História A confusão da minha vida - Capítulo 77


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aluna, Amigos, Amor, Amor Proibido, Depressão, Drama, Lesbicas, Professora, Romance
Visualizações 57
Palavras 1.117
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Poesias, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Gente, desculpem a demora, mas eu estou muito desanimada para escrever qualquer coisa. Sem ânimo, sem inspiração, sem nada. A cada dia mais...

Capítulo 77 - Choque de realidade


Fernanda.

Minhas férias finalmente chegaram ao fim e eu me sentia extremamente irritada com meus pais e tudo o que estava acontecendo dentro da minha casa. Camila, Thom e Felipe sempre tentavam estar por perto. Paloma também, por mensagens, mas tentava sempre. Já não posso dizer o mesmo de Rebecca. Não falo com ela desde o término da nossa viagem juntas. 22 dias sem ela. Era estranho o fato de estarmos muito bem em uma semana e na outra não nos falarmos. Era como se tudo o que vivemos naquela casa tivesse sido um borrão, um nada, quem sabe até um erro. Não existia nada pior do que imaginar que para Rebecca aqueles dias não valeram de nada. Todas as nossas piadinhas, conversas sérias  e brincadeiras. Enfim, até que era de se esperar tal ignorância. As pessoas agem dessa maneira quando o assunto sou eu. É muito normal.

— Fernanda, pela milésima vez hoje, não chegue da escola com cinco pedras nas mãos e parta pra cima da sua mãe — papai estava dirigindo e eu ao seu lado ouvindo tudo pacientemente. Todos os dias antes de sair para o trabalho ele me dava recomendações para não brigar com mamãe. — Você sabe muito bem como ela é. Aprenda a lidar com essa loucura dela sem gritos e explosões.

Revirei os olhos e perguntei:

— Pai, o senhor não acha que eu já ouvi muitas coisas calada?

— Sim, eu acho, Fernanda. Mas na escala de superioridade você está lá embaixo, bem... mais muito bem abaixo da sua mãe. Ela é uma mãe. E qualquer cosia que você disser, poderá, e será usado contra você qualquer dia desses.

Ele respirou fundo e passou a mão nos fios grisalhos sem desviar a atenção do trânsito.

— Qual é o problema dela, afinal?

Percebi meu pai engulindo em seco e abrindo a boca várias vezes, talvez procurando as palavras certas para me dizer seja lá o que fosse.

— Não é nada — mentiu. Eu sabia que ele estava mentindo. — Sua mãe só acha que você está passando muito tempo fora de casa.

— Ahh — bufei estressada. — Por que ela acha que eu não paro mais em casa? Huh? Será que ela tem a mínima noção do que é escutar aquelas merdas da boca da própria mãe?

— Nanda. Por mim, evite arrumar mais brigas com sua mãe. Se ela começar a falar novamente mais tarde, tampe os ouvidos e fique quietinha. Você sabe que não é tudo isso que ela fala, não sabe?

Não. Eu não sei.

— Uhum — murmurei para dar um fim naquela conversa.

Não estava nem um pouco afim de falar sobre o que me atingia ou não nas palavras ofensivas de minha mãe.

— Então, certo. Apenas fique na sua, minha filha — ele estacionou o carro na calçada da escola. — Tenha um bom retorno na escola. Eu te amo!

Murmurei um “eu também te amo” e saí do carro antes que começasse aquela melação. Joguei minha mochila nova nas costas e caminhei em direção ao enorme portão. Minhas costas doía um pouco já que eu havia ficado a noite toda sentada escrevendo um milhão de coisas no meu caderninho desabafos. Era o meu melhor amigo nos momentos de solidão. Caminhei mais um pouco e percebi alguns olhares na minha direção, automaticamente passei a mão nos meus cabelos e olhei para a minha calça para constar se o zíper estava aberto ou alguma coisa idiota que me fizesse pagar mico logo no meu primeiro dia depois das férias. Mas só fui entender o porquê dos olhares quando vi uma Paloma mais bonita que o normal correndo na minha direção. Seu sorriso estava enorme e seus cachos loiros voavam conforme ela corria mais e mais rápido. Quando o corpo dela se chocou contra o meu foi como se todos os problemas da minha cabeça evaporassem por alguns breves segundos. E foi só então que eu percebi a falta que ela fazia. Estar perto de Paloma fisicamente era mil vezes melhor do que por mensagens de texto. Apertei seu corpo magro contra o meu e fechei os olhos rezando para que o mundo parasse naquele momento, que caísse um meteoro na terra e eu pudesse ter o privilégio de morrer nos braços de Paloma.

— Senti sua falta, Loma — confessei enquanto o abraço ficava mais e mais apertado. — Muita mesmo.

O cheiro dela ainda era o cheiro dela. Paloma ainda era Paloma. Sempre seria.

— Você não foi me visitar em nenhum desses dias, Fernanda. Estou um pouco chateada com você, não vou negar — ela comentou se soltando aos poucos do meus braços. — Eu só não fui até sua casa pois estava muito ocupada com a obra que estava rolando na minha casa. Os papéis lá em casa foram trocados, Miguel fica longe de obras.

Eu até ia dizer alguma coisa, mas o sinal nos interrompeu.

— Vamos! Sua primeira aula é com uma professora muito gata. Não podemos perdê-la! — A loira comentou me puxando pelo braço e acabei por rir e revirar os olhos com tamanha modéstia da parte dela.

Loma e eu fomos andando até o pátio do colégio para então ir em direção ao segundo andar do prédio, e para quebrar o silêncio da pior forma possível, ela perguntou:

— Como foi sua viagem com Rebecca?

— Legal.

Me limitei à dizer.

— Você parecia mais animada nos nossos telefonemas. Aconteceu alguma coisa? — instigou. Ela não perderia a mania de se preocupar com as pessoas, nunca?

E quando eu estava bolando uma ótima resposta para tranquilizá-la, eis que minha professora de Arte aparece bem na nossa frente caminhando majestosamente em seus saltos pretos bicos finos e com os cabelos ondulados jogados para o ombro esquerdo. A roupa social branca com preta caía extremamente bem por aquele corpo esculpido por deuses. A saia parecia ter sido desenhada para as pernas grossas de Rebecca. Me encontrava babando por ela...

— Falando nela... — Paloma murmurou baixinho, e como que por ironia do destino, Rebecca levanta o olhar na minha direção e as borboletas que eu achava que estavam mortas, voaram como nunca no meu estômago. — Oi de novo, Beca!

A mulher ao meu lado acenou com a mão livre para ela que apenas balançou a cabeça e sorriu. Rebecca aumentou o ritmo dos passos e passou por mim sem nem proferir um “bom dia”. Meu medo de que Rebecca estivesse realmente me ignorando  acabara de se  transformar  em pesadelo. Seus olhos frios e amendrontados me assustaram mais que um filme qualquer de sexta-feira 13. 

Paloma estreitou os olhos na minha direção e disse:

— Agora não podemos, mas nós vamos conversar sobre o que acabou de acontecer aqui, Fernanda.

Seu olhar foi fatal.

Como eu poderia falar sobre algo que nem eu sabia muito bem?



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