buraco no chão e engoliu a seco. Ela não queria entrar apesar da água está limpa, não sabia a profundidade daquilo e não iria arriscar se afogar em uma droga de fonte.

- Não é fundo Soberana – disse a demônio como se lesse os pensamentos dela.

Ainda usando os braços para se cobrir, a garota tocou a água com a ponta do dedo do pé para sentir a temperatura. Pelo menos estava norma. A demônio de olhos amarelos puxou o braço de Mal, arrancou o anel do seu dedo e a empurrou na água.

- Não temos o dia todo!

- Ei! – Mal esbravejou cuspindo água – Me devolve isso!

- Vai ganhar outra aliança... – disse a outra se agachando ao lado da fonte e mergulhando a cabeça da menina na água – Permanentemente dessa vez.

As duas gargalharam deixando Mal profundamente irritada. Ela agarrou o pescoço da mulher demônio e o apertou com força com seus olhos verdes brilhantes.

- Se perderem esse anel farei outro com os ossos de vocês! – gritou a filha de Hades tremendo de raiva – Com os que sobrarem depois que eu as devorar, é claro. Sumam daqui!

Mal soltou o pescoço da demônio e viu a de olhos amarelos deixar seu anel no chão antes de saírem com pressa.

- Idiotas! – disse saindo da água em busca do seu precioso presente feito por Evie.

 

Mal saiu do banho sentindo-se fresca e revigorada e enquanto voltava para o quarto fez uma prece para que as duas servas não estivessem por lá ou seria capaz de cometer uma besteira. E elas não estavam, mas havia um vestido preto em cima da cama de pedra, roupas de baixo e outras coisas que ela não prestou muita atenção. Mal não demorou se trocando, ela queria acabar com aquilo o mais rápido possível e voltar para Auradon. 

Não havia espelhos no lugar então ela não sabia como estava, mas imaginou que o vestido era o menos importante naquela situação já que ele nem era tão glamoroso. Na verdade era uma peça simples, quase sem graça e sem brilhos ou adornos como os das princesas que ela conhecia. Não que ela ligasse, porém esperava mais do seu pai.

- Pelo menos acertaram no meu tamanho - resmungou a menina passando a mão pela saia do vestido que era quase apertado demais em sua cintura e busto.

Mal detestava usar aquele tipo de roupa, mas faria um esforço. Ela colocou os brincos de pedraria e as sandálias de salto.

- Como diabos vou andar com isso sem cair? - perguntou para o quarto vazio.

Depois penteou os cabelos e os deixou soltos. Ao jogar a escova na cama, Mal foi atraída pelo anel em seu dedo e sorriu o levando até aos lábios e o beijando.

- Não foi isso que imaginei para o meu grande dia - murmurou com melancolia.

- Soberana? - disse Baudeir na porta do quarto - Está pronta?

O demônio sorriu ao vê-la dentro das vestes cerimoniais e lhe ofereceu a mão. Sem muito pensar ela aceitou e ele a conduziu para fora.

- Devo dizer que está belíssima - disse o servo andando ao seu lado.

- Obrigada. Já chegaram todos? - perguntou Mal segurando firme a mão dele para não tropeçar pelo caminho.

- Sim. Não se preocupe.

- Ela está bem? - Mal sussurrou segurando a barra do longo vestido.

- Perfeitamente, senhora - Baudeir sussurrou de volta.

- Ótimo - Mal respondeu estalando o pescoço - Vamos começar.

 

Hades aguardava impaciente por Mal no local onde ele escolheu para montar o altar da Ascensão. O espaço em questão ficava em um nível mais alto do que o chão como uma espécie de palco e estava ornamentado com muitos castiçais com fogo que flutuavam ao redor iluminando tudo. Havia um altar de pedra polida no centro com uma pequena caixa de madeira e um punhal em cima. Ele repassou seu plano algumas vezes enquanto esperava pela filha. Seria simples. Quando Mal e seu escolhido se conectassem, ele usando a brasa observiria seus poderes se tornando invencível. Claro, ele teria que dar um jeito na filha e na bruxa de cabelos azuis depois disso.

- Tem que dar certo - disse ele para si mesmo.

Ele estava nervoso por não ter conseguido falar com as Parcas e não sabia se o que planejou daria certo. Pânico e Agonia o observavam com atenção a procura de qualquer sinal de que havia algo errado.

- O que estão olhando?

- Está muito ansioso mestre - gaguejou Agonia.

- É óbvio seu verme! Sabe o quanto isso é importante para voltarmos à ativa! - Hades berrou para os dois - Sem os poderes da Mal será impossível.

Os demônios ficaram calados quando viram Baudeir chegar acompanhado pela soberana. Todos na multidão também se calaram e a contemplaram subir com elegância os degraus até o pai. Hades sorriu e a puxou pelo braço a surpreendendo.

- Vamos começar logo com isso! - disse empurrando a filha para frente.

 

Mal ouviu as vozes da multidão ansiosa pelo espetáculo assim que se aproximou do local marcado. Ela parou na entrada olhando para todos os cantos e vendo como os demônios se arrumaram para estarem ali, o que seria interessante se não fosse o seu casamento com um deles.

- Vamos - disse Baudeir com uma mão nas costas dela.

Mal lhe deu uma boa olhada e voltou a caminhar. A multidão fez silêncio quando a viu chegar. Ela tentou reprimir seu nervosismo e subiu os degraus com a ajuda do seu servo. Mal viu o altar com dois objetos repousando em cima e uma velha vestida de preto atrás dele olhando para ela com nojo. Com certeza ela iria presidir o ritual. Ela viu também os demônios coloridos sorrindo e próximo a eles um pedestal com uma coroa negra com pedras azuis.

A mão de Hades se fechando em volta do seu braço a tirou de seus pensamentos e a empurrou para frente com pressa. Ele manteve a mão em seu ombro quando começou a falar.

- Meus amigos! Hoje é um dia muito feliz para nós! O dia em que todos esperamos! O dia da Ascensão de nossa Soberana!

A horda de demônios gritou animada e Mal se perguntou se todos sabiam que Hades roubaria seus poderes ou só estavam animados para vê-la ser deflorada por um deles sem o menor problema. Pensar naquilo fez seu estômago vazio remexer e lhe causar náuseas.

- Uma gracinha e eu acabo com a Evie, entendeu? – Hades sussurrou dando tapinhas no ombro dela.

Mal o encarou com ódio nos olhos antes dele continuar.

- Silêncio! – ele gritou com a mão erguida – Minha filha vai andar entre vocês e escolher quem ela quer como consorte! Boa sorte a todos!

Os demônios comemoraram antes de fazer silêncio.

- Vai e escolhe – disse ele para Mal.

A menina bufou e desceu os degraus pisando firme sem medo de cair dessa vez e se dirigiu para o meio da multidão. Nos rostos das criaturas estava estampada a ansiedade, antecipação e excitação por aquele momento. Mal andou entre eles como uma verdadeira princesa de queixo erguido os avaliando como peças a venda. Alguns faziam poses mostrando seus dotes e músculos, outros salivavam lhe cobiçando quando ela passava. Mal sentiu nojo de todos eles, mas manteve o sorriso falso nos lábios e até deu algumas piscadelas provocativas.

Hades observava tudo de cima e viu quando ela finalmente terminou e parou de frente para o grupo.

- Já me decidi – disse Mal encarando-os.

- E quem será? – Hades perguntou ansioso.

- Eu escolhi... – Mal disse fazendo uma pausa para sorrir de novo para os demônios – A Evie.

- O que? – Hades gritou com seus cabelos pegando fogo e olhos arregalados.

A multidão ficou chocada e sem acreditar no que ela estava dizendo. Já Baudeir, Pânico e Agonia esconderam o riso. Mal virou-se para o pai e o enfrentou.

- Você me ouviu. A Evie é a minha escolha.

- Não pode escolhê-la! – esbravejou Hades.

- Por que não?

- Por que ela é uma garota! E além do mais ela não pertence ao Submundo! – Hades gritou sentindo vontade de esganar a filha.

- Se você não lembra papai... A Evie é minha namorada e fazemos isso o tempo todo – Mal respondeu voltando para o altar – E por um acaso alguns meses atrás ela morreu e voltou para mim. O que faz dela pertencente aos dois mundos, não acha? – debochou a garota de cabelos roxos se aproximando do ex-Deus – A alma da Evie é manchada como as nossas, então não vejo problema em escolhê-la.

Hades se controlou para não explodir de raiva e colocar tudo a perder. O que Mal estava falando era verdade, a bruxa azul tinha cheiro de Submundo e pertencia ao lugar assim como eles.

- É só um casamento. Não precisa ficar tão nervoso – zombou Mal usando as palavras do próprio Hades e o vendo contorcer o rosto se controlando.

- Ok! Tudo bem! – Hades exclamou ainda com raiva. Mal tinha uma carta na manga, mas ainda iria fazer o ritual e ele poderia tomar seus poderes – Tragam a Evie!

A multidão se revoltou e fizeram barulho.

- Não pode aceitar isso! – gritou alguém dando voz a todos.

- Não faz sentido!

- Calem a boca! Eu posso fazer qualquer coisa! Eu sou o rei desse lugar! – Hades berrou para os demônios.

Mal olhou a confusão se formar com um sorriso no canto da boca.

- Muito espertinha minha filha – rosnou Hades.

 

Evie encarava sua mão por onde havia absorvido o feitiço da rocha na outra noite. Ela não tinha conseguido dormir depois de ter feito aquilo e não sabia se era por influência da magia ou da brasa em seu bolso, mas não conseguia relaxar. Então usou as horas que se arrastaram para criar feitiços de tradução e descobrir o que diziam os símbolos que haviam se escondido em sua pele.

Sentada no escuro ela aguardava ansiosa pelo próximo movimento do plano. Se Mal não conseguisse convencer Hades a aceitá-la no ritual tudo mudaria e ela teria que liberar os poderes da namorada sozinha. O sinal viria por Agonia ou Pânico, mas eles estavam demorando e ela só poderia torcer para que estivesse tudo bem.

De repente a passagem para a cela se moveu na rocha e um demônio entrou marchando na direção dela. Evie ficou de pé rápido e ele a puxou pelo braço.

- O que esta havendo? – ela questionou sendo levada.

- A Soberana quer você – foi tudo que ele respondeu antes de bufar com desdém.

Evie sorriu e respirou fundo se preparando para o que estava por vir. Ela estava tão ansiosa que nem percebeu se o caminho era longo ou não e quando eles chegaram ao local todos a encararam, mas Evie só tinha olhos para Mal naquele vestido preto sorrindo para ela. O servo de Hades a fez subir os degraus e a empurrou para o mestre. As meninas não pararam de se olhar um só momento e Hades revirou os olhos com a cena.

- Agora que sua namoradinha chegou podemos continuar?

- Claro pai – Mal respondeu sem olhar para ele.

As duas caminharam até o altar onde a velha carrancuda esperava impaciente.

- Odiei o vestido – Evie murmurou.

- Eu também.

- Ainda bem que vou arrancá-lo – disse Evie a olhando de canto.

O sorriso sapeca de Mal lhe dizia que ela tinha aceitado a provocação e quando elas se aproximaram do altar de pedra, Mal pôde ver melhor os objetos que estavam dispostos nele. Uma caixa de madeira e um punhal de prata, trocando olhares com Evie ela encarou a velha à frente. A mulher era alta e magra, sua pele era escura e coberta de marcas claras como círculos com estrelas dentro. Seus longos cabelos prateados tinham mechas vermelhas que começavam onde seus chifres saiam. A túnica dela era preta com algumas tiras vermelhas amarradas nos braços e na cintura lhe dando forma. Ela tinha um olho vermelho e o outro preto o que deixou Mal um pouco desconfortável.

- Isso é um tanto quanto diferente – disse a velha com voz estridente.

Evie olhou sua boca de lábios ressecados e dentes irregulares e sentiu aversão.

- Aqui não seguimos os ritos longos e demorados dos mortais – disse a velha olhando para Hades – Então vamos ao que interessa.

Ela puxou a caixa de madeira para o centro do altar e abriu revelando duas pequenas pedras lá dentro. As garotas não faziam ideia do que significavam e olharam atentas a velha tirar um livro de couro das vestes e recitar algumas palavras indecifráveis.

- Me de sua mão direita – pediu para Mal colocando o livro no altar.

Mal estendeu a mão para ela, a velha pegou o punhal fez um corte na palma e a colocou por cima da caixa deixando o sangue pingar em uma das pedras. Depois fez o mesmo com Evie sujando de sangue a outra pedra. Sentindo o corte arder, Mal a observou desamarrar uma das tiras vermelhas presa em sua cintura e envolver as duas pedras por completo.

- Que o fogo do mais ardente inferno e a rocha do mais forte dos montes as una para toda a eternidade. Que seus sangues fervam e ressoem na mesma sintonia para sempre e que seus corpos nunca esqueçam a quem pertencem – disse a velha segurando as pedras envoltas na tira de tecido vermelho.

Evie viu de boca aberta o tecido incendiar nas mãos da velha e as pedras tomarem forma de duas largas alianças negras e lisas como mármore. Cada uma tinha uma pedra vermelha como sangue no centro e pareciam quentes.

- Suas alianças – disse a velha com os anéis fumaçando na palma da mão – Peguem.

Mal foi a primeira a pegar a aliança enquanto Evie virava-se para ela. Apesar da fumaça, Mal não sentiu o objeto queimar seus dedos, o que era estranho, mas cômodo. Evie sorriu e estendeu a mão esquerda com o coração palpitando no peito.

- Não sei o que dizer – sussurrou a filha de Malévola segurando a mão dela e se sentindo uma boba apesar de não ser um casamento comum, ainda sim estava se casando com Evie – Quando aceitei ser sua noiva não foi isso que eu tinha em mente para nós.

Evie riu com os olhos marejados e assentiu.

- Eu disse que ficaria com você na escuridão, Mal. Casaria com você em qualquer lugar, até mesmo no inferno por que eu te amo e nada vai mudar isso.

Mal sorriu sentindo-se a pessoa mais sortuda do mundo e segurando as lágrimas colocou a aliança no dedo de Evie com sutileza. Então foi a vez a menina de cabelos azuis fazer o mesmo. Evie segurou a mão da namorada e viu o anel que ela tinha lhe dado na Ilha.

- Não quis ficar sem ele - contou Mal.

- Posso guardar ele para você? – Evie perguntou e a viu concordar.

 Devagar ela o tirou e o guardou no bolso da jaqueta, então pegou a aliança e a colocou no dedo de Mal beijando sua mão com carinho. Mal sentiu a mão formigar ao toque de Evie que não tirava os olhos dos dela e em segundos o corte feito pela velha se fechou. Evie a tinha curado como havia feito com Melody e sorria para ela de um jeito fofo que a deixou derretida.

Uma fisgada arrancou o sorriso delas e atraiu suas atenções para suas mãos onde as alianças brilhavam como fogo incandescente.

- O que é isso? – Mal exclamou assustada olhando para a mão.

Evie não sabia, mas assim que o brilho se apagou as alianças haviam sumido e dado lugar a marcas negras em suas peles como se tivessem sido absorvidas.

- São alianças permanentes – disse a velha quase rindo delas – Estão marcadas na pele, na carne e nos ossos de vocês para sempre. De hoje em diante suas almas se pertencem. Eu, Morrigan, demônio dos entrelaces declaro vocês unidas para toda vida e depois dela.

Mal tirou os olhos da sua listra preta no dedo e se aproximou de Evie a puxando para um beijo quente. Não houve muita comemoração dentro da horda de demônios, somente aqueles que eram contra Hades ousaram esboçar alguma reação a favor delas. Hades assistiu a tudo de braços cruzados e impaciente como sempre. Pânico e Agonia deram as mãos e pularam felizes e derretidos com a cena do beijo.

- Queria ser beijado assim também – disse Pânico fazendo bico e imitando um beijo.

Evie estava de olhos fechados querendo mais do que aquele beijo, sentindo cada parte de si desejar Mal e seu corpo quente contra o dela quando Hades as separou.

- Vamos à coroação – disse o pai de Mal entre elas sendo fuzilado pelos olhares das duas – Tragam a coroa!

Obedecendo a ordem dada por ele, Baudeir foi até o pedestal e pegou a coroa com cuidado levando-a até seu mestre com uma reverência. Hades a pegou e virou-se para sua filha que o encarava sem medo. Evie estudou os detalhes da coroa que diferente do vestido sem graça que Mal usava, era muito bonita, feita provavelmente de ferro trabalhado e polido e cravejada de joias azuis, sendo a maior delas a do centro.

Quando Hades colocou a coroa na cabeça de Mal, a garota esperava que ela fosse pesada e incomoda, mas não era tão ruim assim. Devia ser por isso que Ben quase nunca estava sem a dele, concluiu ela.

- Saúdem Mal Bertha Hades! – gritou o pai dela a plenos pulmões - A Soberana da Morada dos Mortos! Rainha do Submundo!

Incentivada pelo ex-Deus Mal foi até a frente e viu aos poucos a multidão se ajoelhar perante ela. Aquela cena era tão estranha e bizarra que Mal nem sabia explicar para si mesma o que estava sentindo.

- Mal Bertha Hades é? – sussurrou Evie se colocando ao lado dela e entrelaçando suas mãos.

Mal sentiu o coração se acalmar com a presença dela e riu do seu ciúme bobo.

- Grimhilde. Serei sempre Grimhilde, você sabe – ela respondeu apertando a mão de Evie.

Evie inclinou-se para mais perto dela e lhe disse ao ouvido.

- Estarei pronta quando você quiser.

Ouvindo a comemoração de Pânico e Agonia e Hades gritando com os dois, Mal ergueu o queixo para os demônios ainda de joelhos esperando por um pronunciamento ou algo assim da parte dela.

- Conseguiu criar o feitiço para libertar meus poderes?

- Digamos que sim, mas vai ter que se livrar das minhas roupas se quiser vê-lo – Evie provocou com sua voz mansa.

Mal a encarou com desejo e cobiça. Seu dragão arranhando as paredes de sua mente ansiando por Evie.

- Estou mais do que pronta – respondeu Mal a abraçando pela cintura e mordiscando seu lábio.

- Anima nera – Evie sussurrou antes de agarrá-la e beijá-la intensamente.

 

Mal não percebeu quando o fogo começou. Estava completamente mergulhada e perdida no beijo e afagos de Evie que achava que o calor sentido vinha do desejo ardente de tomá-la. Mas quando se afastaram um momento para recuperar o fôlego, viu que ao redor delas havia um redemoinho de fogo azul igual ao que se formou na Floresta Negra quando Evie arrancava seus poderes.

- O que está havendo? – sussurrou olhando em volta e não ouvindo nem enxergando mais nada além de fogo.

- Sua Ascensão, minha rainha – brincou Evie sorrindo com os braços ao redor da cintura dela.

Mal sorriu tirando a coroa da cabeça.

- Não preciso disso – disse ela jogando o objeto no fogo – Você é minha coroa, meu reino e o que mais desejo nesse mundo. Minha esposa.

Evie gargalhou de felicidade e a provocou.

- Eu não ouvi direito. Você disse minha esposa?

A boca entreaberta de Evie era um convite. Os olhos cor de mel uma súplica e a respiração falha uma ordem.

Devore-me!

Mal segurou o rosto dela acariciando sua bochecha com carinho, mas seus olhos eram de um predador faminto pronto para atacar sua presa e era assim que ela se sentia. Prestes a devorar sua caça.

- Minha consorte, rainha e esposa – Mal sussurrou com aquele olhar feroz encurralando Evie entre a parede fogo e o seu corpo – Sou sua.

Evie teve a impressão de ter visto presas na boca de Mal quando os olhos dela brilharam verdes, mas não teve tempo de confirmar. A garota a beijou no pescoço despertando sensações e lhe causando arrepios por todo o seu corpo, então rasgou sua jaqueta a arrancando fora com a voracidade de uma besta. Evie enterrou as mãos nos cabelos dela e a puxou de volta para sua boca enquanto Mal se livrava da sua blusa a deixando de sutiã.

Mal não sabia se o ritual tinha despertado algo dentro de si, mas aquela fome era diferente de tudo que já havia sentido antes. Parecia antiga, feroz e insaciável e ela não queria se afastar de Evie nem por um segundo. A boca dela era doce e quente e o perfume natural que exalava atiçava seu dragão que a arranhava para sair.

Evie colocou as mãos por baixo do vestido de Mal e começou a rasgá-lo com agilidade. Mal a ajudou a despedaçar o tecido sem valor e a sumir com os calçados, depois voltou a beijá-la e arrebentou o zíper da sua calça com violência despindo-a. Mal a agarrou pelas nádegas a puxou contra seu corpo deslizando as mãos por suas costas.

As mãos de Mal eram quentes como uma chama e macias como pétalas de rosas e Evie as queria por todo seu corpo. Seu toque produzia um pico de calor que em nada tinha a ver com o fogo ao redor delas, mas devorava a garota por dentro fazendo seu sangue ferver, a respiração falhar e seu coração bater descompassado.

Ela também não suportava quando Mal interrompia o beijo para tomar fôlego, mas elas precisavam continuar o feitiço e libertar os poderes da Soberana. Contra sua vontade tirou os lábios de Mal dos seus e a fez olhar para seu corpo. Com a respiração parecendo pesar toneladas Mal seguiu o olhar de Evie e viu as letras marcadas na pele dela bem nas costelas abaixo do seio esquerdo. Automaticamente ela dedilhou aqueles traços estranhos e os viu brilhar sentindo Evie se retrair, provavelmente com cócegas. Mal observou a tatuagem e sorriu maliciosamente para ela.

- Eu começo – ela sussurrou mudando o foco dos olhos para a boca de Evie – Eu sempre fui uma caçadora. Nada na minha cola, mas havia algo em você. Eu sabia. Que poderia fazer isso mudar.

Mal se deteve alguns instantes para contemplar sua amada. A luz do fogo azul acariciava seus cabelos, a linha do pescoço e as curvas de Evie. Seus olhos eram como joias brilhantes e impossíveis de resistir ao chamado delas. Mal derrubou as alças do sutiã dela dos ombros e o mandou para longe apertando sua boca contra seu pescoço. O peito de Evie subia e descia rápido, o corpo latejava e pulsava, a cabeça para trás murmurando gemidos enquanto Mal descia até seus seios e tateava seu corpo com as mãos.

Cada toque, cada mordiscada, cada afago, cada beijo de Mal deixava Evie ansiosa por mais. Ela precisava continuar o feitiço, mas era tão difícil falar quando sua boca tremia em excitação e sua língua estava enroscada à de Mal, que foi um esforço sem tamanho afastá-la do seu corpo que exigia se unir ao dela. Com os pulmões parecendo que iriam explodir a procura de ar e sem tirar os olhos do oceano verde que eram os de Mal, Evie recitou o outro verso do feitiço.

- Para capturar um predador você não pode continuar sendo a presa. Você tem que se tornar um igual em todos os sentidos – disse ela se desfazendo do sutiã de Mal e pulando em seu colo prendendo suas pernas na cintura dela.

Evie era tão leve como uma pluma e Mal a segurou com firmeza unindo suas bocas novamente com urgência. O beijo teve gosto diferente dessa vez. O hálito delas estava mais quente e seus lábios tinha sabor de uma coisa que o povo de Auradon chamava de mel. Era doce e viscoso.

- Então olhe no espelho e diga-me quem você vê. Ainda é você ou sou eu?Torne-se a besta. Não temos que nos esconder – Mal continuou quando elas finalmente se olharam. Ela devia ter absorvido o feitiço quando o tocou, pois sabia os versos sem olhar.

- Você sente a fome? Ela uiva de dentro? – emendou Evie molhando os lábios.

Infernos! Claro que Mal sentia fome e ela estava aumentando a cada palavra daquela magia.

A fome a consumia por dentro e a rasgava desejando ser saciada por aquela menina de cabelos azuis e sorriso fofo. Mal se agachou e a deitou com cuidado no chão ficando sobre ela admirando as partes daquele corpo que ela conhecia e amava há muito tempo. Mal o encheu de beijos infinitos que preencheram Evie de calor das pontas dos dedos até todas as extremidades. Evie teve certeza de que o tempo havia parado para elas naquele exato momento quando apreciava o rosto de Mal com cascatas de cabelos roxos despencando ao lado dele. Sua boca carnuda era uma provocação e Evie a aceitou a puxando para si. Não havia nada além de línguas provocantes, suspiros pesados e sem fôlego, mãos trêmulas e o calor que crescia entre as pernas.

- Estilhaços da minha alma cortam através de sua pele – disse Mal passando os dedos de leve pelo dorso de Evie acariciando sua pele descendo até seu quadril - E se enterram ai dentro. Então abrace a escuridão e eu vou ajudá-la a ver que você pode ser ilimitada e destemida se seguir comigo – ela completou transformando a calcinha de Evie em cinzas e separando suas pernas devagar.

Sorrindo Mal viu a garota arquear as costas e se contorcer ao seu toque procurando algo em que se segurar. Mal a cobriu de beijos de baixo até a testa e riu quando ela recitou os versos seguintes.

- Nós somos os leões... – disse Evie arfando quando Mal roçou os dentes em seu pescoço – Em um mundo de cordeiros. Nós somos os predadores. Os caçadores.

- Um toque seu e eu acendo – murmurou Mal tomando um fôlego longo e entrecortado perdendo o controle dos seus nervos.

O feitiço havia sido finalizado e Mal sentiu o coração acelerar, sua respiração parecia insuficiente para encher seus pulmões hiperventilando, seus olhos brilharam forte e uma dor lhe atingiu as costas.

 

Não muito longe dali a rocha onde estava esculpida a imagem de Mal e seu Consorte começou a rachar fazendo barulho. Uma luz azul contornava os desenhos e saia pelas rachaduras.

 

Mal rosnou de dor para Evie que viu o redemoinho de fogo aumentar e queimar com mais violência. Então seus próprios olhos brilharam em azul e ela sentiu o feitiço tatuado na pele aquecer. Os poderes de Mal estavam sendo libertados e a garota caiu de joelhos se curvando sobre si gritando com as mãos na cabeça por onde brotavam seus chifres de fogo incandescentes. Evie se assustou com a cena, mas tinha que fazer alguma coisa, então a abraçou usando sua magia para curá-la de qualquer resquício de dor que sentisse.

Mal odiou aquela dor quando a sentiu pela primeira vez na Floresta Negra e a odiou de novo ali. Ela não imaginou que seria tão devastadora quanto estava sendo. Os ossos da sua cabeça pareciam que se quebrariam a qualquer segundo. Era uma dor e uma pressão insuportável de aguentar. As lágrimas desceram sem controle e o grito preso na garganta feriu seus ouvidos. Seus chifres começaram a sair primeiro do que suas asas, mas a dor lacerante delas veio em seguida rasgando seus músculos e pele. Ela não aguentaria, não suportaria passar por aquilo de novo e quando estava prestes a quebrar sentiu braços a puxando e a envolvendo espantando sua dor.

Levantando o rosto ela viu que Evie estava abraçada consigo e murmurando palavras em seu ouvido.

- Estou com você, Mal. Não vou deixar que doa – sussurrou Evie distribuindo sua magia de cura por todo corpo da garota.

Mal afastou o rosto de Evie para encará-la e seus olhos estavam azuis e brilhantes como os dela ficavam, o que a deixou confusa. Evie também estava chorando, mas sorria com a doçura de sempre. Mal enxugou suas lágrimas se perguntando o que estava havendo.

- O que está fazendo? Está curando minha dor?

- Sim.

- Evie não! Magia de cura consome vo... - Mal esbravejou, mas Evie lhe calou colocando um dedo em seus lábios.

- Eu sei, mas estamos ligadas para sempre já esqueceu?

- Não. Mas não quero que você sofra comigo - Mal respondeu chorosa.

- Sou sua Consorte e estamos juntas nessa, dragãozinho - Evie respondeu sorrindo - Eu te amo. Nunca vou te deixar sofrer sozinha.

- Também te amo - disse Mal com os olhos marejados lhe dando um selinho.

- Deixo-os fluir, Mal. Apenas os aceite de volta e não se preocupe com a dor, eu cuido de você - pediu Evie deixando um beijo na testa de Mal e a abraçando de novo.

Mal respirou fundo tentando se acalmar e fechou os olhos se concentrando no corpo quente de Evie contra o seu, unidos como um só. Aos poucos ela sentiu seus corações baterem no mesmo ritmo e sua respiração se acalmou.

- Não quero ficar com eles, E - Mal disse sentindo seus chifres brotarem sem dor dessa vez.

- Primeiro vamos sair daqui, depois pensamos o que fazer com eles, ok? - Evie sussurrou em resposta vendo as asas dela apontando em suas costas - Mas saiba que eu te amo. Te amo de qualquer jeito e é como diz o feitiço. Torne-se a besta. Não tem que se esconder. Abrace seu lado Hades de novo, Mal.

 

Hades não entendia por que seus ajudantes imprestáveis pulavam tanto quando as garotas foram até a beirada da rocha saudar a horda de demônios.

- Dá para ficarem quietos seus idiotas?! – berrou o ex-Deus se dobrando sobre eles os espantando.

- Me-me-mestre... Olhe – disse Agonia com olhos esbugalhados de terror e apontando para frente.

Irritado Hades virou-se para frente abruptamente e viu quando o fogo rodopiou e subiu no ar formando uma parede escondendo sua filha e a bruxa azul que a acompanhava.

- Mas o que? – exclamou jogando os braços para o alto nervoso e passando as mãos no rosto – O que está acontecendo?

- Está começando – disse Morrigan com seus olhos de duas cores se aproximando do homem de cabelos de fogo azul – A Ascensão.

- Não estou vendo nada apenas fogo! – ele gritou em resposta.

- Sua filha deve ser uma pessoa reservada – zombou a velha.

Hades revirou os olhos e enfiou a mão no bolso da túnica puxando a brasa para fora. Reservada ou não, Mal iria ascender e ele estaria pronto para usurpar seus poderes. Pânico se aproximou do fogo e o observou tentando ver algo dentro dele, mas foi surpreendido por um objeto voando bem na sua cara e o derrubando.

- Pânico! – Agonia gritou indo ao encontro do amigo e o ajudando a ficar de pé.

- A coroa da Soberana – disse Pânico se levantando e trocando olhares com seu companheiro.

Hades tomou a coroa das mãos dele e cerrou os dentes imaginando o motivo de Mal ter se livrado dela.

- O que essa garota está pensando? – vociferou arremessando a coroa de volta no fogo e quase sendo atingida por ela quando a parede em chamas a repeliu.

- Não é só por privacidade – disse Baudeir se juntando a ele – É proteção.

- Que seja! – Hades bufou passando a mão pelos cabelos diminuindo a distância entre ele e o fogo com a brasa na mão – Vamos lá belezinha. Vamos nos recarregar.

O ex-Deus apontou sua brasa na direção do fogo e a viu brilhar forte e aquecer. Ele gargalhou vitorioso. Tudo o que tinha sonhado e planejado durante todos os anos que ficou preso na Ilha dos Perdidos estava prestes a acontecer graças a idiota da sua filha. Os olhos de Hades admiravam a brasa com desejo e a ansiedade lhe tomou por completo. Ele voltaria ao patamar de Deus e derrotaria todos que comemoraram sua queda. Faltava pouco agora.

A brasa esquentou e brilhou cada vez mais forte ao mesmo tempo em que a parede de fogo ficava mais poderosa. Hades sorria de orelha a orelha e já se imaginava derrubando os Deuses de sua família estúpida. Então a brasa ficou incandesceste e explodiu em milhões de pedacinhos ofuscando os olhos dele. Hades gritou de ódio e Agonia teve certeza de que o Submundo inteiro o ouviu.

- Virou pó – disse ele olhando para o chão – Minha brasa virou pó! – gritou do fundo da garganta – Fui enganado! Quem roubou minha brasa?

A horda dos demônios deu um passo para trás aterrorizados.

- Pânico! Agonia! Seus vermes miseráveis!

Os demônios coloridos escapuliram antes de receberem a ira do seu enfurecido mestre e se esconderam em buraco nas pedras.

 

A pedra da escultura estava no seu limite e as rachaduras não seguravam mais a magia de Mal presa dentro dela. Com um forte estrondo ela se quebrou libertando uma imensa luz azul que voou como um cometa procurando sua dona e se jogou contra o redemoinho de fogo atravessando-o.

 

Mal sentiu seus poderes se aproximando rápidos e agitados. O fogo ao redor se expandiu agitado e a brasa no bolso da jaqueta de Evie brilhou no chão atraindo sua atenção. Os chifres azuis translúcidos dela já tinham saído por completo e suas asas, segundo Evie estavam quase lá.

- Estão vindo – Mal sussurrou tremendo agarrada a Evie.

A menina a segurou com mais força mesmo sentindo-se exaurida pela magia de cura. Os pelos da nunca de Evie se arrepiaram quando os poderes de Mal se chocaram contra a parede de fogo e emitiram um som assustador.

As unhas de Mal se cravaram na pele de Evie quando ela foi atingida pelos poderes adormecidos e suas asas se abriram jogando ar para os lados. Evie a segurou enquanto ela tremia e se fortalecia. O sangue de Mal urrou sendo recarregado pela energia de sua magia e espalhando-se pelo corpo dela deixando-a rígida.

Quando não havia mais dor para receber, Evie a soltou e caiu sentado admirando a beleza que era a cena a sua frente. Mal emanava poder por todos os cantos. Seus cabelos flutuavam e se moviam pela força da magia que a circulava. Seus brilhantes chifres se erguiam para o alto na mesma direção em que suas enormes asas se abriam majestosas. Porém o mais impressionante era o gigantesco dragão azul translucido que serpenteava acima de Mal e encarava Evie com olhos flamejantes. Os poderes da menina atraiam a magia no sangue de Evie como um imã, a hipnotizavam e a chamavam de um jeito atraente e irresistível.  

A sensação de ter seus poderes herdados de Hades de volta preencheu os espaços vazios dentro de Mal e a deixou forte. Diferente do que aconteceu na Ilha ela não sentiu o desejo de matar, nem perdeu sua essência boa, mas a fome não a deixou. A fera dentro de si ainda estava caçando e Evie era sua presa. Mal ficou de pé e suas asas fizeram sombra sobre Evie que a esperava pacientemente. Sem falar uma palavra ela ofereceu a mão para sua Consorte. A menina de cabelos azuis aceitou o convite ficando de pé para Mal olhá-la de cima a baixo com luxúria.

Evie acabou com a distância entre elas jogando os braços em volta do seu pescoço e a beijando. Todo seu corpo estremeceu com o choque de magia que lhe atingiu e a deixou relaxada. Mal enroscou seus dedos nos cabelos de Evie e arfando a empurrou para baixo. As mãos delicadas de sua amante a despiu da última peça de roupa que ainda lhe restava e acertou seu alvo. Os beijos se intensificaram enquanto suas mãos trabalhavam em seus corpos e seus gemidos e murmúrios se misturavam com o crepitar do fogo ardente.

Mal virou Evie para frente e encaixou seu corpo ao dela beijando suas costas e passeando com as mãos pelo seu dorso inteiro se demorando nos lugares certos e arrancando suspiros de prazer.

- Eu te amo, garota – ela sussurrou afastando os longos cabelos azuis de Evie para o lado e sentindo seu delicioso perfume.

O dragão pairava acima delas como um guardião ou um predador esperando a hora certa de atacar.

Quando menos esperavam elas estavam de novo no chão soltando risinhos e trocando caricias. Mal fechou suas asas deitando sobre Evie unindo seus corpos como um só e se derretendo em prazer. Saciando sua fome a cada beijo e movimento executado com provocação.

Poder pulsava nas paredes de fogo e dentro delas queimava como um incêndio descontrolado. Os gemidos ficaram mais altos e mais longos. O dragão se aproximou das duas serpenteando seu comprido e esbelto corpo. O momento do bote estava chegando.

Evie não ousaria parar os movimentos que deixavam Mal louca. Ela ignorou a presença do ser mágico acima delas e se concentrou apenas em sua agora esposa. Uma risada escapou por entre os lábios ao pensar naquilo. Ela estava literalmente no inferno, casada com Mal e havia um dragão a vendo pelada. Nada poderia superar essa situação. Nada a não ser a voracidade de Mal naquele instante. Ela nunca a tinha visto tão sedenta, tão faminta e tão linda como agora.

Ainda admirava sua beleza quando os músculos de suas coxas ficaram tensos e sua coluna arqueou calando seus pensamentos. Soltando um gemido percebeu que o mesmo acontecia a Mal e quando o tremor tomou conta dos seus corpos houve uma explosão de prazer que durou mais do que ela esperava.

Ao sentir a explosão viajar pelo corpo, as asas de Mal se abriram ardentes parecendo até maiores. Seu corpo foi invadido por uma onda  de prazer gigantesca e relaxamento por fim, mas ela não se moveu e continuou encarando Evie e toda sua beleza que era somente dela.  Nem mesmo as Deusas deviam ser lindas daquele jeito e elas se pertenciam como parte de uma só alma. Pensar nisso fez Mal sorrir e deitar ao seu lado encaixando suas curvas abraçando-a e a envolvendo com uma das asas cobrindo seu corpo nu. Mal não queria sair daquele abraço nunca mais. A pele de Evie era tão sedosa e macia contra a sua. Mal dedilhou as curvas da cintura dela delicadamente com as pontas dos dedos ouvindo-a rir. Mal estava tão feliz que nem perceber quando o dragão mergulhou em cima delas.

Evie não teve medo quando Mal a abraçou e a cobriu com uma de suas asas de fogo azul. Ela não sabia como era possível, mas não foi queimada. A asa apenas emanava um calor agradável. Deitada ali abraçada a sua amada sentindo seu corpo quente colado no seu, Evie viu quando o dragão mágico desceu em cima delas e as acertou enchendo-as de magia e poder antigo. Uma luz muito forte ofuscou seus olhos mesmo ela os fechando e sendo protegida pela asa de Mal. As meninas foram envolvidas pela energia e magia do animal místico e quando abriram os olhos estavam vestidas como as figuras da escultura. Mal usava um luxuoso vestido roxo com detalhes em pedraria azul e vermelha. Segurava uma estranha espada com a guarda imitando asas e na cabeça uma coroa de fogo queimava entre seus chifres. A brasa de Hades estava pendurada em seu pescoço na ponta de um colar de prata.

De boca aberta Evie a encarou de joelhos aos pés dela, na mesma pose do cavaleiro esculpido na rocha. Ela se olhou e viu que uma armadura prateada com alguns detalhes roxos e verdes lhe cobria o corpo, a camada protetora também tinha vários símbolos de pareciam ser de bruxaria espalhados pelos braços. Aquilo deixou Evie fascinada, mas ela quase caiu para trás quando percebeu que outra coroa de fogo azul queimava acima da sua cabeça.

- Está feito – disse Mal chamando sua atenção – A Ascensão está completa.

Evie olhou para cima e o dragão havia sumido, então ficou de pé e se aproximou de Mal sorrindo.

- Está pronta para acabar com seu pai e sair daqui?

O sorriso malicioso de sua rainha foi resposta suficiente para Evie.

 



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