História A canção de gelo e fogo - Capítulo 6


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Benjen Stark, Eddard Stark, Howland Reed, Lyanna Stark, Rhaegar Targaryen, Robert Baratheon
Tags Drama, Game Of Thrones, Lyanna Stark, Revelaçoes, Rhaegar Targaryen, Romance, Torneio De Harrenhal
Visualizações 79
Palavras 5.267
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Luta, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpem a demora! Uma viagem e alguns compromissos de trabalho quebraram bem meu ritmo de escrita. Este capítulo semeia coisas importantes para o enredo dos próximos!!! Boa leitura!!

Capítulo 6 - Cavaleiros que vem e que vão


Fanfic / Fanfiction A canção de gelo e fogo - Capítulo 6 - Cavaleiros que vem e que vão

Assim que os primeiros raios de sol iluminaram seu quarto na tenda, Lyanna pulou da sua cama, jogou água em seu rosto, se asseando rapidamente, e logo em seguida enrolou-se em um roupão de peles e saiu para a área externa. Sua noite havia sido muito ruim. Ela não tinha conseguido dormir direito, tirando apenas curtos cochilos.

Repetidas vezes ela havia escutado barulhos ao redor da tenda. Risos, tropeços e ruídos de conversas furtivas que a tiraram de seu sono leve várias vezes. E uma vez desperta, inevitavelmente ela começava a relembrar tudo o que havia acontecido durante aquele dia. A dança com Robert, as conversas que teve com seus irmãos sobre o noivado, o comportamento dele durante a noite e também o momento em que seu olhar curioso foi flagrado pelo Príncipe Rhaegar.

Que vergonha. Diferente do que havia feito com Robert, pois ela havia o encarado sem nenhuma timidez ou falso pudor, já que tentava saber o que se passava na mente dele, assim que os olhos do Príncipe haviam encontrado com os seus, ela havia desviado seu olhar o mais rápido que havia conseguido e dito a Brandon que havia se cansado, querendo sair dali o mais rápido possível. Em outros momentos da noite insone a melodia que ele havia tocado surgia em sua memória e novamente ela sentia vontade de chorar, para logo em seguida se irritar consigo mesma, pois nada disso ajudava a retomar seu sono.

Por isso estava agradecida pelo dia finalmente ter raiado. Afinal, o torneio finalmente se iniciaria e Lyanna esperava presenciar justas e disputas memoráveis. Seria muito emocionante, tinha certeza.

Saindo para a área externa da tenda, viu que muitos homens já estavam acordados e um burburinho de conversas corria entre todos eles, que olhavam e apontavam para a entrada de Harrenhal. Lyanna então se aproximou de onde a maioria estava, até que escutou alguém dizendo em voz baixa.

É o Rei Louco, ele chegou. Ele realmente veio.

E então ela viu, tremulando sobre as cabeças de todos, dezenas de estandartes do dragão de três cabeças dos Targaryens.

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Rhaegar foi despertado cedo por Sor Arthur Dayne, para lhe comunicar que um batedor de seu pai havia chegado em Harrenhal anunciando que o Rei estaria ali em pouco tempo. A notícia o havia deixado triste, apesar de já ser esperada. A desconfiança do pai dele havia sido tão grande ou tão alimentada pelos que o cercavam a ponto de ele deixar seus traumas e resolver sair da Fortaleza Vermelha depois de tantos anos de reclusão.

Quanto mais pensava nisso mais se arrependia de ter aceito o convite para comparecer ao Torneio. Ele sabia que os conselheiros de seu pai não estavam de todo errados ao suspeitar do evento, afinal ele mesmo já havia sido encurralado por alguns lordes. E lorde Whent não facilitava com suas palavras. Rhaegar ainda estava irritado com o convite para tocar harpa, não pelo ato em si, mas pelas palavras que o antecederam.

O que ainda o impedia de rumar de volta para Pedra do Dragão era o sonho que havia tido. Um sonho poderia sempre ser só um sonho. Mas um sonho que lhe mostrava o evento tendo alguma ligação com a profecia que havia sido um peso e uma preocupação durante toda a sua vida, um sonho assim ele não poderia ignorar. Ainda na tenra infância, quando vivia enterrado nos livros, Rhaegar se deparou com escritos sobre essa profecia e desde então sua vida nunca mais tinha sido a mesma.

Muitas cartas e questionamentos foram trocados com meistres da cidadela, com seu tio-avô Meistre Aemon, até com sacerdotes de Asshai. Seu nascimento em meio a tragédia de Solarestival, o terrível incêndio que destruiu o castelo de veraneio da sua família, que matou o Rei Aegon V e que fez com que sua mãe entrasse em trabalho de parto, foram seu ponto de partida nessa jornada sem volta.  Meistre Aemon concordou que Solarestival preenchia o requisito de renascer em meio à fumaça e sal e desde então ele irremediavelmente pensava nisso. O quê, em nome dos deuses, esse maldito torneio teria a ver com a profecia do Príncipe Prometido?

Tendo que deixar esses pensamentos de lado, Rhaegar saiu de seus aposentos para esperar a chegada de seu Rei, sendo acompanhado por outros lordes e pelo anfitrião, apesar de ainda ser bastante cedo. E eles não tardaram a chegar. Não surpreso, Rhaegar viu que praticamente toda a corte de Porto Real havia vindo com seu pai. Trotando à cavalo à frente da liteira real vinha Sor Gerold Hightower, o lorde comandante da Guarda Real, destacando-se em meio aos outros por seu tamanho, seguido de perto pela nova Mão, o homem escolhido para substituir Tywin Lannister, Lorde Owen Merryweather, pelo Mestre da Moeda, Qarlton Chelsted, pelo Grande Meistre Pycelle e claro, pelo eunuco perfumado que sussurrava segredos na corte, Varys. Mais atrás o restante da Guarda Real surgiu e cercou a liteira onde seu pai estava sendo transportado. Barristan Selmy, o Ousado e o mais novo cavaleiro juramentado, o jovem Sor Jaime Lannister.

Sor Gerold desceu de sua montaria e foi até a porta da liteira do rei para abri-la. Rhaegar prendeu a respiração e se preparou para onda de choque que sabia que atingiria todos os presentes. O rei desceu de seu transporte e sua aparência, mesmo para ele continuava a causar espanto. Ele começou a andar sem muita firmeza em seu corpo na direção de Lorde Whent, que estava enfileirado com sua família esperando para dar as boas vindas para Sua Majestade.

Ele parecia estar pior do que da última vez que haviam se visto. Seu cabelo e sua barba estavam ainda maiores e mais emaranhados e com aspecto sujo, assim como suas amareladas unhas grandes. Seu olhos violetas tinham uma sombra vermelha ao redor, com veias saltadas, culpa do seu olhar errante e desconfiado, que tentava ver tudo e todos ao mesmo tempo. Doía-lhe ver o homem normal e gentil da sua infância havia se transformado naquela figura sinistra.

- Lorde Whent – Rhaegar ouviu seu pai dizer, cumprimentando o anfitrião.

- Majestade. Seja bem vindo a Harrenhal. Ofereço-lhe pão e sal e tudo o mais que estiver ao meu alcance – disse lorde Walter, reverenciando a estranha figura à sua frente.

- Então Harrenhal ainda está de pé!! Ha!!! Se fosse eu a voar sobre Balerion, talvez não estivesse! – respondeu Aerys II, com o olhar vidrado direcionado para as torres retorcidas do grandioso castelo.

- Não tenho dúvidas Vossa Graça!! – respondeu lorde Whent, tentando conter sua expressão perplexa, assim como muitos outros – Esses são meus filhos e minha senhora. Preparamos um desjejum para Vossa Majestade no Salão das Cem Lareiras – continuou Lorde Whent, apontando para sua família e fazendo uma nova mesura.

Rhaegar percebeu o olhar do pai mudando. Ele sempre ficava assim quando lhe ofereciam comida. Fazia servos e cachorros provarem, sempre suspeitando de tudo e de todos. E nesse exato momento ele estreitava seus olhos em desagrado a oferta hospitaleira de Walter Whent. Cabia à ele, Rhaegar, oferecer outra fonte de desconfiança, antes que o anfitrião fosse ofendido diante de toda aquela plateia. Saindo de onde estava, ele entrou no campo de visão do pai e se colocou diante dele, com um joelho em terra.

- Majestade. Estimo vê-lo aqui – disse Rhaegar, pondo-se de pé em seguida.

Aerys sorriu para ele. Rhaegar não se surpreendeu. As oscilações de humor de seu pai eram comuns nos últimos anos. Ele ia da raiva à alegria e da alegria ao choro em questão de segundos.

- Eis o campeão de fogo e sangue. Você já testou a comida daqui? – disse-lhe o pai, a última parte num tom de voz mais baixo.

- Já, Vossa Graça, mas mande seus provadores na frente. Vamos entrar, os melhores aposentos de Harrenhal o aguardam – disse Rhaegar

- Não! Não vou entrar! Merryweather!! – gritou Aerys, para sua nova Mão – Entre e veja se não há nenhuma emboscada aí dentro. Vamos! Entrem! Sor Gerold fique comigo! Não me deixe só! – continuava gritando o Rei.

Os lordes presentes se entreolharam, nervosos. Quando Rhaegar percebeu que Lorde Whent desejava falar mais, o olhou de forma que não o fizesse. Nada demoveria seu pai de suas paranoias de conspiração, emboscada e traição. Apenas quando Barristan Selmy voltou de dentro de Harrenhal, que o Rei aceitou entrar, sem lhe dirigir mais nenhum olhar. E Rhaegar se permitiu respirar aliviado. O alívio durou pouco, entretanto, pois Varys, o mestre dos sussurros, vinha caminhando em sua direção.

- Vossa Alteza. Soube que o jantar inaugural de ontem à noite foi espetacular. Parabéns pela sua apresentação musical. O príncipe é um homem de muitos talentos – disse a aranha, curvando-se para ele, as palavras ditas em um tom de voz doce e amigável, mas que no fundo, queriam demonstrar para Rhaegar que ele estava sendo observado de perto.

- Fui surpreendido pelo convite do nosso anfitrião. Foi uma noite agradável, de fato – respondeu Rhaegar, secamente.

- A princesa Elia vai bem? Ela já se recuperou dos enjoos que sentiu à bordo do Princesa Rhaenys? A saúde dela é sempre tão delicada – disse Varys, com uma expressão de genuína preocupação, para quem não o conhecesse bem.

- O que me lembra que preciso ir ao encontro dela – disse Rhaegar, afastando-se do eunuco e entrando pelos corredores de Harrenhal.

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Lyanna caminhava ao lado dos seus irmãos para a construção de madeira ao redor da arena onde seria realizado o torneio. E juntamente com eles, uma pequena multidão.

Ao entrarem no lugar Lyanna impressionou-se com seu tamanho. Era três vezes maior que o necessário para que um cavaleiro corresse numa justa. O seu entorno já estava totalmente preenchido por milhares de pessoas tão ansiosas quanto ela para que o Torneio se iniciasse. Uma grande fila de cavaleiros se inscrevendo para os torneios podia ser vista próxima das arquibancadas. As inscrições para as justas estariam abertas pelos dois primeiros dias do Torneio, mas segundo ouvira, os melhores cavaleiros se inscreviam apenas no segundo dia.

Os demais senhores do Norte começaram a procurar um lugar para tomarem assentos enquanto ela e os irmãos seguiram para uma estrutura alta, bem ao centro da arena, de frente para o corredor das justas. A estrutura era composta por dois pavimentos. No mais baixo, estendidas sobre a madeira, estavam os estandartes das grandes casas de Westeros e da Casa anfitriã.

No pavimento superior o dragão de três cabeças tremulava calmamente. Lyanna observou que uma das cadeiras era luxuosa e mais alta e haviam também duas menores, uma de cada lado da principal. Nenhuma ocupada até o momento. Lyanna desviou sua atenção do pavilhão à cima da sua cabeça quando Brandon ofereceu sua mão para ajudá-la a subir os degraus de madeira que levariam ao pavilhão destinado à eles.

Diferente do lugar separado para o Rei e sua família, o andar inferior já tinha muitos dos seus ilustres ocupantes ali. Mance Tyrell, Jon Arryn, Edmure Tully e Robert Baratheon com seu irmão mais novo, Renly. Mais distante também havia um homem moreno, com o símbolo dos Martell em suas vestes.

Robert se levantou apressadamente quando os viu chegando e apontou para as cadeiras ao seu lado. Cumprimentou seus irmãos com sorrisos e abraços, como fazia costumeiramente, mas quando ela e ele ficaram frente à frente, ele lhe fez uma mesura e Lyanna lhe entregou sua mão, preparada para receber o breve contato dos lábios dele em suas mãos mais uma vez.

- Lady Lyanna. Dê-me a honra de ocupar o lugar ao meu lado – disse Robert, ainda com mão segurando a ponta dos seus dedos, após tê-la beijado.

Lyanna olhou para Brandon e vendo que o irmão assentia com o pedido, ela apenas deu um discreto sorriso para Robert e deixou que ele a conduzisse ao assento, ainda pegando em sua mão. Seus três irmãos se sentaram após ela e Brandon ocupou o lugar ao seu lado.

Lyanna respirou fundo. Ela estava nervosa, não poderia negar. Não havia imaginado ficar sentada ao lado dele durante toda a manhã já no primeiro dia de torneio. Por sorte ele sorria e conversava com Jon Arryn, do Ninho da Águia, com a voz muito animada.

- Dizem que o novo Guarda Real vai ser empossado oficialmente hoje, na abertura do Torneio – comentou Robert em voz alta.

- O jovem Sor Jaime Lannister. Um duro golpe para o pai dele – comentou Jon Arryn.

- Qual herdeiro de uma grande casa aceita se tornar guarda real e abdicar de suas riquezas, títulos e de uma família? O rapaz é um tolo. Não enxergo sequer uma vantagem política nisso. Todos sabemos que o Rei não tem mais um bom relacionamento com sua antiga Mão – opinou Brandon.

Os demais apenas ficaram calados diante da constatação dele. Apenas Robert parecia ainda querer opinar em algo sobre o assunto, quando foi interrompido pelo ressoar de muitas trombetas, que silenciaram todas as conversas e chamaram a atenção de todos os presentes. Lyanna então viu o arauto dos Whent, o mesmo que anunciara os nomes dos nobres na noite do primeiro jantar, caminhar até o centro da arena e dizer em alto e bom som:

Todos de pé para a entrada de Sua Majestade, o Rei Aerys II, rei dos Sete Reinos, e de Sua Alteza Real, o Príncipe Rhaegar de Pedra do Dragão e sua esposa a Princesa Elia Martell.

Toda a arena se colocou de pé e da passagem coberta que ligava um dos portões externos de Harrenhal diretamente ao centro da arena, Lyanna viu surgir o brilho dourado das armaduras dos guardas reais. Lado à lado, surgiram primeiro Sor Gerold Hightower, o Lorde Comandante da Guarda Real e Sor Barristan Selmy, o Ousado, marchando com uma das mãos sobre o punho de suas espadas embainhadas e a outra mão segurando seus elmos de lado, o sol fazendo com que suas armaduras reluzissem feito ouro.

Logo atrás dos dois guardas surgiu a figura mais horrenda que Lyanna já tinha visto com seus próprios olhos. O Rei dos Sete Reinos mais parecia um personagem de terror saído diretamente das histórias da Velha Ama do que um rei. Lyanna conteve o impulso de levar suas mãos aos lábios na tentativa de sufocar um comentário que expressasse o tamanho do choque diante da aparência do Rei.

Apesar de suas vestes serem luxuosas, sua aparência fazia com que parecesse mais um mendigo sujo e maltratado do que um rei. Seus cabelos, suas unhas, sua postura. A coroa que ele usava em sua cabeça mal podia ser vista. Ela via que ele olhava para as altas arquibancadas, repletas de pessoas, cobrindo seus olhos lilases com as mãos, como se a luz lhe doesse as vistas.

Um silêncio ensurdecedor pairava sobre a Arena. Desviando seu olhar do Rei, que caminhava lentamente diante de todos, Lyanna observou que as expressões das pessoas das pessoas eram iguais à sua. Um misto de incredulidade, pena e medo. 

Os três homens mal caminharam na direção do alto pavilhão de honra onde ela estava quando mais dois guardas reais surgiram. Estes ela já havia visto na noite anterior. Sor Arthur Dayne, o Espada da Manhã e o dornês, o príncipe Lewyn Martell. Logo atrás deles vinham o Príncipe Rhaegar e sua esposa. E quando ambos adentraram na arena a multidão não ficou mais silenciosa.

Aplausos e vivas ao príncipe começaram a ser ouvidos e Lyanna pode ver que todos no pavilhão se entreolhavam constrangidos com a situação. O próprio príncipe parecia estar também. Diferente do seu pai, ele mal olhou para os lados, apenas caminhou com a expressão fechada, o braço entrelaçado ao de sua esposa. O casal foi seguido de perto por mais dois guardas reais, Sor Oswell Whent e um outro que Lyanna não conseguiu identificar.

Ele parecia um garoto, apesar da estatura alta. Seus cabelos eram tão dourados quanto sua armadura e suas feições eram muito bonitas. Ela observou, contudo, que diferente de todos os outros ele não tinha sobre suas costas o manto branco da Guarda Real.

- O guarda sem manto, é o tal Jaime Lannister?  – cochichou Lyanna para Brandon

- Sor Jaime Lannister agora. O mais jovem cavaleiro dos sete reinos – respondeu-lhe Brandon

- Porque a ausência do manto? – perguntou ela

- Porque ele ainda não disse seus votos em uma cerimônia. Na verdade parece que iremos ver isso agora – explicou Brandon, sem conseguir falar muito baixo tal qual ela havia feito.

Lyanna viu que o Rei e sua comitiva se dirigiram para a escadaria que os levaria para o lugar mais alto do pavilhão, exatamente acima da sua cabeça. Todos haviam subido menos o Lorde Comandante e o cavaleiro sem manto, o que demonstrava que o irmão tinha razão. A nomeação de Sor Jaime Lannister iria de fato acontecer ali.

Isso não era algo que se via todos os dias. Mas então algo parecia estar acontecendo no camarote acima deles. Vozes abafadas e um tanto alteradas podiam ser ouvidas discutindo. E então todos foram surpreendidos quando a princesa Elia Martell surgiu no pavilhão inferior e sentou-se ao lado do homem que Lyanna tinha avistado brevemente e que obviamente era parente dela. Juntamente com ela estava Sor Lewin Martell, que permaneceu de pé, atrás do assento que ela ocupava, com uma expressão furiosa no rosto.

- O que está acontecendo? Porque ela está aqui? – perguntou Lyanna para Brandon novamente, no tom de voz mais baixo que conseguira falar. Mas Brandon apenas lhe olhou de forma alarmada, com um olhar de depois conversamos, que ela conhecia tão bem.

O arauto então começou a berrar novamente, dessa vez anunciando a entrada da família Whent. Lorde Whent entrou sorridente, acenando para a multidão, acompanhado de sua esposa, seus filhos e de sua filha, ainda com a coroa de Rainha do Amor e da Beleza. Eles foram recebidos com muitas palmas e muito barulho e também se dirigiram para o pavilhão de honra, agora já praticamente lotado, uma vez que sem muito alarde os membros do Pequeno Conselho do Rei Aerys II, já haviam ocupado acentos por lá também.

O arauto chamou a atenção de todos novamente para o início da cerimônia de nomeação do mais novo cavaleiro da Guarda Real.

Sor Gerold e Sor Jaime Lannister se posicionaram em frente ao pavilhão, virados para o Rei Aerys II, mas bem ao centro da arena, de onde todos pudessem vê-los. O comandante da Guarda Real trazia em seus braços o manto branco que os representava e o jovem cavaleiro se ajoelhou com a fronte para o Rei.

Sor Gerold então pediu em alta voz que o jovem de joelhos repetisse com ele os votos da Guarda Real.

Eu, Jaime Lannister, dou minha vida e minha honra em nome da defesa do Rei e da sua família. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Defenderei o Rei com a minha vida e com a minha espada. Neste dia e por todos os dias que estão por vir.

Após terminar de dizer seus votos, Sor Gerold prendeu o manto branco nos ombros do mais novo guarda real e ele se pôs de pé. A multidão o saudou com alegria, com bastante barulho sendo feito por toda a arena. Um jovem senhor e herdeiro abrindo mão de toda riqueza de seu pai para servir ao Rei.

Era realmente algo inspirador. Lyanna podia ver que muitas palmas e vivas era celebradas principalmente em meio aos grupos das terras ocidentais, terras comandadas pelos Lannisters. Mas ela se juntou à eles em seus aplausos ao jovem cavaleiro.

Lorde Whent então se levantou e foi até a frente do pavilhão. Obviamente ele queria dizer algumas palavras para a abertura das justas. Que fossem breves. Desejou Lyanna. Ela não via hora de ver os melhores cavaleiros do reino disputando à sua frente.

Bom povo de todos os cantos dos sete reinos! Sejam bem vindos ao Torneio de Harrenhal pelo dia do nome de minha amada filha. Este grandioso torneio já começa nos presenteando com a honra de podermos ver a posse de um cavaleiro da Guarda Real, para nos lembrar nos nobres ideais da cavalaria. Que os próximos dias sejam de glórias e de diversão. Em nome do Rei Aerys II, eu declaro este torneio aberto!

A multidão urrou em aprovação, principalmente quando dois cavaleiros adentraram na arena já totalmente paramentados com suas cotas malhas, armaduras, escudos e elmos, cada um seguindo para o seu lado da disputa, com seus escudeiros segurando suas lanças ainda. O arauto então anunciou o primeiro duelo do dia. Sor Osfrid Whent versus Sor Quincy Cox.

Lyanna analisou bem os dois cavaleiros. Osfrid Whent era mais forte, mais corpulento, mas isso numa justa não significava nada. Era preciso ser antes de qualquer coisa, muito bom de montaria, saber ser rápido, manter o equilíbrio e o controle do animal durante o trote e claro, ser bom de mira. Quem avançasse sobre o outro mais rápido, com a lança equilibrada e tivesse uma boa mira, certamente sairia como vencedor de uma justa. E Sor Quincy Cox aparentemente parecia ter o físico mais compatível com o de um cavaleiro ágil do que o filho de Lorde Whent.

- Um dragão de ouro no Whent – Lyanna ouviu Robert sugerindo uma aposta a Lorde Jon Arryn. E talvez tenha bufado ou desdenhado alto, porque antes que Jon Arryn pudesse dizer se aceitava ou não, Robert tinha virado seu rosto para ela.

- Você não acha que Osfrid Whent vá ganhar, Lady Lyanna? – perguntou Robert para ela, o tom de voz divertido.

- Não. Eu apostaria no outro – respondeu Lyanna

- Então aposte comigo milady – provocou Robert

- Não tenho permissão para apostar – respondeu Lyanna, olhando para Brandon, que sorriu para ela. O irmão cavalgava com exímia habilidade e ela sabia que ele tacitamente concordava com o raciocínio dela. Ele tinha lhe ensinado tudo isso.

- Tem minha permissão. Espero que seu dragão de ouro esteja fácil Robert – provocou Brandon

- Haha! Veremos! Olhe o tamanho do Whent, a força dos seus braços. O outro cavaleiro deve ter o dobro da idade dele! – disse Robert, explicando suas razões para apostar no filho do anfitrião.

- Força não é tudo, milorde – disse Lyanna, atenta para o momento em que o lenço branco na mão do arauto seria derrubado no chão e os cavaleiros iniciariam a corrida rumo um ao outro.

E quando isso aconteceu, em meio ao urro da multidão, Lyanna sentiu pelo galope inicial que sua intuição estava certa.

Sor Quincy Cox voava sobre sua montaria em comparação ao seu oponente e ouviu-se em alto e bom som o barulho do estalo da lança dele quebrando-se ao se encontrar com o peitoral de Osfrid Whent, que já no primeiro contato foi derrubado do seu cavalo.

Aplausos ecoaram por toda a arena e o arauto se dirigiu para o centro, ficando ao lado do cavaleiro vencedor, que desmontando do seu animal, fez uma reverência em frente ao pavilhão de honra enquanto seu nome era anunciado como vencedor da primeira disputa.

Lyanna olhou para Robert, mal contendo seu sorriso. Ele procurava por algo em algum bolso de suas vestes e puxando um saquinho pegou uma moeda de ouro.

- Você é uma mulher singular, lady Lyanna – disse Robert, sorrindo para ela, enquanto oferecia a moeda de ouro.

Lyanna não se sentiu à vontade para receber o lucro da aposta e quando Robert percebeu que ela hesitava, ele mesmo colocou a moeda em sua mão. Se demorando mais do que devia no toque das mãos dos dois. 

 O segundo duelo do dia já estava sendo anunciado. Sor Leslyn Haigh versus Sor Lorent Lorch.

- Muito bem. Agora que minha dívida ja está paga, me diga em quem apostar  – pediu Robert, gargalhando alto, desfazendo o toque entre as mãos deles é voltando a olhar para o centro da arena.

Lyanna analisou os cavaleiros se posicionando, quando reconheceu um dos escudeiros da confusão com Reed entregando a lança para Leslyn Haigh. E só de vê-lo sentiu suas bochechas esquentando. Mas precisava se concentrar na análise dos cavaleiros e não nos seus escudeiros.

- Haigh, provavelmente. Essa disputa será bem mais equilibrada, eu acho – disse Lyanna, tentando não ser muito presunçosa.

Robert olhou para Brandon com um olhar curioso, buscando a aprovação dele sobre a opinião da irmã.

- Não vou facilitar para você Robert. Decida sozinho se confia ou não na opinião da sua noiva – provocou Brandon

- Melhor perder algum ouro do que perder a noiva! Um dragão de ouro em Sor Leslyn Haigh! – disse Robert, com a mão levantada.

Alguém mais atrás respondeu em concordância. Lyanna não virou para ver quem havia aceitado a aposta. Ainda sorrindo do comentário de Robert, ela observava bem o escudeiro que havia insultado seu amigo. Era uma lástima que o seu senhor não o estivesse ensinando direito o código de conduta da cavalaria.

Após três rodadas e duas lanças quebradas para Sor Leslyn Haigh, ele foi declarado vencedor da disputa.

Lyanna viu que Robert a olhava admirado. Mas dessa vez ele não estava sorrindo. Seu olhar era de novo aquele de quando dançaram juntos. De cobiça, de desejo por ela. Lyanna vinha sabendo lidar com o Robert brincalhão e divertido, mas esse outro lado dele a deixava nervosa e incomodada. Talvez por demonstrar o quanto os dois estavam partindo de pontos diferentes para esse futuro relacionamento.

 E a próxima disputa já ecoava pela arena. Sor Allys Frey versus Sor Harys Grandinson. O outro escudeiro da confusão com Reed. Parecia que a manhã estava destinada a fazer com que Lyanna ficasse vendo os garotos desrespeitosos. Vamos mudar o foco aqui. Se eu prefiro o Robert brincalhão, tenho que fazer por onde. Pensou Lyanna.

- Talvez Lorde Robert queira recuperar seu dragão de ouro. Aposto que o Frey vence – disse Lyanna, sabendo que os Grandinson eram uma casa nobre das Terras da Tempestade e analisando que Robert seria emocional em sua torcida.

- Milady eu conheço Harys Grandinson, já o vi disputando. Não me sentiria bem tomando o seu ouro. Você o ganhou merecidamente – respondeu Robert

- Você está com medo de que seu homem das Terras da Tempestade perca para um Frey? – provocou Lyanna

Robert sorriu. E puxou outra moeda de ouro do seu saco, mostrando-a para ela. Alguns minutos depois ele a entregava a contragosto para Lyanna.

- Estou tentando entender se esse casamento vai fazer de mim um homem rico ou pobre – disse Robert para Brandon e Ned, sorrindo da situação inusitada.

- Chega de apostas Lyanna. As pessoas já estão reparando – disse Brandon no ouvido da irmã.

- Não, não, não. Brandon, seu lobo estraga prazeres! Só mais uma. O dobro ou nada na próxima disputa. Preciso recuperar meus dragões de ouro – pediu Robert, percebendo o que Brandon dizia para a irmã.

- Tudo bem. Mas depois disso, sem mais apostas – disse Brandon, contendo um sorriso.

A próxima disputa seria entre Sor Willis Blount e Sor Donnal Swan. Swan era outra família das Terras da Tempestade. E aparentava ser um cavaleiro muito bom. Ele tinha o tipo físico ligeiramente melhor que o outro. Mas o cavalo do Blount era um animal visivelmente mais agressivo e mais bem cuidado.

E próximo do cavalo, carregando a lança de maneira meio desajeitado, o terceiro garoto da confusão com Reed. Dois deles estariam acompanhanto seus senhores por mais uma rodada do torneio. Qual seria a sorte desse último?

- Escolha primeiro, milorde – pediu Lyanna

- Fico com Donnal Swan. Dois dragões de ouro – disse Robert, confiante.

- Willis Blount para mim então – respondeu Lyanna.

Após três rodadas, Sor Willis Blount foi declarado vencedor com duas lanças quebradas, mas sem queda do cavaleiro oposto.

- Eu concordo com seu irmão agora. Sem mais apostas. Pegue suas moedas. E só me diga em quem apostar contra os outros! – disse Robert, gargalhando alto.

Lyanna recebeu seu prêmio satisfeita e já sabia o que faria com aquele dinheiro. Iria oferecê-lo para Howland Reed. Ele ainda poderia enfrentar os cavaleiros dos escudeiros que o insultaram. Ela guardava as moedas em um bolso interno das suas vestes quando se assustou com um barulho vindo de cima. 

Aparentemente havia uma nova agitação vindo do pavilhão superior. E uma voz atormentada gritava coisas que dali ela não conseguia entender.

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Rhaegar não tinha conseguido prestar muita atenção na disputa das justas. Apenas ocupava sua cadeira, sentado ao lado direito do seu pai, se perguntando incansavelmente o que ele ainda estava fazendo ali.

Assim que haviam subido no pavilhão real seu pai impediu que Elia permanecesse lá. Disse que não queria dorneses fedidos perto de si. Rhaegar quis descer junto com ela, mas foi impedido por Sor Arthur Dayne, que como bom amigo que era, vinha cumprindo o pedido que ele próprio havia feito antes da viagem, de não deixar que o Rei fosse ofendido em detrimento do filho.

Ele só conseguiu se controlar quando viu que Elia lhe olhava com serenidade, dizendo-lhe de forma muda que ele não deveria se exaltar. Sor Lewyn Martell então a acompanhou em direção ao andar inferior.

Durante todo o tempo em que já estava ali, sentado ao lado do seu pai, pôde ouvi-lo fazendo perguntas sucessivas e à esmo sobre quem estava e quem não estava no torneio. Sobre o motivo por trás de cada ausência e de cada presença ali.

Rhaegar apenas permaneceu calado, desejando em seu íntimo que o momento do intervalo das justas chegasse logo e ele pudesse sair dali sem provocar comentários maldosos. Mas então Sor Barristan Selmy trocou de lugar na guarda do rei com o jovem Jaime Lannister, e foi aí que Rhaegar presenciou a mais deprimente cena protagonizada pela mente perturbada do seu pai nos últimos tempos, pois quando o jovem Lannister se posicionou atrás do assento do Rei, ele começou a passar mal e a balbuciar coisas sem sentido.

- Espada. Perto de mim. Minhas costas. Não!!! Filho de seu pai! Perto de mim. Nao!! Selmy! Tragam Selmy de volta! Agora!! Chamem Sor Gerold!! – gritava o Rei

- Eu estou aqui Majestade – disse Sor Gerold Hightower, que havia estado ao lado do Rei durante todo o tempo.

- Quero que Jaime Lannister volte para a Fortaleza Vermelha. Que ele proteja a Rainha Rhaella e o Príncipe Viserys! Agora! – gritou o Rei, as mãos trêmulas e os olhos saltados.

Rhaegar olhou para o jovem cavaleiro de seu pai e pôde ver o choque em suas feições. Parecia que o Rei tinha se arrependido de fazer o filho de Tywin Lannister, o amigo de outrora que havia ganhado admiração como uma boa Mão do Rei a ponto de fazer com que ele ardesse em ciúmes e o humilhasse em cada oportunidade que surgisse.

A ultima das humilhações parecia agora perturbar o senso de segurança do seu pai.

- Meu Rei. O jovem Jaime tem muito talento nas justas e com a espada. Muitos desejam vê-lo em ação no torneio. Deixe que eu volte para Porto Real, para a proteção da Rainha e do Príncipe – pediu Sor Gerold.

Mas Rhaegar sabia que ele havia usado o argumento errado assim que ouviu as palavras saírem de sua boca. Deixar que o filho de Tywin Lannister ficasse para obter glórias e popularidade não era bem o que faria seu pai mudar de ideia.

- Vá! Agora! – bradou o Aerys, levantando-se e dando a ordem diretamente para Jaime Lannister. O jovem cavaleiro apenas acenou em concordância com a ordem dada por seu rei e se retirou do alto pavilhão.

E este é só o primeiro dia. Pensou Rhaegar. Que os deuses sejam bons. O que ainda me aguarda nos dias restantes? 


Notas Finais


Por favor comentem, sim? O que vocês estão achando da história?!


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