História A Caixinha de Música - Capítulo 1


Escrita por: e LeggoPJCT


Notas do Autor


Boa leitura 💜🍭

Capítulo 1 - Capítulo Único - Crianças precisam imaginar


O sutil som que emanava da caixinha de música preencheu o quarto de Heo Solji. Uma pequena bailarina surgiu lentamente de dentro do objeto, rodopiando de forma contínua pelo piso espelhado que lhe servia de palco até que, por fim, a melodia cessou e ela retornou para a escuridão do retângulo branco de detalhes em rosa bebê.

— Mamãe, sua bailarina é tão linda! — disse a pequena Junghwa para sua mãe. A mais velha, por sua vez, penteava o cabelo castanho escuro da filha. — Por que a senhora não me dá ela de presente?

— Foi um presente do seu avô, querida, é muito importante para mim. — respondeu Solji enquanto colocava uma tiara vermelha na cabeça da menor.

A garotinha se entristeceu, mas optou por não responder a mãe afinal de contas, havia compreendido o ponto de vista da mesma.

A campainha foi tocada.

Mãe e filha se encararam por um instante. Solji se levantou da cama, deixando a escova de cabelo sob a mesma e avisou a filha para que a esperasse atender a porta.

A Heo saiu do cômodo, deu passos firmes pelo corredor, desceu as escadas e aquela altura já se perguntava o porquê de não ter comprado uma casa térrea e quando por fim chegou até o andar de baixo, caminhou em direção a porta e a abriu.

No primeiro momento, ficou estática encarando a figura em sua frente. Apesar de surpresa pela visita nada convencional, percebeu que a pessoa não se encontrava com cara de bons amigos, muito pelo contrário, sua aparência era de raiva, olhos semicerrados, lábios contraídos e braços cruzados sobre o peito.

— P-pois não? — Solji perguntou engolindo em seco.

LE estava na porta de sua casa, zangada e mesmo assim próxima demais de si. Uma super estrela, a cantora do momento, a mais nova revelação do ramo musical.

— Você é Heo Solji? — perguntou com a voz grave, quase cuspindo fogo pela boca.

— Sou eu, sim. — respondeu receosa.

— Será que podemos conversar?

Confusa, Solji só fez assentir e abrir espaço para que a cantora entrasse em sua humilde residência e assim a visita fez. LE era o que a grande massa chamava de "cafona", pois ela trajava uma camiseta preta de algodão três vezes maior que seu número, uma calça pantalona xadrez e em seus pés havia um par de Nikes brancos.

Um completo desastre da moda que a mídia fazia questão de deixar evidente, seja em redes sociais, programas televisivos ou revistas teens.

As duas mulheres foram em direção a cozinha, onde Solji deixou claro que a visita podia se sentir à vontade para se sentar em qualquer um dos bancos da bancada.

— Não estou entendendo nada. — dizia tímida, suas bochechas receberam um tom rosado. — Aceita uma xícara de café? — a Heo não sabia como recepcionar uma pessoa daquela classe em sua casa de fato.

— Meu nome é Ahn Hyojin e não gosto de café. Cheguei em casa após uma longa semana de shows pela a América e descobri que a sua filha… — apontou o dedo indicador em direção a anfitriã. — A sua filha disse para a minha bebê que a fada do dente não existe! Agora a minha pequena Hyerin está aos prantos em casa, me acusando de mentir para ela. O que sua pequenina destruidora de infâncias vai fazer em seguida? Contar para todas as crianças da escolinha Happy Days que o Papai Noel não é real? — dizia em alto e em bom som.

Toda insegurança e timidez desapareceram bruscamente de Heo Solji. Ninguém tinha o direito de ofender sua filha, ninguém.

— Escute bem, senhorita "não fale mal da fada do dente", minha filha disse alguma mentira por um acaso? — rebateu no mesmo tom. — Aqui nessa casa tratamos dos assuntos com transparência. Junghwa, minha filha, nunca descobrirá mentiras da minha parte porque eu jamais diria para ela essas baboseiras de fins comerciais. Se Junghwa foi sincera com sua filha, deveria me agradecer. — sorriu satisfeita por sua resposta.

A cantora olhou incrédula para a mulher, não compreendia como alguém podia ser tão fria em relação às questões infantis. Tão cruel e realista para um mundo infame demais por si só.

— Mamãe, quem é que veio… — Junghwa perdeu a fala ao chegar na cozinha. Sua cantora favorita estava diante de seus olhos. — LE!

Como uma perfeita criança de sete anos de idade, a menina correu em direção a Hyojin e lhe deu um abraço de urso, que foi prontamente retribuído pela mais velha. Ahn Hyojin nunca trataria mal um fã, muito menos uma criança.

— Tudo bem? — perguntou.

— Sim, LE! Você pode me dar um autógrafo, por favor? — fez sua carinha típica que sempre usava para conseguir o que desejava.

— Claro que sim! Onde quer que eu assine? — lançou um sorriso que aqueceu o coraçãozinho da garota.

— Espere um pouco. Eu vou buscar minha caneta da sorte e uma agenda. — saiu em disparada a procura dos objetos, deixando as mais velhas sozinhas.

— É a Junghwa? — perguntou como quem não queria nada.

— Sim. — falou Solji curta e grossa.

— Não posso culpar ela por coisas que foram você que a ensinou. — suspirou arrependida por sua falta de modos há minutos atrás. — Mesmo que essas coisas sejam tão sem imaginação alguma e nada mágicas.

— Bem-vinda ao mundo real.

Pelo motivo da cantora ter lhe atingido justamente em seu ponto fraco, a Heo se contentou em cruzar os braços e virar de costas para a visita com certo desdém. Para acabar com o clima tenso instalado do cômodo, Junghwa surgiu com suas mãozinhas sobrecarregadas.

A criança colocou a caixinha de música sob o balcão e deu corda para que a bailarina fizesse sua apresentação. Em seguida, entregou a agenda aberta na página desejada para Hyojin e também sua caneta predileta. O diferencial daquela caneta era seu canudo colorido com bastante purpurina e um botão que fazia luzes de quatro cores distintas piscarem por sua extensão. Os gostos da menina fizeram LE amolecer. A mulher amava objetos coloridos e nada discretos.

— Heo Junghwa, a minha caixinha de música está aqui por que? — falou autoritária.

— Ah, mamãe, eu queria mostrar ela para a LE. — esclareceu manhosa. — LE, eu amo sua música "Skater Boy". Estou com o skatista, eu disse: te vejo mais tarde, garoto... — cantarolou animada, fazendo a alegria da artista e a indignação da própria mãe.

— Desde quando você ouve esse tipo de música, Junghwa? — se surpreendeu.

— Desde que passei as férias na casa da tia Hani. — disse simples sorrindo como se soubesse que havia aprontado.

— Uma mocinha não deve cantar esse tipo de música.

— Eu tenho meu lado skatista e o lado bailarina, mamãe! — se explicou. — As duas em uma só! — apontou para si própria e começou a dançar a coreografia da canção.

Ahn Hyojin só fez gargalhar. Deixou sua assinatura na página escolhida pela criança e entregou os pertences para a menor que, mais uma vez, a abraçou e também se permitiu beijar a bochecha da artista.

— Filha, vá assistir Hotel Transilvânia. Daqui a pouco, eu vou assistir com você, por favor.

Junghwa se chateou. No entanto, sabia que havia dito o que não deveria. Contudo, a pequena e Hyojin sorriram cúmplices uma para a outra, logo se despediram e a tensão voltou para a cozinha.

— Caraca, eu me arrependo muito de ter ficado com raiva da sua filha. De você, não, mas a garota é um doce. — sorriu satisfeita.

— Por que de uma hora para a outra a Junghwa se pareceu tanto com você? — se indignou.

— Sou a febre do momento, por isso. — riu fraco. — Vamos fazer o seguinte: saímos no sábado e está tudo resolvido entre nós duas. — deu de ombros.

— Como é, está dando em cima de mim? — olhou a cantora de cima a baixo.

— Talvez. — sorriu com segundas intenções.

[...]

— Heeyeon! Junghwa! Se a Hyojin chegar, diga que não irei sair. Estou doente! — gritou de seu quarto para as duas pessoas que mais amava.

— Como assim, Solji, ficou maluca? Isso é uma chance em um milhão. — sua irmã mais nova, apelidada de Hani, chegou no quarto na intenção de a fazer mudar de ideia.

— Minha caixinha de música sumiu. A caixinha que o papai me deu de aniversário de dez anos, Heeyeon! Como aconteceu uma coisa dessas daqui dentro de casa? — se desesperou, puxando levemente seus fios de cabelo devido o sentimento amargo que se instalou dentro de si.

— Não está no quarto da Junghwa? — pendeu a cabeça para o lado.

— Aí, não sei, Hani, não sei. Aquela caixinha é especial demais, você bem sabe. — desatou a chorar nos braços da caçula.

— Fica tranquila. Junghwa e eu procuramos por ela enquanto você sai com a poderosa LE! Relaxe por algumas horas. Você vive tensa e amargurada. Esquece tudo que te incomoda e aproveita. — afagou o cabelo louro da irmã enquanto lhe dava motivação. A Heo mais velha assentiu com a cabeça, levou a mão até a face e secou as lágrimas de sua bochecha.

[...]

Solji logo de cara percebeu que o restaurante não era nada a altura de um primeiro encontro. Depois se amaldiçoou por ter chamado aquilo, seja lá o que fosse, de encontro. O local estava mais para uma lanchonete, daquelas que adolescentes se encontram após às aulas. As mesas vermelhas eram redondas e não possuíam toalhas para as cobrir, as cadeiras eram dobráveis e não haviam sequer garçonetes para anotar os pedidos nas mesas, sendo preciso pedir a refeição diretamente do balcão.

— Parece distante. — Ahn Hyojin comentou com uma leve preocupação eminente.

— O que disse? — acordou de seus devaneios.

— Sua mente parece estar em Marte, sei lá. — riu sem graça. — Desculpa ter te trago aqui, mas não gosto de restaurante cinco estrelas. Neles eu costumo sair com mais fome do que quando entro.

Solji sorriu discreta para a Ahn. Estava feliz por ter encontrado uma pessoa humilde com quem tinha chances de unir as escovas de dente, Uma pessoa que sua filha aprovava e se dava bem acima de tudo. Porém, aquele bendita caixinha delicada não saía de seus pensamentos. Havia sido o último presente dado por seu pai antes do mais velho desaparecer no mar após uma onda o atingir em cheio enquanto surfava.

A mais velha tentou desviar das insistências de Hyojin, no entanto foi em vão. A artista se importava com o que a mulher sentia. Sendo assim, a Heo se deu por vencida e desabafou sobre seu problema.

— Tenho certeza de que encontrará a caixinha de música. Objetos não costumam desaparecer sem mais nem menos. A não ser que seja a Anabelle, mas isso não vem ao caso. — tentou fazer graça, mas a cantora era péssima no quesito humor. — Se me permite dizer, foi quase isso que você fez com a minha filha. Você pegou algo muito importante da infância dela e dissipou. Agora entende a minha raiva como mãe?

— Hyojin, a caixinha de música é real, diferente de uma fada que supostamente pega dentes de leite de crianças e em troca deixa moedas. — respondeu irônica.

— Acreditamos no que queremos e isso que nos torna crianças. A humanidade já conseguiu destruir todas as coisas boas como a fauna e a flora, por exemplo, então devemos, como adultos, deixar os menores abrirem as asas da imaginação. Da forma que as coisas estão se encaminhando, é isso que manterá a esperança delas no futuro.

— Você ficou pistola pelo o que a Junghwa disse para a Hyerin, não é?

— Não estou dizendo isso à toa, Solji. Toda ação tem reação e  se precisamos deixar a infância doce para os pequenos, a vida adulta já é trágica demais.

Solji se calou por um instante e refletiu sobre o que a fala da mais nova queria dizer de fato. Talvez, apenas talvez, tivesse sido egoísta ao revelar as mentiras da humanidade para sua filha de apenas sete anos.

Crianças devem acreditar em seres inexistentes, afinal?

— Possivelmente, eu esteja errada. — murmurou contra a própria vontade.

— Se Walt Disney não tivesse acreditado no impossível, a Disney não existiria, por exemplo.

— Está bem, está bem. Eu sou uma péssima mãe.

— Também não diga assim. — levantou-se da cadeira e abraçou a mais velha. — Só é um pouco travada.

Antes que houvesse contradição, a cantora puxou a mais velha para um beijo digno de novela. Paparazzis fotografaram o momento às escondidas, loucos para venderem as imagens para revistas e sites de fofoca.

[...]

Durante a noite, no horário em que Heo Solji já se encontrava no sétimo sono, a pequena Junghwa foi até o quarto da mãe na ponta dos pés com a caixinha de música em mãos. Abriu silenciosamente o guarda-roupa da mais velha e ali guardou o objeto de enorme valor sentimental.

Feito aquilo, Junghwa foi para a sala de estar e pegou o telefone fixo, discando um número preciso no aparelho.

Alô?

— LE, é a Junghwa. — a pequena sussurrou para não ser descoberta.

Você mandou muito bem, mocinha. Acho que sua mãe entendeu a analogia que quis passar para ela com a caixinha de música.

— O que é analogia?

Deixa isso para lá. Saiba que tudo foi de acordo com o plano, Junghwa.

— A mamãe acredita agora que a fada do dente existe?

Sim, ela não sabia disso, por isso passou a informação errada para você, querida.

— Não vejo a hora dos meus dentes voltarem a cair. Assim a fada vai poder me visitar!


Notas Finais


Vamos dar muito amor ao EXID e ao @LeggoPJCT, pessoal!!

🦋 betagem por @httpswyng;
🦋 capa por @Sun--Flower.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...