História A criatura que leu todos os livros do mundo - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Eternidade, Leitura, Ler, Livros, Mundo, Todos
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Palavras 712
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Magia, Mistério, Sci-Fi, Survival, Suspense

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Estava querendo escrever sobre isso e finalmente consigui. Não sei se irão se identificar com isso, mas enfim, espero que possa trazer reflexão

Capítulo 1 - Único


Fanfic / Fanfiction A criatura que leu todos os livros do mundo - Capítulo 1 - Único

Havia uma pessoa, e me perdoe não lhe esclarecer se era homem ou mulher, mas de todo modo não importa. Essa pessoa gostava muito de ler. Desde que descobriu o maravilhoso mundo da literatura, nunca mais quis sair dele.

Porém, aos vinte anos de idade, descobriu que iria deixar a vida. Fora condenada a abandonar tudo e todos, inclusive seus amados livros.

Mas não suportava a ideia de nunca mais ler, isso a revoltava, a fez querer explodir tudo e todos, levá-los consigo... Mas não houve tempo.

Certa manhã despertou e um ser encadescente a tirou da cama, a ajudando a andar. Disse que ela havia morrido enquanto dormia, mas que ainda poderia viver caso fosse sua vontade, porém não naquele mesmo plano.

Ela foi levada a uma imensa árvore de tronco roxo e folhas de um tom escarlate que osfuscava seus olhos, como se verdadeiramente fossem feitas de cristal. 

O ser que ali a trouxe disse que ela poderia habitar aquele lugar eternamente, e que lá seu último desejo poderia ser concretizado. Todos os dias novos livros chegariam, e os que ela sempre quis ler estariam a sua disposição, de modo que nunca lhe faltasse o que ler. 

Se vendo sozinha entre milhares de prateleiras no centro da árvore, começou a ler. Quando se deu conta já havia devorado toda a saga de Harry Potter. Ficou muito feliz de finalmente ter lido. Mas quando procurou por horas não as achou, e com isso se deu conta de que lá o tempo não era medido.

Por mais que pudesse ler tudo que conseguisse e quisesse, os dias nunca se passariam.

Uns instantes se passaram e seu desejo de ler Percy Jackson e os Olímpianos e os livros das Crianças Peculiares também foram realizados, assim como as obras de Markus Zusak, John Green e Machado de Assis.

Também queria terminar os livros de Agatha Christie, a quem muito admirava, e assim o fez. Mau viu e já havia lido as dezenas de estórias da autora.

E se passaram outras inúmeras obras, desde os clássicos aos mais modernistas, e mesmo que o tempo não passasse livros novos que eram lançados no mundo dos vivos surgiam constantemente.

Chegou então um dia, algumas bilhões de leituras depois, em que pela primeira vez se sentiu cansada. Sentiu as costas doendo e a visão lhe trair, e então precisou usar uma bengala e um óculos de leitura, coisa que nunca imaginou. Sempre teve a genética tão boa que nunca pensou ter de usar óculos, mas cá estava.

Seu corpo não envelhecia, mas ainda se desgastava, seja pelas inúmeras posições em que lia (deitada, sentada, com o livro sobre ou sob os olhos), seja pelo simples fato de ler.

Eis que certa vez já se encontrava fraca, e nem mais pegava os livros, eles que vinham até ela. E nunca acabavam, todos os instantes centenas de novas obras se prostravam, e por mais que tudo aquilo a levasse a mundos que nunca sonhou, ela também sabia que nunca veria alguns já conhecidos de novo.

Entrou então em um dilema. Era inviável ler todos os livros existentes. Ainda que ela o fizesse, qual o sentido disso tudo? Não poderia com ninguém compartilhar as experiências, não poderia nunca conhecer os autores que ainda viviam, não poderia usar as coisas que aprendeu...

Eis que então se recostou na poltrona e fechou os olhos, desejando nunca mais ler nada, e ir enfim de vez. Mas nada aconteceu durante muito tempo, pois ela escolhera por si só, e teria de existir assim, por toda a eternidade.

As lágrimas começaram a brotar de seus olhos e uma tremedeira tomou conta de si, até que não conseguiu mais ver nada a sua frente. Sentiu-se como se estivesse cega, e verdadeiramente estava. Sentiu um imenso alívio com isso, pois não seria mais obrigada a ler, porém um livro saltou sobre si e sua mão o tocou. Estava em braille, e ela sabia como interpretar. Não havia escapatória para a prisão em que se colocou.

Em meio ao sofrimento, acabou vendo uma luz sobre si e abriu os olhos, vendo novamente, mas agora se via com seu corpo antes de morrer, no seu velho quarto. Estava de volta.

Ela não sabia bem se ainda estava condenada a morrer, mas sabia de uma coisa: não estava mais disposta a ler todos os livros do mundo.


Notas Finais


Se tiverem alguma opinião, dúvida ou qualquer coisa que queiram destacar em relação ao tema que aqui trouxe, digam aí


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