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História A Chamada dos Mortos - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá gente! Venho lhes trazer esse capitulo bem "sad", espero que gostem. Essas ultimas semanas estive pensando em como ia continuar a história e tive algumas ideias. Esse capitulo é metade continuação da introdução, metade já entrando na trama central. Enfim, boa leitura.

Capítulo 2 - Marcha Fúnebre


Fanfic / Fanfiction A Chamada dos Mortos - Capítulo 2 - Marcha Fúnebre

A chamada dos mortos

 

 

 

“Por favor, apenas diga que você está bem

Você está no céu

Rindo, sorrindo, olhando para baixo

Dizendo: Um dia nos encontraremos nas nuvens

Nas nuvens”

 

BEFORE YOU EXIT: Clouds

 

 

Dois meses atrás:

 

Flashs de luzes, câmeras, várias e várias pessoas se faziam presentes naquele lugar, o que já era previsto de acontecer. A atmosfera estava tão pesada, que até parecia que a gravidade tinha aumentado com uma força esmagadora. Pois é, era difícil de acreditar que aquilo era real, todos queriam que fosse apenas um sonho ruim, apenas um pesadelo. Mas ao segurar as cinzas de Jeon Jungkook na mão, Park Jimin sabia muito bem que seu querido maeknae não voltaria a fazer nenhuma de suas travessuras, não voltaria a cantar e a dançar, ou a iluminar o mundo com aquele sorrisinho de coelho. Saber disso não estava lhe fazendo bem, não estava lhe fazendo nada bem, queria se manter forte e ajudar os pais de Jungkook com o favor que haviam pedido, porém segura-lo durante o velório não foi nada fácil. Ele sentia os dedos tremerem contra aquela urna fria e delicada, teve que conter as lágrimas a cada passa que dava em direção a funerária, onde colocariam o pequeno pote em um dos muitos compartimentos daquele prédio. Atrás de si estavam os outros membros do BTS, todos com expressões vazias e de puro luto misturado com uma dor incompreensível. Seok Jin derramava lágrimas silenciosas, Hoseok mal continha seus soluços, Yoongi estava quieto e pálido. Mais atrás, Namjoon apoiava Taehyung que parecia que iria desabar a qualquer momento. Os pais de Kookie estavam na frente, segurando a foto do filho, sendo que a mãe dele tremia e chorava mais do que qualquer um ali, seu marido tentava lhe acalmar, mesmo que ele também estivesse tão quebrado quanto ela.

A mídia acompanhava todo o processo, sem querer perder um segundo daquele evento marcante. Era um tanto quanto irritante para Jimin ter aquelas câmeras observando o luto deles, apesar de saber que as ARMYS queriam ver aquilo, que queriam se despedir também. Tentou engolir o que estava sentindo, porque não iria adiantar nada arrumar uma briga com os repórteres em um momento tão delicado como aquele. E quando seus pés deram o primeiro passo naquele local, cheio dos restos de pessoas que já haviam partido, Jimin quis muito gritar e dar volta, quis fugir de tudo aquilo. Olhou para os lados e viu que todos os amigos e parentes de Jungkook enchiam o local um por um, e percebeu que não havia nenhuma saída. Fazia tempo que o Park não tinha um ataque de pânico como aquele, era tudo tão claustrofóbico, aquela situação inteira não permitia que ele respirasse naturalmente.

- Eu não consigo, não consigo.  – Murmurrou para si mesmo, esfregando uma de suas mãos por seu rosto, sem soltar a urna de Jungkook.

- Jiminie. – Jin sussurrou e abraçou seu amigo de lado, tentando ao máximo reconforta-lo. – Eu sei como se sente, está sendo difícil para todos nós, mas já chegamos até aqui. Precisamos apoiar os pais do Kookie, ele ia querer que ficássemos do lado deles nesse momento.

- Mas...hyung...essa dor está acabando comigo, como algo tão horrível pode acontecer? Justo agora que estávamos indo tão bem, o Jungkookie ainda era tão jovem, ainda tinha tanto para viver...eu simplesmente não entendo hyung, eu não entendo. – Disse Jimin, que não conseguiu mais conter os soluços que saiam por seus lábios rachados e maltratados.

- Nós não podemos entender coisas assim Ji, isso é sobre algo maior, algo que rege a lei da vida. – Namjoon se pronunciou, ainda apoiando Taehyung em seus ombros, ele parecia bem abatido, entretanto, com sua mania de líder, tentava dar forças para todos e faze-los se sentirem melhores no máximo do possível. – Precisamos nos manter fortes para poder enfrentar essa situação, mesmo sendo tão difícil.

- Devia ter impedido ele de viajar para Busan aquele dia. – Yoongi que até agora estava quieto falou. – Eu senti algo ruim assim que ele entrou naquele maldito carro.

- Não entendo porque o Jungkook estava com tanta pressa para ir a Busan, ele nem me esperou chegar em casa e foi sozinho. – Disse Taehyung.

- Sim, nosso maeknae estava muito estranho nos últimos tempos, estava agitado e ansioso. – Hoseok proferiu ao lembrar dos acontecimentos passados, onde seu amigo parecia sempre ocupado com coisas misteriosas que ninguém sabia do que se tratava. Lembrava bem de ouvir ele falando no telefone e gritando com algum desconhecido. – O comportamento dele era no mínimo um pouco suspeito.

- Eu também percebi isso. – Jimin enxugou suas lágrimas ao pensar no assunto. – Eu ficava perguntando o que estava acontecendo com ele, e porque ele não me falava nada, mas nunca obtive resposta.

- Já pensaram que talvez não tenha sido um simples acidente de carro? E se estiver acontecendo algo além do que sabemos? – Tae sugeriu.

- Então o que poderia ser? – Yoongi suspirou frustrado. – Acha que talvez ele tenha feito isso te proposito? Acha que ele se matou?

- Para com isso gente! – Jin gritou ao se exaltar com aquela conversa, que ao seu ver era simplesmente absurda e ridícula. – Já não acham que é difícil o suficiente ter perdido Jungkook dessa forma? Porque ficam imaginando historinhas para complicarem tudo mais ainda? E nem ousem dar um pio sobre isso perto das ARMYS, elas vão ficar mais transtornadas do que estão.

- As ARMYS já iam criar teorias de qualquer jeito, sabe muito bem como elas são, Jin hyung. – Namjoon disse. – Mas concordo com você, só estamos achando difícil de acreditar que Jungkook morreu e estamos tentando entender o porquê de isso ter acontecido. É melhor pararmos com isso.

- E se for verdade? Não acha que devemos isso a ele? Não acha que devemos ter certeza que só foi um simples acidente? – Jimin questionou frustrado.

- Jimin, a policia já investigou tudo o que tinha de investigar, o Jungkook tentou desviar de um carro e ele deslizou naquela ladeira e morreu, ponto final. Foi um acidente e não se fala mais nisso. – Jin respondeu enquanto pegava a urna das mãos do Park.

Namjoon, Seok Jin e Yoongi caminharam em direção a salinha que os pais de Jungkook estavam e deixaram Jimin, Hoseok e Taehyung para trás. Tae então virou-se para o amigo e percebeu que o mesmo encarava o chão com uma feição nada boa.

- O que foi Ji? Ficou chateado por conta do que o Jin hyung disse? – Perguntou preocupado – Acho que ele tem razão, provavelmente só estamos tendo dificuldade em lidar com a perda. Não é bom que você fique pensando muito nisso.

- Talvez, ainda assim, sinto que devo fazer algo. – Ele disse olhando para frente com um olhar misturado de dor e determinação.

- Jimin...- Hoseok ia começar a dizer algo, porém foi interrompido por um repórter que se aproximou sorrateiramente deles.

- Com licença, se não for pedir demais, um de vocês não poderia mandar uma mensagem para as fãs que estão em casa? – O homem perguntou para os três. Havendo um breve momento de silencio, antes de Taehyung se pronunciar.

- Claro, eu posso falar.

 

 

S/n

 

Lembro-me bem de quando eu conheci o BTS, foi em uma em que a felicidade parecia simplesmente ter tirado férias e não voltado mais. Eu via o mundo em preto e branco, e não tinha graça em nada que eu fazia, em nada que eu vivia. Os amigos eram poucos e os problemas eram demais, mas bastou uma só música, um só vídeo clipe para tudo mudar. Não dá para botar em palavras o quanto eu sou agradecida por tudo que aqueles meninos haviam me proporcionado. Eu os amava muito, eu os amo muito, todos eles, com aquele jeito especial de me fazer sorrir. Apesar disso, tinha que admitir que um deles sempre se destacou mais para mim, tinha um que sempre conseguia me chamar atenção, e esse alguém não era ninguém menos que Jeon Jungkook, o membro mais novo do BTS. O Kookie, como eu gostava de chama-lo, era um bebê no corpo de um homem. Ele adorava aprontar com seus hyungs, adorava se exercitar e adorava ser um cantor. Jungkook sempre foi bom em tudo o que fazia, sempre foi competitivo, brincalhão e um ótimo amigo. Ele era corajoso, forte e humilde. Um simples sorriso seu era o suficiente para melhorar meu dia, eu simplesmente amava aquele sorriso de coelhinho. O som da sua risada conseguia ser até melhor que as músicas que o mesmo compunha. Eu vivia meus dias pensando neles, nele, e aguardando o momento em que eu finalmente poderia me jogar no pufe da sala e ver seus vídeos no youtube. Me sentia tão bem sendo uma ARMY, eu me sentia forte o suficiente para retomar o rumo da minha vida. Consegui um trabalho de meio período, entrei para a faculdade e fiz algumas amizades, tudo estava indo tão bem, eu estava orgulhosa de mim mesma, e deles também. Mas aquilo tinha que acontecer...

Agora que cheguei do meu trabalho na biblioteca, onde, inutilmente, passei o dia inteiro tentando esquecer dos eventos que tinham acontecido naquela semana, pois nada conseguia me fazer parar de pensar na dor que eu sentia. Bati a porta da entrada com um pouco de força e me arrastei até a sala. Tinha um nó se formando na minha garganta enquanto eu pensava que nunca mais teria um Jungkook para ver, ouvir ou tocar. O que seria do BTS sem seu maeknae? O que seria de mim sem meu Kookie? Sem meu coelhinho? Nem percebi quando as lágrimas começaram a cair enquanto eu ouvia a voz de Taehyung sair da televisão e se espalhar pelo meu apartamento quase vazio. O funeral do Jungkook era hoje.

 

Olá ARMYS, eu sei que vocês estão todos sofrendo com isso, eu sei...sei que está sendo difícil...mas quero que vocês saibam de algo, quero que nunca se esqueçam que o Jungkook lhes amava. Ele amava cada um de vocês, e ele dava o melhor dele para que vocês sempre se orgulhassem do nosso trabalho, para que fossem amparados por nossas músicas em momentos bons e ruins. ARMYS, o nosso maeknae foi muito feliz sendo o Idol de vocês, ele se divertiu e foi capaz de ver seus sonhos se tornarem realidade. Por favor, lembrem dele, lembrem do Jungkook alegre, talentoso e dedicado que amava vocês. Agora ele virou uma estrela de verdade, que vai iluminar a todos nós na escuridão que estamos vivendo agora. Fiquem bem, não adoeçam, depois que isso passar continuem sorrindo e honrando a memoria do nosso Jungkookie. Amamos vocês ARMYS.”

 

Depois que o discurso do Tae terminou eu já estava soluçando desesperadamente. Não era possível que eu nunca mais veria Jeon Jungkook em um palco, nunca mais teria noticias dele, nunca mais ouviria uma música composta por ele. A vida só podia estar de brincadeira, com tantas pessoas ruins por aí, para que tirar a vida de alguém como ele? Um anjo que pisou na Terra. Pensando nisso, logo enterrei minha cabeça entre minhas mãos, lembrando daquele dia em que eu tive o privilegio de encara-lo frente a frente, sentir suas mãos macias e fortes contra a minha e ver seu sorriso pessoalmente.

 

Um ano atrás eu tinha ido ao aeroporto ver eles chegarem dos Estados Unidos. Eu estava respeitando a linha que demarcava o lugar que os fãs não poderiam pisar, e fiquei lá com as outras ARMYS, que estavam tão ansiosas quanto eu. Não demorou muito até que o BTS tivesse chegado, eles todos estavam vestidos com as clássicas roupas de aeroporto, e apesar de parecerem cansados, acenavam para nós com sorrisos nos rostos. Eu sorri e acenei para todos de volto, assim como a maioria. Estava tudo tão calmo e civilizado que quase não acreditei quando uma fã bem exaltada me empurrou para tentar chegar até eles. Ela foi impedida pelos seguranças, e eu acabei caindo no chão no meio daquela gente toda. Doeu bastante e eu tinha caído de cara, levando a um pequeno corte na minha cabeça. Eu estava prestes a me levantar quanto senti uma mão segurar a minha me dando apoio para me reerguer. Assim que voltei a ficar de pé me deparei com uma pessoa inesperada.

- Você está bem? – Jungkook me perguntou enquanto eu fiquei olhando para ele admirada. – Sua testa está sangrando, precisa de ajuda?

- Ahh...não...eu vou ficar bem. – Respondi timidamente, ainda não acreditando que ele estava falando comigo. – Obrigada.

- Que isso...mas tem certeza que está bem mesmo? – Insistiu, parecendo genuinamente preocupado comigo. –

- Sim estou bem. – Sorri ao encarar aqueles olhos amendoados de perto.

- Está bem então, não esqueça de tratar essa testa. – Ele disse retribuindo o meu sorriso.

- Jungkook! – Gritei antes que ele pudesse sumir.

- O que foi? – Perguntou curioso.

- Aqui, fica com isso. – Tirei um bracelete vermelho do bolço. – É um presente por ter me ajudado.

- Não precisava disso, só te ajudei a levantar...

- Eu insisto. – Disse ao lhe entregar o objeto. – Se cuida.

- Obrigado, e você também. – Ele acenou sorrindo, enquanto corria para alcançar os outros membros.

 

Agora olhando para o bracelete idêntico que eu usava no meu braço, pensei no significado irônico que ele tinha. Quando eu os comprei, a moça disse que eles uniam as pessoas que os usavam, e mesmo depois da morte essa conexão não acabava. Porém eu não me sentia nenhum um pouco conectada com o Jungkook, sentia que tinha perdido ele para sempre. A única chance de eu vê-lo de novo seria no dia de minha morte, onde eu o encontraria no céu, lá nas nuvens. Mas por agora, teria que ouvir a triste música de sua marcha fúnebre.

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Por favor, não esqueçam de comentar o que estão achando...<3


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