1. Spirit Fanfics >
  2. A Caixa de Pandora >
  3. 3. A sobrinha de Aldebaran

História A Caixa de Pandora - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Boa Leitura!

Capítulo 3 - 3. A sobrinha de Aldebaran


Grécia – Estação de trem (3 dias depois)

O apito estrondoso ecoou por toda a estação de trem, pessoas saiam e entravam nas grandes locomotivas que viajavam por varias cidades gregas. Na estação mais pessoas iam e vinham, algumas apressadas e outras mais tranquilamente. Em certa parte da estação, que era coberta, um homem grande e musculoso andava de um lado a outro fitando a toda hora cada trem que parava naquele ponto.

O amigo que o acompanhava negaça com a cabeça enquanto esboçava um sorriso diante da inquietação do maior.

- Se acalme amigo, ela chegará bem! – disse Mú de Áries.

O outro levou a mão a cabeça e riu, sem jeito.

- Ah, estou realmente ansioso – comentou rindo – Mas não posso evitar – emendou – A propósito, obrigado por vir Mú – agradeceu.

- De nada, amigo. Era o mínimo que eu poderia fazer – respondeu.

Logo depois ele voltou a sua ação habitual desde que chegara duas horas mais cedo do que o horário previsto naquela estaca. Realmente Aldebaran de touro estava ansioso e nervoso, mas também pudera. Há alguns dias atrás Shion foi visitar pessoalmente a casa de touro, junto consigo havia uma carta e nela continha a trágica noticia de que sua irmã havia falecido, deixando assim sua única filha (e sobrinha dele) órfã. Como único parente próximo da mesma, a pequena garotinha que possuía dez anos passaria a morar com ele.

Levara um choque no inicio quando leu a carta e principalmente por saber que teria que cuidar da menina no santuário, mas agradecia eternamente a Atena, que disse que acolheria a menina de bom grado. A noticia até mesmo abalou alguns cavaleiros de ouro, até mesmo os que não eram tão chegados ao brasileiro e prometeram ajudar no que fosse necessário.

A estação ficou silenciosa por alguns minutos, mas logo depois outro trem se aproximava e não tardou a parar. Pessoas desceram do mesmo e Aldebaran olhava para cada uma delas, logo avistou uma garotinha, carregando uma mochila roxa com desenhos de flor em preto nas costas, e uma mala média de mesma cor.

As descrições batiam e o taurino sorriu ao reconhecer a sobrinha.

A menina estava à procura do tio também, mas a estação estava tão movimentada que temeu que o mesmo ainda não tivesse chegado. Não era acostumada a viajar sozinha e agora que não possuía mais sua mãe estava aprendendo a se virar. Quando virou a cabeça para procurar mais devidamente, avistou um homem corpulento e com um sorriso grande, o mesmo acenava para si.

- Tio Aldebaran! – a menina gritou acenando sua mão em resposta, logo se pôs a correr levando sua mala de rodinha.

- Viollet! – exclamou ele e logo a pegou no colo, rodopiando enquanto a menina ria – Puxa vida, você cresceu! O que anda comendo em Tebas? – riu.

Sua irmã, que também era brasileiro havia se casado com um grego e passou a morar em Tebas. O que era ótimo, assim podia ficar perto da irmã, afinal era a única família que ainda estava viva. Já que seus pais haviam falecido.

- Só tô comendo chocolate! – disse ao ser colocada no chão.

- Chocolate? Por isso está tão grande e cheia de dobrinhas – apertou a barriga dela e a fez rir novamente.

- Ai, tio! Deixa minhas dobrinhas... – riu, mas logo sua atenção caiu em cima do belo rapaz parado atrás de seu tio. A pele pálida, o olhar suave que acompanhava o cabelo de cor incomum e os pontinhos que possuía no lugar das sobrancelhas – Quem é ele, tio Deba? – indagou tombando a cabeça.

- Viollet esse é Mú, um amigo meu. Mú esta é Viollet, minha sobrinha – fez as apresentações.

- Olá e seja bem-vinda a Atenas – disse Mú sorrindo cordialmente.

- Ele é bonito – elogiou e Mú riu sem graça.

Porém, Aldebaran pareceu não gostar muito da frase inocente da menina. Pegando a mala dela e colocando nos ombros, disse:

- Acho melhor colocar uma cerca em volta da casa de touro – comentou enquanto caminhavam até o carro.

- Cerca? Por Hera, Aldebaran, foi apenas uma frase inocente. Viollet nem sabe o que diz, é uma menina de dez anos – comentou, o acompanhando e tendo a menina ao lado do lemuriano.

- Se com você ela já ficou assim nessa idade, imagina o que não vai acontecer quando ela crescer e chegar perto do Milo? – questionou e Mú parou para pensar.

Fitou a menina e depois olhou o amigo novamente.

- Talvez um muro seja melhor – disse, dando razão a ele.

 

***

 

O carro, que Mú pegou emprestado com Saga de gêmeos, foi estacionado na garagem onde os carros alugados pela fundação e próprios dos cavaleiros ficavam. Era uma área coberta e grande, mas havia o estacionamento aberto também. O porta-malas foi aberto e assim Aldebaran pode retirar as malas de Viollet.

- Tio, Mú também é um cavaleiro? – indagou.

Mú estava fechando a porta do carro quando ouviu a pergunta e olhou preocupado para o taurino.

- Contou a ela sobre os cavaleiros, Aldebaran? – exclamou.

- Relaxa – riu ao bater a porta do porta-malas – Minha irmã contava historias sobre os cavaleiros de Atena quando ela era bem pequena, por ser uma criança não vi problema. Até por que ela não sairia por aí contando que cavaleiros existem e que a deusa Atena reencarnou – comentou – E mesmo que contasse, quem acreditaria em uma criança com a mente tão fértil quanto ela?! – brincou.

- Nisso você tem razão – falou.

Seguiram por uma trilha até adentrarem realmente na área do santuário, pelo caminho Viollet fazia perguntas a respeito de Atena e do santuário, apesar de ainda estar de luto havia curiosidade na menina. Era um lugar novo e além do mais adorava seu tio, com quem tivera bastante contato por morarem próximos. Viajar de Tebas até Atenas não era uma viajem longa.

Quando saíram da trilha a pequena avistou uma enorme montanha e nela era possível ver casinhas ao longo de uma grande escadaria. O chão de grama fora substituído por um cheio de pedra e sujeira. Logo uma escadaria branca e bem limpa fora avista e assim começaram a subir, Viollet vinha entre seu tio e Mú, segurando nas alças de sua mochila.

Chegando a primeira casa, a de Áries, Mú sentiu seu corpo travar ao avistar alguns de seus colegas na entrada da mesma. E Kiki estava no meio, sorrindo para seu mestre que havia acabado de chegar.

- Por Zeus, me diga que Kiki não resolveu dar uma festa enquanto eu estava fora? – levou a mão ao rosto e pronto para dar uma bronca no pupilo.

- Calma Mú, que homem preocupado – riu Milo, que se aproximou – Viemos apenas para receber e dar as boas vindas a sobrinha do grandão aí – moveu a cabeça em direção ao taurino – Então, onde ela está? – sorriu, movendo a cabeça de um lado para o outro procurando pela garota.

No entanto, apenas encontrou com uma menina de dez anos, que o fitava curiosa. O belo sorriso do escorpião foi morrendo aos poucos enquanto uma feição de perplexidade se apossava em si.

- Não me diga que... Sua sobrinha é ela?! – apontou para a menina.

Aldebaran soltou uma gargalhada diante da face cômica do amigo, logo sendo acompanhado pelos demais.

- Rapazes, essa é a Viollet – disse pondo suas mãos enormes nos ombros da menina – Eles também são cavaleiros de ouro assim como Mú – disse para a menina, que sorriu.

- Pensei que sua sobrinha fosse mais velha – comentou Milo emburrado.

- Será que você só pensa em mulher? – Camus comentou, sua face séria assustou um pouco a pequena. Mas o cabelo azul petróleo deu um charme a ele.

- Penso em comida também!

- Céus! – Camus respirou fundo.

Logo um rapaz com o corpo bem definido se aproximou dela rindo, seus cabelos eram castanhos e ele parecia simpático.

- Não liga para ele, Viollet, Milo nasceu sem a outra metade do cérebro – piscou – Me chamo Aioria e creio que seu tio já deve ter contado sobre nós, os cavaleiros de Atena, não é? – a menina assentiu e sorriu – Pois bem, sou o cavaleiro de ouro de leão. Aquele cara sério demais é Camus de aquário e o sem noção é Milo de escorpião – disse.

- Ah... Oi – acenou ela timidamente.

- Podia nos apresentar direito, sem esses nomes ridículos – falou Milo cruzando os braços – Mas então, quer conhecer o santuário, Viollet? Posso te levar para conhecer... – o escorpião sorriu.

Mas Aldebaran logo interviu e puxou a menina para trás de si e encarou aquele escorpião seriamente, fazendo até Camus se assustar.

- Nem se atreva a chegar perto dela, Milo! – ameaçou o taurino – Vem, Viollet! Deve estar cansada, vou te levar para a casa de touro – disse, mas ao passar por Mú comentou: - Esquece o muro, um forte é uma boa idéia – murmurou.

Logo eles sumiram de vista e Aioria virou-se para o ariano.

- Forte? – indagou confuso e o rapaz riu.

- Proteção contra Milo de escorpião – riu e foi acompanhado.

- Ei, não precisa de proteção contra mim – ralhou o grego.

E os amigos o olharam sem descrença. E Aldebaran rolou os olhos bufando em seguida.

- Bom, vamos andando, daqui a pouco os novos recrutas a aprendizes chegarão – avisou Camus tomando o mesmo rumo que Aldebaran.

 

~*~

 

Vila Ródorio

As malas foram largadas diante de uma pequena casa de andar, simples, mas bem arrumada. Duas garotas se encontravam paradas diante da entrada, a chegada delas atraiu olhares, ainda mais pelo fato de que estrangeiros ficavam sempre na cidade e perto de bares e das praias, no entanto, aquelas duas beldades andando pelas ruas simples e até um pouco sujas da pequena vila do território do santuário, era algo de se espantar. Mesmo que elas estejam usando roupas simples – short jeans e regatas e chinelos -, era impossível evitar os olhares.

Uma delas – esguia e de cabelos loiros, possuidora de belos olhos azuis – bateu palmas para chamar a dona da casa, elas alugariam o quarto que viram no anuncio. Enquanto isso a outra olhava ao redor, as pessoas passando e ignorando a presença dela e outras curiosas e as olhando achando que vieram de outro mundo. Ela conseguia ver as cortinas se mexendo com frequência pelos moradores curiosos que queriam ver as novas hospedes.

- Não teria sido melhor ter ficado na cidade? – perguntou.

A loira negou prontamente, mas antes que pudesse responder, a porta da casa foi aberta por uma mulher apressada e que limpava as mãos no pano de prato pendurado na cintura. Ela era baixinho, cabelos negros e presos desajeitadamente em um coque, rechonchuda. Apesar de ter avaliado as meninas de cima abaixo, ela exibia um sorriso no rosto e as cumprimentou com um abraço. Estava acostumada a receber estrangeiros e ao saber que uma delas era brasileira, logo tratou de recebe-la com um abraço. Os gregos gostavam de abraçar também.

- Sejam bem-vindas! – disse a mulher ao se afastar – Devem ser a Alexia e Aiyra, certo? Não sabia que horas chegariam então estava preparando algo para quando chegarem, sei que nesses aviões mal servem algo que preste – alegou.

- Tivemos um pequeno problema para pegar um taxi, a língua grega ainda é um pouco complicada para nós – disse sorrindo também – Apesar de que estamos mais cansadas do que com fome – emendou.

- Ah sim, vamos entrando então – falou e percebeu que a amiga de Aiyra ainda olhava ao redor – Não ligue para os curiosos, queridas. É uma vila pequena e apesar dos anos terem passado, as pessoas ainda gostam de fofocar – balançou a mão.

Em seguida as duas pegaram novamente suas malas e adentraram pelo portãozinho de madeira baixo assim como o pequeno muro que cercava a casa que parecia de boneca, de tão delicada. As casas de toda a vila possuíam as paredes brancas e as janelas e portas azuis, as ruas eram de ladrilho de cor bege. Algumas outras cores eram adicionadas a algumas árvores que haviam aqui e ali, ou por alguma pequena loja que decidiu sair da mesmice. Mas ainda sim parecia uma boa vila.

O lado de dentro da casa era aconchegante, uma sala pequena com um sofá e tv pregada a parede, uma cozinha ampla com uma mesa de quatro lugares. Havia uma escada em espiral ao fundo da casa onde dava para o andar de cima, três quartos somente e pelo que a mulher falou todos eram com suíte. O quarto delas era pequeno, possuía duas camas, uma mesinha com cadeira, uma porta dupla que dava para uma pequena varanda e no canto uma janela. As cores branco e azul claro predominavam. Um banheiro pequeno ao fundo.

- Bom, espero que gostem – disse a mulher – Me chamo Vanya, estarei na cozinha se precisarem – e sorrindo saiu deixando-as sozinhas.

Assim que a porta fora fechada, Alexia, uma garota de cabelos negros como a noite e olhos azuis como safiras brutas, caminhou até a varanda e deu novamente uma rápida olhada pela rua. Sua feição era imparcial, parecia neutra se o local era adequado ou não, até porque não teriam tempo de aproveitar da paz e monotonia daquela vila.

- Ainda acho que devíamos ter ficado na cidade, onde é mais movimentado. Essa vila é cheio de curiosos, vão acabar percebendo nossa movimentação – resmungou.

- Por isso estamos aqui – comentou Aiyra – As pessoas podem comentar, mas não há nada de errado em duas estrangeiras de férias e que gostam de sair à noite para festejar e voltar de madrugada – riu – Na cidade é movimentado demais – fez uma careta.

- Você sempre gostou de lugares calmos, não é mesmo? – sorriu e a loira retribuiu – Mas... – tornou a ficar séria – tem certeza em ficar aqui? Quer dizer, a vila está nos domínios do santuário e até onde sei, seu irmão mora lá – comentou e Aiyra respirou fundo.

- Ele não vai saber que estou aqui e mesmo que soubesse não se preocuparia, já tem anos desde que deixei de ser importante para ele – falou.

Alexia assentiu e depois se jogou na cama, realmente estava cansada.

- E agora o que faremos?

- Esperar. Alessandra deve estar entrando no santuário agora mesmo, assim que ela nos der confirmação formamos um plano – contou.

 

~*~   

 

O ônibus balançava mais que um navio em alto mar preso em uma tempestade, o solo era arenoso demais, instável e cheio de ondulações, a paisagem consistia apenas por paredes rochosas e algumas vezes em amplas áreas com templos em ruinas. Sentada no último banco e recebendo o sol escaldante na cara, havia uma garota de cabelos cor de caramelo e olhos esverdeados, pele clara a mostra pela regata negra e o short jeans, nos pés sandálias. Se encontrava toda torta e tentado apoiar um dos pés nas costas da poltrona a sua frente, sua colega de assento estava mais interessada em se curvar e rezar para não vomitar, devido o balançar constante do ônibus.

Havia outras ali que estavam em mesmo estado, mas durante o trajeto achou ter ouvido uma delas despejar tudo que estava no estômago em um saquinho. As outras – que possuíam o estômago resistente – conversavam entre si de forma animada. Pena que a animação não a contagiava, passou a viajem toda fitando a janela ao seu lado e alternando seu olhar entediado entre os muros rochosos e o sol que castigava sua pele. Sentia a mesma arder.

Já estavam algumas horas ali dentro e quando achou que ficaria presa para sempre naquele ônibus onde as janelas mal se abriam e não havia uma cortina se quer para escaparem do sol, eis que a amazona que as acompanhava anunciou que estavam chegando.

Todos se encontraram em um hotel no centro de Atenas, uma mulher de cabelos negros e pele alva estavam as aguardando em um salão do mesmo. Ela deu algumas rápidas explicações e contou em parte o que é trabalhar no santuário e que tipo de lugar estariam indo, metade das pessoas que estavam ali foi embora alegando que a mulher estava louca por dizer que cavaleiros e Atena existiam naquele mundo. A outra metade ficou por curiosidade e por estar fascinado com a ideia de pisar em um solo sagrado de conto de fadas.

Depois das explicações, foram colocadas em um ônibus e então seguiram viajem. Uma viajem longa e cansativa.

Assim que o ônibus parou, todas desceram calmamente, mas fora uma surpresa ao se depararem com um lugar vazio e com restos de pilares arrebentados. Enquanto pegavam suas malas do bagageiro do ônibus, avistaram duas pessoas chegando, um homem alto e de pele bronzeada, cabelos castanhos claros e andar imponente como a de um leão, e uma mulher de cabelos esverdeados que usava uma máscara de prata com um desenho nos olhos, sua postura se assemelhava a de uma cobra. Algumas das meninas até se encolheram diante da presença da moça.

Ela até teria se encolhido também se não fosse pelo nervosismo ao reconhecer o homem que estava ao lado daquela mulher. O ar se tornou mais quente de repente.

- Foram só essas que aceitaram? – Shina perguntou, parecia decepcionada com a quantidade.

- Mesmo nos dias de hoje, alguns acham besteira essa coisa de cavaleiros e deuses. Acharam que era alguma invenção e que estavam indo era para um manicômio – Geist respondeu.

- Não podemos culpa-los – Aioria comentou, avaliando as candidatas – Esse ano teremos pessoas novas andando pelo santuário, mais aprendizes e mais servos e servas – emendou.

Shina assentiu e em seguida tomou a frente, como sempre fazia.

- Atenção – chamou e todos prestaram atenção – Creio que Geist explicou para vocês sobre o lugar que agora será a nova casa de vocês! É um lugar restrito e a entrada de estrangeiros sem permissão do grande mestre não é permitida, então não vão saindo por aí contando o que se passa através desses muros! E nem tragam pessoas estranhas para cá, os aprendizes a cavaleiros e a amazonas, os servos e guardas e outros é sua nova família, suas vidas antigas ficaram para trás! – exclamou.

Se a voz dela não fosse estridente e ameaçadora, aquilo teria saído como um aviso e como boas-vindas também, mas acabou sendo o contrário. Parecia até que havia um aviso nas entre linhas de que se você fizesse algo errado seria punido com a morte. Apesar de questionar se Atena permitiria aquilo realmente.

- Agora nos acompanhe! – ordenou ela.

Seguiram por uma trilha que estava em melhores condições do que a estrada que tomaram, vigas e colunas eram erguidas e o lugar ia ficando mais apresentável e com cara de entrada de um templo sagrado do que um lugar detonado e feio e empoeirado pelo tempo. Pelo caminho ela escutou as novas colegas cochicharem sobre como aquele cara de pele bronzeada era bonito e um verdadeiro deus grego e apesar de temer chegar perto dele, tinha que confessa que ele era bem bonito.

Pararam quando avistaram uma área toda de mármore branco e um templo grande de mesma cor, o mesmo era grande e atrás dele havia uma enorme floresta com árvores e um mato alto. Nenhuma explicação fora dada, o rapaz que até aquele momento não havia se apresentado apenas caminhou para dentro do templo e em seguida Geist pediu para que formassem dupla para que pudessem entrar. No entanto, ela acabou ficando sozinha, pois sua colega de assento se juntou a uma outra.

De par em par elas foram entrando. Ela acabou se juntando a mulher de andar igual a de uma cobra, que também nem sabia o nome, parecia que as apresentações haviam ficado em segundo plano ou não era importante naquele santuário.

- Apenas respire – pediu ela, e não soube dizer se estava impaciente ou não.

Então apenas assentiu.

Quando chegou a vez dela, ela entendeu o motivo dos pares. Dentro do templo havia um espelho enorme que ia desde o teto até o chão, mas ela sabia que aquilo não era um simples espelho que não refletia reflexo algum, aquilo era um portal, criado com cosmo energia de um Deus, ou seja, com o cosmo de Atena. Um portal e um detector ao mesmo tempo, qualquer coisa que fosse fora do aceitável ou normal aquele portal mandaria um aviso ou para a própria Atena ou para outra pessoa que fosse encarregada de cuidar daqueles portais, pois ela sabia que havia mais de um. Um templo como o de Atena não teria uma única entrada.

Mas aquilo não era o que a preocupava. Sem perceber, apertou o braço de Shina, engoliu em seco temendo que aquele portal a denunciasse. Seria o fim de sua missão e ela não sabia o que fariam com ela e ela seria obrigada a contar quem era. E pior, colocaria Atena em saia justa, pois ela sabia que a deusa não contou nada sobre sua conversa com Hera para seus cavaleiros, tudo estava sendo as escondidas e ela estava ali apenas para manter a deusa a par da situação e avançar da missão das outras companheiras.

Sua respiração se tornou mais pesada temendo que até mesmo sua armadura fosse detectada, as armaduras das musas ficavam guardadas em pulseiras de prata e a sua estava em seu pulso.  

- Quanto mais tensa ficar pior será para atravessar – a voz de Shina a trouxe de volta a realidade – A barreira emite um pouco do cosmo de Atena, assim detecta alguma anomalia. Provável que irá sentir o estomago um pouco ruim e um pouco de pressão na cabeça, mas nada sério. Mas se ficar nervosa os sintomas serão mais fortes, então sugiro se acalmar – avisou.

No entanto, acalmar-se era algo que ela não conseguia. Mas não havia tempo para pensar, era notável a irritabilidade por parte da amazona devido a sua demora. Então apenas deu um aceno rápido a mulher cavaleiro e logo estavam atravessando o portal. Passar pelo mesmo fora como ser prensada contra um espelho quebrado e seus cacos virados para seu corpo, a pressão a impediu de respirar por alguns segundos, mas sentiu como se fosse longos minutos.

E então ela puxou ar, sentindo o peito doer ao fazê-lo. Tombou-se para frente e a cabeça rodou ao ponto dela precisar de apoio. Sentiu um par de braços diferentes lhe segurar, eram mais másculos e firmes, com músculos bem trabalhados e ao erguer o olhar deparou-se com o cavaleiro que as aguardava do outro lado. Rapidamente se afastou dele como se tivesse levado um choque e tentou agir como se já estivesse bem.

- Desculpe – proferiu, mas ele emitiu um sorriso de compreensão.

- A primeira vez que se atravessa a barreira pode ser um ato traumatizante, não se preocupe – falou ele – Passará logo – acrescentou e então caminhou até as outras duas amazonas – Todas estão aqui? – ouviu-o perguntar.

Ela deu uma olhada para as outras garotas e viu que algumas estava pior do que ela, viu várias delas debruçadas nas moitas colocando tudo para fora que antes o ônibus não havia conseguido tirar. Mas fora isso pareciam bem, ela no entanto, estava tremendo, sentia sua cosmo energia oscilando e temeu que seu cosmo fosse descoberto. As musas de Hera sabiam como ocultar seus cosmos de tal forma que até mesmo um Deus não conseguiria achar, mas a barreira pareceu ter encontrado seu cosmo e o balançou feito um pom-pom de líder de torcida. O peito ainda sentia os efeitos da pressão da barreira e ainda era difícil de respirar.

- Muito bem meninas! – Geist tornou a falar – O cavaleiro de ouro de leão, Aioria, irá acompanha-las até o salão do grande mestre para conhecerem a governanta do templo e líder das servas do santuário. Qualquer pergunta a mais que tiverem favor perguntar a governanta – explicou.

Após malas serem largadas, elas seguiram o cavaleiro de leão em direção a uma longa escadaria onde ao longo do caminho havia várias casinhas semelhante a templos. Ela até teria prestado atenção ao seu redor, vendo como é o santuário, mas a barreira ainda causava efeito nela e ela tinha que se concentrar em fingir que estava bem já, assim como as demais. E assim seguiu caminho.

 

~*~ 

 

O dia seria atarefado, além de receber os novos recrutas e designá-los para seus mestres ou mestras, Shion ainda teria que acompanhar Agnes na recepção das novas servas do santuário. Com o aumento dos aprendizes eles teriam que ter uma nova leva de criados e talvez até uma ajuda extra ao limpar as doze casas. Normalmente cada cavaleiro de ouro possuía sua serva particular, ela além de limpar a casa do cavaleiro, cuidava da dispensa e necessidades como utensílios de banheiro, cozinha e etc.

Mas algumas sempre se esqueciam do motivo de estarem ali e achavam que cuidar das necessidades dos guerreiros dourados era servir a cama deles. Agnes já perdera a conta de quantas vezes discutiu com Milo e Kanon a respeito disso, nem mesmo o puxão de orelha do grande mestre os fez se afastar das criadas. Máscara da morte de câncer também era um dos cavaleiros que se envolvia, porém, ele era mais discreto... No sentido de que se a criada desse com a língua nos dentes e contasse a alguém que dormira com ele, ela acabaria com a cabeça pregada na casa de câncer.

Shion ia a frente, segurando o elmo de grande mestre no braço esquerdo, tendo Agnes e sua assistente ao lado. Os corredores da décima terceira casa eram bem limpos e o azulejo reluzente e branco vivia brilhando, sem contar as janelas e cortinas bem lavadas também.

- Não precisa me acompanhar, grande mestre. Creio que o senhor deva ir para a arena e receber os novos aprendizes – Agnes falou.

- Não se preocupe, Agnes, faço questão de acompanhá-la afinal como grande mestre devo saber quais criadas estarão circulando pelo meu templo e o de Atena – alegou – A iniciação dos aprendizes irá demorar ainda, estamos em tempo – emendou.

- Como quiser, grande mestre – assentiu ela.

Chegaram a um corredor mais largo, como se fosse uma ante-sala de um cômodo, ao fundo dele uma porta de madeira que dava acesso ao salão principal onde o trono ficava. Normalmente era ele que sempre o ocupava, eram raras as ocasiões em que Saori o fazia, até por que ela tinha outras coisas para se preocupar como a fundação. A porta foi aberta e eles adentraram o amplo cômodo do salão principal.

O chão era forrado com granito em um tom acinzentado e reluzente, no centro do salão um tapete aveludado de cor vermelha e suas bordas decoradas com dourado. Se estendia desde a porta dupla de madeira até os degraus do altar do trono, colunas se espalhavam pelo recinto e seus rodapés decorados com ouro. Janelas grandes que deixavam a claridade tomar conta do lugar como se fosse ela a comandar aquela sala. Havia três janelas destas de cada lado do salão, indo desde o teto até o chão. Somente duas delas era possível ser aberta.

Shion sentou-se no trono e Agnes ficou ao seu lado esquerdo, com aceno para o guarda que protegia a entrada do salão pela parte de dentro. Ele rapidamente acatou a ordem e abriu a enorme porta dupla de madeira e deu o aviso para permitirem que as novas servas entrassem no salão.

Logo os passos de todas ecoaram no cômodo, assim como as malas de rodinha, mas outras carregavam as malas nos ombros. Pararam no centro, todas maravilhadas com o interior daquele lugar, apesar de nada se comparar com a paisagem belíssima do lado de fora. Todo o santuário podia ser visto do templo 13 e algumas até tiraram fotos para registrar aquele momento. Agnes avaliava as novas garotas já julgando pelo modo de vestir, avistou algumas comportadas e rezou para que elas fossem centradas em seu trabalho, pois já vira garotas com saias longas, mas dava tanto trabalho.

Outras ali usavam short curto e blusinhas regatas justas apertando seus seios e algumas até chegaram a sorrir de canto ao avistar o grande mestre. Porém, o lemuriano não dava bola, apesar de internamente se sentir corar até a tampa. Dohko sempre pegava no pé dele dizendo que mesmo depois de duzentos anos ele ainda continuava lerdo para o assunto de paquera. Ele não era lerdo, apenas não gostava das atiradas e era discreto, não era depravado igual ao amigo que agora que tinha seu corpo jovem novamente, acha que o mundo vai acabar em mulher.

Porém, não era somente Agnes que fazia uma analise das garotas. Shion analisava uma a uma, tentando ver qual delas poderia ser a amazona que Hera disse que mandaria infiltrada no santuário. Saori o havia notificado de que uma amazona ficaria no templo dela e passaria relatórios da missão secreta delas, apesar dele detestar aquilo apenas acatou. Porém, todas pareciam ser ela e nenhuma parecia, era uma contradição. No entanto, ele não desistiu de procurá-la.

Agnes deu um passo à frente e começou a falar:

- Bom dia meninas, sejam bem-vindas ao santuário! Sou Agnes, a governanta do décimo terceiro templo e coordeno as criadas de todo o santuário – alegou – Este é Shion, o grande mestre e braço direito de Saori Kido, conhecida também como a reencarnação da deusa Atena – contou e todas ficaram surpresas, mas algumas intensificaram ainda mais os sorrisos maliciosos para cima de Shion – Primeiramente quero avisar de que tipo de serviços irão fazer aqui. Como foi explicado para vocês, irão cuidar da limpeza do santuário, porém, há várias áreas aqui e vocês serão divididas – acrescentou.

"Serão colocadas em grupos e cada grupo cuidará de uma determinada área. As áreas são: A Vila das Amazonas, A Vila dos Cavaleiros, A Vila Prata destinada aos cavaleiros de prata, As doze Casas do Zodíaco que é onde os cavaleiros de ouro ficam, como já devem saber. O templo do grande mestre e o de Atena. Vocês cuidarão não só da limpeza, como também da organização dessas áreas, devido ao treinamento que os cavaleiros e amazonas recebem eles não têm tempo para cuidar de algumas tarefas. Na vila das Amazonas, vocês irão cuidar das cabanas das mestras, pois os aprendizes devem inicialmente aprender a se virar antes de ganhar a mordomia. O mesmo vale para a vila dos Cavaleiros.

Nas doze casas, as coisas são diferentes. Três criadas são designadas a cuidar de cada casa, cada cavaleiro de ouro possui sua própria serva e mantém a dispensa arrumada, cheia e extremamente limpa. Agora quero que prestem atenção nas regras, pois se desobedecerem serão punidas ou até mesmo despedidas."

Assim que Agnes começou a enumerar as regras, a garota de cabelos caramelados parou de prestar atenção. Aquilo não era importante para ela, pois só de estar ali diante do grande mestre já era uma regra quebrada. Então as outras se tornaram apenas detalhes e algo sem valor. Ela mudou se foco de Agnes para o patriarca, o encarando até que ele conseguiria vê-la e identificá-la como amazona.

E quando conseguiu um contato de olhares rápido, ela começou a se comunicar através do cosmo com ele.

"É uma honra conhecê-lo pessoalmente, grande mestre. Só de olhá-lo já posso ver que contém o respeito de todos aqui no santuário. Me chamo Alessandra e sou uma das Musas de Hera."

Quando a voz dela alcançou Shion, o mesmo endireitou-se ainda mais no trono e apertou as mãos no encosto para o braço do mesmo. Além de estreitar os olhos buscando pela dona daquela voz, logo encontrou uma garota de sorriso maroto e olhar despreocupado, olhando fixamente para ele. Se surpreendeu ao ver que ela fez o contato primeiro, achou por um momento se que manteria oculta e só se revelaria quando fosse levada a presença de Atena.

"Já estava me perguntando quando iria se manifestar. Seria errado se eu dissesse que é bem-vinda ao santuário?" ele respondeu.

"- De maneira nenhuma, é até bom saber que sou bem-vinda. Não iria querer ficar aqui sabendo que me vê como inimiga, apesar de toda essa situação ter começado errado"  falou, tentando não parecer estranha ao olhar para o grande mestre, pois não queria ser chamada a atenção da mulher que era mais brava do que uma das musas sagradas de Hera.

"Quantas de vocês vieram exatamente? Não creio que somente uma de vocês viriam."

"Aqui no santuário sou apenas eu, mas ainda há outras musas que ficarão mais exposta do que eu, elas estão na cidade, em Atenas. Mas não posso dar um número exato." Explicou.

"Entendo” suspirou ele.

"Lamento se a situação o desagrada, Grande mestre, mas estou aqui apenas cumprindo ordens" Respondeu.

"O que procuram realmente? Ouvi Hera comentar sobre um baú, mas não creio que seja apenas isso." A fitou desconfiado.

"Os detalhes explicarei mais tarde, podemos nos encontrar mais a noite e conversar a sós. Responderei qualquer pergunta que queria, grande mestre. No momento apenas tem que saber que estamos do lado de Atena e queremos proteger a Terra, e que queremos resolver isso o mais rápido possível e pegar a traidora."

"Lamento que tenha que lutar contra uma companheira. Eu entendo o sentimento."

E como ele entendia, no passado – não tão distante assim -, ele já lutou contra companheiros em prol da paz no universo. Não é uma sensação boa, mesmo que seja com a melhor das intenções. A amargura corrói você por dentro até lhe enforcar e sobrar apenas uma sombra do que você era. Shion não gostava de lembrar daquelas coisas.

"Também não queríamos fazer isso, lutar contra Zyra está sendo pior do que imaginávamos, mas a traição dela foi pior e mais dolorosa. Lamento se irei parecer um pouco fria, mas Zyra tem que ser parada, por bem ou por mal. Ela já não é mais nossa companheira, é uma traidora e Hera não tolera guerreiros traidores." Disse firme.

"Pode me responder mais duas perguntas?" Aiyra assentiu discretamente. "Por que escolheu o santuário? Poderia ter ficado na cidade sem problemas com suas amigas e não seriam detectadas, eu suponho. Afinal, derrotaram quatro cavaleiros de ouro facilmente. Então, por que?"

"Por razoes obvias. O santuário é a seda da fundação Kido e ela contém contatos em todo o mundo e se Zyra agir nós saberemos, e também porque Atena pediu a Hera para ser informada sobre a missão. Pelo que sei a deusa não quer que isso chegue aos ouvidos de seus cavaleiros, ela quer polpa-los de mais uma batalha dolorosa." explicou. "Qual a próxima pergunta?"

"Quais as chances desta missão sair de controle? O que farão se isso se essa traidora for mais forte do que vocês?

“Duvida de nós, grande mestre?”

“Sei que são fortes, mas essa tal de Zyra parece estar dando trabalho para vocês. Se conseguiram derrotar quatro cavaleiros de ouro e bronze, por que não conseguem pegar uma companheira? Voces treinaram juntos eu suponho, então devem conhecer tudo sobre ela, estou certo?”

A pergunta deixou Alessandra tensa e sem resposta para rebater ao patriarca, no entanto, aquilo era um fato que batia na cara de todas as musas nas quais Zyra teve contato ao longo de seus anos no Olimpo e no templo de Hera. Tantos anos juntas, compartilhando coisas e sentimentos e ainda sim, nenhuma delas conhecia Zyra de verdade. Ela nunca compartilhou algum segredo, nunca contou o motivo de ter ido ao templo para se tornar Musa, seus sonhos e seus medos, nem o lugar onde ela nasceu. E em contra partida, Zyra sabia tudo sobre cada uma delas. Elas foram ingênuas ao contarem seus medos, sonhos, ambições para ela que sempre pareceu ser uma amiga e estava lá para amparar a todas nos momentos difíceis.

“Sobre os cavaleiros... como eles estão?” perguntou, fugindo da pergunta dele.

Shion notou, mas deixou que sua pergunta ficasse sem resposta. Era nítido que nem elas sabiam ao certo o que essa missão resultaria e as emoções delas estavam mescladas a tudo relacionado a essa confusão toda.

“Estão bem, apesar do orgulho ferido. Mas não esperem uma boa recepção caso eles as encontre pela cidade ou descubram quem você é, eles guardam rancor e querem revanche”

“Daremos a eles se quiserem. Mas somente se Atena e Hera concordarem.” Sorriu.

Logo ela voltou sua atenção para Agnes, a governanta estava falando a última regra e que segundo ela era a mais importante e que vinha lhe dando dor de cabeça.

- Por último, deixei a regra principal... ter relacionamentos com os cavaleiros é proibido! – avisou severa e algumas das garotas ali demonstraram desgosto – Ultimamente anda tendo muitos casos entre servas e os cavaleiros de ouro, quanto menos dor de cabeça eu tiver melhor. Se quiserem se envolver com os guardas ou qualquer outro servo, que façam, mas fiquem longe daqueles depravados, principalmente o cavaleiro de ouro de escorpião e gêmeos – ralhou – Mostrarei a vocês seus dormitórios e depois já passarei as tarefas para depois da cerimônia, terão permissão para comparecer a arena para assistirem se quiserem.

Em seguida Agnes moveu a mão pedindo para acompanhá-la, saíram do salão principal, mas não antes de Alessandra lançar um aceno em respeito ao patriarca do santuário. E após a mesura, seguiu a governanta do templo 13 de bom grado. 

 

~*~ 

 

De frente para o espelho de seu novo quarto Viollet se observava enquanto terminava de fixar o pequeno cinto fino ao redor de sua cintura. O vestido branco e todo soltinho e bem ao estilo grego a deixou graciosa, Viollet possuía cabelos claros e os olhos verdes puxou do pai. O quarto em si ainda não possuía muita decoração, Aldebaran deixou que a menina escolhesse como queria decorar o quarto.

Suas malas ainda estavam próximas a cama, a de rodinha aos pés e a bolsa em cima da cama. Depois de terminar e fechar o cinto corretamente, ela foi até a bolsa, sentou-se na cama e mexeu dentro dela tirando um objeto de aparência suja e cor opaca. Era a única coisa que tinha da mãe, o resto fora queimado junto da casa.

A família de Viollet morrera em um incêndio. Ela não soube de onde começou, apenas se recordara de acordar e sentir o odor de queimado. Parte da casa já estava em chamas, correu até o quarto dos pais e eles já estavam acordados também, pegando apenas os robes para cobrirem e escaparem do fogo. Seu pai não conseguiu sair e desesperada, sua mãe retornou para dentro da casa em chamas e logo em seguida a casa explodiu. Viollet assistiu a família morrer e não pode fazer nada, a única que restava era aquele objeto estranho que sua mãe lhe entregara e disse para cuidar dele.

No dia seguinte, a casa era apenas um resto de fuligem que se esvaia com o vento. Resto de moveis ainda era possível ser vistos se andasse pelo que sobrou de seu lar. Sorte a dela que não vira como ficara seus pais, quase não puderam ser reconhecidos. Depois disso, Viollet ficou com o juizado de menor até que Aldebaran fosse informado da tragédia.

Mas Viollet nunca pensava neles com tristeza, mesmo que seu coração se apertasse, ela tentava lembrar apenas das coisas boas e colocava um sorriso no rosto.

Logo batidas foram ouvidas na sua porta e pega de surpresa – por estar em devaneios – a menina desceu da cama e guardou novamente o objeto na bolsa e foi até a porta, onde seu tio a aguardava.

- Olha só, parece uma pequena deusa – Deba sorriu para a menina – Está bonita, Viollet!

- Obrigada tio Deba – retribuiu o sorriso – Nós já vamos?

- Sim. Atena e os outros estão nos esperando – alegou, dando espaço para ela passar.

Andaram pelo corredor dos quartos e logo saíram da parte interna da casa de touro, o hall da segunda casa era enorme e cheia de pilastras, a pequena garota logo se imaginou brincando de esconde-esconde. Fazendo assim um pequeno sorriso crescer nos lábios. Deixaram a casa de touro de mãos dadas e se puseram a subir toda aquela escadaria até a antiga arena. Depois de todos os acontecimentos e ganharem uma nova vida, Saori mandou construir uma nova arena e um pouco mais afastada das doze casas. Assim nem os cavaleiros e amazonas junto de seus aprendizes precisariam subir aquelas escadas enormes e longas até chegar à arena.

Havia uma trilha para a nova arena e ficava em uma área ao lado das doze casas, maior e mais espaçosa. A antiga arena é usada somente para cerimônias como esta e para os cavaleiros se reunirem e fazerem uma fogueira durante a noite já que não podiam sair muito durante a semana, devido aos treinos. Esperar somente o final de semana para sair ás vezes era difícil então os rapazes faziam com freqüência uma roda em torno da fogueira para relaxarem e aproveitarem a noite.

Ao chegarem à antiga arena entraram em um corredor longo onde este lhe dava aceso aos vestiários e a um cômodo onde o grande mestre normalmente ficava antes de aparecer no palanque logo abaixo da estatua de Atena. O cômodo não possuía móvel algum, porém, naquele momento os mesmos e encontrava lotado devido os cavaleiros de prata e ouro estarem todos aglomerados ali dentro, apenas esperando pela chegada de Atena.

Os companheiros de luta acenaram para ele e Viollet ficara encantada com a quantidade de guerreiros que a deusa mencionada por seu tio, possuía.

- Desculpem o atraso – Deba falou, levando uma mão a nuca. Logo os olhos de todos se voltaram para a pequena menina agarrada na perna do enorme cavaleiro de touro – Tive que vir mais devagar, Viollet ainda não está acostumada com as escadas – comentou, tocando de leve a cabeça dela.

- Está tudo bem, ainda faltam alguns cavaleiros para chegarem e Seiya e os outros também – Mú falou.

- Deba, esta é sua sobrinha? – a voz de Misty de lagarto soou atrás dele e o olhar de Viollet acompanhou a do tio.

Um homem alto e de madeixas castanhas trajava uma armadura, porém, não era de ouro e sim de prata. Ele possuía um olhar sedutor e a voz era mansa demais para um homem do porte dele, fazendo a menina tombar a cabeça em confusão. Os traços delicados demais lhe faziam parecer uma mulher, mas não havia seios e isso piorou a avaliação que a pequena fazia.

- Sim! – sorriu o taurino, orgulhoso – Esta é Viollet.

- Um nome adorado. Seja bem-vinda ao santuário, Viollet – disse ele com um pequeno sorriso nos lábios que pareciam estar pintados – Me chamo Misty, se precisar de alguma coisa é só me chamar.

- Você é um cavaleiro de ouro assim como meu tio? – indagou ela, ainda mantendo a cabeça meio tombada e a expressão confusa no olhar.

- Lamento ter que desapontá-la, mas sou um cavaleiro de prata. Porém, não menos importante – piscou e ela sorriu – Está com fome? – indagou e depois virou-se para Aldebaran – Espero que tenha a alimentado antes de vir, as cerimônias de boas vindas costumam demorar um pouco – emendou.

- Comida é o que não falta na casa de touro! – a voz de Kanon soou próxima e logo avistaram os gêmeos, que haviam chegado.

Viollet notou a semelhança dos gêmeos, mas também a diferença. Um era extremamente sério e possuía uma postura ereta e firme, o outro parecia mais solto e despreocupado, tinha uma expressão séria também, mas não pesava na face como a do outro. A cor dos cabelos também tinha suas diferenças pequenas. Kanon tinha os cabelos azuis como o mar, enquanto que Saga tinha os cabelos azulados puxados para um roxo. Uma mescla única.

- Virou babá agora, grandão? – o marina perguntou, fitando a miniatura de gente ao lado de Deba.

Viollet encarava Kanon, mas não parecia ter ido com a cara dele, pois devolvia um olhar sério, para Saga, ela nem tentou olhar, a feição séria demais a fez recuar. Até mesmo alguns cavaleiros de ouro e prata tinham medo do geminiano, então mantinham alguma distancia e Saga não estava muito preocupado com isso também.

- Ela é minha sobrinha, Kanon – o brasileiro falou.

Kanon a olhou, mas Viollet não mudou sua expressão e o marina se irritou. Mas também não era muito chegado a crianças e até preferia manter-se longe delas e com isso deu de ombros antes sair para outro canto do salão onde Mascara da morte e Shura conversavam. Saga continuou ali, mas não deu muita atenção a menina.

- Sinto muito por sua perda – Saga falou, ele fora o primeiro a ir até a casa de touro dar os pêsames ao brasileiro quando soube da noticia – Seja bem-vinda ao santuário, menina – disse de forma contida e depois saiu, indo para o fundo do salão.

- O-Obrigada – sussurrou, ainda o olhando – Quem era ele? – indagou.

- Aquele é Saga de gêmeos. O outro igual a ele é Kanon – Misty explicou – Sugiro não se aproximar deles – aconselhou – Agora vamos arrumar algo para você comer – o guerreiro disse ao puxá-la pela mão e levá-la até a mesa posta ao fundo do salão onde havia petiscos.

E claro que Misty fez questão de apresentá-la a todo mundo ali, principalmente aos companheiros de prata.

- Viollet parece uma menina incrível, uma pena que tenha perdido os pais tão cedo – Afrodite comentou, ele estava ao lado de Mú e Shaka.

- Ela é sim. E está lidando bem com a dor da perda, que ainda é recente – Deba respondeu e depois riu, atraindo a atenção dos amigos – Acho que vou ter que chamar Misty para me ajudar, ela chegou hoje e não faço ideia de como cuidar de uma criança! – coçou a nuca – Me sinto perdido – confessou.

- Talvez não sejamos de grande ajuda, nenhum de nós sabe lidar com crianças. Mas Misty parece estar mais familiarizado – Shaka respondeu.

- Acho que eu posso ajudar, Kiki é uma criança... Pode ter feito doze anos no mês passado, mas ainda é tão arteiro quanto uma menor – o ariano riu e Deba o acompanhou.

Todos conheciam o dilema que era para Mú treinar aquele garoto. E claro de suas pegadinhas com as criadas, com sua telecinese ele aprontava todas com as servas e até com as aprendizes. Agnes e Shina surtavam cada vez que ouviam reclamações do pivete, mas Mú implorava para que relevassem e deixassem aquilo de lado. Porém, nem sempre funcionava.

A conversa tomava conta de todo o local, cada vez mais cavaleiros iam chegando e Misty ia contando a Viollet quem eles eram. Avistou alguns bonitos, outros mais fechados e alguns até escandalosos. Conheceu os cavaleiros de bronze, porém, os mais importantes e que eram guardas pessoais de Atena ainda não havia chegado. Mas bastou o cavaleiro de lagarto tocar no nome deles que os mesmos apareceram e acompanhados de Atena.

Todos se curvaram respeitosamente perante a deusa e os olhos da bela moça de longos cabelos lilases sorriram docemente para Viollet. Que retribuiu o sorriso e acenou timidamente.

- Estamos prontos para começar a cerimônia, Atena – Aioros se pronunciou.

- Ótimo – sorriu e caminhou calmamente até a sobrinha de Aldebaran, que ainda se mantinha de mãos dados a Misty – Você deve ser a Viollet, certo? – a menina assentiu – Muito prazer em conhecê-la. Gostaria de me acompanhar, Viollet? – indagou.

A menina fitou o tio, esperando alguma permissão e o taurino apenas assentiu concordando. A pequena acenou que sim a deusa e deu a sua mãozinha para ela e juntas caminharam até o palanque posto na arena, bem abaixo de sua estatua. Onde diante delas estaria à arena, repleta de aprendizes e amazonas e cavaleiros veteranos prontos para defendê-la. 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Não tenho muito o que falar do capitulo, ele teve que ser mais sem muita emoção ou grandes acontecimentos.
Como viram 3 amazonas de Hera chegaram, duas delas estão em Ródorio e uma está no santuário, veremos o que acontecerá com a estadia delas.

Espero que tenham gostado! Até o próximo!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...