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História A Casa da Porta Vermelha - Capítulo 18


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Capítulo 18 - Clã Glimoirie


Fanfic / Fanfiction A Casa da Porta Vermelha - Capítulo 18 - Clã Glimoirie

Algo dentro de mim se incendiou quando pensei em lutar outra vez. Um dragão não pode conter suas chamas e seu espírito de guerra. Viver pacificamente não é nossa forma de viver. Fugir não é uma opção, sobretudo quando nos confrontam.

Graças à Sansa, que ficou cuidando de Rhaella, Jon e eu conseguimos trocar as roupas sujas e nos banhar com um pouco de tranquilidade. Ele estava ansioso para ver a filha, e eu sabia disso pois não parava de me fazer perguntas.

— Você viu se algo a feriu, Dany? Alguma sombra tocou nela? — Jon vestia a túnica com tamanha ansiedade que os cordões não entravam nas casas.

Estávamos no quarto e eu me penteava em frente ao espelho. Meus dedos também tremiam pela exaustão do meu corpo.

— O que a feriu foi o medo, Jon. — Eu respondi, olhando para o espelho que refletia as marcas arroxeadas de dedos em meu pescoço — Nós sabemos o que é isso.

Parei por um instante, já sentindo a ansiedade tomar conta de mim de novo. Meus cabelos estavam úmidos e a sensação do banho e das roupas limpas no corpo me enchia de sono, mas eu não conseguiria dormir. Precisava ver Rhaella, trazê-la para junto de mim e de Jon.

— Preciso falar com os homens. — Jon anunciou, para minha surpresa — Temos que proteger o castelo.

Ouvir isso me deixou zangada. Como ele sairia naquele momento? Nós precisávamos nos proteger primeiro, pensar antes de agir. Em vez de discutir com ele, eu me levantei e fui em sua direção. Parei à sua frente, mas Jon não parecia prestar atenção à minha presença.

— Você não tem que ir.

— Claro que tenho. Não podemos baixar a guarda, temos que agir. — Ele ainda tentava trançar os cordões, falhando a todo momento.

— Não, não temos. — Me aproximei, segurei seus dedos com paciência e o fiz parar — Sansa é a Rainha do Norte, Jon. Não deve subestimá-la, tomando decisões por ela.  Quero que fique bem aqui e deixe sua irmã reinar. Quero que deite ao meu lado e de Rhaella, e nos ajude a dormir.

— Dany... — O jeito como pronunciou meu nome e a forma como me olhou, me diziam que ele queria que eu lhe pedisse qualquer coisa, menos aquilo. Jon não sabia ficar parado, muito menos quando algo ameaçava àqueles que ele amava.

— Não estou voltando atrás no que disse sobre atacar os inimigos. — Comecei a amarrar os cordões para ele, depois ajeitei as mangas nos punhos e beijei seus dedos calejados, vendo as veias grossas e agitadas em suas mãos — Nós iremos lutar, mas antes precisamos descansar e ficar juntos. Rhaella é uma criança, Jon, ela não entende de guerras, nem de tudo que nós já vivemos. Ela precisa de nossa proteção antes de tudo.

Jon havia parado, me admirando enquanto cuidava dele. Quando olhei em seu rosto, havia um pouco mais de calma e também de ternura. Ele me puxou para o peito, me abraçando forte e respirando fundo em meu pescoço. Aquele abraço tão envolvente e firme era conhecido de outros tempos, quando as coisas desandavam em nossas vidas e precisávamos sentir que tínhamos um ao outro.

— Está certo. — Ele concordou, me soltando — Mas sei que não vou conseguir dormir.

— Eu também não, mas agora não é você e eu que importamos.

— Eu sei. — Ele segurou minha mão — Vem, vamos vê-la, ou eu vou enlouquecer.

Ele me puxou para o corredor. Estava ansioso demais. Quando abrimos a porta, vimos que o lugar estava repleto de imaculados. Eles estavam guardando cada parte de Winterfell, sobretudo o quarto de Rhaella. Todo o castelo começava a se movimentar como uma grande engenhoca naquela madrugada, preparando as defesas. Meus homens estavam mais furiosos do que nunca.

Entramos no quarto de Rhaella, que ficava em frente ao nosso. Ela estava na cama, de banho tomado, vestida e penteada. Segurava na mão uma tigela e comia em silêncio, olhando apenas para a sopa. Sansa estava sentada ao seu lado e era comum que eu sempre me deparasse com as duas tagarelando, pois se davam muito bem, mas não era assim naquele momento.

— Ela não disse uma palavra. — Sansa se levantou e veio até nós.

— Eu vou falar com ela. — Jon nos deixou e foi até a cama de Rhaella, sentando-se à sua frente.

Sansa e eu fomos para mais perto da porta, falando baixo para que ninguém ouvisse. Contei tudo que havia acontecido à ela enquanto Jon tentava inutilmente fazer nossa criança falar. Sansa me ouviu com os olhos esbugalhados, mas não parecia surpresa. Parecia, em vez disso, estar unindo as informações que eu lhe dava à outras que já trazia em sua mente.

— Há algo a mais que você sabe, não é? — Eu a acuei — Preciso que me diga.

— Creio que agora não é o momento.

— Eu quase perdi minha filha. Como não é o momento?

Sansa respirou fundo, cansada e sem vontade de discutir.

— Enquanto vocês estavam fora, eu consegui que alguns aldeões falassem. — Contou Sansa — Eles estavam com medo, mas acabaram confessando o que sabiam.

— E?

— Olhe isso. — Ela tirou uma medalha do bolso. Era de ferro negro, do tamanho da palma da mão dela e tinha o mesmo desenho de uma mulher com cabeça de cabra amamentando dois bebês — Um dos aldeões disse ter encontrado isso na floresta à noroeste da Estrada do Rei.

— Conhece esse símbolo?

— É a Molithea, a que muitos chamam de Matre. Dizem que era uma mulher-cabra que roubava crianças das vilas e os amamentava na floresta. De seus seios saía sangue em vez de leite. Os bebês que ela roubava cresciam e se tornavam feiticeiros. Eles continuavam se alimentando apenas de sangue na vida adulta. Eram chamados de Clã Glimoirie.

Olhei para Sansa com desconfiança.

— Essa história é real?

— O Clã Glimoirie sempre foi apenas uma lenda. — Ela falou baixo, um tanto temerosa de ser ouvida — Meu pai havia falado deles quando eu era criança. Dizia que havia pessoas que gostavam do ocultismo no Norte quando ele era menino, pessoas que bebiam sangue e comiam carne humana. Mas eram apenas histórias para assustar crianças, para fazer com que não ficassem até tarde brincando fora de casa. Era o mesmo que ouvir a Velha Ama nos contar sobre os Outros.

— Mas os Outros são reais.

— E o Clã Glimoirie também deve ser. — Concluiu Sansa, com o pensamento distante — Eles tinham tudo planejado, viriam até meu casamento, se infiltrariam e começariam a nos aterrorizar.

— Se eles tem todo esse poder, poderiam ter nos matado. Porque acha que não fizeram isso?

— Eles não querem nos matar, Daenerys. Eles querem jogar com a gente. Porque acha que levaram Rhaella? Foi para nos humilhar, para mostrar que nem você, nem eu, nem Jon e nem Theodor somos capazes de proteger nossa família. — Ela riu com amargura — Imagine, uma velha entrando no coração de uma fortaleza como essa e sequestrado uma princesa da idade de Rhaella. Logo todos ficarão sabendo e nos acharão fracos. Como não conseguimos protegê-la? Todos se perguntarão isso.

Minha garganta formou um nó. Como eu não consegui protegê-la?

— Se acredita que é isso que eles querem, então não darão as caras para nos enfrentar.

— Não. — Admitiu Sansa — Eles nunca irão com soldados para um campo de batalha, nunca enfrentarão seus dragões. Você me contou que houve uma luta e que morreram soldados inimigos, não é?

— Eu vi os cadáveres ao sair do esconderijo com Jon e Rhaella.

— Provavelmente eram garotos, como aquele que enfrentou você no banquete, se recorda? Esse clã pega sempre os garotos mais revoltados, aqueles que são fáceis de meter ideias na cabeça contra o poder dominante. Os comandantes os mandam para a morte enquanto ficam escondidos. São covardes que vivem à sombra do ocultismo que praticam.

— E o que eles querem, afinal?

— Imagino que seja vingança pelo que fiz. — Ela baixou os olhos para a medalha em suas mãos — Eu matei meu irmão, eu zombei da fé nos deuses antigos e tornei um bastardo o meu rei consorte. Eles não irão me tirar do trono, pois não tem exércitos para isso, mas querem tornar meu reinado infernal. Isso eles podem fazer.

Observei a apreensão e a dureza na voz de Sansa. Ela teria sua primeira provação como Rainha do Norte e parecia temerosa, mas concentrada apesar de tudo. Talvez sua mansidão parecesse fraqueza para muitos, mas ela era ardilosa e avaliaria o terreno antes de atacar.

— Crê que atacarão Winterfell de novo pelas sombras? — Perguntei.

— Não descarto a possibilidade. Eles são como fantasmas que se esgueiram entre nós. Eles podem estar agora aqui dentro, mas não sabemos o que vão fazer. Por isso estou mandando todos os hóspedes irem embora o mais rápido possível. Muitos estão pensando que é uma grosseria de minha parte, mas não tenho escolha. Infelizmente Winterfell é imensa, sobretudo a parte das criptas. É muito fácil se esconder por lá. Nem os soldados conhecem bem a parte subterrânea do castelo. Os Glimoirie podem encontrar formas de estar perto de nós. Eles querem que tenhamos medo.

"E estão conseguindo." Pensei, olhando para Jon e Rhaella naquele quarto escuro. Só de pensar em algo acontecendo à eles, as batidas no meu peito se tornavam mais fortes.

— Preciso que me ajude. — Sansa colocou a mão sobre meu braço — Não deixe Jon sair hoje. Ele não me ouve, mas sei que vai ouvir você.

— Qual a razão disso?

— Eles estavam usando Jon antes, eu não sei como, mas isso não pode acontecer de novo. Ainda não sabemos onde está o inimigo e qual será a próxima jogada.

— E o que você vai fazer nesse tempo?

— Reforçar a proteção, cercar tudo e nos manter à salvo. Você e Jon tem uma filha pequena, Samwell Tarly tem um filho pequeno e eu... minha criança ainda nem nasceu. — Ela pôs a mão sobre o ventre — Precisamos garantir a segurança delas antes de tudo.

Vi em seus olhos a mesma preocupação que havia em mim desde que engravidei. É a partir desse momento que nos tornamos mais prudentes em nossas decisões, pois não amamos nossa vida do mesmo jeito que amamos a vida de um filho.

— Bom, por enquanto não há como atacar, pois não vemos os inimigos. — Eu disse — Mas não vai adiantar apenas esperar.

— Não vamos. Theodor logo retornará com mais informações dos vilarejos e Arya disse que a Matilha tem pistas de onde fica a floresta em que o clã se reúne. Nós vamos descobrir onde se escondem, e então teremos uma chance de destruí-los. Mas até lá, teremos de ficar juntos e vigilantes. 

Olhei outra vez para Jon, sentado na cama de Rhaella, que continuava muda apesar das tentativas do pai de fazê-la rir.

— Ele me prometeu ficar hoje, mas está aflito para ajudar. — Respondi.

— Preciso ser sincera, Daenerys. Eu amo Rhaella desde o dia em que nasceu, mas por mais que eu coloque todos os soldados nortenhos para cuidar dela, não acredito que estará à salvo se você e Jon não estiverem aqui. O clã Glimoirie parece ter um interesse especial nela. Foi uma provocação, mas há algo mais, eu sinto que tem.

Eu realmente não queria falar disso naquele momento. Apenas Jon e eu suspeitávamos do que queriam com Rhaella, e eu torcia para estarmos errados.

— Bem, Jon e eu estamos no seu reino, então acataremos o que ordenar. — Garanti à Sansa — Mas, quando for a hora, não se esqueça de que também estaremos ao seu lado para lutar pelo Norte.

Sansa sorriu.

— Nunca pensei o contrário.

Quando Sansa saiu, eu fui até Jon e Rhaella. Ela havia terminado de comer, mas continuava olhando para a tigela e mexendo a colher de um lado e outro. Seus olhos estavam morteiros e parecia com muito sono, mas, como nós, ela também não estava conseguindo dormir.

— Vem, deixe isso. — Peguei a tigela de suas mãos e coloquei na cômoda ao lado — Você está se sentindo mal? — Coloquei a mão em sua testa. Era impossível para mim não ficar checando se ela estava com febre toda vez que ficava tão calada. 

— A vossa mãe lhe fez uma pergunta. — Jon falou sério com ela — Também não vai responder à ela, como não respondeu a mim?

Rhaella continuou de cabeça baixa. Os cabelos soltos, que agora estavam luminosos e desembaraçados, cobriam suas bochechas. Ela estava fazendo uma cortina com eles para não nos olhar.

— Bem, Dany, acho melhor deixarmos ela sozinha.

Quando Jon disse isso eu o olhei assustada. Porém, bastou uma erguida de sobrancelha dele para que eu entendesse seu propósito.

— Ah, tudo bem. — Suspirei, resignada — Vamos apagar as velas e fechar a porta. Rhaella parece que quer ficar sozinha.

— No escuro e longe de nós.

— É uma pena que não quer dormir com a gente, meu amor. — Dei um beijo em sua testa e fingi não me importar.

Jon e eu nos levantamos e demos às costas a ela. Quando estávamos chegando perto da porta, nós dois estávamos prontos para voltar e tentar falar com Rhaella outra vez, mas ouvimos a respiração dela ficar mais rápida e angustiada. Logo veio um barulho de pezinhos correndo pelas lajes de pedra.

Me virei na hora em que Rhaella veio com tudo e agarrou as pernas de Jon. Estava apavorada, mesmo que continuasse zangada. Ele a pegou no colo e ela o abraçou com força. 

— Que bom que mudou de ideia. — Jon saiu com ela para o corredor e eu fui atrás, segurando meu coração na mão ao ver o rostinho assustado de Rhaella no ombro do pai — Porque se não quisesse vir, sua mãe e eu iríamos ter que dormir na sua cama com você. 

Quando entramos e eu tranquei a porta do nosso quarto, ouvi a voz dela, baixinha.

— Mas não ia caber...

— Ah, então você fala, dragãozinho? — Jon brincou ao colocá-la na cama, mas Rhaella fugiu de responder. Engatinhou, ligeira como um gato, e se enfiou sob os cobertores. Exaustos, Jon e eu nem tentamos mais nada, apenas sopramos as velas, fechamos as cortinas e também fomos para a cama.

Meu corpo relaxou instantaneamente quando minha cabeça pousou no travesseiro e eu senti o calor de minha criança ao meu lado. Foi quando a tranquilidade realmente desceu sobre mim.

Rhaella ficou quietinha, olhando para cima, com uma das mãos no rosto, como uma senhora pensativa. Na semi escuridão, apenas conseguia ver a sombra de seu rosto, mas sabia que estava acordada, pois dava para ver seus cílios se moverem.

Me apoiei no cotovelo, ergui minha cabeça e vi Jon do outro lado. Também estava acordado. Quando nos olhamos, ainda que quase não pudéssemos nos ver, entramos em um um mesmo acordo silencioso. Nos nos aproximando de Rhaella e antes que ela entendesse o que estávamos fazendo, partimos para cima dela, um ataque de carinho e de cócegas. Ela resistiu alguns segundos, mas logo aquela gargalhada deliciosa começou a soar. Não havia melhor som no mundo do que o riso dela. Eu me senti renovada ao ouvir.

Após alguns segundos, nós paramos, quase sem fôlego, mas estávamos, nós três, com enormes sorrisos. Rhaella ainda assim não havia falado mais nada, mas não importava. Jon e puxou para junto do peito e ela fechou os olhos, aceitando o colo dele, para o meu alívio. Fui para mais perto, colocando meu braço ao redor de Jon e ele fez o mesmo em mim.

— Vem. — Ele sussurrou e ergueu a cabeça para perto da minha, pedindo um beijo antes de dormir. Eu lhe beijei entre sorrisos e voltei ao travesseiro, respirando com leveza.

Com aquele abraço formando uma rede de proteção para o nosso pequeno dragão, eu finalmente comecei a sentir que conseguiria dormir. Ainda estava sentindo a garganta doer por causa do ataque que havia sofrido e me sentia acelerada, apavorada por toda aquela procura louca por Rhaella. Porém, eu poderia me acalmar sempre que estivesse com minha família.

Jon não estava melhor do que eu. Há tempos não o via tão ferido. Sabia que algo nele ainda estava fora do lugar, que não tinha total controle dos pensamentos e do que sentia. Mas olhando Rhaella abraçada à ele, e vendo o rosto de Jon tão calmo perto do dela, eu sabia que voltaria ao normal. Nenhuma magia vencia o poder de fogo que havia no coração daquela criança. Rhaella arrancaria qualquer mal que estivesse nele, e faria isso dormindo, sendo apenas ela, sem nem perceber que o fazia.

Não sei em que momento dormi, mas sei que foi depois deles. Passei um tempo a mais pensando, aproveitando o momento e me preocupando ao mesmo tempo. Qualquer barulho eu pensava ser alguém entrando, pensava ser algum ataque, alguma magia e então meu corpo se arrepiava.

Qualquer vento que rondasse meus ouvidos eu me lembrava das sombras, me lembrava de não conseguir me mover. E se estivessem as criptas? Talvez estivessem do lado de fora do nosso quarto, disfarçados como um dos imaculados. Poderiam estar até mesmo em nosso quarto, escondidos nas sombras dos armários, debaixo da cama ou nos olhando dormir... Rindo de nossa falsa segurança.

Não sei mesmo em que momento dormi. Passei a noite sonhando, revivendo todo aquele dia estranho. Havia algo que eu estava deixando passar? Será que Sansa estava certa sobre o que havia descoberto? E Jon? Havia verdade no que ele desconfiava? Meus sonhos eram apenas peças de um quebra cabeça confuso que eu não conseguia montar.

— Não, mamãe, não vá embora... — Uma voz chorosa soou em minha mente, uma voz de criança. Eu estava sonhando ainda?

Procurei na escuridão, na desordem dos meus pesadelos, mas não consegui encontrar nada. Comecei a descansar de novo, a apagar todas as ideias em um sono pesado, mas então ouvi outra vez a voz, aquele chorinho distante.

— Muña... Volta...

Era Rhaella! Abri os olhos de uma só vez. Olhei em volta e não havia nada, o quarto estava tranquilo e Jon seguia dormindo. Ninguém tinha o sono mais pesado em todo o mundo. Então Rhaella resmungou entre nós dois e vi que não estava sonhando.

— Não, mamãe, não faz isso...

Me aconcheguei à ela.

— Tudo bem, amor. Eu estou aqui.

— Não vai com eles. — Ela continuava a falar de olhos fechados — Não vai com as sombras. Por que está indo com as sombras, mamãe? — Ela se remexeu, com o rosto tenso, querendo chorar — Dreamfyre, vem, vem cá... As sombras estão aqui... A mamãe... A mamãe tá indo embora...

Pelo jeito, Rhaella estava sonhando com aquele momento em que estávamos no esconderijo, mas eu não estava entendendo. Eu não me lembrava daquilo. Ela provavelmente estava tendo um pesadelo, imaginando coisas.

— Shhh... — Afaguei seus bracinhos e falei em seu ouvido — Mamãe está aqui com você, não tenha medo.

Muña

Ela finalmente tinha me ouvido.

— Sim, estou aqui, ohara.

— Não vai mais embora?

— Não, não vou nunca.

— Cadê você? Dreamfyre?... Vem... A mamãe me deixou sozinha...

Fiquei bem junto dela, afagando suas costas, passando a mão em seus cabelos e vendo seu rosto fazer as mais angustiantes expressões. Fiquei tentando conter aquele pesadelo, já que ela não acordava. Dormia tanto quanto o pai.

— Dreamfyre... Vem... Muña foi com eles... Ela foi...

Não demorou muito para ela parar de repetir essas frases. Logo o pesadelo se dissipou e ela voltou a dormir tranquila. Porém, depois disso, quem não conseguiu mais ficar tranquila fui eu.

— Me desculpe... — Falei enquanto ela dormia.

Fiquei sentindo o aroma flutado e cítrico de seus cabelos recém-lavados com os sabonetes que as aias faziam. Permaneci passando os dedos pelos fios macios, olhando para sua nuca no escuro. Não conseguia parar de pensar e quanto mais pensava, mais me lembrava.

Aquele sonho dela me fez entender Jon. Ele havia apagado cenas de sua mente e eu havia me dado conta de que o mesmo me aconteceu. Eu pensei ter caído no chão e ficado paralisada quando aquela sombra pulou sobre meu pescoço quando estávamos no esconderijo. Pensei ter ficado assim até Rhaella se debruçar sobre mim e me fazer acordar, mas... não... as coisas não haviam acontecido desse jeito. Eu havia apagado uma parte do que realmente aconteceu. Uma parte muito importante.


Notas Finais


Até Jon e Daenerys ficarão em casa hoje, então fiquem também. Infelizmente eu não estou de quarentena durante a semana, tenho que sair para trabalhar, se não eu até teria tempo pra postar mais. Mas se vocês puderem, fiquem em casa, cuidem-se, ok? ❤


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