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História A Corte de Destruição e Morte - Capítulo 4


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Notas do Autor


Gente, no meu tempo livre hoje, acabei escrevendo pra caramba, foi mal a extensão do capítulo!

Capítulo 4 - Curve-se ou Morra


Fanfic / Fanfiction A Corte de Destruição e Morte - Capítulo 4 - Curve-se ou Morra

4

Já era meu terceiro dia de treinamento, eu ainda levava uma surra de Az, devido ao fato de eu não saber me posicionar direito, ou deixar o lado esquerdo – ou direito – sem proteção, e eu estava esgotada. Eu subia as escadas para o meu quarto, quando senti uma coisa, quando senti alguém, era estranho. Novo. Então pedi, mente a mente.

Vá ver o que é isso. Sombras ao meu redor rodopiaram, e foram até Feyre, que vinha logo a frente, ao meu encontro.

É a criança. Ela é poderosa. Deve ser temida.

Não! Deve ser protegida. E depois de sibilar isso para ela, mandei que voltasse ao seu lugar, que era dentro de mim. Olhei ao redor, Feyre ainda vinha, radiante, ao meu encontro. Ela acenou para mim e fez “olá” com os lábios, eu me aproximei:

- Chame Amren, agora, quando ela chegar, venha ao meu quarto com ela.

Ela me olhou assustada, mas quase correu pelo corredor atrás de Amren. Entrei no quarto, e Elain estava a minha espera, sentada na cama, com uma caixa de madeira ao lado, ela se sobressaltou ao me ver chegar de repente, me lembrei que ela não podia se desconcentrar para que não tivesse, ou para que tivesse visões.

- Chegou a hora de te entregar isso – ela disse, com o olhar vago, tão distante quanto o mar estava, e me entregou, eu peguei, desconfiada e cautelosa – Mor deixou isso para você, disse que eu devia te entregar caso percebesse que você, enfim, estava totalmente leal à nossa família. Eu vi isso hoje. Você sabe como. – e deu de ombros.

Eu abri a caixa, havia uma armadura de couro illyriano bem dobrada, com um conjunto de adagas serafim e duas espadas gêmeas que peguei prontamente, testando o balanço delas nas mãos, era boa, perfeita para ser honesta, havia ainda um bilhete:

Nestha, se está recebendo isso de Elain então tem duas opções: ou eu não voltei com seu próprio conjunto de armas, ou finalmente sua lealdade está toda com nossa família, use o seu presente com sabedoria e força letal. Nunca hesite. Nunca trema. Nunca tema. Seja implacável, na vida e na luta. Seja a rainha que nasceu para ser!

                                                                                                          Mor.

Eu quase chorei ao ler aquilo, mas assenti mais para mim mesma prometendo fazer o que ela pedia. O dia da reunião estava quase chegando, aquilo seria bem utilizado em caso de perigo. Então ouvi Amren e Feyre chegando, e me virei para Elain:

- Deixe-me a sós com elas. E, sobre o casamento, lembre-se sem rosas vermelhas.

- Tudo bem, ah, é verdade, Feyre não gosta.

- Não, ela não gosta, tire-as imediatamente, querida – e toquei o rosto da irmã que eu também amava muito. – Vá agora querida!

Elas entraram ao passo que Elain saiu, e logo me olharam com olhares curiosos, eu ia responder assim que a porta fechasse, então sinalizei para que fechassem.

- O bebê, ele tem quantas semanas?

- Vai inteirar quatro em poucos dias. Por que? Já dá para ver a barriga? – Feyre sorriu e acariciou a barriga.

- Não é isso – neguei e olhei para Amren

- Não é possível. Você o sentiu? – perguntou Amren, apontando a barriga de Feyre. Assenti para ela. – Merda!

- O que foi? – perguntou Feyre, olhando de Amren para mim, interrogativa e assustada

- Tente – supliquei para Amren. Ela começou a farejar, e ouvir melhor, estava de olhos fechados para que tivesse sua atenção total voltada para aquilo.

- Se eu estiver muito atenta, eu sinto, sinto o que você sentiu. – ela disse, finalmente

- Do que vocês estão falando? Sentem o quê?

- O bebê. Sentimos o bebê. O poder do bebê – eu disse finalmente, ela arregalou os olhos, e se virou para Amren pedindo explicações.

- Se Nestha, que não tem absolutamente nenhum treinamento para encontrar objetos, ou pessoas poderosas, sentiu o poder de seu bebê, então você correrá grandes riscos na reunião com Grão-Senhores. Eles foram treinados desde que nasceram para descobrir qual é o filho mais poderoso que herdará o trono, treiná-lo e ao mesmo tempo temê-lo. Você deve se prevenir, esconder a gravidez, apesar de pequeno, já emana grande poder.

- Não o esconderei. Eu o protegerei. – Feyre disse

- Por favor, não tema, vou deixá-la sair – alertei Feyre. E como um trovão ressoando e dando eco à ela, a Morte saiu.

O que você quer, Senhora? – disse apenas para mim

- Conte a elas. – como se me mostrasse um aceno de cabeça e uma reverência ela começou.

- Seu bebê, Grã-Senhora, tem grandes poderes. Ele é filho de Rhysand, o Grão-Senhor mais poderoso até hoje e também seu filho, Grã-Senhora da Corte Noturna, mas que tem o poder de todas as outras Cortes. Pense nesse poder combinado, Feyre.

E, com isso, ela voltou para mim, com a mente eu disse: Obrigada. Então se abrigou totalmente em mim, de novo.

- Quando você soube, Nestha? – minha irmã perguntou

- Hoje, quando te vi no corredor senti algo novo, e a escuridão andou entre as sombras até achar você, sua barriga, seu bebê, então me disse.

- Boa garota. – elogiou Amren – Agora eu sei que você não precisa mais do meu treinamento, você fica aos cuidados apenas de Mor. – assenti concordando, e agradecendo o elogio

- Então, se eu entendi direito, temos as pessoas mais poderosas da Corte num único quarto? Isso sem considerar meu parceiro – perguntou minha irmã

- Sim – dissemos eu e Amren, em uníssono

- Você está em pânico, vá para seu quarto, descanse e converse com Rhys.

Como se tivesse nos ouvido, uma batida na porta ressoou, e ele já foi entrando.

- Qual versão você quer ouvir? – Amren perguntou com descaso, e para minha surpresa, ele apontou para mim

- Eu? – perguntei assustada

- Sim, você mandou chamar Amren para que ela pudesse esclarecer, se não me falha a memória de Feyre. – então baixei minhas barreiras, apenas para aquelas memórias do dia, e garras foram passando a cada imagem, som e sentimento que poderia ter de diferente, então acabou – Pelo Caldeirão! – e passou as mãos no cabelo, como se com isso pudesse entender melhor – Feyre, querida, vamos para a cama, você parece meio abatida. Eles saíram, deixando Amren para trás.

- Vejo que alguém finalmente conseguiu roubar aquelas delicinhas ali de Mor – disse apontando para a caixa com o presente de Mor

- Eu as mereci – eu disse dando de ombros

- Eu também, mas ao invés de me dar uma caixa com um bilhete, ela disse para mim pegar as armas do corpo dela, nós destruímos uma das casas de Rhys. E como vê eu não ando exibindo nenhuma arma dessas por aí.

- Entendo.

- Nestha, você precisa ter consciência que não é só a Senhora da Morte, você é muito mais que isso. Você pode ser a Morte. Você já é uma bruxa. Pode canalizar poder e jogar contra outra pessoa, e muitas outras coisas. Você é tão poderosa que o Caldeirão temeu você. Você vai à reunião ou ficará em Velaris?

- O que você sugere? – eu perguntei mesmo já tendo tomado minha decisão

- Sugiro que você vista seu vestido mais escuro e chique, e faça qualquer um que ousar tentar ameaçar nossa família temer e se curvar ao seu poder como aqueles porcos se curvaram para Amarantha, ou simplesmente os mate. Essa é a última lição que te dou. Você não precisa mais de aulas se a Morte está te ajudando.

- Obrigada por tudo, Amren. – eu disse por fim

- Disponha, Senhora. – e saiu

...

Eu estava a meio passo do ringue quando Azriel viu a minha nova espada.

- Onde a conseguiu? – me interrogou antes mesmo de dar bom dia, mas eu sabia o porquê

- Primeiro: Bom dia! Mor me deu – o queixo dele e de Cass caíram – Bebês Illyrianos? Vocês vão babar – eu disse ironicamente, e eles imediatamente se recompuseram

- Suba, vamos lutar.

E, lutamos, muito. Eu estava melhor, não cederia facilmente para ele. Cada vez que eu caía em um segundo me levantava. A espada era implacável, mas não é as armas que fazem o guerreiro, é o guerreiro que as faz quando as utiliza do jeito certo, lição do primeiro dia de combate com Az. Eu estava ofegante, quando minhas narinas dilataram e eu senti um cheiro estranho. Era medo. Estávamos eu e Az apenas, Cass e Feyre já tinham saído há horas porque estavam com fome. Eu finalmente disse:

- Eu... sinto... – foi o que consegui dizer entre fôlegos

- Sente o que menina? – era impressionante como não tinha uma gota de suor no corpo de Az, mesmo com aquele couro, o Sol e a luta.

- Eu... sinto... o cheiro... de medo... em você – consegui dizer, e ele parou sua lâmina no ar, com o último golpe, que teria sido fatal, para mim se fosse uma batalha justa

- O que quer dizer? – e embainhou a lâmina atrás das costas.

- Eu ou ela, desculpe talvez eu não consiga mais separar nós duas e saber a diferença – ele acenou, como se entendesse, e pedisse que continuasse – Enfim, eu sinto o cheiro de medo em você. Não medo de mim ou da Morte, é de outra coisa – então fechei os olhos e respirei fundo com toda a atenção naquele medo

- O que eu temo então, Senhora?

- Você teme... – eu disse ainda de olhos fechados, concentrada – você teme não ser digno da nossa família, você teme fracassar com nós antes de morrer. Você prefere morrer, antes de falhar.

- Como... como você sabe? – a voz dele falhava em cada uma das palavras

- Eu não acabei. – endireitei minha coluna, ficando reta como uma vara, ergui o queixo como uma rainha – Você acha que é rejeitado por Mor por ser bastardo, mas no fundo você não a ama, mas não admite – eu disse, o final já olhando para ele – e respondendo à sua pergunta, eu sou uma bruxa, Az, e sou a Senhora da Morte, eu sei o que as pessoas temem antes da Morte, e se eles temem a morte. Amren, por exemplo, se curva a ela, sem um pingo de medo.

- Entendo, agora entendo. Por favor, mantenha isso entre nós.

- Eu não diria uma palavra, a ninguém.

Quando o dia chegou ao fim, fui para o quarto a fim de descansar, hoje eu estava pronta para enfrentar meu medo atual: um banho de banheira. Eu precisava conseguir relaxar, e o chuveiro não concederia isso ao meu corpo, então coloquei a banheira para encher e vapor preencheu o banheiro. Eu conseguiria. Tirei minha blusa, minha calça e minhas botas para entrar na banheira. Um pé primeiro. Depois o outro. Então o corpo. Você consegue, Senhora. Foi o que eu precisei para passar tempo suficiente até relaxar totalmente meu corpo. Coloquei a camisola, e fui direto para a cama, o sono me reivindicou prontamente.

...

- Você conseguirá ir à reunião amanhã, está pronta Nestha – Az disse depois do último treino antes da reunião. O dia acabou, e eu fui para o quarto. Quando abri a porta, logo que visualizei o quarto a primeira coisa que notei foi uma caixinha preta de madeira de cerejeira. Entrei, fechei o quarto e fui até ela. O conteúdo me impressionou: era uma adaga, idêntica a que usei para decapitar o Rei. Tirei do veludo vermelho-sangue em que estava. Segurava com as duas mãos com medo de ela cair. Então, finalmente vi o bilhete que estava entre o veludo e a faca:

Nestha, como um agradecimento por não revelar meus medos a ninguém, eu te dou a gêmeas da Reveladora da Verdade. Essa adaga irá sempre te ajudar, e guiar você até que encontre uma verdade absoluta. Através dela, você dará os golpes mais mortais e dolorosos. Obrigado.

Az.

Embainhei a adaga no cinto que havia ganhado temporariamente de Mor, e me joguei na cama. No mais profundo dos sonos, até que o dia seguinte chegou. Pedi às criadas que fizessem uma trança nos meus cabelos em forma de coroa, e o vestido mais escuro que tivessem. Eu o vi e o admirei. Ele era rendado, de mangas longas, e uma longa calda, e com aquilo eu podia afrouxar um pouco as minhas sombras. Eu estava pronta, e desci as escada com o queixo elevado, e reta como uma vara. Uma rainha, é o que sou.

- Outonal, Eris, trinta minutos, quinze moedas. – disse Cass

- Outonal, Eris, quinze minutos, trinta moedas – rebateu Az

- Outonal contra Diurna, dez minutos, cem moedas – disse Rhys

- Vocês adoram gastar dinheiro – disse Feyre – Você está linda Nestha. – e todos concordaram

- Obrigada – eu disse ao grupo – Mas, vocês todos estão errados – Rhys e Az arquearam as sobrancelhas, Cass sorriu – Primaveril contra nós, quinze minutos no máximo, duzentas moedas do meu próximo salário como Emissária. – eu disse por fim assumindo minha posição oficialmente. Az assobiou.

- Ok, veremos quem paga quem. E, Feyre, sua irmã adora gastar, além da aposta, quanto você acha que ela gastou hoje com esse vestido? – todos riram, inclusive eu

- Vá Az – disse Rhys, no mesmo instante o encantador sumiu, e voltou mais rápido do que o imaginado

- Três cortes além da anfitriã – que seria a Crepuscular, Thesan – Diurna, Estival e Invernal. Já está tudo combinado com Amren, ela cuidará da cidade, e Mor deve voltar em algumas horas

Assentimos e Rhys nos levou até aquele palácio familiar, éramos a quinta corte a chegar, e tudo bem. Nos levaram até a sala de reunião, com aquele espelho d’água lindo, e nos acomodaram ao lado de Helion e no canto mais distante possível da Primaveril. Ok, talvez ele nem mesmo aparecesse, foi o que todos pensaram ao olhar para mim, como se já esperassem meu pagamento. Beron, seus filhos e a Senhora da Outonal chegaram. Quando pensamos que Tamlin não chegaria mais, ouviu-se um rugido e a fera apareceu, logo se tornando homem, e logo atrás, Lucien. Eu olhei para Rhys e sussurrei uma pergunta:

- Escudos?

- Todos ergueram, eu, sua irmã e os bebês ali também – apontou para Cass e Az com as armaduras e os sete sifões a vista. – Bom, Tamlin querido, você pediu essa reunião, por favor, nos agracie com toda a sua atual sabedoria – ironizou Rhys cantarolando, ele queria irritar Tamlin, ele sempre queria isso, e funcionou, pois as garras se enterraram à madeira, e Lucien pousou a mão no ombro do amigo. Só agora eu percebia que a Senhora da Outonal não tirara os olhos de Lucien, saudosa.

- Seus queridos humanos, Rhys, estão enchendo o meu saco por causa das irmãs Archeron, eu tenho uma pilha de cartas da rainha Vassa na minha mesa... – ele sentiu algo, pois seu rosto ficou branco feito o de Kallias

- Ora, Tamlin, se era isso, devia tê-las encaminhando a mim, não devia ter incomodado meu Grão-Senhor com essas banalidades que a Emissária do Reino Humano pode resolver certo? – eu disse, meu tom era o de uma rainha, como Mor disse que sou. Como eu sabia que era. Ele me olhou com descrença, como se eu houvesse insultado ele, Feyre me olhou me parabenizando – E certamente não devia ter incomodado minha Grã-Senhora, que está grávida, ora, onde estão seus modos? – agora, silêncio recaiu sobre a sala

- Você está grávida? – perguntou Tamlin

- Sinceramente, não que eu deva satisfações a qualquer um de vocês, mas, eu e minha Corte aproveitamos essa reunião para revelar a toda Prythian que o verdadeiro Grão-Senhor está a caminho, e liderará na Corte Noturna – ela disse, com maior frieza possível. Magia de todos os Grão-Senhores rodopiou pela sala testando

- De fato, muito poderoso. Quantas semanas? – perguntou Thesan

- Quatro. – disse Rhys acariciando a barriga de Feyre. Foi o estopim para Tamlin, que no segundo seguinte atacou fisicamente, sem nem mover as mãos, Rhys parou ele no ar – Eu esperava os parabéns. Mas devo dizer que uma estátua dessas já é presente o suficiente – Rhys disse ironicamente a Tamlin com garras e presas para fora, na direção de Feyre, aquele pedaço da Morte a solta ficou mortalmente frio.

Tamlin sentou-se novamente, voltando ao normal, então todos os outros Grão-Senhores murmuraram “Parabéns!” muito falsamente, disso eu sabia. Então eu murmurei para minha família:

- Quando eu recebo? – eles riram e prometeram que assim que chegássemos em casa

- Bom, vocês treparam tanto que deu resultado, né? – provocou Tamlin

- Sabe, Tamlin, para alguém que já superou minha parceira você se interessa muito pela vida sexual dela. – disse Rhys examinando as unhas

- E, para alguém independente ela tem muitos porta-vozes. Mas, continue, você já superou aquele barulho pré-clímax? – perguntou para Feyre

- Concordo plenamente com Rhys, mas se você quer ser informado, deviria vir nos ver fazendo amor uma noite dessas. E, digo mais, um segredinho, que acho que os soldados de Thesan devem saber, ou até mesmo compartilhá-los – uma pausa de suspense, todos olhando e esperando, até os soldados de Thesan, parentes de serafins – Dizem que entre os illyrianos a envergadura, corresponde ao tamanho daquela sua parte favorita do corpo, quanto maior, bem, não preciso terminar, pena que não vejo asas em você, não é? – e todos riram diante da humilhação de Tamlin. Eu senti ele reunindo seu poder, se preparando para atacar com magia. Pensei que seria apenas isso.

Então em um segundo Tamlin estava no ar, atacando fisicamente e com magia. Magia forte, os escudos mágicos de Az e Cass caíram, e então eu me joguei na frente, mais rápido que o próprio Tamlin. A Morte me protegeu, e o poder de bruxa me fez absorver e concentrar o poder que Tamlin lançava, havia agora entre mim e ele uma parede escura, e eu via ele, mas ele não me via, devido a escuridão. Uma bola de poder concentrado nas minhas mãos, Rhys se levantava

- SENTE-SE! – era minha voz, mas não era também, meus olhos não eram mais azuis, o vestido sumira, no lugar couro illyriano, espadas serafins gêmeas nas minhas costas, e o cinto de adagas na cintura, com a gêmea da Reveladora da Verdade. Lancei aquele poder contra Tamlin, que se chocou contra a parede, fazendo o chão tremer, no instante seguinte eu estava contra ele, com o presente de Az nas mãos e contra o pescoço de Tamlin – Você fez minha irmã sofrer, você fez minhas irmãs sofrerem – eu disse – Sabe o que você merece? – ele me olhava assustado, mas não disse nada, agora um casulo de sombras nos envolvia, nós apenas nos víamos, e não ouvíamos nem era ouvidos fora daquele casulo, então, uma resposta, enfim:

A Morte. É o que você merece.

Ele estava ainda mais assustado depois que ouviu aquilo.

- O que você é? – ele não conseguia usar sua magia, devido à minha magia, ele precisaria reunir muita força para conseguir fazer algo contra mim.

- Eu? Eu sou Nestha Archeron, a irmã mais velha da minha família, aquela que foi jogada no Caldeirão por sua culpa, eu sou a Emissária do Reino Humano para a Corte Noturna, eu sou a irmã da sua suposta amada Feyre Archeron, mas eu também sou a Senhora da Morte, eu escrevo, sinto e ouço a Morte.

Ele estava boquiaberto, com certeza não esperava aquilo, nada daquilo. Então continuei:

- E como você viu, eu também sou uma bruxa, e estou com muita raiva de você – eu quase rosnei ao dizer aquilo, afrouxei a adaga, e coloquei a Morte para segurá-lo, aumentei o espaço da escuridão total – eu estava lendo um livro da História da Corte Primaveril há alguns dias... e, então, vi que nunca, nenhum Grão-Senhor se curvou para uma fêmea... interessante... então minha proposta para você seria: “curve-se ou morra”, mas, nesse mesmo livro tinha algo importante. – pausei um pouco para dar um ar de quem pensava

“Não corte nunca seu cabelo acima dos ombros, ou nunca deixe uma mulher cortar o seu cabelo, não me lembro bem, você entende né? E, dizia ainda que isso era sinal de desonra, de falta de compromisso com seu trono. Não é essa a lâmina que tirará sua vida. Mas é essa que te trará uma infelicidade de dez anos.” Ele me olhava com muito terror

- Não faça isso, por favor! Eu me curvo! Por favor! – ele me implorava

- Mas, isso teria que ser em público, e na sua corte. Mas, no momento não estou afim de uma nova viagem – sorri, ao mesmo tempo que sentia golpes de todos os tipos de poder, mas a Morte sequer vacilou por um segundo – No entanto, devido a sua altura, preciso que se ajoelhe – contra a sua vontade eu o fiz se ajoelhar e baixar a cabeça, e mecha a mecha eu cortava seus cabelos com a Reveladora da Verdade, eu vi seus olhos lacrimejarem, e sorri diante daquilo, ele pagaria mais caro, outro dia, então acabei, e pouco a pouco fui abaixando o poder e os outros foram parando de atacar. Por fim, viram a imagem, e arregalaram os olhos.

- O que você fez? – Lucien quase gritou

- Um ajusto de contas, por mim e por Elain, que devo ressaltar, é sua parceira. – apontei com a adaga para ele – Sabe, Grão-Senhores, eu consigo sentir o medo de cada um de vocês – olhei um a um, e por fim saí de perto de Tamlin – Eu consigo sentir, e usar a Morte, escrevê-la também – respondi a todas as perguntas implícitas deles – Ah! E sou uma bruxa. O que você viram aqui agora, foi uma pequena demonstração de poder, eu posso muito mais – eu estava andando, ao redor de cada um deles, ainda com a adaga na mão – E isso não foi devido à falta de respeito com minha corte, e minha irmã, isso foi por mim, e peço perdões Grão-Senhor e Grã-Senhora – eu disse abaixando a cabeça e levando a mão com a adaga ao peito – Vocês podem me punir – ainda estava com a cabeça baixa quando Feyre disse:

- Agora não, depois. – e antes que alguém começasse a falar qualquer coisa, eu fui dizendo, palavra após palavra, sem hesitar, e sem temer:

- Sendo assim, eu agradeço. Mas, ele devia ser punido pelo desrespeito. E, quanto as cartas estou esperando que sejam enviadas para mim, e logo resolverei, querido Tamlin. Perdão, Grão-Senhor. – ironizei o título, ele ainda não havia se levantado do chão.

- Hoje não Nestha, isso ficará para outro dia, hoje, ele levou uma punição pior que a morte. – Eu ainda não tinha voltado para meu lugar, quando comecei:

- Nessa sala há Grão-Senhores tão egoístas, não é Beron? Que tem medo de que seu poder morra, ou que seja tirado de você, por isso você incentiva que seus filhos morram pelo trono, para ter o poder todo para você. – depois de dizer isso ele tentou me atacar, eu nem precisei levantar o dedo para me defender e jogar o que ele mandou de volta para ele – Cuidado com quem você mexe. – sibilei sem hesitar – Enquanto outros Grão-Senhores temem a morte de seus amados – disse para ninguém em especial – Ou o mais impressionante de todos: teme morrer antes de tornar o mundo um lugar melhor. Eu só senti isso em três de vocês, não cito nomes. – uma pausa – Mas, se me permite, Thesan, eu gostaria de uma sala privada, para falar com três pessoas que estão presentes nessa sala em particular.

- Com quem? – ele indagou. Apontei para a Senhora da Outonal, Helion e Lucien. Rhys e Feyre trocaram um olhar, Lucien estava perdido, a Senhora estava assustada e Helion curioso. – Se eles quiserem, e após essa reunião, você pode usar essa sala.

- NEM PENSAR! – Beron gritou segurando com força excessiva o braço da esposa. Com uma gota de poder, eu o fiz soltá-la e se sentar

- Não é com você que desejo falar, é com ela. Ela ainda tem poder de desejo. E, eu já disse: cuidado! Eu posso não ser Amren, mas certamente posso deixar o trono vago... Para Eris talvez – uma pausa – Ou Lucien, é meu preferido – cantarolei para ele, sabia que o único filho que ele não queria no trono, era o caçula, então sorri com a expressão dele. – Senhora, espero que esteja disposta a me ver, de fato, mais tarde – eu disse com verdadeiro respeito.

Ela trocou um olhar com Beron, mas ela era mais sensata que ele, então assentiu para mim.

- Lucien, você fica. – eu praticamente ordenei

- Você é uma louca se pensa que vou falar com você depois da sua “pequena” demonstração de poder.

- Mas, eu nem terminei com ele. – dei um olhar inocente ao mesmo tempo que Feyre e Rhys sorriram – Helion?

- Conte comigo, Senhora.

- Eu ficarei então – murmurou Lucien.

- Que bom que chegamos a um consenso, querido – sorri para ele e me voltei para Tamlin novamente, meus olhos mudando do azul gelo para o dourado, e o queixo de todos caíram, Tamlin empalideceu – Como eu prometi, você sofrerá por dez longos anos. Você poderá acertar o seu cabelo, mas ele apenas crescerá quando o prazo de dez anos acabar – ele estava escandalizado, sofrendo dolorosamente, diante disso, eu sorri e continuei – porém se você encontrar alguém que tenha sido tão traumatizado quanto Feyre foi por amor, e que ainda assim consiga te amar, a partir da primeira batida de coração acelerada, ou primeiro beijo trocado, isso mudará, e eu te visitarei na Corte Primaveril antes mesmo que seu povo saiba. – finalizei, e disse para ninguém em especial – Continuem a reunião, por favor.

- Ah! Anunciamos o herdeiro, mas não os convidamos para a festa da nossa união formal e oficial. Estão todos convidados – mas um murmurinho e a reunião voltou ao normal, mas eu não prestei atenção mais depois do anúncio de Rhys.

...

A reunião se encerrou e todos saíram da sala, restando os três escolhidos e os guardas.

- Saiam guardas – eles saíram, por medo – Lucien, Helion, vocês também, a primeira pessoa que ficará sozinha comigo, é ela – Lucien e Helion me olharam com medo, do que eu faria com ela – Tranquilos, a pessoas que vocês devem temer e afastar dela, é Beron. Saiam!

- Tudo bem – murmuram em uníssono

- O que você quer de mim? – ela indagou assim que saíram, corajosa pelo tom de voz, muito mais do que parecia quando estava ao lado de Beron

- Sabe, você me impressiona. O seu medo não é que Beron ou qualquer um dos outros seis filhos, com a exceção clara de Lucien, morra. Você tem medo de que o Grão-Senhor da Diurna morra, e que o poder passe para Lucien. – ela estava pálida, e boquiaberta

- Como você sabe?

- Eu conheço o medo das pessoas quando farejo. Eu senti o medo em você da morte de seu amado, pensei que se tratava de Beron, mas analisei melhor o cheiro, e vi Helion, o amante amado. Então, farei uma pergunta, e se você mentir, eu saberei, mas não a torturarei para obter a verdade – ela esperou – Lucien é herdeiro da Corte Diurna? – ela assentiu – Ele sabe? – ela negou – Helion sabe? – outra negativa, então declarei para ela – Está na hora dessa mentira acabar. Conversarei com os dois, em seguida. E direi que se uma palavra chegar aos ouvidos de Beron, eu saberei. Você estará aqui, quando eu falar com eles?

- Sim – por fim ela conseguiu responder.

- Fique ao meu lado então.

Helion entrou, eu e ela falamos com ele, ao mesmo tempo que ele se alegrou ele se entristeceu, por não saber antes, pela mentira, por não ter criado Lucien. Então eu chamei Lucien, e disse para que conversassem, que a verdade viesse a tona. Lucien não era de Beron, era de Helion, eles deviam conversar sobre isso, e eu não interferiria. Fui para onde minha família estava alojada. Feyre foi a primeira a vir até mim.

- O que diabos foi aquilo? – ela disse

- Eu já disse, aquilo foi por mim e Elain – e ergui o queixo – de qualquer forma, ganhei a aposta. Quero meu dinheiro assim que chegarmos a Velaris.

- Assim será. – disse Rhys sorrindo para mim. – Parabéns Nestha.

- Por que?

- Por ter defendido sua família, nosso filho, sem hesitar. Manter o queixo erguido. E ainda humilhá-lo ao cortar o cabelo dele, estava aqui explicando o que aquilo significava. E ainda condená-lo a algo quase impossível, de novo. – e riu mais consigo mesmo – Eu teria matado.

- Eu quis. – admiti – Mas ele ainda não possui herdeiros, o segundo no lugar é Lucien, mas Lucien não poderia jamais receber o trono da Primaveril. É melhor ser humilhado publicamente hoje e por mais dez anos, do que a morte rápida. – Rhys e eu trocamos sorrisinhos.



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