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História A camisa azul - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Oi galera, tudo certo com vocês?

Primeiro eu queria agradecer as pessoas que favoritaram a minha história, galera, muito obrigado, de coração!

Segundo, pra vocês que estão acompanhando a história ainda, peço desculpas pela ausência de três meses,fiquei um mês na praia e quando voltei já tinham voltado as aulas da universidade, e para ajudar, eu estava sem computador, porque ele é louco e tinha dado tela azul, dai um belo dia antes de jogar ele fora, tentei ligar e adivinhem, ele ressurgiu dos mortos outra vez.

Enfim, para quem ainda ta ai, meus agradecimentos por estarem acompanhando isso aqui e me dando motivos pra continuar a escrever.

Para me desculpar, vai ter capítulo duplo! YEY! Estou terminando de escrever o outro, e vou postar entre hoje e amanhã.

Não prometo att's rápidas, mas enquanto estamos de quarentena com o corona vairus, estamos ai!

Se cuidem, se for possível, não saiam na rua!

AH, leiam as notas finais

Capítulo 4 - Paraíso ou inferno?


Hayley se via totalmente sem saída, olhando para os lados, buscando mais uma vez uma brecha, uma janela que pudesse se jogar para fora daquele lugar. O mantra ainda rondando sua cabeça sem nunca silenciar: “-Você sabe que se o Jeff pegar você de novo, ele vai te mandar para um abrigo, é a obrigação dele, não vai ser a primeira vez.” Porém, dessa vez, não fora Jeff o sortudo da vez, mas uma pessoa pior, bem pior do que o amigo. Se fosse ele, simplesmente lhe aplicaria um sermão de duas horas sobre estar na rua àquela hora, sobre não estar indo à escola e lhe impedindo de correr outra vez, mas com Ariane o buraco era bem mais embaixo. 

Ela encarava a menor, esperando pacientemente, o que não era do seu feitio. Ariane via o desespero de Hayley, os olhos correndo de um lado para o outro, ela reconhecia esse padrão de cor, havia estudado tantas vezes, com tantas pessoas, que analisar alguém tornara-se automático, mas com Hayley era diferente, ela não era, nem de perto, culpada por tudo aquilo, pelo contrário, e Ariane insistia que era apenas uma criança indefesa e pela segunda vez se sentiu culpada pelo que fez. Por outro lado, sua parte Coronel gritava para que usasse a razão ao invés da emoção, estava completamente indecisa sobre o que fazer. Ela não sabia por que sentia compaixão depois de tudo o que fizera, mas seu orgulho sempre foi o seu melhor e pior, respectivamente, e nunca sabia quando deveria simplesmente deixá-lo ou não de lado. Limpando a garganta para chamar a atenção da menor, que a encarou, declarou:    

- Então, você prefere um abrigo ou um orfanato? - Hayley com seu estômago revirado, pensando que voltaria para aquele inferno que chamavam de abrigo, se encolheu na cadeira. 

- Eu não posso ir para um orfanato. - Hayley desviou os olhos da outra, observando as pernas da loira, pedindo para o que quer que fosse, pudesse atender seus pedidos e que ela não tocasse no assunto. 

- Certo, então abrigo, St. Louis fica bom pra você? - Hayley olhou de volta para Ariane, o queixo trincado para segurar o choro. “Eu não vou chorar na sua frente.”. 

- Tanto faz. - A maior suspirou frustrada, não estava funcionando como ela gostaria. Queria que partisse dela a vontade de falar sobre seu passado, visto que se sentia da mesma forma em falar sobre o seu.

- Olha pra mim. - Mas Hayley fazia o seu melhor para não encarar a outra. - Por favor. Você acha que eu estou gostando de fazer isso? 

- É exatamente o que parece. - Disparou. Ouvindo a outra andar para longe, levantou a cabeça e observou a maior massageando as têmporas.    

- Escuta, Hayley. - Frustrada, resolveu mudar de tática, já que nada que ela estudou funcionava com a menor. - Eu vejo que é doloroso falar sobre o seu passado, e não falo isso porque estudei anos para saber disso, mas porque me sinto da mesma forma sobre o meu. Então, que tal a gente tentar de novo? Sabe, um recomeço, já que começamos com o pé esquerdo. 

- Você tá me zoando? - Ariane bufou. A verdade era que Hayley estava perplexa com aquela fala, ela nunca esperaria ouvir aquelas palavras da pessoa que havia lhe causado aqueles machucados. Não sabia se deveria ou não confiar naquela mulher, que se mostrava cada vez mais bipolar, por vezes lhe atacando, por outras, defendendo.  

- Qual é a porra do seu problema?! - Hayley arregalou os olhos. - Eu estou aqui, me disponibilizando de verdade pra te ajudar, já mandei aquele idiota sair para que eu pudesse resolver, esperando sinceramente que, sei lá, se abrisse comigo ou ao menos me dissesse qualquer coisa sobre você que me fizesse mudar de ideia sobre te mandar de volta para os seus pais, para um abrigo ou o que fosse, mas você não ajuda!

- Como você espera que eu confie em você?! - Ariane encarou a outra, seus olhos azuis escuros como o mar revolto. - Primeiro você basicamente me espanca, bate a minha cara no chão, não me leva para a porra do hospital e ainda por cima faz uma merda de uma tempestade em um mini copo d’água e me traz pra essa porra de delegacia! Caralho, como é que você quer que eu acredite e me abra com você?! 

- Qual foi a parte do recomeço que você não entendeu? - Hayley encarou os olhos da outra, que era no mínimo uns 15 cm maior que ela, viu no rosto da outra uma tentativa real de reconciliação, de empatia e percebeu que a outra não havia retalhado ou objetado as palavras rudes que a mais nova tinha proferido de forma inconsequente.   

Por mais que não quisesse demonstrar nada para aquela mulher, por conta de tudo que havia acontecido no dia improvável e fatídico em que literalmente “pechou” em Ariane, por mais que sentisse remorso e mágoa pelo que a policial havia feito - os machucados psicológicos sempre foram piores que os físicos -, mesmo que estivesse travando uma luta interna para que as palavras ficassem presas dentro do seu cérebro, a carência afetiva começou a falar mais alto, e começou a sentir uma necessidade intensa de desabafar com alguém sobre o que vinha acontecendo na sua vida, que vinha desabando desde que fugira de casa por causa do padrasto, sem nunca pensar em voltar, depois que sua mãe preferiu acreditar no namorado ao invés de acreditar na própria filha, quando presenciou o namorado tentando beijá-la a força. Hayley franziu o cenho, enojada, lembrando do ocorrido e não conseguiu conter a tristeza que há tempos vinha tentando conter. As lágrimas rolaram pelo rosto da menor e Ariane se pegou secando-as, e percebendo tal ato, recolheu a mão instantaneamente, confusa com a própria ação. Hayley não notou a reação da loira, porque colocara as pernas em cima da cadeira, abraçando o próprio corpo. 

- Como ela pode fazer aquilo comigo? - sussurrou para si mesma. Ariane 

olhava a cena atônita, sem saber o que fazer ou dizer.

- Ela quem? o que aconteceu? - Então Ariane, por um instinto protetor que ela só sentira uma vez em toda a sua vida, sentindo uma necessidade absurda de proteger aquele ser, deixando de lado todo o orgulho e descrição, abraçou o pequeno corpo a sua frente. Ela sabia de quem se tratava, perguntou apenas por que não conseguiu se refrear, não precisaria ser um expert para entender o que estava acontecendo. Pelo contrário do que ela pensara, o corpo da menor relaxou em contato com o seu e se encaixou em seus braços.

Ariane olhou seu reflexo no vidro da janela, o pequeno corpo contra o seu, o rosto escondido na curvatura do seu pescoço, seus braços em volta da cintura da outra, que chorava copiosamente, foi impossível não lembrar de um outro tempo, uma outra pessoa. Flashes daquele fatídico dia se lançavam contra seus olhos, as imagens do sangue, os corpos, a voz que gritava desesperada dentro daquele cubículo, as paredes frias e metálicas do tanque de guerra, a imagem de um corpo virado em posições desleais as normas da física. Com um esforço sobrenatural, Ariane voltou a si, sentindo falta do calor que a segundos atrás era tão confortável, percebendo que o corpo da menor não mais se encaixava ao seu, mas que mãos seguravam firme o seu rosto e chamavam seu nome. Ela então levantou os olhos, encontrando os verdes de Hayley, que estavam inchados e vermelhos pelo choro, a testa franzida e o olhar nitidamente de preocupação. 

- Você está bem? - ela ouviu e então desviou o olhar, levantando-se e virando de costas para a menor, passando a mão por sua testa, percebeu que estava molhada. - Você estava tremendo... 

- Está sim. - Mentiu. - Eu tenho essas tremedeiras as vezes, quando entro em contato físico com outras pessoas. - Hayley tentou não demonstrar o incômodo que aquelas palavras causaram, mas Ariane percebeu. Infelizmente, aquilo era melhor que a menor descobrir que acabara de presenciar uma crise de pânico, que eram muito comuns, simples traumas pós guerra.

- Abrigo. - Ariane franziu o cenho, ainda distraída, para a menor, que criava coragem para ditar o que era melhor para ela naquele momento. 

Enquanto Ariane a abraçava, Hayley aproveitava o calor e a solidariedade das poucas palavras que a loira disse, e pela primeira vez, se sentiu em casa outra vez. Algo em Ariane, naquele pouco tempo em que não estava a agredindo física e verbalmente, lembrava sua casa, sua mãe, antes da chegada do novo namorado, antes de tudo desmoronar. Mas quando sentiu os braços de Ariane tremer em torno de seu corpo, notando que havia algo de errado, viu os olhos da loira injetados e perdidos, e sentiu uma necessidade de protegê-la, pensando no quanto isso soava ridículo, logo ela, uma adolescente de 16 para 17 anos, amparar uma policial já formada e se sentiu frágil e irrisória. Ainda mais quando Ariane mentiu descaradamente, uma vez que ela a estivera observando a maior por um tempo. Ela sabia que aquilo não era causa de um simples contato físico com pessoas. Não queria ter tido aquele momento de fraqueza, ter se exposto daquela forma para alguém que ela nem conhecia, e que estaria avaliando cada ação sua. Se sentiu fraca. Só queria que aquela noite interminável finalmente tivesse fim.                   

- Eu prefiro ir para um abrigo, um que, por favor, seja perto de alguma estrada deserta e que seja de areia. - Ariane encarou a menor. 

- Deserta para você fugir outra vez? - Alfinetou e viu a menor revirar os olhos. - Você está sendo bem exigente, não é? 

- Se vai me colocar em um inferno desses, que tenha algo de bom. - Ariane riu soprado.

- Por que não um orfanato? Você pode muito bem se passar por órfã, se eu dissesse que assim o é. - era uma curiosidade real, ela observou a menor se remexer desconfortável na cadeira. 

- Eles, hm, e-eles me forçam a usar saia. - Ariane levantou as sobrancelhas, não acreditando naquilo. - É a verdade. A mesma coisa naquele St. Louis, a diferença é que elas, aquelas freiras, queriam que eu deixasse meu cabelo crescer, que fizesse cursos de maquiagem e corte e costura, sabe, nada contra, sei que isso não é coisa que apenas mulheres fazem, sei que homens fazem também, e muito bem, às vezes melhor que as mulheres. - Desatou a falar, sempre se explicando, enquanto Ariane observava o estado de nervosismo da menor. - E sei que mulheres fazem o trabalho dos homens muito melhor que eles mesmos, m-mas isso não é para mim entende? 

- Espera. - Hayley sentia o olhar da maior sobre o seu corpo, e o abraçou mais ainda, nervosa. - É por causa disso que você fugiu todas aquelas vezes? - Ariane observou a menor concordar com a cabeça, encolhida em cima da cadeira. 

- Bom, - Ariane continuou, incerta se estaria fazendo a coisa certa, se não estaria levando aquele caso para o pessoal, mas era exatamente isso que estava fazendo, e sabia disso. Ela entendia perfeitamente a menina, lembrou de quando tinha a sua idade, não fazia tanto tempo assim, afinal, haviam se passado apenas nove anos. - Está muito tarde para te mandar para um abrigo, além disso, para procurar esse paraíso que você exigiu. 

Hayley apenas observava a loira, esperando o que viria, ela não acreditava que seria solta outra vez, se ela pudesse ter essa chance, não desperdiçaria, fugiria de novo para um outro estado, como fez quando fugiu do Colorado para o Texas. Sentiu uma excitação correr pelo seu corpo, fazendo o estômago revirar. Porém, a felicidade não lhe sorriu, e se sentiu completamente iludida pelo desejo quando Ariane proferiu aquelas palavras, arrancando o chão debaixo dos seus pés. 

- Você vai ficar comigo por enquanto, meu apartamento é grande, e dá para nós duas dividirmos ele até eu dar entrada na documentação de algum abrigo ou orfanato que atenda os seus requisitos. - Ariane não falara nada, mas pensava seriamente em entrar com uma documentação de emancipação, mas para isso, precisava entrar em contato com os pais de Hayley, e isso, por hora, estava completamente fora de cogitação. 

Enquanto isso a única coisa que passava pela cabeça de Hayley era:

Merda... 


Notas Finais


Galera, se vocês quiserem, eu posso colocar uma foto de como eu imagino elas, nas pessoas em que me inspirei. Eu gosto de ter uma referência, mas tem pessoas que não curtem muito. Então, se alguém quiser, comenta ai, se flopar, eu deixo como está.

Abraços


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