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História A Capitã E A Prisioneira - Capítulo 6


Escrita por: anonima_o_o

Capítulo 6 - Viagens Marítimas


O sol desaparecia no horizonte avermelhado, a Inglaterra ficara para trás e o vento frio do Norte soprava, empurrando o navio para mais longe, para o oeste. Lauren respirou satisfeita depois de um dia todo de trabalho, o som do ranger do navio enquanto quebrava as ondas era uma melodia perfeita para ela. Quando desceu para a cabine logo após anoitecer, estava exausta, os primeiros dias no mar eram cansativos, até encontrarem a corrente certa para adiantar a viagem.

Encontrou Camila deitada na cama, lendo. Ela se levantou depressa e deixou o livro de lado. Ela era um alento para seus olhos, e saber que logo a tomaria para si, já a excitava, o cheiro dela ainda estava impregnado em sua pele. Tivera sorte por encontrar uma parceira para sua cama tão aprazível e que até agora parecia bem-disposta a agradá-la, mesmo sendo inábil. Aliás, a inexperiência dela era algo novo e revigorante para ela.

— Vejo que encontrou algo para se distrair. — Ela comentou tirando o cinto e colocando sobre a mesa do outro lado da cabine.

— É um diário sobre viagens marítimas — comentou. — Uma novidade para mim, apesar de já ter viajado pelo mar, nunca pensei que haveria tantas histórias para contar.

— Há muitas. — Lauren observou jogando o casaco de lado e voltando-se para ela. — Eu já vivi inúmeras.

— Está há muito tempo no mar?

— Desde os meus quinze anos — contou se aproximando dela. — Quando decidi que seria uma Capitã, como o meu pai foi. A diferença era que ele trabalhava para o rei inglês.

— Deve ser uma vida muito interessante. — Camila voltou a se sentar na cama, enquanto ela se servia de alguma bebida.

— Eu gosto — admitiu enchendo o copo de uísque. — Não saberia viver de outra forma...

— Conhece o mundo todo?

— Desde as Américas até a China, Nova Gales do Sul... A Costa Africana...

— Conhece a Índia? — perguntou interessada.

— Sim.

— Deve ser um lugar maravilhoso. — Ela deu um sorriso sem perceber e seus olhos brilharam. — Sempre quis conhecer a Índia. Li muito sobre eles e suas medicinas naturais...

— Medicina naturais? — Ela ficou curiosa.

— Meu pai era médico e acreditava que as plantas curavam, mais do que qualquer outra coisa. Ele era um estudioso e tinha diários falando sobre o assunto. Aprendi muito com ele.

— Interessante... — Lauren disse e sorveu a bebida.

Estava diante de uma mulher que possuía conhecimento. Notou que não se limitariam apenas a troca de prazer na cama, poderiam manter um diálogo saudável e inteligente. Seria uma viagem interessante.

— E o que teria feito se ainda estivesse na Inglaterra? — Ela quis saber.

Sem perceber, Camila empolgou-se com a conversa.

— Com a morte de meu pai, eu tinha planos de me mudar para Londres e levar seus estudos para um amigo seu, professor em Oxford — relatou com certo entusiasmo. — E depois, eu desejava realmente viajar e ir até a Índia, conhecer novas culturas.

— Sozinha. — Lauren pontuou.

— Absolutamente. Talvez algum amigo desejasse me acompanhar nessa jornada, mas tenho minhas dúvidas — acolheu. — Afinal, os ingleses costumam se preocupar em demasiado com sua honra e a reputação de uma dama — completou com ironia. — E as senhoritas ocupadas em manter sua honra para os senhores, nenhuma delas está preocupada com viagens, e sim com casamentos...

Lauren pensou que se a tivesse conhecido em outras circunstâncias, antes que a família a destruísse e a condenasse, ele teria lhe dado uma carona até a Índia. Seria um prazer ter em seu navio uma mulher que não se importava com convenções e estava disposta a viver o que desejava. Caso os fatos em suas vidas tivessem acontecido de outra forma entre elas, Lauren jamais lhe proporia que fosse sua amante e sim... Ela interrompeu o curso de seus pensamentos. O que estava fazendo?

— Não se importava com a sua reputação? — Lauren a questionou.

— Sempre tentei fazer o meu melhor, não vulgarizar o nome de minha família. Entretanto, isso não me ajudou em nada. Não pude querer ser solteira. Eles queriam que eu me casasse e me rejeitaram quando não o fiz.

— Seus valores mudaram após sua condenação — concluiu.

— Está certa. Não vejo muita vantagem em manter minha decência, agora...

— É mais decente do que imagina. — Lauren disse parando diante dela.

Ela ficou inibida diante do elogio:

— Está sendo modesta...

— Não. — Ela fez que não, séria. — Estou sendo sincera.

— Mesmo assim, tem me tratado com a devida educação. A senhora tem certo ar de superioridade tão comum nos nobres ingleses... Lauren não gostou que ela notasse tanto sobre ela. Camila viu os olhos ficarem escuros como uma tempestade e sentiu que havia tocado em um pontodelicado da vida dela, sinal, que ela não errara em seu julgamento. Mas não pediria desculpas por ser uma mulher perspicaz.

— Fique tranquila, Capitã — Ela disse com ironia. — Não vou comentar com ninguém minha conclusão. Mesmo quando tomar chá com minhas amigas — debochou.

— Não estou preocupado que o faça. — Lauren sentiu sua barreira ruir diante daquele súbito bom humor com o qual ela o brindou.

Camila desviou o olhar incomodada com a intensidade do desejo que viu nos olhos dela. Chegou a sentir o coração acelerar.

— Então, decidiu se tornar um pirata para ir contra os ideais patrióticos de seu pai? — Ela quis saber.

Lauren meneou a cabeça, colocou a bota sobre a cadeira e apoiou o braço na coxa para encará-la.

— Não, exatamente. — Em Partes eu escolhi ser pirata pois nasci diferente e nem sempre fui bem vinda na sociciedade. Lauren não viu problema em dizer-lhe a verdade. — Quando fui ao mar, eu desejava ser como meu pai foi, fazer parte do exército britânico, derrubar navios inimigos, fazer história. Então trabalhei para a Coroa e em minha primeira viagem vi o Capitão Runner infligir tortura aos prisioneiros e tripulantes de forma aterradora — falou séria. — Não era um castigo por desobediência, eram atos de violência gratuitos.

— Pensei que os piratas gostassem de violência! — comentou com sarcasmo.

Ela a encarou friamente: 

— Uma coisa é lutar por sua sobrevivência, outra é se tornar um assassino sanguinário sem limites — argumentou. — Não acredito que exista prazer na morte de um inocente. Então, na metade da viagem. — Lauren continuou a contar. — O mesmo capitão tomou um navio pirata com mais de duzentos tripulantes e prisioneiros. — Sua voz era sombria. — Ele os prendeu no porão e afundou o navio com tiros de canhão...

— Oh! Deus! — Ela ficou horrorizada.

— Foi quando decidi ter meu próprio navio e não ser como os que se consideravam da “lei” — finalizou sua história. — Há mais honra em ser uma pirata do que alguém que se diz nobre, mas não conhece a verdadeira nobreza.

Camila engoliu em seco diante de tanta determinação.

— É um ato corajoso pensar desta forma no meio de tanta gente ruim. A maioria dos piratas não tem esse pensamento.

— Como eu disse, sou piedosa com inocentes, apenas — falou sem rodeios e ela sentiu um frio na espinha ao imaginar aquele homem enfiando a espada em seus inimigos sem piedade.

Mendes entrou sem bater, interrompendo a conversa. O grande marujo trazia o jantar. Colocou a bandeja sobre a mesa e jogou um pequeno saco de pano no colo de Camila, virou-se, e saiu batendo a porta.

— O que é isso? — Lauren quis saber.

— Linha e agulha. — Ela sorriu satisfeita ao tirar os pequenos objetos.

— Pedi a ele, para poder arrumar minha roupa. Espero que não se importe, preciso costurar o casaco — encolheu os ombros.

— Não haverá problema algum — declarou. — Mas há casacos no baú, pode usá-los.

— Obrigada — agradeceu com um leve sorriso. — Vi que algumas roupas suas precisam de conserto, posso fazê-los se quiser — ofereceu.

— Seria bom — concordou satisfeita por vê-la procurar o que fazer. — Agora, vamos comer, estou morta de fome...

Jantaram em silêncio. Ela não conseguia deixar de pensar que teria que entregar seu corpo a Lauren mais uma vez e que sentiria dor, isso a deixava ansiosa, por isso, acabou comendo pouco. Um tempo mais tarde, Lauren a ajudou a se livrar do vestido, e ela deixou o tecido descer por sua pele até cair no chão.

Ainda sentia vergonha, então, manteve-se de costas, nua, ouvindo apenas os movimentos dela tirando a própria roupa. Fechou os olhos e fez uma prece, que ao menos desta vez fosse suportável.

Lauren vislumbrou as nádegas macias, as pernas longas e os quadris largos e excitou-se. Ela era linda. Abraçou-a por trás, acariciando os seios intumescidos, os dedos escorregando para o bico eriçado, experimentando da pele de seus ombros, deixando que ela sentisse a virilidade dela. Beijou o delicado lóbulo da orelha, arrastou a língua por sua pele até alcançar os lábios e beijá-la. O toque da língua frágil na sua, a excitou profundamente. Ela a fez ajoelhar-se na cama e empurrou seu tronco para frente, fazendo-a apoiar as mãos sobre o colchão. Nenhuma pessoa podia passar por esta terra sem vislumbrar uma mulher nua naquela posição. Aquela visão era tentadora e ela a tomou, possuindo-a com prazer selvagem.

Desta vez, Camila não sentiu incômodo algum, ao contrário, o corpo queimava com o dela e a cada estocada, era como se explodisse em mil fagulhas.

Fechou os olhos, acompanhando o ritmo que Lauren lhe infligia sem a menor dificuldade. Recordou-se daquela manhã e de tudo que ela havia lhe proporcionado e aos poucos, seu corpo já não lhe pertencia mais. Era de Lauren. E foi dela mais uma vez, antes de dormirem abraçadas, fugindo do frio. Ela não pôde deixar de pensar nos prisioneiros no porão. E não se sentiu culpada por não estar com eles.



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