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História A Certain Scientific Story - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Não precisa ler as notas finais, não tem nada de muito importante lá. ~

Capítulo 2 - Child Error


CAPÍTULO 2

CHILD ERROR

Parte 1

Em um apartamento grande, e de certa forma luxuoso, dentro da Cidade Acadêmica, um rapaz dormia inquietamente. Ele ouvia vozes em seu sono, algo que ele não conseguia impedir, nem conseguia se livrar, não importava o quanto ele tentasse.

- Você não precisa se preocupar, garoto, você está em mãos capazes aqui na HEMQ.” Disse uma voz bastante grave e, repentinamente, o rapaz que dormia viu-se numa grande sala, mas semelhante à um depósito, cheia de cilindros de vidro enormes.

Os cilindros estavam cheios até a boca com um líquido de cor amarronzada, que o lembrava de ferrugem na água. Do topo dos cilindros, vários tubos e fios desciam por dentro deles, conectados aos objetos de estudo daqueles cientistas corrompidos.

Dentro de cada um daqueles tubos haviam crianças.

O rapaz não pode deixar de pensar em como era deplorável ver aquelas crianças abandonadas por seus pais, também conhecidas como Child Errors, serem usadas como ratos de laboratórios por cientistas nojentos como aqueles.

Mas então ele se deu conta: Ele também não era uma Child Error? Seus pais, ou melhor dizendo, sua mãe havia cortado todo e qualquer contato com ele no momento em que ele pisou na Cidade Acadêmica, até onde ela se importava, mandar ele para a Cidade Acadêmica era simplesmente se livrar de um erro da sua adolescência.

 “- Olá, Saegiru-kun, poderíamos falar com você por um minuto?

Sim, é verdade, ele havia sido abordado por aqueles cientistas a quase, o que? Nove anos? Não, já haviam feito dez anos, não é? Sim, já faziam dez anos desde que ele havia sido abordado por aqueles cientistas podres.

Eles haviam o abordado e feito uma bela proposta: “- Que tal você participar de um pequeno experimento? Ele poderia fazer até mesmo um Nível 0 como você se tornar um poderoso Esper! E quem sabe quando isso acontecer, seus pais não lhe procurem para lhe darem os parabéns?

A proposta parecia boa na época. Ele já havia passado pelos experimentos padrões da Cidade Acadêmica, o Programa do Currículo de Poderes, e havia sido diagnosticado como um Nível 0, sendo capaz apenas de produzir uma quantidade ínfima de nitrogênio após queimar seus neurônios para manipular os gases ao redor de seu corpo, e talvez esse fosse o motivo de seus pais terem cortado o contato com ele. Confiar naqueles cientistas com promessas brilhantes parecia à coisa certa a se fazer, afinal, ele era uma criança. Eles não iriam fazer mal a uma criança, não é?

Pelo menos era isso que ele pensava na época.

Entrar naquele experimento foi o pior erro de sua vida.

 “- Vamos, Saegiru-kun, você consegue, só mais dez minutos aí e você poderá ter o seu descanso.” Ele se lembrava das palavras do cientista encarregado por ele enquanto ele sentia que iria se afogar num daqueles tanques. “- Você não quer ver o seus pais?” Eram as palavras de encorajamento deles.

Ouvir aquelas palavras foi o suficiente para fazer o rapaz de quase dezessete anos se acordar com um susto naquele quarto luxuoso. Seu coração martelando contra seu peito, suor escorrendo pelo seu corpo definido e sua respiração errática.

O quarto possuía uma enorme janela que dava uma perfeita vista da Cidade Acadêmica à noite, de frente para a janela estava uma cama king size, em que o rapaz se encontrava. Em uma das paredes havia um enorme quadro de alguma coisa irreconhecível no escuro, enquanto na parede oposta havia um aquário grande com um relógio digital encima dele. De cada lado da cama havia uma mesa de cabeceira, e na frente do quadro havia uma escrivaninha.

Com um suspiro de frustração, o rapaz sentou-se em sua cama. Ele passou uma mão pelo rosto e seguiu o movimento para passar a mão pelo seu cabelo negro com algumas mechas loiras perto das pontas, tirando-o de seu rosto.

Abrindo lentamente seus olhos negros constantemente cansados, com olheiras profundas alojadas logo abaixo deles, ele percebeu que ele não estava sozinho na cama, uma moça dormia pesadamente ao seu lado. Mesmo no escuro ele conseguia distinguir as curvas de seu corpo, e a fraca luz que adentrava pela enorme janela denunciava o que ela estava vestindo, ou o que ela não estava vestindo. Ela apenas vestia uma lingerie estampada com um personagem infantil chamado Gekota, o que era algo que realmente destoava com as proporções de seu corpo.

Ele murmurou algo ininteligível com um tom monótono em sua voz antes de virar a cabeça para encontrar o relógio digital na parede daquele quarto espaçoso.

Onze horas e quarenta minutos. O rapaz ergueu uma sobrancelha, mas sua expressão fácil permaneceu monótona. Ele só havia dormido meia hora. “Ela já voltou? O show acabou tão cedo?

Reunindo a força restante de seu corpo e amaldiçoando sua constante insônia, o rapaz se levantou e pegou um roupão azul que estava pendurado na cadeira da escrivaninha para cobrir sua nudez. Se aproximando da janela ele tocou no vidro e encostou sua testa na superfície gelada, fechando os olhos e deixando seus pensamentos correrem livremente.

Ele havia passado por aquele inferno todos os dias durante dez meses e onze dias, por algum motivo ele não conseguia se esquecer desta informação. Dez meses e onze dias tendo o crânio aberto e o cérebro manipulado. Dez meses e onze dias tendo diversas drogas injetadas no seu corpo. Dez meses e onze dias passando por sessões de treinamentos que haviam custado caro para ele. Ele flexionou o braço direito, sentindo seu ombro estalar com o movimento repentino. Ele abriu e fechou sua mão direita, sentindo as engrenagens dentro dela girarem, o mesmo aconteceu com sua perna esquerda assim que ele mexeu seus dedos do pé.

Sim, a tecnologia da Cidade Acadêmica certamente era um milagre. Serem capazes de produzir um membro totalmente mecânico que não só parecia natural, mas que também tinha receptores nervosos era um feito realmente incrível.

Quando a Anti-Skill encontrou o lugar e derrubou os projetos, ele foi levado para outro orfanato com as crianças, para se reabilitarem, mas ele nunca realmente retornou daquele inferno. Na época ele achava que aquele experimento que quebraria a mente de qualquer criança não teria afetado ele. Naquela época ele achava que tinha conseguido escapar daquele inferno apenas com uma cicatriz permanente em seu corpo, mas hoje ele sabia que aquilo havia quebrado sua mente de uma maneira que ele só foi se dar conta quase dez anos depois.

Mas quantos anos ele tinha naquela época? Sete? Oito? Ele já não se lembrava, ele já não se importava com aquela época. Mas... Se esse era o caso, por que os pesadelos continuavam a acontecer?

- Eu espero que essa cidade queime até o chão um dia... – O rapaz murmurou antes de dar as costas à janela e se dirigir à porta que ficava à sua direita, ele precisava de um banho para se livrar de todo aquele suor.

Parte 2

Entrando no banheiro a primeira coisa que ele viu foi a sua reflexão num espelho largo. Seus olhos cansados encararam a si mesmo, observando as poucas mechas loiras em seu cabelo, da época em que ele costumava pintar seu cabelo daquela cor, aos poucos se tornarem negras.

Se uma pessoa removesse o olhar vazio e as olheiras daquele rapaz, a pessoa veria um belo jovem, que provavelmente conseguiria o número de qualquer garota com uma piscada. Mas ultimamente ele costumava esconder seus olhos negros por trás de óculos escuros.

Mas seus olhos repousaram mesmo em uma fina cicatriz em seu pescoço, bem encima de sua garganta. Aquela não era a única cicatriz que ele possuía, pelo contrário, era apenas uma de várias, mas aquela tinha um peso diferente para ele. Todas as cicatrizes que ele tinha em seu corpo eram resultado de confrontos com o Lado Sombrio da Cidade Acadêmica, mas não aquela cicatriz no pescoço. Diferente das outras cicatrizes, aquela cicatriz não havia sido ganha fazendo um trabalho.

Aquela cicatriz era pessoal.

Estalando a língua em um momento de irritação, o rapaz ligou a torneira da banheira e pegou uma toalha que estava repousando dentro da pia. – Eu odeio quando ela faz isso... – Ele murmurou para si mesmo, às vezes seus pensamentos escapavam para a sua boca sem que ele se desse conta. Ele pegou a toalha de dentro da pia e a pendurou sobre o espelho, tapando sua reflexão.

Despindo-se de seu roupão, o rapaz com o corpo coberto de cicatrizes finas adentrou na banheira, sem se preocupar em molhar as próteses mecânicas, deixando a água fria banhar o seu corpo. Encostando a cabeça na beirada da banheira ele encarou o teto.

Essas malditas memórias não me deixam dormir... Mas que porcaria.” Ele pensou, um tanto quanto frustrado. “Há quanto tempo eu não durmo uma noite inteira?” O rapaz olhou para a água enquanto refletia um pouco sobre o passado. “Desde o Natal, não é?

Seus pensamentos foram interrompidos quando outra memória invadiu a sua mente.

Pátio da Creche Nozomu – 8 anos atrás.

Aquele rapaz, na época um garoto, estava num pátio de uma creche na Cidade Acadêmica. Creches não eram incomuns na cidade, mas aquela creche não era para crianças comuns. Todos na Creche Nozomu eram Child Errors.

Normalmente adolescentes perto do fim do Ensino Médio se voluntariavam para cuidar das crianças das creches comuns, mas as creches que acolhiam Child Errors apenas tinham adultos no quadro de funcionários. Isso por que Child Errors não iam para a escola, já que seus pais não bancavam seus estudos, então adultos de dentro daquela cidade se voluntariavam para cuidar e educar aquelas crianças.

Mas, diferente dele, as outras crianças daquela creche não haviam passado por experimentos traumatizantes no ano anterior, para eles a vida ainda era normal.

Até um ano atrás ele era um Nível 0, um sem talento, alguém sem um futuro brilhante na Cidade Acadêmica. Mas atualmente ele era um Esper completo, mesmo que seu Nível ainda fosse 2. E foi graças ao experimento que ele havia chegado à esse nível e ele não se orgulhava disso. Por causa dessa habilidade ele foi atraído para outro experimento.

Um dia, por pura coincidência, ele inconscientemente ativou sua habilidade durante uma brincadeira e acabou machucando uma criança enquanto a creche era visitada por um grupo de cientistas querendo saber qual era o progresso daquelas Child Errors. A sua habilidade chamou a atenção deles, e ele foi levado daquela creche para uma instalação, onde ele conheceu outras crianças que, como ele, haviam passado por algum tipo de incidente.

E foi lá que ele conheceu quem viria a ser sua melhor amiga, sua parceira em crime e atual namorada, além de mais dois garotos, que se tornaram como irmãos para ele. Mais tarde eles se tornariam um grupo praticamente inseparável, dentro das instalações eles eram conhecidos como “SHADE”.

De volta ao presente.

O rapaz suspirou, ele não gostava quando as memórias invadiam sua mente daquela forma, ele não gostava de se lembrar de seu passado. Era doloroso, mas ele merecia cada segundo de dor. Mas ele não pode deixar de sorrir ao lembrar-se da SHADE.

Ele estava tão distraído em seus pensamentos que ele não percebeu que uma sombra havia surgido sobre ele. Olhando para cima ele viu uma mulher de cabelo comprido amarrado num rabo de cavalo, ela tinha um corpo bem definido e vestia um uniforme da Anti-Skill. – O que você está fazendo aqui, Aiho?

- Eu não me lembro de você ser tão desligado dos seus arredores, criança. – A mulher respondeu cruzando os braços na frente de seu grande busto. – Vista-se, temos que conversar.

O rapaz bufou e se levantou, fazendo com que a agente da Anti-Skill desviasse o olhar desconfortavelmente. Ele percebeu isso e decidiu fazer uma pequena provocação enquanto estendia a mão para pegar seu robe no cabide. – O que foi, Aiho? Eu achei que você tinha me chamado de criança.

- Por que você é uma criança, não importa o quanto você e a sua namoradinha achem o contrário. E desde quando eu lhe dei a permissão de me chamar pelo primeiro nome? – A agente respondeu olhando ele nos olhos com uma expressão severa, a mesma que um professor daria a um aluno mal educado. – Você deveria estar me chamando de Yomikawa-sensei.

- Tá, tá... – Ele falou, sem dar muita importância ao que havia sido dito, enquanto amarrava o seu roupão para se cobrir. – Espera... “Sensei”?

- Sim. – Ela disse com um sorriso sombrio no rosto.

O sangue dele gelou. – Não.

- Sim.

- Aiho, eu juro por tudo que é mais sagrado, que se você me mandar para uma escola eu vou matar alguém. – O rapaz começou a aumentar o tom de sua voz e deu um passo na direção da mulher. Infelizmente para o rapaz, ele escorregou numa poça d’água e despencou em direção ao chão, com sua nuca acelerando na direção da beira da banheira, que explodiu em vários pedaços congelados de porcelana centímetros antes dele sequer tocar nela.

- É, boa sorte matando alguém, pelo visto é mais fácil você acabar matando a si mesmo. – Yomikawa Aiho disse antes de dar as costas a ele e andar na direção da saída. – Se apresse e se vista, temos assuntos importantes a conversar na sala.

Parte 3

Acendendo a luz do seu quarto para encontrar a entrada do seu closet, o rapaz teve uma visão melhor da garota que dormia ao seu lado momentos antes, sua namorada. Sua pele era branca e de aparência macia, seu cabelo comprido era castanho escuro e liso, e a expressão em seu rosto era pacífica, embora ele não pudesse deixar de notar que seu tapa-olho ainda estava preso em seu rosto. Ele também não pode deixar de segurar seu olhar no corpo torneado por alguns segundos a mais do que o necessário, antes de se estapear mentalmente por fazer isso.

O rapaz adentrou outra porta naquele quarto, e ligando outra luz ele entrou num closet com roupas masculinas e femininas. Pegando uma bermuda e uma camisa qualquer, ele se vestiu sem pressa e retornou ao seu quarto.

Ele parou na cama ao lado da moça que dormia pesadamente e deu um sorriso quase imperceptível antes de se inclinar para cobri-la com um lençol, mas seu pé prendeu em algo no chão e ele quase se desequilibrou.

Olhando para baixo ele viu uma calça jeans e uma camisa preta. O rapaz suspirou por um momento. – Ela tem que parar de deixar as coisas dela espalhadas por aí. – Ele comentou se abaixando para pegar as roupas do chão. Suspirando pesadamente ele amassou as roupas dela com suas mãos e arremessou elas na direção do closet.

Voltando sua atenção à moça que dormia pesadamente, ele passou seus braços ao redor de seu corpo e puxou-a para frente, para sentá-la na cama ainda dormindo. Ele passou uma mão suavemente pelo seu rosto antes de prender um dedo na borda do tapa-olho, o puxando para remove-lo, revelando um cavidade vazia onde deveria estar o seu olho esquerdo.

Por nenhum motivo, Saegiru recordou-se de quando ela havia perdido seu olho no laboratório. Um dia ela voltou de um dos experimentos com o rosto totalmente ensanguentado, foram as proezas médicas improvisadas de Saegiru e dos outros dois membros da SHADE que havia salvado a vida daquela garota.

Ele repousou-a cuidadosamente na cama e depositou um beijo de boa noite em sua testa antes de cobri-la com o seu lençol e colocar o seu tapa-olho sobre a mesa de cabeceira. Saegiru se encaminhou à porta e desligou a luz, mas antes disso ele não pode deixar de pensar. “Quem vê ela dormindo assim nem imagina a selvagem passiva-agressiva que ela realmente é...

Saindo do quarto, a primeira coisa que ele se deparou quando entrou no corredor foi uma foto num quadro. Uma foto de três anos atrás. Na foto ele ainda tinha cabelo loiro, a cicatriz em seu pescoço estava ausente e seus olhos ainda eram cheios de vida, um largo sorriso estava estampado no seu rosto.

Naquela foto ele estava passando um braço por cima dos ombros de uma garota, aparentemente a mesma que estava dormindo em sua cama naquele momento, seu cabelo castanho estava cortado na altura dos ombros e seu corpo estava começando a desenvolver suas curvas, seu sorriso era largo e seu olho cerúleo brilhava com alegria. Eles estavam na frente de uma moto que ele havia acabado de ganhar em uma aposta com um membro da Skill-Out.

No canto da foto, bem no fundo dela, era possível ver outro jovem, esse de cabelo descolorido, de costas para a câmera batendo num cara. “Aqueles eram tempos mais simples... Ha! Eu lembro como o Gaki encheu aquele Skill-Out de porrada quando ele se recusou a dar as chaves da moto... E o Makoto aproveitou o momento perfeito para tirar essa foto... Bons tempos, bons tempos.” Com esse pensamento ele se virou e continuou a andar na direção da sala, passando por diversas fotos. As mais antigas com quatro pessoas jovens, as mais novas apenas com duas pessoas, uma delas extremamente cansada.

Beco Escuro – 4 anos atrás.

Quatro jovens ofegavam pesadamente em um beco mal iluminado. Eles estavam vestindo algo semelhante à uma roupa hospitalar usadas por pacientes, com a parte da frente totalmente fechada e a de trás aberta, e assim como no caso de roupas hospitalares, eles não usavam nada por baixo. Saegiru estava sentado no chão, diferente do Saegiru atual, aquele ainda não tinha as próteses, então ele não possuía sua perna esquerda e o antebraço direito.

Todos aqueles jovens estavam sentados em algo, afinal, eles estavam correndo a noite toda.

- Você... Você acha que despistamos eles, Saegiru-kun? – Perguntou uma jovem de cabelos castanhos compridos que desciam até metade de suas coxas. Sua pele era branca e de aparência macia estava imunda de poeira e arranhões, e seus olhos eram cerúleos e o medo neles era visível. Ou melhor, um de seus olhos era cerúleo, o outro estava coberto por bandagens.

- Não tem como eles terem seguido a gente até aqui, né? – Comentou outro jovem, esse de cabelo negro bastante curto, seus olhos dourados eram um diferencial interessante. Ele era extremamente magro e parecia até mesmo estar desnutrido.

- Sei não, você ficava balançando essa bunda magra enquanto corria, Gaki, eles devem ter seguido a gente por causa disso. – O segundo garoto comentou, recebendo um olhar de irritação do moreno, Gaki. Esse tinha a cabeça raspada, um queixo quadrado e olhos pequenos, seu físico era realmente grande para sua idade, e ele tinha músculos que pareciam, de certa forma, sobrenaturais nele. – Mas o que você acha, chefe?

- Eu acho que a gente tem que continuar andando. – Saegiru, ainda de cabelos negros, disse de forma séria. – Eles podem ter deixado de seguir a gente, mas estamos no território da Skill-Out, se eles nos encontrarem estaremos mortos. – Ele olhou para a garota com o olho coberto por bandagens. – Você consegue continuar, Yuri?

- Olha só quem tá falando, você não consegue nem se manter de pé! – Exclamou a garota. – A gente devia descansar por aqui e...

- Você percebe o que está falando? – Saegiru interrompeu a garota. – Se nós ficarmos aqui seremos pegos. Temos que continuar nos movendo.

- E pra onde a gente vai, chefe? – Perguntou o careca musculoso.

- Vamos para o Distrito 14, lá tem dormitórios de alunos estrangeiros, devemos encontrar algum quarto vazio por lá, Makoto.

- Distrito 14? – Gaki perguntou com uma voz alarmada. – Mas a gente tá no Distrito 7, isso é literalmente do outro lado da Cidade Acadêmica.

- Prefere ficar aqui e morrer? – Perguntou Saegiru se apoiando numa lata de lixo para se levantar. – A gente vai manter a formação, você vai na frente e limpa o caminho, a Yuri vai no meio e o Makoto atrás, eu vou nas costas dele e bloqueio qualquer coisa que atirarem na gente.

Os quatro ficaram em silêncio por um segundo, mas logo começaram a se levantar dos lugares que eles se sentavam. – Vamos lá, SHADE, nós temos que conseguir, ou a gente já era.

De volta ao presente.

É verdade, aqueles quatro eram como uma família, inseparáveis. SHADE. Infelizmente o tempo não foi gentil com aquela irmandade, e quando a hora chegou, eles tiveram que dar adeus aos dias de glória.

Saegiru não era mais aquele garoto determinado. Não, ele havia perdido toda a sua determinação há 4 meses atrás.

Sacudindo sua cabeça de um lado para o outro para espantar aqueles pensamentos, ele adentrou na sala espaçosa daquele apartamento, com uma TV enorme em uma parede, três sofás de aparência confortável e uma mesa de centro entre eles, que formavam um U na direção da TV. Uma das paredes possuía uma saída para a varanda com uma piscina, do lado oposto estava à entrada do apartamento e do lado da entrada uma porta para a cozinha.

Ele gostava do seu apartamento, principalmente pela localização dele. Por ter a cobertura, ele não precisava se preocupar com o barulho que ele fazia, ele não tinha vizinhos ao lado. Mas é claro que aquele apartamento havia custado caro para ele, embora ele pudesse dizer com certo orgulho que dinheiro não era exatamente um problema.

Ele tinha ganhado bastante dinheiro nos seus dias com a SHADE, quando eles se converteram à um grupo mercenário, fazendo serviços sujos para quem pagasse mais, incluindo cientistas e membros da Mesa de Diretores.

Saegiru olhou para as pessoas na sala. Além de Aiho, mais dois agentes da Anti-Skill que ele não conhecia estavam no local, e com eles estavam dois membros da Judgement.

Dois membros que ele conhecia bastante. “E lá vamos nós...” Saegiru pensou, ele sabia que aquela seria uma longa conversa, então ele iria por bastante empenho em garantir que a estadia daqueles dois fosse terrível.

Parte 4

- O que esses dois arrombados tão fazendo no meu apartamento? – Saegiru falou apontando para os dois membros da Judgement. Um deles possuía cabelo negro curto, olhos azulados e pele clara, ele vestia uma camisa branca de mangas curtas e uma calça jeans preta, na manga de sua camisa estava presa uma braçadeira da Judgement.

O outro possuía cabelos loiros, olhos vermelhos e pele clara, ele vestia uma camisa social branca de mangas compridas e uma calça social preta, aparentemente ele estava vestindo um paletó anteriormente. Ele também possuía uma braçadeira da Judgement presa do braço.

- Eu prefiro que você não use palavras tão baixas, garoto. – Um dos membros da Anti-Skill disse para Saegiru, que ergueu uma sobrancelha em sua direção.

- Primeiramente, eu estou no meu apartamento, então eu falo como caralhos eu quiser, tá legal. – Ele disse erguendo um dedo. – E em segundo lugar, quem é você, seu figurante?

- Eu... – O homem começou a falar, mas Yomikawa levantou uma mão para cala-lo. – Mas chefe...

- Não vale a pena. – Ela disse simplesmente, ela conseguia enxergar através das ações de Saegiru.

- Você ainda não me respondeu, Aiho. – Saegiru falou de forma impaciente. – Por que caralhos tem dois Nível 5 na porra da minha sala de estar? Eu tô sendo preso de novo? Tem como vocês me prenderem dentro da minha prisão? O que? Vão me colocar trancado no meu quarto agora?

 - Você sabe por que a gente tá aqui, seu merda. – O rapaz moreno disse.

- Vai pro caralho, Morieda.

- Saegiru, você não está sendo preso, apenas temos que conversar sobre algumas coisas. – Aiho tento amenizar a situação, mas o rapaz de mechas loiras não tinha sinais de que iria dar pra trás a qualquer momento. – Olha, por que nós não nos sentamos todos e nos acalmamos?

- Eu vou me acalmar quando souber do que estou sendo acusado.

- Você não está sendo acusado de nada. – Yomikawa afirmou à Saegiru, e ele se sentou em um dos sofás, os outros presentes fizeram o mesmo.

- Foi você que planejou o ataque no Big Colossus? – O membro loiro da Judgement, Nakahara Amon certamente não estava no seu estado normal, o canto de seus olhos estavam tremendo lentamente e sua voz estava de certa forma estranha, mas isso não o impedir de ir direto ao ponto.

- Mas do que porra você falando? – Sua confusão era genuína. Ele havia ido dormir às 23h10, aproximadamente, depois de ter maratonado alguma série genérica na qual ele nem lembrava o nome. – Ataque no Big Colossus? Teve um ataque? – Ele não estava necessariamente preocupado. Não, ele estava curioso.

- Você vai parar com a encenação e falar a verdade ou... – Morieda Kazuki, o rapaz de cabelos negros começou a falar, mas Amon o interrompeu.

- Eu creio que você ficou sabendo do show que iria acontecer hoje no Big Colossus, sim? – Amon perguntou, sua voz parecia estranhamente cansada.

- Sim, eu fiquei sabendo, minha namorada é uma fã, ela foi pra o show daquela Cadence, eu fiquei em casa.

- E por que você ficou em casa ao invés de ir para um show com a sua namorada? – Kazuki perguntou, suspeitando da inocência do rapaz.

- Por que ele não suporta música. – Uma voz atrás de Saegiru fez com que ele se virasse.

- Yuri? Eu achei que você estava dormindo. – O rapaz falou, um pouco surpreso. Sua namorada estava vestindo um roupão amarelo com estampas do mesmo personagem infantil que estava na sua lingerie, Gekota. Ela havia recolocado seu tapa-olho preto de couro.

- Eu tava dormindo, mas sua barulheira me acordou, seu idiota. – Ela respondeu dando a volta no sofá e sentando-se ao lado de Saegiru, cruzando os braços e as pernas e inclinando a cabeça para repousá-la sobre seu ombro. – Alguém se importa em dizer por que minha sala de estar tá parecendo uma zona? Não tem tanta gente aqui desde a gente contratou aquela galera pra reformar o piso da cozinha.

- O que aconteceu com o piso da cozinha? – Perguntou o membro da Anti-Skill.

- Não te interessa, figurante. – Saegiru disse querendo dar um final à conversa paralela.

- Isso que ele disse. – Yuri acrescentou.

- Ok, agora me explica essa história direito, como assim ele não suporta música? – Amon retornou ao ponto original.

- Meu cérebro não reconhece as variações de onda de uma música. – Saegiru explicou de forma simplificada. – Pra mim é só barulho, é irritante e dói.

- Ok, mas isso não impediria você de orquestrar um... – Kazuki começou a falar, mas Yomikawa o interrompeu.

- O Saegiru-kun não orquestrou o ataque terrorista do show. – Yuri interrompeu Kazuki, fazendo com que ele se calasse antes de erguer uma sobrancelha, confuso.

- Espera, como você...

- Eu sou uma telepata, Nível 4. – Ela explicou. – Qual é, cara, vocês me ficharam não tem nem cinco meses, você deveria ser mais competente com o seu trabalho.

- Realmente, Kazuki-san, você meio que bobeou nessa. – Yomikawa acrescentou.

- Viu? Eu não teria motivos para... Espera, vocês realmente acharam que eu iria orquestrar um atentado terrorista num show? Caralho, eu sei que eu não gosto de música, mas eu não saio por aí impedindo os outros de fazerem o que eles querem.

- Você não deixa eu usar o...

- Não. – Saegiru interrompeu Yuri antes que ela pudesse completar a sentença. – Você termina de dizer isso e você vai dormir no sofá.

- Não, não vou. – Ela disse.

- Não, você realmente não vai. – Ele confirmou. – Mas, sério, não fala-

- Será que a gente pode focar no que interessa aqui? – Yomikawa perguntou, erguendo o tom da sua voz.

- Certo. – Saegiru falou, se recompondo. – Eu não fiz nada, fiquei até as 23 horas assistindo uma série na TV, e depois disso eu fui dormir, vocês podem checar as câmeras de segurança ao redor do prédio se quiserem. – As pessoas presentes pareceram tomar isso como prova o suficiente. – Era só isso?

- Não, o outro motivo para estarmos aqui é sobre o seu irmão. – Amon falou sem olhar para o rapaz. Ele parecia abalado por algum motivo.

- Primeiro, eu não tenho mais nenhum irmão. – Saegiru falou cerrando os punhos enquanto encarava o loiro nos olhos. – O irmão que eu tinha foi morto pela porra da EQUAL e você sabe muito bem disso, Nakahara. – Saegiru sentiu Yuri colocar uma mão sobre a sua perna. – E se você se refere àquele rato desgraçado, filho de uma prostituta mal comida, ele deixou de ser meu irmão no momento em que ele ficou contra mim, sinceramente, eu espero que ele seja encontrado morto qualquer dia desses.

O silêncio na sala era real. Yomikawa encarou Saegiru com os olhos arregalados, os membros da Anti-Skill se entreolharam, Kazuki parecia enojado pelas palavras do rapaz e Amon parecia ter congelado.

- O que? Ficou sem palavras, Nakahara? – Saegiru parecia não ter percebido a gravidade do que ele disse, e ele realmente não percebia. Desde cedo ele percebeu que criar laços com as pessoas parecia quase impossível para ele, e as pessoas que traiam ele antes mesmo de um laço ser formado eram automaticamente inimigas dele, e isso sem falar das pessoas que traiam sua confiança.

- O seu irmão, Nishimoto Masahiro, foi encontrado morto no camarote VIP do Show da cantora Cadence, hoje, junto com mais oito convidados VIP. – Yomikawa Aiho informou com pesar na voz.

O mundo desacelerou para Saegiru. Ele se viu perdido em seus pensamentos enquanto imagens passavam em alta velocidade em sua mente. – O que? – Foi tudo que ele foi capaz de murmurar, ainda muito focado em seus pensamentos que corriam a mil por hora.

- Seu irmão, Nishimoto Masahiro, foi encontrado morto esta noite no camarote VIP do show da Cadence. – Yomikawa repetiu. – Dois tiros, peito e cabeça.

Saegiru-kun, tente ficar calmo, ok?” A voz de Yuri soou na cabeça do rapaz, mas ele não conseguia se focar. – Saegiru-kun?

Nishimoto Saegiru sentiu o mundo desaparecer ao seu redor enquanto vozes invadiam a sua cabeça.

Parte 5

Residência dos Nishimoto – 3 meses e 6 dias atrás.

Nishimoto Saegiru encarou a porta de entrada daquele apartamento em Tóquio. Ele não tinha certeza o que havia levado ele a fazer aquilo, ele realmente era contra isso de todas as formas o possível, mas... Ah, sim, Yuri havia convencido ele de que seria uma boa ideia visitar a família dele no Natal, afinal, eles estavam namorando há quase dois anos e ela queria conhecer os pais dele.

Sair da Cidade Acadêmica era realmente algo complicado, mas os dois haviam simplesmente driblado os guardas com um pequeno truque mental feito por Yuri e saído, e não era como se alguém realmente pudesse parar eles, principalmente Saegiru. Na saída ele comentou algo do tipo: “A gente volta amanhã.”.

Mas ele não sabia que eles estava sendo seguido.

E lá estava eles, na porta de entrada do apartamento dos pais de Saegiru, ou melhor, na entrada da casa da mãe dele. O homem que vivia com ela não era o seu pai, mas era o marido daquela mulher rica, Nishimoto Mino. Ele também sabia por um fato que o seu irmãozinho, Masahiro estaria na casa dos pais para o Natal.

Eles moravam no quinto andar de um prédio em Tóquio, Yuri havia descoberto isso ao esbarrar com Masahiro na rua um dia e ler a sua mente para descobrir o endereço.

Suando levemente, Saegiru ergueu a mão e bateu na porta, torcendo para o que quer que acontecesse, ele não se desse mal. Ele estava verdadeiramente nervoso pois ele não via sua mãe há quase 10 anos.

- Vai ficar tudo bem, Saegiru-kun. – Yuri tentou acalmar o namorado apertando a sua mão levemente. Mas é claro que isso não surtiu muito efeito, já que ambos estavam vestindo grossas luvas de lã.

Era a Noite de Natal, no fim das contas, e a neve caia suavemente pelo distrito residencial de Tóquio. Saegiru e Yuri estavam bastante agasalhados, principalmente por causa de seu meio de transporte, a moto de Saegiru.

Quem atendeu a porta foi um rapaz baixinho com uma careca brilhante, esse deveria ser o seu irmão. “Eu consigo ver meu reflexo na cabeça dele.” Pensou Saegiru prendendo o riso. – Posso ajudar? – O careca perguntou.

- Nossa, você realmente parece ter uma cabeça brilhante. – Comentou Yuri, mais para si mesma do que para os outros.

- Uh... Obrigado, eu acho? – O rapaz comentou, sem ter certeza do que dizer. – Mas... Eu posso ajudar em alguma coisa?

- Sim, meu nome é Jinko Yuri, e esse é o meu namorado, Nishimoto Saegiru.

Yuri?! Mas que porra você tá fazendo?!” Saegiru pensou, sendo ouvido por sua namorada.

Relaxa, pode deixar comigo, você sabe que sempre está em boas mãos comigo, hehe.

Isso não é hora para piadas de duplo sentido!

- Desculpe... Nishimoto Saegiru?

- S-sim, esse sou eu. – O rapaz respondeu meio sem jeito e se estapeou mentalmente por gaguejar, o que ele era? Uma garota tímida do ensino fundamental? – Eu creio que você seja o Masahiro, né?

- Sim, você é um primo ou...

- Não, ele é o seu irmão mesmo. – Yuri falou, fazendo com que Saegiru a olhasse como se ela tivesse enlouquecido.

Você não tá indo rápido demais não, Yuri?!

Minha bunda tá congelando aqui fora, eu acho que eu tô indo num nível adequado de rapidez.

Os três adolescentes ficaram em silêncio constrangedor por um momento, até que uma voz feminina vinda do interior do apartamento quebrou o silêncio. – Masahiro, por que você tá demorando tanto? – Alguns segundos depois uma mulher, provavelmente chegando perto dos trinta e cinco anos, com algumas marcas de expressão no rosto e cabelos negros, apareceu na porta e seus olhos se arregalaram em choque. – O que você está fazendo aqui?

Saegiru não sabia muito bem como responder isso, então ele colocou o seu melhor sorriso, coçou sua nuca com a mão mecânica de aparência humana e ergueu uma mão em cumprimento. – Oi, mãe.

- O que você está fazendo aqui? – A mulher repetiu a pergunta, para o desânimo de Saegiru.

- Eu sabia que ter vindo aqui foi um erro, Yuri. – O rapaz de cabelo tingido disse antes de dar meia volta e se preparar para ir embora, entretanto...

Uma mão agarrou a gola da sua camisa e ele foi puxado de volta. – Escuta aqui, minha senhora, seu filho veio todo o caminho da Cidade Acadêmica até aqui para se reunir com a família que ele não vê há nove...

- Dez...

- Que ele não vê há dez anos. – Yuri falou colocando as mãos na cintura e se inclinando para encarar a mulher nos olhos. – E ainda por cima a gente tá congelando os nossos traseiros aqui fora, então que tal um pouco de hospitalidade e nos convidar para entrar?

Saegiru sinceramente esperava que um microfone fosse largando no chão no momento que sua namorada parou de falar, mas ao invés disse ele só conseguiu ver seu irmão olhando para Yuri com os olhos arregalados.

- E quem é você? – A senhora Nishimoto perguntou cruzando os braços e levantando uma sobrancelha, ela não queria demonstrar que havia ficado abalada com aquilo.

- Meu nome é Jinko Yuri e eu sou a namorada do seu filho, senhora Nishimoto Mino.

Certamente Yuri havia usado sua telepatia para descobrir o nome da sua mãe, por que essa era uma informação que Saegiru nunca tinha compartilhado com ninguém.

- Muito bem, mocinha. – Mino disse descruzando os braços. – Eu não gosto da sua atitude, mas eu devo admitir que você tem coragem. – E dizendo isso ela deu as costas e entrou. – Masahiro, pegue os casacos deles.

- Muito obrigado. – Disse Yuri retirando seu casaco grosso de lã, revelando uma camisa azul de mangas compridas que se adequava perfeitamente ao seu corpo. Ela entregou o casaco para Masahiro, que estendeu a outra mão para pegar o casaco do irmão mais velho.

Mas Saegiru não havia entrado.

Ele ainda estava do lado de fora, encarando alguma coisa que se aproximava dele pela direita.

Saegiru-kun?” Yuri tentou falar com ele através de seus pensamentos enquanto dava um passo na sua direção, mas ele levantou sua mão discretamente para sinalizar que ela não deveria se aproximar.

Nakahara e Morieda estão aqui. Eu vou tirar minha jaqueta, minhas chaves estão no bolso de dentro, meu revolver está no bolso da direita. Assim que eu atrair eles para longe, você vai pegar as chaves e o revolver, pegar a moto e dar o fora daqui, entendeu?

Mas...

Entendeu?!

Entendi.

- Ótimo... – Saegiru murmurou, tirando as mãos do bolso de sua jaqueta de couro e “acidentalmente” deixando suas chaves caírem. – Amon, Kazuki, o que dois membros estrelas da Judgement, e dois Níveis 5 ainda por cima, estão fazendo tão longe da Cidade Acadêmica? Por acaso a Mesa de Diretores deixou vocês saírem para o feriado ou algo assim?

- Você realmente fala merda demais, né? – Amon comentou tirando as mãos do bolso do seu agasalho. – Você sabe por que estamos aqui.

Parte 6

- Olha, que tal pular a parte onde a gente quebra você de porrada e vamos logo pra a parte que você é algemado e levado de volta para a Cidade Acadêmica para pagar por seus crimes? – Kazuki sugeriu, ele ainda estava com as mãos nos bolsos, e um gorro de lã cobria a sua cabeça. – Ah, e pode dizer para a sua namoradinha que a gente já sabe que ela tá aí dentro.

- E que tal vocês darem meia volta e esquecerem que viram a gente por aqui? – Saegiru arriscou, fazendo com que os dois revirassem os olhos. – Qual é, caras, é Natal, vamos só deixar as coisas de lado e comemorar, que tal?

- Nos seus sonhos, seu terrorista. – Amon falou, uma aura roxa surgindo ao redor do seu corpo.

Ele vai ativar o Time Leaper dele... Eu nunca tive que enfrentar ninguém com essa habilidade, mas eu acho que minha Offense Armor pode parar os ataques dele.” Saegiru pensou enquanto retirava lentamente sua jaqueta de couro e a depositava no chão. – Vamos lá, caras, vocês não querem fazer isso.

- Não, no fundo no fundo eu quero. – Amon falou antes de aparecer instantaneamente na frente de Saegiru, com seu punho direito a poucos centímetros de seu rosto, como se ele tivesse sido parado por uma espécie de barreira invisível.

Funcionou!” O rapaz de cabelo tingido comemorou internamente ao ver a cara de choque do seu inimigo.

Agindo rapidamente, Saegiru moveu uma mão para trás do seu corpo e sacou uma pistola negra que estava presa no cós de sua calça. Apontando ela rapidamente para Amon, ele deu um tiro no vazio, percebendo que o rapaz loiro havia saltado no tempo para fora da linha de fogo antes que ele pudesse puxar o gatilho.

Biribiribiribiribiribiri

Os pelos na sua nuca se arrepiaram quando ele senti a estática no ar aumentar rapidamente. Saltando para o lado para evitar uma tragédia, Saegiru esquivou bem a tempo de uma descarga elétrica desferida por Kazuki.

Aproveitando sua vantagem de já estar em movimento, Saegiru correu na direção da dupla, decidindo focar seu ataque em Kazuki, que era uma ameaça mais real para ele no momento.

Kazuki pareceu perceber isso, por que ele deu as costas para Saegiru e saltou sobre o parapeito do prédio, em direção ao beco, e usando sua eletricidade para aparar sua queda na neve. – Vem me pegar se você conseguir, seu delinquente.

- Volta aqui, seu merda! – Infelizmente para o rapaz de cabelos tingidos, ele comprou a provocação e saltou sobre o parapeito também, aterrissando com um estrondo no chão de concreto do beco e causando uma pequena cratera.

Assim que ele tomou um senso geral de direção, Saegiru começou a correr atrás de Kazuki, cometendo o erro de deixar Amon sozinho com Yuri no apartamento da sua mãe.

Chegando numa rua deserta, o que não era difícil naquela época do ano e naquela hora da noite, Saegiru parou de correr e se preparou para o combate que viria em seguida. Do outro lado da rua, Kazuki já estava o esperando.

- Movimento esperto, não acha? Separa você e a sua namoradinha, quero dizer.

- Movimento de um covarde, Morieda, isso sim. – Respondeu o loiro artificial.

- Você vai cair esta noite, por todos os crimes que você cometeu contra a Cidade Acadêmica.

- E que crimes foram esses? Tudo que eu fiz foi limpar aquela cidade da escória que rastejava por ela.

- Aquelas pessoas mereciam um julgamento, mereciam justiça.

- Você acham mesmo que coisas como “justiça” e “consequências” existem no Lado Sombrio daquela Cidade?! Não me faça rir! – O Nishimoto exclamou. – Uma pessoa que sequestra crianças, faz experimentos com elas e depois descarta aquelas que não são interessantes, e simplesmente saem andando livres no fim do dia por que tem conexões  merece muito mais do que eu dei.

- E as outras pessoas?! – Rebateu Kazuki. – E aqueles que foram mortos por que entraram no caminho da SHADE e foram mortos?!

- Você acha que é assim que a gente funcionava? – A pergunta de Saegiru confundiu Kazuki. – Você acha que a SHADE sai matando pessoas aleatoriamente? Nós éramos um grupo mercenário!

- Então você vai nos dizer o nome de cada uma das pessoas que os contrataram quando você for interrogado. – Kazuki falou, seus olhos começaram a brilhar com uma luz azul elétrica, e uma faísca elétrica voou de seu cabelo, estalando no ar antes de sumir. – Agora vamos resolver isso, de Nível 5 para Nível 5.

- Heh, então você sabe do meu segredo, não é? Pode vir, seu bastardo! – Gritou Saegiru enquanto uma aura incolor surgia ao seu redor. – Eu vou fazer você se arrepender de ter cruzado o meu caminho!! – Ele disse antes de chutar o chão, rachando-o e mandando uma pedra dos destroços na direção de Kazuki como uma bala.

Kazuki ergueu sua mão direita bem a tempo de segurar a pedra, como se ela não tivesse força alguma, jogou ela de volta para Saegiru com a mesma velocidade que ela foi lançada originalmente e correu na direção de Saegiru.

Saegiru por sua vez correu na direção de Kazuki, ignorando a pedra, que atingiu uma espécie de barreira invisível ao seu redor e caiu no chão. Os dois agora estavam a menos de dez passos um do outro.

Kazuki saltou na direção de Saegiru, que deu um passo para trás e se preparou para dar seu próprio golpe. Os dois se encararam enquanto seus punhos cruzavam caminhos, a diferença foi que enquanto Kazuki agarrou o punho de Saegiru com a mão livre antes mesmo dele fazer contato, Saegiru não se importou em subir nenhum método de defesa físico.

O resultado foi o soco de Saegiru perdendo sua força e o soco de Kazuki ganhando velocidade repentina, acertando Saegiru bem no rosto, entretanto, a força não havia sido o suficiente para atravessar a Offense Armor de Saegiru, e o soco apenas o empurrou um ou dos passos para trás;

- Sua Offense Armor é impressionante, isso eu tenho que admitir! – Kazuki falou trocando socos com Saegiru, sempre agarrando seus golpes com a mão esquerda e desferindo os seus próprios com a direita. – Só que se uma força muito grande atingir ela, você vai se machucar.

- Você por acaso tem munição antitanque enfiada no seu cu?! – Perguntou Saegiru com um sorriso maníaco no rosto. – Por que caso o contrário você não vai tascar um dedo em mim! – E gritando aquilo, ele fez algo que quebrou o padrão de trocas de socos, e deu uma poderosa joelhada na barriga de Kazuki, que o mandou voando para longe por alguns metros antes que ele conseguisse se estabilizar. – Aliás, eu já peguei a manha dessa sua habilidade meia boca, Defensive Charge. Você precisa tocar o objeto com sua mão esquerda para poder absorver a sua energia, não é?

- Nossa, parece que você realmente me pegou nessa, não é? – Kazuki disse se levantando com certa dificuldade, aquele golpe havia tirado o fôlego dele e estava difícil de recupera-lo. “Nada de novo aqui, esse cara pode literalmente perfurar uma armadura Mecha com um único soco. Mas se ele acha que eu fiquei sem cartas na manga, ele está enganado demais.

Biribiribiribiribiribiribiri

Saegiru mais uma vez sentiu a estática no ar mudar, e tentando prever a trajetória do raio elétrico que seria lançado na sua direção, ele começou a correr para a direita, mas ainda assim se aproximando de Kazuki aos poucos. – Isso não vai funcionar comigo!

- E quem disse que eu vou usar isso em você?! – Kazuki gritou de volta, a energia elétrica se acumulando em seu corpo começou a formar uma espécie de manto elétrico ao seu redor, estimulando cada célula do seu corpo ao máximo. – Vamos ver se você é capaz de me acompanhar!

Biribiribiribiribiribiribiri

Kazuki correu na direção de Saegiru numa velocidade incrível, tão rápido que o rapaz mal pode reagir, e o soco que ele desferiu foi potente o suficiente para forçar a Offense Armor de Saegiru ao seu máximo e jogá-lo para longe com o impacto.

Biribiribiribiribiribiribiri

Saegiru fez uma pirueta no ar para cair de pé e se preparou para o contra-ataque, mas o som estática no ar surgiu mais uma vez. – Porra! – Um raio atingiu Saegiru bem no rosto, o jogando para trás mais uma vez, dessa vez girando que nem uma boneca de pano. – Você vai acabar me deixando enjoado desse jeito, sem merda! Pare de brincar comigo e lute direito!

Biribiribiribiribiribiribiri

O som da estática rompendo o ar soou outra vez, e dessa vez Saegiru foi atingido na barriga e o impacto o jogou contra a parede de um prédio. “Ah, você vai quere brincar assim? Então vamos brincar.” Saegiru pensou ao se levantar. Apesar de todos os golpes que ele havia recebido, ele ainda não tinha nenhum arranhão no corpo, ou em suas roupas, para falar a verdade.

Biribiribiribiribiribiribiri

Estática rompeu o ar e outro raio foi lançado em sua direção, mas a aura incolor ao redor de Saegiru se expandiu mais um pouco e o raio foi parado quase um palmo antes de chegar no rapaz. – Você vai precisar de mais do que isso pra me derrotar!

- Cala a boca!

Saegiru ergueu sua perna direita, enquanto comprimia nitrogênio na sola do seu pé. Ele liberou a energia comprimida no momento em que seu pé tocou no chão de novo e ascendeu no ar como uma bala, na direção de Kazuki.

Biribiribiribiribiribiribiribiribiri

O raio disparado por Kazuki foi cortando o ar na direção de Saegiru, mas o rapaz apenas concentrou o nitrogênio ao redor do seu antebraço mecânico e balançou-o contra o raio, como quem afasta uma mosca irritante, mandando o raio na direção de um poste, estourando a sua lâmpada e causando um apagão naquele quarteirão.

Ao se aproximar de Kazuki, Saegiru concentrou o nitrogênio na parte posterior do seu punho e se preparou para disparar seu soco. Kazuki esquivou no último segundo com a sua velocidade aumentada e o soco de Saegiru atingiu o chão de concreto, mandando pedaços de rocha voando em todas as direções, uma delas inclusive atingiu Kazuki no peito, fazendo com que ele caísse se costas no chão.

Saegiru se aproximou lentamente de Kazuki e pisou no seu peito enquanto puxava sua pistola negra mais uma vez e a apontava na direção de seu rosto. – Você tem algumas últimas palavras?

- Não sei, você tem?

- O que?

‘BOOM!!

Antes que Saegiru pudesse reagir, a rua inteira se iluminou enquanto um raio descia do céu rasgando a barreira do som, atingindo Saegiru em cheio. Uma nuvem de poeira se levantou no local da explosão.

Parte 7

Quando a poeira baixou, Kazuki não pode deixar de dar um sorriso de lado. “O miserável é resistente.” Ele pensou vendo o rapaz que ainda estava com um pé sobre ele, segurando sua pistola com uma mão trêmula.

As costas do rapaz haviam sido queimadas, provavelmente haviam queimaduras de terceiro grau em alguns pontos, ele ainda estava de pé. Realmente sua Offense Armor não era algo para ser levado como brincadeira.

- Em pensar que você iria tomar um raio nas costas e continuar com esse sorrisinho confiante no rosto... – Murmurou Kazuki, que havia usado energia demais no último golpe para se mover.

- Xeque-Mate... Otário. – Saegiru falou fracamente fazendo força para puxar o gatilho, mas quando ele sentiu a peça se mexendo lentamente, ele percebeu um movimento a sua frente e ergueu a sua arma na direção do som.

- Ei, Kazuki, eu segui o trovão e...

BANG

Um tiro soou pela rua. Amon, que havia acabado de surgir na frente de Saegiru, deu dois passos para trás por causa do impacto do tiro em seu peito.

‘BANG

Saegiru atirou mais uma vez, e outra, e outra, e outra, até descarregar o pente de oito balas daquela pistola.

Amon olhou para o seu peitoral, que agora possuía oito furos na altura dos pulmões, em choque antes de olhar para Saegiru, tentando entender como as coisas haviam chegado naquela situação.

Saegiru olhou para ele sem nenhuma emoção nos olhos. Ele simplesmente guardou sua pistola no cós da calça e se livrou dos restos da camisa que ele vestia antes de começar a andar, tropeçando durante todo o percurso, até o apartamento da sua mãe.

Chegando lá, ele pegou o elevador até o quinto andar, por não ter mais força alguma para subir as escadas, e tropeçou seu caminho até a porta do apartamento da sua mãe e do seu padrasto.

Sem nem ao menos bater na porta, que estava destrancada, ele adentrou o apartamento, sendo recebido por uma Yuri algemada inconsciente na entrada do apartamento. – Yuki? – Ele murmurou, sua voz rouca devido o esforço feito pelo seu corpo para manter o nitrogênio ao redor do corpo nas áreas onde ele havia sido queimado. – Yuki, você está bem?

A garota lentamente abriu os olhos, tentando colocar sua visão em foco, e assim que viu o estado do namorado, com as costas completamente queimadas e os olhos desfocados, ela ofegou. – Meu deus, Saegiru-kun, você está bem?

- Do que você tá falando? Eu tô incrível. – Ele comentou, tentando tornar a situação cômica. – Melhor do que nunca.

- Temos que levar você para um hospital, temos que... – A fala de Yuri foi interrompida quando Nishimoto Mino entrou no campo de visão de Saegiru e a atmosfera mudou.

- Saia da minha casa agora, seu monstro. – Sua mãe disse com um tom frio, segurando uma faca em sua mão direta. Ao lado dela Masahiro encarava o irmão com um misto de medo e preocupação.

- Mãe, o que quer que aquele cara tenha dito à você sobre mim, pode ter certeza que ele falou a verdade. – Saegiru falou rispidamente. – Eu sou um monstro, eu matei mais de cinquenta pessoas nos últimos quatro anos, eu sou um delinquente violento que não se importa com ninguém e cometi vários crimes.

- Não, Saegiru-kun, isso não é verdade! – Yuri exclamou. – Você sabe que não é verdade, você não é mau!

- Chega, Yuri. – O rapaz disse com dor em sua voz. – Eu não tenho vergonha do que eu fiz, por que o que eu fiz foi para proteger você e os outros membros da SHADE, o que eu fiz foi por sobrevivência. – A dor lentamente se tornou raiva. Ele olhou para sua mãe, olho no olho. – Mas nada disso é culpa minha, tudo isso foi empurrado para mim por sua culpa.

- Como você ousa...

- Você, sua puta ambiciosa, não pode viver com um erro de adolescência e me mandou para a Cidade Acadêmica sem nenhum suporte. – Saegiru cuspiu as palavras. – Você fez isso comigo. Você me transformou no monstro que eu sou hoje no momento em que você me transformou num Child Error.

Saegiru deu um passo à frente, andando na direção de sua mãe. – Pra trás! – Ela exclamou, apontando a faca em sua direção. – Eu estou te avisando! Para trás!

Saegiru não estava parando, ele estava apenas caminhando na sua direção, mas o olhar sombrio e vazio que ele carregava dizia o que ele estava pretendendo fazer.

Masahiro, em pânico, tentou parar o irmão e investiu com seu ombro contra a sua barriga, mas Saegiru moveu sua Offense Armor para o local do impacto, fazendo com que Masahiro fosse parado antes de sequer encostar em Saegiru.

E num momento de pura raiva, o irmão mais velho ergueu seu braço e socou o lado da cabeça de seu irmão. Ele não havia aumentado a força daquele golpe, ele apenas tinha usado o antebraço mecânico para isso. Masahiro desmaiou ao bater com a cabeça contra a parede. – Traidorzinho maldito, você deveria me entender, seu merda! – Saegiru exclamou se virando para chutar a barriga de seu irmão.

E então aconteceu.

Ele ouviu o grito vindo de sua mãe e assim que ele se virou para encará-la, ela já estava na sua frente, ele mal teve tempo de reagir.

Um grito agudo de dor invadiu a entrada do apartamento, com Nishimoto Saegiru caindo de joelhos no chão segurando seu pescoço com as duas mãos, sangue escorrendo por um corte feito por uma faca. Saegiru saiu de seu estado de fúria ao perceber sua situação e entrou em choque.

Saegiru sentiu sua visão escurecer.

Se tiver qualquer deus aí em cima, só me mate de uma vez.

Três dias depois ele acordou num quarto de hospital, algemado à cama. Ele foi interrogado pela Anti-Skill sobre as atividades da SHADE, e ele não tinha mais nada à esconder. Ele contou tudo que eles quiseram saber sobre a organização e sobre o Lado Sombrio da Cidade Acadêmica.

Ele revelou que a SHADE havia sido dissolvida a quase um ano atrás, quando Yamashiro Gaki foi morto por um membro da EQUAL que atendia ao nome de “Ishita” e quando Sumimori Makoto desapareceu na mesma época. Ele também revelou que Yuri, na verdade, nunca havia participado ativamente das atividades ilegais da SHADE, sendo apenas a ponte entre os três rapazes e as pessoas que queriam contratar seus serviços.

E por fim ficou decidido que ele seria mandado para um dos reformatórios juvenis de segurança máxima, por ser um Nível 5, enquanto Yuki ficaria em prisão domiciliar, por ser cumplice. Entretanto, no dia da transferência de Saegiru do Centro de Detenção da Anti-Skill para o reformatório, uma ordem chegou da Mesa de Diretores da Cidade Acadêmica.

Seria prejudicial ter um Nível 5 preso em um reformatório, ele deveria ser mandado para casa e deveria ser monitorado com uma sonda eletrônica. Ele iria ficar em prisão domiciliar pelo tempo necessário até que as pessoas encarregadas por ele julgassem que ele não era mais um perigo para a sociedade.

E ele não reclamou de nada. Ele retornou para seu apartamento, com a sua namorada, que morava com ele, e continuou sua vida sob a vigilância de Yomikawa Aiho, que viria três vezes por semana para checar o seu estado de sanidade mental.

E tudo isso havia culminado no momento atual.

Parte 8

De volta ao presente.

Saegiru inclinou seu corpo para frente e colocou as mãos sobre o rosto. Yuri olhou de relance para o namorado, um tanto quanto preocupada.

Seagiru-kun? Você está bem?” A telepata tentou entrar em contato com ele, mas era inútil.

Um som inesperado atingiu o ouvido dos presentes. - Ha...

Amon e Kazuki se entreolharam confusos antes de se levantarem. – Yomikawa-sensei, acho melhor se afastar. – Falou Amon entrando entre a mulher e o rapaz que ainda estava tremendo no sofá com as mãos no rosto. – Jinko-san, por favor, se afaste dele.

- Ah, por favor, você fala como se ele fosse dar oito tiros no seu peito de novo.

- Haha.

- O que você está fazendo, Amon, não está vendo que ele está sofrendo? – Yomikawa perguntou, um tanto confusa.

- Escute de novo. – Kazuki falou simplesmente, sua expressão séria.

Yomikawa olhou para o jovem que tremia no sofá, realmente um som incomum estava vindo dele. O corpo que tremia começou a chacoalhar quando Saegiru arqueou as costas, erguendo a cabeça, e soltou uma gargalhada que gelou o sangue de todos os presentes, exceto o de uma certa garota que ainda estava sentada do lado dele.

- O que é tão engraçado nisso?! – Berrou Kazuki avançando contra Saegiru e o erguendo pela gola da camisa. – Você deveria cuidar do seu irmão, e não comemorar a morte dele!

Saegiru parou de rir instantaneamente e encarou o Nível 5 com seus olhos mais uma vez vazios. – Ele só teve o que merecia. – Não tinha nenhuma lógica nessa sua linha de pensamento, só que por algum motivo ele achava satisfatório o fato de que uma pessoa que havia se voltado contra ele no seu momento mais frágil estava morta. – Ei, mas me diz, como caralhos ele foi parar num camarote VIP? E tire suas mãos de mim, bastardo. - Dizendo isso, Saegiru concentrou o nitrogênio ao redor da palma de suas mãos e empurrou Kazuki para longe de si.

Saegiru sentiu o olhar de cada uma das pessoas naquela sala. Ele não se importou com o olhar assustado dos dois membros da Anti-Skill, teve vontade de rir do olhar furioso de Kazuki, ficou confuso com o olhar deprimido de Amon e sentiu-se reconfortado pelo olhar compreensivo de Yuri, mas teve um olhar que ele não conseguiu suportar, o olhar de Yomikawa Aiho.

Pena.

Ele reconhecia a pena no olhar dela, provavelmente ela estava vendo ele como uma criança perdida ou algo do gênero.

Para a sua surpresa, quem quebrou o silêncio primeiro foi Amon. – A culpa foi minha.

- Oh? Sua? Eu não poderia imaginar. – Disse Saegiru com um sorriso de lado. – Sabe, eu ouvi uns rumores interessantes sobre você nos últimos dias, mas isso fica pra outra hora. – O rapaz de cabelos negros e mechas loiras falou cruzando os braços. Então ele percebeu que Amon provavelmente estava se culpando dentro de sua cabeça. – Mas, ei, pode ficar tranquilo, o mundo está melhor sem um traidor como ele.

Amon apenas deu um olhar abatido em sua direção. – Como você consegue ser tão frio?

- Eu não sei. – Saegiru respondeu sinceramente. – Eu diria para você perguntar aos cientistas que fizeram isso comigo, mas eles estão mortos. – Ele soltou um bocejo antes de olhar para seus “visitantes”. – A gente já terminou aqui ou vocês têm mais coisas pra desperdiçar o meu tempo? Sabe, eu tenho muitos nadas pra fazer.

O silêncio se instaurou na sala mais uma vez. Um dos agente da Anti-Skill olhou para o outro e murmurou. – Tem certeza que ele acabou de receber a notícia de que o irmão mais novo dele morreu?

- Eu não sei, cara, esse moleque é pirado.

- Vocês sabem que eu consigo ouvir vocês dois né? – Saegiru comentou. – Bora fazer isso da seguinte forma: Quem não tiver mais o que fazer aqui, dê o fora da minha propriedade ou seja tirado à força pela varanda.

Parte 9

Incrivelmente isso pareceu funcionar, por que os dois membros da Judgement e os dois membros da Anti-Skill saíram. – Por que você ainda está aqui, Aiho?

- Por que eu ainda tenho assuntos a tratar com você, criança. – Yomikawa respondeu se sentando.

- Puta que pariu. – Nishimoto xingou num tom baixo. “Quer apostar quanto que ela vai querer que eu faça alguma coisa contra a minha vontade?” – O que você quer de mim?

- Sobre aquele lance de “Yomikawa-sensei”...

- Nem fodendo, Aiho, eu não quero nem ouvir o resto! - Saegiru cortou a fala da mulher se levantando. – Yuri, vamos voltar pra a cama, eu acho que a já deu por hoje, eu tô ficando com sono.

- Nishimoto Saegiru, você vai sentar essa sua bunda magra nesse sofá e vai ouvir o que a Yomikawa-sensei tem para falar. – Yuri falou severamente, puxando ele pela camisa de volta para o sofá.

Saegiru bufou de frustração e se afundou no sofá. – Fala logo o que você quer.

- Eu estava analisando nossas últimas conversas e entrevistas, e eu creio que você está pronto para começar a retornar à sociedade.

- Eu tô?

- Ele tá? Nem eu vi essa chegando.

- Porra, valeu hein? – Nishimoto comentou de forma amarga olhando de lado para sua namorada.

- Sim, você está, e eu tive a confirmação que precisava disso agora a pouco.

- Espera, o que?! Como assim? Eu não tô entendendo!

Yomikawa suspirou pesadamente e olhou para o jovem. – Você pode largar a atuação de garoto rebelde que só quer ver o mundo pegar fogo, ok? Eu percebi mais cedo, quando a gente estava no banheiro.

- Ela esteve no nosso banheiro com você? – Yuri perguntou casualmente erguendo uma sobrancelha.

- Não é o que parece, eu juro!

Yomikawa riu levemente da dinâmica estranha daquele casal. – Eu percebi quando vi você perdido em seus pensamentos de forma relaxada naquela banheira. – A fala de Aiho fez com que Saegiru inclinasse sua cabeça para um lado.

- Se importa em explicar? Por que eu não tô entendendo mais porra nenhuma. – Nishimoto disse sinceramente.

- Se você já consegue relaxar daquela forma quando está sozinho, eu acho que você está pronto para dar um passo a diante na sua jornada para se reinserir na sociedade. – Yomikawa explicou pacientemente.

- Entendo. – Saegiru murmurou.

- E é por isso que eu já aprovei a sua entrada na escola onde eu trabalho, a mesma que a Yuri está frequentando, uma certa escola de ensino fundamental e médio.

- O que?! – O jovem berrou. – Qual é, Aiho, você sabe que isso não é uma boa ideia! No fundo você tem que saber disso! Yuri, diz pra ela que essa é uma péssima ideia!

- Não, não, ela tem toda razão. – Falou Yuri simplesmente.

- Viu? Até sua namorada concorda comigo. – Yomikawa disse se levantando. – E é por isso que você começa amanhã.

- Mas que caralho?! – Saegiru olhou de Yomikawa para Yuri, que não parecia surpresa com a notícia. – Você sabia? – Yuri não respondeu. – Eu vou ter minha vingança.

- Ah, claro que vai. – Yuri comentou, também se levantando.

- Bom, Saegiru, eu vejo você amanhã no sexto período e Yuri, eu vejo você no terceiro período. – Yomikawa falou andando até a saída. – Eu vou mandar os guardas abandonarem seus postos e amanhã eu irei providenciar que as escutas sejam retiradas da casa.

- Espera, tinham escutas no meu apartamento?

- Tinham. – Respondeu Yomikawa, fazendo com que Saegiru colocasse uma mão sobre o rosto.

- Sinceramente... Quanto da minha vida eu tenho sobre controle?

- Menos do que você pensa, e mais do que você precisa. – Yuri comentou olhando para o lado oposto.

- Você sabia das escutas também?

- Sabia.

- Mas que porra, Yuri, por que você não avisou?!

- Se você soubesse, você ia ser mais silencioso durante o...

- Ok, muita informação! - Yomikawa falou dando as costas à eles. - Boa noite, crianças, durmam bem e eu vejo vocês amanhã. Yuri, eu confio em você para ficar de olho nele a partir de hoje.

- Pode deixar, sensei. – Yuri respondeu.

- Eu tenho certeza que vocês se unem pra fazer da minha vida um inferno... – Murmurou Saegiru emburrado, ainda sentado no sofá.

Yuri se sentou do lado dele no sofá e passou um braço por cima de seus ombros, o trazendo mais para perto de si. – Olhe pelo lado positivo, pelo menos você vai poder sair de casa depois de quase quatro meses.

- É... – Saegiru suspirou, então uma coisa veio à sua cabeça. – Você falou que tem escutas no apartamento, né?

- Sim. – Yuri falou com um sorriso que mostrava que ela gostava de saber de cosias que ele não sabia.

- Ótimo, por que já que eles vão ser removidos amanhã. – Saegiru se aproximou do ouvido de Yuri e sussurrou. – Eu vou fazer você gritar a noite toda.

A garota arregalou os olhos e começou a ficar vermelha, e isso fez Saegiru gargalhar. – É brincadeira, garai! – Ele gritou dando um soquinho no ombro da namorada. – Vem, vamos dormir, eu tenho a impressão de que amanhã vai ser um grande dia.


Notas Finais


Essencialmente, espero que tenham gostado desse capítulo, fiquem com o Saegiru full pistola com a vida e não usem drogas.

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