História A Culpa é das Estrelas - Adaptação Paulicia - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias A Culpa É Das Estrelas, Carrossel
Personagens Alícia Gusman, Paulo Guerra
Visualizações 114
Palavras 1.850
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Hentai, Literatura Feminina, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eai gente!!
Vai ter uns nomes nesse cap que talvez vcs nunca tenham visto em Carrossel, mas eles participaram ok?
Espero que vcs estejam gostando!!!
Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo Dois


Andei até a roda e me sentei ao lado do Jorge, a duas cadeiras do garoto. Olhei de novo, rapidamente. Ele ainda me observava.  

Na boa, vou logo dizendo: ele era um gato. Se um cara que não é gato encara você sem parar, isso é, na melhor das hipóteses, esquisito, e na pior, algum tipo de assédio. Mas se é um cara gato… na boa…  

Peguei meu celular e apertei uma tecla para ver as horas. Os lugares na roda foram ocupados por azarados de doze a dezoito anos e, então, o Adriano deu início aos trabalhos com a prece da serenidade: Senhor, dê-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que posso, e sabedoria para reconhecer a diferença entre elas. O garoto ainda estava me encarando. Senti meu rosto ficar vermelho.  

Por fim, resolvi que a melhor estratégia seria também olhar fixamente para ele. Afinal de contas, os garotos não detêm o monopólio da Atividade Encaradora. Foquei nele enquanto o Adriano explicava pela milésima vez sua ausência de bolas etc., e aquilo logo virou um Jogo do Sério. Depois de um tempo o garoto sorriu e, até que enfim, desviou os olhos azuis. Quando me olhou de novo, arqueei as sobrancelhas como que dizendo: ganhei.  

Ele deu de ombros. O Adriano prosseguiu e, enfim, a hora das apresentações chegou.  

— Jorge, talvez você queira ser o primeiro hoje. Sei que está enfrentando um grande desafio no momento.  

— É — o Jorge disse. — Meu nome é Jorge. Tenho dezessete anos. Parece que vou precisar ser operado em duas semanas, depois vou ficar cego. Não estou reclamando nem nada porque sei que poderia ser pior, como no caso de alguns aqui, mas, quer dizer, ficar cego é, tipo, uma droga. Ter uma namorada me ajuda. Além de amigos como o Paulo. — Ele balançou a cabeça na direção do garoto, que agora tinha nome. — Pois é… — continuou. Ele estava olhando para as mãos, os dedos cruzados parecendo o topo de uma tenda indígena. — Não há nada que se possa fazer para mudar isso.  

— Estamos do seu lado, Jorge — o Adriano falou. — Vamos lá, pessoal, digam para o Jorge ouvir.  

E então todos nós, em uníssono, dissemos:  

— Estamos do seu lado, Jorge.  

O Abelardo foi o próximo. Ele tinha doze anos. Sofria de leucemia. Desde que se entendia por gente. E estava bem. (Pelo menos foi o que disse. Ele desceu de elevador.)  

A Laura tinha dezesseis anos e era bonita o suficiente para ser alvo do olhar do cara gato. Era frequentadora assídua das reuniões — estava em um longo período de remissão de um câncer de apêndice, que eu nem sabia que existia. Ela disse — como em todas as outras vezes que eu fui às sessões do grupo — que se sentia forte, o que para mim, com aquela chuvinha de oxigênio fazendo cosquinhas no nariz, era o mesmo que tirar onda.

Outros cinco falaram antes do cara gato. Ele deu um sorrisinho quando chegou sua vez. A voz era baixa, aveludada e supersensual.  

— Meu nome é Paulo Guerra — disse. — Tenho dezessete anos. Tive uma pitada de osteossarcoma um ano e meio atrás, mas só estou aqui hoje porque o Jorge pediu.  

— E como está se sentindo? — o Adriano perguntou.  

— Ah, maravilha. — Paulo Guerra deu um sorrisinho. — Estou numa montanha-russa que só vai para cima, amigão.  

Quando chegou minha vez, eu disse:  

— Meu nome é Alicia. Tenho dezesseis anos. Tireoide com metástase nos pulmões. Estou bem.

A hora passou rápido. Lutas foram recontadas, batalhas ganhas em guerras que com certeza seriam perdidas; a esperança virou tábua de salvação; famílias foram celebradas e recriminadas; foi consenso que os amigos não entendiam nada; lágrimas foram compartilhadas, e consolo, oferecido. Nem eu nem o Paulo Guerra tínhamos soltado uma palavra, até que o Adriano disse:  

— Paulo, talvez você queira falar de seus medos para o grupo.  

— Meus medos?  

— É.  

— Eu tenho medo de ser esquecido — disse ele de bate-pronto. — Tenho medo disso como um cego tem medo de escuro.  

— Calma aí… — disse Jorge, abrindo um sorriso.  

— Estou sendo insensível? — perguntou o Paulo. — Eu posso ser bem cego quando o assunto são os sentimentos das outras pessoas.  

O Jorge estava rindo, mas o Adriano levantou um dedo, repreendendo-o.  

— Por favor, Paulo. Voltemos a você e às suas questões. Disse que tem medo de ser esquecido? 

— É — respondeu o Paulo.  

O Adriano pareceu meio perdido.  

— Alguém, ahn, alguém gostaria de fazer algum comentário?  

Eu não frequentava uma escola de verdade havia três anos. Meus melhores amigos eram meus pais. Meu terceiro melhor amigo era um escritor que nem sabia que eu existia. Eu era relativamente tímida — de jeito nenhum o tipo que levanta a mão para falar.

E, mesmo assim, só dessa vez, resolvi abrir o verbo. Levantei a mão, e o Adriano, a satisfação estampada na cara, disse:  

— Alicia!  

Eu estava, tenho certeza de que foi isso o que ele pensou, me abrindo. “Me tornando parte do grupo.” 

Olhei na direção do Paulo Guerra, que me encarava. Dava quase para ver através dos olhos dele, de tão azuis.  

— Vai chegar um dia — eu disse — em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer para lembrar que alguém já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo o que fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e tudo isso aqui — fiz um gesto abrangente — vai ter sido inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso o que todo mundo faz. 

Eu tinha aprendido aquilo com meu já citado terceiro melhor amigo, Peter Van Houten, o autor recluso de Uma aflição imperial — de todos os meus livros, o mais próximo de uma Bíblia. Peter Van Houten era a única pessoa que eu conhecia que parecia: (a) entender o que era estar morrendo, e (b) não ter morrido.  

Assim que terminei fez-se um longo silêncio, e eu pude ver um sorriso se abrindo de um canto ao outro no rosto do Paulo — não o tipo de sorriso cafajeste do garoto tentando parecer sexy ao me encarar, mas um sorriso sincero, quase maior que a cara dele. 

— Caramba! — disse ele baixinho. — Não é que você é mesmo demais? 

Nós dois não falamos mais nada até o fim da reunião, quando todos se deram as mãos e o Adriano nos guiou em uma prece. 

— Senhor Jesus Cristo, estamos aqui reunidos em Seu coração, literalmente em Seu coração, como sobreviventes do câncer. O Senhor e somente o Senhor nos conhece como conhecemos a nós mesmos. Nos guie pela vida e para a Luz em nossos períodos de provação. Oremos pelos olhos do Jorge, pelo sangue do Abelardo e do Jaime, pelos ossos do Paulo, pelos pulmões da Alicia, pela garganta do Cirilo. Oremos para que o Senhor consiga nos curar e para que possamos sentir Seu amor e Sua paz, que excedem todo o entendimento. E nos lembremos em nossos corações daqueles que um dia conhecemos, amamos e que foram para a Sua casa: Maria, Valéria, Pedro, Ruth, Anita, Clementina, Eric, Lucas… 

A lista era grande. Tem muita gente morta no mundo. E enquanto o Adriano continuava a ladainha, lendo a relação em uma folha de papel porque era muito comprida para ser decorada, fiquei de olhos fechados, tentando elevar os pensamentos em oração, mas a maior parte do tempo imaginava o dia em que meu nome ocuparia um lugarzinho ali, bem no fim da lista, quando ninguém mais está prestando atenção. 

Quando o Adriano acabou, entoamos juntos aquele mantra idiota — VIVENDO O MELHOR DA NOSSA VIDA HOJE — e foi o fim da reunião. O Paulo Guerra empurrou o corpo para fora da cadeira e caminhou na minha direção. O andar dele era tão cafajeste quanto o sorriso. Ele parou na minha frente, mas manteve uma certa distância para eu poder olhá-lo nos olhos sem ter de esticar o pescoço. 

— Qual é o seu nome? — ele perguntou. 

— Alicia. 

— Não, o nome completo. 

— Ahn, Alicia Gusman Lancaster. 

Ele ia dizendo alguma coisa quando o Jorge se aproximou. 

— Só um instante — falou, levantando um dedo, e virou-se para o Jorge. — Isso foi pior do que você tinha dito, na verdade. 

— Eu disse que era um tédio. 

— Por que você se dá o trabalho de vir aqui? 

— Sei lá. Meio que ajuda…? 

O Paulo inclinou o corpo achando que assim eu não conseguiria ouvi-lo. 

— Ela vem sempre? — Não deu para escutar o comentário do Jorge, mas o Paulo respondeu: 

— Quer saber? — Ele pegou o Jorge pelos ombros e deu meio passo para trás. — Conte à Alicia da ida ao médico. 

O Jorge apoiou uma das mãos na mesa de biscoitos e virou o olho enorme para mim. 

— Tá, é que eu fui ao médico hoje de manhã e estava falando para o meu cirurgião que preferia ser surdo a ser cego. E ele disse: “Não é assim que as coisas funcionam.” Aí eu falei, tipo: “É, eu sei que não é assim; só estou dizendo que preferiria ser surdo a ser cego se pudesse escolher, mas sei que não posso.” E ele: “Bem, a boa notícia é que você não vai ficar surdo.” Eu disse: “Obrigado por esclarecer que meu câncer no olho não vai me deixar surdo. É muita sorte minha ter um gênio como você me operando.” 

— Ele é mesmo um gênio — falei. — Vou tentar arrumar um câncer qualquer no olho para poder conhecer esse cara. 

— Boa sorte. Então, tá. Já vou indo. A Carmem está me esperando. Preciso olhar bastante para ela enquanto posso. 

Counterinsurgence amanhã? — o Paulo perguntou.  

— Com certeza. — O Jorge deu meia-volta e subiu as escadas correndo, pulando os degraus de dois em dois.  

Paulo Guerra se virou para mim:  

— Literalmente.  

— Literalmente? — perguntei. 

— Estamos literalmente no coração de Jesus… Achei que estivéssemos no porão de uma igreja, mas estamos literalmente no coração de Jesus. 

— Alguém deveria contar isso para Jesus — falei. — Quer dizer, deve ser perigoso ficar guardando crianças com câncer no coração. 

— Eu mesmo poderia contar — o Paulo falou — mas, para minha infelicidade, estou literalmente enterrado no coração Dele, então Ele não vai conseguir me ouvir. 

Eu ri. O Paulo balançou a cabeça, me olhando. 

— O que foi? — perguntei. 

— Nada — ele respondeu. 

— Por que você está olhando para mim desse jeito? 

Ele deu um sorrisinho. 

— Porque você é bonita. Eu gosto de olhar para pessoas bonitas, e faz algum tempo que resolvi não me negar os prazeres mais simples da existência humana. — Um silêncio constrangedor se seguiu. Mas o Paulo quebrou o gelo. — Quer dizer, principalmente porque, como você deliciosamente observou, tudo isso vai acabar em total esquecimento, e tal… 

 

 

 


Notas Finais


Eu amo a resposta da Hazel para o Augustus, sobre ele ter medo de ser esquecido!!!
Aquela primeira conversa que a gente nunca esquece!!!
Esse finalzinho AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!
Ok, parei! Vejo vcs no próximo!!!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...