História A Cachaça que nos Unnie - Capítulo 12


Escrita por: e Nathalie8

Postado
Categorias Girls' Generation, Red Velvet
Tags Baião De Dois, Demência, Drama Também, Joyri, Seulrene, Taeny, Wenrene, Zoeira
Visualizações 247
Palavras 5.430
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, FemmeSlash, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello, galerinha! Nath aqui hehe

Trazendo aqui o capitulo da Spin Off que finaliza o especial do aniversário da Yeri.

Esperamos que gostem!

Desculpa por qualquer erro, e boa leitura!

Capítulo 12 - SPINOFF RV - A Prima e o Ex


Fanfic / Fanfiction A Cachaça que nos Unnie - Capítulo 12 - SPINOFF RV - A Prima e o Ex

Joy

 

Era finalmente o dia do aniversário do bebê, Irene unnie e eu já haviamos ajeitado tudo para a celebração da maior idade da nossa pequena — meu bebê havia crescido tanto, eu teria que me controlar para não chorar — quando a garota simplesmente sumiu. Sim, sumiu. Wendy havia marcado de pegar ela no shopping para comprar umas coisas, mas ela não apareceu, nem deu sinal de vida. Tentei ligar para ela e nada, caixa postal. Joohyun unnie também tentou, Wendy unnie tentou, Seulgi unnie tentou. Basicamente, todo o bonde das unnies (incluindo euzinha) estava quase parindo de preocupação. Wendy e Seulgi procuraram por todo o shopping e arredores, enquanto eu e Sugar Mama não desistimos de ligar para qualquer um que pudesse saber onde o bebê estava.

Acabou que, quando eu fui ligar para a priminha gatinha dela e avisar que a festa havia sido cancelada, a lindinha disse que Yeri estava na casa dela. Eu quase pari de alívio, meu coração estava quase saindo pela boca de tanta preocupação. Eu não gostava nem de imaginar o que seria de mim se alguma coisa acontecesse com Yeri. Não mesmo.

Não demorou muito para ligarmos para Wendy vim nos buscar e irmos atrás de nosso bebê desaparecido. Yeri deixou todas nós desesperadas, não era atoa que Wendy e Seulgi unnie estavam com cara de quem haviam corrido uma maratona quando vieram buscar eu e Sugar Mama na casa da mesma. Eu havia pego o endereço da gatinha e por sorte não era longe da casa de Irene unnie. E que casa meus amigos.

Enquanto Wendy fechava o carro, eu, Sugar Mama e Seulgi unnie nos dirigimos para a porta da mansão da prima Jung. Aquilo parecia um castelo de tão grande e lindo. A porta era coisa de realeza,  tão grande que somente alguém forte seria capaz de abrir, ou assim eu acreditava. Casa de gente rico é coisa de outro mundo mesmo, né? Até o ar daquele lugar parecia mais puro. O cheiro das árvores, as cores das flores… Ai que coisa linda!

— Olá! Podem entrar, fiquem a vontade.

Ai que coisa delicinha!

A prima gatinha de Yeri abriu a porta e nos recepcionou com aquele sorriso lindo e convidativo. Honestamente, que olhos eram aqueles? Aquele formato de meia lua era a coisa mais fofa do mundo! Parecia uma máscara de marshmallow que cobria o que havia mais embaixo, suas apimentadas perninas bem torneadas. Me chamem de pervertida se quiserem, mas eu não tinha culpa do pedaço de mal caminho que a prima de Yeri havia se tornado.

Voltando ao ambiente espetacular que eu me encontrava: a casa era um arraso por dentro assim como era por fora, tinha uma decoração elegante e de tons claros, mas não consegui prestar tanta atenção na mesma já que minha preocupação no momento era saber onde estava meu bebê. Depois que eu soubesse onde e como Yeri estava, eu apreciaria aquele lugar como ele merece — e a prima gatinha também porque o que é lindo deve ser apreciado, né?

Yerin havia dito que a garota estava na casa da piscina, que não queria ver ninguém —  bem típico daquele anão rabugento quando estava se sentindo pra baixo ou irritada — mas por sorte a bonitinha a convenceu de esperar por nós, mesmo que tendo que prometer que não deixaria que a levássemos dali se ela não concordasse.

Fomos nós cinco, lindas e plenas, até os fundos da casa, onde uma enorme piscina convidativa se encontrava. Um pouco adiante da mesma, uma casinha moderna podia ser vista, e nós logo apressamos os passos para chegar até lá. Yerin bateu no vidro da porta de correr e, com cuidado, a abriu, nos dando a visão de uma preguiçosa — e extremamente fofa — Yeri esparramada num puff gigante. Aquele biquinho me fez sorrir, vê-la bem me aliviou o coração, mas logo minha alegria foi pro ralo ao notar que os olhinhos inchados da pequena estavam evitando nosso olhar. Havia dor naquelas órbitas castanhas e adoráveis.

— Bebê? - murmurei me aproximando aos poucos, como se ela fosse um filhotinho de leão selvagem. Comparação melhor não havia em minha mente, meu bebê era de fato um filhotinho selvagem.

— Se acham que vou sair daqui, nem percam o tempo de vocês - resmungou virando seu rostinho para o outro lado da sala —  Não tô afim de comemorar. Valeu, falou.

Era evidente que ela estava tentando transparecer confiança, uma carranca em seu rosto, braços cruzados, biquinho no lábios, mas eu não era idiota, conhecia bem meu bebê, ela estava se fazendo de durona, como sempre. Yeri é como uma melancia, dura por fora, doce e mole por dentro. Ela odeia quando faço essa comparação, mas é a pura verdade.

— Ya! A gente não passou a semana toda te preparando uma festa pra você nos dar bolo não, sua peste! — ouvi Sugar Mama resmungar atrás de mim, e pude ver Wendy lhe dando uma rápida cotovelada pelo canto do olho.

— Eu não pedi pra fazerem nada disso — Yeri deu de ombros — Perderam o tempo de vocês porque quiseram.

Aish, filhote de squirtle mais teimoso! Pena que eu nem conseguia me irritar com ela — diferente de Irene — já que eu sabia bem que a pequena tinha seus motivos para agir daquela forma, do porquê de seu aniversário não ser uma data feliz para ela, como deveria ser.

Continuei a me aproximar aos poucos, até ajoelhar ao lado do puff gigante e tendência que a pequena estava sentada. Yeri ainda tinha seu rosto virado para o lado, evitando contato visual com qualquer uma de nós — o que era um desperdício ocular, só tinha delicinha no recinto. A observei por um tempo, notando seus olhinhos inchados e lágrimas secas em seu rosto. Ver aquilo era como facadas em meu coração, não vou mentir. Eu me importo demais com aquele pequeno squirtle, tanto que eu preferia ter chorado cada uma daquelas lágrimas por ela, só para que a mesma não tivesse que sequer molhar seu rostinho adorável.

— Posso conversar com você? - perguntei num tom cuidadoso, sabendo que eu estava pisando em ovos.

— Eu não quero festa, unnie - ela disse finalmente me olhando nos olhos - Por favor, não insista.

Aquilo foi pior do que o tapa que eu recebi da Sugar Mama — e Irene é bem forte, amo mencionar isso — bem pior. Seu tom foi rígido, cortante, mas também pesaroso. Seus olhos estavam levemente avermelhados, e conhecendo meu bebê, eu sabia que havia chorado litros e rios de lágrimas. Contive o desejo de tirar uma mecha de seu olho, de tocar aquelas bochechas fofas e lhe dar um abraço. Eu sabia que aquilo só iria piorar as coisas, que eu deveria ser cuidadosa no que dizer e fazer, porque quando Yeri estava daquele jeito, qualquer passo em falso só a machucaria mais.

— Que dia é hoje, Yeri? — perguntei e a garota logo revirou os olhos com um sorriso sarcástico — Que dia é?

— Joy, vai embora, sério — ela voltou a dizer com sua voz firme, mas dessa vez não me olhou nos olhos, simplesmente apontou para a saída com a cabeça.

— Esse dia é especial pra mim, e eu quero passar ele com você. Então não, não vou embora — falei firme, mas ainda procurei trazer alguma gentileza em minhas palavras enquanto procurava o olhar teimoso da menor — Posso ficar do lado de fora se quiser, mas eu não vou ficar longe de você. Eu... — um nó se formou na minha garganta, e baixei meus olhos para o meu colo. Droga de lembranças idiotas! Aquela não era a hora.

— Meus pais não ligam pra mim, unnie — ouvi ela dizer num tom triste — Meu pai nem lembra que eu existo, e minha mãe... — ouvi ela segurar o que queria sair de sua garganta, algo bem parecido com o que eu tinha na minha — Eu queria que ela esquecesse que eu existo.

Levantei os olhos para ver a pequena assistir suas mãos em seu colo de forma pesarosa. Eu conhecia aquele olhar, todo ano eu o via em seus olhos, em meus olhos. Aquele era um dia de dor para Yeri, mas também era para mim, e eu não sei o que seria de mim naquela data se não fossem pelas minhas meninas. O quanto da minha vida eu devia a Yeri e Seulgi? Acho que nunca seria capaz de mensurar.

— Sabe por que eu procuro fazer algo todo ano nessa data? — perguntei, tirando toda a força que eu tinha para pronunciar aquelas palavras. Podia sentir Yeri revirar os olhos com aquela pergunta — Eu não faço só por você, se é o que pensa — levantei meu olhar para sua figura, quem ainda evitava me olhar nos olhos — Faço isso porque há alguns anos, nesse mesmo dia, eu senti uma dor que nunca realmente foi embora — tentei controlar o aperto em meu peito, o nó em minha garganta, não era  hora de chorar — Meu pai nunca me tratou de forma humana, mas ao menos até aquele dia eu tinha um teto pra morar — droga de lágrima idiota — Minha mãe não fazia nada, mas ela estava lá, mesmo que como um móvel, ela estava — apertei minha mão em minha calça, numa tentativa de controlar todos aqueles sentimentos.

Apertei meus olhos ao lembrar da mão pesada de meu pai contra meu corpo. Os roxos que já não mais existiam em minha pele, mas faziam morada em minha mente. O olhar negligente de minha mãe nos assistindo enquanto eu era mais uma vez espancada por um daqueles que meu deu a vida. Eu evitava ao máximo àquelas lembranças, mas naquele dia, naquela data, só o que me fazia esquecer era Yeri. A felicidade dela valia muito mais do que qualquer lágrima minha, por isso eu preferia tentar fazê-la sorrir a chorar minhas mágoas.

— Nesse mesmo dia, há alguns anos... — respirei fundo, se comecei eu tinha que terminar — Eu estava atrás da escola, piranhando com uma gatinha da minha idade — ri enquanto limpava uma lágrima que descia — Meu pai, por alguma razão, apareceu, e bem... — procurei mais uma vez respirar fundo, as memórias daquele dia nunca eram fáceis de recordar — Em resumo ele me expulsou de casa.

Eu poderia ter contado também que ele me puxou pelos cabelos até em casa, me humilhando para todos os vizinhos, me espancando até eles virem me salvar. Poderia mencionar em como ele jogou minhas roupas em mim enquanto me xingava dos piores nomes, me falava as palavras mais duras, e literalmente me chutava para fora de casa. Eu poderia dar detalhes, mas não iria. Não queria meu bebê ouvindo aquelas coisas, não queria qualquer tipo de dor para ela, muito menos as minhas.

Levantei meus olhos para ver minha pequena me encarando com olhinhos molhados e preocupados, e enquanto eu a via tentar procurar palavras para me confortar, sorri para aquele olhar atônito.

— Esse dia era para me causar dor, bebê — comecei, um sorriso gentil se formando em meus lábios — Mas graças a você, ao invés de sofrer o luto de uma vida passada, eu posso comemorar uma vida, a sua vida, que pra minha sorte, resolveu esbarrar na minha.

Yeri tomou alguns segundos antes de procurar pelos meus braços, me dando um abraço apertado e cheio de carinho. Me permiti chorar com um sorriso largo no rosto por saber que naquele momento da minha vida, eu tinha mais motivos para sorrir do que para chorar, que eu tinha pessoas que me amavam, que me protegeriam, e que eu faria o mesmo por eles até o fim da minha vida. Enquanto eu abraçava meu bebê e aproveitava o cheirinho doce da mesma, uma fungada alta foi ouvida da porta.

— A Irene unnie está chorando — ouvi Yeri dizer ainda me abraçando, e eu não contive uma risada com aquilo — Ela tem coração, ela — minha pequena era de fato uma peste. Orgulho da unnie.

— Ya! Eu não sou a única, tá?!

E de fato não era. Acabou que quando me levantei para ver as demais garotas da sala, estavam todas de nariz vermelho e rostos molhados, parecendo que haviam acabado de assistir um daqueles doramas bem tristes, pesadões, lindos... Ai, lindo mesmo era aquele bonitão do dorama que eu tava assistindo ontem. Ô pedaço de mal caminho!

—-

 

O aniversário de Yeri foi uma bagunça, mas o melhor tipo de bagunça que alguém poderia ter. Taeyeon arrasou em convidar suas amigas para a festa do pijama — eu até estava com saudade daquelas piranhas — e Hyoyeon roubou a cena total com sua hipnose. Confesso que fiquei tristinha por não ter participado, mas só de ver a Sugar Mama pegando na bunda da Wendy unnie foi suficiente para eu ganhar minha semana. Yerin também pareceu se divertir com as maluquinhas, e meu coração aquecia toda vez que via as duas primas interagindo. Yeri estava feliz de ter sua prima de volta — e ainda mais presente — em sua vida, e se meu bebê estava feliz, eu estava mais do que feliz.

— Então a gente vai dormir no quarto da Irene unnie mesmo? — Yeri perguntou enquanto eu ajeitava os colchonetes no chão.

— Sim — respondeu Wendy — Eu, você, Irene unnie, Seulgi, Yerin e Joy dormiremos aqui, já as amigas da Taeyeon unnie dormirão no quarto dela.

— Hum — Yeri fez um biquinho de quem entendeu, e eu tive que me controlar para não apertar aquelas bochechas. Era incrível como meu bebê estava crescendo, mas ainda assim a cada dia ficava ainda mais fofa — Mas vai caber aquele tanto de gente lá? — perguntou com o cenho franzido. Ai que neném!

— Bem, acho que sim — Wendy deu de ombros — Pra ser honesta, estou mais preocupada com o banheiro. Já que as irmãs dividem ele, serão dez mulheres tendo que se virar com só uma pia, um vaso e um chuveiro — eu ri da observação da loira. De fato não seria tarefa fácil.

— Dez mulheres e um banheiro — imitei uma voz grossa de narrador de trailer — Parece nome de filme.

— É mesmo — Wendy concordou com um sorriso, enquanto Yeri e Yerin (parece nome de dupla sertaneja Korean Edition) riam da minha piada.

Sorri ao notar o quanto as duas tinham um sorriso bonito. Minha bebê tinha as bochechas mais apertáveis do mundo, enquanto sua prima além de gatinha, também era muito fofa. Talvez eu devesse focar mais no sorriso quase infantil dela, ao invés daquelas pernas maravilhosas, ou daquelas mãozinhas lindas, ou daquela cinturinha…

— Ai! — resmunguei de dor assim que senti um tapa no meu bracinho.

— Dá pra parar de secar minha prima na cara dura? Quer piranhar, ao menos piranhe discretamente — Yeri me repreendeu num sussurro, enquanto sua prima estava há alguns metros arrumando seu cantinho de dormir.

— Ya, bebê! Eu não tô secando ninguém — fiz bico, mas aqueles olhinhos semicerrados em cima de mim não estavam ajudando minha atuação — Tá, tá! Verdade, não quero deixá-la desconfortável. Vou parar.

— Acho que ela não viu, estava virada pro outro lado — Yeri disse pegando alguns travesseiros de dentro do armário da unnie suprema. Infelizmente, falar da Sugar Mama e armário não me trazia boas lembranças, mas aquela caminha dela, ah, aquela ali trazia lembranças maravilhosas — Devia falar com ela.

— Hum? — perguntei, confusa com as palavras da baixinha — Falar com quem o quê? — perguntei enquanto ela me entregava os travesseiros para pegar alguns lençóis. Yeri olhou para de trás do meu ombro, e assim que segui seus olhos, vi que ela observava sua prima entrar no banheiro.

— Yerin unnie — respondeu — Você está babando na garota desde do dia do aniversário dela, se acha ela tão bonita assim, vai falar com ela — sério que meu toquinho de gente estava tentando ser meu cupido? Não era típico da baixinha. Ela sempre opinava nos meus peguetes, quando ela havia os visto, mas nunca me empurrou pra iniciar uma conversa com ninguém que eu já não tivesse me enrolado antes.

— Eu não posso, bebê — disse colocando os travesseiros em cima da cama, e sentando logo ao lado deles.

— E por que não? — a pequena franziu o cenho.

— Por que ela é sua prima — agora que meu bebê estava mais perdida do que cego em tiroteio mesmo — Eu não quero me envolver com nenhum familiar seu. Poder te trazer problemas, e me incomoda.

— Unnie, que se dane o que minha família pensa, se você quer falar com ela, então fale — a pequena disse decidida.

— Não, bebê, eu não quero falar com ela — insisti também — Sua prima é bonita, e me atrai — principalmente aquelas pernas e aqueles olhos, ai socorro — Mas não é nada além de uma atraçãozinha que eu gosto de ficar olhando, não quero ficar com ela nem nada — não que eu não queira, na verdade, se ela não fosse parente ou conhecida da bebê, eu pegava fácil — Agora para de tentar ser cupido e bora dormir — e dizendo isso, peguei dois travesseiros e puxei a mais nova para o cantinho no chão que íamos dormir.

Havia perguntando mais cedo se poderíamos dormir juntas hoje, eu tava carente eu, e Yeri aceitou com um “por que não?” dando de ombros. Yeri não era muito de grude, mas eu sabia que gostava de algum chamego de vez em quando, e dos meus abraços. Às vezes, porém, algo parecia a incomodar, e assim eu me afastava. Uma vez a pequena disse que não queria ser assim, que queria “se permitir” ser mais carinhosa, receber melhor meu carinho, porque no fundo ela gostava, mas havia algo a bloqueando. Estaria mentindo se dissesse que aquilo não me preocupou, mas não queria entrar muito no assunto e piorar as coisas, então desde então não disse mais nada a respeito.

— Boa noite, unnies! — disse Yeri se deitando e se aconchegando nos lençóis. Sorri ao ver o jeitinho fofo que ela se cobria.

Não tardei a acompanhar a mais nova e deitei do seu lado no futon que Sugar Mama havia arrumando para a gente. Mais afastada, Yerin nos desejava boa noite, e do outro lado quarto o triângulo amoroso se virava em um futon gigante que Irene queria que usássemos, mas fomos mais espertas e cantamos os dois de solteiro antes. Irene teria de se resolver com as duas de uma vez por todas, e faríamos o possível para que isso acontecesse.

— Posso te abraçar? — perguntei baixinho para a pequena. Desde o dia que ela se afastou de mim no iate, eu estava evitando exagerar no contato físico com ela, a não ser que ela me pedisse, como aconteceu no final de semana que estava doente. Yeri ficava bem dengosa quando estava dodói.

A pequena não me respondeu, mas virou o corpo para me encarar. Uma leve carranca em seu cenho enquanto me olhava, mas ela não parecia irritada comigo, na verdade, eu não estava entendendo bem sua expressão, só sei que não me encarava nos olhos.

— Por que não me disse que este dia era difícil pra você? — perguntou, ainda evitando meu olhar.

— Não queria fazer ele sobre mim, bebê — sorri gentil — É seu aniversário, é dia de celebrar você, não de sofrer por algo que aconteceu a tanto tempo — me permiti tirar uma mecha de seu rosto, e ela finalmente levantou os olhos para mim.

Notei seus olhinhos começarem a marejar, e tentei alargar meu sorriso numa forma de confortá-la. Não queria vê-la triste naquele dia de celebração, na verdade, por mim a tristeza nunca visitaria aquela pequena.

— Eu poderia ter te tratado melhor nesses dias — disse num tom culpado — Você sempre fez tudo para me agradar, e eu só sabia resmungar os meus problemas.

— Mas eu conseguia risadas suas, sua companhia, tudo isso fazia valer a pena, bebê — insisti com meu sorriso — Eu tinha todos os motivos para chorar, mas você me permitiu sorrir. Celebrar ao invés de lamentar — eu sou poeta, eu.

Ela me observou por um tempo, e quando uma lágrima desceu de um de seus olhos, fiz questão de limpá-la vestindo meu melhor sorriso. Esperei ela dizer alguma coisa, não queria piorar as coisas, a deixar triste, então preferi apenas sorrir em uma demonstração que estava tudo bem, porque para mim, estava tudo mais que bem.

— Obrigada por hoje — ela finalmente disse — Não estava mentindo quando disse que esse foi o melhor dia da minha vida, ou ao menos meu melhor aniversário — sorriu depois disso, o que me deixou contente.

— Eu sei que você não mentiria sobre algo assim, você é direta você, te ensinei direitinho — ri passando meu indicador ligeiramente na pontinha de seu nariz, o que a fez rir.

E foi enquanto ríamos que minha pequena se virou, me permitindo lhe abraçar apertado aproveitando o calorzinho de nossos cobertores. Se havia uma coisa que eu amava em fazer nesse mundo, era de dormir de conchinha com aquela pequena peste. Minha pequena peste.

 

Seulgi

 

Havíamos saído a pouco tempo da casa de Joohyun unnie, e resolvemos passar no shopping para comprarmos meu celular novo. Como eu trabalhava na padaria e cuidava de sua parte administrativa, era necessário que eu tivesse sempre o celular funcionando e por perto, de preferência com todos os contatos dos clientes e das distribuidoras, que por sorte estavam salvos numa nuvem. Taeyeon unnie havia passado de todos os limites na noite anterior, e confesso que isso havia me assustado, mas não foi o suficiente para estragar as boas lembranças que a noite havia trago.

— Olha esse aqui, tem bastante memória interna, capacidade de um cartão de memória potente e também um excelente processador — Wendy comentou enquanto analisava a descrição de um dos celulares em cima do balcão de amostras.

— Ele é bonito — resolvi dizer com um sorriso sem graça, a inteligência de Wendy por vezes me deixava desconcertada, já que eu não me considerava apta o suficiente para entendê-la.

Wendy riu do meu comentário, e eu não evitei em rir um pouco tímida daquilo. Não era uma risada maldosa, debochada, ela parecia não se importar com minha lerdeza ou ignorância para algumas coisas, e isso me permitia sentir confortável o suficiente para engatar em longas conversas com a loira. Sua mente brilhante era agradável de se observar, estudar, admirar, mas nem por isso ela se deixava levar por um sentimento de superioridade, vaidade. Na verdade, ela sempre insistia que eu era muito inteligente, algo que eu discordava, mas preferia não insistir já que ela parecia se irritar quando eu dizia algo do tipo.

— Vai preferir outro iPhone, então? — me perguntou depois que andamos mais um pouco entre a variedade de celulares — É um excelente celular, mas é claro que precisamos checar o modelo e suas necessidades. Você acessa muito o banco por ele?

— Uhum — acenei que sim com a cabeça e ela logo esboçou um sorriso largo que fui incapaz de não espelhar.

— Okay, então vamos ver a descrição deste modelo mais recente — disse se abaixando levemente para ler as letrinhas miúdas ao lado do celular.

Por mais que eu soubesse que havia um emaranhado de tecnologia em minha volta, dos quais eu pouquíssimo entendia, que nenhum aparelho era igual o outro ali, parte de mim só conseguia pensar que eram todos celulares, e contanto que eu pudesse ligar e acessar a internet, estava tudo certo. Eu sabia que não era o caso, mas era tentador pegar qualquer um ali, um mais popular, por exemplo, comprar e ir comer alguma coisa na praça de alimentação. Wendy, porém, parecia tão interessada naquela procura, que eu era incapaz de acabar com a animação da mesma. Por isso, simplesmente fiquei a seguindo pela loja e respondendo as perguntas que ela me fazia. Não vou dizer que era algo incômodo para mim, porque não era.

A companhia de Wendy nunca era um incômodo para mim.

— Ai — disse quando esbarrei em Wendy, quem havia parado bruscamente na minha frente — Está tudo bem? — tratei de perguntar ao notar seu comportamento incomum.

A loira tinha seus olhos grudados em algo — ou alguém — logo mais a frente de nós, e foi aí que percebi que o que havia tomado sua atenção era um rapaz loiro e de traços ocidentais que olhava alguns celulares em um dos balcões da loja. Franzi o cenho com a reação da garota, ela parecia um pouco nervosa com a presença do rapaz.

— Wendy? — perguntei novamente, tentando acordar a loira de seu transe.

— Ah, sim? — ela sacudiu a cabeça e voltou seus olhos para mim — Me desculpe, Seulgi, acabei me distraindo.

— Está tudo bem? — perguntei novamente, como eu disse, havia algo estranho no comportamento da garota, e aquilo havia me preocupado.

— Sim, sim — ela se apressou em responder — Não é nada demais, não se preocupe.

— Tem certeza? — insisti um pouco. Obviamente não queria que ela falasse nada que não se sentisse confortável em dizer, mas também queria deixar claro que eu estava disposta a ouvi-la — Não precisa dizer nada que não queira, eu só estou aqui, tá legal? — toquei em seu braço tentando lhe acalmar.

Ela olhou mais uma vez para o rapaz, e logo voltou seu olhar para mim.

— Aquele é o Justin — acenei para que ela continuasse — Ele é um ex namorado meu.

Não contive meus olhos arregalados com aquelas palavras. Não era nada demais alguém ter um ex perdido por aí, mesmo que ele fosse ocidental e provavelmente nem morasse em nosso país, mas parte de mim estava surpresa com aquela informação, eu não sabia bem o porquê, mas estava. Havia algo estranho em meu peito… Uma sensação estranha. Yuri provavelmente diria que são gases. Será? Tomara que não. Aqui no shopping e na frente da Wendy não.

— Sério? — resolvi perguntar, não sabendo ao certo o que dizer.

Ela concordou com a cabeça, e voltei minha atenção para o rapaz. O loiro não era feio, mas também não era o meu tipo de físico masculino. Ele era alto, aparentemente forte, possuía cabelos ondulados que vinham até a nuca. Como disse, não era feio, mas Wendy era definitivamente mais bonita. Bem, eu não era alguém que ligava muito para a aparência, então se ele fosse legal, ótimo, só que algo me dizia que não era o caso.

— Ainda gosta dele? — perguntei, tentando entender o porquê da loira estar agindo daquela forma.

— Não — ela negou — É só que ele me traiu.

Pera, o quê? Sabia que tinha algo azedo naquele kimchi. Destiny Child já deixava claro com seus hinos que as pessoas podiam passar a perna na gente, e que conseguiam ser extremamente burras quando eram cabeça de vento. Honestamente, como alguém poderia trair alguém como a Wendy? Wendy não era sequer uma pessoa, assim como Joohyun diria, ela é um anjo.

— Está tudo bem? — ouvi a loira perguntar, e só então notei que estava encarando o rapaz por tempo demais. Literalmente encarando, tipo, com cara feia mesmo. Eu não queria ser mal educada, mas aquele rapaz havia cruzado todas as linhas do limite. Há uma barreira para babaquice, e ele destruiu ela.

— Uhum — respondi com um aceno.

Foi quando eu pensei que finalmente mudariamos de assunto, que iríamos sair de perto do Rei dos Babacas, que a própria realeza resolveu se fazer presente, caminhando até nós com seus dentes super brancos. Do que adiantava ter uma arcada dentária perfeita se por dentro ele estava podre? E não me refiro a gases, esse tipo de fedor não se refere a moral de ninguém.

— Olá, Wendy — ouvi ele cumprimentar a garota em inglês. Ainda bem que fiz algumas aulas, ao menos cumprimentos eu entendia — Há quanto tempo — acho que foi isso que ele disse.

— Olá, Justin — ela respondeu em inglês, e sentir meu rosto ruborizar um pouco em ouvir a mesma falando outra língua. Wendy possuía um charme especial quando falava inglês — Fazendo o que na Coréia? — ela perguntou em coreano mesmo, e franzi o cenho com aquilo.

— Esqueceu como se fala em inglês, é? — ele riu cruzando os braços. Espera, o babaca também falava coreano? Por essa eu não esperava.

— Não, só não acho educado conversarmos entre nós e deixarmos Seulgi sem entender nada — ela olhou brevemente para mim, e logo voltou seus olhos para o grandão.

— Ah, sim — ele riu — Sua amiga, é? — perguntou, mas antes que Wendy pudesse responder, uma garota se aproximou do rapaz, abraçando seu braço e encostando a cabeça em seu ombro.

— Oppa! Vamos logo! Quero comer aqueles biscoitos que você me prometeu — a garota, que presumi ser coreana, fez voz de aegyo, o que causou uma careta no semblante de Wendy. A loira definitivamente detestava aegyo, ainda mais quando era forçado daquela forma.

— Ah, Wendy, essa aqui é minha namorada, Yujeong — disse, apontando para a garota presa ao seu braço. Era bonita, não vou negar, mas a forma que ela estava se comportando era um pouco irritante de se assistir.

— Ah, é um prazer, Yujeong — Wendy se curvou para a garota, eu fiz o mesmo, mas a outra jovem sequer nos deu bola.

— Oppa, vamos logo, quero meus biscoitos — a garota começou a balançar o braço do rapaz, ignorando por completo nossa presença.

— Meu docinho de jujuba — disse apertando levemente a bochecha de sua namorada — Não se preocupe, já já iremos comprar seus biscoitos, só estou conversando um pouco com Wendy e amiga dela.

Foi aí que a coisa ficou louca.

Não sei se foi a loucura da noite anterior, se um pouco do álcool ainda no meu organismo — eu quase não bebi, mas enfim, vai saber, né? — ou se foi a ânsia que aqueles dois estavam me dando, mas quando dei por mim, estava com braço envolta do pescoço de Wendy, e encarando o grandão com uma marra que eu nem sabia que tinha.

— Namorada, Justin — corrigi o rapaz que nem estava errado — Wendy é minha namorada.

O rapaz arregalou os olhos para mim, mas ele não foi o único, a namorada dele e Wendy também me encaravam confusas. Eu não fazia a mínima ideia do que eu estava fazendo, mas não pararia agora, não mesmo, não até aquele bacaba perceber o que ele havia perdido. Uma jóia, isso que ele havia perdido.

— Tá olhando assim por quê? — eu realmente não sei quem ⁥stava ali, mas não era eu — Está arrependido de ter perdido a Wendy? Pois se arrependa mesmo, perdeu a mulher mais incrível que um babaca que como você poderia ter na vida — juro que minha mãe me deu educação, e eu nunca havia falado daquela maneira com ninguém, mas não me arrependeria do que estava fazendo, não mesmo, não quando ele havia partido o coração de um anjo — Agora vá logo comprar os biscoitos da moça e deixa minha garota em paz, falou?

Eu nem falo gírias, por que eu estava falando daquele jeito? Não estou entendendo mais nada, mas só de ver a feição assustada do rapaz e da namorada grudenta dele estava valendo a pena.  

— Anda, amor, esse cara não merece sua atenção — e dizendo isso, puxei Wendy pela mão para fora daquela loja mal frequentada.

Eu ainda não havia comprado meu celular, mas tudo bem, haviam outras lojas para comprá-lo, umas que não tinham a presença daquele grandão idiota e a namorada chata dele. O que está acontecendo comigo? Eu não sou assim. Ai não, a Wendy está me olhando estranho. Bem, como posso culpá-la? Eu acabei de fazer uma cena que eu nem sei porque eu fiz.

— Desde de quando você fala desse jeito? — ela me perguntou, e eu levantei meus olhos de relance, incapaz de segurar um contato visual com a loira por muito tempo, não depois do que eu fiz.

— Achei que ele deveria saber que você está bem — respondi olhando para os meus pés — Digo, não que você não esteja bem solteira, é só que… Eu não sei, desculpa — eu realmente não estava conseguindo olhar a loira nos olhos, meu rosto estava ardendo de tão quente e eu via a hora de esbarrar em alguém por não estar prestando atenção no meu caminho direito.

— Está tudo bem, Seulgi — a loira riu — Você estava só querendo me proteger, e eu agradeço por isso — juntei coragem para levantar meus olhos, e vi um sorriso gentil nos lábios de Wendy. Fui incapaz de não espelhar aquele ato, mesmo que eu ainda estivesse morrendo de vergonha pela presepada que aprontei. Numa ação inesperada por mim, Wendy tomou meu braço, e disse sorrindo para frente — Agora anda, minha namorada tem um celular para comprar — riu e mesmo sabendo que ela estava brincando, não pude evitar meu olhos arregalarem e meu rosto queimar com aquelas palavras.

Eu não havia entendido muito bem o porquê havia agido daquela forma, ou do porquê estava me sentindo tão estranha a respeito de tudo aquilo, mas uma coisa eu sabia, o sorriso de Wendy valia a pena qualquer vergonha que eu passasse, disso eu tinha certeza.

 


Notas Finais


Eita, Seulgi! O que aconteceu contigo, menina?!

Obrigada a todos que estão lendo a fic e sua spin off, acompanhando as aventuras desse bando de personagem louco!

Espero que tenham gostado, e por favor, se quiserem, deixem nos comentários o que acharam!


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