História A casa perpétua - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Suspense
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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Saída


No outro dia também não lembro bem dos minutos iniciais, nem do local onde acordei, mas me lembro de estar na sala. Eu só queria ir embora, minha cabeça doía bastante e eu estava ali há muito tempo, poderiam sentir minha falta em casa.

A primeira cena concreta que lembro desse dia foi o olhar do pai de Becca sobre mim, enquanto estava sentada no sofá da sala do apartamento deles. Ainda era um olhar gentil, mas talvez um pouco penoso. Eu podia perceber, de um modo sutil, um singular interesse, algum tipo de fascínio. E nesse curto espaço de tempo em que ele me olhava, em pé, ao lado do sofá, Becca e a mãe estavam na parte de trás do apartamento.

Quando elas voltaram à sala, Becca apenas sorriu enquanto sua mãe e seu pai ficaram ao meu lado. Eles me pegaram pelo braço, e a mãe disse “Vamos orar antes de descermos”. Já me puxando para ficar de joelhos entre o sofá e a mesa de centro. Eles me deram a mão e o pai de Becca entoou uma oração. Eu estava um pouco assustada com aquilo, não conseguia me concentrar na oração. Ora fechava os olhos, ora abria, e em um destes momentos, eu vi de relance um homem por trás do pai de minha amiga. Na minha mente só surgia uma palavra: Demônio. Eu fiquei gelada, tenho certeza, pelo medo que me tomou, fechando meus olhos veementemente até o fim da prece que o homem finalizou com um amém quase inaudível, apertando minha mão.

Nos levantamos, Becca se prontificou a me levar até a saída. Ainda assustada, eu só a segui, sem falar nada. Saímos do apartamento e descemos o primeiro lance de escadas, mas o que eu nunca esperava acontecer, aconteceu.

Simplesmente um cachorro consideravelmente grande saiu correndo de um dos apartamentos, num ato reflexivo de defesa, eu falei com calma para ele ficar quieto, de frente para ele. Ele parou, rosnando. Mas é claro que de nada adiantou, ele passou a correr na minha direção, pulando no meu pescoço. Encostando na parede atrás de mim, à beira do topa da escada, eu buscava empurrá-lo com as mãos. Sequer reparei se Rebecca estava ali. Estava mais preocupada em me salvar.

Tentando insanamente me morder, e latindo, eu continuava o empurrando o máximo possível, quando dei meu primeiro passo sem querer em direção a escada, vi aparecer um pitbull amarelo de porte médio, saindo de um dos apartamentos daquele andar. Mas para minha sorte, ele foi para cima do outro cachorro, que revidou, iniciando uma briga intensa, me dando tempo e espaço para fugir dali.

Eu corri depressa, descendo o mais rápido que podia. Senti que estava finalmente livre quando pouco ouvia os rosnados e latindo, ao chegar no andar térreo, mesmo lugar em que na noite anterior, Becca, seus pais e eu jogamos. A única diferença era os dois jovens, não reparei em seus rostos, mas sim que eles usavam proteção nas mãos, luvas amarelas. Eu os vi retirando algo do ralo da pia, era apenas lixo. Ao passar, já mais calma após respirar um pouco, ouvi um deles lendo o conteúdo de um pedaço de papel que retiraram da pia, e que logo deduzi como sendo uma das respostas do pai da Becca. “Eu não aguento mais ficar preso. Quero ir. ”

Aquilo elevava a situação a um patamar diferente. Juntei isto ao fato de que suspeitava que ele havia gostado de mim, e estava numa vida chata com a esposa. Atordoada eu sai de lá, indo pela porta à esquerda, para a área externa. Correndo rapidamente na direção do portão.

Entre a porta do prédio e o portão havia uns 200 metros, e entre eles, uma grande árvore, embaixo dela eu podia ver alguns jovens. Eu fui correndo, para ir embora. Notei que havia visto Becca, voltando minha atenção para a entrada do prédio, vi os pais dela, me olhando atentamente. Sem sinal dela. Continuei a correr, e notei alguns homens no terreno ao lado, eles me acompanhavam. Eu estava no meu limite, não sabia o que estava acontecendo ali.

Completamente assustada eu parei pouco antes do portão de metal, vendo os homens ao lado, pararem também. Pouco a frente do portão que estava completamente aberto, bastante convidativo, vi a professora de artes, Patrícia, ela estava com algumas crianças pequenas. Foi por ela que conheci Rebecca, foi inclusive em uma das aulas dela.

“Eles ainda estão ai?” Perguntei. E pra meu terror, ela respondeu, “Eles estão bem atrás da gente. E rindo da nossa cara” Ela parecia calma mas as palavras que saiam dela com uma raiva contida, perceptivelmente não eram do seu agrado.

Eu me virei para o campo onde os jovens, sob a arvore me olhavam. “Não tem como sair daqui, não é?” Perguntei à Patrícia. Olhando mais uma vez para os jovens, em seguida para os pais da minha amiga na entrada do prédio, todos me olhando. E eu pude entender tudo.

Ter sido convidada.

Ter tido que ficar durante a noite.

Entendi o papel molhado sobre a pia.

Entendi os cães.

Deduzi que até o sentimento do pai com relação a mim, era por estar trancado naquele lugar há muito tempo. Talvez forçado a se casar.

Entendi tudo.

E eu tinha que uma decisão a tomar. Ser corajosa para escolher minha morte ou ser corajosa para viver uma vida em cativeiro.

E os três atiradores estavam a minha espera pacientemente no portão.

 


Notas Finais


Na madrugada do dia 1º de maio eu tive esse sonho. Acordei umas 5 da manhã sobressaltada, montando fins para o sonhos. Não sabia se eu devia resistir a ficar presa, se devia esperar vir alguém me procurar, ou quem sabe, usar a paixonite do pai sem nome da minha amiga, como meio para sair daquele lugar. Talvez esperando ele me ajudar em uma fuga, se sacrificando por mim.
Resumindo, foi uma viagem muito doida para se fazer antes das 7 da manhã, mas eu precisava escrever tudo o que havia sonhado.
E de forma adaptada, no mesmo dia, postei a história, agora melhor descrevendo os lugares que vi em sonho, tentando descrever as pessoas que vi. E algumas emoções que senti através do sonho.
Espero que tenham gostado. Porque eu fiquei com os belos olhos do Pai na minha mente, e isso foi o mais difícil de traduzir em palavras, além da sensação de ficar contra minha vontade em algum lugar.
Comentem o que acharam.
Até a próxima!


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