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História A Capitã E A Prisioneira - Capítulo 5


Escrita por: anonima_o_o

Capítulo 5 - Uma Bela Amante


Camila despertou com um braço pesado sobre sua cintura. Piscou várias vezes até se acostumar com o brilho do dia que penetrava pela janela. Há tempo não via a luz do sol e sorriu para ela como se fosse o encontro de velhas amigas.

Sentiu a respiração em sua nuca. Lauren Jauregui estava deitada atrás dela, podia sentir o corpo quente e grande. Uma mulher tão bonita e educada deveria estar casada e com filhos, em uma linda casa, em Londres, e não presa a um navio, levando prisioneiros para a América. Ela era uma pirata apenas na aparência, em seu íntimo escondia muito bem sua bela alma.

Riu de seu pensamento tolo.

Uma mulher do seu tipo, criada em uma família puritana, também deveria estar casada e com filhos. Mas ela optou pela solteirice, foi livre em suas escolhas e pagou um alto preço por isso. A amargura tomou conta de seus pensamentos, não queria se sentir tão depreciada pelo destino, mas era inevitável, era recente, levaria muito tempo até aceitar o que lhe fora imputado.

Ou talvez, nunca conseguisse. Ainda assim, preferia estar ali. Tinha certeza disso. Nunca mais poderia encarar sua família ou voltar à sua casa.

Lauren mexeu atrás dela cortando os pensamentos. Sua realidade era aquela e tinha que se atentar a isso, esquecer o que ficou na Inglaterra. A mão pesada subiu da cintura para o seio firme e redondo e ela o acariciou, sentindo na ponta dos dedos a maciez deliciosa e todo seu desejo inflamou. Camila gostou da carícia tanto quanto do beijo que ela lhe deu na nuca e seguiu por seu ombro. Não deveria desfrutar de tais sensações, ainda mais depois da dor que ela lhe infligiu na noite anterior, mas algo mudara. Seu pudor não tinha poder algum naquele momento, apenas as impressões que ela lhe despertara comandavam. As barreiras de uma vida toda começaram a ruir ante a condenação injusta e, agora, ao desfrutar de um ato carnal, toda sua moral se encontrava abaixo de seus pés. Começava a compreender porque a religião falava tão mal acerca do sexo: era bom, vicioso.

Lauren a puxou, fazendo-a se deitar de costas. Tomou seus lábios e ela deixou ser beijada, suas línguas se tocando, enquanto as mãos hábeis passeavam por seu corpo. Descobriu-se, de repente, uma mulher lasciva, porque gostava de ser tocada por Lauren. Ela tocou o clitóris levemente, e Camila gemeu contra os lábios dela. Essa entrega inocente dela, a deixava louca de desejo.

Acariciou-a deixando que ela se acostumasse com aquelas sensações novas. O corpo numa junção de masculino e feminino nu, o calor tomando conta dela, Camila se contorcia debaixo dela, gemendo, apertando os ombros, enquanto era beijada e acariciada ao mesmo tempo. A ponta do dedo deslizava como uma tortura, e ela começou a mover os quadris instintivamente, sem saber o que lhe ocorria, que mágica era aquela que ela causava em seu corpo, a ponto de fazê-la perder a razão e a coerência. Lauren sorriu maldosa quando a viu segurar em seu braço com força, os olhos verdes ficarem escuros, Camila abrindo os lábios para soltar gemidos fortes. Ela deslizou o dedo pela extensão feminina, molhada e voltou a atenção para o ponto mais sensível do corpo feminino. Seu dedo deslizou em movimentos circulares, e aumentou o ritmo, a torturando, deixando-a sentir cada detalhe do prazer despertado em seu corpo imaculado.

A respiração dela ficou curta, o corpo anestesiado pelas emoções novas,os nervos pareciam se esticar, não tinha controle algum sobre si e queria mais e mais. Lauren a viu gozar, jogando a cabeça para trás e gemendo alto e por fim choramingando contra os seios dela, encolhendo o corpo, tentando fugir da tortura que ela fazia com seu corpo.

Era grandemente delicioso vê-la ter seu primeiro orgasmo, a visão do paraíso. Ela não se conteve, abriu as pernas e a possuiu. Embora, ainda incomodada com a penetração, ela não sentiu dor, suas delicadas pernas a abraçaram. Estava confusa com os efeitos que ela havia despertado em seu corpo, era como se tivesse perdido a consciência por alguns instantes, foi inexplicavelmente maravilhoso, insano, obtuso. Quando deu por si, Lauren já estava dentro dela, remetendo, erguendo o corpo para alcançar o mais profundo dela, deixando-a querendo mais.

Ela sentiu que seu corpo respondia. Que o comprimia dentro de si a cada estocada e queria que ele fosse mais fundo, mais fundo até que começou a perder a consciência outra vez e se agarrou a ela, sentindo cada detalhe de seu corpo contra o dela. Lauren remeteu com fúria, ferozmente, gozando tão intensamente, que chegou a segurá-la com extrema força, marcando a pele delicada.

Ela saiu de cima dela e gostou de ver o sorriso em seus lábios. Lauren  tinha certeza que com o passar dos dias, ela também iria usufruir daqueles momentos de intimidade. Havia muita química entre elas, e isso era um grande benefício para ambas.

Quando voltou do convés, no fim da madrugada e a encontrou em sua cama, se perguntou se não fora precipitada deixando-a ali. Mulheres podiam confundir as coisas, principalmente, as virgens. Entretanto, Camila era um tipo de mulher diferente de todas que havia conhecido. E o fato dela se entregar a ela em troca de conforto, não a desmerecia perante seus olhos. Fez bem em não a deixar partir na noite anterior, ela continuava desempenhando bem seu papel de amante, pensou satisfeita ao se levantar da cama.

— Estou morta de fome. — Ela comentou.

Constrangida, Camila se virou para o lado e desceu da cama, ajeitando a camisa amarrotada e os cabelos ondulados que deveriam estar completamente fora de controle. Levantou-se, e se deu conta que estava praticamente nua, não podia ficar vestida assim. Lauren vestiu as calças e as botas e foi até a cadeira, pegando o vestido que escolhera na noite anterior e entregando a ela.

— Pode usar isso...

Camila pegou o tecido macio do cetim e agradeceu. Foi para trás do biombo e se trocou rapidamente. O vestido era decotado demais e ela precisava da ajuda dele para fechá-lo. Saiu detrás da tela e encontrou Lauren sentada à mesa, a camisa aberta, os cabelos soltos e selvagens. Ela a olhou de forma interrogativa:

— O que foi?

— Poderia fechar para mim, por favor?

Ela lhe deu as costas e Lauren fechou os botões com rapidez. Ela teve vontade de beijar a nuca delicada, e o fez, experimentando o sabor de sua pele.

Ela se encolheu e sentiu o corpo arrepiar, rindo nervosa. Lauren se afastou com um sorriso de satisfação, voltando a se sentar diante da mesa de café.

— Obrigada. — Ela se voltou para ele, tentando puxar o decote para cima, mas era impossível. Não era estranho que uma Capitã tivesse vestidos em seu baú, afinal, ela não era a primeira e não seria a última mulher a entrar naquela cabine. Sentou-se ao lado dela, com a mão espalmada sobre os seios, ela notou sua timidez.

Mesmo tendo experimentado do sexo e do prazer, ela não se vulgarizava, ainda assim, se comportava como uma dama da sociedade, ela notou.

— Não se preocupe. Ninguém entrará aqui e a verá deste modo! — Lauren garantiu e ela ficou aliviada. — E se por acaso sair para o convés, sugiro que use seu casaco por cima.

— Eu não sairei da cabine — garantiu colocando o guardanapo sobre o colo e se servindo.

— A viagem é um pouco entediante, sabe ler?

— Sei...

Lauren  imaginava que sim.

— Dentro daquele móvel — apontou para trás dela e Camila olhou rapidamente. — Há livros.

— Obrigada, ocuparei meu tempo com eles. — Ela forçou um sorriso e comeu o pão.

Intrigava o silêncio dela. Camila não se interessava em saber nada sobre Lauren. Pelo visto, não era uma mulher de se apegar fácil a ninguém e mesmo depois da luxúria que haviam compartilhado, ela a olhava como se fosse algo normal.

Lauren estava acostumada com as mulheres loucas por ela, ansiosas por mais. A mulher à sua frente apenas cumpria o acordo, nada mais. Era muito estranho que uma virgem agisse desse modo, geralmente, elas se lamentavam por sua desgraça. Entretanto, Camila não tinha tempo para lamúrias e se mostrava indiferente. E isso era absolutamente estranho. Ela não era uma prostituta e tinha bons modos, classe, sabia ler. Quem era ela? Perguntou intrigada. Por que estava ali?

— Já saímos de Londres? — Ela quis saber.

— Sim... Ontem à noite. — Lauren  respondeu e a estudou por um instante.

— Saudades de casa?

— Nenhuma — assegurou. — Passei os últimos dois meses na prisão,esperando ser banida.

— E qual foi o crime que cometeu para ser degredada para sempre? —

Não deveria investigar, mas ela não conseguiu evitar. Estava morta de curiosidade.

Ela não viu motivo para esconder a verdade dela. Indiferente, respondeu antes de tomar chá:

— Eu não quis me casar... — saboreou o delicioso chá e colocou a xícara sobre a mesa.

Lauren franziu o cenho e riu:

— Matou seu noivo?

— Não — fez que não. — Declinei um pedido de casamento, apenas.

— Foi condenada por que não aceitou um pedido de casamento? — perguntou incrédula— Isso não é crime!

Ela assentiu. Depois de partilhar a cama com Lauren, falar sobre sua desgraça parecia o menor dos males.

— Sempre tive a convicção de que seria uma solteirona e morreria assim. Nunca consegui me ver presa a um casamento e ter filhos — contou com sinceridade. — Sou a filha caçula depois de oito irmãos, que nunca viram com bons olhos minhas escolhas. Meu pai morreu no último verão, eu morava com ele e, então, meus irmãos decidiram me casar com um granjeiro de uma cidade próxima e me recusei.

— Mas isso não é delito. — Ela insistiu, desacreditada.

— Eu sei. Depois de uma discussão acalorada com Geórgia, minha irmã, durante o jantar, estranhamente perdi os sentidos, acordei dentro de uma prisão. Durante dias não me disseram o que ocorria, mas eu já imaginava.

— Eles a drogaram. — Ela concluiu.

— Sim. E fui levada diante do juiz que é ninguém menos que meu irmão mais velho, Vincent. Fui condenada com uma mentira, fui acusada de tentar matar minha irmã naquela noite, me fizeram passar por louca. Como castigo me deram o banimento.

Lauren achou aquilo impossível, embora não duvidasse da atrocidade humana, custava acreditar que uma família poderia causar tamanho mal a um membro porque ela apenas se recusara a aceitar um pedido de casamento. Ela passaria o resto da vida dentro de um calabouço, obrigada a fazer trabalhos forçados, somente porque desejou ser uma mulher livre.

— Pensei que já tivesse visto de tudo nesta vida, mas me enganei imensamente.

— Durante algum tempo tentei compreender o que realmente estava acontecendo. Entretanto, depois, não fez mais diferença. Eles apenas me castigaram porque eu não deixei minhas convicções de lado.— Sinto muito, Camila.

— Por favor, não diga isso. — Ela pediu. — Não quero que sinta pena de mim, não contei minha história para me queixar.

— Não sinto piedade por seu destino. O que me incomoda é a hostilidade de sua família... A que ponto as pessoas chegam por nada... Eles se encararam. Camila pensou que além de bonita, a Capitã era muito humana para um pirata que saqueava navios. Não estava arrependida de ter sido ela a pessoa para quem se entregara, ao contrário, aqueles momentos estavam sendo mais intensos do que toda a sua vida.

— A senhora me surpreende com suas palavras. — Ela observou.

— Por quê?

— Nunca pensei que a vida me brindaria com alguém tão humana para compartilhar tais momentos — falou com certo recato.

Ela a encarou e sentiu uma vontade imensa de tomá-la novamente. Lauren se aproximou dela lentamente até tocar os lábios tão femininos. Camila a recebeu e sentiu o calor pelo corpo e correspondeu com a mesma paixão. Estava gostando de ser beijada por ela, os lábios dela tinham um sabor tão forte, ela jamais se esqueceria daquele detalhe, do forte desejo que Lauren provocava nela com o simples toque de sua língua.

Lauren puxou a cadeira dela para mais perto, num movimento brusco, em deixar de beijá-la. Camila se sentiu tomada por uma febre incomum, um ardor no meio das pernas, uma ansiedade que fazia seus seios ficarem pesados. Lauren enfiou a mão no decote e puxou o seio para fora. Deixou os lábios para tomar o bico, chupá-lo, roçá-lo com a língua, mordê-lo levemente. Camila entrelaçou as mãos em seu cabelo, se segurando a ele.

Sentiu a mão deslizar por sua saia, puxando-a para cima, os dedos marcando cada centímetro de sua perna delicada. Ofegou quando ela novamente alcançou seu clitóris e o massageou, sem deixar de lamber seu seio. Era como uma dança erótica, ela jogou a cabeça para trás, recostando o corpo no encosto da cadeira. Lauren sugava seu seio com força, enquanto os dedos se afundavam nela e se moviam de forma rítmica.

Camila respirou fundo e sentiu algo queimar em seu ventre e subir pelo corpo. Ela sabia que aquela sensação nova tomava conta de seu corpo outra vez e abriu as pernas para senti-la totalmente, abandonada, entregue. Lauren aumentou o ritmo até que ela gozou. Ela afastou os lábios dos seios macios para vislumbrá-la revirando os olhos desesperada pelo gozo. Ela se encolheu novamente, quando Lauren seguiu movimentando dentro dela e segurou o pulso dela, fazendo rir de satisfação.

— Pare... — Ela implorou, ofegante.

O coração dela parecia bater dentro dos próprios ouvidos.

— O que é isso que aconteceu comigo? — perguntou, enquanto ela abaixava sua saia delicadamente, deslizando os dedos na pele macia.

Ela a fitou com os olhos carregados de desejo:

— Chama-se gozar. É a sensação mais plena do prazer que existe durante o sexo — explicou.

Ela assentiu enquanto Lauren se afastava, ainda tonta.

— Agora, entendo — falou bebendo do chá para molhar a garganta seca.

— O quê? — Lauren franziu o cenho se recompondo.

— Por que a igreja fala tão mal acerca do sexo — respirou fundo. — Faz com que a gente deseje mais...

Batidas soaram à porta. Lauren sorriu para ela antes de se levantar e abrir a porta e falou com alguém. Fechou em seguida e se voltou para Camila:

— O dia começando no mar. — Ela falou abotoando a camisa.

— Algum problema?

— O de sempre... Piratas... Tempestades... Alguma tentativa de fuga ou rebelião. — Ela explicou sem salientar nada.

— Por que alguém tentaria fugir em pleno alto mar? — Ela estranhou.

— Faço a mesma pergunta todas as vezes que um dos prisioneiros tenta fugir. Eu poderia deixá-lo morrer afogado ou ser comido pelos tubarões, seria uma boca a menos para alimentar, mas ganho por cabeça que chega viva do outro lado do oceano. — Ela explicou. — Tenho tripulantes à espera de um gordo salário quando a viagem acabar.

— Compreendo... — limitou-se a dizer.

— Caso precise de algo, estarei no convés, ou pode pedir a Malik, ele está sempre andando para lá e para cá! — Lauren  afivelou o cinto com a espada e a arma, vestiu o casaco de couro e prendeu os cabelos. — É ele quem faz a comida por aqui, vai vê-lo bastante além de mim.

— Está bem...

Ela acenou com a cabeça e se retirou sorrindo por saber que ela queria sentir prazer nos braços dela novamente. Seria uma viagem e tanto, concluiu, e subiu para o convés assoviando.

Camila olhou para a porta fechada e depois para o restante da cabine.

Estava uma bagunça, roupas jogadas para todo o lado, papéis espalhados. Talvez, pudesse organizar tudo, tomaria seu tempo já que não havia muito que fazer.

Quando Mendes veio lhe trazer a refeição, ela lhe pediu uma vassoura.

— O quê? — Mendes franziu o cenho. — A senhorita quer uma vassoura?

— E linha e agulha, por favor. — Ela pediu. — E água...

— E por que iria querer isto? — O homem perguntou severo levando a bandeja com comida para a mesa, no centro da cabine.

— Ora, para limpar aqui e fazer alguns remendos nas roupas — explicou.

Ela havia colocado o horroroso casaco por cima do vestido. Mas até ele precisava de alguns consertos para melhorar sua aparência. Não que ali fizesse diferença se estava bonita ou feia, mas queria esconder o seu corpo o máximo para não atrair a atenção de nenhum outro tripulante. A última coisa que precisava era ser estuprada por eles. A simples ideia lhe causava náuseas.

— A cabine, eu limpo. — Ele a cortou grosseiramente.

Estava um caos, mas ela mordeu o lábio para não dizer nada. Ele era um péssimo faxineiro.

— Tudo bem. E a linha e a agulha? — insistiu.

— Vou ver o que consigo — respondeu de má vontade.

Mendes se aproximou da cama e pegou os lençóis jogados no chão para lavar. Seus olhos se arregalaram quando viu as marcas de sangue, lançou um olhar furtivo para Camila, que lhe deu as costas, constrangida. Em silêncio, ele deixou a cabine, fechando a porta, sem bater desta vez.

Camila controlou seus pensamentos, tentando raciocinar como a mulher livre que era agora. Ninguém mais poderia condená-la ou tomá-la por leviana.

Era apenas uma prisioneira desconhecida, amante da Capitã e naquele navio ou nas Treze Colônias ninguém se interessaria por este tipo de fofoca. Foi almoçar e depois guardou tudo que estava fora do lugar. Apenas não mexeu na mesa enorme que havia do outro lado, apinhada de papéis. Temia atrapalhar a bagunça organizada de sua amante.

Suspirou.

Camila Cabello, a solteirona de Burford, Oxfordshire, tinha uma amante. E por sinal, uma bela amante... Jamais imaginou que tamanho infortúnio poderia lhe roubar um sorriso.



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