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História A chuva e seu som - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá! Eu sou a Kori e essa é minha primeira fanfic de vocaloid!

Eu realmente espero que vocês gostem do capítulo, e lamento muito que ele não tenha ficado tão bom assim ;~;) Eu posso até reescrever se vocês preferirem.

Enfim, tenham uma ótima leitura! Espero que gostem :)

- Kori

Capítulo 1 - Gotas de orvalho


O som do “tic tac” do relógio era ensurdecedor. A sala de aula estava estranhamente quieta. Tudo o que se podia ouvir, eram os lápis e canetas riscando os papéis. A garota de cabelos azul-esverdeados desviou seu olhar para a janela, como se procurasse algo no qual poderia se refugiar do tédio. Infelizmente, não encontrou nada; O dia estava completamente cinza, as nuvens avisando uma futura chuva.

Ao seu lado, Rin suspirou. O tédio lhe dera uma feição mal-humorada. Os olhos azuis da loira encontraram os de Miku, como se implorassem para que a amiga falasse algo.

  - Eu mal posso esperar pra essa aula acabar... – A garota suspirou com o tédio. A Hatsune riu, concordando com a Kagamine. Um minuto de silêncio se passou, até que a loira encontrasse um novo tópico para a conversa. – Ei, Miku-chan, sabia que a Teto-chan finalmente ganhou seu nome? Ela está tão feliz! Me disse isso hoje mesmo, no intervalo.

Miku forçou um sorriso; Era difícil saber que todas as suas amigas já haviam ganhado um nome, menos ela. Tudo o que queria era viver um romance inesquecível, assim como todo mundo. Por que não havia ganhado um nome ainda?

- Miku-chan? – Rin acenou para a amiga, que finalmente acordou de seus pensamentos. – Está tudo bem? Você ficou aí, quieta.

- Desculpe, Rin-chan. Eu só estava refletindo, mas acabei me perdendo em meus próprios pensamentos. – Fez uma pausa. – Eu realmente espero que o nome no braço de Teto seja sua alma gêmea. Não acho que ela teria qualquer inimigo.

- Não se preocupe com isso. É o... – Quando estava prestes a mencionar o nome, notou o olhar de reprovação da amiga e parou nesse exato momento.

- Ela te contou, não foi? Isso dá azar! Não pode sair espalhando por aí o nome! – A Kagamine suspirou, sabendo que teria que ouvir o discurso da amiga novamente. - Honestamente, vocês são tão irresponsáveis! 

Após uma pausa, sua boca se abriu – Mas visto que não tinha nada mais a declarar, se fechou novamente. Ela simplesmente não conseguia entender como as amigas arriscavam tanto assim! Apesar de ser apenas um rumor, Miku acreditava que revelar tal nome traria azar e era simplesmente revoltante ver suas amigas arriscando a felicidade delas.

Na verdade, o coração da jovem apertava de ansiedade. Assim que Rin voltou sua atenção para a professora, seus olhos foram guiados até seu braço. Que amiga horrível ela era. Não confiou seu segredo nem à sua melhor amiga. As únicas pessoas com quem conversou sobre isso, foram seus pais, e eles haviam tentado de tudo! Mas fora tudo em vão; Nenhum nome surgira no braço da garota. Ela conseguia se lembrar exatamente de como ambos ficaram decepcionados com sua filha “sem alma”. Mas não podia se culpar, podia? Fizera amizade com praticamente todos os garotos de sua sala, e até com garotos de outra sala, mas simplesmente não adiantava. Por Deus, até Kasane havia ganhado um nome!

 

Levou uma das mãos ao peito, apertando com força o uniforme escolar. Seria esse o destino dela? Uma “sem alma”?

 

O resto da aula passara de forma entediante, como de costume. Assim que o sinal tocou, todos os alunos se retiraram da sala de maneira apressada, empurrando uns aos outros. Miku se animou, afinal, quem sabe o clube de literatura não melhoraria o dia? Poderia finalmente terminar de ler um romance novinho em folha. Caminhando com Rin ao seu lado, ambas foram conversando animadamente até a entrada do clube, e assim que abriram a porta, encontraram o resto do clube lá; Luka, Gumi, Oliver, Neru, Gakupo e Yukari. Enquanto os três primeiros debatiam um livro em comum, os outros três estavam tão concentrados em sua leitura, que nem notaram a chegada das duas colegas.  

O livro debatido da vez era “Persuasão”, de Jane Austen. A indicação tinha vindo de Luka, que também era uma romântica incurável e que simplesmente amava os romances que se passavam na Inglaterra e principalmente, na época de 1800.

- O livro é simplesmente muito tosco! – Afirmou Gumi, fazendo com que a Megurine franzisse o cenho. – É “diferenciado”, mas tosco! Admito que a protagonista é bem inteligente, mas ainda assim, segue completamente o padrão da época e ainda assim é taxada de desinteressante. E o pior é que ela acredita!

- Era coisa da época, Gumi! – Luka rebateu. – Sempre arranjavam algum motivo para arruinar a autoestima de uma mulher. Infelizmente, isso ainda acontece. Não culpe a protagonista! Ela é vítima.

- Eu simplesmente achei a declaração bem fofa. – Oliver comentou, com certa timidez. – Não acho que seja pra tanto, Gumi. O livro é bom.

A esverdeada pareceu relaxar com o comentário do loiro, o que não passou despercebido pelos colegas que estavam prestando atenção no debate. Rumores sempre surgiam sobre Gumi e Oliver, sempre afirmando que esses dois eram almas gêmeas. Obviamente, Oliver ficava bem envergonhado quando mencionavam isso, mas Gumi ficava estranhamente na defensiva. Como se ser namorada do loiro, fosse uma grande ofensa.

- Tanto faz. – Por fim, murmurou, fazendo com que Luka se sentisse satisfeita.

Rin se juntou ao trio falante apenas para contar os rumores que ouvira, enquanto Miku preferiu sentar-se perto da janela, tirando o romance de sua bolsa. Assim que retomou sua leitura, era como se ela conseguisse sentir todas as sensações da protagonista: Os batimentos acelerados, a ternura e medo em seu coração e a paixão que mal cabia em seu peito. Pensou em como as pessoas que encontraram suas almas gêmeas era sortudas, e em como daria de tudo para ter uma alma gêmea também. Pensou em como Teto era sortuda ao fazer parte de uma minoria que ganhara o nome mesmo depois de ter completado 14 anos.

Afundou-se na leitura, o peito doendo ao ler cada cena romântica. Ela teria isso algum dia? Sentiria as borboletas no estômago? Coraria ao dizer seu primeiro “Eu te amo” para a sua alma gêmea? A imaginação dolorida da jovem voou longe, e afogando-se em esperanças, seu coração se aqueceu ao ler que finalmente, a protagonista havia encontrado o tão esperado amor.

 

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Uma linha fina foi feita, e assim, o loiro pôde finalmente contemplar seu mais novo desenho. Uma mulher idosa e sorridente que aproveitava com ternura a sensação de calor ao sentir os raios solares iluminarem seu rosto.

- Kagamine-kun? Pode atender aquele cliente, por favor? – A voz gentil de uma garota loira o chamou, fazendo com que o rapaz rapidamente guardasse seu material de desenho e fosse atender o senhor.

Andando até o balcão, perguntou educadamente o que o homem queria. Este analisou bem a feição do mais novo, pensando no motivo para que um adolescente de aparentemente 16 anos, estivesse trabalhando em uma livraria.

- Desculpe, mas... você não é novo o bastante para trabalhar? – O senhor perguntou, fazendo com que os olhos azuis do loiro se arregalassem por um momento.

Na verdade, ele não sabia o porquê de ter ficado surpreso. Sempre lhe faziam essa pergunta. Ouvira ela até mesmo de sua irmã Rin, quando o ano letivo começara. “Fala sério, você deveria estar estudando! Caramba, você só tem dezesseis anos!” era o que a irmã dissera uma vez. “Um de nós precisa trabalhar.” uma resposta curta, mas que calara a loira.

- Preciso juntar dinheiro. – Foi tudo o que respondeu. – Qual livro o senhor deseja?

Assim que mais um cliente satisfeito saiu pela porta, o garoto suspirou, sentando-se na cadeira. Sua colega de trabalho e amiga, SeeU saíra dos fundos, parando ao lado do corpo do loiro.

- Pode descansar, eu assumirei a partir daqui. – Sorriu gentilmente. – Obrigada, Len-kun!

Este apenas murmurou um “de nada”, enquanto erguia seu corpo cansado e se dirigia à pequena salinha nos fundos. Continuou seus esboços, sua imaginação dançando em cada traço.  Nada mais trazia conforto à sua alma. Os desenhos serviam como terapia, ajudavam a esquecer tudo aquilo que passava dentro de casa. Mesmo assim, algo estava faltando. Len sabia disso, mas se recusava a admitir para si mesmo. Recusava-se a admitir que em certos momentos, desejava uma alma gêmea. SeeU era uma ótima amiga, mas não era tão próxima assim e além disso, não era sua alma gêmea.

Foi possível ouvir a porta se abrir novamente, deixando o barulho da chuva entrar. Isso deu à Len uma ideia. Começou a rabiscar em outra folha; Árvores e nuvens de chuva foram surgindo, logo, algumas gotas de chuva também apareceram. Encarou o desenho, avaliando-o, e decidiu que ainda faltava algo.

Assim que a porta abriu e se fechou mais uma vez, ouvira um “Ah, não!” vindo do balcão. Preocupado, o loiro se ergueu rapidamente e foi até a colega, que segurava um pequeno chaveiro.

- Aquela garota esqueceu as chaves! Consegue alcança-la, Len-kun? – A loira indagou em pânico.

Apesar de cansado, o Kagamine assentiu e sem perder um minuto a mais, pegou o chaveiro e saiu apressadamente do estabelecimento.

 

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Para Miku, o mundo ganhava um ar sem graça com a chuva, mas isso era recompensado com seu adorável som, que parecia acalmar qualquer angústia no peito da Hatsune. Apesar do guarda-chuva cor-de-rosa protegê-la, ela ainda podia sentir os respingos de gotas atingirem seus pés.

Len decorava qualquer detalhe da paisagem enquanto corria; Das poças d’água até as gotas de orvalho. Seus olhos azuis pareciam captar todas as características da paisagem chuvosa. Encontrar a Hatsune não foi algo complicado, já que assim que viu sua figura carregando a sacola da loja, seus sentidos logo o alertaram. Apertando o passo, ele gritou:

- EI! – Isso foi o bastante para fazer com que a jovem Hatsune se virasse com seus olhos levemente arregalados.

De repente, o tempo parou para ambos.

Assim que pôs seus olhos na garota, algo se ascendeu no peito do Kagamine. Sua mão segurava o chaveiro firmemente, porém, ele nem se lembrava da existência de tal objeto. Um rubor surgiu em seu rosto molhado e o mundo em sua volta parecia ter ganhado cores mais vivas.

A ingênua Hatsune quase não conseguia respirar. Seus batimentos aceleraram e suas bochechas queimavam. As borboletas pareciam dançar em seu estômago. Ela finalmente sentiu o que tanto esperava, mas no calor do momento, nem se deu conta disso.

Após alguns segundos, ambos pareceram voltar à realidade, mesmo que ainda estivessem bastante envergonhados. Len foi o primeiro a agir; aproximando um pouco mais, lhe devolveu o chaveiro.

- Você tinha esquecido. – O rapaz se esforçou para não gaguejar, e apesar de querer sentir o toque dos dedos da garota, isso não aconteceu quando ela pegou o objeto gentilmente.

Antes que pudesse agradecer – ou pelo menos tentar – o loiro já havia dado meia-volta e fugido dali; Não conseguia suportar tal sentimento estranho que o deixava vulnerável. Porém, Miku continuou lá por um tempo, tentando entender o que havia acabado de acontecer.

Enquanto Len corria e Miku retomava seu caminho, uma leve coceira surgiu no braço de ambos. Estes pararam em meio à chuva, olhando para seus braços com confusão e ansiedade. Letras apareciam lentamente, substituindo a coceira por cócegas.

Duas almas haviam se encontrado naquele dia.

 

Hatsune Miku e Kagamine Len.

 



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