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História A Coelha e o Falcão - Capítulo 3


Escrita por: NaniSenpai

Notas do Autor


Yo, Minna!
Como vão? Espero que bem!
Bom, eu estou numa correria de matar, por isso demorei tanto para postar esse capítulo hoje – e porque estou fora de casa e mandei o conteúdo pro meu e-mail e saiu toda a formatação, então tive que reler e arrumar tudinho… Fora que, para vocês terem noção, a correria está tão grande ultimamente que, particularmente, achei que hoje era terça. Acreditam? Tô ficando doidinha kkkk
Se não fosse duas leitoras, as lindíssimas Thaynna Paixão e Thuanny Ferreira, que me cobraram no Facebook eu nem ia me ligar que era dia de postagem T_T
Então obrigada, meninas!
Sobre esse capítulo… é O ÚLTIMO! SIMMMMM!!! Chegamos ao final dessa Three-shot em ritmo de festa e flertes! Mas não fiquem tristes, ok? Apreciem sem moderação e NÃO DEIXEM DE PASSAR NAS NOTAS FINAIS, NA ÚLTIMA OBSERVAÇÃO, vocês vão gostar do que tenho a dizer ‘-’
É isso! Sei que estão ansiosíssimos, então sem mais, boa leitura!*~
Obs.: Se estão esperando coito desenfreado, vão se decepcionar. Não consigo escrever hentai cru, desculpem!!! Mas fiz o melhor que posso, tá? Isso eu posso garantir kkkkkkk

Capítulo 3 - O acasalamento


Fanfic / Fanfiction A Coelha e o Falcão - Capítulo 3 - O acasalamento

Os coelhos são naturalmente brincalhões, agitados a ponto de dificilmente pararem quietos e muito receptivos a qualquer aproximação, no entanto quando se sentem ameaçados ou irritados são capazes de hostilizar o agente causador e, caso se sintam inseguros, facilmente recorrem à fuga.

Já os falcões são indivíduos observadores, que dificilmente interagem com o que há ao redor, tanto por serem muito desconfiados como por serem calculistas, contudo, se algo ganhar sua atenção, ganhará também sua inteira dedicação.

[…]

A coelha sentiu que vomitaria a qualquer momento por nervosismo. Estava prestes a ir embora com um estranho, para perder a cabeça de vez fazendo coisas impróprias para menores de dezoito anos.

Acelerou os passos para chegar logo onde as amigas estavam e se despedir antes que voltasse atrás. Olhou para os lados as procurando. Não estavam mais onde as deixou e não as via em nenhum lugar.

Andou mais um pouco por entre aquelas pessoas, ora cumprimentando quem a cumprimentava, ora sorrindo e agradecendo aos elogios que recebia.

Depois de perder algum tempo, encontrou a leoa flertando descaradamente com dois homens: um fantasiado de caçador – reconheceu como o anfitrião – e outro com uma máscara de coala.

Se aproximou rapidamente e os interrompeu:

— Será que posso roubar minha amiga por um momento? — perguntou, esboçando um sorriso sem graça. Aguardou-os assentirem educadamente e arrastou para longe dali a leoa consigo para ganhar alguma privacidade — Ino, estou indo. Avisa as meninas, por favor?

Arqueando a sobrancelha loira, um sorriso malicioso delineou os lábios carmesim — Indo? Com quem?

— Como “com quem”? Por que eu teria que ir embora com alguém?

Estreitou os olhos — Oh, querida, você não me engana. Quem foi o sortudo? O falcão? Ou aquele cara que estava dando em cima de você na rodinha?

Engolindo a seco, sentiu as bochechas aquecerem — O falcão. — a outra riu alto e isso a obrigou a beliscá-la — Dá para ser discreta? Meu Deus…

— Ora, para com isso… — a loira desdenhou com um aceno e logo sorriu — vá, seja muito irresponsável e não faça nada do que eu não faria!

— Você foi redundante. Ser irresponsável e não fazer nada do que você não faria dá na mesma.

— Como você está implicante! — revirou os olhos azuis, a mirando em seguida quando pareceu ter lembrado de algo — mas, hein… Karin nos contou que o falcão é o melhor amigo do primo dela, então se ele te desrespeitar ou fizer qualquer coisa que a deixe desconfortável, não hesite em nos contar, está bem? Nós damos uma surra nele e te levamos embora.

— Tudo bem.

A coelha respirou fundo, pensando se era mesmo uma boa ideia ceder ao sexo casual com o amigo do primo de uma das melhores amigas. Pretendia nunca mais vê-lo, mas aquela pequena ligação poderia atrapalhar significativamente seus planos.

— Ei, não desista. Vá curtir. Aquele homem é lindo e tem cara de ser bom de pegada também! — sorriu para confortá-la, já que claramente estava apreensiva — E deixe o GPS ligado para sabermos para onde ele vai te levar, certo? Nos ligue assim que tudo terminar.

— Certo. Obrigada.

— De nada!

Elas se despediram e a coelha ainda foi até o bar para pedir ao barman sua pequena bolsa de mão que o pediu para guardar logo no início da festa.

— Ei, Aburame-san! — gritou para ganhar a atenção dele, vendo-o terminar de secar o copo para se aproximar de onde ela estava — Pode pegar minha bolsa, por favor? É a menor!

— Claro. Só um instante.

Ele foi para o fim do balcão e tirou de uma gaveta a bolsa dela, entregando-a com um sorriso.

— Obrigada! Você foi muito gentil!

Despediu-se dele com um sorriso e um aceno e foi atrás do falcão, encontrando-o minutos depois parado no mesmo lugar que o deixou, com as mãos nos bolsos da calça e a expressão emburrada como quando o viu pela primeira vez, enquanto algumas mulheres estavam ao seu redor tentando ganhar a atenção dele.

E não eram quaisquer mulheres, era uma mais linda do que a outra, mais do que gostaria de admitir e antes que pudesse sentir insegurança e se esconder, desistindo de ir até ele, foi vista pelo falcão que simplesmente ignorou o que diziam a ele e andou em sua direção.

— Está pronta? — ela assentiu, vendo as mulheres que ficaram para trás encará-la como se pudessem matá-la com um olhar assassino — Então vamos.

Ele pegou a mão dela, mas ela não se moveu quando fez menção de sair e isso o fez olhar para trás para olhá-la.

— Não quer mais ir?

— Não é isso… — ela olhou para as mulheres que ainda a encarava e ele seguiu o olhar dela — não é melhor irmos depois? Eu não quis interrompê-los-…

Ele a interrompeu com um tom mais suave — Não havia nada para ser interrompido, não se preocupe com isso. Podemos ir?

Ela assentiu e ele sorriu discretamente, indo para a saída com as mãos ainda unidas. Quando passou pelo grupo de mulheres que o incomodava há pouco parou e olhou para cada uma com um sorriso debochado.

— Como eu disse: estou acompanhado. Tenham uma boa noite, senhoritas.

A coelha quis sorrir vitoriosa quando ouviu um grito esganiçado de uma delas, mas crispou os lábios, mantendo-se neutra. Nem acreditava que estava saindo com o homem mais lindo e encantador daquela festa.

Talvez ser irresponsável tenha seu lado bom.

Assim que chegaram na rua, tinha um carro à espera. O falcão abriu a porta e ofereceu a mão para ajudá-la a entrar, o que a surpreendeu, porque estava sendo extremamente cavalheiro. Não lembrava das amigas dizerem que os homens com quem saíam para um sexo casual eram assim tão agradáveis.

Ele deu a volta no carro e entrou ficando ao lado dela. Autorizou o motorista a sair e, com o carro em movimento, olhou sua acompanhante de esguelha. Ela tinha aquelas maravilhosas pernas cruzadas e as duas mãos sobre o colo posicionadas uma sobre a outra elegantemente, o rosto virado parcialmente para a janela e os olhos presos à paisagem.

— No que está pensando? — perguntou, obtendo o olhar dela e um sorriso pequeno.

— Que o dia foi inesperadamente incrível.

— E o que você esperava?

Ela pensou por algum tempo, desviando o olhar para a janela. Deu de ombros, sem realmente encontrar uma resposta adequada.

Um tempo depois, pensou em algo, por isso voltou a encará-lo e sorriu.

— No começo eu não via como podia me divertir no meio daquilo tudo… — riu um pouco, coçando a bochecha com o dedo indicador — eu só queria voltar para casa.

— Por isso estava irritada. — concluiu, lembrando-se de como ela o olhou quando se sentou ao lado dela no sofá.

Dando de ombros, sorriu esperta — Em minha defesa, eu estava sóbria. Ao menos foi esse o argumento de uma das minhas amigas pelo meu mau humor. — ele sorriu de canto — Mas pensando agora, você não parecia muito diferente de mim.

— E não estava. Um pouco antes de ir para aquele sofá eu estava prestes a cometer um homicídio. — ela riu graciosa, fazendo-o manter o sorriso de canto — Por que foi para lá?

— Para onde? Para o sofá?

— Não. Para a festa.

— Ah, bom… — ela pensou em como responder aquilo sem parecer estranha ou antiquada e também sem revelar nada pessoal, já que não pretendia ser encontrada depois que se separarem — digamos que foi para comemorar.

— Comemorar o quê?

Mordeu o canto do lábio — Eu consegui algo que parecia impossível, mas e você? Por que foi para lá?

Ele percebeu que a resposta foi evasiva, mas preferiu não comentar sobre, apenas seguiu adiante:

— Perdi uma aposta.

— Hum… você mencionou no palco algo assim.

O falcão assentiu — Perdi um contrato e consequentemente uma aposta. Por isso tive que ir para aquela festa e fazer algumas coisas.

— Como admitir a derrota em público? — ela brincou em tom risonho.

Assentiu — Servia só para os nossos colegas, mas já que estava lá…

— Entendi. — entornou levemente a cabeça para o lado com um olhar complacente — Sinto muito pelas perdas.

Negou uma vez com a cabeça calmamente — Como eu disse, eu realmente não me sinto um perdedor hoje.

Sorriu de canto observando as bochechas tingirem-se de um leve rubor e se curvou para o lado para capturar uma das pequenas mãos delicadas, depositando um beijo demorado no dorso.

A coelha pensou sobre o que responder, mas nada lhe vinha à mente. A atmosfera repentinamente mudou, como se estivesse sobre aquele palco enquanto ele fazia body shot em seu corpo. Sentia-se inteiramente quente sob o intenso olhar escuro e nunca desejou tanto deixar a racionalidade de lado para ceder ao desejo.

O falcão se aproximou alguns centímetros, apenas para alcançar o rosto alvo. Traçou suavemente com os dedos indicador e médio da bochecha à linha do maxilar delicado, parando sob o queixo. Os olhos observaram com afinco aquele caminho percorrido.

O polegar tocou o lábio inferior cheio, umedecendo o próprio lábio por reflexo. Fixou a atenção ali como se estivesse hipnotizado.

Nunca quis tanto beijar uma boca como queria beijar a dela.

E parecia que quanto mais tempo se passava sem o fazer, maior o desejo ficava.

Engoliu a seco olhando de esguelha para o motorista. Parecia concentrado no caminho, mas algo em sua mente dizia que deveria ser paciente, pois não queria a expor, menos ainda deixá-la constrangida.

A coelha sentiu que o coração sairia boca afora a qualquer momento. Aquela aproximação súbita, o olhar carregado de luxúria fixado em sua boca, a sugestiva carícia que ele fazia no lábio com o polegar… tudo aquilo a deixava estranhamente ansiosa.

Viu-o desviar o olhar para o motorista e só então se lembrou de onde estava, ficando desconcertada.

A tensão sexual entre eles era muito perigosa. Ela estava perdendo a cabeça com pouco e as coisas não pareciam muito diferentes para ele.

— P-Para onde vamos? — conseguiu perguntar, engolindo a seco ao ser alvo dos olhos escuros novamente.

— Para um restaurante Kaiseki. — respirou fundo discretamente e se afastou com calma, apesar de capturar a mão dela de novo e mantê-la sob a própria — Espero que lhe agrade.

— Tenho certeza que vai. Faz muito tempo desde a última vez em que fui em um. — ela sorriu, recebendo um pequeno sorriso de volta, e se permitiu acariciar a mão dele com o polegar.

O percurso inteiro foi silencioso, mas surpreendentemente havia uma áurea confortável pairando sobre eles. A coelha voltou a virar o rosto para a paisagem urbana e o falcão não soltou a mão dela por nenhum instante, passando a acariciá-la com o polegar também.

Ao chegarem no local, ela ficou deslumbrada pela elegância do restaurante. Por ser de madrugada, não esperava algo tão refinado, tanto que se sentiu deslocada e inapropriada para a ocasião graças àquela fantasia ridícula. Ao menos lembrou de tirar a tiara de orelhas de coelho no carro, embora o segurasse junto da bolsa de mão.

O falcão continuou sendo extremamente cavalheiro, rodeando-a com proteção dos olhares alheios, consultando-a antes de fazer qualquer escolha, puxando a cadeira para que sentasse e sendo atencioso nas poucas vezes em que se comunicaram durante a refeição, além de não inserir nenhuma intenção sexual em momento algum, respeitando o local e a situação. Quando terminaram, também pretendia pagar a conta, mas ela se sentiu em débito pela companhia agradável e insistiu para deixá-la ao menos pagar.

— Ora, não fique emburrado por algo assim. — comentou risonha ao acenar para o garçom que sorriu curvando-se em despedida — Você fez muito por mim, era o mínimo que eu poderia fazer.

— Eu a convidei para jantar, era minha obrigação-…

— Oh, não ouviu o que eu disse mais cedo depois de ganhar o Shogi? — perguntou retoricamente, ainda em tom divertido — O machismo não tem mais espaço na sociedade hoje em dia.

Ele a olhou de esguelha a guiando para fora do restaurante e franziu o cenho, ficando ainda mais emburrado.

— Eu não sou machista.

— Espero que não seja mesmo, porque já tenho coisas o suficiente para me arrepender amanhã quando acordar. — brincou rindo e ele arfou uma risada contida.

— É mesmo? Como o quê?

— Está brincando? Eu tenho uma lista enorme! Para começar… — ele abriu a porta e ela passou, fazendo a contagem nas pontas dos dedos teatralmente a cada tópico que expunha — de ter aceitado usar essa fantasia humilhante! Não sabe o quanto me rendeu cantadas horrorosas! — soprou a mecha do cabelo que escorregou de trás da orelha com bochechas infladas e coradas de raiva e ele sorriu de canto achando graça — Ter sido impulsiva e bebido tanto só para mostrar para aqueles energúmenos que bêbada ou não meu cérebro continuava funcionando… com certeza isso e meu estômago vão me assombrar por umas duas semanas. Ter me divertido como nunca vai me render meses de repreensão por parte das minhas amigas por não ter cedido antes, além é claro de que vai servir de argumento para quando elas quiserem me arrastar para outra festa novamente. — soltou um muxoxo inconformado sob o olhar escuro curioso — Eu não deveria pensar nisso agora, definitivamente não agora… senão vou deitar em posição fetal bem aqui e chorar.

Ele riu sem conseguir se frear diante de tanta espontaneidade e transparência. Ela era alguém fácil de conversar, principalmente porque mantinha o equilíbrio entre a graça e seriedade.

— Se te consola, meu amigo fará comigo a mesma coisa que suas amigas farão com você depois dessa festa.

— Oh, consola muito. Fico bem melhor em saber que não serei a única ferrada da história.

Ela riu e ele a acompanhou negando com a cabeça.

Pegou o celular para ver as horas. As coisas estavam indo tão bem naquele clima amigável que ele não sabia como voltar ao clima mais intimista. Pela primeira vez, não quis ser o cara sucinto e objetivo que sempre foi, tinha plena consciência de que ela era uma mulher diferente das que estava acostumado, mas também não sabia exatamente como agir naquela situação. Sutileza nunca foi seu forte e jamais se sentiu incomodado com isso até aquele momento.

— E-E agora? — a coelha perguntou com bochechas rubras, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ela desviou o olhar quando ele a encarou, cruzando os braços minimamente encolhida —O que vamos fazer?

— O que você quer fazer?

Voltando a encará-lo, engoliu a seco sentindo as bochechas arderem ainda mais.

Ele não estava esperando que ela pronunciasse o óbvio, certo?

Pelo amor de Deus! Não era capaz de dizer em voz alta o que pretendia para aquela noite!

Mas conforme passavam os segundos com ele aguardando uma resposta com o semblante sério, percebeu que estava sim esperando que ela pronunciasse o óbvio.

Misericórdia

Perguntou-se se suas amigas passavam por aquilo também.

Pigarreando desconcertada, coçou a nuca por nervoso — Bem… nós podemos… — desviou o olhar para o outro lado da rua — hum… ir para um lugar mais…

— “Mais…”? — exigiu ele, achando adorável vê-la lutar contra a timidez corajosamente.

Era nítido que aquela experiência de encontro casual era nova para ela.

Quando ela voltou a encará-lo, ele quis rir por vê-la não só com as bochechas como também o rosto e pescoço inteiramente rubros, apesar de ter conseguido manter a face nula de expressão.

— … reservado? — sussurrou com um bico desviando novamente o olhar para mirar o chão.

Aquilo era humilhante! Por que nada com ela acontecia de forma fácil?!

Tinha que admitir que ele era bastante cavalheiro por consultá-la antes de levá-la para algum lugar, mas definitivamente aquilo não deveria ser consultado! Ele tinha que apenas… levá-la!

O falcão sorriu de canto, colocando uma mecha do cabelo dela, que foi soprado pela brisa para o rosto, atrás da orelha.

— Sim, nós podemos. — respondeu, sendo alvo daquelas duas pedras esmeraldas — Tem alguma preferência?

Avaliando seriamente se esse era o momento em que ela deveria lançar o “no motel, na sua casa ou na minha?” – desconsiderando a última opção porque ela não estava louca ainda de levar um estranho para a própria casa –, preferiu apenas fazer uma negativa com a cabeça para não correr o risco de ser inapropriada, torcendo para que ele entendesse que queria ir até o “finalmente”.

Santo Deus… deveria ter prestado mais atenção nas conversas das amigas para saber como é que as coisas se desenrolavam naquele ponto.

Ela certamente não tinha jeito para flerte casual e menos ainda para sexo casual. Relacionamentos normais eram bem mais fáceis de lidar – regado pelo tempo, disposição e flertes sutis, daqueles que você se acostuma com a frequência utilizada, já que a intimidade desenvolvida acontecia naturalmente. Agora, daquele jeito quase desesperado? Tipo… seguir quatro passos em algumas horas? Como alguém era capaz de fazer aquilo?

Como as amigas dela eram capazes de fazer aquilo?

Hinata também era capaz?

Ficou em dúvida, porque Hinata resumidamente era uma versão mais madura de si, visto que era quatro anos mais velha. Ah, bem, não era só uma versão mais madura como também bem mais participativa nas loucuras das outras duas loucas, mas, mesmo assim, não conseguia imaginá-la passando pelo que ela estava passando naquele exato momento.

— Vou pedir nosso transporte. — o falcão avisou, escorregando a mão do pescoço feminino para o braço esquerdo ainda cruzado, até alcançar a pequena mão livre e capturá-la para mantê-la sob a própria.

Ele a esperou assentir e pegou o celular do bolso da calça com a mão livre.

Não queria desrespeitá-la e nem pressioná-la, por isso escolheu levá-la ao próprio apartamento em vez de um motel. Nunca tinha levado nenhuma mulher para lá, mas queria deixá-la o mais confortável possível e caso ela não quisesse avançar o sinal, não se importaria de passar as próximas horas apenas conversando e a conhecendo ainda mais, já que até o momento não disse nada de relevante sobre si mesma além de que conquistou algo impossível, que tinha um irmão mais velho que era um jogador profissional de Shogi da qual admirava e que era alérgica a raiz forte.

O carro não levou nem dois minutos para chegar e ele abriu a porta para que ela entrasse, dando a volta no carro para entrar também. Quando se acomodou, voltou a pegar a mão dela, gostando da sensação de tê-la sob a própria.

Vez ou outra a olhava de esguelha, a encontrando distraída olhando para a paisagem urbana com as pernas cruzadas e uma postura elegante como quando foram para o restaurante.

Para o próprio bem, escolheu se manter neutro. Qualquer aproximação o levaria a perder juízo como quase aconteceu da outra vez. Tinha que se controlar e protegê-la de qualquer exposição desnecessária, principalmente porque era fato que não estava acostumada com aquele tipo de situação. As amigas dela já falaram algo do gênero e não era cretino o suficiente para ignorar as informações que recebeu só para agir como um adolescente na puberdade. Era um homem. Um Uchiha. E faria jus ao peso que carregava.

A coelha tentou esvaziar a mente para não ser torturada pela racionalidade que ameaçava dominá-la a cada minuto menos embriagada, mas estava muito difícil, a única coisa que conseguia pará-la era a luxúria e, visto que ainda estavam em local inapropriado, aquilo era extremamente perigoso e errado.

Sentia perfeitamente a grande mão acariciar a sua e vez ou outra arriscava olhá-lo de esguelha, apreciando a visão daquele homem lindo com o cotovelo apoiado na porta e a mão servindo de apoio para a bochecha enquanto ele observava a paisagem com o semblante sério.

Um minuto o analisando era suficiente para um rebuliço começar no estômago e nessas vezes nem podia culpar o álcool já que estava quase sóbria de novo.

Ela tinha tanta sorte… saiu daquela festa despretensiosa com o homem mais belo, sedutor e cavalheiro que tinha naquele lugar. Percebeu que era um homem de poucas palavras e muito sério, embora vez ou outra esboçasse aquele sorriso de canto que parecia sua marca registrada e raramente risse, mas não tinha do que reclamar, estava sendo tratada atenciosamente como uma verdadeira dama, mesmo que fosse apenas um caso de uma noite.

Nunca agradeceu tanto por ouvir as amigas.

Depois de quase quarenta minutos, o motorista parou o carro em frente a um grande prédio de luxo em estilo ocidental, o que era pouco comum mesmo na Capital. Tinha percebido quando entraram naquele bairro que se tratava de um bairro nobre, mas aquele prédio parecia ser o melhor da região.

Era um prédio residencial?

Ele não a levaria para o apartamento dele, certo?

O falcão desceu primeiro pedindo para esperá-lo e deu a volta no carro, abrindo a porta e oferecendo a mão como apoio em sua descida, como fez quando chegaram no restaurante, e aceitou prontamente, desejando uma boa noite ao motorista.

Não soltando sua mão em nenhum momento, ele adentrou os limites da propriedade cumprimentando o porteiro, depois passou pelo grande e belo jardim muito bem iluminado, seguindo para o hall e, posteriormente, para um dos elevadores.

Tudo com uma tranquilidade e familiaridade que a assustou.

Sim, ele a levou para o apartamento dele.

Céus

Quando o elevador chegou no quinquagésimo sexto andar e abriu as portas, o falcão saiu e a levou consigo. O corredor extenso possuía seis portas bem espaçadas – três de cada lado – e então ele parou em frente à última porta do lado direito, tirando a chave do bolso com a mão livre e a abrindo, incentivando-a a entrar primeiro.

Assim que adentrou o cômodo e o falcão acendeu as luzes, a coelha percebeu que, ao contrário de todo o externo do prédio que tinha um quê ocidental, o interno daquele apartamento era inteiramente tradicional japonês. Deparou-se primeiramente com o genkan. O ambiente para troca de sapatos com o piso mais baixo que o restante do cômodo, possuía dois móveis posicionados contra uma das paredes: um banco almofadado com dois assentos e uma sapateira fechada de tamanho médio, ambos de madeira escura. Um quadro abstrato de tamanho médio se encontrava no centro da parede oposta e um pouco abaixo um cabideiro com seis ganchos dispostos em cores escuras, tendo apenas uma capa de chuva pendurada num deles e no outro um sobretudo azul-marinho.

Seguindo a etiqueta japonesa, ainda em pé, tirou os saltos com suavidade, sentindo o frio do tatame sob os pés desprotegidos parcialmente pela meia arrastão.

Evitou olhar ao redor com indiscrição e de esguelha o viu tirar os sapatos, pegando dois pares de surippa, calçando um e deixando outro em frente aos seus pés.

Calçou as pantufas alguns números maiores que os pés, deixando os saltos no canto para não ficar no caminho.

— Obrigada. — murmurou e ele assentiu.

Pegando em sua mão, a levou pelo corredor, deixando a máscara de falcão sobre um aparador junto da chave, celular e carteira. Quando ele a encarou, sorriu e o retribuiu, embora sentisse o nervosismo crescer a cada passo dentro do apartamento.

Quando falou sobre irem a um lugar reservado, acreditou piamente que a levaria para o motel, estava até mesmo curiosa para saber como era um, já que nunca tinha ido, mas errou feio na aposta. Por que ele a traria para a casa dele?

— Quer beber algo?

Respirou fundo para conseguir alguma calma e assentiu.

— Água seria ótimo.

— Vou buscar. Fique à vontade.

Aquele ambiente era bem espaçoso, organizado e com apenas móveis essenciais. De um lado um rack baixo e comprido com portas deslizantes e uma grande televisão sobre ele. Na parede do meio uma grande estante do chão ao teto preenchida de livros, uma porta de vidro deslizante que dava para a sacada protegida por uma cortina levemente transparente branca, uma escrivaninha – com algumas pastas em cima junto de um notebook, uma impressora e um modem –, uma cadeira giratória posicionada à sua frente e um pequeno armário fechado ao lado da mesma altura que a escrivaninha. Do outro extremo um sofá de três lugares e uma poltrona reclinável. No centro, uma mesa retangular de pernas curtas com algumas almofadas tradicionais japonesas espalhadas ao seu redor.

Simples, moderno e sofisticado. Todos os móveis eram de madeira escura, o que contrastava harmoniosamente com o tatame claro. Certamente se tratava de um apartamento masculino de solteiro.

Ainda perdida sobre o que fazer, manteve-se em pé no mesmo lugar que parou quando o falcão a deixou sozinha no cômodo. Tinha curiosidade para conferir os livros que compunham a estante, mas não queria parecer enxerida.

Cruzou os braços e olhou ao redor mais uma vez, percebendo detalhes antes passado batidos, como dois quadros – um abstrato e outro de paisagem natural – na parede do sofá, quatro porta-retratos sobre o rack – dois de cada lado da televisão –, um aquecedor móvel no canto da sala e um tabuleiro de xadrez ocidental de madeira em cima do pequeno armário com suas peças já posicionadas em um jogo inacabado.

O falcão adentrou o cômodo segurando uma bandeja com um bule, uma jarra de água, dois copos e duas xícaras estilo japonês para chá.

— Desculpe a demora. Aproveitei para preparar chá.

— Não precisava. — o viu virar a cabeça rapidamente em sua direção com o cenho franzido enquanto preenchia o copo com água e percebeu que estava sendo rude quando ele tentava ser um bom anfitrião, por isso tratou de se corrigir: — … mas já que fez, que chá escolheu?

Entregou-lhe o copo com um meio sorriso fechado tão charmoso que ela ficou constrangida por encará-lo por tanto tempo.

Gyokuro.

— Fez uma ótima escolha. — bebeu um gole o vendo assentir, se aproximando e se sentando sobre os calcanhares ao lado do homem que servia água para si mesmo.

Deixou a bolsa de mão com a tiara de coelho no canto da mesa e deu outro gole na água por sentir a boca seca devido ao nervosismo.

Ele terminou de beber a água em alguns goles generosos e serviu o chá para ambos, recolhendo o copo dela ao entregar a xícara.

— Está com frio? Quer que eu ligue o aquecedor? — perguntou ao perceber os braços dela arrepiados.

— Não precisa, obrigada. — um pequeno sorriso agradecido delineou os lábios róseos e ela olhou ao redor pela terceira vez procurando algum assunto para quebrar aquele silêncio constrangedor. O olhar esmeraldino pousou sobre o tabuleiro de xadrez — Você joga? — apontou com a cabeça para o objeto e ele olhou na direção.

— Sim. Você também?

— Talvez. — brincou com um sorriso um pouco maior que o anterior — Posso ver?

— Claro. À vontade.

Os olhos escuros acompanharam a figura feminina e delicada deixar a xícara sobre a mesa e se levantar, indo até lá. Ao chegar, ela cruzou o braço esquerdo, apoiando o cotovelo direito nele e o queixo no dedo indicador dobrado. Era sua posição de análise, ele reparou, pois se posicionava daquele mesmo modo antes de fazer uma jogada no Shogi.

— Era um jogo entre dois jogadores?

— Sim. Entre meu irmão e eu. — ele respondeu, sorvendo do chá quente, sem tirar os olhos dela.

Só amaldiçoava ela estar de costas, porque queria muito ver que expressão fazia naquele momento.

— Com qual cor você jogou?

— Com as pretas.

Ela ficou mais algum tempo avaliando o tabuleiro, antes de quebrar o silêncio de novo:

— Por que a partida está inacabada?

— Meu irmão se lembrou de uma viagem a trabalho no último minuto e teve que sair correndo para não perder o voo. — riu irônico, lembrando-se da careta desesperada do irmão e da forma atrapalhada como se retirou.

Ela riu brevemente, se virando para ele — Gostaria de continuar essa partida?

Arqueando uma sobrancelha, sorriu de canto — Eu estava ganhando. — avisou, mesmo estando óbvio por ter mais peças pretas do que brancas sobre o tabuleiro. Ela deu de ombros e ele negou com a cabeça ainda sorrindo — Depois não vai se arrepender amanhã quando acordar.

A coelha sorriu abertamente pegando o tabuleiro com todo o cuidado do mundo para não mover as peças acidentalmente e retornou para o lugar em que estava, depositando o objeto sobre a mesa depois que ele afastou a bandeja para o lado.

— Era a vez dele, então pode começar.

Ela assentiu e não demorou nem cinco segundos para fazer seu primeiro movimento. Ao contrário do irmão que seguia o jogo recuando nas últimas rodadas, ela optou por um lance ofensivo, o surpreendendo.

Levou alguns minutos para calcular todas as possibilidades daquela jogada inesperada e escolheu avançar o cavalo para encurralar o bispo branco.

Não cedendo, ela continuou na ofensiva movendo a torre.

Ele estreitou os olhos inevitavelmente desconfiado. Ela não pensou antes de fazer a jogada e deu continuidade na estratégia escolhida em sua primeira jogada ignorando a dele.

O que diabos estava aprontando?

Passou algum tempo calculando as possibilidades com aquela nova jogada, tentando encontrar alguma explicação para as escolhas dela, falhando inicialmente. Depois de tanto tempo analisando as opções, avançou com o cavalo e capturou o bispo branco.

Em seguida ela avançou com o peão, encurralando seu segundo cavalo – ainda mantendo a ofensiva.

Então olhando com atenção o tabuleiro, ele compreendeu o que ela estava fazendo: ao contrário do irmão que passou as últimas rodadas fortalecendo a defesa, ela se concentrou em atacar, não só de um lado como de três. Mesmo sacrificando peças, tinha em mente não deixar opções para ele na próxima rodada a não ser desproteger o rei e isso desencadearia uma sucessão de tragédias que o levariam a perda súbita.

Ergueu o olhar incrédulo, estreitando os olhos diante do sorriso de canto discreto, quase imperceptível que ela esboçou junto de um olhar desafiador.

— “Talvez” é? — zombou da resposta dela sobre jogar xadrez também com uma pontada de irritação por ser enganado da mesma forma que o oponente dela de Shogi foi enganado mais cedo.

Dando de ombros, ela apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na mão, sem deixar de encará-lo.

Ele ainda arriscou mais duas jogadas antes de sofrer o temido xeque-mate.

Cinco jogadas assumindo uma partida que a deixou em desvantagem e ela venceu majestosamente.

Aborrecido com a perda, ele estendeu a mão para um cumprimento formal, vendo um sorriso iluminado domar aqueles lábios atrativos quando ela o retribuiu.

— Acho que mereço um prêmio, não?

Emburrado, bufou — O que você quer?

— O que posso querer?

— O que quiser. — desdenhou, derrubando o rei branco em revolta.

Ela deu uma risadinha e isso atraiu a atenção dele.

— Então feche os olhos.

Pediu com um sorriso sagaz e ele ficou ainda mais desconfiado do que ela pretendia fazer, afinal, que pedido era aquele? Por acaso pretendia roubá-lo e sair correndo?

— Vamos… você disse que poderia ser o que eu quisesse e quero que feche os olhos.

Respirou fundo acatando ao pedido. Não era segredo que seu ego estava massacrado por perder uma partida que estava na palma de sua mão e em cinco malditas jogadas. Aquilo era inacreditável. Se o irmão descobrir aquela perda vai azucriná-lo para o resto da vida.

Mais uma vez perdeu e não tinha passado nem vinte e quatro horas.

Primeiro o contrato e a aposta. Agora aquele jogo estúpido.

Grande merda de dia. Será que ele só acordou para perder, por acaso?!

A mente revoltada ficou em branco abruptamente quando sentiu dedos quentes tocarem a lateral de seu rosto numa carícia suave.

Não teve muito tempo para especular o que ela pretendia, porque em seguida sentiu os próprios lábios serem cobertos pelos dela num beijo demorado, mas sem nenhum aprofundamento.

A coelha se afastou e ele abriu os olhos, observando as bochechas adoravelmente coradas e o pequeno sorriso que lhe ofereceu.

— Bom, jogamos outra partida? — ela sugeriu com uma sobrancelha arqueada em desafio e um sorriso de canto atrevido.

Era aquela expressão confiante e perversa que brincou com a mente dele desde que a viu expressá-la sobre aquele palco enquanto fazia body shot na amiga.

Isso foi o estopim.

Ergueu-se dos calcanhares e ficou sobre os joelhos, avançando contra a boca dela ao mesmo passo que rodeou o rosto delicado com as duas mãos.

Os lábios dela foram o primeiro alvo. Intercalou entre roçares e mordidas leves, antes de capturar o lábio inferior com dentes, puxando-o levemente apenas para cobrir a boca inteira com a própria, inserindo a língua movida pela necessidade de obter mais quando ela abriu caminho.

A língua dela tocou a dele com timidez, mas não demorou muito para as duas se encontrarem com avidez, esfregando-se uma na outra numa dança sensual conforme a saliva de ambos se misturavam. Os rostos pareciam em sincronia, enquanto um tombava para esquerda procurando melhor encaixe das bocas, o outro tombava para a direita e logo revezavam no posicionamento. Sempre lento, molhado, instigante, sensual…

A mão direita dele desceu pousando na nuca e enfiando-se entre os fios claros macios e a esquerda se encaixou na cintura fina, forçando-a a se ajoelhar também para que os dois corpos ficassem o máximo possível próximos.

Já a mão dela se enfiou entre os fios escuros, puxando-os levemente.

E os movimentos que faziam com as cabeças e línguas, irradiou para o corpo inteiro conforme ele se curvava para frente e ela arqueava as costas para trás.

A mão direita desceu para a cintura também e usou as duas para apertá-la ali, sentindo o quão bem ela se encaixava sob suas mãos.

O beijo foi demorado, ao ponto de perderem o fôlego.

A coelha, atordoada, finalizou o beijo com vários beijos breves seguidos e o sentiu encostar a testa contra a própria. Ao abrir os olhos, encontrou dois universos particulares nas íris escuras. Eram tão escuras que distinguir as pupilas parecia impossível.

Ele rodeou a cintura dela com um braço e ela arrastou a mão dos fios negros para o rosto viril numa carícia lenta.

— Nós-… — ela engoliu a saliva e tentou regularizar a respiração acelerada e pesada — nós estamos sozinhos?

— Sim. — respirou fundo, beijando-a brevemente — Vamos para o quarto?

Ela assentiu, recebendo outro beijo breve. Observou-o se levantar e oferecer ajuda para levantá-la também.

Guiando-a pela mão, adentrou o corredor e entrou na terceira e última porta. Ele soltou sua mão ao caminhar pelo quarto e ligou o abajur, revelando o cômodo com uma luz fraca, quase intimista.

Era tão organizado quanto a sala, apenas com o essencial também. Uma cama de casal no centro do ambiente, dois criados-mudos – um de cada lado da cama –, uma poltrona no canto direito ao lado de uma grande janela escondida por uma cortina escura que estava aberta e um guarda-roupa de casal na outra parede, dividindo o espaço com uma porta fechada.

O jogo de cama era de cor escura assim como a cortina e os móveis abusavam do mesmo tom assim como os móveis da sala, mantendo certo padrão.

Havia um perfume masculino pairando no cômodo, mas era uma fragrância tão agradável que ela ficou tentada a suspirar apenas para senti-la melhor.

— Vem cá. — chamou-a, estendendo a mão num convite e ela não hesitou, se aproximou mantendo firmemente a conexão visual que a submeteu. Entregando-lhe a pequena mão, sorriu para o sorriso pequeno que recebeu — Está confortável com o que pretendemos fazer? — ela assentiu — Se não estiver, não precisamos-…

Interrompeu-o enfiando a outra mão entre os fios negros — Só me beije. — pediu, mas não o esperou, tomou a iniciativa ela mesma com ferocidade.

Não havia dúvida, não havia hesitação.

Ela queria.

Ela o queria.

E sentia que se arrependeria amargamente pelo resto da vida se não se rendesse aquela loucura.

Nunca quis tanto um homem daquela forma esmagadora, era até assustador sentir tanta necessidade de alguém que mal conhecia.

E no meio daquele beijo molhado de lábios, dentes e línguas, se perguntou se aquilo era a famosa e perigosa “atração sexual” que tanto ouviu falar pelas amigas. Uma atração incontrolável, que desnorteava e se tornava tão presente na mente e no corpo que não restava mais nada além dela.

Nunca sentiu nada assim antes, nem remotamente parecido.

Os romances que viveu sempre foram mornos, leves e sob controle. Não eram ruins, por mais que tenham acabado por algum motivo, mas também não eram bons, por isso acabaram, afinal, se algum tivesse sido bom o suficiente tinha consciência de que haveria alguma persistência e superação, a menos que se tratasse de algo incontrolável como com o melhor ex-namorado que teve.

Entretanto, aquilo… aquela coisa arrebatadora que a deixava estarrecida era muito novo e, acima de tudo, palpável.

“É muito intenso… porque da mesma maneira rápida que acontece ela acaba, mas é tão bom que se torna viciante.”, lembrou de uma das amigas comentarem quando ela perguntou porque aceitavam viver aquele tipo de relacionamento instável e descompromissado.

Era realmente intenso, concluiu, sentindo-o abandonar sua boca para deixar um rastro de beijos molhados pelo maxilar e pescoço. Encolheu-se minimamente ao senti-lo fazer uma sucção mais forte um pouco abaixo da orelha.

Aquele era seu ponto fraco e ele pareceu perceber isso, pois se concentrou ali.

Arfou, sentindo as mãos grandes moverem-se pelo seu corpo e não demorou para ele tirar a camisa dele de seu corpo. Depois as mãos grandes voltaram a explorar seu corpo primeiro na cintura, passando pelas costas e voltando para a cintura de novo.

— Posso abrir? — o ouviu perguntar quando a mão voltou para as costas, lembrando-se do laço que mantinha o collant preso firmemente no corpo.

— Sim… por favor. — suplicou ofegante, apreciando os beijos molhados que recebia na pele nua entre o pescoço e ombro direito.

O falcão trincou os dentes e fechou os olhos com força diante daquele pedido tão… entregue.

Afastou os próprios lábios da pele imaculada e beijou a boca dela com voracidade.

As mãos dele exploravam o pequeno corpo com necessidade, pois mais do que tocá-la queria tê-la.

E a teria. Finalmente a teria.

Puxou o que deduziu ser um cordão de cetim, desfazendo o laço. Sentiu-a dar um leve puxão nos cabelos da nuca, antes de arrastar a mão para o seu pescoço e virar-se, ficando de costas para ele.

Não perdendo tempo, afastou-se apenas para entender a peça e encontrar a melhor maneira de livrá-la dela, deparando-se com um trançado daquela corda que desfez com suavidade conforme voltava a beijar, lamber e sugar o ombro e pescoço feminino.

Mais uma vez sentiu a mão dela se enfiar em seus cabelos, sorrindo de canto com a constatação de que ela gostava bastante de fazer aquilo: embrenhar seus fios e acariciar seu couro cabeludo com as unhas. E ele gostava mais ainda do que sentia quando ela o fazia.

Abrindo a peça depois de desfazer a trança de cordão, viu-a escorregar pelo corpo sinuoso, expondo cada bela curva que escondia.

Ela o olhou por sobre o ombro direito com um sorriso de canto malicioso e olhar afiado e ele só desviou daquele olhar para analisar aquela imagem espetacular, afastando-se alguns passos.

O olhar começou baixo, nos pés, naquele momento descalços. Depois subiu para as panturrilhas, passeando pelas coxas torneadas e se demorando um pouco sobre o bumbum redondo e aparentemente firme em uma renda que delineava as curvas perfeitamente. Continuando a vagar, chegou à atraente cintura fina, finalizando nas costas nuas escondidas parcialmente pelos cabelos lisos compridos.

Engoliu a seco. Que mulher

Ela se virou, ficando de frente para ele, ainda mantendo o mesmo sorriso malicioso.

A calcinha minúscula branca de renda, a barriga definida, os seios médios firmes com aureolas rosadas. Era um verdadeiro pecado em forma humana e ele não tinha pretensão nenhuma de não pecar por ela.

A cada passo que a coelha dava em sua direção, se sentia como uma presa indefesa.

— Eu não gosto de desvantagens…

— Sasuke. — completou-a — Meu nome é Sasuke.

O canto dos lábios dela puxou um sorriso satisfeito.

— … Sa-su-ke-kun. — sibilou lentamente, apreciando cada sílaba ao máximo.

E ele não poderia apreciar mais ouvir seu nome sair da boca de alguém, como apreciou sair da boca dela.

Soou tão perverso na entonação que ela usou, na lentidão, profanando o pueril -kun… que por um instante ele considerou não ser o único pecador ali.

Assim que ela o alcançou, enfiou a mão entre os fios negros e direcionou o rosto dele para si, capturando a boca dele em mais um daqueles beijos quentes que trocaram até então.

A diferença gritante de altura entre os dois não parecia ser um empecilho, não quando ele se curvava para frente e ela arqueava as costas para trás para recebê-lo da melhor maneira possível.

Sentiu as mãos dele apertarem-na contra si e sorriu no meio do beijo, mordendo o próprio lábio inferior depois de finalizá-lo e se afastar minimamente, apenas para ver onde começavam os botões nas casas.

Desabotoou calmamente botão por botão, distribuindo beijos pelo peito que ficava cada vez mais exposto conforme a camisa se abria. Quando terminado, empurrou a peça pelos ombros largos, deixando-a cair no chão.

Ela era extremamente tímida, mas desde o fim do colegial até então – orientada pelas melhores amigas e, posteriormente, também pelo melhor ex-namorado – descobriu que havia uma mulher confiante e sedutora em si, assim como descobriu ter certos fetiches.

Despir um homem era um deles.

Sentia-se extremamente satisfeita e excitada a cada peça que tirava, era como desembrulhar um presente.

Mas não eram todos os homens que gostavam dessa “ousadia”. Conforme abria o cinto e o tirava calmamente do quadril masculino, lembrou-se vagamente de um ex-namorado detestar quando ela assumia o controle da situação; não só um, na verdade.

Kurogane era o típico machista autoritário, seu segundo namorado – muito bastardo por assim dizer. Não conseguia entender como foi capaz de manter um relacionamento de um ano e um mês com ele em plenos dezoito anos.

Esse cara tinha um “ritual de transa”: beijos rasos e breves que mal pareciam beijos, apertos – entendam, não eram massagens prazerosas ou roçares instigadores, eram, literalmente, apertos, como se ele apertasse uma bola fisioterápica – nos seios, uma masturbação péssima que falhava em relaxá-la e lubrificá-la porque ele a tocava como se fosse um maldito joystick e, para finalizar, lhe dava chupões e mordidas como se a pele dela fosse um pedaço de carne, que mais machucavam e marcavam do que qualquer outra coisa. Então menos de cinco minutos naquele processo mecânico, ele se levantava, tirava toda a roupa sozinho, tirava a dela e a penetrava, sempre na mesma posição: papai e mamãe. O sexo nunca passava de sete minutos, já contabilizou.

No dia que ela se arriscou a mudar aquela realidade – seguindo lições que aprendeu com as amigas do que elas faziam com seus parceiros – foi criticada, ofendida e humilhada.

Foi a primeira vez que se sentiu um verdadeiro lixo. Segundo o Kurogane, ela era uma mulher vulgar, uma “vadia barata” por ousar agir como um homem na hora do sexo e que ele jamais permitiria que ela o fizesse uma segunda vez.

Aquilo acabou com a pouca autoestima que uma adolescente se descobrindo naquele universo sexual poderia ter.

Um mês depois terminou com ele. Foi um rompimento conturbado, resultando em um ex-namorado abusivo e tóxico que a perseguiu por cerca de sete meses e suas amigas não faziam ideia de tudo que passou por aquele homem. A insegurança que sentia por ter sido reprimida por um ano e um mês de namoro, a impediu de se abrir com quem mais confiava, mas a experiência a fez amadurecer.

Um ano depois de consecutivas terapias descobriu que odiava o machismo como odiava humanos que maltratavam e matavam covardemente animais, crianças, adultos indefesos e idosos. E que, mais do que odiar o machismo, odiava homens abusivos e tóxicos.

Foi um marco e tanto em sua vida. Aquela Sakura reprimida floresceu do ódio e se tornou uma guerreira.

Suas experiências sexuais posteriores melhoravam a cada nova tentativa, mas ainda não havia descoberto verdadeiramente as vantagens do sexo.

Depois do Kurogane veio o Satoshi, exatamente um ano e seis meses depois. Ele não era tão intolerante quanto o ex, mas também não era adepto a deixar uma mulher fazer o que bem entendesse durante a relação sexual – digamos que era… um machista enrustido.

De forma sutil a manipulava para sempre deixá-lo no controle da situação e a frustração sexual durou seis meses, porque ela não era burra de prolongar um relacionamento fadado ao fracasso pela segunda vez seguida.

Quase cinco meses depois apareceu em sua vida o Ryu. Foi uma época bem complicada de manter um relacionamento, porque ela estava enlouquecendo com a pré-formatura em medicina que envolvia o ciclo básico, o clínico e o internato e ele, já formado há um ano e tranquilo com seu recém-adquirido cargo numa clínica de renome, queria atenção, muito mais do que ela poderia lhe oferecer.

Mesmo assim se permitiu, porque ele era muito dedicado e esforçado para fazê-la feliz, além de que era um homem muito fofo, mas não resultou em coisa boa. Enquanto queria entrar em coma e só despertar três anos depois – quando o inferno da graduação acabasse e se estabilizasse profissionalmente –, ele queria transar. Resultado: ela dormia no meio da coisa.

Vivia estressada, esgotada emocionalmente e sensível, então se mantinha o máximo possível afastada e, por isso, ele vivia carente. Resultado: DR ́s exaustivas, sexo entediante de reconciliação quando nenhum dos dois aguentava mais discutir e apelavam para o jeito mais eficaz de se calarem e empurrões, literais, com a barriga.

Depois começaram a ceder às medidas extremas na tentativa desesperada de salvar o relacionamento que claramente estava desgastado: inovação no sexo; sexo por telefone; sexo com fantasias; sexo com brinquedos sexuais e a masturbação por videochamadas quando ela passou a viajar com maior frequência por causa das inúmeras palestras e congressos que tinha que comparecer.

Nesse ponto, já estava insana, admitia. Em sã consciência não faria nada daquilo, porque na época ainda era bem conservadora, apesar de se desafiar vez ou outra a ser diferente. Mas é como dizem: universitário não é gente e também não possui limites.

Quando descobriu que se masturbar sozinha era mais eficiente do que transar com ele, terminou, onze meses depois. Ryu ficou arrasado porque gostava mesmo dela, mas não era recíproco, não igualmente.

Gostava da carreira que escolheu seguir mais do que gostava dele e foi nela que investiu os próximos quatorze meses, quando finalmente colocou em ordem sua vida, encerrando o período universitário para investir na residência cirúrgica geral.

Só foi descobrir o orgasmo verdadeiro aos vinte e quatro anos, com o doce Ichimura Kohaku, seu melhor ex-namorado. Era digno de ser memorizado por nome e sobrenome.

Eles nutriram um relacionamento saudável e digno de saudades por dois anos e mesmo tendo concluído a residência no início da relação, continuaram juntos.

Era um homem perfeito: gentil, carinhoso, bem-humorado, atencioso e sempre a mimava como se fosse seu bem mais precioso. Entre quatro paredes aquelas características permaneciam e então ela descobriu o que era uma relação de dar e receber. Ele não gozava até que estivesse plenamente satisfeita, dedicando-se a lhe dar cerca de dois a três orgasmos mínimos por relação. Esforçava-se para que se sentisse confortável e lhe dava liberdade para fazer o que quisesse, inclusive a incentivava a ser a mulher que tinha certeza que ela era: sem restrições, timidez ou qualquer barreira.

Foi com ele que ela se transformou completamente, além de ter aprendido inúmeros truques de como lidar com um homem. Certamente se ele não tivesse saído do país para se dedicar a clínica da família ainda estariam juntos.

O caso era que Kohaku foi o único que a deixou confortável em fazer o que quisesse na hora “h” e isso serviu para que se moldasse na mulher que era atualmente e parecia que finalmente encontrou um homem tão admirável quanto ele.

A confirmação estava ali: o falcão, que descobriu há minutos ser Sasuke, a observava com fascínio despi-lo sem pressa. Parecia apreciar a cena e isso a fazia se sentir poderosa.

Um homem daqueles à sua mercê era de blindar a ouro qualquer ego.

Ajoelhada, abriu o botão da calça, em seguida o zíper. Ele tirou por conta própria a surippa, enquanto ela distribuía beijos sobre a barriga dele seguindo o caminho da felicidade. Quando descalço, abaixou a calça deixando-o apenas com a roupa íntima.

Era possível ver a ereção e até salivou se imaginando desfrutando dele com a boca, mas não achava adequado fazer tal coisa num primeiro e único encontro.

Era um benefício que apenas um namorado, depois de algum tempo de relacionamento, era digno de receber. Fora que sexo oral era arriscado a se fazer em um estranho – por ser impossível saber se a pessoa era saudável em tão pouco tempo. Por isso levantou e o puxou para um beijo, sendo prontamente correspondida.

O falcão não conseguia parar de tocá-la. Explorava a pele nua com devoção, apertando-a contra si o máximo que podia. Ficou tão excitado ao observá-la despi-lo, beijando seu corpo com dedicação, que era demais para ele aguentar. E quando ela se ajoelhou… Deus sabia o quanto ele estava se contendo.

Ele a apertou na cintura e a ergueu, para que enroscasse as pernas em seu quadril, o que ela o fez prontamente. Andou até a parede mais próxima, sem deixar de beijá-la por nenhum instante, e apertou as coxas dela, fazendo o mesmo com o bumbum – comprovando que era mesmo firme.

Friccionou o próprio sexo contra o dela, ganhando em troca arfares pesados abafados pelo beijo.

Desceu os beijos pelo pescoço, repetindo o que fez durante o body shot: lambeu, mordeu de leve, chupou limitando-se a proporcionar prazer sem marcá-la e deixou um rastro de saliva por onde passou. Direcionou a boca para o ponto que descobriu dar mais prazer a ela – um pouco abaixo e atrás da orelha – depois de afastar os cabelos róseos da área, conseguindo arrancar um gemido fraco e sôfrego.

Tendo-a apoiada contra parede, subiu a mão deixando um aperto na cintura fina e depois um pouco mais para alcançar o seio esquerdo. Massageou com a palma da mão e a manteve em movimento, intercalando entre apalpadas no seio inteiro e roçares com o polegar no bico intumescido.

Os gemidos guturais passaram a ser frequentes, baixos e discretos, de ambos os lados, e logo o quadril feminino passou a rebolar para conseguir maior fricção nos sexos, como se ela precisasse dele tanto quanto ele precisava dela.

Entre beijos, mãos peritas e fricções, o tempo passou enquanto ficavam cada vez mais suados.

— Sasuke-kun… — ela gemeu baixinho e puxou levemente seus cabelos quando ele abocanhou o seio direito, ainda massageando o esquerdo.

Intensificou a sucção entre o céu da boca e língua e ela gemeu novamente, bem baixinho e manhoso, o que descobriu achar bem mais excitante do que aqueles gritos que suas ex- parceiras davam. Levantou o olhar bem a tempo de vê-la fechar os olhos e jogar a cabeça para trás em total entrega. O aperto das pernas roliças em seu quadril aumentou e o corpo dela ondulou contra sua ereção com mais vigor

— … por favor.

Suplicando assim por ele daquele jeito… será que ela tinha noção de que estava o enlouquecendo?!

— Não se preocupe… eu vou cuidar de você. — garantiu depois que soltou o seio com um estalo molhado, encarando-a e expondo todo o desejo que sentia. Ela abaixou o rosto e abriu os grandes olhos claros para correspondê-lo — Vou fazê-la se sentir bem.

Levou-a para a cama, deitando-a com cuidado. Manteve metade do corpo sobre a cama, metade acima dela enquanto voltava a sugar o seio, só que dessa vez o esquerdo. Com a mão esquerda percorreu a barriga definida sentindo perfeitamente os discretos gomos de músculos até alcançar a barra da calcinha rendada. Adentrou a peça com cautela, observando-a de esguelha abrir as pernas e apoiar a esquerda sobre a dele.

Assim que alcançou a fenda sentiu a lubrificação natural, grunhindo em satisfação por estar tão molhada.

Com os dedos indicador e médio escorregou superficialmente pela pele quente com facilidade, acariciando o sexo, ora com movimentos circulares, ora para cima e para baixo, aproveitando para espalhar a lubrificação pelos grandes lábios. Com o polegar incitou o clitóris com cuidado.

Não a penetrou com os dedos em momento algum, porque queria penetrá-la apenas com seu membro, mas ela parecia satisfeita com o que lhe proporcionava, visto que começou a movimentar o quadril e, sem perder tempo, seguiu o ritmo dela, dedicando-se a lhe dar prazer.

Ah… — a pequena mão direita segurou com força o pulso dele quando ele acertou em cheio um ponto específico tanto com a boca no seio, como com a mão entre suas pernas, e ela precisou morder o lábio inferior para prender o gemido que queria escapar. Novamente ele a viu fechar os olhos com força e jogar a cabeça para trás — Eu vou-…

Deixou o seio para olhá-la diretamente.

Ela levou o dedo indicador da mão livre à boca e prendeu o nó entre os dentes com desespero para se conter.

Tinha o rosto levemente rubro e suado e alguns fios de cabelo grudados à face.

Era uma visão e tanto.

— Sim, deixe vir.

Não demorou para ela soltar um gemido baixo arrastado e fechar as pernas trêmulas com força e mesmo assim ele manteve os movimentos dos dedos sem penetrá-la, apenas friccionando com a pressão e ritmos certos. Logo a lubrificação aumentou e ele soube que ela gozou.

Ela abriu minimamente a boca para respirar melhor, estava ofegante, mas relaxada. Sentiu-o tirar os dedos de dentro de sua calcinha e o observou lamber os vestígios de seu gozo que ficou nos dedos dele.

Era a cena mais erótica que viu nos últimos meses.

Quando satisfeito, ele a fitou e se aproximou para beijá-la. O sabor do beijo tinha um quê salgado, mas não era realmente incômodo, pelo contrário, era excitante.

Ela envolveu os fios negros, puxando-o pra si ao intensificar o beijo sugando a língua dele de maneira indecente. Conseguia sentir a ereção dele contra a coxa esquerda esfregando-se no ritmo do beijo em busca de alívio e o admirou por ser tão paciente e controlado a ponto de não ter lidado com as preliminares com descaso ou pressa como a maioria dos homens lidava.

Ouviu o grunhido dele quando levou a mão delicada à ereção, apertando-o sobre a peça íntima levemente.

Ele alcançou o seio direito, massageando-o com apalpadas precisas, só para em seguida provocá-la brincando com o bico intumescido.

O beijo se estendeu o quanto foi possível e quando as bocas não estavam unidas, eles ocupavam de beijar outros lugares.

Ela afastou o cabelo dele e levou a boca ao lóbulo da orelha, sugando-o e mordendo levemente para

instigá-lo. Ele grunhiu e isso a encorajou a ousar mais, empurrando-o para o lado de modo que conseguisse se colocar sobre ele. Substituindo a mão pelo próprio quadril, ondulou lentamente para frente e para trás contra a ereção vigorosa, apoiando as mãos no peito dele.

Vê-la cavalgando sobre si com sensualidade definitivamente era a visão mais bela que teve o prazer de ver em toda a sua vida. As duas pedras esmeraldas o encaravam com pálpebras cerradas e uma superioridade que em outra ocasião o aborreceria, mas ali, naquele momento, só o excitava ainda mais. As bochechas estavam rubras, mas o semblante não demonstrava timidez e sim perversão através do sorriso ardiloso. Os seios firmes balançavam conforme a ondulação do corpo delicado e às vezes eram escondidos pelos fios claros que escorregavam do ombro magro, que ela logo tirava prendendo-os com as duas mãos no alto da cabeça.

Ele não sabia o que estava o deixando tão afoito: se era o prazer pela fricção que ela causava com aqueles movimentos cadenciados ou o prazer por vê-la tão empenhada em dar prazer a ele.

Estava prestes a gozar e não havia tido nem penetração ainda.

Segurou a cintura dela com as duas mãos, sentindo sob os dígitos a textura da pele quente e suada. Não era para ajudá-la no ritmo ou nos movimentos, porque estava muito mais do que satisfeito com ela regendo o momento, mas tinha a necessidade de tocá-la. Subiu as duas mãos para os seios em formato de gota, massageando-os com um toque malicioso e ouviu-a arfar.

Ela estendeu os braços, direcionando a mão direita por baixo do braço dele para as costas e a mão esquerda entre os fios escuros, ao mesmo passo que o puxava para si, fazendo-o se sentar.

Ele abraçou forte a cintura, constatando naquele instante o quão pequena ela era perto dele. Era possível tocar os próprios cotovelos de tão fina que a cintura dela era. Afundou o rosto no pescoço alvo, inebriando-se com o cheiro dela e já se adiantando a venerá-lo com a língua.

Algum tempo se passou naqueles amassos e o desespero dele só aumentava por perceber que estava chegando ao limite muito antes do que deveria.

— Sasuke-kun… — sussurrou o nome dele, deixando um gemido baixo escapar quando ele aumentou a sucção entre a língua e o céu da boca no seio. Os cabelos escuros foram puxados levemente, obrigando-o a soltar a carne macia para olhá-la ao comando dela — estou pronta… e eu preciso de você. Agora.

A ênfase sonora no verbo e advérbio imediatista o fez engolir a seco. Ele sentia que tudo o que se passava em sua mente e corpo era unicamente o desejo à flor da pele e a necessidade dela de tê-lo triplicou o que já sentia.

Puxou-a pela nuca e rolou para o lado, deitando-a e ficando sobre ela, entre as pernas delgadas. Beijou-a brevemente e se esticou para o criado-mudo por reflexo, praguejando em seguida ao se lembrar que não guardava preservativos no quarto – e nem em nenhum lugar da casa – já que nunca levou uma mulher para lá antes.

— Droga. — resmungou, querendo socar a si mesmo.

— O que foi?

Ele a olhou depois de ouvir o tom preocupado e a beijou rapidamente antes de se levantar.

— Não tenho preservativos aqui no quarto. Já venho. — foi apressado atrás da maldita carteira, deixando-a para trás com uma expressão confusa.

— Não tem… — se apoiou contra os cotovelos e olhou em volta com a sobrancelha rósea franzida — aqui?

Como assim? Que homem solteiro não tinha preservativos no quarto? Principalmente um que tinha o hábito de levar mulheres para lá, assim como ele a levou?!

Com o silêncio no quarto, era possível ouvir os passos pesados ecoarem pelo apartamento.

Jogou-se contra o colchão suspirando frustrada. Levou a mão na cabeça e escorregou os dedos entre os fios róseos como distração. Sentia o corpo quente… mas todo o clima se dissipou com aquela interrupção absurda. Ela quase queria desistir e voltar para casa.

Quase.

E a única coisa que não a fez querer – de fato – foi vê-lo passar por aquela porta vestindo apenas a peça íntima, marcada pela ereção.

Sasuke tinha o físico muito atraente. Os ombros largos, os braços fortes, a barriga definida, as coxas e panturrilhas grossas, mas não era do tipo “bombadinho de academia”, era do tipo “vim ao mundo como uma obra de arte legítima”.

Suspirou atraída e quando percebeu o que fez pigarreou com desconcerto, desviando o olhar do corpo dele para o teto. Em seguida se lembrou de sua seminudez e tratou de cobrir os seios com os braços.

— Desculpe, eu-… — começou com um tom contido e ela voltou a mirá-lo, vendo que parecia mais constrangido do que ela própria.

Ele massageou a própria nuca e se sentou na beirada da cama, deixando duas embalagens laminadas sobre o criado-mudo. Não sabia o que fazer e nem o que falar. Já estava puto consigo mesmo pelo vacilo e perceber que ela estava constrangida provou o que ele já imaginava: não tinha mais clima.

— Posso ir ao banheiro? — ela perguntou de repente, olhando-o de esguelha com as bochechas levemente rubras.

— Claro. — a viu se levantar apressada pelo outro lado da cama e do mesmo modo pegar a camisa dele que tinha emprestado e vestir, fechando a abertura somente cruzando as extremidades do tecido — Aquela porta-…

Mal apontou na direção e ela já tinha corrido, entrado e fechado a porta com certa força. Não demorou para ouvir o trinco sendo fechado.

Praguejou baixinho e deu um tapa na própria testa aborrecido consigo mesmo. Não se admiraria se ela saísse daquele banheiro e se vestisse apenas para ir embora, não depois da burrada que fez.

E enquanto ele se xingava pela merda feita, ouviu o som do chuveiro, o que só lhe dizia uma coisa: ela irá embora quando sair do banheiro.

A coelha, num impulso, tirou a camisa e a calcinha encharcada e se enfiou embaixo do chuveiro deixando a temperatura o mais fria possível. Estava frio no apartamento, porque o aquecedor não estava ligado, mas sentia o rosto e pescoço tão quentes de vergonha que somente a água gelada daria um jeito.

Soltou um muxoxo indignado e lamentou a vida ser tão desgraçada com ela.

Poxa! Era a primeira vez que era irresponsável e logo em seu primeiro sexo casual algo daquele tipo acontecia?!

Não tinha mais coragem de olhar na cara dele depois de tudo o que fez e do que queria fazer!

— Meu Deus… o que eu fiz? — sussurrou levando as duas mãos sobre as bochechas aquecidas.

Ela implorou por ele!

Era algum tipo de castigo divino por ter cedido ao desejo daquele jeito desenfreado?!

A cada minuto embaixo da água gelada se martirizava mais. Não se moveu para começar a se higienizar, apenas se abraçou e ficou tremendo devido ao frio absurdo, sentindo os dentes baterem e o rosto queimar pela vergonha.

Minutos depois de atingir o auge do estresse autoimposto respirou fundo com força, expirando de forma trêmula pelo frio com intuito de esvaziar a mente.

Não pense em nada.

Não faça nada.

Só visualize seu objetivo de forma crua, Sakura.

Qual é o seu objetivo?”

Ouviu a voz do irmão, recordando-se de sua estreia entre os candidatos a jogadores profissionais de Shogi, onde havia homens de todas as idades – todos com no mínimo duas décadas de diferença comparada à idade dela – e algumas poucas mulheres, também bem mais velhas, afinal, na época era somente uma adolescente com seus quatorze anos.

Lembrava-se com clareza do quanto estava apavorada. Sabia que seria um desafio e tanto mesmo ouvindo de seu pai e irmão de que estava pronta, mas ver seus adversários frente a frente transformou o que era inicialmente um grande desafio em algo impossível de ser conquistado. Eles eram experientes, tinham o peso do tempo em seus ombros que carregavam uma grande bagagem teórica e prática. Como poderia pensar que teria alguma chance de vencê-los?

Só visualize seu objetivo de forma crua.

Qual o seu objetivo, Sakura?”

O irmão a pressionou quando não obteve resposta e por isso respirou fundo, obedecendo suas ordens.

Não pensar, não fazer, só visualizar o objetivo., repetia mentalmente em um mantra que a acalmou com o passar dos minutos.

Aquilo funcionou, muito mais do que já admitiu ao irmão.

Quando abriu os olhos, não era mais a jovem Sakura de quatorze anos no meio de pessoas mais experientes em uma competição para ser a melhor classificada, era somente a princesa dos Haruno que se igualará ao prodígio da família: Haruno Soichiro, seu amado irmão e na época o mundialmente conhecido como o melhor e mais jovem jogador do Shogi que ingressou na liga dos profissionais aos quinze anos de idade.

Vencer. Vencer até não restar mais nenhum adversário.”

Respondeu na hora movida pela pressão e desafio imposto pelo irmão.

E foi o que ela fez.

Adversário por adversário, venceu todos que cruzaram seu caminho, se tornando então a mais nova a ingressar na liga profissional, orgulhando e prestigiando sua família e, acima de tudo, seu precioso irmão.

Desde então, aquele mantra se tornou sua única oração diante dos obstáculos.

Foi assim quando percebeu não ser feliz seguindo os passos do irmão na direção que sua família percorria há mais de vinte gerações;

Foi assim quando confrontou a família para seguir o próprio caminho;

Foi assim quando trocou as aulas estratégicas por cursinhos pré-vestibulares e de idiomas;

Foi assim quando começou a lidar com a puberdade, depois com romances e então com a sexualidade;

Assim como quando prestou o vestibular para medicina, posteriormente para a entrevista de residência e enfim em todo o trajeto para suas especializações.

Ser extremamente inteligente, sensata, responsável e obstinada, a fez dar todos aqueles passos muito jovem. Formou-se tanto no colégio como na graduação e pós-graduação precocemente e por isso o título de nova prodígio a acompanhou mesmo fora do alcance do Shogi.

Então por que se sentia acuada pela vergonha e insegurança debaixo daquele chuveiro? Já não provou a si mesma o suficiente de que era capaz de fazer qualquer coisa?

— Qual o seu objetivo, Sakura? — perguntou a si mesma em tom baixo, fechando os olhos com força e respirando fundo para se concentrar.

As imagens dos momentos íntimos com Sasuke inundaram sua mente. A entrega dele, a necessidade que ele explicitava com atitudes e olhares intensos… e a própria necessidade de tê-lo.

Estremeceu e abriu os olhos não sabendo se era pelo frio congelante da água ou pela expectativa do que poderia acontecer se ela se permitisse.

Os dentes ainda batiam uns contra os outros. Os braços arrepiados ainda a envolviam fortemente.

Mas não era mais a mesma quando abriu os olhos.

Era a vencedora de todo e qualquer obstáculo.

— Vencer. Vencer até não restar mais nenhum adversário, nem mesmo eu. — respondeu determinada.

Fechou o registro num rompante e da mesma maneira saiu do box, vestiu a camisa sem se dar o trabalho de se secar ou fechar os botões e abriu aquela porta com toda a frieza que a situação exigia: afinal precisava ignorar a vergonha, a racionalidade, a responsabilidade e qualquer empecilho que sua mente poderia criar para pará-la.

Sasuke levantou a cabeça no momento em que ouviu o trinco ser destrancado e se levantou rapidamente, tentando colocar alguma ordem em tudo que precisava fazer e falar: entregá-la uma toalha, perguntar se queria que a levasse para casa, se desculpar por ter estragado tudo e, na melhor das hipóteses, dependendo da reação dela, pedir uma segunda chance para se retratar adequadamente pela falha num próximo encontro, porém a mente ficou em branco ao ver o corpo miúdo ainda molhado – dos pés aos fios róseos – com a camisa aberta e a meia arrastão até a metade das coxas. Os seios estavam escondidos, mas era possível ver a barriga definida, assim como o monte Vênus.

Engoliu a seco e chacoalhou levemente a cabeça para despertar daquele transe.

— Olha… se você quiser… — se atrapalhou na ordem das coisas e se calou tentando lembrar o que precisava ser feito e dito.

Os passos dela eram duros, firmes e decididos em sua direção e quando o alcançou, ela apenas enfiou uma das mãos entre seus cabelos e a outra o puxou firmemente pelo ombro, fazendo-o estremecer pelo contato gélido e se curvar para frente para que a diferença de altura não fosse tão grande.

— Eu só quero que me beije, Sasuke-kun.

E como da outra vez, não o esperou se recuperar do choque e obedecê-la, ela mesma se encarregou de beijá-lo com ardor.

Ele a correspondeu sem hesitar, mas quando levou uma das mãos entre os fios molhados e a outra na cintura por baixo da camisa aberta, a afastou com o cenho franzido.

— Você está fria. — olhou-a com olhos arregalados e tom exaltado — Precisa-… — virou-se para o lado e andou até o criado-mudo, onde pegou o controle do aquecedor.

Ela segurou seu pulso com o olhar ainda mais determinado — Eu só preciso de você agora.

Sasuke mal teve tempo para protestar, ela o beijou novamente tão ávida quanto a vez anterior e mesmo que a tivesse correspondido, ligou o aquecedor às cegas, rezando para que tivesse apertado o botão certo. Seguido disso, jogou o controle na cama e abraçou a cintura içando-a para que prendesse as pernas no quadril dele, coisa que ela fez sem pestanejar.

Na mesma sincronia assustadora de antes, entraram rapidamente no clima.

Beijos molhados e afoitos se tornaram mãos desejosas percorrendo cada canto de cada corpo e logo se transformou em amassos potentes, cheios de necessidade e insatisfação.

Ele estava muito mais do que excitado. Mais do que estava antes de estragar tudo indo atrás do preservativo. E assim como ele, ela parecia mais empenhada e desejosa do que antes, gemendo manhosa e se esfregando contra a ereção com uma sensualidade que o estava enlouquecendo.

Não fazia ideia do que tinha acontecido dentro daquele banheiro, mas era claro para ele que ela voltou diferente; mais ousada, mais… determinada.

E era óbvio que não reclamaria, muito pelo contrário, a admirou por passar por cima do constrangimento que cresceu entre eles com a interrupção e, mais importante, a apreciou em um nível irreversível.

Conforme o tempo passava – e o aquecedor fazia sua parte, para o alívio dele – o corpo da pequena coelha em seus braços voltavam a temperatura normal, embora os cabelos claros ainda estivessem molhados e a camisa que usava também.

Ele deu alguns passos para trás para alcançar a cama e se sentou, ajeitando-a em seu colo. Pausou o beijo, deslizando o tecido pelos ombros delicados até que a camisa estivesse no chão e logo o retomou, sentindo-a voltar a agarrar um punhado de seu cabelo.

Mesmo duro e ela estando ciente disso, continuava o estimulando rebolando em seu colo com movimentos eróticos e alucinantes e depois de tanto tempo passando por aquela tortura, era inevitável ele estar no limite mais uma vez.

Segurou a cintura dela fortemente, mais para pará-la do que qualquer outra coisa. Engoliu a saliva com dificuldade, fechando os olhos com força e se concentrando em ovelhas fofinhas e brochantes. Não tinha mais condições. Seu sexo estava tão dolorido e necessitado que estava prestes a – mais uma vez – gozar sem nem mesmo tê-la penetrado.

Quando foi que uns amassos o deixaram naquele estado deplorável? Nem quando estava na puberdade isso tinha acontecido.

Ela pareceu estranhar, pois deixou de beijar seu pescoço para se afastar e olhá-lo.

— O que foi? Te machuquei?

O tom culpado o fez abrir os olhos para mirá-la. O semblante expressava culpa também e ele passou a mão no próprio rosto, olhando para a parede ao lado, constrangido por não estar “dando conta”.

— Não. — quando os segundos se arrastaram sob o silêncio, percebeu que foi grosso e que devia ao menos alguma explicação — Eu estou-… — engoliu a seco, confessando mais baixo — no meu limite.

Ela soltou uma risada baixa gutural que lhe pareceu um pouco diabólica e por isso a encarou, vendo aquele sorriso de canto malicioso dar o ar da graça naqueles lábios inchados pelos beijos intensos.

— Então vamos dar um jeito nisso, porque eu também não aguento mais esperar. — disse em tom sugestivo e, surpreendendo-o, se esticou para pegar sobre o criado-mudo um dos preservativos — Posso?

Assentiu, sentindo uma mistura de espanto, curiosidade e tesão a observando se levantar e se ajoelhar entre suas pernas. Detalhes como os seios firmes com auréolas róseas e bicos intumescidos e o resto da seminudez só acrescentaram o pingo que faltava para transbordar qualquer racionalidade que ainda lhe restava.

Ela segurou o pacote laminado com os lábios e esticou as duas mãos para puxar sua peça íntima, obrigando-o a levantar levemente o quadril em cooperação.

O alívio por ter o membro livre daquele aperto foi instantâneo e como forma de agradecimento esticou uma mão para acariciar o rosto alvo com bochechas parcialmente rubras, assistindo-a abrir o pacote com delicadeza e cobrir a ereção com o preservativo com tranquilidade e naturalidade, como se estivesse acostumada a fazê-lo. Em seguida se levantou e voltou a se sentar em seu colo, direcionando o membro rijo na própria entrada.

Sasuke colocou as duas mãos na cintura delgada e suspirou quando a preencheu inteiramente. Ela não perdeu tempo e voltou a assumir aquelas ondulações para frente e para trás de maneira firme num ritmo gostoso: não muito lento, não muito rápido.

Uma mão pequena estava enfiada entre os fios escuros e a outra no ombro esquerdo servindo de apoio.

Ele fechou os olhos sentindo-se dominado pelo prazer e se inclinou para frente, envolvendo com um braço a cintura dela e espalmando a outra mão na coxa sobre a renda no fim da meia arrastão, olhando naquela direção em seguida. Apalpou a carne adorando a textura da renda tanto quanto a visão que teve ao fazê-lo e descobriu que meias 7/8 se tornaram seu novo fetiche.

Aquilo era muito sexy. O corpo nu e aquelas maravilhosas pernas adornadas por meias até o meio das coxas era de enlouquecer.

A coelha o puxou para um beijo e o sincronizou com o ritmo que o corpo impunha sobre o dele.

Ele grunhiu rouco quando ela rebolou de um jeito que sentiu uma pressão maior no próprio sexo, para logo depois voltar a cadência de antes, mas, como a bela torturadora que era, se empenhou em repetir o movimento do rebolado lhe olhando nos olhos e sorrindo de um jeito sagaz.

Conseguiu aguentar por mais três rodadas, mas na quarta rosnou involuntariamente, aumentando o aperto na cintura delgada para inverter as posições. Deitou-a com o máximo de cuidado que o momento lhe permitiu e continuou as estocadas firmes, profundas e no mesmo ritmo que ela manteve até então, ritmo que lhe era uma novidade – e que se tornou seu preferido –, principalmente estendido por todo o ato.

Estava acostumado a começar lento, depois aumentar gradativamente até que o famoso “mais rápido” viesse da parceira sexual, o que muitas vezes o frustrava, porque ele era um apreciador nato do momento e isso fazia dele uma pessoa que o estendia o máximo que podia, mas, infelizmente, por mais que quisesse estender o sexo, quando lhe pediam para “ir mais rápido”, gozar também mais rápido era inevitável.

Os olhos escuros perscrutaram o rosto alvo angelical, as duas joias esmeraldas escondidas sob as pálpebras e a boca avermelhada pelos beijos levemente entreaberta soltando a respiração pesada.

Perguntou-se quando ela pediria para ele ir mais rápido também, mas tão logo o pensamento veio, se foi quando ela prendeu o quadril dele com as pernas e o impulsionou com os pés para que fosse ainda mais fundo ao mesmo tempo que movia o próprio quadril naquele rebolado que estava o enlouquecendo há pouco.

Grunhiu com a pressão maior que sentiu, assistindo um sorriso vencedor pairar sobre os lábios dela. Preguiçosamente ela abriu os olhos, expondo-o às íris mais verdes que já viu em toda a sua miserável vida.

Estreitou os olhos para o olhar desafiador que recebeu e estalou a língua sentindo-a enfiar uma das mãos em seus fios escuros e puxá-los levemente.

Se ela pretendia continuar o torturando, ele também a torturaria.

Afinal não foi intitulado pela família, amigo e colegas de vencedor à toa.

Não perderia aquele desafio implícito.

Nem fodendo.

Com uma das mãos que serviam de apoio sobre a cama, levou ao seio direito, juntando a carne apenas para abocanhá-lo com gosto. Com a ponta da língua provocou o bico entumescido, depois arrastou a língua inteira para cima e para baixo e, quando sentiu um puxão mais forte nos fios e ouviu-a arfar mais alto, começou a fazer sucção com o seio entre o céu da boca e a língua.

Isso arrancou dela um espasmo involuntário que refletiu no corpo pequeno abaixo de si e no interior da cavidade úmida, gerando uma reação em cadeia nele também: uma fisgada gostosa e viciante no membro.

Levou a outra mão ao outro seio, usando a de outrora para se apoiar sobre o colchão. Massageou-o, puxou levemente o bico rijo entre o polegar e indicador e depois voltou a massageá-lo recebendo mais daqueles espasmos involuntários e gemidos baixos e discretos dela.

As estocadas contínuas, o aquecedor e a quentura dos corpos em contato faziam-no suar absurdamente, assim como a ela, tanto que os movimentos estavam mais fluídos devido ao suor que permitia que as peles escorregassem uma pela outra.

A boca deixou o seio. Uma gota de suor escorreu de sua testa para o nariz, pingando na bochecha feminina quando levantou o rosto buscando o olhar dela.

O vínculo visual era tão intenso, tão arrebatador, que prendeu a respiração inconscientemente observando o brilho no olhar esmeraldino. Mesmo com o corpo em movimento, não desviou o olhar, por mais que quisesse fechar os olhos com o prazer que o acometia com uma intensidade cada vez maior.

Sentindo-se no limite, enfiou o rosto no pescoço dela, inebriando-se com a fragrância delicada e doce na medida certa.

Fechou os olhos com força sentindo-se chegar à beira de um precipício, onde a sensação de queda vinha eminente.

Ela o abraçou com um braço, mantendo a outra mão entre seus cabelos molhados pelo suor para puxá-lo com maior intensidade, gemendo baixo e arrastado ao mesmo tempo que as pernas em torno de si estremeceram o apertando.

Ele sabia que ela tinha gozado. Ela reagiu da mesma maneira quando a masturbou mais cedo e, além disso, também sentiu uma pressão maior no membro.

Completamente satisfeito por ter cumprido seu papel, permitiu-se atingir o auge também, visto que só estava se segurando para saciá-la e logo gozou, grunhindo rouco ao sentir o corpo ficar rígido para no segundo seguinte relaxar de uma só vez.

As respirações estavam irregulares e altas.

Ela o puxou para si delicadamente, incentivando-o a soltar todo o peso sobre ela e deitar a cabeça sobre o peito dela. Quando o fez, começou a criar linhas imaginárias em suas costas com uma mão enquanto a outra fazia um cafuné gostoso em seu couro cabeludo, dando a ele a sensação de plenitude e conforto que jamais sentiu antes, principalmente depois de um ato carnal.

Ele ainda estava dentro dela, sentindo espasmos mais leves, tanto provindos da saciedade dele, quanto dos dela. Ouvia nitidamente as batidas fortes e agitadas do coração dela, assim como sentia o próprio acompanhar o ritmo. Tinha consciência de que precisava sair de dentro dela e tirar o preservativo, mas não havia ânimo nenhum para fazê-lo, não quando estava sendo mimado daquele jeito.

Fechou os olhos sentindo-se maravilhado e entregue, percebendo a respiração regularizar pouco a pouco e as batidas dos corações de ambos também.

O cansaço do dia exaustivo e tenso, do decorrer atípico e do final maravilhoso o nocautearam de um jeito que cochilou sem nem mesmo perceber e só despertou porque a superfície macia onde tinha o lado direito do rosto apoiado começou a tremer.

Ele abriu os olhos ouvindo o baixo riso contido dela.

— Não achei que fosse mesmo dormir. — ela comentou risonha, sorrindo quando ele levantou a cabeça para olhá-la. Com os dedos delicados que outrora desenhavam linhas imaginárias em suas costas, afastou uma mecha de seu cabelo do rosto com carinho — Desculpe acordá-lo, mas é que… bem, precisamos… você sabe…

Ele franziu o cenho, ainda tentando se situar, só então se lembrou de ainda estar com o preservativo e dentro dela. Rapidamente se ajoelhou, tomando cuidado para não derramar o conteúdo do preservativo.

— Desculpe. — pediu constrangido, recebendo em troca uma negativa com a cabeça. Se levantou para ir até o banheiro fazer o que era preciso e quando voltou, a encontrou sentada no mesmo lugar, cobrindo a nudez com o lençol escuro — Você está bem?

Os olhos esmeraldinos que estavam presos num ponto fixo na parede o miraram.

— Sim, estou. — um sorriso brincou nos lábios inchados pelos beijos, enquanto ele se aproximava e se sentava ao lado dela — E você? Está cansado, não é?

Ele negou e se esticou para pegar a mão dela que estava sobre o colchão, depositando em seu dorso um beijo casto. Observou com satisfação as bochechas dela tingirem-se de um leve rubor por causa do gesto e se deitou, puxando-a para que deitasse sobre ele.

O braço que servia de apoio para a cabeça dela a puxou mais para si, até que o corpo delgado estivesse colado ao próprio, de modo que as pernas entrelaçaram-se e o calor de ambos se misturaram. Aproveitou o movimento para puxar o lençol sobre os dois, só porque pretendia desligar um pouco o aquecedor, já que o quarto estava tão quente que poderia ser facilmente confundida com uma sauna.

A coelha estava incerta de como prosseguir. O que vinha depois do quarto passo? Era hora de se despedir e ir embora? Ou tinha que ficar um pouco para não parecer tão insensível?

Aliás, sexo casual poderia envolver sensibilidade?

Franziu o cenho róseo com ainda mais dúvidas do que antes, principalmente ao senti-lo acariciar suas costas nuas depois de puxá-la para se deitar com ele. Reconhecia aqueles gestos de um relacionamento convencional. Era isso que geralmente acontecia depois de transar com seus ex-namorados.

Ainda mais confusa, resolveu parar de pensar e olhar ao redor, ainda sob a luz baixa do abajur e da janela com as cortinas escuras abertas. No canto, entre o guarda-roupa e a parede, havia um cabideiro de chão e nele possuía algumas peças de roupas penduradas. Semicerrou os olhos forçando a vista a identificá-las quando percebeu certa familiaridade com algumas delas: especificamente uma calça larga escura com pregas e uma espécie de kimono na cor branca, além de um obi preto com um leque branco e vermelho bordado em seu centro.

Arqueou uma sobrancelha rósea, reconhecendo aquele traje e deixou os olhos caírem sobre uma espada embainhada contra a parede ao lado.

— Você sabe manejar uma espada. — concluiu em voz alta diante do traje Gi – um traje de prática de Kenjutsu – e da espada. Sasuke riu e ela ergueu o rosto confusa para encará-lo, até que entendeu a dualidade das palavras que usou e sentiu as bochechas incendiarem de vergonha — Ai meu Deus! Não foi nesse sentido! — ergueu o tronco ultrajada com a risada ainda mais alta dele e apontou para a espada — A espada, ela… a de verdade… — se atrapalhou e isso só serviu como combustível para que ele gargalhasse com vontade. Bufou irritada e desconcertada e desviou o olhar — você entendeu, Sasuke-kun! Pare de rir! Estava falando do maldito objeto, para ser mais exata da arma branca que está bem ali no chão!

Ele continuou gargalhando e afagando a barriga de maneira quase infantil e só lhe restou crispar os lábios para se impedir de sorrir para a cena contagiante. O viu tão sério durante todo o tempo que passaram juntos, lhe presenteando com raros sorrisos e risos discretos, que vê-lo daquele jeito a desarmou completamente.

Respirou fundo fingindo irritação e o encarou, vendo-o levar uma mão ao rosto enquanto tentava controlar a risada.

— Céus, chega! Pare de rir!

Sasuke ainda levou alguns minutos até conseguir parar de rir de vez e ela passou esse tempo todo o encarando com sua melhor expressão aborrecida.

— Desculpe, mas é que foi engraçado. — afastou os fios do rosto suado, jogando-os para trás e a puxou para que se deitasse novamente sobre ele — Como sabe que sei… “manejar uma espada”? — até tentou controlar o tom zombeteiro, mas foi impossível, principalmente quando voltou a rir, não como da outra vez de um jeito desenfreado, mas serviu para dar uma risada contida.

— Muito engraçado. — ela ironizou revirando os olhos, mesmo que ele não pudesse ver. Jogou uma perna sobre a dele e desenhou o peito dele com a ponta do indicador distraidamente — O traje Gi e a espada em conjunto. Como não era um Bokuto, deduzi que já dominava o Kenjutsu.

Ele riu novamente diante do “dominava o Kenjutsu”, mesmo sabendo que ela não usou de malícia nem no início daquela história, mas o desconcerto dela o divertiu demais.

— Pelo amor de Deus! Você vai rir disso até quando?! — bravejou falsamente irritada, ameaçando levantar, mas ele rapidamente a abraçou com os dois braços para impedi-la, virando-se parcialmente de lado para acolhê-la.

— Desculpe. — pediu novamente se segurando para não rir, principalmente ao senti-la bufar contra seu pescoço — Realmente já domino o Kenjutsu. — crispou os lábios para se impedir de rir mais uma vez, fazendo um esforço enorme para tal. Quando conseguiu se controlar e adotar um tom mais sério, perguntou: — Como sabe disso tudo?

— Meu irmão passou por uma fase em que se dedicou a essa arte marcial e, como a boa irmã caçula carente que eu era, fui a todas as aulas com ele.

Sasuke puxou o canto dos lábios num meio sorriso.

— Você é bastante apegada ao seu irmão. — percebeu, lembrando-se de quando ela falou dele durante a festa.

— Sim. — a voz ficou distante, mas a admiração continuava palpável — Ele sempre foi muito bom para mim. Mesmo quando saiu de casa e formou a própria família e posteriormente quando eu saí de casa, nunca me deixou na mão quando mais precisei… e olha que precisei muitas vezes. — ela brincou soltando um riso frouxo e voltou a desenhar aleatoriamente no peito dele com a ponta do dedo indicador — Você e seu irmão também possuem uma relação assim?

— Sim. — confidenciou, orgulhoso — Quantos anos de diferença há entre vocês?

— Seis. E entre vocês?

— Quatro.

A coelha mordeu o lábio inferior em repreensão quando se pegou tentada a continuar o conhecendo mais.

Para um sexo casual, não estavam trocando informações demais?

Sasuke olhava para o teto sentindo a respiração dela contra o pescoço e o dedo indicador desenhar seu peito com delicadeza. Pensava sobre como continuar a conversa, percebendo o quanto estava gostando de manter um diálogo sem intenções maliciosas. Era algo diferente para si.

— Como aprendeu a jogar tão bem xadrez? Achei que fosse Shogi a especialidade da sua família.

Ela sorriu e deu de ombros — E é, mas gosto de jogos de tabuleiros.

— Qual mais você gosta?

— Go, damas, trilha, lig 4, majan… entre outros.

— Só conheço o Go.

— Oh, os outros são estrangeiros.

— E como os conhece?

— Sou curiosa.

Ela riu observando e contornando com a ponta do dedo o formato imponente da clavícula dele e ele sorriu, ainda olhando para o teto.

O silêncio confortável pairou sobre eles e minutos depois, mesmo resistindo arduamente ao sono, ela bocejou e Sasuke reagiu involuntariamente da mesma maneira em seguida.

Percebendo que o cansaço já estava a dominando e que a situação não era diferente para ele, a coelha ergueu o tronco, se sentando e jogando os pés para fora da cama.

— O que foi? — ele perguntou se sentando apressado, segurando o pulso dela para impedi-la de se levantar.

Ela se virou expressando um pequeno sorriso fechado.

— Acho melhor eu ir embora.

— Por quê? Eu fiz alguma coisa errada?

— O quê? — exclamou alarmada — Não… claro que não. — ela se esticou para acariciar a lateral do rosto dele com carinho — Você foi maravilhoso.

— Então por quê?

Tirando uma mecha lisa do cabelo escuro em frente a um dos olhos negros, ela pensou no que responder. A verdade era que não fazia a mínima ideia de como se portar depois que cumpriu o objetivo. Suas amigas sempre chamavam aquilo de “caso de uma noite”, além de sexo casual. Se era de “uma noite” e não “uma madrugada” ou “de um dia”, queria dizer que passar a noite juntos não estava nos planos, certo?

Imaginava que já tinha burlado a coisa toda quando se permitiu contar coisas sobre si, assim como absorveu o que ele contou dele, então não queria complicar ainda mais a situação, mas encarando aqueles dois universos particulares com um semblante preocupado e alarmado, depois de ele tê-la tratado com tanto respeito e carinho, não conseguiu proferir aquelas palavras necessárias para um afastamento inevitável, menos ainda de esclarecer que o que aconteceu entre eles jamais se repetiria, porque ela não pretendia vê-lo novamente.

— Vamos fazer assim… — ele começou quando ela não disse nada e pegou sua mão que ainda o acariciava para beijá-la e segurá-la com propriedade — dorme aqui comigo e eu prometo que amanhã te levo.

O olhar escuro era intenso e não conseguiu interromper aquela conexão visual de tirar o fôlego de jeito nenhum.

Ela podia se permitir mais um pouco, não podia?

Já abriu tantas exceções naquele dia… uma a mais não a deixaria mais desesperada no dia seguinte, deixaria?

Em meio àquelas dúvidas, se pegou assentindo e sorrindo quando recebeu um pequeno sorriso de canto satisfeito e não demorou para ser puxada para se deitar sobre ele novamente, depois que desligou o abajur.

Enroscou-se ao corpo masculino com braços e pernas se sentindo confortável, tanto fisicamente quanto psicologicamente, como se eles tivessem aquele tipo de intimidade há muito tempo, o que era extremamente estranho, levando em conta que demorava cerca de três a quatro meses para se permitir ficar daquele jeito com os ex-namorados.

Ele a aninhou melhor sobre si, querendo sentir o corpo delgado o máximo possível e inconscientemente inspirou o cheiro do cabelo dela ao fechar os olhos.

— Boa noite, Sasuke-kun. — a ouviu sussurrar minutos depois, quando estava prestes a mergulhar no inconsciente.

— Boa noite. — respondeu, esboçando um sorriso preguiçoso e entregando-se de vez ao mundo dos sonhos, onde havia um falcão, uma coelhinha e uma conexão incrível entre eles.

[…]

Antes mesmo de abrir os olhos a coelha franziu o cenho sentindo uma prévia da dor de cabeça que só a aguardava acordar para torturá-la. Apertou os olhos, antes de tentar abri-los pouco a pouco, agradecendo aos céus pelo ambiente estar escuro.

Conforme despertava, a racionalidade entrava em funcionamento e seus sentidos também.

Estranhou ao ouvir um ressonar baixo e contínuo, assim como sentir um peso sobre o ombro direito, barriga e coxa direita e um calor quase insuportável vindo de todo o seu lado direito.

Somente naquele momento percebeu que não reconhecia aquele teto branco.

Onde diabos estava?

Além do peso, veio um movimento do que quer que estivesse sobre si e se sobressaltou quando desviou o olhar do teto para o lado direito, encontrando um homem desacordado enfiando o rosto sereno entre seus fios róseos até alcançar o pescoço e apertá-la contra si com o braço que estava sobre sua barriga, além de enganchá-la com a perna sobre a dela.

Então foi nocauteada com lembranças da festa, da noite incrível e da madrugada ainda melhor.

Sibilou um raro “Puta que pariu!” sem deixar nenhum som sair e fechou os olhos com força sentindo o coração acelerar de tal maneira que achou que sofreria um ataque ali mesmo.

E a situação piorou quando sentiu algo duro contra a coxa, deixando-a rubra do pescoço às orelhas ao perceber que ele estava nu e com uma possível ereção matinal!

Santo Deus! O que ela fez?!

Levantou o lençol e viu que também estava nua. Queria se enfiar num buraco e nunca mais sair!

Como foi que as coisas saíram do controle daquele jeito?!

E ela nem podia culpar a bebida! Porque estava muito mais do que sóbria quando fez todas aquelas loucuras!

Com a respiração pesada e acelerada, fez um bom malabarismo para se desvincular do corpo grande, quente e pecaminoso, pulando para fora da cama sem perder tempo.

Ficou algum tempo paralisada com os olhos arregalados quando ele resmungou algo impossível de se compreender e se virou para o outro lado, ainda dormindo.

Soltou a respiração que nem percebeu ter prendido, banhando-se de alívio por não tê-lo acordado e se apressou a pegar a roupa do chão, olhando de minuto a minuto para a cama só para ter certeza de que ele não acordaria e a pegaria naquela situação constrangedora.

Vestiu o collant com pressa e o fechou de qualquer jeito, pescando no meio do caminho a camisa que ele tinha lhe emprestado na noite anterior e sentindo antecipadamente culpa por levá-la consigo.

Era como se fosse uma ladra de roupa. A que ponto ela chegou?

Foi ao banheiro apenas para usar o enxaguante bucal que estava sobre a pia e conferir a integridade de sua imagem. Ajeitou como pôde os cabelos róseos amassados por ter dormido com eles molhados e lavou o rosto para retirar qualquer vestígio da maquiagem borrada.

Pouco satisfeita com o resultado que conseguiu, permitiu-se dar atenção à outra coisa: mesmo vestindo a camisa dele por cima, aquele collant inapropriado era berrante, por isso fechou os botões.

Argh… isso está horrível.

Bufou e voltou para o quarto tentando se conformar de que estava tudo bem, visto que entraria no táxi e ficaria pouco tempo daquele jeito. Quando estava prestes a sair do cômodo para adentrar o corredor, encontrou o cinto preto dele e mordeu o lábio inferior, olhando para a silhueta masculina ainda desacordada sobre a cama.

— Desculpe. — sussurrou, fazendo uma careta desgostosa ao pegar o cinto e dar duas voltas com ele em sua cintura, dando uma forma aceitável à sua imagem caótica.

Ao menos agora não parecia mais uma pervertida.

Saiu do quarto e foi atrás da carteira, um papel e uma caneta, voltando ao recinto para deixar todas as maiores notas de dinheiro que tinha e pondo-se a escrever um bilhete, deixando-os sobre o criado-mudo.

Deu uma última olhada no rosto viril sereno e saiu sem olhar para trás afinal, se despedir seria ainda mais doloroso.

Depois de muitas horas, Sasuke, ainda dormindo, sentiu falta do calor humano que o aqueceu por toda a noite e esticou o braço procurando senti-lo, mas encontrou apenas a cama vazia. Virou-se para o outro lado e fez o mesmo. Vazio novamente.

Franziu o cenho e se forçou a abrir os olhos, sentindo-os inchados.

A primeira coisa que viu foi a parede clara na penumbra da escuridão proporcionada pelas cortinas que fechou em algum momento da madrugada. Piscando algumas vezes com a lentidão de um pós-despertar, olhou ao redor percebendo o quarto vazio.

Sentou-se de supetão ao constatar estar sozinho no cômodo e por um instante se perguntou se tudo o que achou ter vivido foi apenas um sonho ou uma alucinação e, a única coisa que o impediu de se acusar ser um louco, foi cheirar o lençol e o travesseiro que outrora ela usou.

O cheiro dela inebriou as narinas e ele sorriu aliviado por senti-lo.

Soltou o travesseiro e se levantou da cama, pegando uma bermuda do cabideiro no processo e se vestindo para não assustá-la com sua nudez, embora tenham feito muito mais do que ficar nus um para o outro, não queria parecer um pervertido ou algo do tipo sendo tão desrespeitoso no primeiro horário acordado.

Foi para o banheiro e o encontrou vazio também.

Coelhinha? — a chamou em tom alto para ser ouvido de onde quer que ela esteja, amaldiçoando-se por não ter perguntado o nome dela em nenhum momento da noite anterior.

Seguiu pelo corredor com o cenho franzido pela falta de resposta, mas assim que chegou na sala e a encontrou vazia, pensou na possibilidade de ela ter ido para a cozinha, comer ou beber algo, e essa possibilidade deixou o rosto antes tenso, relaxado.

No entanto, quando atravessou o umbral da cozinha e constatou estar vazia, o cenho franziu ainda mais que antes.

— Ela foi… embora?

Perguntou para o nada, encontrando o nada nos pensamentos também.

Correu para a sala, apenas para procurar pela bolsa de mão dela e o único vestígio que encontrou foi a tiara de orelhas brancas de coelho caída no chão perto da mesa retangular.

Pegou-a sentindo-se frustrado.

Ainda com a tiara na mão fechada fortemente, atravessou aquele corredor voltando para o quarto, procurando algum outro vestígio dela.

Não havia nenhuma roupa. Não havia nada além da fraca fragrância dela e isso o desesperou de um jeito que o deixou perplexo.

Sentou-se na beirada da cama e ficou encarando aquela tiara tentando entender o que fez de errado para que ela fosse embora sem se despedir e se sentiu desapontado consigo mesmo por não ter nem mesmo o nome ou telefone dela, quando teve todas as chances possíveis para consegui-los.

Uma caneta e um papel que não estavam antes sobre o criado-mudo chamaram sua atenção, assim como uma boa quantia em dinheiro.

Levantou curioso e, com a esperança de ela ter deixado o que ele se martirizava por não ter pego antes, se aproximou e pegou um bilhete escrito com uma letra delicada e caprichosa:

“A experiência incrível que me proporcionou ficará para sempre em minha memória.

Assim como você, Sasuke-kun.

Muito obrigada por tudo.

Fique bem.

Obs.: precisei do seu cinto e da sua camisa, mas deixei um valor simbólico por levá-los comigo.

Obs.²: ao menos agora terei algo para provar a mim mesma de que o que vivemos nessa única experiência foi real.”


Notas Finais


NÃO LEVEM ESTRANHOS PARA CASA – quando resolverem ceder ao sexo casual, pelo amor de Deus, garotas, não levem estranhos para casa! Optem por um motel, hotel, pousada – qualquer lugar de sua escolha –, a casa dele – se for algum conhecido de conhecido, pelo menos –, mas nunca a sua! É muito perigoso, porque sabe-se lá quem vai ser o cara. Pode ser um psicopata ou obcecado e perseguir você ou coisa até pior! Ih, me dá calafrios só de pensar nessa possibilidade! Enfim! Façam como a Sakura! E DEIXEM GPS LIGADO MANDANDO O TRAJETO PARA ALGUÉM DE SUA CONFIANÇA!!!
Restaurante Kaiseki – é um restaurante que serve um tradicional jantar japonês com ingredientes sazonais e apresentação sofisticada, dividida em vários pratos, todos eles com um significado diferente.
Genkan – como explicado implicitamente, é tipo um hall de entrada para troca de sapatos, maiores detalhes estão na descrição no decorrer do capítulo.
Tatame – esteira feita de madeira utilizada para cobrir o assoalho com duas extremidades forradas com tecido bordado.
No link abaixo os mostra em imagens, caso queiram conferir:

https://www.vivadecora.com.br/pro/arquitetura/casa-japonesa/

Surippa – pantufas japonesas ou chinelos próprios para andar pelos ambientes interiores.
Gyokuro – é um chá-verde de alta qualidade, tem todo um processo especial e seletivo de colheita – o que o torna caro –, por isso é considerado um chá sofisticado para servir para as visitas. Sua coloração é verde e seu sabor suave, adocicado e de pouco amargor.
Ichimura Kohaku – não pertence ao universo de Naruto, gente. Ele é um personagem da Yamamori Mika do mangá maravilhoso Uruwashi no Yoi no Tsuki. Não é um crossover, até porque não é um personagem que voltará aqui em A coelha e o Falcão, mas eu quis fazer uma homenagem a esse mangá e personagem maravilhosos, por isso foi a escolha da vez. Se me permitem dizer, é um mangá muito amorzinho e inovador. A protagonista é muito especial, nada daquela clichê boba apaixonada envergonhada e bla bla bla. Ela tem uma personalidade forte e marcante, fora que é linda… meu Deus, os traços dessa mangaká são divinos! E o enredo… ai que enredo espetacular! Vale a pena, está no comecinho ainda, com cinco capítulos em português e seis ou sete em espanhol ou inglês. Recomendo!
Joystick – trata-se do controle de vídeo-game… sabe aqueles pretos da playstation? Tipo aqueles. Quando a Sakura diz que o cara a tocava como se ela fosse joystick, ela queria fazer uma analogia: garotos quando jogam apertam frenética e violentamente os botões, agora imaginem esses mesmos movimentos dos dedos no clítoris? Horrível né, gente? É um lugar que tem que tratar com carinho, num ritmo constante, mas não diabolicamente como se fosse um botão de controle de vídeo-game kkkk
Mas, hein… mudando o rumo das coisas, que vacilo do Sasukinho de esquecer de levar as camisinhas para o quarto junto, não é? Coitadinhoooo kkkkk
Eu já passei por isso com um cara, então saibam que foi baseado em fatos reais! Depois que o clima esfriou, nem ele e nem eu tínhamos coragem de olhar um na cara do outro (porque era um rolo de uma noite só) e, ao contrário da Sakura, eu fui embora e larguei o menino lá xingando até sua quinta geração pela cagada. Ou seja, SIM, eu QUIS dar um final feliz para esses dois, porque o que eu fiquei frustrada não foi pouco depois que fui embora kkkkk
Liga dos profissionais em Shogi – Bom, já sabíamos do capítulo passado que Sakura tinha um irmão e que era jogador profissional de Shogi, nesse aqui vimos o quão bom ele era e ainda é! Já Sakura, especificamente seu início de carreira, foi baseada numa história real de um garoto chamado Fujii Sota que entrou na liga profissional de Shogi aos quatorze anos de idade. Essa coisa de Shogi é muito interessante, caso queiram pesquisar para se aprofundarem mais nesse universo fiquem à vontade! Enfim, aos poucos vocês vão ver o peso que Sakura carrega ao escolher a medicina. Já imaginam a treta por causa disso, né? Kkkk
Traje Gi de Kenjutsu – calça larga escura com 7 pregas que representam as 7 virtudes e uma espécie de kimono na cor branca. Abaixo segue o link da imagem.

https://images.app.goo.gl/rPRZcqEqdWY4GFbD6

Kenjutsu – literalmente significa Técnica da Espada. Trata-se de uma arte marcial japonesa clássica de combate de espadas criada pelos Samurais.
Bokuto – espada de madeira, utilizada por novatos na prática de Kenjutsu.
Go – jogo de tabuleiro estratégico de soma zero entre dois jogadores, onde a intenção é preencher mais do que o adversário o tabuleiro.
Majan – lembra muito os dominós que conhecemos.
Lig 4 – é parecido com o jogo da velha, mas em vez de 9 espaços, são 42 e vence aquele que conseguir acumular quatro peças de sua cor na vertical, horizontal ou diagonal.

Sei que querem me matar por esse final, mas ela estava planejada desde o início.
Teoricamente a fanfic acabaria aqui, porque eu queria fazer no máximo uma three-shot, mas como nunca me contento com um plot com tanto potencial, eu o estendi, por isso a metragem e narração serão diferentes daqui para frente, OU SEJA, TERÁ UMA SEGUNDA TEMPORADA SIMMMMMM, MINHA GENTE!!!
No entanto, para quem não quiser acompanhar a saga desse casal, não tem problema nenhum porque a pegada vai ser outra.
Até agora tenho 7 capítulos escritos de um roteiro de 25 capítulos totais, o planejamento está completo, mas falta escrever e eu não tenho esse tempo agora, então não sei quando vou lançar – já que quero fazer isso quando terminar de escrevê-la –, até porque a artista que fez a capa e os banners dessa fanfic ainda está fazendo a segunda capa, então acho que vai demorar um pouquinho.
Espero que gostem do que vem por aí!
Vamos ver o falcão caçar essa coelhinha danada até encontrá-la!
Imaginam o que vem pela frente?
Comentemmmmmmmmmmm sobre esse capítulo e sobre o que esperam para a próxima temporada
Até a próxima*~
Obs.: A Cinderela deixa o sapato para trás, a Sakura deixa a tiara de coelhinha kkkk


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