História A casa de Greenwich - Capítulo 4


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Categorias Lendas Urbanas
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescentes, Assassinatos, Assombração, Espíritos, História, Mistério, Romance, Sobrenatural, Sobrevivencia, Suspense, Terror
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Palavras 2.468
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 4 - A casa dos suicídios


Fanfic / Fanfiction A casa de Greenwich - Capítulo 4 - A casa dos suicídios

Meus olhos começaram a abrir, minha visão ainda estava meio distorcida porque eu tinha acabado de acordar. Pude ver que ja havia amanhecido e que todos estavam ali, as meninas deitadas nos sofás e os meninos fizeram uma especie de colchão com os casacos e roupas e dormiram em cima disso. Eu continuei na mesma posição que eu apaguei ontem, pensando se aquilo realmente tinha acontecido ou se eu estava ficando louca. Não consegui parar de pensar naquela  "visão" que tive na fogueira e no Danton que  ficou da mesma forma que eles me descreveram, de qualquer jeito não posso tomar decisões precipitadas. Não demorou muito e todos começaram a acordar:

- Bom dia - Sabrinie foi a primeira a falar.

- Ou o que era pra ser um bom dia - O dia ia ser longo com o bom humor da Betty.

- Só eu que to morrendo de fome?

- Não Rick, todos nós estamos. - O rosto do Chris era tão meigo quando acabava de acordar, aquela cara amassada de travesseiro, parecia um ursinho.

Eu levantei meio desorientada e dobrei o casaco que estava em cima de mim e coloquei no sofá, sem falar nada pra ninguém peguei a minha bolsa e entrei no banheiro do lado da escada, pelo silêncio,  senti que todos ficaram olhando pra mim até eu fechar a porta.

Me olhei no espelho e me vi com a cara ainda inchada, meu cabelo estava um ninho, as olheiras ja estavam começando a aparecer, só conseguia pensar em quanto tempo faltava pra mim dormir na minha cama novamente.

Abri a torneira e ainda havia um pouco de água, fiquei aliviada que conseguiria ao menos me lavar depois de suar tanto na noite passada. Tirei minha blusa, meu short e fiquei apenas com as roupas íntimas. Molhei meus braços, pernas, pescoço, mas não confiei tanto naquela água pra lavar o rosto. Me sequei com uma toalha que tinha levado, depois usei um enxaguante bucal que levei e foi a minha salvação. Coloquei um vestido amarelo, uma jaqueta jeans e meu coturno marrom. Fiz um coque e sai do banheiro.

Quando eu sai e as meninas também estavam descendo as escadas já arrumadas, os garotos na sala terminando de abotoar as camisas e colocar os sapatos.

- Pegaram tudo? - Rick ja estava com uma camera pendurada no pescoço e os outros com tudo o que precisavam.

A única camera que eu levei era a que eu tinha em casa, era uma polaroid, a algum tempo atrás eu tinha decidido que queria ser fotógrafa e meus pais me deram de aniversário, usei por algumas semanas e depois desisti.

Quando saímos da casa a luz me cegou por alguns segundos e depois disso, todas as pessoas que passavam pela calçada olhavam para nós com um semblante assustado, meu dia não poderia começar melhor.

- Vamos nos separar, vai ser mais rápido. - Rick esqueceu que só ele e o Danton sabiam andar por ali.

- Eu vou com você. - A resposta mais óbvia que a Betty poderia dar.

Sem pensar muito nos separamos em: Rick e Betty, Chris e Dan e eu e Sabrinie.

Andamos um pouco até chegar nas ruas principais, achei estranho Sa não falar nada, logo ela que é a pessoa mais tagarela que eu conheço:

- Você ta bem?

- To Lis, é só que dormi bem pouco essa noite.

- Foram dormir tarde?

- Até que não,  não demoramos muito pra entrar depois que você e o Dan entraram, questão de 5 minutos depois.

Quando ela disse isso fiquei pensando se ela não calculou o tempo certo ou se eu não senti o tempo passar quando aconteceu aquilo com o Danton.

- Como eu estava quando você chegou?

- Dormindo igual uma pedra.

- E o Danton?

- Ele estava mexendo no celular, mas com os olhos quase fechando.

Isso bateu com a ultima cena que eu vi antes de apagar.

- E porque você não dormiu?

- Você não vai gostar... - Olhei pra e pelo meu olhar ela ja entendeu que eu queria saber de qualquer jeito. - Tudo bem... É como se... A Angela tivesse tomado conta dos meus pensamentos...

- Como assim?

- Minha consciência pesou muito ontem, você não era a única proxima dela sabe... Eu e a Angela sentavamos juntas aulas de Música... Nós duas tocavamos flauta, iamos na casa uma da outra para ensaiar, depois de um tempo até viramos líderes de torcida e um dia nós paramos de se falar.

- Por que?

- Porque nós duas eramos interessadas no mesmo cara... Ela não sabia disso mas...

- Mas o que Sabrinie?

- Ela falava dele pra mim, e eu nunca disse que sentia a mesma coisa por ele... Ela e esse garoto começaram um relacionamento e numa festa da escola eu fiquei bêbada e...eu...nós...você sabe...

- Você ficou com ele...

- Com... Como você sabe?

- Ela me contou que uma amiga uma vez saiu com o namorado dela, ela flagrou vocês dois... Você sabe que por conta disso ela entrou em depressão né?

- Ela sumiu da escola por dias, apareceu depois disso tomando remédios,  eu lembro mas não sabia o motivo.

- Acho que agora é tarde para sentir muito...

Seguimos o resto do caminho em silêncio, e eu estava impactada, minha melhor amiga, traiu a minha outra melhor amiga. Fiquei pensando no tal cara que ela comentou e pensei no Danton, achei bem improvável, mas eu lembro de ver as duas juntas em um jogo que eu fui. Elas eram o tipo de amigas que todo mundo invejava, faziam tudo juntas, quando chegavam na escola eram o centro das atenções. Depois do que aconteceu com Angela, Sabrinie perdeu o seu brilho. Saiu do time e começou a frequentar o clube de culinária... Foi onde nós nos conhecemos a alguns meses depois do que aconteceu com Angel.

Chegamos finalmente na rua que estávamos procurando, ela pegou a camera e saiu fotografando tudo enquanto eu sentei em um canto com um caderno e comecei a analisar: Pessoas encostadas em árvores esperando alguém como se fosse um ponto de encontro, senhoras regando as flores da frente da loja para continuarem vivas e coloridas, cachorros usando seu banheiro natural, e claro alguns porcos jogando embalagens de comida. Fiz mais algumas anotações e quando procurei pela Sabrinie ela ja estava lá do outro lado da rua, fotografando cada matinho que ela encontrava. Minha barriga ja estava pedindo ajuda de tanta fome, vi que na outra esquina tinha uma conveniência e abandonei meu posto por alguns minutos.

Antes de entrar, parei em frente a porta da loja e abri minha carteira, eu tinha 12 dólares e algumas moedas. Pensei que se lá no começo juntassemos nossos trocados iriamos conseguir pagar um quarto em algum lugar, mas ai lembrei que estamos em seis e que iria ser desvantajoso porque mesmo que conseguissemos um quarto, por uma noite que seja, não teria camas o suficiente.

Eu entrei e a caixa me notou ali por conta do sininho da porta:

- Bom dia, posso ajudar em algo que procura?

- Só água e alguma coisa pra matar a fome.

- No terceiro corredor temos alguns biscoitos, barrinhas, salgadinhos e no último ficam as bebidas.

- Obrigada - Ela era tão simpática, sorria como se aquele fosse o  emprego dos sonhos, lá onde eu moro tem um senhor que não tira os olhos do jornal, se alguém quiser roubar alguma coisa ele nem daria conta de tão desinteressado.

Peguei uns cookies, e algumas barrinhas de cereais, me perdi um pouco e achei as bebidas, peguei uma garrafa de água e uma limonada.

Quando estava voltando passei por um corredor e o Rick estava lá comprando algumas velas, foi o único que pensou em iluminar aquela casa escura, eu até pensei em ignora-lo mas não consegui:

- Porque não pensei nisso... - Ele se assustou um pouco porque cheguei de surpresa mas logo sorriu pra mim.

- E porque eu não pensei nisso?  - Ele apontou pro meu colo que estava cheio de comida.

- Já terminou o que tinha que fazer?

- A Betty quer fazer tudo sozinha como sempre, acha que só ela sabe fazer as coisas... - Ele disse isso com um ar meio ignorante, não parecia que ele estava falando da namorada dele.

- Mas que namorado gentil...

Ele soltou uma risada debochada:

- Namorado? Não... - Ele viu minha cara de confusa tentando entender o que ele estava falando.

- Nós não namoramos Lisa, Betty me pegou em um momento de fraqueza, de luto, antes disso eu nem sabia o nome dela.

- E porque você continua com ela?

- Porque ela continua comigo, em todo canto... - Começamos a andar em direção ao caixa.

- Sem querer ofender mas a Angel ja sabia que isso iria acontecer... Entre você e a Betty... - Não sei se era muito confiável contar isso para o Rick mas eu não me importei.

- Como assim?

- Ela dizia que Bettany nunca foi amiga dela, era só uma caipira do interior que tentava ser uma garota da cidade, não importa como.

- Você também tem pensado nela? Na Angel? Pensei nela na noite passada.

Nessa hora eu pensei ah mas não é possível, mas antes que eu respondesse ele continuou:

- Nossos pais estavam em processo de divórcio, e a Angel não estava muito estável por conta dos remédios que estava tomando, ela não comia, não saia de casa... Até que ela veio falar comigo no meu quarto...

- O que ela disse? 

- Ela pedia pra mim não ir pro colégio e ficar com ela em casa, que ela precisava conversar, mas eu dizia pra ela parar de drama porque ela nunca agiu daquele jeito, e que meus amigos precisavam de mim na escola porque o time dependia de mim... Toda vez que eu lembro disso eu sinto raiva do quão babaca eu fui...

Realmente ele tinha sido um, eu não respondia nada o que ele dizia, fiquei pensando em como o Danton, a Sabrinie e agora o Rick, estavam moldando uma nova Angela.

Chegamos ao caixa e a moça perguntou:

- Vocês tem cadastro aqui? Temos bons descontos hoje.

- Não, nós não somos daqui, estamos de viagem.  - Rick respondeu por nós dois.

- Estão gostando da estadia aqui?

- A cidade é bem agradável mas saímos tão rápido da nossa cidade que não trouxemos dinheiro para ficar em nenhuma pousada e estamos em uma casa...

- Desculpe a curiosidade, mas que casa?

- Não sei explicar...

- Ela fica na rua 5?

Paramos um pouco para pensar e contar as ruas depois percebemos que era sim a rua 5 e concordámos com a cabeça. A expressão do rosto da atendente mudou completamente.

- Vocês nunca ouviram falar daquela casa?

- Não, porque ouviriamos? - Quando Rick respondeu isso ela deu uma longa respirada e disse:

- Saiam de lá o mais rapido possível!

- Você não está sendo clara.

Ela tirou de baixo da bancada um monte de jornais antigos e começou a folhear um por um:

- Leiam:

" 08/06/1997

Jovem é encontrada morta por volta das 3h16 da manhã de hoje, a perícia não deu detalhes mas tudo índica suicidio"

"17/09/2000

Corpos são encontrado em casa de Greenwich por volta da madrugada de ontem, as vitimas são jovens de 17 a 20 anos, enforcadas, o que indica suicídio"

"28/03/2002

Após um ano de sossego, mais uma vítima do suicídio é encontrada na rua 05 em Greenwich. A casa foi permanentemente trancada com data para demolição e quem se atrever a querer entrar lá será sentenciado a 3 meses de prisão."

"04/09/2002

Os homens que foram até a casa da rua 05 com ordem para demoli-la, foram encontrados mortos pela manhã. "

" 22/11/2005

Mulher é encontrada a beira da morte na rua Greenwich, hoje ela se encontra em um hospital psiquiátrico sem previsão para sair. A mulher relata que teve a opção de se auto mutilar e que era a única forma de acabar com as vozes."

"02/02/2008

O prefeito junto com a policia de Greenwich proibiu que qualquer meio de noticia sobre casos de suicidio na casa da rua 05 seja vazado. A unica coisa que podemos revelar são que os casos continuam acontecendo e nenhum com solução. "

- Que reconfortante, se nós morrermos ninguém vai saber.

- Nenhum caso foi resolvido? - Rick perguntou.

- Não,  em todos os casos não há vestígios de outras pessoas na casa,  só as da vitimas encontradas.

Pagamos nossas coisas e saimos de lá sem nem dar satisfação para a moça do caixa.

- Precisamos ir embora daqui Lisa! - Rickon pegou a minha mão e me levou a caminho da casa enquanto ligava para os outros mandando irem para lá tambem.

Chegamos e todos ja estavam lá na frente.

- O que deu em você Rick? - Danton parecia bem inquieto.

- Essa casa faz você se matar! Peguem suas coisas e vamos embora desse lugar.

- Ah ta bom... - Betty riu, além de me olhar feio quando viu que ele estava segurando a minha mão.

- Escuta Betty, você quer ficar e rir entao fique por própria conta e risco, eu cansei de você nunca levar a sério o que eu falo.

- Calma gente o que ta acontecendo? - Chris parecia assustado com tudo o que estava acontecendo.

- Várias pessoas morreram aqui, se mataram, e ninguém sabe o porque - Eu expliquei.

- Então o que a gente ta esperando? - Sabrinie foi a primeira a entrar na casa e todos seguiram ela para buscar nossas bolsas.

- Rápido! Eu não quero ficar aqui nem mais um segundo! - Sabrinie nem fechou a bolsa e ja tava indo em direção a porta.

Todos ficaram agitados e perguntando como a gente sabia isso e explicamos tudo o que a mulher da conveniência mostrou.

Depois de alguns segundos, Sabrinie aparece na porta da sala com um semblante desesperador, ela estava chorando, a maquiagem toda borrada por conta disso, ela soltou a bolsa no chão fazendo um barulho que ecoou pela sala inteira.

- Sabrinie o que foi? - Eu perguntei.

Ela estava completamente engasgada, soluçando, tentando dizer alguma coisa que ninguém estava entendendo... Até que depois de um tempo:

- A... An... Angela... ela...ta aqui... eu a vi!

Todo mundo ficou em silêncio, ninguém quis se atrever a duvidar ou citar o nome da Angela naquele momento.

- Ela...ela ta na porta Lis...

- Sabrinie você esta assustada!

- A porta...

Ela não terminou a frase, eu larguei minha bolsa no chão fazendo outro enorme barulho e corri em direçao a porta, foi quando eu quase tive a mesma reação dela:

- Não pode ser! Não, não! Gente!!

Todo mundo apareceu no hall de entrada quando eu chamei.

- O que aconteceu Lisa?

- ...gente...

- Lisa!!

- ...cadê a porta?...

A porta simplesmente desapareceu, eu não estava louca porque todo mundo estava vendo aquilo também.

Estávamos todos ficando loucos ao mesmo tempo, perdendo a sanidade, a Sabrinie ja tinha perdido a dela. Cheguei mais perto da parede onde deveria estar a porta, era como se nunca estivesse tido uma ali. Olhei para trás e vi cada rosto, cada olhar, dizendo que seriamos mais uma notícia a nunca ser divulgada.








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