História A Cinco Passos De Você (Camren) - Capítulo 1


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Categorias A cinco passos de você, Camila Cabello, Fifth Harmony, Grey's Anatomy, Lauren Jauregui, Zayn Malik
Personagens Addison Montgomery-Shepherd, Alexander "Alex" Karev, Alexandra "Lexie" Grey, Ally Brooke, April Kepner, Arizona Robbins, Calliope "Callie" Torres, Camila Cabello, Cristina Yang, Derek Shepherd, Dinah Jane Hansen, Jackson Avery, Lauren Jauregui, Mark Sloan, Meredith Grey, Miranda Bailey, Normani Hamilton, Owen Hunt, Richard Webber, Zayn Malik
Tags Camren
Visualizações 42
Palavras 3.256
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


A Lauren não vai aparecer nesse capítulo, mas no próximo ela vai,tentei o máximo reduzir mas não deu,achei melhor por tudo mesmo,então por favor leiam tudo mesmo sendo grande,vale muito mesmo.


Então espero que gostem dessa adaptação, créditos aos autores originais ok.

Livro adaptado: A cinco passos de você

Autores:Rachael Lippincott, Mikki Daughtry, Tobias Iaconis

Capítulo 1 - Camila


Passo meus dedos pelo contorno do

desenho da minha irmã, pulmões

feitos a partir de um mar de flores.

Pétalas florescem de cada

extremidade em uma explosão de

rosa-claro, branco e um azul

mesclado, mas, de alguma forma,

cada uma tem uma singularidade,

uma vibração que indica que

florescerá para sempre. Algumas

nem floresceram ainda, mas consigo 

sentir a promessa de vida

pulsando dentro de cada um dos

pequenos botões, esperando para se

desdobrar sob o peso do meu dedo.

Essas são as minhas favoritas.

Eu me pergunto, com bastante

frequência, como deve ser ter

pulmões tão saudáveis. Tão vivos.

Respiro fundo, sentindo o ar

entrando e saindo do meu corpo

com dificuldade.

Ao percorrer a última pétala da

última flor, minha mão desce pelo

desenho, meus dedos traçando o

céu estrelado e cada pontinho de

luz que Sofia fez na tentativa de

capturar o infinito. Eu tusso,

afastando a mão, e me inclino para

pegar uma foto de nós duas na

cabeceira da cama. Sorrisos

idênticos aparecem por trás dos

grossos cachecóis de lã, as luzes de

Natal do parque no fim da rua

cintilando sobre nossas cabeças

como as estrelas do desenho.

Havia algo mágico lá. O brilho

sutil das lâmpadas dos postes, a

neve agarrada aos galhos das

árvores, a quietude e o silêncio de

todo o cenário. Nós quase

congelamos para tirar aquela foto

ano passado, mas era a nossa

tradição. Sofia e eu, enfrentando o

frio para ver as luzes de Natal juntas.

Essa foto sempre me faz lembrar

daquela sensação. A sensação de

embarcar numa aventura com a

minha irmã, só nós duas, o mundo

se expandindo à nossa frente como

um livro aberto.

Pego uma tachinha e penduro a

foto ao lado do desenho antes de

me sentar na cama e pegar meu

bloquinho e lápis da mesa de

cabeceira. Meus olhos percorrem a

longa lista de tarefas que fiz para

mim mesma hoje de manhã,

começando com: 1: planejar uma

lista de tarefas – o que já risquei

com satisfação –, e terminando com 22: contemplar a vida após a

morte.

É possível que o número 22 seja

um pouco ambicioso para uma tarde

de sexta-feira, mas pelo menos

agora posso riscar o 17: decorar as

paredes. Passei a manhã inteira

tentando deixar esse quarto vazio

com a minha cara, e agora, olhando

ao redor, observo as paredes cheias

de desenhos que Sofia me deu ao

longo dos anos – pontos de cor e

vida pulando de paredes brancas

insossas –, cada um deles fruto de

uma ida diferente ao hospital: eu

com o soro intravenoso no braço, a

bolsa cheia de borboletas de diferentes formatos, cores e

tamanhos; eu com uma cânula de

oxigênio no nariz, o tubo se

retorcendo para formar o sinal do

infinito; eu com um nebulizador, o

vapor formando uma auréola

nebulosa. E há também o mais

delicado: um tornado de estrelas

que ela desenhou na primeira vez

que vim para cá.

Não é tão sofisticado quanto

seus trabalhos posteriores, mas, por

algum motivo, isso me faz gostar

ainda mais dele.

E logo abaixo de toda essa vida

está... o meu amontoado de

aparelhos médicos, bem ao lado de

uma daquelas típicas poltronas

verdes de hospital, feita de um

couro sintético horrível, marca

registrada de todos os quartos do

Seatle Grace. Olho com receio para a

bolsa de soro vazia, ciente de que a

primeira das muitas rodadas de

antibióticos do próximo mês está a

exatamente uma hora e nove

minutos de distância. Sorte a minha.

— É aqui — uma voz exclama

do lado de fora do meu quarto.

Levanto a cabeça para olhar quando

a porta se abre lentamente e dois

rostos familiares aparecem na

fresta. Nos últimos dez anos,

Dinah e Normani já me visitaram aqui

um milhão de vezes, e, ainda assim,

nunca conseguem fazer o percurso

da recepção até meu quarto sem

pararem para pedir informações

para todas as pessoas do prédio.

— Quarto errado — digo,

sorrindo ao ver o alívio no rosto

das duas.

Dinah ri, abrindo a porta por

completo.

— Poderia ser mesmo. Esse

lugar ainda é um maldito labirinto.

— Vocês estão animadas? —

pergunto, ficando de pé em um salto

para abraçá-las.

Normani se afasta para me olhar

com um biquinho, seu cabelo

castanho-escuro acompanhando sua

expressão cabisbaixa.

— Segunda viagem seguida sem

você.

É verdade. Essa não é a

primeira vez que a fibrose cística

me faz perder uma excursão, férias

ensolaradas ou um evento escolar.

Em mais ou menos setenta por cento

do tempo, levo uma vida bem

normal. Vou para a escola, saio com

Normani e Dinah e trabalho no meu

aplicativo. Só faço tudo isso com

uma baixa capacidade pulmonar.

Mas nos outros trinta por cento, a

fibrose cística controla a minha

vida. O que significa que, quando

preciso voltar ao hospital para uma

revisão, perco coisas como uma

excursão para um museu de arte ou,

como agora, a nossa viagem de

formatura para Cabo San Lucas.

Essa revisão em particular tem a

ver com o fato de que eu preciso de

doses cavalares de antibióticos

para finalmente me livrar de uma

dor de garganta e febre que não

passam nunca.

Isso e o fato de que minha

capacidade pulmonar está

despencando.

Dinah se joga na cama, soltando

um suspiro dramático ao se deitar.

— São só duas semanas. Tem certeza que você não pode ir? É

nossa viagem de formatura, Camila!

— Certeza absoluta — digo com

firmeza, e elas veem que estou

falando sério. Somos amigas desde

o Ensino Fundamental, e elas sabem

a essa altura que, quando se trata de

planos, minha FC é quem dá a

palavra final.

Não é que eu não queira ir. É só,

literalmente, uma questão de vida

ou morte. Não posso viajar para

Cabo San Lucas – ou para qualquer

outro lugar, na verdade – e correr o

risco de não voltar viva. Não posso

fazer isso com meus pais. Não

agora.

— Mas você foi a chefe do

comitê de planejamento esse ano!

Não dá pra pedir pra eles

remarcarem? Não queremos que

você fique presa aqui — Normani

diz, apontando o quarto de hospital

ao seu redor, que decorei com tanto

cuidado.

Faço que não com a cabeça.

— Mas ainda temos as férias do

meio do ano! E eu nunca perdi

nenhum “fim de semana das BFFs”

das férias desde a oitava série,

quando peguei aquela gripe — digo

com um sorriso esperançoso,

olhando de Normany para Dinah.

Nenhuma retribui meu sorriso, no

entanto, e preferem continuar me

encarando como se eu tivesse

assassinado seus bichinhos de

estimação.

Percebo que as duas estão

segurando as sacolas com roupas

de praia que pedi para trazerem,

então agarro as de Normani em uma

tentativa desesperada de mudar de

assunto.

— Uuuh, biquínis! Temos que

escolher os melhores — digo.

Já que não vou torrar no sol de

Cabo com meu próprio biquíni,

acho que pelo menos tenho o direito

de me imaginar lá enquanto ajudo

minhas amigas a escolher o que vão levar.

Isso anima as duas. Empolgadas,

esvaziamos as sacolas em cima da

cama, criando uma mistura de

estampas florais, bolinhas e cores

fluorescentes.

Analiso a pilha de Dinah.

pegando uma parte de baixo

vermelha que parece algo entre um

biquíni e um pedaço de fio dental, e

eu sei de cara que aquela é uma

peça que já pertenceu à sua irmã

mais velha, Ally.

Jogo a calcinha nela.

— Esse. É a sua cara.

Ela arregala os olhos e segura a

peça por cima da roupa, na altura

da cintura, ajeitando, surpresa, os

óculos de armação fina com a outra

mão.

— Bom, acho que a marquinha

do biquíni até ficaria boa...

— Dinah — eu digo,

segurando um biquíni de listras

azuis e brancas que tenho certeza

que ficará lindo nela. — É

brincadeira. Esse aqui é perfeito.

Ela parece aliviada e pega o

biquíni da minha mão. Vou para a

pilha de Normani, mas ela está ocupada

trocando mensagens com alguém no

celular, sentada na poltrona no

canto do quarto e sorrindo de

orelha a orelha.

Tiro do meio da pilha um maiô

que ela tem desde as aulas de

natação da sexta série e, com uma

risadinha, mostro para ela.

— O que você acha desse aqui,

Normani?

— Adoro! Parece ótimo — ela

responde, digitando freneticamente.

Dinah ri ao colocar seus

biquínis de volta na sacola,

lançando um sorriso malicioso para

mim.

— O Mason e a Brooke

terminaram — explica.

— Ah, meu Deus! Não acredito

— exclamo. Isso sim é novidade.

Uma novidade ótima.

Bom, não para a Brooke. Mas a

Normani é apaixonada pelo Mason

desde os tempos das aulas de inglês

com a sra. Wilson no segundo ano,

e essa viagem é sua chance de

finalmente fazer algo a respeito.

Fico chateada por não poder

estar lá para ajudá-la a colocar em

ação o plano “Romance tórrido

com Mason em Cabo”.

Normani deixa o celular de lado e

dá de ombros, levantando e

fingindo olhar alguns dos desenhos

pendurados na parede.

— Não é nada demais. Vamos

encontrar ele e o Austin no

aeroporto amanhã de manhã.

Lanço um olhar significativo

para ela, que abre um grande

sorriso.

— Tudo bem. É meio que

demais.

Soltamos um gritinho,

entusiasmadas, e eu escolho um

maiô lindo de bolinhas, que é super

vintage e bem a cara dela. Ela faz

que sim com a cabeça e segura o

maiô em frente ao corpo.

— Eu estava totalmente

torcendo pra você escolher esse.

Viro para Dinah e a vejo

olhando para o relógio, ansiosa, o

que não me surpreende. Ela é a

campeã da procrastinação, e

provavelmente ainda não separou

nenhuma peça de roupa para Cabo.

Exceto o biquíni, claro.

Ela vê que percebi sua

inquietação e me lança um

sorrisinho tímido.

— Ainda tenho que comprar

uma canga pra amanhã. 

Dinah sendo Dinah.

Levanto da cama, sentindo um

aperto no peito só de pensar nelas

indo embora, mas não quero atrasá-

las.

— Bom, vocês têm que ir, então!

O voo de vocês sai, tipo,

absurdamente cedo amanhã.

Normani olha ao redor com uma

cara de tristeza enquanto Dinah

retorce sua sacola cheia de biquínis

no pulso. As duas estão tornando a

situação ainda mais difícil do que

eu achei que seria. Engulo em seco

a mistura de culpa e irritação que

parece formar um bolo na minha

garganta. Não são elas que vão

perder a viagem de formatura para

Cabo. Pelo menos estarão juntas.

Abro o maior sorriso que posso

para as duas, praticamente

empurrando-as porta afora. Minhas

bochechas doem de tanta

positividade falsa, mas não quero

estragar o momento.

— Vamos te mandar muitas fotos, o.k.? — Dinah diz, me

abraçando.

— É bom mesmo! Me coloca em

algumas com Photoshop — digo

para Normani, que é tipo a maga da

Adobe. — Vocês não vão nem

perceber que eu não fui!

As duas enrolam na porta e eu

reviro os olhos exageradamente,

empurrando-as porta afora.

— Saiam daqui. Vão ter uma

viagem incrível!

— Te amamos, Camila — elas

gritam enquanto seguem pelo

corredor. Eu as observo indo

embora, acenando até os cabelos de

Dinah sumirem completamente de

vista, e de repente não há nada que

eu queira mais do que ir com elas

fazer as malas, e não desfazê-las.

Meu sorriso desaparece quando

fecho a porta e vejo a antiga foto de

família cuidadosamente pendurada

ali.

Ela foi tirada há alguns verões

na varanda da frente da nossa casa,

durante um churrasco de 4 de julho.

Eu, Sofia, meu pai e minha mãe,

todos com sorrisos bobos enquanto

a câmera capturava o momento.

Sinto uma pontada de saudade ao

lembrar do barulho da madeira

desgastada e frágil do piso que

rangia sob os nossos pés enquanto

sorríamos e nos juntávamos para

tirar a foto. Sinto falta disso. De

todos nós juntos, felizes e

saudáveis. No geral.

Isso não está ajudando. Com um

suspiro, desvio o pensamento,

olhando para o carrinho de

remédios.

Sendo sincera, eu gosto daqui.

Essa tem sido a minha casa longe

de casa desde que eu tinha seis

anos, então geralmente não ligo de

vir para cá. Faço meus tratamentos,

tomo meus remédios, bebo o

equivalente ao meu peso em milk-

shakes, vejo Meredith e Cristina e vou

embora até a próxima crise.

Simples assim. Mas dessa vez estou

ansiosa, inquieta. Porque agora, em

vez de simplesmente querer ficar

saudável, eu preciso ficar saudável.

Pelo bem dos meus pais.

Porque eles conseguiram

estragar tudo com o divórcio. E,

depois de perderem um ao outro,

não vão aguentar me perder

também. Eu sei disso.

Se eu conseguir melhorar,

talvez...

Um passo de cada vez. Vou até a

saída de oxigênio ao lado da cama,

checando duas vezes se a pressão

está correta, e escuto o sibilo

estável do ar saindo dela. Passo a

sonda em volta dos meus ouvidos e

prendo as pontas da cânula nas

minhas narinas. Suspirando, tento

me ajeitar no desconforto familiar

do colchão do hospital e respiro

fundo.

Estico o braço para pegar meu

caderno e ver qual é o próximo

item da lista para me manter

ocupada.

18: gravar um vídeo.

Pego o lápis e mordo a ponta de

cima enquanto, pensativa, olho para

as palavras que escrevi mais cedo.

De um jeito estranho, contemplar a

vida após a morte parece mais fácil

agora.

Mas a lista é a lista, então

suspiro e me inclino para pegar o

notebook em cima da cabeceira,

cruzando as pernas em cima do

novo edredom floral que comprei

ontem na Target enquanto Dinah e

Norma no escolhiam roupas para a

viagem. Eu nem precisava de um

edredom, mas as duas estavam tão

empolgadas para me ajudar a

escolher alguma coisa para a minha

“viagem” ao hospital, que me senti

mal por sair de mãos vazias. Pelo

menos ele combina com as paredes

do quarto, coloridas, vibrantes,

alegres.

Tamborilo meus dedos no

teclado ansiosamente e olho para o

meu reflexo na tela enquanto o

computador inicia. Franzo a testa

ao ver a bagunça do meu cabelo

comprido e castanho e tento ajeitá-

lo um pouco, passando os dedos

pelos fios várias vezes. Frustrada,

tiro meu elástico do pulso e começo

a fazer um coque, na tentativa de

ficar com uma cara mais ou menos

decente para o vídeo. Pego meu

exemplar de Programação em Java

para celulares Android da mesa da

cabeceira e coloco o notebook em

cima dele, para não parecer que

tenho queixo duplo e conseguir um

ângulo um pouco mais favorável.

Eu me conecto à conta do

YouTube Live e ajusto a webcam,

me certificando de que o desenho

do pulmão de Sofia está bem atrás

de mim.

É o cenário perfeito.

Fecho os olhos e respiro fundo,

ouvindo o chiado familiar do meu

pulmão tentando desesperadamente

se encher de ar em meio ao mar de

muco. Expirando devagar, abro um

sorriso do tipo garota propaganda

antes de abrir os olhos e dar enter

para começar a transmissão ao

vivo.

— E aí, gente? Estão curtindo a

Black Friday? Eu ainda estou

esperando essa neve que não chega

nunca!

Olho para o canto da tela

enquanto viro a câmera em direção

à janela do quarto, que mostra o céu

cinzento e os galhos secos das

árvores totalmente sem folhas.

Sorrio conforme o número de

visualizações ao vivo passa de 1k,

uma parte dos 23.940 inscritos do

meu canal do YouTube que

acompanham meus vídeos para ver

como minha batalha contra a

fibrose cística está indo.

— Então, eu poderia estar me

preparando pra entrar num avião

rumo a Cabo San Lucas para a

minha viagem de formatura, mas,

em vez disso, vou passar essas

férias na minha segunda casa,

graças a uma leve dor de garganta.

E uma febre esmagadora. Penso

no momento em que mediram a

minha temperatura hoje de manhã e

o termômetro bateu impressionantes

38,8ºC. Prefiro não comentar isso

no vídeo, no entanto, porque sei que

meus pais com certeza vão me

assistir mais tarde.

Até onde eles sabem, estou

apenas com um resfriado chato.

— Mas quem precisa de duas

semanas inteiras de sol, céu azul e

praia quando pode ter um mês de

luxo bem perto de casa? —

Começo a detalhar, contando nos

dedos: — Vamos ver. Tenho um

concierge disponível vinte e quatro

horas por dia, um estoque ilimitado

de flã de chocolate e serviço de

lavanderia. Ah, e a Meredith convenceu

a dra. Yang a me deixar guardar

todos os meus remédios e

equipamentos no meu quarto dessa

vez! Olha só!

Viro a câmera para a pilha de

equipamentos médicos e depois

para o carrinho de remédios ao meu

lado, já organizados perfeitamente

em ordem alfabética e cronológica

de acordo com o horário

programado em que devo tomá-los,

tudo registrado no aplicativo que

fiz. Ele finalmente está pronto para

o teste!

Este era o número 14 da minha

lista, e estou bem orgulhosa do

resultado.

Meu computador apita quando

os comentários começam a

aparecer. Vejo um com o nome de

Meredith e uns emojis de coração do

lado. Ela é uma das favoritas do

público, assim como para mim.

Desde que cheguei ao hospital, há

mais de dez anos, ela é a chefe do 

Hospital, sempre trazendo

um docinho para mim e para os

outros pacientes com fibrose

cística, como meu parceiro no

crime, Zayn. Ela segura nossa mão

até mesmo durante os momentos

mais intensos de dor, como se não

fosse nada.

Venho gravando vídeos no

YouTube há pelo menos metade do

meu tempo aqui para aumentar a

conscientização sobre a fibrose

cística. Com o passar dos anos,

mais gente do que eu poderia

imaginar começou a acompanhar

minhas cirurgias, meus tratamentos

e minhas visitas ao Hospital St.

Grace, ficando comigo até durante

minha estranha fase de aparelho nos dentes e tudo o mais.

— Minha função pulmonar está

em trinta e cinco por cento — digo

conforme viro a câmera de volta

para mim. — A dra. Yang disse

que agora estou bem perto do topo

da lista de transplantes, então vou

ficar por aqui durante um mês,

tomando antibióticos e seguindo o

tratamento... — Meu olhar vai até o

desenho atrás de mim, dois pulmões

saudáveis pairando sobre a minha

cabeça, fora do meu alcance.

Balanço a cabeça e sorrio, me

inclinando para pegar um frasco no

carrinho de remédio. — ... que

consiste em tomar os remédios no

horário certo, usar o AffloVest, meu

colete vibratório, pra diluir o muco

e... — ergo um frasco para mostrá-

lo — ...fazer uma dieta líquida

nutritiva por meio da minha sonda

todas as noites. Se alguma menina

por aí estiver a fim de ingerir cinco

mil calorias por dia e continuar

pronta para a praia, aceito trocas.

O notebook apita com as

mensagens que não param de

chegar. Ao ler algumas, deixo a

positividade substituir o

pessimismo dessa situação toda.

Força, CamilaNós te amamos!

Casa comigo?

— Os pulmões novos podem

chegar a qualquer momento, então

tenho que estar pronta — digo as

palavras como se acreditasse nelas

de verdade, mas, depois de todos

esses anos, aprendi a manter as

expectativas baixas.

PLIM! Mais uma mensagem.

Tenho fibrose cística também e

você me motiva a sempre manter o

pensamento positivo. Bjo!

Sinto uma sensação gostosa no

peito e dou um último grande

sorriso para a câmera, para a

pessoa que está passando pela

mesma luta que eu. Desta vez, é

sincero.

— Então tá, pessoal! Obrigada

por assistirem. Preciso checar de

novo meus remédios da tarde e da

noite agora. Vocês sabem como eu

sou neurótica com isso. Tenham

uma ótima semana. Tchau!










Notas Finais


Obrigado pela leitura,desculpem qualquer erro❤️🌹


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