História A Cura De Um Pesadelo. - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Artefatos, Barghests, Miticismo, Morte, Pesadelo, Poderes, Raphael, Tarkízio, Vanessa
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Palavras 2.434
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Aviso: O capítulo foi revisado, poucas coisas foram alteradas. Se alguém quiser participar desta história junto comigo. Mande-me sua proposta em mensagem, e conversaremos sobre isso.

***

Que se abram os portais para o meu mundo fictício.

Que os seus maiores medos se tornem realidade.
E se você não puder enfrentar, morrerá sem conhecer nem a metade.

Ainda não é o fim de tudo. É apenas início...

Capítulo 1 - A Estrela Chamada Dor


O Ruivo mantinha os olhos fixos naquela linha distorcida que dividia a imagem da televisão ao meio, deixando-a parcialmente fora de sinal. O aparelho de DVD ainda continuava a marcar o tempo e o fraco som ainda emitia as frases do roteiro de um filme que passava. Sem mais opções para se distrair, o jovem levantou-se do sofá e começou a dar novos socos na tela da televisão, aumentando a intensidade dos próprios golpes como se aquela ignorância toda funcionasse. Um dos seus socos formou um novo trinco na tela. Dessa vez, a tela ficou azul e o som mudo.

— Eu não acredito. Justo na melhor parte do filme? Como eu vou saber quem matou o presidente russo? Que droga!

Sem alternativas, o Ruivo afastou-se e para o seu espanto ele se deparou com móveis velhos, teias de aranha nos recantos das paredes e diversos quadros com fotos de família, onde ele se via ao lado de sua irmã gêmea e uma outra garota, a qual ele nunca viu tão estranha figura. Era como se o seu irmão mais velho tivesse feito uma série de cirurgias plásticas bizarras para alterar radicalmente a aparência. A lâmpada fraca dificultava um pouco a visualização das fotos, mas aquilo não chegava a ser uma dificuldade. Mais uma vez, o Ruivo se assustou ao olhar ao seu redor e perceber que estava em outro lugar. Era uma casa apertada, suja... Aliás, nem um pouco engraçada. Ali atrás, o único quarto estava iluminado e ele conseguia ouvir perfeitamente o barulho irritante das hélices do ventilador girando.

— Eu devo estar sonhando... — Murmurou isso consigo mesmo, acreditando no que a lógica lhe mostrava. — Tomara que não seja mais um daqueles sonhos malucos onde eu sou um caçador de monstros suicida que insiste em arriscar a pele para salvar pessoas mal agradecidas. — Ele dizia isso consigo porque os seus sonhos eram sempre longos, interessantes e chatos ao mesmo tempo, principalmente quando se tratava de um sonho ruim.

O Ruivo caminhou em direção aquele quarto, mas não estava convicto do que encontraria. Ele apenas chegou mais perto, afastou um pouco a porta para espiar, e viu o que os seus olhos nunca viram na vida. Ali, dentro do quarto, havia um homem quase despido, salvo pela cueca que usava, estava o estranho dormindo, e ele flutuava? Sim, estava ele flutuando. O lençol bem mais acima do estranho também flutuava... 

Não, era como se estivesse cobrindo algo. Uma esfera invisível, talvez. E novamente, naquele mesmo quarto, os móveis velhos predominavam. Parecia haver móveis velhos em quase todos os cômodos. Silencioso e sem querer acordá-lo agora, o Ruivo fechou vagarosamente a porta para explorar melhor o ambiente onde estava. Não havia muita coisa útil ali. Na cozinha encontrou um armário antigo, quase em perfeito estado, com várias gavetas e pouquíssimas portas ainda no lugar; inofensivas aranhas teciam suas casas pelos recantos vazios do armário; e por fim, numa gaveta, haviam folhas em branco, sacos de prego, uma faca que você só encontra em games, adesivos sortidos e uma caneta.

O Ruivo teve um plano e pela primeira vez naquele 'sonho' sorriu.

Um pouco tempo depois ele estava grudando o seu recado na porta da sala, bem a vista caso o tal estranho acordasse. Uma ameaça bastante convincente. E como se não bastasse, o Ruivo tomou posse da chave que estava na porta e saiu despreocupadamente da casa deixando a 'Bela Adormecida' trancafiada.

O Ruivo apenas virou o rosto para perceber que morava em um dos andares de um prédio abandonado. Percebeu isso ao ver um elevador no final do corredor e as portas abertas de quase todas as respectivas moradas.

Ele teve que ignorar o que via para continuar andando em direção ao elevador com a chave de seu apartamento nas mãos. Ele acionou o único botão esperando as portas metálicas se abrirem. Ele entrou e pressionou outra vez o botão que o levaria de volta a recepção, se é que existisse uma. Quando as portas se fecharam as mesmas estavam pichadas com tinta vermelha a seguinte frase:

NÃO VÁ AO 3° ANDAR

— Ora, tem um vândalo nos meus sonhos. Terceiro andar, em? Ok! — Foi esse justamente o novo destino que ele tomou.

***

O elevador tremia emitindo um som abafado, fraco. A sensação era de que a qualquer momento o elevador fosse emperrar no meio do caminho, mas felizmente não aconteceu, apenas continuou descendo. Quando as portas metálicas finalmente abriram, o Ruivo leu uma nova frase mal pintada de vermelho na parede branca à sua frente.

BEM VINDO!

— Primeiro uma mensagem de aviso. Agora alguém me da às boas-vindas. O que há de vir pela frente?

O Ruivo continuou a alimentar a sua curiosidade e ouviu o elevador partir deixando-o naquele andar. O largo corredor conduzia a uma sala repleta de computadores, haviam papéis espalhados por todo os cantos e outras coisas que foram ali esquecidas. Lembrava muito uma sala de escritório coletivo. Bem perto, a alguns passos mais à frente, ele viu uma mulher magra e bem vestida que não parava de pressionar algumas teclas do computador desligado. Ela mexia nervosamente as teclas, como se estivesse com algum tique nervoso. E além disso, aquela sala... 

Também estava fedendo. Um cheiro horrível que não poderia ser simplesmente ignorado.

— Você é a única? — Não houve resposta.

Sua voz espalhou pelo interior da sala num eco que não pareceu tomar a atenção dela. Mesmo depois de um breve tempo, ela continuou digitando e nem sequer girou o assento de rodas para vê-lo.

— Eu perguntei se você está aqui sozinha.

A única resposta que teve foi do seu próprio eco. O que lhe irritou bastante. Aquela mulher nem se importou com ele e continuou a pressionar mais forte as teclas do computador. Ela se mexia de forma estranha. A tela do monitor ainda estava desligada, e a mulher como uma cega nem se importava com isso. Rapidamente ela parou de digitar quando sentiu a pesada mão do Ruivo repousar em seu ombro. Mesmo assim, ela não virou o rosto para vê-lo. O Ruivo percebeu que o cheiro ruim vinha dela, mas não era somente ela que fedia ali.

— Não vai me deixar falando sozinho de novo, não é? Eu só te fiz uma pergunta.

Ela o ignorou e continuou digitando. Ao ver o caminho que os dedos dela escolhiam, o Ruivo percebeu que ela pressionava a mesma sequência de botões: 'I', 'A', 'L', 'C', 'B' e 'N'. Restava agora saber porque ela insistia nessas letras e que palavras poderiam estas letras formar.

O Ruivo impaciente arrancou o teclado do lugar, e a mulher como resposta começou a berrar sem que som algum saísse de sua boca, o grito ecoava pela sala. Com os dedos esguios e pálidos, ela começou a tentar puxá-lo pela sua camisa preta. Foi nessa hora que ele tomou um baita susto ao encarar ela. 

O rosto dela estava todo rasgado de garras e os seus olhos haviam sido arrancados! Ela 'chorava' lágrimas de sangue!

***

O Ruivo se afastou bruscamente dela, sentindo o seu braço romper alguma teia invisível de aranha. Na verdade, ele se esbarrou em uma sequência de linhas finíssimas e o corpo dela caiu desmontado, como se fosse uma marionete feito de uma pessoa que foi esquartejada recentemente.

— Isso não vale! Isso não vale! — Repetiu uma voz perversa, a mesma frase várias vezes. — Porque não continuou com a nossa brincadeira? Você não tem graça! — A perversidade daquela voz ecoava em seus ouvidos.

— Quem está aí? — Perguntou o Ruivo prevendo o pior.

— Se quer tanto me ver porque não olha para cima?

O Ruivo ouviu um arrastar no teto e se deparou com uma visão acima de sua cabeça nem um pouco agradável. Para ser mais claro, nem aquela mulher desmontada aos seus pés poderia causar mais medo. A forma daquela criatura lembrava parte um homem, parte um réptil, tinha os olhos verdes como redomas de vidro, e de sua língua comprida e bifurcada escorria uma gosma verde corrosiva. A criatura não tinha pés, e sim, mãos no lugar; as unhas grandes em forma de gancho cravadas na superfície do gesso permitiam que a criatura escalasse a parede sem escorregar.

— Que gosto será que tem a sua carne?

A criatura-lagarto desceu e ficou apoiado sobre as duas mãos - ou seriam aqueles os seus pés? -, alongou seu corpo mostrando sua repugnante forma de mais 2 metros e meio, e abrindo demasiadamente a boca soltou a língua bifurcada na tentativa de ferir a pele do rapaz com a sua saliva corrosiva. O Ruivo se esquivou a tempo, quebrou o teclado arremessando na cabeça da criatura e afastou as mesas derrubando tudo que estava em cima delas. Deixando o ambiente bem mais adequado a situação. Sem contar que ele estava muito, mas muito assustado.

— Você me perguntou antes quem estava aí. Uma pergunta bastante curiosa. Eu não lembro o meu nome, nem como eu vim parar aqui e nem de mais nada. Eu só acordei com muita fome. E você vai me deixar bem alimentado. Não deixarei nenhuma carne sobrando nos seus ossos!

— Não se aproxime de mim! — Ordenou o Ruivo procurando alguma coisa para que pudesse se defender.

— Vamos, deixe que eu prove somente um pedaço. Eu garanto que não doerá nada.

— Nem pensar!

O Ruivo abaixou a tempo de uma nova investida - outra tentativa da criatura com a sua língua comprida -, buscando algum monitor próximo ele arremessou em direção a criatura, depois pegou outro e ficou jogando, enquanto o bicho escalava a parede dando voltas pela sala. A língua da criatura ao ser arrastada derretia as junções das paredes. Os seus dedos também perfuravam, e se continuassem a transformar a parede em escombros logo não haveria mais nada para se apoiar.

O Ruivo continuou a arremessar coisas e a criatura-lagarto era obrigada a continuar rondando as paredes da sala. Mais duas voltas completas e a criatura finalmente escorregou nos próprios buracos que fez, porém caindo de pé. Aproveitando a distração o Ruivo arrastou violentamente uma mesa que encontrou por perto. A mesa riscou o chão e dividiu o ser ao meio num poderoso impacto que também perfurou e penetrou a parede. E o grito horrendo da criatura-lagarto ecoou pela sala. Após alguns segundos a criatura vencida pela dor, enfim falou:

— Creio que também não me contará de onde você veio. — Perguntou sem esperanças alguma. — Eu estou com tanta fome... Eu poderia ter comido essa mulher por completo, mas achei que brincar com os restos da comida seria mais divertido. — Disse num ar de riso, mas a dor logo arrancou o seu sorriso. — Ela conhecia todo esse lugar, deixou recados por todos os cantos deste prédio e voltou para tentar me matar. Ela pensou que meus ouvidos fossem sensíveis ao som. Ha, ha, ha, ha... — Se engasgou. — Droga de língua comprida! — Tossiu e pôs a língua para fora. A saliva começou a derreter a madeira formando um buraco na mesa. Seu corpo da cintura para baixo se contorcia igual a cauda de um lagartixa separada do corpo.

— Eu vim da cobertura. — Respondeu o Ruivo sentindo pena daquele ser.

— Ah, a cobertura... Existem poucos sobreviventes e os poucos que sobreviveram a este inferno não são mais as mesmas pessoas. Foi o que ela me disse antes de morrer. Foi para vocês que ela têm deixado os avisos. Ela disse que os três apareceram do nada. — A criatura encarou ele, mas aqueles olhos estranhos não pareciam fitar coisa alguma. — Você é bastante forte... Ela tentou o mesmo golpe, mas as escamas duras do meu corpo me protegeram dela. Como... Co... — Sua cabeça tombou na mesa, seu corpo perdeu toda a resistência e a cor vívida do verde de suas escamas; o ácido de sua língua começou a derretê-lo, consumindo o crânio, o couro cabeludo, a massa encefálica, o cérebro. Até a criatura-lagarto parar de contorcer a metade do corpo sem a cabeça.

O Ruivo olhava tudo aquilo com uma careta feia.

— Que nojeira. — O Ruivo procurou sua chave e por sorte a encontrou ainda pendurada no dedo. — Que loucura. Tenho que parar de ver tantos filmes de terror, meus sonhos estão cada vez piores. Melhor eu voltar e ver como as coisas estão lá em cima. — Em algum lugar por ali, o Ruivo tomou um iPhone junto de um fone de ouvido esquecido por alguém. A música ainda tocava; clássicos de Iron Maiden.

***

No caminho de volta, o Ruivo olhou para cima e viu uma câmera movimentando-se sem parar. Dessa vez, ele viu um roedor mastigando os fios da câmera e resolveu deixá-lo terminar sua peraltice ou quem sabe ele poderia ficar por um momento para ver o pequeno animal levar uma descarga elétrica nos próximos segundos.

Foi como ele imaginou, o ratinho levou um choque tremendo e as faíscas queimaram o papel de parede seco revelando logo atrás uma janela antiga escondida. O Ruivo apagou o que restava do fogo antes que se espalha-se e rasgou o resto do papel de parede para forçar a janela, se fosse um sonho a paisagem estaria toda deformada; daquele andar deslumbrou o horizonte escurecido. Detalhe por detalhe. Uma estrada repleta de carros jogados pelo meio do caminho, abandonados ao relento, corroídos pelo tempo e castigados pela natureza.

Depois sentiu o vento frio soprar a sua pele. Ele tremeu e cruzou os braços.

O Ruivo sentiu um calafrio. Lembrou-se bem do calor das chamas, enxergava perfeitamente sem a ajuda dos óculos que usava e que não sabe onde perdeu, sentia a madeira fria onde se apoiava... O que estava realmente acontecendo com ele? Sonhos não poderiam produzir tantas sensações.

O Ruivo só sentiria calma ao olhar para cima, procurar a mancha disforme do que poderia ser lua e...

— Que merda é isso ao lado do Sol?

É impossível! Não há como... Ainda é noite! Quando isso apareceu? De onde veio?

O Ruivo ficou aterrorizado.

Ao lado do Sol havia outra coisa bem maior, e aquilo que parecia ser um Buraco Negro sugava a energia do Sol sem atrair o astro para si. A noite brilhava não por causa da Lua que também estava presente, mas era por causa daquele fogo constantemente sugado pelo Buraco Negro. Seu brilho era superior a tudo que brilhava no Universo. Nada lhe ofuscava, nem mesmo as outras estrelas ou o Sol presente ao seu lado.


Notas Finais


Continua...


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