História A Cura Entre Nós - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias The Walking Dead
Tags Amor, Apocalipse, Cura, Romance, The Walkind Dead, Zombi
Visualizações 76
Palavras 2.136
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Sci-Fi, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Capítulo III


Os gritos vinham do andar de cima , o que me fez apressar o passo em direção as escadas, situadas a alguns metros de mim. Estava totalmente escuro , então estava torcendo para não tropeçar por conta dos cabelos que grudavam em meu rosto, atrapalhando minha visão. Se dependesse de mim ninguém iria morrer hoje, nem mesmo eu por uma escada.

Mesmo no estado no qual eu me encontrava, corri o mais rápido que pude, desviando de latas e bancadas caídas no meio do caminho, além de corpos em um estado avançado de decomposição, deixando o lugar com um odor ruim. Nem me incomodava mais com o cheiro.

Como eu não tinha visto ela subir? O pensamento passou pela minha mente, mas o ignorei. Meus sentidos estavam afetados pelo meu estado de cansaço, provavelmente. Não estava em um dos meus melhores momentos.

Os gritos agora estavam cada vez mais nítidos, e ouvi alguns nomes sendo chamados, me fazendo morder os lábios, preocupada. Torci para não ter muita gente com ela, se não eu teria problemas. Senti meu tornozelo formigar, mas ignorei, não era hora de sentir dor e nem de parar. Estava respirando pesado, sentindo o cansaço se apoderar de mim cada vez mais, tomando conta de meu corpo. Eu estava no meu limite.

—Droga, não venha me deixar na mão bem agora,corpo.- Falei a mim mesma, no final das escadas. Eu me metia em cada situação. Podia simplesmente ir embora e evitar confusão, mas não poderia ignorar um pedido de socorro, mesmo que pudesse ser uma armadilha. Afastei novamente esses pensamentos.

Finalmente cheguei ao local, desviando de alguns carrinhos de compra velhos jogados no chão de maneira estranha, acho que foi uma tentativa falha de fazer uma barricada. O andar de cima era mais espaçoso que o de baixo, com menos prateleiras e mais amostras de tapetes e toalhas .Olhei para os lados e avistei a fonte dos gritos: No final do local, entre um punhado de prateleiras caidas. Uma mulher de cabelos curtos e castanhos chutava e tentava matar aproximadamente 8 errantes que a cercavam. Ela estava encurralada, e não conseguia espaço para atacar direito.

A observei melhor, enquanto pensava no que fazer e recuperava o fôlego . Usava uma blusa roxa cheia de sangue, que flutuava quando ela se movia, alêm de uma calça jeans surrada. O lenço em seu cabelo pendia perigosamente para o lado, ameaçando se desprender.

No momento que seus olhos encontraram os meus e vi ela dando um passo em falso na direção dos mortos, entrei em ação, soltando um grito para tentar chamar a atenção das criaturas famintas que a atormentavam.

Mirei rapidamente e atirei três facas seguidas no grupo, conseguindo matar dois e derrubar um, no qual a mulher matou com um cabo de madeira que segurava. Agora eles tinham focado sua atenção em mim e deixado ela em paz, ja era um começo. Estalei o pescoço e as mãos, me preparando para a ação.

Saquei meu facão , pois sabia que não iria conseguir usar o arco nessa curta distância, tomei impulso e chutei a perna do primeiro errante que chegou até mim, quase caindo com o movimento. Todos eles estavam usando roupas de atendente de caixa, e só deus sabe o que aconteceu com eles. Logo todos estavam no chão, e eu ofegante, suada e exausta. Senti um formigamento na perna.

Estava observando um cadáver com um crachá escrito "gerente" , e acabei rindo. Soltei um suspiro pesado, lembrando da situação que me encontrava ,e direcionei o meu olhar para cima. O que aconteceu depois foi muito rápido.

—Muito obrigada- A mulher falou, se aproximando de mim, ainda que com uma postura desconfiada. Não podia julga-la, afinal ela nem sabia que tinha gente na cidade. Abri a boca para responde-la, mas nenhum som saiu, e a tontura de antes tomou meu corpo novamente, de forma mais brusca.- Você está bem?- Li a boca da mulher .

—Puta que pariu -Murmurei, soltando o facão no chão, fazendo um barulho alto. Meu objetivo era fugir , mas sabia que não conseguiria.

Olhei para o alto, e vi as prateleiras começaram a girar, tudo passou a ficar desbotado .Senti uma dor excruciante em minha coxa e em meu tornozelo, me fazendo soltar um grito de dor, mas acabei mordendo minha boca para aliviar o grito. Senti gosto de sangue invadir minha lingua . Coloquei um joelho no chão, sem fôlego, tentando me concentrar. A mulher se curvou diante de mim.

—Mas que mer...- Ouvi uma voz masculina falar, mas não tive tempo de ver de quem ela saia. Consegui ouvir o som de passos apressados, mas logo todos os meus sentidos foram desligados, e tudo ficou escuro. Mergulhei na mais profunda parte da minha consciência, que gritava em desespero.

Pov Daryl

Nunca acreditei realmente em alguma cura, como todos falavam no começo do apocalipse, e acabei me acostumando com o cenário recorrente de mortes em todos os lugares. E realmente não acreditava que algum dia isso iria acabar com a chegada de uma cura milagrosa, considerando que nenhum lugar de pesquisa continuava em pé. CDC foi nossa primeira fagulha, mas a ultima decepção. 

O dia estava relativamente quente, com uma leve brisa pairando pelos ares. Apreciei a visão das folhas caindo e observei alguns movimentos, provavelmente de esquilos, passando pela mata. Me imaginei andando cautelosamente pelas árvores, a procura de alimento e paz.

O apocalipse têm sido relativamente fácil para mim , mesmo com todas as perdas, comparado a como foi para os outros, que não tem experiência nenhuma de sobrevivência. Até gostava do fato de poder caçar livremente e não ter mais meu pai para me incomodar , mas acabei me apegando muito a essas pessoas. Eu considerava-os minha família, e não podia negar que eles se importavam comigo, pois mesmo sabendo que enchem o saco, continuam cuidando de mim e falando comigo. Muitos deles evoluíram de uma maneira incrível, e aposto que eu mesmo mudei. Obvio que nunca iria admitir isso. 

Não foi decisão minha vir com os dois pombinhos, mas como eu mesmo precisava de algumas coisas e não confiava exatamente na habilidade deles, aceitei. E aliás, o clima na fazenda estava muito tenso depois que o merda do Shane abriu o celeiro e achamos Randall na cidade, que agora estava preso.

A presença dos greene tinha animado muito o grupo, principalmente a Glenn, que não parava de conversar com Maggie. Confesso que estava aliviado, pois tinham salvado o garoto do Rick, o que era um problema a menos para lidar. E tinham aparecido no melhor momento possível.

O inverno logo iria chegar, e não podíamos depender dos Greene para sobrevivermos, pois não sabíamos quando tempo iriam nos deixar ficar, ou se daríamos conta. O local que estávamos indo se localizava a apenas 10 quilômetros da fazenda, 20 quilômetros da estrada que perdemos Sophia.

Sophia. Esse nome despertava muita coisa em mim. Sua imagem saindo do celeiro, toda suja e ensanguentada, nunca sairia de minha cabeça. O apocalipse não perdoa nem as coisas mais inocentes, e sua morte foi como se uma fagulha tivesse se apagado.

—Pensando nela?- Glenn perguntou ao meu lado, me fazendo olhar para a estrada. Percebi seu olhar preocupado pelo canto do olho, e vi que Maggie me observava cautelosamente pelo espelho. Soltei um resmungo e preferi não responder ,então permanecemos em silencio o resto da curta viagem.

As ruas estavam completamente silenciosas e vazias, como se nada estivesse acontecendo ao redor do mundo. Passamos por alguns andantes solitários, mas nada que apresentasse problemas para nós.

Chegamos rapidamente na cidade, e por sorte estava do jeito que esperávamos, vazia e silenciosa. Ela se chamava "Richmont" , e tinha menos de 5 mil habitantes. Se tivéssemos sorte poderia ter algo. Se bem que nunca temos sorte.

Nos dirigimos ao mercado da cidade, que ja estava com o vidro quebrado e com aparência de abandonado. Soltei um resmungo, desanimado.

—Eles não parecem ter sido mortos a muito tempo. - Maggie falou, observando agachada alguns errantes mortos no chão. Todos tinham um buraco certeiro na testa. Dei de ombros. Seja lá quem foi, ja deve ter saido ou ate mesmo morrido. 

Ficou decidido que Maggie olharia o mercado e nós dois as lojas, que ficavam espalhadas ao redor. Eram pequenas, mas aprendemos a não subestimar os locais que encontramos, pois podem ser nosso último meio de conseguir mantimentos. Ignoramos as casas.

Depois que a morena entrou no mercado, nos dirigimos a uma loja pequena de roupas, e senti o sol forte começar a queimar.

Comecei a ficar receoso em ter deixado a mulher entrar sozinha, mesmo sabendo que era extremamente capacitada para lidar com algumas situações. 

—De onde surgiu essa merda-  Murmurei, pensando no sol, e Glenn deu de ombros, dando um sorriso maroto e apontando para o seu boné. Imbecil.

Entramos na loja e acabamos nos separando, cada um indo buscar mantimentos ou qualquer coisa útil que encontrarmos. Deixei minha besta pronta em posição de ataque. Não deu nem cinco minutos , e logo tudo começou a mudar.

Maggie gritava.

O coreano levantou a cabeça rapidamente, me olhando com uma expressão assustada. Ele ja tinha mudado muito desde o começo, mas ainda continuava tento atitudes precipitadas. Não que eu não tenha, mas por enquanto não amo tanto alguem para ter tamanho desespero.

—Glenn , vai com calma. - Rosnei quando o vi disparando na direção ao mercado, não tomando cuidado com o barulho que fazia. Peguei a besta e corri atrás dele, olhando ao redor para ver se tínhamos atraído alguns deles.

Quando conseguimos chegar a onde Maggie estava, imaginava tudo menos o que eu estava vendo. Uma pequena criatura parada na frente da fazendeira, que a olhava de forma preocupada. Seria uma alucinação? Apontei minha besta para a pequena, que não apresentou nenhum movimento.

—Mas que merda- Falei, bem quando a mulher tombou. Ela nem sequer tinha notado a nossa chegada, e percebi que realmente ela era real.

—O que estão esperando? -Maggie gritou irritada, segurando a menina no colo de maneira desesperada. Olhei para Glenn , confuso com a situação igual a mim, e voltei meu olhar para o corpo.

A menina tinha longos cabelos brancos castigados pela sujeira, e sua imagem parecia ter saído de um filme de guerra. Usava uma regata surrada branca e um shorts preto, no qual continha um cinto cheio de compartimentos para facas. Tinha uma aljava de um arco nas costas, e um facão jazia largado no chão, junto com uma pequena mochila preta surrada. Um pequeno chaveiro de pinguim reluzia em seu zíper.

—Ela esta ferida.- Murmurei, apontando para duas faixas em sua perna, que sangravam incessantemente. Não conseguia parar de olha-la , e um sentimento de vingança se apoderou de mim . Quem tinha deixado ela sozinha nesse mundo?

—Ela me salvou, apareceu do nada e matou todos os errantes. Parecia filme de ação! Não podemos deixar ela aqui. - Maggie explicou rapidamente, me tirando do transe. Me surpreendi com suas palavras, não imaginava tanta habilidade vindo da platinada. A menina estava ficando mais pálida a cada momento, o que me fez agir.

—Não vamos.- Falei por fim, me aproximando e colocando a besta nas costas.- Vamos logo, outro dia voltamos e pegamos o que acharmos, Hershel precisa dar uma olhada nela.- Anunciei, pegando ela no colo de maneira mais delicada possível dos braços de Maggie.

Glenn ficou com a mochila e o arco da menina, e Maggie ajuntou rapidamente as facas, que jaziam perfeitamente em pontos estratégicos nos errantes. Matamos alguns dos mortos que se aproximavam em nosso caminho até o carro, e logo avistamos o automóvel preto.

A pousei delicadamente no banco de trás do carro, e por alguns milésimos de segundo ela abriu levemente os olhos, resmungando de dor. Eram os olhos mais azuis que eu ja tinha visto.

—Eu cuido para ela não sacudir tanto- Maggie falou, pousando a cabeça da menina em seu colo .- Só espero que ela não morra.- Murmurou, agitada. Não, ela não podia morrer. Não vou deixar. Não mais uma.

—Sera que ela esta realmente sozinha? E se o grupo dela vier atrás de nós? -Glenn perguntou, olhando com uma cara curiosa para trás, depois de alguns minutos no carro.

—Você realmente acha que ela tem um grupo? Olha o estado dela, nenhum grupo deixaria ela ficar assim, eu espero.- Maggie respondeu, olhando para o corpo da menina. Permaneci em silêncio, apenas observando. - Ela tem muitas cicatrizes- Falou depois, o que chamou minha atenção.

Olhei para trás , e analisei o pequeno corpo resetado de dor no banco de trás. Ela realmente tinha algumas cicatrizes, espalhadas em sua pele clara e suja. Um arrepio passou por meu corpo pensando no que ela teria passado. 

Quem é essa menina? O que era tudo isso?


Notas Finais


Comentem amoress! <3


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