História A Cima da Dor - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.302
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Cuidando



Desperto aos poucos, meu pé dói um pouco e minha testa lateja bem menos do que antes. A luz me incomoda e faz minhas pálpebras tremerem.

Um cheiro maravilhoso de café e muffins me invade. Abro os olhos, e vejo uma enfermeira deixando uma bandeja sorrateiramente sobre a mesa acoplada na cama, ela sorri gentilmente para mim quando me nota acordada. Ela sai em silêncio.

Um ressono profundo corta o silêncio do ambiente, olho para a beira da cama, Norman está dormindo meio desajeitado com os braços apoiados na cama e sentado na poltrona.

Seus cabelos escuros se espalham pelo lençol. Sem pensar muito no que estou fazendo passo a mão pelos fios lisos, afastando do seu rosto. 

Norman não se move nem eu, fico ali com os dedos embrenhado em seus cabelos. Por quê não consigo afastá-lo? Por quê estou o tocando? O que ele ainda faz aqui? Por quê ele está dormindo tão perto assim?

Céus! Por quê eu não quero que ele se afaste? 

Norman abre os olhos de repente, me afasto dele no mesmo instante. 

-Eu dormi? -ele pergunta com a voz rouca meio confuso. Coçando os olhos se espreguiçando. Seu cabelo está bem bagunçado, embora eu tenha acabado de tentar arrumar.

-Você parecia cansado. Não sei como conseguiu dormir nessa posição. -digo e ele ri e dá de ombros. Ele ri e dá de ombros!

-É sério! Você ainda tem uma coluna? -ele me ignora enquanto olha em volta pelo quarto, procurando algo.

-Então é daqui que está vindo esse cheiro maravilhoso. -ele vê a bandeja de café da manhã e esfrega as mãos.

-Pode comer, estou sem fome. -falo me sentando na cama. Tento ajeitar meu cabelo em um coque mas a mão presa no soro não me permite então ele cai por meus ombros e desenrola.

-Tem muffins e café quente suficiente pra nós dois, e além do mais, você precisa comer alguma coisa. -ele empurra a bandeja para minha frente e se senta de pernas cruzadas na cama comigo. Ergo as sobrancelhas, desde quando, Norman Dashwood é tão espontâneo e preocupado assim? Ah é, desde a noite passada. Quando ele foi ao meu resgate sem hesitar. 

-Que foi? -ele pergunta de boca cheia. 

-Você está estranho Dash. Que bicho te mordeu?

-O da fome. -ele responde distraído e abocanha o restante do muffin. 

-Agora coma um pouco. 

Mordo o muffin e tomo um gole de café. Definitivamente meu estômago não está pronto pra isso. Afasto o prato e Norman  suspira, mas parece entender que eu ao menos tentei.

-Tudo bem. -ele diz limpando a boca com o guardanapo depois que termina.

-Como você se sente? Tem alguma coisa doendo, sua cabeça talvez? Você está enjoada ou algo assim? E o seu pé?

-Nossa quantas perguntas. -digo rindo. 

-Você trabalha para o senso nacional? -brinco e ele revira os olhos.

-Eu estou beeeem, bem o suficiente para ir pra minha casa.

-Vou falar com o Gruv. Ele é quem vai nos dizer se nós poderemos ir. -ele diz e sai.

''...quem vai nos dizer se nós...''

''...se nós...'' tipo, eu e Norman.

Blake Clark e Norman Dashwood, isso é estranho de se ouvir. Mas não posso conter um sorriso pela sonoridade de tais palavras. Pela primeira vez em anos não me sinto só. Acho que é por isso que não tive coragem de pedir a Norman que fosse embora.

Tento prender meus cabelos mais algumas vezes, mas desisto quando o cabelo enrosca no cano do soro. Minutos depois Norman retorna com Gruver.

-Bom dia Blake!

-Bom dia Gruv. -respondo animada em vê-lo.

-Como se sente minha amiga? -ele pergunta tocando meu pé ferido, depois tira o curativo da minha testa pra ver o corte. 

-Eu quero ir pra casa. -falo manhosa.

-E vai. -ele ri. -Assim que me disser como se sente. 

-Bem, obrigada por perguntar Dr.Fully. -brinco e ele me olha com olhar de advertência.

-Ela não conseguiu tomar o café da manhã. E parecia estar com um pouco de dor durante a madrugada. -Norman diz parando do lado oposto à Gruver que o olha com certa curiosidade. 

-É verdade Blake? -o médico pergunta é eu fulmino Dashwood com os olhos, ele ri pelo nariz e coloca as mãos nos bolsos do paletó. 

-É sim. -murmuro. 

-Bom, acho que posso te passar uns remédios para dor, e sobre não comer... bem, é porque você esteve na glicose a noite toda. -ele explica.

-Eu te daria alta mais cedo, mas você ficaria sozinha em casa e isso não é bom, não agora. 

-Posso ligar para An. -digo. 

-An está na casa da tia Gerda com o noivo, ela me convidou pra ir. -ele avisa. 

-Ah, é! -me lembro.

-Avisei a ela o que houve com você.  -me agito, ele não devia ter feito isso. O bebê, e se ela se preocupar...

-Ela está bem, e o bebê também, não se preocupe Blake, só... só tive um pouco de trabalho para explicar e convencê-la de que Norman Dashwood estava aqui com você. Ela deu um ou dois berros e me ameaçou caso eu estivesse mentindo pra te encobrir. Mas no fim ela acreditou. -rio pelo nariz.

-Então se An está na tia Gerda e não pode ficar comigo terei que ficar aqui? -pergunto meio indignada e Norman pigarreia.

-Não, não terá. Eu ficarei com você. -ele arruma o cabelo.

-Não quero te dar mais trabalho. -os dois homens me olham. Mas na verdade eu estava grata por ele ter se oferecido.

-Bem, então você pode ficar por aqui até amanhã. -Gruver abana a prancheta.

-Tá bom. -digo contrariada, mas só por que não queria incomodar mais ainda Norman com meus problemas. Norman me olha de um jeito estranho que não sei o que significa.

-Ótimo aprontem-se, voltarei em meia hora com sua receita médica. -Gruver diz e sai do quarto. Ficamos em silêncio por alguns segundos.

-Porque está fazendo isso Norman? -pergunto cansada.

-Você precisa de ajuda, certo? Esse será meu agradecimento. -ele diz desamassando a roupa. 

-Você não me deve nada Norman. -digo negando. 

-Mesmo assim, obrigada. -agradeço de cabeça baixa. Passo as mãos pelo rosto e afasto o resto de sono que sinto. Tento prender meu cabelo outra vez, Norman nota minha dificuldade e me ajuda. Para do lado da cama e junta os fios longos na mão, os enrola, ele parece bem concentrado na tarefa de prender tanto cabelo. Por fim Norman segura os fios em um coque mas agora parece totalmente perdido, sem saber o que fazer a seguir.

-É-é... -ele gagueja.

-Não me diga que você arrancou um tufo de cabelo da minha cabeça. -digo apalpando minha cabeça.

-Eu realmente não sei o que estou fazendo, ou como prender seu cabelo. -ele diz por fim. Olho pra ele que está sem jeito. Começo a rir. 

-Você ri? -ele diz com falsa indignação ainda segurando meu cabelo no topo da minha cabeça.

-Você tem uma caneta? -pergunto respirando fundo.

-Espera. -ele tateia o bolso de trás da calça com a mão que não está na minha cabeça. Rio mais um pouco, o quão engraçada não deve ser essa cena vista de fora?

-Aqui. -ele me mostra.

-Use pra perder meu cabelo gênio. -digo óbvia.

-Ah tá, espera. -ele prende. E se afasta pra ver seu trabalho. Ele entorta os lábios nem aprovando nem desaprovando.

-Huum. 

-Norman! -exclamo.

-O quê? -ele pergunta rindo.

-Devo estar parecendo uma bruaca pela sua cara. 

-Não Blake, você está linda. -ele diz me ajudando a sentar na cama. Ele não me olha nos olhos depois de dizer isso, no entanto eu não perco nenhum movimento seu. Norman ajeita as mangas do meu vestido e calça com muito cuidado em mim tênis genéricos provavelmente emprestados por Gruver e joga sobe meus ombros o paletó dele. Ele está cuidando de mim.



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