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História A Coelha e o Falcão - Capítulo 1


Escrita por: NaniSenpai

Notas do Autor


Yo, Minna! Como vão?
Surpresos, não? Espero que sim porque essa fanfic é realmente uma surpresa minha para vocês!
Já sabem o que vou dizer, não é?
Não, não abandonei minhas outras fanfics;
Não, não vou postar o que tenho delas agora, porque, como meu psicólogo orientou: não se deixe levar pela ansiedade e não faça nada precipitado. Ou seja, estou tentando controlar a ansiedade de chegar no auge da maioria das fanfics que tenho em aberto, por isso estou usando válvulas de escape, criando outras coisas para a ansiedade não virar obsessão – o que tende a acontecer com uma frequência maior do que o saudável. E também não quero me precipitar postando o que tenho pronto, porque estou consciente de que a última coisa que estou é estável psicologicamente, então não quero postar e sumir de novo por bloqueio ou qualquer outra razão, por isso vou continuar acumulando capítulos até eu achar que consigo manter frequência nas postagens e não deixar vocês esperando por muito tempo;
Não, também não é esse o meu novo projeto que comentei há algum tempo na TL e no jornal – O Ying e Yang, caso não se lembrem. Esse projeto aí vou postar mais pra frente, acho que quando terminar de escrever ela inteira (demorou, mas estou aprendendo a lição kkkkk). O caso é que ela é uma LongFic, com o enredo muito bem construído e com personagens muito bem desenvolvidos, então é inevitável ela dar algum trabalho e demandar tempo;
Não, não vou demorar para atualizar essa fanfic aqui porque A Coelha e o Falcão está INTEIRAMENTE escrita! Amém, senhooooor!!! O planejamento de postagem dessa three-shot é:
Capítulo 2 – O ritual do acasalamento – 26/05/2021 / Quarta-feira.
Capítulo 3 e FINAL – O acasalamento – 09/06/2021 / Quarta-feira.
Agora chega dos “não” e vamos para os “sim”!!!
SIM tem Sakura certinha e metódica que vai crescer e desabrochar a ponto de se sentir um mulherão da p*** sem amarras!!!
SIM tem Sasuke introspectivo e mal-humorado que vai descobrir outros lados de si próprio movido pelo ódio de ter perdido uma única vez para quem??? Se pensou no Narutinho, está no caminho certíssimo!!! Além é claro, de Sasuke descobrir muitas coisas boas em perder graças a nossa querida Sakurinha!
Então SIMMMMM tem Narutinho e rivalidade entre melhores amigos!!!
SIM também tem comédia, apesar de eu ser péssima nisso, estou investindo na saída da zona de conforto que é ação e drama. Peguem leve na hora do julgamento, ok? Minha autoestima está bem baixa ultimamente kkkkk
E, por último e não menos importante: SIMMMMMMMMM!!! TEM FOFURA, TEM HENTAI, TEM SASUKE APAIXONADO E SAKURA RACIONAL!
Enfim………….. Fiquem à vontade para conhecer essa história!
Essa primeira temporada é inteiramente narrada em terceira pessoa.
Fechou o rolê?
Boa leitura!*~
Obs.: Entenderam, não é? “Primeira temporada”…, pff! Segurem essa! XD
Obs.²: Capa e banner desenhados à mão pela linda Lara Soares – @littlecarpett no Instagram – especialmente para A Coelha e o Falcão! Você é muito talentosa e preciosa, mulher! Parabéns por essas artes maravilhosas! E para quem quiser uma capa personalizada para aquela fanfic especial que merece ser diferente e exclusiva, entrem em contato com ela, gente! Vale muito à pena! Nas notas finais deixarei os contatos dela!

Capítulo 1 - O Safari


Fanfic / Fanfiction A Coelha e o Falcão - Capítulo 1 - O Safari

Os coelhos são conhecidos por sua aparência fofa: felpudos brancos, com alguns tons rosados distribuídos por orelhas, focinho, barriga e patas. São amáveis e extremamente carinhosos e capazes de ronronar quando se sentem confortáveis e amados.

Já os falcões são conhecidos por sua aparência sóbria: plumagem cinzento azulada, com alguns tons negros distribuídos pela cabeça e asas. São astutos, movidos inteiramente por instintos de sobrevivência e caçadores certeiros.

Mas nem sempre a caça e o caçador agem de acordo com seus papéis.

[…]

Aquela festa estava fora de controle e a conclusão não se dava a música extremamente alta que tinha suas vibrações refletidas até mesmo nos vidros das janelas que estremeciam, nem na superlotação por metro quadrado ou por ter passado mais de quatro horas desde que a primeira leva de convidados chegou e ainda parecer estar apenas no começo, já que mais pessoas continuavam chegando. A conclusão se dava ao fato de parecer, literalmente, o fim do mundo para aqueles seres que bebiam, comiam, dançavam, gritavam e riam como se não houvesse um amanhã.

E o local nem era apropriado para tal, visto que se tratava de uma residência luxuosa de um artista, que no auge de sua carreira resolveu fazer uma pequena comemoração que rendeu em uma festa temática em homenagem aos quadros vendidos com uma dualidade de significado: Safari.

Para quem não sabe, Safari é uma denominação usual para expedições de caça ou observação de animais, então era obrigatório o uso de fantasias de caçadores ou caça – animal que se identificava.

Mas obviamente nem todos tinham consciência dessa pequena observação, como, por exemplo, a mulher que no auge da primavera de sua juventude compareceu a uma festa daquelas pela primeira vez na vida, depois de muita insistência de suas amigas. Fantasiada ingenuamente de coelha, andava por entre as pessoas agitadas e claramente embriagadas tentando sobreviver aos esbarrões acidentais; todos estavam dançando e ela tentando fugir disso, então, teoricamente, era a única errada naquele salão.

A tiara com grandes e “fofas” orelhas brancas com o interno róseo bebê, àquela altura, incomodava sua cabeça mais do que o pompom no bumbum incomodava sua decência. E aquele collant? Santo Deus! Ela queria matar quem o inventou! Parecia mais um espartilho disfarçado de maiô. Fora a indecência daquelas rendas brancas reforçadas com barbatanas verticais rígidas de aço que ficavam sob a tela do tecido quase eroticamente transparente na área da barriga. Não podia nem lembrar do decote que sentia o rosto e pescoço inteiros queimar de vergonha. Até mesmo uma mulher com seios medianos como ela aparentava ser uma G. Aquilo era afrontoso! Não conseguia encontrar uma razão do porquê se deixou convencer pelas amigas a usá-lo.

Coçou a coxa sob o fim de sua meia arrastão 7/8 de renda branca. O silicone que ficava na borda para manter a meia agarrada à pele estava irritando aquela área.

— Desculpe. — disse um pouco mais alto para a pessoa que esbarrou sem querer pudesse ouvir, mas desconfiava que não funcionou, pois o cara ruivo nem ao menos olhou em sua direção; continuou com a cara de poucos amigos observando as pessoas com quem conversava — Eu vou matar aquelas sonsas por isso… — resmungou raivosa, desviando de um braço longo desvairado — “É só uma social… nem vai muita gente.”. É, é. É por isso que não consigo dar um passo sem ser empurrada ou sem empurrar alguém!

Por sorte o som estava alto o bastante para suas injúrias não serem ouvidas por ninguém.

Olhou em volta, situando-se e percebendo que estava perto do extremo do cômodo, onde era possível ver um pequeno espaço desocupado. Torcia para que nenhum grupo percebesse aquele oásis.

Com muito custo conseguiu chegar em seu destino, quase se ajoelhando para agradecer aos céus por ter um sofá de dois lugares e, mais importante, por estar vazio. Correu para lá com um quase sorriso se formando, se equilibrando nos saltos que já machucavam seus pés sem dó.

Sentou-se e deu um pulo na mesma hora quando sentiu algo cutucar o meio do bumbum.

— Maldito pompom… — resmungou, ajeitando o quadril para que o pompom não continuasse incomodando.

Se permitiu soltar um longo suspiro aliviado quando encontrou uma posição confortável. Fechou os olhos e largou a cabeça sobre o encosto, depois de erguer suavemente com as duas mãos os longos fios róseos para livrar a nuca suada da sensação incômoda do cabelo grudado na pele.

O ar-condicionado não está dando conta com tanta gente, concluiu com pesar sentindo o corpo inteiro suado. Coçou mais uma vez a coxa e abriu os olhos, vasculhando a volta para ver se encontrava uma arara-azul, leoa ou raposa-vermelha.

Aquelas três eram inacreditáveis. Arrastaram-na para aquele lugar e sumiram na primeira oportunidade que tiveram.

Passou algum tempo ali sentada observando aquela selva com os mais diversos animais e caçadores dançando, bebendo, conversando, caçando e sendo caçado e criando uma verdadeira baderna, até que sentiu alguém sentar ao seu lado.

Com a sobrancelha rósea perfeitamente desenhada erguida em uma pergunta muda pela aproximação inconveniente, virou o rosto para o lado, encontrando um cara aparentemente emburrado – visto que tinha um bico formado nos lábios e um vinco entre as sobrancelhas quase escondida pela máscara que lembrava bastante a cabeça de um falcão posicionada no topo de sua cabeça, prendendo fios negros medianos para trás como uma tiara.

Então o olhar irritado que antes estava focado no salão trocou o alvo para ela, que se encolheu minimamente em puro reflexo.

— Não estava ocupado. — foi a justificativa acompanhada por um tom grosseiro.

O homem virou o rosto para o lado oposto da mulher bufando e curvou-se para frente para apoiar os antebraços nas pernas e entrelaçar as mãos. Tudo o que passava em sua cabeça era que deixaria de ser réu primário naquela noite com toda a certeza. Queria matar o melhor amigo por arrastá-lo para aquele caos.

O rosto austero se retorceu numa mescla de aborrecimento e nojo quando viu um pouco a frente um cara vomitando contra a parede, depois limpando a boca com a manga da blusa para beijar uma mulher que estava ao seu lado em seguida.

Escondeu os olhos com uma mão respirando fundo para conseguir alguma calma. Era capaz de ver sob as pálpebras fechadas a expressão desesperada do amigo quando o enforcasse com as próprias mãos.

— Ei! — ouviu uma voz feminina berrar e grunhiu em desgosto. Continuou imóvel para ver se o deixavam em paz. Era a décima terceira mulher que o incomodava desde que chegou — Ei! Sakura!

Respirou aliviado quando viu que não era consigo e, ainda de olhos fechados, jogou-se contra o encosto e se obrigou a ignorar tudo à volta, inclusive a música e as vozes altas.

A mulher que ainda fuzilava o cara ao lado com a sobrancelha erguida virou o rosto para o lado oposto quando percebeu pela visão periférica braços finos em sua direção.

— Eu estava te chamando! — e olha aí a arara-azul, aparentemente mais embriagada do que quando a deixou para trás depois de ser arrastada por um loiro escandaloso para a pista de dança improvisada no meio do salão. A morena sentou-se em seu colo sem permissão e ainda passou o braço pelo seu ombro — Que cara é essa? Isso aqui é uma festa!

A voz suave forçando-se a sobrepor a música alta e o embolado embriagado fizeram a mulher franzir o cenho. Quase não conseguiu entendê-la.

— Cadê a Ino e a Karin? — ali a prova de que estava mesmo embriagada: nada de -chan acompanhando os nomes.

— Me pergunto o mesmo desde que percebi estar sozinha! Vocês me abandonaram! — acusou, ajeitando no próprio colo uma das três sonsas que queria matar para reduzir o desconforto do pompom que novamente a lembrou de sua existência — E essa porcaria de fantasia está me aborrecendo! — reclamou, tentando coçar a coxa mais uma vez, sem muito sucesso, já que as pernas roliças da amiga estavam em seu caminho.

— Você está sóbria. — constatou soltando um risinho bêbedo — Vem, vamos resolver isso!

Sakura mal teve tempo de reclamar por ter sido claramente ignorada. Hinata simplesmente agarrou seu pulso e a puxou para aquela muvuca com uma força sobrenatural.

Seus pés, já machucados pelos saltos, sofreram pisões. Seu pequeno corpo esbarrões e sua cabeça – com aquela maldita tiara de orelhas de coelho que escorregava o tempo inteiro forçando-a a ajeitar – era acertada ora por cotoveladas, ora por mãozadas. No fim daquela maratona masoquista estava mais irritada do que antes, principalmente por Hinata – a maldita sonsa arara-azul – ignorar todas as suas reclamações apenas para se concentrar no barman que preparava os drinks que ela pediu.

— Já tomou tequila? — perguntou ao aproximar a boca no ouvido da outra, praticamente gritando para se sobrepor ao som alto — Primeiro: lamba o sal, — explicou, colocando um punhado de sal entre o polegar e o indicador da coelha — depois chupe o limão — entregou uma fatia da fruta — e então vire o shot de uma única vez. — preparou o mesmo para si, vendo a expressão confusa e alarmada da outra. Erguendo o próprio shot ao alto, gritou: — Kanpai!

Arregalando os olhos, a coelha não teve outra escolha a não seguir as instruções.

Sal, limão e shot, repetiu em pensamento com os olhos arregalados ainda mais a cada ação. Muito salgado, muito azedo, muito alcoólico.

A garganta queimou e os olhos lacrimejaram.

— Que droga é essa?! — esbravejou e a arara-azul riu.

— Continua sóbria. — comentou torcendo os lábios. Virou-se para pedir ao barman outra dose e mesmo sob os protestos, impropérios e ameaças da outra, repetiu o ato mais quatro vezes, até se dar por satisfeita quando a fala da amiga se tornou arrastada e embolada — Agora sim! A fantasia e a festa ainda te aborrecem?

— Eu não sinto meu corpo e se não gritasse não conseguiria minha atenção. Está tudo rodando… — murmurou a última parte levando a mão à cabeça. Era a primeira vez que ingeria bebida alcoólica forte daquele jeito e em quantidades não aprovadas por sua rígida disciplina, então foi inevitável estranhar o forte formigamento do corpo e a visão embaralhada. Levantou a cabeça e mirou a não tão maldita assim sonsa arara-azul soltando um riso débil — Isso é engraçado.

Recebeu um sorriso largo e foi arrastada para a improvisada pista de dança.

O ambiente que era iluminado parcialmente pela natureza durante o dia, ganhou tons escuros e coloridos depois do cair da noite. A festa continuava em seu auge com maestria e as duas dançaram por um bom tempo até serem vistas pela raposa-vermelha que se aproximou cambaleante no ritmo da música.

— Quem diria que uma coelhinha indefesa seria encontrada se portando como uma dançatriz? — e aí estava a segunda sonsa que lembrava vagamente de querer matar mais cedo. A raposa-vermelha recebeu em troca um riso frouxo da coelha e um sorriso orgulhoso da arara-azul — Cadê a Ino?

— Não sei. Não estava com a Sakura quando a encontrei.

— Estou com sede… — a coelha reclamou manhosa, olhando na direção do bar — Preciso de água.

A raposa-vermelha fez uma careta contrariada — Água da vida, só se for! Vamos lá!

Inocente, a coelha assentiu, deixando-se ser arrastada mais uma vez pelas duas sonsas que se orgulhava de dizer que eram suas amigas.

Se recebeu cotoveladas, mãozadas e esbarradas durante o percurso não percebeu, assim como também não percebeu a chegada sorrateira da última sonsa que faltava naquele trio de sonsas: a leoa.

Tendo o pescoço enlaçado pela loira, riu, débil.

— Tão alegrinha… andaram te embebedando, não é? — a coelha assentiu com um ar inocente, recebendo risinhos das três amigas — Então vamos continuar essa missão!

A leoa e a arara-azul riram quando viram a raposa-vermelha pedir quatro doses de água da vida ao barman.

Cada uma pegando sua dose, inclusive a coelha por conta própria, brindaram.

— Kanpai! — exclamaram em uníssono.

Sakura engasgou e começou a tossir quando sentiu a garganta e língua queimar.

— Isso não é água! — acusou, cerrando os olhos com a habilidade que lhe restava depois de se embriagar tanto.

— É sim! Água da vida! — a leoa respondeu sorrindo marota e pediu mais uma rodada.

Alarmando-se, a coelha arregalou os olhos — Eu não vou mais beber isso! Já estou ficando fora de mim!

— E não era essa a ideia? — a arara-azul indagou deixando um risinho escapar — Disse que comemoraria como nunca antes deixando-se levar.

— “Sendo irresponsável.” ela disse. — pontuou a raposa-vermelha — Que tipo de irresponsável é você que vai sair de uma festa de arromba como essa estando sóbria?!

O barman entregou o pedido, sorrindo para a coelha que encarava aquele copo como se fosse seu pior inimigo. Ele foi o responsável pelo pedido daquele gracioso grupo de mulheres desde que só estavam duas delas e acompanhou a situação com atenção.

— Vamos lá, Sakura! Por favor! — implorou a leoa com uma expressão pidona que não combinava com a maquiagem e fantasia selvagem. Levantou o próprio copo, incentivando as amigas a fazerem o mesmo — Kanpai?

Dando-se por vencida, a coelha soltou um suspiro resignado e pegou o último copo preenchido sobre o balcão.

— Kanpai! — a arara-azul e a raposa-vermelha gritaram animadas erguendo seus copos.

— Kanpai… — resmungou a coelha virando a dose de uma única vez com os olhos previamente fechados. Soltou um impropério pela queimação na língua e garganta e riu involuntariamente quando sentiu mãos lhe fazerem cócegas, tentando desesperadamente escapar daquela tortura.

— Agora que a nossa coelhinha está alegre de novo vamos dançar! — a leoa gritou recebendo de volta um grito de confirmação antes de irem para a pista.

Longe dali, ainda jogado no sofá dois lugares que agora tinha um casal se pegando no lugar da mulher irritada de outrora, o falcão encarava o teto amaldiçoando o responsável por ele estar ali, em vez de estar em casa mapeando a TV a cabo enquanto reclamava consigo mesmo por ser objetivo quando deveria seguir regras de etiqueta comercial como puxar o saco do cliente, manter conversa fiada, rir das miseráveis piadas sem graças que ouvir, fingir interesse e ser uma pessoa agradável forçando “sutilmente” – como seu superior sempre repetia – o fechamento do contrato.

Bufou irritado quando levou uma cotovelada na costela e lançou um olhar assassino para o cara que beijava a mulher em seu colo como se fosse desentupir uma pia. Aquele casal já estava ultrapassando todos os limites.

Aquilo era uma festa? Sim, era.

Todos estavam dispersos por suas próprias sub-festas? Sim, estavam.

Havia alguém sóbrio para condenar um casal por fazer coisas impróprias em público? Além dele, duvidava muito.

Mas aquilo não queria dizer que estavam livres para fazer o que bem entender, principalmente ao lado dele! Inferno!

— Ei, bastardo! — grunhiu de irritação revirando os olhos ao reconhecer aquele berro mesmo no meio daquele caos sonoro. Não demorou muito para sentir seu pescoço ser puxado violentamente para um tipo de abraço de lado — Que merda ‘tá fazendo aqui, cara?! Isso aqui é uma festa!

Rosnou tirando o braço de seus ombros — Não diga. — ironizou entredentes mirando o olhar assassino no loiro que estava sentado no braço do sofá.

Tudo naquele ser lhe tirava do sério. Os olhos exageradamente azuis sempre brilhantes, o semblante sempre feliz, a postura sempre agitada. Queria apagar para sempre aquela luz que irradiava dele. Mas, naquele dia particularmente, a coisa tomou outro patamar: pior e mais intenso.

Além de tudo aquilo, também queria arrancar aquele sorriso convencido que recebeu por todo o dia e que continuava ali lhe aperreando aos socos, pegar aquela máscara laranja com a face de uma raposa e quebrar na cabeça dele e rasgar aquela camisa laranja fluorescente escolhida unicamente para aquela maldita festa sem hesitação.

Sabia que sua postura e olhar denunciava aquelas intenções, mas, como sempre, causou o efeito contrário: em vez de fazer o inútil se arrepender de existir, o fez gargalhar escandalosamente como o abestalhado irritante que era.

Era em momentos assim que se perguntava como podia ser tão incapaz a ponto de permitir que aquele ser continuasse sendo seu amigo ao longo dos anos. Era muita incompetência.

— Olha, você perdeu uma aposta, ‘tá bem? — indagou risonho — E tem que cumprir o acordo.

— Eu estou aqui. — rezingou pausadamente com os dentes trincados.

— Mas o acordo não era “estar aqui” se perdesse, era: estar aqui, beber até não estar mais sóbrio, se envolver na festa e no final de tudo admitir em alto e bom som na frente de todos os nossos amigos que eu venci.

Rosnou mais uma vez, observando cada vez mais aborrecido o sorriso do idiota crescer ao ponto de os olhos azuis se esconderem entre as pálpebras cerradas.

A fúria era tanta que já podia sentir sob os dígitos a textura do pescoço daquele irritante. Queria enforcá-lo com todas as suas forças.

— Vamos, perdedor… — debochou com um riso zombeteiro — ‘tá na hora de continuar cumprindo o acordo! — com uma intimidade que nunca lhe deu, puxou-o pelo pescoço novamente, mas dessa vez forçando-o a se levantar.

Levantou, mas empurrou-o assim que firmou os pés, rosnando mais uma vez para reafirmar seu ódio por toda aquela situação.

A raposa riu desdenhando de seu mau humor e num aceno com a cabeça indicou para segui-lo.

Foi a contragosto.

O falcão era pragmático e, acima de tudo, alguém que definitivamente cumpria o que prometia, mesmo se tratando de uma aposta estúpida, envolvendo um acordo estúpido, com uma pessoa estúpida.

Como ia adivinhar que logo aquela perderia?!

Tinha tudo para ser o vencedor – como sempre, que fique claro – e, por isso, nem se atentou aos detalhes caso perdesse, somente concordou com desdém para que o amigo calasse a boca e o deixasse em paz para terminar de revisar o contrato objeto central da aposta.

Grunhiu quando esbarraram em si, amaldiçoando todas as gerações daquele que seguia.

Estava tão cego de ódio e inflado de contrariedade que não prestou atenção em nada. Quando deu por si, estava escorado contra um balcão do bar improvisado no extremo do salão, sendo motivo de chacota para os amigos do seu amigo que considerava, no máximo, colegas de trabalho, remexendo um copo com alguma bebida que lhe deram.

— Para de enrolar e bebe logo! Isso aí vai dar um grau mais rápido. — a raposa lhe deu um soco no ombro amistoso e apertou o copo para se distrair do reflexo – e absurda vontade – de devolver o soco naquela cara deslavada.

Olhou para o líquido esverdeado e licoroso e depois para os olhos azuis que o tinham como foco com expectativa.

— “, beber até não estar mais sóbrio…” — cantarolou, fazendo-o rosnar por lembrar mais uma vez que foi prepotente o bastante para não se atentar às cláusulas do acordo.

Virou aquela merda garganta abaixo na força do ódio e repetiu o ato mais duas vezes porque, segundo o idiota ganhador da aposta, ele não estava no maldito “grau”, seja lá o que aquilo significasse.

Percebeu gradualmente no decorrer do tempo que estava devidamente de acordo com a parte citada a pouco. Tudo ao redor girava, o som estava levemente abafado e a movimentação em torno de si ora lenta, ora rápida, deixando-o confuso a ponto de não assimilar nada do que acontecia. Tinha uma leve impressão de que os amigos do seu amigo estavam nas mesmas condições precárias de embriaguez e que o amigo em si estava pior, pois gesticulava mole conforme a boca abria e fechava continuamente, muito provavelmente proferindo idiotices, e vez ou outra cambaleava como se estivesse tonto a ponto de não ter equilíbrio nem mesmo parado.

E, pela primeira vez naquele dia, sentiu o canto do lábio repuxar numa insinuação de sorriso. Não era um sorriso com boas intenções, muito pelo contrário, era um sorriso de escárnio.

O idiota conseguiu ficar pior do que ele.

Era realmente um perdedor.

Então lembrou-se que perdeu para ele naquele dia.

Voltou a sentir ódio.

A insinuação de sorriso virou uma linha reta de desgosto.

Rosnou involuntariamente soltando um “Merda.” em seguida. Aquele dia conseguiu superar o péssimo.

Um soluço alto interrompeu o que quer que a raposa discursava e todos começaram a rir. Constrangido, o loiro voltou-se ao falcão com um sorriso frouxo e olhos semicerrados.

— Ainda faltam duas coisas, bastardo! Mas vamos continuar avançando por partes, beleza?

Depois de levar alguns segundos para entender aquela fala embolada e desafinada, revirou os olhos.

— “, se envolver na festa…”, — zombou com um olhar celeste sugestivo e duas levantadas rápidas de sobrancelhas loiras em direção aos amigos dele. O falcão continuou imóvel, descrente de o idiota continuar lembrando-o do que estava tentando esquecer. — ‘tô esperando, Sasuke.

Trincou os dentes, deixando um potente rosnado arranhar a garganta. Sentiu-se tentado a realizar a única coisa que desejou o dia todo com fervor. Oh, as mãos dele, com certeza, se encaixariam perfeitamente naquele pescoço.

— Ei, galera, — a raposa desviou o olhar cínico para os outros quatro homens daquela roda de amigos — por que não incluem o ranzinza aqui nesse papo? Talvez isso o incentive a tirar o atraso…

Ao final daquela frase vieram risadas e o ranger dos dentes dele por travar o maxilar.

Não sucumba ao ódio, repetia para si mesmo fuzilando o cínico do amigo.

— Estamos falando daquelas garotas, — o idiota 1 apontou para um grupo feminino em particular que se destacava muito bem na multidão no meio da pista improvisada de dança, sobre uma espécie de palco também improvisado que não estava lá quando atravessaram o salão para chegar ao bar. Haviam quatro mulheres inteiramente fantasiadas dançando entre si como se não estivessem na mira de todos os presentes. Elas pareciam a miragem de parte de um arco-íris já que suas cores eram diferentes uma das outras: uma branca, outra azul, outra dourada e outra vermelha. O falcão desviaria o olhar daquilo por desinteresse facilmente, mas uma mulher dali o manteve preso. Reconheceu as orelhas de coelho e os cabelos de cor incomum, era a mulher irritada do sofá — discutindo sobre qual é a mais sexy.

O idiota 2 riu débil — Já disse, é aquela raposa-vermelha! Olha como ela rebola! Se rebolasse daquele jeito no meu colo…

O falcão reviraria os olhos, mas foi surpreendido por uma raposa furiosa dando um tapa na nuca do idiota 2 — Aquela é a minha prima, desgraçado! Retire o que disse!

Inesperadamente, seja pelo efeito exacerbado do álcool ou por ver o amigo puto da mesma forma que estava há pouco, começou a rir. Não foi uma risada alta, pelo contrário, foi contida, mas não passou despercebida pelo grupo.

— E você ‘tá rindo do que, bastardo?! — a raiva direcionada ao idiota 2 se voltou para ele quando a raposa grudou no colarinho de sua camisa social escura.

— Estou apenas “me envolvendo na festa”. — destilou toda a raiva incontida e acumulada devolvendo aquela provocação barata com o melhor tom de zombaria que tinha. A raposa grunhiu e o canto dos próprios lábios puxou um sorriso de canto matreiro — Não era o que queria?

Argh… você me irrita. — apesar de soltar o colarinho de sua camisa, o empurrou de leve com birra.

— Não tanto quanto você me irrita, garanto. — rebateu com acidez e só desviou o olhar atravessado que correspondia firmemente porque algum dos quatro idiotas gritou um “Puta que pariu!” ainda olhando na direção daquelas mulheres.

Engatou a respiração observando uma cena um tanto… peculiar.

A de vermelho beijava a de dourado sem pudor e como se isso não fosse bastante impactante, a de branco e a de azul estavam envolta de um clima absurdamente sensual enquanto dançavam uma roçando no corpo da outra, brincando com a imaginação de quem ousava criar a continuação além do que as duas proporcionavam.

— Caralho… meu pau ‘tá duro. — o idiota 3 comentou com a voz rouca.

O falcão expressou uma careta olhando com nojo para o indivíduo que apertava o que havia entre as pernas e em seguida revirou os olhos.

— O que elas vão fazer?! — o idiota 4 exclamou, obtendo a atenção do falcão que rapidamente olhou na direção daquele palco pecaminoso.

A de branco colocou uma das mãos no pescoço da de azul, afastando com delicadeza os longos cabelos escuros. Sorriu maliciosa para o público e beijou o pescoço nu. Não obstante, desceu o beijo explicitamente envolvendo a língua, lambendo-a como se lambesse um sorvete de picolé. Outra lambida, um pouco mais embaixo. Mais outra, no meio do peito. E outra, entre o vale dos seios adornados pelo top azul brilhante.

Qualquer som proveniente de conversas paralelas ou canto de acompanhamento à música sumiu, não naquele momento, mas o falcão só percebeu o repentino “silêncio” naquele específico instante, quando engoliu a seco e a pulsação acelerada refletiu no ouvido.

A de azul sorriu maliciosa, pousando uma mão no ombro da outra, que, com uma lambida mais longa, traçou o caminho percorrido de volta ao pescoço, finalizando com um beijo demorado ali.

Todo o álcool que bagunçava seus sentidos pareceu desaparecer de um segundo para o outro de seu sangue com a descarga abrupta de adrenalina quando a de branco sorriu ladino para o público mais uma vez.

Estava tão concentrado naquela figura perigosamente maliciosa com a fantasia de uma coelha inocente que não percebeu que o beijo entre a de vermelho e dourado havia acabado e que uma delas pegou um microfone com o DJ da festa que baixou significativamente o volume da música que tocava.

— Gostaram do nosso showzinho? — a de dourado incitou e a multidão gritou um sonoro “Sim!”, inclusive os 4 idiotas — Então que tal esquentar as coisas um pouco mais?

Um barman, identificado pelo uniforme preto, se aproximou do palco e entregou uma garrafa para a de vermelho.

— Eu vou lá, preciso ver isso de perto! — o idiota 2 avisou e não esperou resposta, apenas sumiu por entre aquela gente.

Quando os outros três idiotas e a raposa o seguiram, não restou opção ao falcão a não ser fazer o mesmo. Enquanto caminhava para perto assistia as quatro mulheres conversarem entre si soltando risos e sorrisos como se estivessem aprontando algo que garantiria diversão sobretudo à elas.

Empurrou algumas pessoas no trajeto, como também foi empurrado, no entanto, no fim, conseguiu chegar ao grupo que participava, a uma fileira de distância do palco. Conseguiram uma vista privilegiada.

A de dourado amplificou a voz no microfone outra vez — Alguém aqui conhece o body shot?

A multidão enlouqueceu. Outro sonoro “Sim!” a fez sorrir maliciosa e passar o microfone para a de vermelho.

— Então escolham a vítima! — incentivou, indo para o canto do palco para apontar para as outras três — Qualquer uma das minhas amadíssimas amigas! E claro, não esqueçam que estou entre as opções!

Uma confusão se formou com uma facilidade assustadora. Até mesmo o falcão ficou tentado a opinar, principalmente ao ver os idiotas e a raposa fazerem o mesmo.

A raposa berrava “Azul”, o idiota 1 “Branco”, o idiota 2 “Vermelho”, o idiota 3 “Dourado” e o idiota 4 “Azul”.

Sua opinião particular seria “Branco”, mas não ousou se pronunciar, mesmo que acreditasse firmemente que não seria ouvido pelos colegas ou mesmo pelo amigo se o fizesse. Era mais uma questão de se mostrar indiferente por orgulho.

De repente, depois de vários minutos e gracejos da de vermelho instigando um resultado, só duas ganharam força: “Azul” e “Branco”.

Pelo visto a cena das duas de “lambidas” conseguiu maior preferência do que a de beijo das outras duas.

— Uau… vocês estão animados, hein? — a de dourado comentou com um riso — Já que a disputa está acirrada entre essas gostosas… — deu um passo para o lado, deixando as duas em questão uma ao lado da outra — o que acham de uma ser a vítima e outra a felizarda? — “Sim!” foi unânime — Então escolham: quem é a vítima?

“Azul” prevaleceu após alguns minutos e não era segredo o porquê. Todos queriam ver um pouco mais da coelhinha sedutora com a língua em prática.

— Ok! Temos nossa vítima! Agora escolham: no shot ou no corpo?

“Corpo” foi unânime de prontidão.

— Certo, então vamos escolher juntos onde. — vários gritos e assovios vieram — Vou apontar pelo corpo da nossa linda arara-azul e vocês serão meu termômetro para saber onde é mais quente… — outra onda de gritos e assovios — Então vamos lá!

Ela abaixou-se com graça e começou apontando para os pés da garota de azul que tinha o rosto avermelhado, embora mantivesse um sorriso tímido à face.

Os gritos foram poucos.

Subiu para os joelhos, menos gritos ainda.

Coxas, a sonoridade aumentou.

Barriga, os gritos se misturaram aos assobios.

Mas quando chegou nos seios, parecia que todos os presentes, de homens à mulheres, começaram a gritar e a fazer barulho.

— Que safadinhos… — a de dourado brincou, piscando um olho de forma maliciosa antes de se virar para a de azul — aí fica num lugar difícil, hein! Como vai ser a logística?

A pergunta foi retórica, mas o público começou a gritar opções.

A de vermelho pegou o microfone da outra sorrindo diabolicamente — Vamos fazer assim: vocês se sentam no chão e nossa vítima deita aqui no palco, assim todos podem ver. O que acham?

Não houve nenhum protesto. Aquilo parecia uma brincadeira – muito pervertida por sinal – com crianças obedientes. Em menos de um minuto não havia uma pessoa sequer em pé, isso incluía o falcão, que se sentia às margens da ansiedade e expectativa focando o olhar na de branco, que mordia a ponta da língua esboçando aquele sorriso ladino coberto de más intenções.

— Isso foi rápido. Vocês estão mesmo animados. — a de dourado retomou a apresentação, recebendo exclamações de concordância — Vem, coração, hora de deitar! — ofereceu apoio para a de azul com a mão desocupada, ajudando-a a se deitar, depois virou-se para o público — Estão vendo essa delícia direitinho? — “Sim!” foi unânime — Ótimo… — virou-se para a de branco e a puxou pela mão, virando-se para ela com um sorriso matreiro. Cochichou algo no ouvido dela, algo que a fez rir e assentir. Se afastou e virou para o público — agora senta, amor.

— Porra… essa aí parece ser do tipo dominadora. — o idiota 3 comentou, tão sem noção da entonação que usou, que foi alto o bastante para que algumas fileiras envolta deles ouvissem e concordassem.

O falcão estava com os olhos presos naquela coelha devassa que calmamente andou até sua vítima, erguendo a perna direita apenas para ficar com ela entre as suas. Abaixou-se lentamente olhando para o público com malícia e esboçando aquele sorriso ladino que parecia sua marca registrada. Os joelhos alcançaram o chão do palco e logo o quadril dela estava sobre o quadril da de azul.

A de branco virou o rosto na direção da sua vítima e acariciou-lhe o rosto com as duas mãos antes de afastar o cabelo escuro com a mesma delicadeza de antes, deixando um simples beijo em cada bochecha numa ação carinhosa.

A de vermelho se aproximou com a garrafa e a de branco pegou, abriu e levantou, então a de dourado se aproximou conforme a de vermelho se afastou e colocou o microfone à frente da boca de branco:

— Kanpai!

Um “Kanpai!” fervoroso surgiu do público acompanhado por assobios.

Com a mão desocupada, a coelha colocou o próprio cabelo róseo para o lado esquerdo, de forma que não atrapalhasse a vista do que estava prestes a fazer e com a mão que segurava a garrafa virou o conteúdo sobre os seios da de azul que visivelmente arfou. Logo se curvou sobre a mulher e colocou a língua para fora um pouco antes de tocar a pele molhada pela bebida.

A cada lambida que ela dava sobre os seios, tanto a parte descoberta, quando a parte coberta pelo top, os homens arfavam tamanha sensualidade que ela exalava. Fora que a vítima estava apreciando tanto que em certo momento fechou os olhos e escondeu a própria boca com a mão.

Aquela cena era mais erótica do que um pornô com cenas mais explícitas.

Alguns minutos se passaram naquilo, até que a de branco se endireitou olhando para o público lambendo os lábios com uma expressão de contentamento.

O grito foi geral e os assobios também.

— O que achou, arara-azul? — a de dourado se aproximou, agachando-se na altura da cabeça da vítima, lhe estendendo o microfone.

— Instigante. — a resposta veio de uma voz suave que não combinava nem um pouco com a perversidade do que protagonizou até então.

— Puta que pariu! — a raposa berrou, afetado de um jeito que o falcão achou patético.

Uma onda de exclamações veio e quando a multidão se acalmou, a narradora virou-se para a felizarda, que ainda estava sentada sobre o quadril da vítima.

— E você, coelhinha… o que achou? — passou o microfone para a de branco, que sorriu para o público antes de responder.

Insatisfatório. — disse lentamente, como se apreciasse cada sílaba antes de proferi-la e então veio outra onda de exclamações, a maior até então.

O falcão se remexeu desconfortável quando sentiu uma fisgada inapropriada. Se sentiu ainda mais patético do que a raposa. Olhou para baixo com o cenho franzido em desaprovação prévia e confirmou sua suspeita: estava realmente excitado. Excitado por ver uma mulher lamber o vale dos seios de outra. Não, não foi isso que o excitou, tinha certeza. Foi ver aquela coelha infame ser tão… perversa.

Lembrou-se de quando interagiu com ela por um breve momento que lhe direcionou uma expressão profundamente irritada e de como nada parecia com aquela mulher no palco, conseguindo enlouquecer muitos – senão todos – com pouco.

A de dourado riu no microfone e aguardou pacientemente a multidão se acalmar.

— Bom, se foi instigante e insatisfatório… acho que devemos repetir a dose, não acham?

Dessa vez, não foi apenas um “Sim!” unânime, foram vários. “Sim! Sim! Sim! Sim!” ecoou até a de vermelho se aproximar e cochichar algo com a de dourado, que assentiu animada com um largo sorriso.

— Essa raposa-vermelha quer agradar vocês mais um pouquinho… — brincou se aproximando e abaixando para cochichar no ouvido da de branco, que riu parecendo desacreditada, mas assentiu, tirando da outra um sorriso ao se levantar e dar um passo para trás, olhando para o público — ela nos deu uma ideia, que nossa coelhinha levada vai perguntar para nossa vítima se aprova.

Um burburinho começou e parou quase em seguida quando a de branco se curvou para baixo e posicionou a boca próximo da orelha da de azul. Sussurrou-lhe algo e se endireitou olhando de relance para o público, depois para a vítima que prendia um sorriso nos dentes superiores ao assentir para o que quer que fosse.

A expectativa estava a mil. Ninguém fazia a menor ideia de como poderiam agradar ainda mais.

Até que a de branco levou a mão esquerda ao pescoço da de azul, trazendo-a para si, consequentemente fazendo-a se sentar também. Ela ajeitou melhor as pernas em torno do quadril da vítima e a tombou um pouco para trás. A de azul colocou ambas as mãos no chão como apoio e sorriu assentindo mais uma vez.

Foi suficiente para a de branco pegar a garrafa que tinha deixado ao lado e erguer, aguardando a de dourado levar o microfone para si:

— Então que seja… Kanpai!

Até aquele instante, as intenções delas não eram claras, mas quando a coelha derramou uma generosa dose sobre o vale dos seios da vítima e começou aquele ritual pecaminoso de lambê-la o arfar coletivo foi automático, principalmente por vê-la deixar a garrafa ao lado e posicionar a mão na lateral do corpo na altura do seio, roçando maliciosamente o polegar numa carícia sugestiva na borda inferior do volume para quem quisesse ver. E nisso, a língua dela continuava trabalhando incessantemente, lambendo aquela pele como uma gatinha lambia: lentamente e apreciando cada contato.

Aquela posição entre duas mulheres era uma verdadeira obra de arte.

A de azul fechou os olhos e novamente escondeu a boca entreaberta com a mão.

Aquela tortura se estendeu por um bom tempo, bem mais do que a anterior.

E quando a de branco abriu os olhos e a de azul também, abaixando a cabeça, ambas se encarando como se só elas estivessem ali, o tempo pareceu ter parado, embora a língua continuasse acariciando a pele.

Prestes a finalizar aquela cena, a de branco sorriu de canto um pouco antes de, em vez de lamber, ousar sugando a carne exposta num chupão molhado que finalizou estalado, amplificado pelo microfone que a de dourado posicionou ali para que todos pudessem ouvir.

Então aquele era o agrado

E que agrado….

Misericórdia, era demais para a sanidade de qualquer um.

Numa reação em cadeia, era possível ver todos os homens remexendo-se desconfortáveis, com uma inevitável ereção desconcertante.

A multidão explodiu em baderna, gritando, assobiando e aplaudindo com fervor.

— Acho que gozei sem nem tocar no meu pau. — a raposa comentou e o falcão o olhou de esguelha antes de revirar os olhos.

Tudo bem, aquilo foi excitante. Muito excitante, na realidade. E também admitia a ereção, mas chegar àquele ponto já era demais.

A de branco virou o rosto para o público e sorriu. Voltou-se para a vítima, que também sorria, e lhe beijou a bochecha rubra antes de se levantar e ajudá-la a se levantar também.

A de dourado se aproximou da de azul, abaixando o rosto na altura que foi feito um chupão molhado, rindo no microfone ao encontrar o que queria.

Virando-se para o público, brincou maliciosa:

— Mesmo se nada mais acontecer com você essa noite aqui, vai pra casa no lucro com uma marquinha de lembrança, hein.

Posicionou o microfone à frente da boca da de azul:

— Lucro? Está mais para um prêmio. — riu suavemente, sendo acompanhada por todos.

— Bom, — a de dourado se virou para o público — falando em prêmio, acho que nossa coelhinha também merece um não acham? — “Sim!” ganhou força e unanimidade por um bom tempo, o que gerou um risinho da mulher — E quem vai ser a felizarda, hein?! — “Eu” começou a partir do público, impressionando as quatro no palco. De repente, o sorriso da de branco sumiu e os olhos claros arregalados miraram a de dourado, que sorriu maliciosa antes de voltar para o público — Então vocês também querem participar, huh? O que acham, meninas? — ignorou o que a de branco falava e ninguém conseguia ouvir, já que estava longe do microfone, mas estava óbvio que protestava e se virou para as outras duas que assentiram fervorosamente com grandes sorrisos maldosos à face — Então está decidido! Quem vai participar?

Todos se levantaram numa sincronia que parecia ensaiada e várias frases gritadas transformavam aquilo em caos, junto de empurrões de todos os lados por desesperados tentando se aproximar daquele palco. Os quarteto de idiotas e a raposa estavam tão alvoroçados quanto o resto do público e o falcão lutava contra seu orgulho para se enfiar naquele meio para ter alguma chance de ser escolhido, afinal, quem não iria querer ter a chance de cair de língua naquela coelhinha?! Nem mesmo ele era imune àquilo.

— Droga, cara! Eu não posso ir para casa sem participar de uma coisa dessas! — a raposa berrou desesperada, balançando o braço ao alto na tentativa de ganhar a atenção das três que se aproximaram da ponta do palco para vasculhar rosto por rosto enquanto a de branco estava pálida observando-as — Aqui! Me escolhe!

Oh… e olhando aquela cena o falcão expressou um sorriso diabólico.

O pontapé que precisava para tomar alguma atitude foi aquele. Movido pela mescla de rivalidade, desejo por aquela maldita coelha perversa e orgulho, atropelou todos que estavam em seu caminho rudemente e puxou para trás o idiota 1 que estava prestes a subir ao palco a convite de uma das mulheres.

Pegou impulso com facilidade e subiu ao palco sem perder a áurea de superioridade. Ao se endireitar e virar para aquelas mulheres que o olhavam com sorrisos largos, aumentou o tom de voz para ser ouvido:

— Eu vou participar. — afirmou confiante e sorrindo de canto com todo o charme que lhe cabia mirou os olhos claros daquela coelhinha safada que ia ter o troco por deixá-lo duro no momento mais inoportuno possível.


Notas Finais


Sei que ficou claro no decorrer do capítulo, mas aqui vai algumas curiosidades das escolhas das fantasias, identidades de alguns personagens figurantes e tradução do que foi dito em outro idioma:

O realizador da festa – como foi narrado no capítulo, o dono da festa é um pintor, logo, remete a um personagem da obra original muito óbvio: para quem desconfiava que era o Sai acertou em cheio!
O ruivo que a Sakura esbarrou no início do capítulo – lógico que era o Gaara!!!
O Barman – Shino. Não o escolhi por nenhum motivo especial, só gosto dele e resolvi inseri-lo.
Coelha – Se trata da nossa Sakura!
Arara-azul – É a Hinatinha! Achei perfeita essa escolha porque a arara-azul é monogâmica e dedica-se a cuidar de seu ninho e filhotes. (Não sei porque, mas depois que fiz essa escolha eu lembrei da animação Rio, a dona do Blue. Imaginem a fantasia dela daquele jeito).
Leoa – Ino, claro! As leoas são conhecidas por sua força, vigilância e instinto protetor. São elas que vão à caça, sabiam?
Raposa-vermelha – Karin obviamente! Raposas-vermelhas são muito territorialistas e dificilmente se juntam a um bando, mas também quando se juntam, pode pá que dá pra contar!
Kanpai – É a palavra japonesa usada para brindes.
Água da vida – Vodka. Russos consideram a vodka água da vida. Curioso, não? Kkkkkk
Dançatriz – mulher que dança. Usei essa palavra específica porque mulher que dança é diferente de dançarina. Dançarina remete a alguém que dança com frequência ou profissionalmente, o que não é o caso da Sakura nessa fanfic.
A bebida licorosa e verde que Naruto entregou ao Sasuke – Absinto. Pra quem não sabe, é uma bebida extremamente forte e dependendo da marca também alucinógena.
Falcão – ora… porque será que o falcão foi escolhido para o Sasuke, hein? Kkkkk
Raposa – Narutinho não poderia ter outro escolhido, né? Kurama me assombraria se o fizesse!
Quanto ao grupo de idiotas (não dei muitos detalhes deles neste capítulo porque eles não são muito relevantes agora, mas abaixo deixo em quem pensei ser cada um):
Idiota 1 – Lee.
Idiota 2 – Suigetsu com toda a certeza! Só consigo imaginar ele sendo tão… explícito assim, além é claro, não há par melhor com a Karin, não acham? (Não que isso seja garantia de que serão um par mesmo).
Idiota 3 – Shikamaru.
Idiota 4 – Kiba.
Nesses três primeiros capítulos será frequente o uso dos substantivos: felizardo e vítima. Se refere ao nome que se dá aos jogadores de body shot. Felizardo para quem faz e vítima para quem recebe.

Segue playlist dessa fanfic:

https://www.youtube.com/playlist?list=PLD4t2CPEK9Ke5QGnFAXpgE0AgimEg1AYn

E aí? O que acharam?
As garotas foram longe demais? AH, SIM! Quero deixar claro que Sakura e Hinatinha não terão nada além de amizade nessa fanfic! Aquele momento entre as duas não passou de uma brincadeira, viu?
Mais importante, acham que a Sakura foi longe demais? E olha que ela nem estava tentando seduzir alguém em especial, hein! Me contem: o que esperam dela para os próximos capítulos? Como acham que ela vai lidar com o que fez nessa festa?
E o Sasukinho hein? Aí, não vou falar nada dele porque gamei nele de um jeito que faz de mim suspeita, mas quero que vocês me falem o que acharam tá?

PRÓXIMO CAPÍTULO: O ritual de acasalamento.
DATA DE POSTAGEM: 26/05/2021 – Quarta-feira.

Estão gostando dessa pegada?
Contem-me tudo e não me escondam nada!
Até a próxima, Minna!*~
Obs.: Vou aproveitar e indicar meus últimos lançamentos, está bem?
SasuSakuSara UN – Oneshot fofinha que conta, pelas palavras do Sasuke em um “diário”, como foi a história de amor dele com a Sakura. Quem leu disse que vale à pena, então passem lá, sim?

https://www.spiritfanfiction.com/historia/coletanea-uchiha-sasuke-22255532

SasuSaku UN 18+ – Essa fanfic é atualizada semanalmente e conta a história da Sakura que se afilia à Akatsuki para salvar Konoha e as pessoas que mais ama. E no meio disso, se vê obrigada a ser dupla do Itachi, aquele que ela abomina por tudo o que ele fez com o Sasuke, e lutar contra as pessoas que ela deveria proteger, inclusive o Naruto.
É, tem bastante drama, fazer o quê? Kkkkkk
Muita gente diz que é uma fic boa, então deem uma chance também, sim?

https://www.spiritfanfiction.com/historia/petalas-de-cerejeira-21885538

Obs.²: Na nota inicial eu disse que deixaria os contatos com a Lara disponíveis caso queiram uma arte exclusiva e aqui estão:

https://www.facebook.com/lara.soares.980

https://www.instagram.com/littlecarpett/

Agora sim é até a próxima kkkkk!*~


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