História A Canção do Vento - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.352
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - O Troféu da Abertura (e quem ficou com ele)


Fanfic / Fanfiction A Canção do Vento - Capítulo 9 - O Troféu da Abertura (e quem ficou com ele)

Para todos os efeitos, hoje é o último dia das olimpíadas da escola, o que não significa que as competições acabaram, só significa que os alunos não receberão mais medalhas por isso.
   É muito difícil engolir isso estando no último ano da escola, porque, obviamente, é a última coisa legal que você vai ter no ano e até o ENEM, ou talvez depois dele, você não vai ficar livre.
   É um pouco assim para Artur, além desse sentimento há também aquele famoso "fiz algo que sempre quis fazer, agora, se não ganhar, não sei o que vou fazer". É um pouco assim para todos, claro, para Marina ainda não.
   Emos não correm e, normalmente, não participam desses jogos, mas ela foi fielmente acompanhar todos os dias, com a camisa laranja neon da sua sala, única peça não-preta que habita seu guarda-roupa, por uma chance de passar mais tempo com os amigos. É muito bom ir para a escola sem ter que estudar, não é?
   Bem, para a sala do Artur, as coisas estavam divididas. Apesar de o masculino estar indo muito bem, o feminino estava tendo mais dificuldades. Só que Artur não se importava, seu sonho mesmo era ganhar a abertura, ele só estava nos jogos para se divertir.
   Às 10:30 da manhã todos estavam assistindo o jogo feminino de handebol da sala do Artur contra um primeiro ano, mas até Ana Alzira levar uma bolada violenta no nariz e seu irmão gêmeo Renan chorar de dor por causa da ligação de gêmeos, Artur ainda não tinha visto Marina.
   É nessa hora, como se um narrador tivesse mandado ou algo assim, que a garota aparece magicamente correndo com um saco enorme de gelo. Artur achou que estava vendo um anjo, até que ouviu outro grito de Renan e acordou de seu devaneio.
   —Não se preocupa, eu tô bem, melhor dar isso pro meu irmão.
    Ana Alzira diz para a garota, segurando o riso ao olhar para o irmão se contorcendo de dor. Marina concorda com a cabeça e entrega o gelo para Renan, que parece aliviado.
    —Onde cê ia com esse gelo todo?
    Artur pergunta, altamente curioso, puxando assunto com a menina.
    —Achei que íamos precisar.
   Responde, com uma piscadela. 
   O garoto não sabia se acreditava na história ou se começava a imaginar que ela tinha algum tipo de poder psíquico. De uma coisa ele tinha certeza, não ia mais conseguir se concentrar no jogo com a garota de cabelo preto sentada ao seu lado.
   —Eu tô nervoso.
   —Por causa da abertura, né?
   O garoto apenas concorda com a cabeça, Marina resolve se aproximar e o abraça, tentando confortá-lo.
   Renan observa atento e se contenta com compartilhar a felicidade do ship com as amigas de Marina que estavam ali perto.
   —Vocês querem apostar em quanto tempo eles se beijam?
   O garoto de cabelo longo pergunta para Bel e Nandinha, com a voz fanha por causa do nariz. As duas riem e concordam com a cabeça.


   Um dos pontos altos do dia foi a aeróbica de Artur e Jão, que não levou nenhuma medalha, mas ganhou a plateia com seu carisma indubitável. Outro momento foi a quase derrota de Renan no pingue-pongue, todos estavam tão tensos que se caísse uma agulha no chão todos ouviriam. Apesar dos elevados esforços, o turma que não fez a abertura já havia ganhado o troféu dos jogos antes do dia acabar e por isso nem merece mais nenhuma menção nessa história mesmo.


   Às 18:15, em ponto, todos estavam aglomerados na quadra da escola, onde dois dias antes havia sido a tão sonhada abertura, mas, dessa vez, estavam esperando o resultado.
   Não havia uma pessoa sequer que não estivesse tensa ali. A imensa torcida da sala do Artur estava tão junta e encolhida que pareciam uma coisa só, era uma multidade de pessoas com camisas vermelhas e camisas pretas.
   Marina e suas amigas estavam sentadas próximas de Artur, mas o garoto não dava um pio. As garotas apenas se olhavam, sem saber o que dizer com toda aquela aflição.
   Artur estava com as mãos no rosto.
   Lou olhava fixamente para a mesa de troféus.
   Ana Alzira apertava tão forte o saquinho do gelo que era para colocar no seu nariz que a água estava espirrando toda em Renan.
   Renan estava tão nervoso que nem percebia a água gelada caindo na sua calça, enquanto abraçava lateralmente o tambor que ficara tocando na torcida nos últimos dias. 
   Érica segurava a mão de suas amigas tão forte que deixou um hematoma.
   Mas ninguém sentia nada além de medo, em poucos segundos um sonho coletivo de infância poderia escorregar pela ponta de seus dedos e não era algo que nenhum deles poderia aceitar facilmente.
   Tudo continuou do mesmo jeito enquanto os troféus dos jogos do sexto ano ao ensino médio eram entregues.  E, quando chegou o momento, o professor pegou o microfone para anunciar e...
   Enrolou por aproximadamente dois minutos até dizer o vencedor, com setenta e cinco pontos.
   A sala do Artur ganhou.
   Nesse momento, eles sentiram como se todo o peso do mundo fosse tirado de suas costas. Todos correram e gritaram tanto que esqueceram de pegar o troféu, que ficou abandonado lá no chão até que alguém lembrasse.
   Foi um momento milagroso, Artur e Marina de abraçaram. Renan finalmente sentiu que suas calças estavam molhadas e não entendeu o porquê, Lou mandou todo mundo se foder com palavras educadas, Ana Alzira abraçou até gente que não gostava, Érica deitou no chão chorando.
   E, obviamente, tiveram que recriar a apresentação lá mesmo, com um som defeituoso e uma vontade imensa de rir e de chorar, ao mesmo tempo, esquecendo totalmente dos outros.

   Eles tinham um ônibus para levá-los para a festa da turma já previamente combinada, independente do resultado. Não havia pessoas o suficiente para lotar o ônibus, mas a animação era tanta que ele parecia ter três vezes a lotação permitida. Os jovens não paravam de gritar por um segundo e foi aí que Renan, exímio observador, percebeu Artur e Marina segurando as mãos um do outro, mas não disse nada. 
   Chegaram no sítio pouco tempo depois e, eufóricos, os jovens da sala se dispersaram. Alguns foram procurar bebidas pra comemorar a vitória. Outros foram dar uma dançada. O fato é que ninguém ficou parado. Tampouco a garota emo e o garoto cantor, que não estavam em lugar nenhum à vista. 
   Depois de procurar um pouco, o gêmeo os achou sentados no chão, encostados em uma árvore. A cena era mágica. Alguns vagalumes ajudavam a lua a iluminar não mais que sutilmente os dois rostos colados. As respirações ofegantes se misturavam com o som dos grilos e dos sapos. As línguas dos dois ora pareciam travar uma batalha árdua, ora pareciam dançar em perfeita sincronia. Nada parecia ser capaz de tirar a concentração deles naquele momento mágico. Imensuravelmente satisfeito, o gêmeo saiu sem incomodar o casal, porém contente. 
   A festa não era muito grande e não durou muito tempo, mas durou o suficiente para Artur e Marina se beijarem algumas dezenas de vezes.
   —Gostaria de dizer que eu ganhei a aposta!
   Renan diz, dando um high five com sua irmã, que não entendeu nada.
   —Ah, não. Você apostou isso de novo? Não lembra da última vez?
   A irmã fala, tentando colocar um pouco de juízo na cabeça do garoto. 
   —Que última vez?
   Artur pergunta.
   Renan apenas faz sinal como se estivesse trancando sua boca.
   —E que aposta é essa?
   Marina pergunta.
   —Aposta de quanto tempo vocês levariam para ficar. Eu apostei que seria na comemoração lá na escola.
   Nandinha responde, levantando as mãos.
   —Eu apostei que ia demorar ainda, vocês dois são frescos.
   Bel afirma, fingindo irritação, fazendo os outros rirem. O engraçado é que contrariando as expectativas, Artur não se irritou com a aposta, ele até achou engraçado.
   —Então, galera. Eu apostei que ele não ia se irritar, vão me pagando aí também.
   Ana Alzira fala, cobrando os outros.
   —Achei que você não gostava de apostas!
   Artur fala.
   —Daquela aposta.
   —Desde quando vocês são viciados em apostas?
   Marina ri, e esse é o início de uma nova era.


Notas Finais


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