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História A conta, por favor - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo único


Calor, muito calor. É isso o que define o ambiente.

Quente, quente demais. É isso o que define a mim mesmo.

Fervendo... Ele me faz ferver, ele ferve, esquenta tudo, tudo em mim.

“Diga... O que quer que eu faça?” – aquela voz... Nada disso podia ser real. Não deveria estar acontecendo. – “Vamos... Vai ficar mudo? O gato comeu sua língua?” – engulo em seco – “Eu posso ser esse gato, basta você querer.” – minha pouca sanidade se esvai.

Não sei como vim parar nessa situação, não sei sequer como chegamos a esse ponto. Tudo o que sei é que estou aqui, preso a esta poltrona, sem conseguir me mover, preso, mas sem amarras físicas, e esse homem a minha frente, de sobretudo de veludo falando com a voz mais lânguida que eu já tive o prazer (e o terror) de ouvir. Era comigo que ele falava, era pra mim que ele direcionava aquelas palavras. Por que eu não sabia, mas era só pra mim. Nunca havia visto Milo assim, tão sexy.

Minto, todos sabem muito bem o quão sexy esse homem pode ser, quase etéreo de tão irreal que tudo aparenta ser. Todos em todo o Santuário desejavam-no, todos intimamente ansiavam por essas palavras, mas poucos tiveram a sorte (ou a desgraça) de estarem no meu lugar. Ninguém imagina – até estar aqui, no meu lugar – o que é estar de frente para ele. Mesmo vestido dos pés à cabeça, me sinto nu diante de tamanho poder. Ele consegue me fazer arrepiar só com seu olhar, meu corpo arde com a melodia de sua voz, minha cabeça gira com o inebriante aroma de seu hálito. Nessas horas sou um mero mortal: minhas calças ficam apertadas.

Quem me ouvisse, caso eu relatasse o que me acontece agora certamente não acreditaria, mas não consigo me levantar, não consigo reagir, o máximo que consigo é forçar a consciência, que inclusive já está me dando o último adeus. Ele se aproxima de mim e fala sussurrando ao meu ouvido “essa noite você não me escapa”. Solto um gemido: ponto para ele. Não resisto e tento roçar meu rosto no dele, o calor de sua pele emanando e fazendo a minha se arrepiar. Céus, como eu, o mestre do gelo, aquele que morou por anos na Sibéria, aquele que adora o frio e detesta o calor pode estar tão desesperado pelo calor de seu corpo, pelo fogo líquido que derrama de sua boca todas as vezes que sua voz é entoada?

Tenho um surto de lucidez ao sentir algo em meu peito. É sua mão esquerda, que já havia aberto alguns botões de minha camisa e ganhava passagem, desvendando o contorno de meus músculos e brincando atrevidamente com meu mamilo. Minha mente clareia e turva a cada ação, ficando minha visão enevoada com a sua língua passando lascivamente pela lateral do meu rosto, indo morrer no meu ouvido.

“O que você ganha com isso?” – solto num engasgo, tentando me manter firme. Meu desespero me consumindo, porém, já disputando seriamente com o prazer que me consumia. Não devia ter feito isso, não devia ter perguntado, pois em resposta ele abriu aquele sorriso, aquele sorriso malicioso que dizia sem palavras que me devoraria inteiro. “Você” completou ele. O que restava da minha consciência pulou da beirada do precipício, se matou, morreu. Eu o quero, e quero agora.

Fui em sua direção, ansiando por seus lábios, direcionando minha mão aos seus cabelos, mas ele se afastou. Com o olhar de quem venceu o adversário e agora se deleitaria com os espólios da guerra, Milo pôs a mão sobre um aparelho de som que sequer tinha percebido que estava ali e uma música logo começou a tocar. Um daqueles rocks antigos, bem melodiosos. Não era música de motel, nem de filme barato, mas combinava com sua personalidade, combinava com o ambiente, combinava com o momento. A luz foi diminuída e então começou a dançar sensualmente, principiando um strip-tease. Vi-o sem conseguir esboçar qualquer reação abrir botão a botão de seu sobretudo de um lustroso e negro veludo que logo foi ao chão.

Nunca imaginei que um homem usando cinta-liga ficasse tão bem. Aquelas luvas e as meias longas cobrindo seus braços definidos e suas pernas muito bem desenhadas, o sutiã escondendo os mamilos, e o fio dental convidando para uma visita àquela região traseira, adornando, chamando por mordidas, beijos e lambidas. Na mesma hora minha boca secou. Todos os meus sentidos ao máximo, e eu não sabendo lidar com tamanha sedução e poder, tamanha luxúria. Lá estava aquele deus dançando, movimentando seu corpo, olhando para mim, e eu já não sabia mais o que fazer, afinal, quem estava mandando ali não era eu.

Como um felino, o cavaleiro de escorpião se aproximou, e foi aí que eu percebi que já tinha me levantado da poltrona. Tudo rápido, nossos corpos se agarrando, nossos braços enroscando um no corpo do outro, minhas roupas voando para todos os lados, nossos sexos prontos para o que a noite prometia. Fui jogado sobre a cama e logo ele subiu em meus quadris. Pelo que eu estava percebendo, eu o tomaria, porém, era ele quem possuía minha alma, era ele quem dominava minha vontade. Eu era escravo de seus desejos para só então ser escravo dos meus. “De agora em diante, você é meu, e de mais ninguém...” e com essas palavras fui tomado por inteiro.

Senti uma vibração estranha na minha cabeça e abri os olhos lentamente quando percebo que estava sendo chamado. Levanto o rosto e vejo Mu ao meu lado, com um olhar um pouco preocupado, mas também, ligeiramente divertido.

“Já acordou?” – sua voz não disfarça o divertimento.

“O que aconteceu?” – passo a mão grosseiramente por meu rosto e cabelo, chegando a minha nuca, percebendo que ainda estou vestido. Olho ao redor, e lá estávamos eu, Mu, Shaka e Afrodite, que estavam numa conversa animada, na mesa da taverna que frequentamos quando queremos dar uma espairecida.

“Acho que um pouco de bebida e um monte de cansaço” – olho para minha mão e meu copo ainda pela metade. Um sonho, claro. Observo o ambiente e em um canto estão Máscara, Aldebaran e Saga conversando visivelmente alterados pela bebida, num outro lado Milo com Kanon, Shura e Aiolia rindo possivelmente das baboseiras que eles sempre falam quando estão juntos. “Deve ser...” – respondi tentando clarear minha mente.

“Entretanto” – chamou minha atenção, mas falou num tom que claramente era direcionado apenas a mim – “acho que você deveria tentar”. Faço cara de quem não entendeu, e logo Mu desvia o olhar em direção a Milo, deixando claro do que estava falando. Não sei ao certo o que aconteceu, nem o quão alto eu falei (se é que eu disse algo), mas por hora, chega de vinho.



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