História A Casa da Porta Vermelha - Capítulo 12


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Arya Stark, Daenerys Targaryen, Jon Snow, Olenna Tyrell, Sansa Stark
Tags Asoiaf, Baby Targaryen, Bebê Targaryen, Crianças, Daenerys, Dany, Dragões, Drogon, Filha Daenerys, Fogo, Game Of Thrones, George Martin, Got, Jon, Jon Snow, Princesa, Rainha, Rei, Targaryen
Visualizações 82
Palavras 3.740
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 12 - A Canção da Luz


Fanfic / Fanfiction A Casa da Porta Vermelha - Capítulo 12 - A Canção da Luz

Rhaella já estava dormindo quando chegamos ao seu quarto. Os bracinhos pendurados e a respiração pesada em meu ombro enquanto eu abria a porta denunciavam isso. Estava tudo quieto naquele andar, diferente do barulho dos festejos no grande salão.

Girei a maçaneta e caminhei sem pressa pela aconchegante habitação. Aquele quartinho era o meu lugar favorito em Winterfell, pois me lembrava dos instantes felizes que tive em meio ao caos. Possuía um aroma suave de bebê, como se as paredes e os móveis tivessem guardado a essência dos primeiros meses que Rhaella vivera ali.

Uma lembrança antiga, e que ainda me emocionava, era a de Jon sentado na poltrona daquele quarto com nossa recém-nascida nos braços. Ele estava tão ferido da guerra que seus dedos tremiam e seu sangue manchava o manto dela. Eu me lembrava de seu rosto ao admirar nossa criança, da alegria e do espanto tomando o lugar da dor em seu semblante. Jon havia atravessado um verdadeiro inferno, com milhares de demônios da escuridão, e sobrevivido a tudo para conhecê-la.

— Eu me apaixonei por você de novo naquele dia, Jon... — Pensei enquanto deitava Rhaella na cama — Nossa criança precisava do pai, e eu do meu rei... E você voltou por nós.

O Norte não havia me trazido apenas dias duros. Aquela terra podia ser afetuosa, mesmo fria, assim como o Sul podia ser cruel, mesmo quente. Sansa e Arya eram provas disso, tanto quanto Jon. Eu era grata ao Norte por ter me dado os Starks como minha família.

Depois de trocar as roupas de Rhaella e a cobrir com os cobertores, eu me sentei na cama, olhando para ela. Era a minha estrelinha de prata, a pequena shieraki, como as mulheres dothraki a chamavam. Sorri e suspirei, afastando os fios de cabelo do rosto dela.

— Não sabe como sua chegada ao mundo trouxe luz para seus pais, minha querida.

A guerra havia deixado marcas profundas em Jon e em mim, e a existência de Rhaella era nosso maior alívio. Nós quase sempre sonhávamos com a Longa Noite, com as cenas das guerras, com a escuridão, com os crânios esmagados, com os cadáveres congelados e com os gritos do povo. Sonhávamos com as pessoas que amávamos morrendo e com o sangue delas se derramando sobre a neve. O único motivo de conseguirmos sorrir pela manhã, depois de uma noite inteira de pesadelos, era porque o riso de Rhaella, ao brincar por aqueles corredores, nos despertava para a vida dia após dia.

Em meus sonhos, quando ainda era muito jovem e inocente, eu havia imaginado os filhos que teria, mas nunca um sonho meu havia chegado ao ser humano impressionante que aquela menina era. Ela era surpreendente em tudo que fazia, além de ser um banquete de doçura e alegria para nossas almas destroçadas. Parecia que o Deus da Luz realmente tinha dado a Jon e a mim uma recompensa por toda a dor que a vida havia nos infligido.

— Você me ama como a lua ama as estrelas, mai? — Lembrei que Rhaella havia me questionado um dia, enquanto passeávamos à noite por um dos belos jardins da Fortaleza Branca.

— Olhe para o céu, ohara. — Eu havia sussurrado em seus ouvidos, apontando para cima, para as infinitas constelações naquela noite sem nuvens — Existe mais amor no coração de sua mãe por você do que estrelas nesse céu.

O motivo pelo qual tantas lembranças estavam passando em minha mente naquele instante era óbvio. O que havia acontecido no banquete tinha me despertado diversos temores, e meu desejo era de ir embora de Winterfell imediatamente.

Rhaella havia queimado aquele homem na frente de mais de quinhentas pessoas. A história iria se espalhar, eu tinha certeza disso, mas não tinha certeza sobre quais seriam as consequências.

Apesar da lenda de seu nascimento no Norte, que havia lhe concedido o nome de Dragão da Alvorada, ela ainda era vista apenas como uma garotinha pela maioria das pessoas. Ninguém a considerava uma real ameaça como Bran havia considerado um dia. 

— E se começarem a considerá-la uma ameaça também?

Durante toda minha gestação, Quaithe havia me aparecido em sonhos, com sua máscara de madeira lasqueada e seus sussurros pavorosos. Ela não me deixava dormir tranquila, me enchendo de febre e náuseas.

— Tenha muito cuidado com seus dragões, Daenerys. —  Ela sempre dizia — Dragões são fogo feito carne, e o fogo é poder!

— Meus dragões são adultos. — Eu respondia à ela — Eles podem se defender.

— Nem todos eles! 

Lembro-me de minha criança saltar em meu ventre quando ela disse isso. Desde aquele dia, eu constatei que de mim nasceria um grande dragão, e que eu precisava protegê-lo mais do que todos os outros.

Esse foi um dos motivos de deixar Rhaella confinada em Pedra do Dragão, tão isolada e protegida, que nem os navios conseguiam passar perto da ilha sem que os imaculados e dothraki os afundassem. Eu preferia que meu coração sangrasse de saudade, dia após dia, do que ter a mínima chance de perdê-la ao arrastá-la comigo para terras perigosas.

— Eu sabia que um dia não poderia te esconder mais. — Eu segurei a mão dela, que dormia profundamente, e observei seus dedinhos miúdos, que não me pareciam nada perigosos naquela hora — Como pode haver tanta magia em você? Se é tão pequena ainda. Do que você é feita, minha criança? Será do mesmo material de Drogon, com apenas a casca de menina? Como eu te protejo agora?

Não era a primeira vez que algo assim acontecia. Em Nova Valyria, Rhaella já havia queimado um garotinho pouco mais velho que ela, mas não havia sido nada grave, nem fora visto por centenas de pessoas como naquele banquete em Winterfell. Quando aconteceu, eu sentei Rhaella no meu colo e perguntei sobre o ocorrido. Ela não negou o que fez.

— Zietta ficou irritado porque eu venci ele no combate com as espadas de madeira, mai. — Ela me contava, com sua voz infantil acanhada naquele instante — Ele me empurrou uma vez e, quando tentou de novo, eu segurei o braço dele.

— E então o queimou, não foi? — Completei, erguendo as sobrancelhas e ela encolheu os ombros.

— Ele me deixou muito brava...

Eu havia desviado o olhar dela e respirado fundo enquanto Rhaella seguia se explicando.

— Sempre que fico brava, arde aqui dentro, mamãe — vi, pelo canto do olho, quando ela colocou as duas mãozinhas sobre o coração — e tudo em que eu encosto, queima.

Eu não sabia o que dizer à ela. Preferia mesmo que soubesse se defender, mas ao pensar em Drogon, Viserion e Rhaegal, várias suposições passaram em minha mente. Quando eram filhotes, que pousavam nos meus ombros, eu podia conter a fúria deles. Conforme cresciam, no entanto, isso ficava cada vez mais difícil. E se Rhaella ficasse assim também? Ela poderia ter matado aquela criança se quisesse.

— Mamãe? — Sua voz embargada me trouxe de volta à ela — Está brava comigo?

Quando a encarei, contudo, não vi dragão algum. Vi apenas uma menina assustada, preocupada com o silêncio da mãe. Tinha os olhos marejados, mas não chorava, pois dificilmente se permitia chorar.

— Não, ohara. — Eu a fiz deitar em meu peito, abraçando suas costas — Não estou brava com você. Mas poderia ter feito de outra forma... talvez contado aos guardas dothraki o que Zietta estava fazendo.

— Não, mamãe! — Ela ergueu os olhos, aflita — Aggo iria cortar a mãozinha dele se eu contasse!

— Por que acha isso?

— Os dothraki dizem "se alguém erguer a mão para você, khalakki, será a última vez que terá mãos." — Ela tentou imitar o rosto e a voz feroz dos grandes guerreiros.

— E você não queria que isso acontecesse ao garotinho, não é?

Ela fez que não e eu me peguei sorrindo.

— Você tem um dragãozinho feroz vivendo aqui, — coloquei a palma da mão sobre o peito dela — mas ainda é minha doce menina, não é?

Rhaella me devolveu um sorriso, antes de voltar a se deitar em meu peito.

Não havia como negar que os dothraki seriam mesmo impiedosos com qualquer um que ousasse tocar na filha de sua Khaleesi. Rhaella sabia que poderia usar de sua posição para fazer muito mal ao menino, mas havia escolhido não fazer. Não havia maldade nela. Eu entendia que não. Mas será que outras pessoas entenderiam também?

— Não importa o que povo vá pensar, Dany. — Jon havia me dito naquele mesmo dia — Ninguém machucará Rhaella, não com centenas de dothraki e imaculados ao redor dela, sem contar a meia dúzia de dragões que a seguem para todos os lados.

Eu não tinha certeza disso. Renly Baratheon estava cercado por um exército e Brienne estava ao lado dele, mas mesmo assim uma sombra entrou em sua tenda e o matou. Sempre haveria bruxas, feiticeiros e maegis como a que matou meu filho Rhaego. As pessoas só precisavam de um motivo para desejar a morte de alguém e eu não queria que tivessem nenhum por Rhaella.

Sei que eu havia deixado Jon preocupado naquele dia e que ele ficaria ainda mais se eu lhe dissesse tudo que estava passando pela minha cabeça depois do que houve no banquete, por isso decidi que tentaria me acalmar e pensar friamente. Era bem provável que meus medos não tivessem fundamento, e que minha vontade de voltar para casa estivesse me atrapalhando a raciocinar.

Dei um beijo em Rhaella, apaguei a vela que estava ao lado da cama dela, fechei a porta e fui para o meu quarto. Obviamente não iria dormir naquela noite.

***

Desfiz minhas tranças prateadas, deixando meu longo cabelo livre sobre minhas costas e tomei um banho em água fervente para tentar buscar o sono, o que não adiantou.

Eu estava sozinha, pois Jon havia se oferecido para ir com os homens à procura de Theodor. Não era realmente necessário, mas ele nunca conseguia ficar quieto e deixar outras pessoas encararem os perigos em seu lugar. Era algo que eu admirava em meu marido, mas que também me deixava cheia de angústia.

— Um rei não precisa fazer isso. — Sansa havia dito à ele.

— Mas um irmão precisa. — Jon lhe respondera — Eu volto quando o encontrar e não antes.

Durante toda aquela madrugada eu fiquei sentada na poltrona em frente à lareira, olhando as brasas vermelhas e ouvindo o som dos uivos do vento na noite fria. Não pensava apenas em Rhaella. Estava preocupada com Jon também, pois as horas se passavam e ele não voltava.

— É apenas uma carruagem quebrada na Estrada do Rei. — Eu repetia a mim mesma — Não pense bobagens, Daenerys. Esse não é o mesmo Norte assustador que você conheceu na Longa Noite.

O dia estava quase amanhecendo quando ouvi sons de cavalos e carroças chegando em Winterfell. Me levantei e fui para a janela, sentindo um alívio imenso ao ver Jon à frente dos homens e ao lado de Theodor. Sansa também não parecia ter dormido, pois a vi correr e abraçar o noivo na semi escuridão da madrugada no pátio.

— Está tudo bem. — Eu sussurrei para mim mesma, mas ao colocar a mão no peito, senti meu coração estranhamente acelerado, contrariando o que eu estava dizendo.

Aguardei ansiosa, olhando para a porta, mas Jon estava demorando mais do que era provável. Quando pensei em descer, ele girou a maçaneta de uma só vez, entrando de supetão. Assim que me viu, ele correu em minha direção. Eu me assustei com sua imagem, pois há tempos não o via tão furioso.

— Glenmore tocou em você? — Ele segurou meu rosto — Tocou em Rhaella?

Os dedos dele estavam tensos e frios sobre minha bochecha, e dava para ver a umidade do orvalho em seus cabelos negros.

— Está tudo bem, Jon. — Forcei meu sorriso mais convincente — Dragões sabem se defender.

Ele alisou meus cabelos e abriu um sorriso contrariado. As sobrancelhas ainda estavam tensionadas e seus olhos me estudavam atentamente. Jon me conhecia muito bem para saber que eu não não estava tão tranquila quando queria aparentar.

— Aconteceu mais alguma coisa, Dany? — Ele deixou os dedos descerem por meus braços até segurar minhas mãos — Está tudo bem mesmo?

— Não aconteceu mais nada, está tudo bem.

Jon seguia desconfiado, mas um sorriso surgiu no canto de sua boca.

— Nossa menina torrou mesmo a mão dele?

Eu fiz que sim e ele riu de vez.

— Os homens não falam de outra coisa. — Dizia Jon, com orgulho, sem tirar os olhos dos meus — Onde ela está? Quero vê-la!

— Ela está onde deveríamos estar também à essa hora: na cama! — Comecei a desatar os cordões das vestes dele — Pelos deuses, Jon! Você está gelado!

Depois de se despir e de tomar um banho quente, ele veio para baixo dos cobertores comigo. Nos deitamos frente à frente, e ele foi me contando o que havia acontecido. Foi quando descobri que meus maus pressentimentos tinham razão de ser.

— Allan Glenmore montou uma armadilha para o noivo de Sansa. — Revelou Jon, com seu hálito quente em meus lábios — Foi ele quem avisou que a tia de Theodor havia mandado um recado dizendo que a carruagem havia quebrado.

— Não encontraram a tal tia? 

— Encontramos.

A forma desgostosa como Jon havia pronunciado a palavra me fez entender que alguma coisa terrível havia acontecido.

— O corpo da mulher estava rígido como gelo, Dany, jogado muito longe na Estrada do Rei. — Continuou Jon — Ela estava coberta de facadas da garganta até a virilha.

Um frio apertou meu estômago e me encolhi mais junto dele, sentindo seu braço ao meu redor.

— Como sabe que o mesmo rapaz que me desafiou no banquete está envolvido nisso?

— A Matilha pegou os assassinos. — Explicou Jon — Arya os fez confessar e disseram ter sido pagos por Allan Glenmore.

— Por qual razão ele faria isso?

Jon puxou a respiração com força enquanto acariciava meus ombros.

— Algumas famílias do Norte não concordam com o reinado de Sansa, Dany, muito menos agora com o casamento dela com um bastardo do Sul. — Jon pronunciava a palavra "bastardo" com um peso maior do que outras pessoas — Os lordes mais velhos são honrados e não ousam ir contra a Rainha do Norte, mas alguns filhos, sobrinhos e netos deles, estão se unindo contra ela. Muitos foram mandados para a Muralha, acusados de diversos crimes.

— Então foi por isso que você perguntou à Sansa sobre como estavam as coisas na Muralha.

— Sim. Foi um erro mandar aqueles garotos pra lá. Eles vivem por espalhar boatos entre os patrulheiros e houve muitas fugas de lá. Dizem que Sansa planejou matar Bran para tomar a coroa dele.

— Glenmore acredita que eu tenho parte nisso. — Revelei com certo deboche — Que usei magia negra contra os Starks.

— Não pense mais nele. Glenmore não vai dizer mais nada. 

— Como pode ter certeza?

— Porque eu o executei pouco antes de te encontrar. — Meus olhos se abriram com certo espanto para ele, mas Jon permaneceu calmo, trazendo as mãos aos meus cabelos, afagando-os suavemente — Ninguém toca em minha família, Dany. Ninguém.

***

A cerimônia de casamento ocorreria na noite seguinte, por isso as festividades prosseguiram em Winterfell naquela manhã, mesmo após os últimos acontecimentos.

O lugar estava muito mais cheio de convidados e os servos trabalhavam incansavelmente para deixar tudo preparado.

Aquele castelo nunca havia estado tão bonito, nem tão receptivo. Havia flores da primavera, brancas e azuis, espalhadas em vasos delicados pelos móveis escuros, além de bandeiras e estandartes da casa Stark pelas altas paredes de pedra cinzenta. Até mesmo estes possuíam bordados mais ricos, de um prata inigualável e um negro muito profundo a moldar os grandes lobos gigantes de dentes à mostra. Tudo ali tinha a delicadeza e a intensidade de Sansa.

Jon e eu estávamos cansados por causa da madrugada em claro, mas Rhaella estava acordada e empolgada para ver os músicos que tocavam belas canções no salão. Se não fosse por ela ter nos acordado, falando sem parar sobre os músicos e os bobos de roupas coloridas que tinha visto chegar pela janela do quarto, creio que nem teríamos saído da cama.

Haveria um grande almoço, agora com Theodor e Sansa presentes. Os dois não estavam tão alegres quanto poderiam estar depois da morte da tia dele, mas estavam aliviados pelos assassinos terem sido executados.

Nós três descemos juntos e, como sempre, fomos alvo de vários novos olhares das pessoas que haviam chegado pela manhã.

Jon levava Rhaella pela mão e, assim como eu, parecia notar como algumas pessoas estavam cochichando pelos cantos disfarçadamente. Apenas nossa filha, que estava falante e alegre naquele dia, não estava prestando atenção.

— Vamos ver os músicos agora, papai? — Ela pediu à Jon, dando um pulinho animado que fez seus cachinhos prateados saltarem nos ombros.

Ele disse que sim e Rhaella quase o arrastou pela mão para a porta do salão, andando bem mais rápido do que nós dois.

— Ela gosta mesmo de música... — Ele refletiu — Rhaegar Targaryen também gostava...

Jon estava sorrindo ao dizer isso. Ele parecia começar a nutrir afeição por Rhaegar com o passar dos anos, ainda que nunca fosse considerá-lo seu pai. Isso me deixava feliz, pois eu realmente desejava que ele se sentisse um Targaryen.

Não sei de onde saiu aquela senhora, mas a voz de Rhaella pareceu atraí-la na mesma hora. Ela estava com um longo vestido de seda e tinha os cabelos quase totalmente brancos por causa da idade avançada. Quando ouviu nossa filha, seu olhar foi penetrante e veio direto para nós, bloqueando nosso caminho.

— Tão preciosa... — Ela a olhou de cima a baixo, então se aproximou e ergueu o queixo de Rhaella, analisando-a como quem analisa um animal raro — Traz todos os traços do povo da antiga Valyria, menos esses olhos.

— De fato. — Jon sorriu para a filha e depois para a velha senhora — Esses olhinhos são do Norte.

Rhaella deu um passo para trás e ficou parcialmente escondida atrás de Jon. Seu rosto não estava nada amigável para a idosa.

— Sabe, majestades, não é pelos dragões que os Targaryens não foram extintos, mas por suas crianças. — Disse a senhora de lábios enrugados e olhos fundos, agora olhando para nós dois — Elas são pequenas se comparadas à crianças da mesma idade, seus rostos são tão adoráveis quanto os dos anjos e são dóceis como gatinhos de colo. Só um ser desalmado teria coragem de matá-las e por isso os Targaryens sobrevivem. — Ela voltou a colocar os olhos em Rhaella — Ninguém imagina que esses seres adoráveis se tornam criaturas ferozes e letais quando crescem, não é?

Jon não soube dizer quem era aquela senhora, que sumiu com a mesma velocidade com que apareceu entre a multidão de rostos. Aquela fala mexeu com a angústia que eu havia sentido na noite anterior, mas a alegria de Jon e de Rhaella enquanto as músicas tocavam me ajudaram a esquecer.

Nós três entramos no salão quando já estava bastante cheio e o almoço estava sendo servido. Assim que os músicos nos viram, eles pararam de tocar a música alegre que Rhaella tanto estava gostando. Eles ficaram quietos, olhando para nossa criança e, de repente, começaram a falar alguma coisa entre si e então iniciaram uma nova melodia. Era uma canção forte, poderosa e com um leve toque de melancolia. 

A maioria das pessoas não parecia se atentar à letra, pois estavam rindo, comendo e conversando. Porém, Rhaella sequer piscava. Ela parou no meio do salão e ficou encarando os músicos, como se soubesse que estavam falando com ela. Olhei para Jon e ele não estava surpreso.

— Pode ir vê-los, filhinha. — Ele deu um empurrãozinho nas costas de Rhaella, incentivando-a a atravessar o salão até onde os músicos estavam, enquanto nós dois nos sentávamos à mesa.

— É o que estou pensando? — Me virei para Jon, quando ele se sentou ao meu lado — Fizeram uma canção para Rhaella?

— Há muito tempo, meu amor. Se chama "Canção da Luz".

— Você já sabia?

— Ela é tocada todos os anos, Dany, no Dia da Alvorada. — Explicou Jon com um sorriso — Sempre que nossa filha completa mais um ano de vida, o povo faz uma grande festa durante a madrugada, com muita música, danças e luzes a decorar as praças. Fazem isso até o dia clarear. Eu estive no Norte várias vezes durante esse tempo todo, e vi com meus próprios olhos o quanto eles a adoram.

Eu fiquei sorrindo enquanto Rhaella se distanciava, parando em frente aos músicos, começando a atrair o olhar das pessoas. Eu sabia que muitos nortenhos comemoravam o dia do nascimento dela, mas não imaginava que era algo tão grande. Assim que minha princesa veio ao mundo, a escuridão da Longa Noite se dissipou das terras nortenhas, criando uma lenda no coração daquele povo. Ela era, para eles, a responsável pela luz de cada dia.

— Porque estão tocando essa canção agora, Jon? — Minhas palavras saíram feito um sopro. Eu não conseguia sequer piscar os olhos — Hoje não é o dia do nome dela.

— Porque os nortenhos querem que saibamos que o que houve ontem não representa todo o Norte, Dany. — Senti a mão dele vir sobre a minha por baixo da mesa, então olhei para seu rosto suave — Todos são gratos à você e todos adoram Rhaella. E isso não vai mudar.

Eu me virei para as arpas, olhando para o mogno dos instrumentos, para as cordas que vibravam e para os rostos que formavam o coro de vozes tristonhas que nos transportavam para tantas histórias com suas canções. Aquela que estavam tocando, em particular, contava uma lenda futura, mas também uma lenda presente.

"Acredite, acredite! A nascida do dragão virá..." Dizia a canção "O coração dos guerreiros clamarão por ela, para que expulse a escuridão! Escutai agora, filhos da neve, o grito bravio do pequeno dragão a nascer nesse dia! Orem por sua benção e os mais ferozes inimigos fugirão ao ver suas asas de luz! Acredite, acredite! A nascida do dragão virá..."


Notas Finais


Gente, eu acho que a autora aqui tá quebrando haha (rindo pra não chorar). Não to conseguindo escrever com facilidade como antes. Foi quase um parto terminar esse capítulo. Que R'hllor me ilumine, eu to bem não.

Essa canção foi inspirada na música "The Dragonborn Comes" que eu até adicionei na fanfic anterior, pois eu acho que combina muito com a Rhaella. Tem um clipe com a Daenerys e os dragões com essa música de fundo no youtube. Queria adicionar aqui, mas não dá, só deu no wattpad.


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