História A Culpa é das Estrelas - Adaptação Paulicia - Capítulo 3


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Categorias A Culpa É Das Estrelas, Carrossel
Personagens Alícia Gusman, Paulo Guerra
Visualizações 84
Palavras 1.170
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Hentai, Literatura Feminina, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu vou atualizar essa pq já estava pronta, mas as duas outras/e a de hj, eu vou tentar postar a noite, pq eu tenho prova amanhã - pensei que era na sexta - então eu preciso estudar.

Capítulo 3 - Capítulo Três


Eu meio que engasguei, ou suspirei, ou soltei o ar de um jeito que pareceu quase uma tosse, e disse: 

— Eu não sou boni… 

— Você é tipo uma Natalie Portman milenar. Tipo a Natalie Portman em V de Vingança. 

— Não vi esse filme — falei.  

— Sério? — ele perguntou. — Garota linda, de cabelo curto, rejeita a autoridade e não consegue resistir a um cara que ela sabe que vai ser um problema. É sua autobiografia, pelo menos até aqui, pelo que posso ver. 

Cada sílaba que saía da boca dele flertava comigo. O.k., ele meio que me deixava excitada. Eu nem sabia que garotos podiam me deixar excitada — pelo menos não, tipo, na vida real.

Uma menina mais nova passou por nós. 

— E aí, Bibi. Tudo bem? — ele perguntou. 

Ela sorriu e balbuciou: 

— Oi, Paulo. 

— Gente do Memorial — ele explicou. 

Memorial era o grande hospital de pesquisas. 

— Qual você frequenta? 

— O Hospital Pediátrico — respondi, meu tom de voz mais baixo do que eu pretendia. Ele fez que sim com a cabeça. A conversa parecia ter chegado ao fim. — Bem — falei, mexendo a cabeça vagamente na direção dos degraus que levavam para fora do Coração Literal de Jesus. Inclinei o carrinho do oxigênio para apoiá-lo nas rodinhas e comecei a andar. O Paulo foi mancando ao meu lado. — Então, a gente se vê na próxima, talvez? — perguntei. 

— Você deveria assistir — ele falou. — Ao V de Vingança, quero dizer.  

— Tá. Vou ver se acho para assistir.  

— Não. Comigo. Na minha casa — ele disse. — Agora.  

Parei de andar.  

— Eu mal conheço você, Paulo Guerra. Você pode muito bem ser o assassino do machado.  

Ele concordou.  

— Tem toda razão, Alicia Gusman.  

E passou por mim, os ombros dando forma à camisa polo verde, as costas retas, os passos da direita um pouco mais marcantes enquanto andava firme e confiante apoiado no que eu determinei ser uma prótese. Às vezes o osteossarcoma leva um dos membros só para dar uma sondada em você. Depois, se gostar, leva o restante.  

Eu o segui escada acima, devagar, ficando para trás. Degraus não são o forte dos meus pulmões.  

Aí fomos do coração de Jesus até o estacionamento, o frescor da brisa da primavera na medida certa, a luz do fim de tarde divina em sua nocividade.  

Mamãe não tinha chegado ainda, o que era estranho, porque ela quase sempre estava lá esperando por mim. Olhei em volta e vi que uma garota alta, morena e boazuda imprensava o Jorge na parede de pedra da igreja, beijando o menino de um jeito quase agressivo. Estávamos tão perto que eu podia escutar os ruídos estranhos das duas bocas grudadas, e ouvi o Jorge dizendo “sempre”, e ela respondendo com “sempre” também.  

O Paulo apareceu de repente ao meu lado e sussurrou:  

— Eles são grandes adeptos de demonstrar afeto em público.  

— Qual é a do “sempre”? 

O ruído da troca de saliva aumentou de intensidade.  

— “Sempre” é o lema deles. Sempre vão se amar, e tal. Pelos meus cálculos, e sendo bastante conservador, eles devem ter trocado quatro milhões de mensagens de texto com a palavra sempre no ano passado. 

Mais dois carros chegaram, levando embora o Abelardo e a Bibi. Aí sobramos só o Paulo e eu, observando o Jorge e a Carmem, que continuavam frenéticos, como se não estivessem encostados na parede de um local de oração. Ele pôs a mão no peito dela, por cima da blusa, e apalpou o mamilo, a mão imóvel enquanto os dedos se mexiam. Fiquei me perguntando se aquilo seria gostoso. Não parecia, mas resolvi perdoar o Jorge levando em conta o fato de que ele estava para ficar cego. Os sentidos devem aproveitar enquanto ainda há apetite, e tal.  

— Imagine a última ida de carro até o hospital — falei, baixinho. — A última vez que você vai dirigir um carro. 

Sem me olhar, o Paulo disse: 

— Você está atrapalhando a minha vibe aqui, Alicia Gusman. Estou tentando observar o amor adolescente em sua esplendorosa estranheza. 

— Acho que ele está machucando o peito dela — comentei. 

— É. É difícil saber ao certo se ele está tentando excitar a menina ou fazer um exame de mama. 

Aí o Paulo colocou a mão no bolso e tirou de lá, por incrível que pareça, um maço de cigarros. Levantou a tampa da caixinha e colocou um cigarro na boca. 

— Isso é sério? — perguntei. — Você acha isso legal? Ai, meu Deus, você acabou de estragar a coisa toda. 

— Que coisa toda? — ele perguntou, virando para mim. 

O cigarro pendia apagado da boca, do canto que não sorria. 

— A coisa toda em que um garoto que não é pouco atraente ou pouco inteligente ou, aparentemente, de forma alguma pouco tolerável me encara e chama minha atenção para utilizações incorretas da literalidade e me compara a atrizes e me convida para ver um filme na casa dele. Mas é claro que sempre tem uma hamartia e a sua é que, ai, meu Deus, mesmo você TENDO TIDO UM RAIO DE UM CÂNCER ainda dá dinheiro para uma empresa em troca da chance de ter MAIS CÂNCER. Ai, meu Deus. Deixe eu só dizer para você como é não conseguir respirar? É UM INFERNO. Totalmente decepcionante. Totalmente. 

— Uma hamartia? — ele perguntou, o cigarro ainda na boca. 

Aquilo deixava sua mandíbula contraída. E a linha da mandíbula dele, infelizmente, era tudo… 

— Uma falta trágica — expliquei, dando as costas para ele. 

Dei um passo na direção do meio-fio, deixando o Paulo Guerra para trás, e foi então que ouvi um carro dando a partida mais adiante na rua. Era a mamãe. Ela tinha ficado ali, esperando que eu, tipo, fizesse amigos ou coisa assim. 

Senti um misto de decepção e raiva crescendo em mim. Nem sei direito que sentimento era aquele, sério, só que havia muito dele, e eu queria dar um soco na cara do Paulo Guerra e ao mesmo tempo trocar meus pulmões por outros que não fossem péssimos. Eu estava de pé bem na pontinha do meio-fio com meu All-Star Chuck Taylors, o cilindro de oxigênio no carrinho ao meu lado parecendo aquela bola de ferro que fica presa com uma corrente no tornozelo de um prisioneiro, e na hora que minha mãe ia encostando o carro senti a mão dele pegar a minha. 

Puxei a mão mas me virei para ele. 

— Eles não matam se você não acender — disse ele quando mamãe parou junto ao meio-fio. — E eu nunca acendi nenhum. É uma metáfora. Tipo: você coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não dá a ela o poder de completar o serviço. 

— É uma metáfora — falei, hesitante. 

Mamãe esperava, quieta. 

— É uma metáfora — ele repetiu. 

— Você determina seu comportamento com base nas ressonâncias metafóricas… 

— Ah, é. — Ele sorriu. O sorriso largo, meio bobo e sincero. — Sou um grande adepto da metáfora, Alicia Gusman. 

Eu me virei para o carro. Dei uma batidinha na janela. Que se abriu.  

— Vou ver um filme com o Paulo Guerra — falei. — Grave, por favor, os próximos episódios da maratona do ANTM para mim.

 

 

 


Notas Finais


Eu amo essa metáfora, tipo mt mesmo!!!
Vejo vcs no próximo!!


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