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História A Cup of Dream - Capítulo 16


Escrita por:


Notas do Autor


Demorei? Demorei. Voltei? Voltei. Mas antes tarde do que um capítulo mal feito. Eu estava cheia de sentimentos bons na mente (nenhum motivo específico), então talvez esse capítulo tenha ficado DOCE demais. Ou pelo menos adocicado. Espero que goste. Boa leitura.

Capítulo 16 - A step away to meet her in the loveway


(on)

 

REGINA’S POV: 

 

Eu só queria um minuto de paz!

Desde o dia em que Belle French me alertou sobre Henry ser o único herdeiro do Gold, minhas noites passaram a ser de profundos estudos sobre tudo a respeito. Tanto pela possibilidade dele reivindicar seu direito de herança, quanto tudo que pudesse protegê-lo do meu padrasto.  E no meio de tudo isso, eu ainda tinha que encontrar tempo de ter minhas consultar com o Prof. Archie Hopper - isso também estava me ajudando bastante.

Logo depois dela ter ido embora, liguei para o Killian e ele logo traçou um novo plano de recuperação do Gran Hotel Golden. Às vezes eu penso que não merecia mais tanto esforço, e que existem certas escolhas que não poderiam ser revertidas. No entanto, com a volta de Zelena para o país, e sua vontade de reaproximação, tinha o Hotel como objetivo também. 

Mas eu não queria que esse fosse o meu único foco. Pelo menos não sozinho.

Ainda tinha um coração para conquistar e não podia perder a chance de conseguir.

E foi pensando em seu bem estar, e no bem estar de seu filho, que chamei Emma para conversar, novamente, sobre toda essa situação, que infelizmente acabei os colocando. 

Precisei explicar tudo o que conversei com a Belle e deixar bem as claras o que isso implicava na vida do pequeno, coisa que ela pareceu entender. Óbvio que isso levantou outra questão importante:

"Como eu vou explicar ao meu filho que o pai dele morreu?", pergunta ela logo depois de escutar tudo o que eu tinha a dizer. 

"O que você disse a ele? Sobre o pai em geral, eu digo".

"Que quando ele tivesse idade suficiente, nós iríamos conversar sobre isso...", responde e era nítida sua preocupação com tudo aquilo. Pela linguagem corporal dela, sabia o quanto Swan estava tensa, e eu detestava ser o motivo daquilo. 

"Então é isso que você vai fazer. Quando ele tiver idade o suficiente você conta, porque não adianta de nada explicar isso para uma criança de 6 anos, sendo que ele nunca teve contato com o pai antes", dou de ombros e entrego para ela um shot de tequila. 

Nós tínhamos marcado de nos encontrarmos justamente naquele bar, que a encontrei com a madrinha do Henry meses atrás. Era um local relativamente bom para conversar. Estávamos sentadas na frente do balcão bem próximas uma da outra.

"Você acha mesmo?", pergunta a loira ao mesmo tempo que encara o pequeno copo com o líquido. Só uma bebida forte para ajudar numa situação assim. 

"É minha sugestão. Tudo o que você precisa fazer é seguir seu coração e intuição de mãe. Você melhor do que ninguém sabe o que é melhor pra ele, Emma". Recebo um meio sorriso como resposta. 

Logo em seguida nós brindamos e tomamos a bebida de uma vez, cada uma fazendo uma careta ao sentir o gosto amargo e a quentura descendo pela garganta. 

“Sou muito grata por você ser tão especial para ele, assim como sei que ele também é pra ti”, comenta a mãe, mas agora com um sorriso mais sincero em minha direção. Não deixo de sorrir, porque se tem duas coisas que eu amo muito, são eles. 

“Vocês dois são”, respondo e sinto um leve rubor em minhas bochechas. Viro-me em sua direção e a encaro com toda devoção em meu olhar. 

Emma não é besta e nem nada! Ela sabe muito bem o tanto que eu sinto por ela. E no fundo eu sei que ela sente o mesmo por mim, apesar de tentar esconder.

“Você é tão linda”, ela me elogia de repente, também virando todo seu corpo em minha direção no banco. “Um fato é um fato, não consigo parar de te olhar…”. Sinto minhas bochechas esquentarem mais. Sei da minha beleza, tenho plena noção, mas receber um elogio dela é sempre algo que me deixa toda sem jeito... Até o riso que solto é tímido. 

“Não mais que você, Emma Swan”, rebato ao mesmo tempo que arrumo minha postura e ouso tocar em seu rosto com as minhas duas mãos, uma de cada lado. 

“Bem mais que eu, Regina Mills”, diz num tom baixo e com a voz num tom grave, que arrepia todo o meu corpo. Era a combinação dos esverdeados penetrando meus olhos e lendo toda minha alma juntando aquela voz. 

Nós nos aproximamos mais, chegando a ficar cara a cara, ao ponto de eu passar meu nariz no dela e aproveitar a sensação gostosa, que consumia meu estômago como borboletas passeando por todos os lados. 

Era esse o minuto de paz que eu queria. 

Fecho meus olhos e sorrio mais, ao ser dominada por esse sentimento. Tudo o que eu mais queria era poder beijá-la aqui e agora. Mas não faço. Precisava respeitar seu espaço acima de tudo. Então, respiro fundo e abro os olhos. 

Por breve segundos, vejo ela também de olhos fechados e sorrindo apenas com seus lábios. Delicadamente, para não assustá-la, faço um carinho em suas bochechas até que ela abre os olhos e só aí nos afastamos. 

“Te vejo amanhã…”, sussurra Emma e em seguida se levanta, puxando sua bolsa, que estava no balcão na nossa frente e vai embora. 

Peço mais uma dose para o barman e tomo sozinha aquele shot de tequila. 

Antigamente, eu ficaria mais algum tempo ali sozinha, até avistar uma presa e investir todo meu charme na conquista. Ainda mais tomando este tipo de bebida, que sempre aumentou meu tesão.

Porém não sentia mais a vontade de me satisfazer apenas pelo ato carnal e o prazer do momento - claro que isso ainda era algo válido, mas só tinha uma pessoa com quem eu gostaria de me perder na noite e desfrutar mais daquele sentimento.

Estou aprendendo a cada dia que passa a lidar com meus impulsos e necessidades. Estou estabelecendo regras e sub regras para não me deixar levar por situações momentâneas. E mais que isso: aprendendo a aceitar como sou e me livrando dos medos, receios e traumas passados. 

A Emma não merecia receber essa minha bagagem extra, caso ela permita que nosso relacionamento volte a acontecer. Claro que não poderia me livrar do meu passado por completo, pois aconteceu e faz parte do meu ser, mas se de algo eu pudesse melhorar, com certeza eu iria!  

Então, resolvo parar por aqui. Peço a conta, em seguida um táxi e vou pra minha casa.

(off) 

 

(on)

 

EMMA’S POV:

 

Pode ser a frase mais clichê que eu já tenha dito, ou pensado, em toda minha vida, mas quem disse que ‘trabalho não é trabalho, quando se faz o que gosta todo dia’, acertou em cheio. Ainda mais quando chego na minha mesa e encontro um presente tão lindo quanto o que Regina tinha mandado entregar aqui. 

Um vaso com alstroemérias rosas e brancas, formando um lindo arranjo e muito cheiroso, por sinal! No cartão, os seguintes dizeres: ‘Não há mais segredos que me impeçam de demonstrar o quanto sinto por você. Parabéns pela primeira semana no trabalho novo. - R’.

O tanto que essa mulher me faz sentir como a única no mundo, não está descrito! Um minuto com ela, já muda o astral do meu dia inteiro. Mesmo no caso de ontem, que conversamos algo tão sério e grave, ela conseguiu, com um simples toque, mudar toda a energia do ambiente e me deu uma paz e segurança, que nunca havia sentido antes.

Não sei se eu sou (a única do mundo dela), mas acho que sim, ou então Mills não passaria tanto tempo se certificando do meu bem estar - isso inclui o de Henry. Esses dois cada dia mais inseparáveis! Inclusive hoje a noite, eles vão preparar uma surpresa para mim na casa dela.

Apesar de todos os meus receios, a cada dia que passa sinto que estou um passo a menos de encontrá-la no meio do caminho e recomeçarmos nossa jornada juntas. Talvez eu devesse soltar um pouco as rédeas e me permitir sentir de novo? Sim, eu concordo que sim.  Fora que ela já vem mostrando e demonstrando que eu posso confiar e me arriscar de novo. 

No entanto, ainda prefiro ser pé no chão e lembrar das minhas responsabilidades. E claro, minha prioridade número um. Se bem que, caso dependesse dele, Regina já estaria mais do que bem-vinda de volta.

Não consigo deixar de rir ao me lembrar do jeito que ele me pediu para convidá-la para sua festa de aniversário, que acontecerá em alguns dias. Veio com todo cuidado me perguntar se eu ainda estava brava com a tia Gina e se me chatearia caso ele quisesse convidá-la para sua festa. Primeiro que: meu coração mal aguentou o tamanho da fofura. Segundo que: quando Henry usa seus olhos castanhos claros como armas de persuasão, não tem como resistir! 

E terceiro que: será maravilhoso tê-la conosco nesse dia tão especial. 

Involuntariamente, deixo um suspiro apaixonado escapar ao pensar nisso e percebo que estou há muito tempo encarando esse arranjo de flores, e com um sorriso bobo em meus lábios ainda por cima! 

Foco no trabalho, Swan! 

Em poucas horas você encontrará com eles.

(off)

 

Mais tarde naquele mesmo dia, porém ainda não tão de noite, Emma Swan tinha combinado de almoçar com Killian Jones. Os amigos se cumprimentam com um abraço apertado, pois já fazia um certo tempo que não se encontravam e mal conversaram nesses últimos dias. 

Jones já estava ciente do motivo do contato de Emma, pois Regina lhe avisou sobre o interesse da mulher em cláusulas preventivas ou medidas que fossem ajudá-la a proteger Henry de qualquer artimanha de Gold. O primo ficou muito contente em saber que a prima não tinha escondido a verdade da loira dessa vez.

Então, cada um toma um lugar na mesa e fazem seus pedidos para não perderem tempo nenhum de conversa, pois tinham muita coisa para atualizar um ao outro. Mas antes de começar a pequena reunião, Swan entregou a Killian um convite para o aniversário do garoto - que diferente do de Mills, este não tinha sido escrito à mão. 

Em seguida, Hook passa a explicar tudo o que eles podem fazer como medida protetiva contra o Gold e como assegurar que o Henry cresça sem ser importunado pelo avô paterno com essas questões. A mãe estava disposta a enfrentar qualquer tipo de batalha para manter o filho sob seus cuidados, mas mesmo assim sabia do direito que o homem teria, caso fosse mesmo a justiça e entrasse com algum pedido para ao menos ter convívio com a criança de alguma forma. 

No entanto, o quanto pudesse atrasar ou diminuir as chances disso acontecer, ela faria. E era justamente isso que o homem a explicava, passo a passo de como garantir a proteção judicial das partes envolvidas - isso inclui a reitora, que estava dando o suporte dos honorários do advogado. 

Ele também explicou no que isso afetava em sua busca pessoal de querer recuperar o Gran Hotel Golden para sua prima e no quanto seria necessária a ajuda da loira, caso o garoto fosse adicionado ao processo de alguma forma. Isso só aconteceria se Gold realmente quisesse colocá-lo como herdeiro de forma voluntária e em vida. Caso de alguma forma isso não aconteça, Henry herdava por ser o único familiar vivo e depois da conclusão do inventário. 

Emma deixou claro que não tinha interesse algum em nada que viesse do homem, mas que estaria disposta sim a ajudar Regina com o que precisasse.

Os dois passaram mais alguns minutos conversando com Swan tirando todas as dúvidas que tinha e o advogado as esclarecendo. E  depois disso, cada um voltou aos seus respectivos compromissos do dia.

Com a chegada do horário marcado com Mills, a loira faz o seu caminho até o apartamento da morena, onde seu filho já estava desde  a hora que saiu da escola. Como ela tinha uma reunião bastante demorada, devido ao fechamento de algumas edições de revistas do mês, já tinha deixado pré combinado com a tia de buscar o sobrinho na escola. 

Assim que chegou na portaria, Emma foi liberada a subir automaticamente, pois seu nome já estava autorizado para entrar sem precisar ser anunciada, então também logo entrou direto no apartamento. Achou que ela os pegaria de surpresa, mas na verdade foram eles quem surpreenderam ela: 

“Okay, Chef Henry, o que está faltando nessa nossa receita?”, pergunta Regina com um tom de voz engraçado. Ela estava com seus cabelos presos em um rabo firme e alto. Usava um avental da cintura para baixo e tinha um pouco de farinha em sua camiseta e rosto. 

“Queijo! Tá faltando queijo!”, responde Henry com prontidão, usando o mesmo tom de graça da morena. Quando a mãe olha na direção do filho, vê o quanto ele também estava sujo de farinha de trigo e usava um chapéu de cozinheiro, que era muito maior que a cabeça dele. 

“Você não acha que já tem queijo demais?”, pergunta ao mesmo tempo que adiciona mais queijo ao prato que preparavam. 

“Mamãe adora muito queijo”, responde com um sorriso que faz o coração de Swan derreter por completo - coisa que também fez o mesmo com o de Mills. 

“Okay, então bastante queijo para a mamãe”, comenta a morena e coloca ainda mais. A loira estava tão envolvida com a cena dos dois, que até se esquece de anunciar sua chegada e fica parada na porta da cozinha, só observando os dois. “Agora é só ajustar o timer… Segura aqui e quando eu disser ‘já’, você aciona”, diz ao mesmo tempo que entrega o pequeno objeto ao garoto, que assente e espera pelo comando. Enquanto isso, a mais velha pega o refratário e o leva ao forno pré aquecido para assar. “Já!”. 

“Prontinho!”. Os dois comemoram o feito deles com um high-five de toque bem estalado. 

“Agora vamos nos arrumar antes que a mamãe chegue e nos pegue sujos desse jeito”, diz a tia com o sobrinho já concordando com a cabeça e o pega no colo. Quando vira seus corpos na direção da porta, os dois são pegos de surpresa pela mulher parada ali. “Mulher!!!”, começa Regina com uma mão no coração e a outra segurando Henry, que estava encaixado em sua cintura. “Assim você me mata de susto!”.  Tanto a mãe, quanto o filho começaram a rir da situação. 

“Mas nem é uma coisa ruim ver meu rosto assim de repente”, rebate Emma e começa a se aproximar deles, pegando o filho e trazendo para o seu colo. 

“É, realmente não é”, comenta e logo já estava sorrindo o mais lindo dos sorrisos ao ver a interação dos dois.

“Oi, amor de mãe”.

“Oi, mamãe”, responde ele e a abraça, e claro, acaba sujando a roupa dela com a farinha. Agora era vez de Mills assistir a cena com muita admiração em seu olhar.

“Se divertiu muito com a tia Gina?”, pergunta Swan olhando diretamente para os olhinhos castanhos claros. 

“Muito! Ela é muito engraçada. Amo quando ela vai me buscar na escola”, responde Henry e olha na direção da outra mulher, abrindo seu braço para chamá-la com a mão e trazê-la bem pertinho deles. A reitora, com o sorriso mais bobo possível, vai de encontro e paga em sua mão, ficando bem próxima aos dois.

Quando seus olhos encontram os esverdeados, automaticamente seu corpo inteiro se arrepia, seu estômago revira por inteiro com as borboletas, o sorriso diminui apenas para dar passagem a expressão de pura hipnose ao ser arrebatada pela sensação única que era amar a mulher em sua frente. 

“Eu fico muito feliz em saber disso”, comenta a mãe. Seu coração ligeiramente apressado, testemunhava com ela a beleza única que a mais velha tinha. Batia acelerado com o tamanho de seu encanto por ela. Era algo tão especial, que não dava vontade de parar de sentir. Apenas crescia mais e mais sua necessidade de ter Regina perto. “Agora vão os dois se limpar, que eu arrumo aqui a cozinha!”, diz cortando o transe entre elas, antes que o mundo deixasse de existir. 

“Não precisa arrumar, eu faço isso depois. Você teve um dia longo de trabalho”, comenta ao pegar o garoto em seu colo novamente. “Precisa relaxar. Pega uma taça, toma um vinho…”.

“Você também teve um dia longo na NYU e nem por isso deixou de cozinhar algo pra gente comer. Por favor, me deixe fazer isso? É o mínimo para agradecer  todo o seu trabalho...”, pede e encosta sua mão na da mulher, que agora estava nas costas do menino. 

“Tudo bem…”, responde ao mesmo tempo que sente sua mão esquentando com aquele toque. A mão de Emma era tão macia, pensa. Sem pensar duas vezes ao ver a roupa da mulher suja, Regina pega o pano de prato que tinha apoiado em seu ombro e limpa delicadamente com uma mão, enquanto a outra sustentava firme o peso do menino. 

Elas se deixam levar mais uma vez, quando seus olhos se encontram. Era algo tão bom quando se perdiam nos olhares. Ou melhor, se encontravam. Podiam passar horas apenas lendo uma a outra, mas não estavam sozinhas para aproveitar adequadamente. Então a mais nova pega o pano de prato da mão dela e faz um sinal para eles irem. 

Assim os dois se retiram da cozinha, deixando-a sozinha ali para arrumar tudo. O tempo que Mills e Henry levam para se arrumar, com roupas limpas e banho tomado, é o mesmo tempo que Swan levou para terminar de organizar tudo. Ela inclusive põe a mesa de jantar, com talheres, pratos, copo e taças, guardanapos, até mesmo um apoio de mesa para o refratário, que sairá quente do forno, e tudo mais que achava necessário para compor. 

“Desculpe, eu mexi nos seus armários”, comenta assim que vê a morena. 

“Não há problema algum. No entanto, não precisava se incomodar…”, rebate e as duas se entreolham rapidamente. 

“Você…”, para de falar quando percebe que perdeu as palavras só de encarar toda aquela beleza. Não estava com roupas chamativas, mas estava elegante como sempre - mesmo com roupas comuns de ficar em casa. “Eu-”. Realmente, não as encontrava. 

Com um riso tímido, a outra mulher se aproxima dela e sussurra: “Nós”. Um pequeno vestígio de luxúria podia ser encontrado em ambas apenas com o olhar. Era um sentimento que crescia cada vez mais entre elas. Uma vontade sem igual de se aprofundar mais uma na outra e desfrutar do que poderiam oferecer. Mas nenhuma falava a respeito disso ainda. 

“E o meu pequeno? Deu muito trabalho?”, pergunta a loira ao desviar o olhar e terminar de colocar o último prato sobre a mesa. A reitora aproveita para escolher um bom vinho, na mini adega que tinha também neste cômodo, e volta para perto da mulher com sua escolha e um saca rolhas. 

“Eu dou mais trabalho pra ele do que de fato ele a mim”, responde Regina com um breve riso ao mesmo tempo que volta e entrega a garrafa junto do objeto para abri-la. (Gosto disso nelas. Conseguem se comunicar sem ao menos dizer uma palavra). “E como foi com o Killian?”.

“Foi muito esclarecedor. Tirei muitas dúvidas e o que nos resta agora é esperar…”, responde de volta e recebe todos aqueles itens em suas mãos. Apoia a garrafa na mesa e cuidadosamente usa toda sua habilidade com o saca rolhas para conseguir abrir de um vez. 

De onde estava, que no caso era bem perto de Emma, a mais velha observa com muita atenção os braços da mais nova, enquanto ela remove a rolha. O jeito que o músculo se contrai quando impulsiona mais força naquele movimento, arrepia o corpo inteiro de Mills só com os pensamentos impróprios que passam por sua cabeça naquela breve fração de segundos.

Morder o lábio inferior foi inevitável. Sente uma necessidade absurda de tocar a região dos bíceps de Swan, mas é interrompida por Henry gritando da cozinha.

“TÁ PRONTO, TIA GINA!”. E logo depois escuta o timer também avisando do mesmo. 

“Hmm, que cheiro gostoso!”, comenta a loira, que estava totalmente alheia do que se passava com a morena, pois se concentrou mesmo em apenas abrir a garrafa. Recebe um sorriso antes da mulher se retirar dali e ir para o outro cômodo. Aproveita para servir ambas as taças com um pouco do líquido e espera pelos dois, que logo aparecem de novo. 

“Tcharam!!”, diz Henry ao indicar o refratário nas mãos de Regina. O sorriso do garoto era de puro orgulho da obra de arte dos dois. Um macarrão de forno com muito queijo, conforme mencionado antes. 

Uma cena que Emma estava começando a se acostumar e gostava muito disso era de ver os dois cada vez mais vezes juntos em um mesmo cenário. Definitivamente algo que poderia se acostumar (para sempre).

XXX

Os três desfrutaram do jantar com Henry contando sobre o que aprendeu na escola naquele dia e aproveitou para perguntar vários tipos de coisas para Regina, que sempre estava disposta a responder todas as curiosidades dele. Logo depois, deliciaram-se com um bom pudim de leite, sobremesa essa que Emma era APAIXONADA. 

Se a morena não conquistar a loira do jeito que planejava, ao menos conquistará pela barriga, pois todos os pratos que ela gostava a mulher sabia fazer. 

“Uma delícia! O jantar por completo!”, comenta Swan ao finalizar sua sobremesa e observa o sorriso de Mills crescer com aquele elogio. 

“Verdade! Sua comida é muito boa, tia Gina!”, concorda o garoto, fazendo-a ampliar ainda mais aquele sorriso. 

“Fico imensamente feliz que ambos gostaram”, diz olhando de um para o outro, demorando um tempo a mais na outra mulher, que também tinha um sorriso bem largo estampado em seu rosto. “Agora vamos para a melhor parte desse nosso jantar”, anuncia e recebe olhares curiosos em sua direção. 

Com um movimento sutil, levanta-se e os chama para acompanhá-la até a sala de estar, onde tinha três pacotes de presente. 

“Uau!”, foi a primeira reação de Henry ao ver os embrulhos, cada uma de uma cor mais chamativa que a outra. “É um presente pra cada um de nós, tia?”. 

“Não”, responde a reitora com um leve riso ao se dar conta de como o menino não era egoísta por assumir que todos seriam para ele.  E todos eram de fato para ele. “São todos seus! Pelo seu aniversário”, completa ao fazer um carinho nos cabelos dele, bagunçando-os. 

“Quando é meu aniversário, mamãe?”, pergunta curioso para a loira, que também acaba rindo e o puxa para o sofá. “Não é hoje, é?”. 

“Não, meu amor, seu aniversário é depois de amanhã, no sábado. Mas a tia Gina quer dar hoje, você aceita?”, pergunta Emma com toda sua calma e paciência de mãe.

“QUERO!”, o grito foi involuntário, mas com muita animação e felicidade.

“Então abre, lindo”, diz Regina e observa a rapidez com a qual ele puxa o menor dos embrulhos. Era um box com três livros daquela saga de conto de fadas, que ela leu para ele uma vez. 

“Era o que eu queria!!”, comenta Henry com a alegria nítida em sua voz e sai correndo na direção de Mills, agarrando-a num abraço muito apertado. “Obrigado, tia. Muito obrigado!”. 

“Não há de que, Henry, mas você ainda tem mais dois para abrir. Eu vou ganhar um abraço por cada um?”, pergunta ao se ajoelhar, ficando na altura dele, que logo a abraça de novo, fazendo-a rir com sua graciosidade. 

“Eu acho que sim”, responde Swan pelo filho e leva os dois presentes para perto deles, que agora estavam sentados no tapete. 

Quando ele pega o segundo presente, não demora nada para abrir e revelar um kit de jogos de videogame. Por um instante ele não reage. Fica tentando assimilar o que era aquilo, pois não tinha o videogame que comportava aquele tipo de jogo. Antes que alguma delas falasse alguma coisa, Henry começa a desembrulhar o terceiro e último presente: um videogame de última geração. 

“É UM VIDEOGAME!!”, grita com surpresa. Sua boca até forma um ‘o’ , ainda sem acreditar no que estava acontecendo. “MÃE? TIA?”, continua no mesmo tom e olha de uma para a outra em choque. “É sério?”.

“Claro que é, garoto! Eu ia lá brincar contigo desse jeito?”. Regina usa aquele tom de voz que só usava quando estava brincando com ele e foi suficiente para tê-lo em seus braços de volta. "A única condição para tudo isso é que você respeite sua mãe”, começa e o faz com que ele a olhe. “Quando ela disser que é hora de parar, você tem que parar. E não vamos esquecer da escola, estudo em primeiro lugar! Notas boas te darão mais créditos com ela e assim poderá jogar mais vezes. Quem dita as regras é ela!", agora usou um tom de voz neutro, porém sério, para falar aquelas condições. 

Emma já sabia de todos os presentes. Foi um dos assuntos que conversaram ontem no bar, pois a morena queria pedir permissão para essa surpresa. Não queria ultrapassar seus limites e nem de alguma forma interferir na educação de Henry. 

“Tá bom! Eu vou me comportar e fazer tudo isso direitinho!”, concorda o menino com suas pequenas mãos segurando as da mais velha. 

“Ótimo! Agora vamos testar?”.

XXX

Passado algum tempo. 

O videogame já estava instalado na enorme TV da sala de Regina. Emma tinha ajudado Henry com algumas informações dos jogos e o ensinou o pouco que sabia sobre os comandos do controle. Com o tempo ele aprenderia a jogar melhor e aperfeiçoaria suas habilidades. Assim como muito provavelmente elas também vão. 

"Você mima ele de um jeito bom”, começa a loira. Agora estavam as duas lado a lado no sofá, com o pequeno sentado ao chão e super concentrado na tela. Ambas seguravam suas respectivas taças de vinho e o assistiam jogar. “Não é nada exagerado, é muito natural e leve. Fora que você sempre está ensinando algo novo a ele", completa.

"Ele me faz um bem imensurável!  E além do mais ele é a única criança na minha vida e merece tudo de melhor", responde a morena sem nem pensar duas vezes. 

"E o seu sobrinho?".

"Ainda vai demorar bastante pra ele nascer, então até lá eu vou mimar o Henry”, responde dando de ombros e faz a mais nova rir. “E acho que mesmo depois dele nascer também, pois seu filho é meu protegido!". Swan continua rindo e balançando a cabeça. 

"Você pensa em ter filhos, Regina?", pergunta e nesse momento as duas se entreolham.

"Olha, nunca foi uma prioridade minha ter, mas confesso sentir que meu lado materno está cada vez mais aguçado, sabe? Não sei, talvez eu esteja errada, mas acho que é a convivência e as experiências que ando tendo com esse pequeno…”, responde Mills e pensa um pouco no que acabou de falar. “Eu não quero roubar seu filho de você, por favor, não pense que eu me sinto a mãe dele. É só uma observação..."

"Calma, Mills, eu não disse nada", mais uma vez ela ri. "E eu acho incrível o companheirismo de vocês. Você faz tão bem a ele, que não me ofendo por você ter essa superproteção - ou sensação.  Só mostra o quanto seus sentimentos são verdadeiros", afirma com um sorriso tão lindo, que a reitora poderia se derreter por inteira ali na frente dela. Suas bochechas ficam até coradas só de ouvir aquela declaração.

"E você? Quer ter mais filho?", pergunta e aproveita o embalo do tópico. No mesmo instante que a pergunta sai, Emma faz um sinal para ela diminuir o tom de voz.

"Não deixa o Henry te escutar me perguntando isso ou ele vai nos pedir um irmãozinho", responde em sussurro.

"Ou irmãzinha", quando Regina acrescenta esse detalhe, percebe o que acabaram de fazer. 

"Ele é doido por um. Já me pediu quando era mais novo...", complementa Emma e seus olhos saltam ao se deparar com a mesma realização que a outra mulher teve. 

Implicitamente incluíram uma à outra nesse planejamento imaginário de aumentar a família. Mills chega até a engolir a seco suas palavras antes de dizer mais alguma coisa, enquanto Swan serve mais do vinho nas duas taças, colocando a garrafa no chão ao lado do sofá. 

"Por falar em maternidade, a Zel queria seu número pra conversar sobre isso. Ela disse que você é a única referência que ela tem por aqui e que seria ótimo se você pudesse tirar algumas dúvidas dela vez ou outra", comenta algo bem válido, que acaba cortando o clima que se estabeleceu após respectivas percepções sobre o assunto.

"Okay, pode passar o meu número".

Depois disso, as duas ficaram em silêncio, apenas observando o garoto a jogar. Horas comemoravam quando ele conseguia passar de fase. Em determinado momento, a mãe se juntou ao filho e seguiram jogando por alguns minutos. A tia aproveitou para registrar esse momento precioso com fotos ou até mesmo só com seu olhar. 

Quando chega a hora de irem embora, o trio se une para arrumar a pequena bagunça que fizeram na sala e depois desinstala o videogame (para que Henry levasse para sua casa). 

“Muito obrigada por essa noite tão agradável. Eu adorei”, confessa Emma, quando já estava na porta prestes a sair. 

“Não precisa me agradecer, foi de coração”, responde Regina e coloca o menino no chão, que estava em seu colo dando infinitos beijos em sua bochecha como forma de agradecimento pelos presentes. “Não seria problema algum levar vocês...”. Insiste em algo que as duas já tinham conversado e a loira determina que não era necessário.

“Regina, não precisa! É longe de ir, longe de voltar. Eu não ficaria em paz se você voltasse sozinha de lá tarde da noite!”.

“Okay, okay!”, diz a morena com as mãos pra cima. “Tchau, Henry. Boa noite, senhorita Swan”.

Prestes a fechar a porta, quando os dois já estavam esperando o elevador, Mills é surpreendida por Swan, que volta em sua direção e lhe abraça de uma forma muito zelosa. Passa suas mãos pela cintura da loira, enquanto ela a segura ao redor do pescoço. 

“Boa noite, senhorita Mills”, responde e complementa com um beijo demorado na bochecha da reitora, que fica toda desnorteada quando se separam. 

Esse foi um dia ótimo!

Era um minuto de paz que ela queria? Pois então, teve algumas horas.


Notas Finais


Será mesmo que elas estão a poucos passos do caminho do amor? Vamos descobrir isso no capítulo que vem. Junto dele teremos ilustre aparições. Um delas já posso adiantar: a família Swan.


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