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História A Culpa É Dos Nossos Corações (Malec) - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Hello, people! Tudo bem com vocês? Eu espero que sim.


Bom, enquanto eu escrevia um dos capítulos que futuramente postarei aqui (e graças a um serumaninho que me falou sobre isso), eu notei algo que eu acredito que seja importante falar.

Como muitos de vocês devem saber, está tendo um grande surto de coronavírus nesse exato momento (se você está lendo em um futuro distante, espero já ter acabado de vez). Quero deixar claro, antes que possa acontecer alguma polêmica, de que isso não tem nada haver com essa fanfic, já que Alec, nessa fic, se enquadra nem um dos grupos de alto risco de contágio. Portanto, aqui fica meu aviso, caso alguém tenha tido essa dúvida.


Sem mais delongas... Tenham uma boa leitura.

Capítulo 2 - Ar Gelado


Isabelle entrou no meu quarto por volta das dezenove horas do mesmo dia, depois de tomar um longo banho por conta dela ter pegado chuva enquanto voltava da escola – ela estava no último ano do ensino médio, e planejava fazer medicina na faculdade, o que foi surpreendente para nossos pais. Os cabelos estavam presos em uma longa trança perfeitamente feita e que descia pelas suas costas, e ela usava um pijama que meu pai consideraria extremamente comportado e certo para garotas da idade dela. Em outras palavras, as únicas partes do corpo dela que eram visíveis, eram os pulsos, os pés e do pescoço pra cima.

No momento que ela entrou, eu estava com meu notebook no meu colo. Eu também já tinha tomado banho, e estava com minhas roupas de dormir – uma camiseta branca com desenhos de cubos e uma bermuda cinza escura –, e estava terminando de fazer uma pesquisa sobre a previsão do tempo para a próxima semana.

– Você está bem, Alec? – perguntou Isabelle, depois de fechar a porta atrás dela.

– Uhum – respondi, ainda olhando para a tela do meu notebook.

– A mamãe disse que você parecia um pouco chateado hoje no seu passeio. Aconteceu alguma coisa? E posso fazer algo para ajudar?

Olhei para ela e dei um sorriso fraco, como eu sempre fazia quando queria confortar as pessoas sobre as coisas que poderiam acontecer comigo. Fiz sinal para ela sentar na minha cama, e ela fez isso rapidamente. No mesmo momento, deixei meu notebook de lado.

– É apenas o fato de que eu não sou como você, nada demais – respondi, sendo bem direto. Isabelle não tinha os meus problemas. Em resumo, ela era a pessoa mais saudável que eu conheço em toda a minha vida. – E você sabe que a mamãe não gosta quando eu falo coisas que fazem ela lembrar que eu não consigo respirar como vocês respiram.

– Eu até consideraria isso um comentário e até mesmo consideraria isso um pensamento altamente mórbido, se eu não fosse a sua irmã – disse Isabelle, segurando minhas mãos logo em seguida. – Alec... A culpa não é sua por ter isso. Você é diferente de todas as pessoas que eu conheço. É especial, e se diferencia do resto. Além do mais, é o meu irmão protetor. Meu irmão urso.

Ri baixo com a frase dela, e Isabelle se deitou ao meu lado, e encarei o rosto dela com certa curiosidade. Ela só fazia isso quando tinha alguma novidade, e esse era o momento certo dela me contar algo novo. Então não me surpreendi com a nossa conversa depois daquele olhar que ela me deu.

– Ficou sabendo que teremos novos vizinhos? – ela perguntou, sorrindo. – Mamãe e papai me falaram isso logo depois que saí do banho, e eles chegarão amanhã de manhã ou no início da tarde, logo depois que eu chegar da minha escola. Ah, e amanhã vou trazer o Jace e a Clary pra cá. Temos que fazer um trabalho sobre literatura clássica. Qual escritor recomenda para nós?

– Edgar Allan Poe – respondi, olhando para ela com um leve sorriso. – Acredito que vão gostar das coisas que ele escrevia antigamente. Literatura gótica é um tópico interessante de se explorar, se você tiver uma base. Caso não acharem interessante, tentem falar sobre Arthur Conan Doyle. Qualquer coisa, só bate na porta do meu quarto, e eu vou auxiliá-los com o que eu puder.

Isabelle beijou minha bochecha e se levantou, sorrindo.

– Vou ir arrumar minhas coisas pra amanhã – ela falou, toda sorridente, como sempre fazia quando estava completamente animada. – Se quiser alguém pra conversar, pode me chamar. Como você sabe, bata aquele ritmo que tem na plaquinha da minha porta. Aquele que só você entende.

– O papai já chegou? – perguntei com a voz baixa, e ela assentiu sem pensar duas vezes. – Okay... Acho que vou pegar algo para comer e voltar pra cá. Tenho que arranjar algo para fazer até pegar no sono.

– Eu sei que você odeia quando falamos, mas... Sério, você precisa sair mais. Fica muito tempo aqui dentro, observando o mundo pela janela e pelo computador. Precisa de uma namorada... Ou de um namorado – ela sussurrou essas duas últimas partes, mas eu pude ouvir perfeitamente.

– Eu sairia se meu oxigênio não durasse menos que cinco horas – falei, desconversando sobre o tópico “achar um(a) namorado(a)”. Se ele durasse mais, eu sairia muito mais do que eu normalmente saio.

– Eu digo você ir conhecer novas pessoas. Do meu círculo de amigos, você conhece o Jace, a Clary e o Simon. Tudo bem, você se dá bem com os três, mas precisa de mais amigos além deles. Além da sua família.

Suspirei baixo. Ela tinha razão nesse ponto, mas eu não gostava de admitir que ela estava certa. É sempre a questão do meu orgulho falar mais alto. Pensando nisso, me levantei e fui em direção a porta, indicando que meu plano era ir até a cozinha. Ela deu espaço e eu saí, sem falar nada.

Quando cheguei na cozinha, vi meu pai, Robert, arrumando algo para comer. Por ele trabalhar muito, eu não o vejo sempre em casa. O rosto dele estava visivelmente cansado, e ele parecia querer dormir o mais cedo possível. Quando me aproximei, ele levou um susto, mas logo se recuperou.

– Achei que poderia estar dormindo – ele sussurrou, enquanto se recuperava do susto que tinha acabado de levar. Eu queria rir, mas preferir não fazer isso, pois meu pai tem um receio bem grande de quando riem dele por algum motivo como esse.

– Eu estava mexendo no meu notebook – falei, sendo direto e sem pensar direito. Fui até a geladeira e a abri, tirando dois ovos dali de dentro, junto de algumas fatias de presunto. – Como foi o trabalho, pai?

– Pesado e duro, como sempre – ele respondeu com a voz mais audível, e vi que ele pegou um pouco de suco para beber. – E o seu passeio de hoje? Foi bom?

– Posso dizer que sim.

Peguei no armário a tábua de carne e um pote de vidro, onde eu misturaria tudo. Coloquei a tábua em cima da bancada e peguei um garfo e uma faca, me preparando para cortas o presunto. Meu pai pegou a frigideira e colocou em cima do fogão para mim, como se soubesse o que eu iria preparar.

– Obrigado – falei, olhando para ele com um pequeno sorriso.

– Não precisa agradecer – ele disse, com sua voz calorosa de sempre. – Olha... Eu sei que você não gosta muito de conhecer gente nova...

– Eu nunca disse isso – murmurei, enquanto cortava uma parte do presunto.

– ... Mas eu acho que seria muito bom se você fosse conhecer os novos vizinhos que vão chegar amanhã – ele continuou, como se tivesse ignorado o que eu falei. Garanto que ele nem ouviu o que eu havia dito. – Eu estava pensando em convidá-los para eles jantarem aqui amanhã, depois que os colegas da Isabelle forem embora.

– O que o senhor fizer vai estar bom para mim – falei enquanto colocava as coisas dentro do pote de vidro e começava a misturar. – Pai, pode pegar o vidro com orégano para mim, por favor?

E assim foi a nossa conversa. Depois que ele me passou o vidro com orégano, ele saiu da cozinha, me deixando sozinho, enquanto eu preparava um omelete para comer. Quando terminei de preparar, servi em um prato qualquer e fui para o meu quarto, pensando no que eu poderia fazer a partir daquele horário.

 

 

 

***

 

 

 

De manhã, eu normalmente sou o primeiro a acordar, e fico esperando todos levantarem, para fazermos algo diferente do costumeiro. Pela janela, eu pude ver Isabelle indo para aula, da mesma forma que pude ver meu pai saindo para trabalhar. Com certeza ele estava com algum caso, e que era complicado – ele só saía cedo quando o caso era muito importante para ele. Minha mãe não iria sair, então eu teria uma companhia pelo resto do dia.

Depois disso, fui pra sala de estar, procurar pelo livro que eu tinha deixado lá fazia uns dias. Era um livro sobre constelações e planetas, e como vemos isso no nosso céu, no período da noite. Eu gostava de ler sobre aquilo, da mesma forma que eu adorava procurar no céu as constelações que eu via no livro. Às vezes, eu desenhava algumas delas. Era algo meu.

Quando chegou perto das duas da tarde, pude ver que a cortina da casa vizinha, onde os novos vizinhos iriam ficar, se mexer com leveza. Quando a cortina se mexeu, vi um rapaz. Ele parecia ter a minha idade, e parecia levemente curioso com a vista. Então, ele acabou me vendo, e isso fez meu coração bater um pouco acelerado. Fiquei com medo de que ele pensasse que eu estava espionando ele. Dava para ver de longe que seus olhos escuros – os quais me fizeram lembrar vagamente de duas jabuticabas por conta da cor – pareciam curiosos enquanto olhavam na minha direção.

O rapaz era bem diferente do que muitas pessoas considerariam um “padrão”. A pele era levemente bronzeada, e ele tinha um rosto jovem, apesar da barba por fazer que ele tinha, a qual eu particularmente tinha gostado. O cabelo bem preto era arrumado em um tipo de topete, e ele parecia ter raspado ambos os lados. Não dava pra ver muito esse detalhe dos cabelos. Vi o que pareciam anéis nos dedos dele, e as unhas eram pintadas – não sabia se era de preto ou de marrom bem escuro. O longo casaco fechado cobria todo o resto da sua roupa, e isso me deixou intrigado, confesso. Ao meu ponto de vista... Ele era bem bonito para um cara “fora dos padrões”.

Ele acenou, e minha única reação foi acenar de volta. Era algo mecânico do ser humano, e não tinha como responder de outra forma. Ele sorriu de um jeito levemente meigo, e pareceu ouvir algo no seu quarto, o que o fez sair da janela. Suspirei baixo e fechei a minha cortina, ficando no escuro do meu quarto. Eu sabia que Isabelle tinha chegado, e que ela estava com Jace e Clary – apesar de que eu ter ouvido a voz de Simon vinda do corredor, e isso não me surpreendeu em momento algum. Afinal, eu sabia que ela gostava dele de uma forma mais romântica, e só eu sabia disso, já que ela me confessou de forma genuína que sentia esse sentimento amoroso por ele. Minha única preocupação seria a reação do papai quando soubesse que sua princesinha estava “namorando”.

Peguei um livro qualquer em minha estante e me deitei na cama, sentindo o colchão macio nas minhas costas, e me acomodei enquanto abria o livro na página que eu havia parado. Nem sabia onde parei, mas iria tentar me entender com as letras que, segundos depois, iriam penetrar na minha mente de forma gentil. Deixei o livro aberto ao meu lado e peguei meu celular, junto de meu fone de ouvido, procurando pela minha famosa playlist de leitura que eu tinha feito quando ganhei ele de presente no meu aniversário de vinte anos. Coloquei Moonlight Sonata para tocar, e coloquei meus fones em meus ouvidos, me isolando do mundo.

Agora era só esperar o tempo passar enquanto estou no meu mundinho, e sentia o ar gelado e filtrado entrar pelas minhas narinas livremente, permitindo que eu ainda estivesse completamente saudável e vivo.


Notas Finais


Bom, chegamos ao final de mais um capítulo. Os capítulos vão ficando mais longos com o decorrer do tempo, então não se assustem por enquanto.


Gostaram? Odiaram? Por favor, me digam. Aceito dicas, críticas e conselhos para melhorar a história.


Até o próximo capítulo.


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