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História A Casa da Colina - Capítulo 2


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Notas do Autor


É isso amores <3

Capítulo 2 - Hospital


Fanfic / Fanfiction A Casa da Colina - Capítulo 2 - Hospital

"Os abraços foram feitos para expressar o que as palavras deixam a desejar."

-Anne Frank

 

Aisha's P.O.V

Sinto meus dedos formigarem e aos poucos recupero meus sentidos. Primeiro o tato. Sinto o tecido de algodão roçando nas pontas dos dedos. Provavelmente um lençol. Depois o olfato. O cheiro de desinfetante não é forte o suficiente pra dar alergia, mas o suficiente pra ser notado. Então o paladar. Minha boca está seca e posso sentir ela rachada, então engulo em seco. A audição. "JJ, acho que ela está acordando.", diz uma voz masculina. "Vou chamar a enfermeira", responde uma voz suave. Alguns passos se seguem, ficando cada vez mais distantes, até não poderem mais ser ouvidos.

Abro meus olhos devagar e com muito esforço, tentando me acostumar com a claridade. Quando consigo ver nitidamente, identifico o que parece ser um quarto de hospital, e há um homem parado me olhando com expectativa. Minha cabeça começa a latejar e eu olho em volta. Vários fios estão conectados ao meu braço, pingando o que parece ser soro. Alguns aparelhos estão conectados ao meu coração para monitorar minha condição cardíaca que aparece no monitor preto com linhas verdes. Movo a cabeça para o outro lado e vejo um copo de água. Se minha boca não estivesse tão seca estaria salivando agora. 

-Você quer água? -Pergunta. Ele é alto e seu cabelo castanho claro se encontra bagunçando. Parece que ele não tem dormido bem. Suas mãos estão nos bolsos da calça social, que ele combina com um suéter e um... All Star? -Deixa eu te ajudar. -Pega o copo de água, parando por alguns segundos para pensar. -Não tem canudo. -Avisa, me deixando confusa. -Vou te ajudar, certo? 

Assinto e ele gentilmente passa a mão por trás da minha cabeça, de forma que sua mão fique nas minhas costas e minha cabeça fique apoiada em seu braço. Assim que me ajuda a ficar mais ou menos inclinada ele pega o copo d'água, levando até a minha boca e me dando goles pequenos, provavelmente com medo que eu engasgue. A posição me lembra vagamente um bebê tomando mamadeira no colo da mãe, mas esse pensamento é interrompido quando um médico invade a sala, acompanhado de uma mulher loira com roupa social.

O que está acontecendo?

Penso se eu posso ter feito alguma coisa errada, mas imagino que se fosse esse o caso eu estaria algemada na cama agora. O médico se aproxima e o rapaz afasta o copo d'água, mas continua me segurando. 

-Eu sou o Dr. Moser. Você pode me chamar de Brian. -Sorri levemente, querendo me passar segurança. -Você passou por um trauma muito grande. Essa é a agente Jennifer Jareau e o Dr. Spencer Reid, eles são do FBI e tem algumas perguntas pra você, mas antes preciso saber se você está me entendendo. Pode assentir se consegue me entender? 

Balanço a cabeça levemente, concordando. FBI? Vasculho em minha mente qualquer memória mas só consigo me lembrar de ter saído da aula de piano e depois acordar aqui. Será que algo ruim aconteceu com meu professor? Imagino o senhor de 80 anos andando desprotegido pela rua e um sentimento ruim se apodera de mim. 

-Certo, ótimo. Pode seguir meu dedo por favor? -Levanta o dedo e balança de um lado para o outro lentamente. Obedeço e ele checa o monitor, o soro e depois a minha ficha. -Você parece estável. Pode deitá-la novamente, Dr. Reid, vou ajustar a cama dela. -Fala para o rapaz que me segura e só então eu lembro dele. 

Desejo por um momento que ele não me solte. Gentilmente ele me deita novamente na cama e eu vejo o rubor tomar conta do seu rosto. O Dr. Moser ajusta a cama, deixando o controle ao meu lado para que eu possa alcançá-lo quando quiser, e eu fico em uma posição mais ou menos sentada e mais ou menos deitada, podendo ver com mais clareza o quarto. 

-Vou deixar vocês conversarem, se precisarem de mim estarei lá fora. -Avisa os agentes e olha pra mim uma última vez, com um olhar de "vai ficar tudo bem". 

Ele então sai, fechando a porta atrás de si e me deixando sozinha com os agentes. A loira senta na ponta da minha cama, enquanto o rapaz se mantém de pé com as mãos no bolso. Espero alguém me explicar o que aconteceu, então ela começa a falar. 

-Sou a agente Jennifer Jareau, mas meus amigos me chamam de JJ. -Sorri. Ela transmite um carinho imenso, e por um instante lembro da minha mãe. -Estamos aqui pra descobrir o que aconteceu com você, mas é muito importante que nos diga tudo que consiga lembrar, certo? Qualquer detalhe é importante. 

-O que... aconteceu? -Pergunto em uma voz rouca que eu não reconheço. Eles se entreolham e ela abre a boca algumas vezes, pensando no que falar. 

-Você foi encontrada abandonada em uma floresta. Quem fez isso com você provavelmente achou que você estava morta. Temos motivos para acreditar que você foi mantida em cativeiro com mais 5 garotas, e precisamos da sua ajuda para encontrá-las. -O rapaz responde, me fazendo arregalar os olhos. 

-Vocês estão me confundindo com alguém. -Pigarreio, tentando recuperar o controle da minha voz. -Eu estava na aula de piano até ontem. 

-Srta. Bertrand... Você sumiu faz mais de um ano. -A loira diz em um tom condescendente. 

Dou um riso leve, sentindo uma dor insuportável na costela. Isso não pode ser real. Ficamos em silêncio por alguns minutos enquanto eu me recupero da dor. Espero meu pai aparecer e desmentir tudo, falar que foi só um acidente de carro, mas nada acontece. Só o desconfortável silêncio sendo cortado pelos meus gemidos. 

-Meu pai...-Começo a falar, mas não consigo nem ao mesmo terminar a frase. 

-Srta. Bertrand... Seu pai foi notificado, mas infelizmente não pode vê-lo agora. O unsub... Quem fez isso com você -corrige- não sabe que você está viva. Acreditamos que ele seja um conhecido e tememos que ele possa ir atrás de você se descobrir que você sobreviveu, então a manteremos sob nossa proteção por enquanto. Você é nossa melhor chance de achá-lo e de salvar as meninas, mas precisamos que você coopere conosco. Tudo bem? -Assinto com a cabeça e ela sorri levemente, segurando minha mão. -Vamos deixar você descansar agora. Se levanta e me lança um último olhar antes de sair pela porta. O rapaz a segue, hesitando por um momento, como se não quisesse sair. 

Pego o controle da cama e torno a abaixá-la, olhando no teto e sentindo os pensamentos me invadirem como uma enxurrada. Quando vou poder ver meu pai? Por que eu não lembro de nada? Quem são essas garotas? Por fim o cansaço me vence e eu cedo ao sono. 

Quando acordo já é noite, e me sinto melhor. O agente de antes está dormindo sentado na poltrona, então me levanto com o mínimo de barulho possível para não acordá-lo. Uma dor insuportável atinge minha costela e eu tenho que me conter para não gritar. Em passos lentos ando até o banheiro, sentindo o piso gelado nos meus pés. Acendo a luz e quando me olho no espelho levo um susto. 

Meu cabelo preto está pelo menos um palmo mais comprido e eu estou magra como um esqueleto. Meus olhos azuis estão sem vida e rodeados por olheiras tão profundas que parecem mais pretas do que roxas. Meu lábio rachado apresenta um machucado no canto da boca e minha pele está tão branca quando papel. 

Desamarro a camisola fina de hospital e a deixo cair aos meus pés, vendo diversos hematomas espalhados pelo meu corpo. Na área da costela tem uma grande mancha preta, com tons esverdeados, roxos e amarelos. Verifico meu corpo inteiro. Há marcas antigas de cortes nas minhas coxas, além das marcas de amarras nos meus pulsos e tornozelos. Sinto a náusea me invadir e me seguro ao máximo pra não vomitar. Só de pensar no que pode ter acontecido... Sinto nojo de mim mesma. Do meu corpo. Por um momento sinto como se não estivesse mais no controle da minha vida. Como se eu fosse um jogo e tivesse alguém me controlando. 

Pego a camisola e a visto, saindo e encontrando o quarto vazio. Ele não estava mais lá. Aproveito o momento e vago pelos corredores. Não sei como ou quando, mas quando caio por mim estou no terraço. Talvez seja o destino. Talvez eu tenha parado aqui por um motivo. 

Ando calmamente até a beirada sentindo o vento frio da noite no meu corpo. A cidade está iluminada pelas luzes dos prédios, me trazendo uma sensação de serenidade. É um lugar bonito de se estar. Paro na beirada e fico observando o movimento, as luzes, as pessoas. Imagino o que estão fazendo, com o que trabalham, se tem família... 

Meu coração aperta só de lembrar do meu pai e eu mordo os lábios, reprimindo a vontade de chorar. Respiro fundo algumas vezes e fecho os olhos dando mais um passo em direção à beirada.

-Você vai pular? -Pergunta uma voz atrás de mim. Abro os olhos e me viro, encontrando o agente de antes. Dr. Spencer Reid. Ele tem um copo térmico em sua mão, e me olha atentamente. Se eu decidir pular ele não vai conseguir me pegar a tempo, mas parece disposto a tentar. 

-Encontrei cortes nas minhas coxas. -Explico, evitando responder sua pergunta. A verdade é que nem eu mesma sei. -Ele...? -Começo a falar, mas não consigo terminar a frase. 

-Não sabemos. -Responde depois de hesitar por um minuto e eu faço menção de me aproximar mais da beira. -Eu acredito que sim. -Fala rápido, e eu volto para a minha posição. -Sinto muito. 

A sinceridade em sua voz corta como uma faca. Imagino o que pode estar acontecendo com as outras garotas agora mesmo e sinto um arrepio percorrer pela minha espinha. Assinto com a cabeça e olho para o chão, pensando no que falar em seguida, mas só consigo focar no barulho dos carros lá embaixo. 

-E agora? 

-Você vai morar temporariamente com um agente até o acharmos. Iremos te vigiar 24 horas por dia pra garantir que nada vai acontecer com você. 

-Olha pra mim, agente. Já aconteceu. -Sinto a primeira lágrima rolar pelo meu rosto e lentamente ele começa a andar em minha direção, com as mãos levantadas, como se quisesse me acalmar. 

-Tem razão. Agora precisamos da sua ajuda pra garantir que não vai se repetir com outras garotas. 

Aos poucos ele se aproxima, e minha visão começa a ficar embaçada por causa das lágrimas que insistem em rolar pelo meu rosto. Depois de alguns segundos está a apenas alguns passos de mim, e meus pés parecem terem criado raízes no chão. 

-Eu só quero que isso acabe. -Murmuro tão baixo que imagino que ele nem tenha me escutado. Ele então chega perto o suficiente pra me estender a mão, e quando eu faço o mesmo ele me puxa com cuidado pra longe da beirada. Ainda segurando minha mão ele me envolve em seus braços, acariciando meu cabelo enquanto eu choro no seu ombro. 

-Eu sei. -Responde por fim. -Mas nós vamos pegá-lo. 

-Promete? -Levanto o rosto para olhar em seus olhos. Nossos olhares se encontram e ele assente levemente com a cabeça. 

-Prometo. -Diz e eu volto a deitar minha cabeça em seu peito. Sinto um beijo leve no topo da minha cabeça e fecho os olhos. Por um momento eu esqueço toda o caos que minha vida se transformou e me sinto segura. Como se nada pudesse me fazer mal ali em seus braços. Como se nada pudesse me abalar.

 



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