História A Criança, foi um dia, de Ouro - Capítulo 1


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Palavras 1.488
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lírica, Seinen, Shounen, Universo Alternativo
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu sempre gostei do Caranthir, de certa forma, por ele aparentar ter um histórico interessante de se saber. Mas como não há muita coisa, eu apenas me apeguei ao que Avallac'h diz, sobre ele ter sido a "Criança de Ouro" e assim, criei essa oneshot. Sempre quis escrever com ele, e acabei por tendo a ideia de alguma resolução possível da parte de alguém que se perdeu para as próprias vontades e o mal.

Esta fanfiction está sendo repostada. Ponderei consideravelmente, mas talvez seja por ser um certo deleite de ela ser minha oneshot favorita, de todas que já criei — não acho nem errado dizer, ainda por criar x). Eu realmente, gostei de como ficou este aqui. Então, cá está.

Disclaimer: Caranthir Ar-Feiniel é um dos principais antagonistas do jogo eletrônico The Witcher 3: Wild Hunt, (2015), desenvolvido pela CD Projekt Red. Esta fanfiction não possui relação alguma com a obra original, se quer seus pertencentes. Eu, usuário @DomPedroZero / T., tão somente me inspirei no ambiente, tempo, personagens e enredo, para criar esta fanfiction, com sua respectiva capa, feita de fã, para fãs.

Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


A Criança, foi um dia, de Ouro 

 

Caranthir era sábio o suficiente para compreender isso. Inteligente e ignorável da tolice arrogante para entender tais coisas que em sensatez, é inegável — ele aceitou o que escolheu.    

Não supôs o momento do dia, mas estava claro, seja onde estivesse. Abandonara a tropa em uma tarde, supondo viajar em lentidão entre tempo e espaço, quando em um caminhar, muito mais sentiu o trajeto invisível e ilusório usurpá-lo de um sossego há séculos, inalcançável. Alguma paz o abandonara e o deixara um tanto perplexo de si, sem saídas, perante a realidade que auxiliou construir. Cegamente? Nunca optou por ver tal possibilidade, quando compreendia a pouca diferença entre a própria raça e os humanos, tão criticados, porém, justo ato a uma espécie que se vangloria, mas pelo quê?    

Nenhuma criação possui do que se vangloriar por si próprio, mas assim vive. Se resguarda das esperanças diárias para um amanhã que tornará em clara aurora, o espectro de uma mesmice que se mantém: A tentativa de contato ao vazio alimentado. Sentiu-se demasiado emotivo e torturado, ao comparar-se aos esdrúxulos humanos e que muito causaram à sua raça. Muito mereciam a seus olhos, as catástrofes pelas quais, como um general, também auxiliava em seu julgamento oscilante entre as paredes do egoísmo e do poder que sim, aspectos naturais e perigosos nunca encontram espaço para um limítrofe ser aceitável. Guerras e sofrimentos, para o favorecimento e um apogeu inalcançável de sua espécie. Em todos, há sempre a vontade de querer mais. Mas querer o que, exatamente? Nunca seria capaz de responder.    

O jovem adulto, ao retirar capacete e elmo metalizados, cerra olhos soturnos e íris opacas de um apagado cinza, respirando as essências que afloram em um agitado temporal invernal, um invaerne que encontrava sempre distante, entretanto, tão próximo ao mesmo tempo, ali, parado rente as bordas de um alto precipício embranquecido e enevoado — a frieza, sempre aprazível de fazê-lo entender o que mais lhe cabia aceitar como característico. Foi isso que o afastou da essência educada e transpassada? Foi de fato, uma boa criança, ou estaria exagerando ao afirmar que tal coisa não existe? Compreendemos que gênios são passados e ensinados. Um quê de inocência perpetua até a própria noção de existência surgir, e a imposição de uma muda no coração ser regada, para a grandiosidade de um florescer crescer, seja de ramos, seja de espinhos. Muitas aparências enganam, não queria se justificar, mas quem pode supor que as aparências são completamente indescritíveis, no final? Pois o fazemos ante a necessidade de julgar — olhos, janelas para almas que se deixam levar pelos próprios enganos que suas aberturas lhe trazem.      

Era um elfo belo. Robusto, dono de traços suaves e refinados em álgida aparência. As damas de sua terra natal, Aen Elle, não faziam questão de esconder o fato, praticamente jogando as palavras deleitosas e lisonjeiras ao ar, quando o nobre estudioso e intelectual de seu conhecimento sanguíneo, ao frequentar os bailes na capital, Tir ná Lia, observava ao mundo com um olhar distante sobre um morc em mãos, distraído, cáelm refinada na postura, porém, os acentuados ouvidos atentos a palavreados que alguns, admitia para si, o encantava a ponto de rir discretamente. Mas a tal gracejo de vivenciar tal beleza da vida, ao amor, nunca se entregou. E ao menos isso, Ar-Feiniel se considerava dignamente justo. Provável privilégio não feito para o mesmo viver e em educação diante dos fragmentos que ainda permaneciam do bom senso e sensatez ao Navegador da Caçada Selvagem, sob a tripulação do Dearg Ruadhri, não seria capaz de impor tal ilusão intransponível a qualquer dama que fosse. 

Entre o comportamento reservado, restava estar nas sombras de quem depositara o lealismo que não poderia voltar atrás. E como alguém tão creditado por Eredin Bréacc Glas, casualmente mantinha-se como um jovem em puberdade no íntimo, de obter privacidade casual, a liberdade do pai que escolhera por errada educação era cedida e assim, os longos e negros cabelos eram apenas expostos e esvoaçavam aos ventos desconhecidos em uma silenciosa va'en, quando se teletransportava diante do tempo, cabisbaixo, envergonhado do que pudesse atentar-se a sua presença, caminhando por mundos sem uma clara consciência no torpor dos pensamentos, habitáveis — em algum momento, encontraria o mais distantes dos lugares. E um suspiro frio, misto de alívio e dor esvaía-se do corpo a uma natureza que não julgaria — optava por ser julgado.    

A "Criança de Ouro", a tentativa de manipulação seletiva de Avallac'h, a criança suscetível e brilhante, segundo os propósitos ao qual fora criada, "surgiu" — sempre se acovardou ao pensar ter nascido algum dia. Mas que se tornou enrustida em prata suja sem polimento acolhedor que pudesse retorná-lo ao seu brilho anterior. Por não se considerar nascido, era isso que o fazia frustrar-se em surgimento ante o erro? Não havia memórias acalentadoras que justificassem tal aspecto que a inocência genuína de uma criança pode ter. Uma constância de amnésia era parte de sua falha e consequência em nem mesmo ser capaz de tentar questionar alguma pureza, no passado — os interesses pessoais de Crevan Espane, em assertividade intelectual e egocentrismo científico e biológico, transpassados ao fruto que um dia deparou-se com ímpetos de premissa a maus caminhos e apodreceu-se só. Se pôde considerá-lo um dia, seu mentor, então que terrível sobressalto: O quão longe ele foi capaz de ir, para que um dia as consequências das ações refreassem o elfo Aen Saevherne, entretanto, a consciência tardia para que Caranthir a aceitasse — um talento alumiado que se perdera para a perfídia da criminalidade.    

A metalizada armadura não aceitava o roçar de espessuras embranquecidas que vinham de encontro a sua pessoa em uma aragem de brisa suave. Empertigada e parada como uma estátua em visualizar o nada do vazio ermo em que se encontrava. Os murmúrios das lufadas que o cercava tão densos, que não sabia se era possível resistir em arrogância — cinza, uma coloração ardósia empalidecido e doentio, opaco e fosco, que novamente frustrou-se furioso em pensar em tamanha associação o matiz calorento, vívido e característico do grande astro sol. Os negros cabelos, as olheiras escurecidas em contraste à pálida e sutil entonação azul da tez, os lábios espessos em púrpura... não havia claridade dentro de si.          

Era isso. Tudo se tratava disto. Ocupado quietamente nos afazeres, necessitou sair por entre os mundos para respirar, tão somente para ponderar o que na juventude, tão sedento por poder e conflituoso em convicções, não existiu, diante do straéde escolhido para percorrer. Não caberia em alguém com tamanha natureza agourada — sentia-se assim —, similar a sagacidade humana por poder. Um egoísmo que superou qualquer expectativa em uma escolha solitária de vida, que tal autonomia, não se leva a lugar algum sem sabedoria. Ele entendeu, o que fizera com a que lhe fora incutida no âmago de seu ser. Entendia que como os flocos de neve que dançavam perante a brisa, bruxuleante ante algum resquício de luz em algum lugar, era como uma justa ironia o sentimento de perda e leveza de vazio, aos poucos, durante o decorrer da vida, alguém se deparar com as constantes consequências das erradas escolhas — Caranthir caminhou ao longo do trajeto, ao passo que o bom conhecimento despedia-se dele.      

Não deveria amaldiçoar seu mentor; os pais que nunca conhecera. As características impostas de uma manipulação que em momentos, o próprio frio natal lhe corroía os nós da musculatura revestida da alva epiderme, em lhe expor o que almejou na vontade própria e jovial de desejo, ganância e uma errônea confiança — a Criança dotada de tamanha capacidade, que também se adotou da capacidade humana e genial de destruir-se a si mesmo. Foi jovem, optou e pensou por demais e as ideias não necessitaram de um grande esforço ao manejar uma mente que se fortaleceu do que não poderia ser mantido sem efeitos finais. Plantar e colher, Caranthir Ar-Feiniel, era sábio e inteligente demais para entender que o seu futuro e destino não era mais negável.   

A máscara em mãos lhe devolve as vazias orbes e sobrepostas de uma negritude que conhecia, o consumira. A Criança perfeita, cresceu e optou pela imperfeição.    

A Criança, foi um dia, de Ouro.    

Ousou rir, sentindo-se como um trágico taedh — compusera em resoluções sombrias, uma primeira e última poesia sobre a vida.    

"Va fail" sussurrou para si mesmo, ao colocar o capacete, abrindo um último portal em retorno para a precedência dos alimentos à guerra que auxiliou criar — uma última visão solitária que teve em brincar de visitar mundos e tempos distintos, para pensar, suspirar e aceitar toda sua vida. "Va'esse deireádh aep eigean... Va'esse deireádh aep eigean"* concluiu a duplicidade da ordem, que Caranthir sabia ser a única justiça ser feita para si próprio. E dando as costas para o horizonte, nem mesmo presenciou o mísero resquício dourado se sobrepor ao limítrofe do distante hemisfério.     

  

A Criança, foi um dia, de Ouro ——— @DomPedroZero / T. 

Repostado em 11 de Agosto de 2018.


Notas Finais


*Está é uma frase presente no jogo. A verdadeira, que é esta: "Va'esse deireádh aep eigean, va'esse eigh faidh'ar", significa "Algo termina, algo começa". Entretanto, aqui, eu coloquei para Caranthir apenas pronunciar e repetir a primeira parte da sentença.

Glossário das palavras élficas usadas:
Va'en: Jornada, viagem.
Va fail: Adeus, tchau
Taedh: Bardo, poeta
Stráede: Estrada, caminho
Morc: Livro, tomo
Invaerne: Inverno
Cáelm: Calmo, quieto

Foi algo curto, apenas em uma suposição "E se...?", desse personagem tão misterioso, ainda sim intrigante, que por esse comportamento reservado, sempre achei fascinante. Enfim, obrigada pela leitura!


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