História A curve in the road - Capítulo 3


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Categorias Cailin Russo, Justin Bieber
Personagens Jeremy Bieber, Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Fanfic By Esclarecer
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Palavras 5.874
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, amores ♡

Sejam bem-vindos ao segundo capítulo de ACITR! Me desculpem pela demora para postar o capítulo.
O que vocês estão achando da estória? a opinião de vocês é muito importante para mim.

Boa leitura ♡

Capítulo 3 - I feel you


De vez em quando penso em quando                                      nós estávamos juntos

       Como quando você disse que se                sentiu tão feliz que poderia morrer 

      Disse a mim mesmo que você era                                                  certa para mim

   Mas me sentia tão sozinho em sua                                                         companhia

      Mas aquilo era amor e isso é uma                           dor que eu ainda me lembro

 Na noite anterior à reunião com Justin Bieber, Annie Wood fazia sua caminhada pelo centro histórico de New Bern tentando manter um ritmo constante. Embora gostasse dos benefícios que o exercício lhe trazia — fazia cinco anos que era uma praticante assídua —, vinha sendo difícil mantê-lo desde que ela se mudara de lá. Toda vez que saía, descobria alguma coisa nova que a interessava, algo que parava para ver.

Fundada em 1710, New Bern ficava às margens dos rios Neuse e Trent, no leste da Carolina do Norte. Como era a segunda cidade mais antiga do estado, já tinha sido capital e abrigava o palácio Tryon, residência do governador nos tempos coloniais. Destruído por um incêndio em 1798, o palácio fora restaurado em 1954 e tinha hoje um dos jardins mais deslumbrantes do Sul do país. Na primavera, as tulipas e azaleias espalhadas pela propriedade floresciam e, no outono, os crisântemos desabrochavam. Annie tinha feito uma visita guiada assim que se mudara e, apesar de não ser outono nem primavera, terminara o passeio desejando morar perto o suficiente dali para poder passar por seus portões todos os dias.

Mudara-se para a Middle Street, a poucos quarteirões do palácio, bem no centro da cidade. Seu apartamento ficava a um lance de escadas e três portas de distância da farmácia na qual, em 1898, Caleb Brandham tinha vendido o primeiro gole da bebida que mais tarde o mundo inteiro conheceria como Pepsi-Cola. A igreja episcopal, inaugurada em 1718, ficava na esquina: uma imponente construção de tijolos protegida por imensas magnólias. Annie passava tanto pela farmácia como pelo palácio quando saía de casa para caminhar na Front Street, onde muitas mansões bicentenárias se mantinham graciosamente de pé.

O que ela mais admirava, porém, era o fato de, uma a uma, a maioria das casas ter sido restauradas ao longo dos últimos cinquenta anos. Ao contrário de Williamsburg, na Virgínia, onde as restaurações ocorreram em grande parte graças a uma doação da fundação Rockefeller, New Bern conseguira seduzir os próprios moradores, e estes haviam retribuído mantendo a cidade do jeito que ela era. A sensação de pertencer a uma comunidade atrairá os pais de Annie para lá quatro anos antes; já ela não sabia nada sobre New Bern antes de se mudar para lá, em junho.

Enquanto caminhava, pensava em como aquele lugar era diferente de Baltimore, em Maryland, onde ela nascera e fora criada e onde morara até poucos meses antes. Embora Baltimore também tivesse uma rica história, era acima de tudo uma cidade grande. New Bern, por sua vez, era uma cidadezinha do Sul relativamente isolada e quase sem interesse em acompanhar o ritmo cada vez mais frenético da vida em outros lugares.

Ali os conhecidos acenavam ao vê-la passar e respondiam longa e demoradamente a suas perguntas, muitas vezes fazendo referências a pessoa ou acontecimentos dos quais Annie jamais ouvira falar — o que fazia sentido, num lugar onde tudo e todos pareciam de alguma forma ligados. Isso geralmente era agradável, mas às vezes a deixava maluca.

Sua família havia se mudado para ali quando seu pai fora trabalhar como administrador do Centro Médico Craven. Depois que Annie se divorciou, eles começaram a insistir para que a filha também fosse morar lá. Conhecendo a mãe, ela havia adiado a mudança por um ano. Não que Annie não a amasse, mas ela às vezes podia ser, digamos, cansativa. Ainda assim, Annie acabara aceitando a sugestão dos pais e, para sua felicidade, ainda não havia se arrependido. Aquilo era exatamente o que ela precisava. No entanto, por mais encantadora que a cidade fosse, Annie não se via morando ali para sempre.

Praticamente no momento em que chegara, ela havia compreendido que New Bern não era uma cidade para solteiros. Não havia muitos lugares para se conhecer gente nova e as da sua idade que ela havia encontrado já eram casadas e tinham família. Como em muitas cidades do Sul, a vida ali ainda era definida por certas convenções sociais. Como a maioria das pessoas era casada, uma mulher solteira tinha dificuldade para encontrar seu lugar ao sol, ou mesmo para começar a tentar encontrá-lo. Principalmente uma mulher divorciada e recém-chegada à cidade.

Mas New Bern certamente era o lugar ideal para se criar filhos. Às vezes, durante as caminhadas. Annie gostava de fantasiar que sua vida era diferente. Quando menina, sempre imaginara que um dia iria se casar, ter filhos, uma casa em um bairro residencial, no qual as famílias se reunissem no quintal na sexta-feira à noite — o tipo de vida que tivera na infância. Mas não era isso que tinha acontecido. Uma coisa ela havia aprendido: a vida raramente segue nossos planos.

Durante algum tempo, no entanto, ela acreditara que tudo fosse possível, principalmente depois de conhecer Michael Carter. Annie estava terminando sua formação em pedagogia e ele acabara de concluir um MBA em Georgetown. A família dele, uma das mais importantes de Baltimore, era conhecida por sua soberba e pela fortuna que ganhara no setor bancário — o tipo de gente que faz parte do conselho administrativo de várias empresas e cria regulamentos em clubes para excluir as pessoas que considera inferiores. Michael, porém, parecia ir contra os valores da família e era considerado o melhor partido da cidade. Todos paravam para olhá-lo quando ele chegava e, embora ele tivesse consciência disso, sua qualidade mais cativante era ser capaz de fingir que o que os outros pensavam dele não tinha a menor importância.

Fingir, naturalmente era a palavra-chave.

Como todas as suas amigas, Annie sabia quem ele era quando o viu aparecerer em uma festa e ficou surpresa quando ele foi cumprimentá-la mais tarde na mesma noite. Os dois se deram bem na mesma hora. Aquele bate-papo rápido levou a um café e a outra conversa, mais longa, no dia seguinte e, depois disso, a um jantar. Em pouco tempo, os dois começaram a namorar firme e ela se apaixonou. Um ano depois, Michael a pediu em casamento.

A mãe de Annie ficou animadíssima com a notícia, mas o pai não disse muita coisa a não ser que torcia pela felicidade da filha. Talvez ele desconfiasse de alguma coisa, ou talvez apenas já tivesse vivido o suficiente para saber que contos de fadas raramente viram realidade. Seja como for, não lhe disse nada na época e Annie nem sequer se preocupou em questionar a atitude do pai, exceto quando Michael lhe pediu que assinassem um pacto pré-nupcial. Ele alegou que a família havia insistido naquilo e se esforçou bastante para pôr a culpa nos pais, mas parte de Annie desconfiou que, mesmo que estes não estivessem por trás da decisão, o próprio Michael teria querido o acordo. Mesmo assim, assinou os documentos. Naquela mesma noite, os pais de Michael deram uma festa de arromba para anunciar formalmente o noivado e o casamento.

Sete meses depois, Annie e Michael estavam casados. Passaram a lua de mel na Grécia e na Turquia. Ao voltar para Baltimore, se mudaram para uma casa a menos de dois quarteirões de onde os pais de Michael moravam. Embora não precisasse trabalhar, Annie começou a lecionar para o segundo ano do ensino fundamental em uma escola do centro da cidade. Surpreendentemente, Michael deu total apoio à sua decisão, mas seu relacionamento era assim na época. Nós dois primeiros anos de casamento, tudo parecia perfeito: nos fins de semana, ela e Michael passavam horas na cama, conversando e fazendo amor, e ele compartilhava com a esposa seus sonhos de um dia entrar para a política. Tinham um amplo círculo de amigos, composto principalmente por pessoas que Michael conhecia desde a infância, e sempre havia uma festa para ir ou uma viagem de fim de semana para fazer. Passavam o que lhes restava de tempo livre em Washington, indo a museus, teatros e conhecendo pontos turísticos. Foi num passeio desses, quando estavam dentro do monumento em homenagem a Abraham Lincoln, que Michael disse a Annie que estava pronto para começar uma família. Ela o abraçou assim que ouviu suas palavras, sabendo que nada que ele pudesse ter dito a teria deixado mais feliz.

Quem pode explicar o que aconteceu depois daquele dia tão feliz? Vários meses se passaram sem que Annie engravidasse. O médico lhe disse para não se preocupar, que às vezes demorava um pouco depois que se parava de tomar a pílula, mas sugeriu que voltassem a procurá-lo no final do ano, caso ainda estivessem tendo problemas.

O fim do ano chegou e eles ainda estavam com problemas, então marcaram alguns exames. Assim que os resultados saíram, eles foram conversar com o médico. Quando se sentaram em frente a ele, Annie imediatamente soube que havia algo errado.

Foi naquele dia que ela descobriu que não ovulava.

Uma semana mais tarde, Annie e Michael tiveram sua primeira briga séria. Michael demorou para chegar do trabalho e Annie passou horas andando de um lado para outro à sua espera, perguntando-se por que ele não tinha ligado e imaginando que alguma coisa horrível tivesse acontecido.

Quando ele finalmente chegou, estava bêbado e ela, histérica. “Você não é minha dona”, foi toda a explicação que deu, e daquele ponto o bate-boca se inflamou depressa. No calor da briga, ambos disseram coisas horríveis. Horas depois, Annie estava arrependida e Michael pedia desculpas. Depois disso, porém, ele começou a parecer mais distante, mais reservado. Quando a esposa o pressionava, ele negava que seus sentimentos por ela tivessem mudado. “Vai ficar tudo bem”, dizia, “nós vamos superar isso.”

Pelo contrário: a relação dos dois foi ficando cada vez pior. A cada mês que passava, as brigas ficavam mais frequentes e a distância entre eles, maior. Certa noite, quando ela tornou a sugerir que eles poderiam adotar uma criança, Michael simplesmente descartou a sugestão: “Meus pais não vão aceitar.”

Naquela noite, parte de Annie teve certeza de que seu casamento enveredara por um caminho sem volta. Não foram as palavras dele que a fizeram entender isso, tampouco o fato de ele parecer estar tomando o partido dos pais. Foi a expressão no rosto dele — uma expressão que a fez perceber que Michael de repente parecia considerar aquilo um problema dela, não do casal.

Menos de uma semana depois, Annie encontrou Michael sentado à mesa de jantar com uma garrafa de whisky ao seu lado. Pela expressão nos olhos do marido, ela percebeu que não era a primeira dose que ele tomava. Ele queria se divorciar, falou; tinha certeza de que ela entendia. Quando ele terminou de falar, Annie se descobriu incapaz de formular qualquer resposta, mas também não queria responder nada.

Seu casamento havia acabado. Durara menos de três anos. Annie estava com 24.

Os doze meses seguintes passaram num borrão. Todo mundo queria saber o que havia acontecido, mas, exceto pela família, Annie não contou a ninguém. “Não deu certo”, era tudo o que dizia sempre que alguém perguntava. 

Como não sabia mais o que fazer, Annie continuou a lecionar. Também fazia terapia duas horas por semana com uma médica maravilhosa chamada Sylvia. Quando esta recomendou um grupo de apoio, Annie foi a algumas reuniões. Ficava lá basicamente ouvindo as histórias dos outros e acreditava estar melhorando. Às vezes, porém, sentada sozinha no pequeno apartamento em que morava, sua realidade se abatia sobre ela e Annie recomeçava a chorar e não conseguia parar por muitas horas. Durante uma das piores fases, chegou a pensar em se matar. Nunca revelou isso a ninguém — nem à terapeuta, nem a sua família. Foi nessa época que percebeu que precisava sair de Baltimore, que precisava recomeçar sua vida em outro lugar. Um lugar onde as lembranças não fossem tão dolorosas, um lugar onde nunca houvesse morado.

Agora, percorrendo as ruas de New Bern, Annie fazia o possível para tocar sua vida adiante. Às vezes ainda era uma luta, mas não tão difícil quanto já tinha sido. Os pais a apoiavam à sua maneira — o pai não comentava o assunto, a mãe recortava artigos de jornal sobre os últimos avanços da medicina. Seu irmão, Chaz, contudo, tinha sido uma verdadeira boia salva-vidas antes de partir para cursar o primeiro ano na Universidade da Carolina do Norte.

Como a maior parte dos adolescentes, ele às vezes parecia distante e retraído, mas também sabia ouvi-la demonstrando atenção e se mostrava disponível sempre que Annie precisava conversar. Agora que ele estava longe, Annie sentia sua falta. Os dois sempre tinham sido muito próximos: lhe dar comida sempre que a mãe deixava. Quando ele entrou para a escola, Annie o ajudava com os deveres de casa. Estudando com ele, ela havia descoberto que queria ser professora.

Era uma decisão da qual jamais se arrependera. Amava lecionar, amava trabalhar com crianças. Sempre que entrava em sala e via trinta carinhas ansiosas erguidas na sua direção, tinha certeza de que escolhera a carreira certa. No início, como a maioria dos jovens professores, era idealista e imaginava que conseguiria estimular qualquer criança, desde que insistisse o bastante. Para sua tristeza, descobrira que não era assim. Por mais que se esforçasse, por algum motivo certas crianças permaneciam alheias a qualquer coisa que ela fizesse. Essa era a pior parte do trabalho, a única que às vezes tirava o sono, mas nunca a impedia de tentar outra vez. 

Annie enxugou o suor da testa, feliz pelo calor finalmente estar diminuindo. O sol já ia mais baixo no horizonte, alongando as sombras ao redor. Quando ela passou pelo corpo de bombeiros, dois brigadistas sentados em cadeiras de jardim manearam a cabeça. Ela sorriu. O final da tarde não devia ser horário para incêndio por ali. Pelo menos, fazia quatro meses que ela passava ali por volta da mesma hora e via aqueles bombeiros sentados exatamente no mesmo lugar. New Bern.

Percebeu que sua vida tinha ficado incrivelmente simples desde que se mudara para lá. Embora às vezes sentisse falta da energia da cidade grande, precisava admitir que diminuir o ritmo tinha lá suas vantagens. Durante o verão, passara longas horas explorando os antiquários do centro ou simplesmente admirando os veleiros atracados atrás do Sheraton. Mesmo agora, que as aulas haviam começado, nunca precisava correr para fazer nada. Trabalhava, caminhava e, tirando as visitas aos pais, passava a maior parte das noites sozinha, ouvindo música e revendo os planos de aula. E, para ela, estava ótimo.

Ainda mais precisava repensar algumas coisas em seu planejamento para as aulas. Desde que começara o ano letivo, tinha descoberto que muitos alunos não estavam tão adiantados quando deveriam nas matérias principais, e precisara diminuir um pouco o ritmo e fazer revisões. Não ficara espantada com isso: cada escola avançava em um ritmo diferente. Imaginava, porém, que no final do ano a maioria da turma acabaria atingido o nível esperado. Mas um aluno em especial a estava deixando preocupada.

Eddy Bieber.

Ele era um menino bonzinho: tímido, quieto, o tipo de criança fácil de passar despercebida. No primeiro dia de aula, ficara sentado nos fundos da sala e respondera educadamente às suas perguntas, mas, depois de trabalhar em Baltimore, ela havia aprendido a prestar atenção em alunos assim. Às vezes seu comportamento não significava nada em especial; outras vezes, indicava que a criança estava tentando se esconder. Depois de pedir à turma para entregar o primeiro dever de casa, ela fizera uma anotação mental para verificar com cuidado o de Eddy. Não foi necessário.

O dever — um parágrafo curto sobre alguma coisa que os alunos tivessem feito no verão anterior — era uma forma de Annie avaliar rapidamente a capacidade de redação das crianças. A maioria das redações trazia o esperado: algumas palavras com erros de ortografia, pensamentos incompletos e caligrafia desleixada, mas o trabalho de Eddy havia se destacado pelo simples fato de o menino não ter feito o que a professora pedira. Ele havia escrito seu nome no canto superior do papel, mas, em vez de redigir um parágrafo, desenhara a si mesmo pescando em um barquinho. Quando ela lhe perguntara por que não tinha feito o que pedira, Eddy havia explicado que a Sra. Hayes sempre o deixava desenhar por que “eu não sei escrever muito bem”.

O alarme na mente de Annie disparou na mesma hora. Ela sorriu e se abaixou para ficar mais próxima dele. “Pode me mostrar como você escreve?”, pediu. Depois de um longo intervalo, Eddy assentiu com relutância.

Enquanto os demais alunos iniciavam outra atividade, Annie ficou sentada ao lado de Eddy vendo que ele dava o melhor de si. Mas logo percebeu que era inútil: o menino não sabia escrever. Mais tarde nesse dia, descobriu que ele praticamente também não sabia ler. Tampouco se saía bem em matemática. Caso nunca o tivesse visto e precisasse avaliar em que série ele estava, Annie teria dito que era no início do jardim de infância.

A primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi que o menino tinha uma deficiência de aprendizado, talvez dislexia. Depois de passar uma semana com ele, porém, não achou mais que fosse o caso. Ele não misturava letras nem palavras, e entendia tudo o que ela lhe dizia. Quando Annie lhe mostrava alguma coisa, sua tendência era fazê-la corretamente dali em diante. O problema, imaginou ela, vinha do simples fato de os outros professores nunca terem exigido que o menino fizesse os trabalhos.

Quando levantou a questão com um ou dois colegas, ficou sabendo sobre a mãe de Eddy. Embora tivesse se solidarizado com a situação, sabia que não era bom para ninguém — muito menos para o menino — simplesmente deixá-lo ficar para trás, como tinham feito seus antigos professores. Ao mesmo tempo, Annie tinha outros alunos e não poderia dar a Eddy toda a atenção de que ele precisava. No final das contas, resolveu chamar o pai do garoto para conversar, na esperança de que juntos pudessem achar uma solução.

Já tinha ouvido falar em Justin Bieber.

Não muito, mas sabia que, de modo geral, as pessoas gostavam dele e o respeitavam. Acima de tudo, ele parecia se importar com o filho. Isso já era um bom ponto de partida. Ainda que tivesse pouco tempo de profissão, Annie já conhecera pais que não se preocupavam com os filhos, que os consideravam mais um fardo do que uma bênção, e conhecera também pais que defendiam os filhos a ponto de acreditar que eles fossem incapazes de cometer qualquer erro. Ambos eram impossíveis de se lidar. Mas, pelo que ouvira dizer, Justin Bieber não era assim.

Na esquina seguinte, Annie finalmente diminuiu o passo, depois esperou que os dois carros passassem. Atravessou a rua, acenou para o balconista da farmácia e pegou a correspondência antes de subir a escada até seu apartamento. Depois de destrancar a porta, passou os olhos rapidamente pelos envelopes e os deixou sobre o aparador junto à entrada.

Na cozinha, serviu-se um copo de água gelada e o levou até o quarto. Estava se despindo, jogando as roupas no cesto e sonhando com uma ducha fria quando viu a luzinha da secretária eletrônica piscar. Apertou o play e ouviu a voz da mãe lhe dizendo que seria um prazer receber uma visita sua mais tarde, se ela não tivesse outro compromisso. Como de hábito, a voz da mãe soava levemente ansiosa.

Sobre a mesa de cabeceira, ao lado da secretária, Annie tinha posto uma fotografia da família: Maureen e Larry no meio, ladeados por ela e Chaz. A secretária emitiu um clique e começou a reproduzir um segundo recado,  também dê sua mãe. “Ah, achei que você já tivesse chegado...”, começou ela. “Espero que esteja tudo bem...”

Será que deveria ir visitá-los ou não? Estaria mesmo disposta? Por que não? Não tenho mais nada para fazer mesmo.

                    ~∞~

Justin Bieber estava descendo a Madame Moore's Lane, uma estrada estreita e sinuosa que margeava o rio Trent e o córrego Brices desde o centro de New Bern até Pollocksville, um pequeno povoado 20 quilômetros ao sul. O nome da estrada era uma referência à antiga proprietária de um dos mais famosos bordéis da Carolina do Norte.

Apesar da beleza e do relativo isolamento, a estrada era perigosa. Caminhões pesados carregados com toras de madeira passavam ruidosamente por ali dia e noite e os motoristas tinham tendência a avaliar mal as curvas. Como sua casa ficava em um dos bairros à margem da estrada, Justin vinha tentando baixar o limite de velocidade ali havia anos.

Ninguém nunca lhe dera ouvidos, exceto Juliette. 

Aquela estrada sempre o fazia pensar nela.

Justin tirou outro cigarro do maço, acendeu-o e baixou o vidro. Quando a brisa morna soprou para dentro do carro, imagens da vida simples que os dois levavam surgiu em sua mente. Como sempre, no entanto, elas o levaram a seu último dia juntos.

Por ironia, apesar de ser domingo, Justin havia passado a maior parte do dia foram, pescando com Ryan Butler. Saíra cedo e, embora tanto ele quanto Ryan tivessem voltado para casa com peixes, isso não bastara para apaziguar Juliette. Com o rosto todo sujo de terra, ela pôs as mãos no quadril e o encarou com um olhar zangado assim que ele pisou em casa. Não falou nada, mas nem precisava. Seu olhar já dizia tudo.

O irmão e a cunhada de Juliette iriam chegar de Atlanta no dia seguinte e ela passara o dia arrumando a casa e tentando aprontá-la para os hóspedes. Eddy estava de cama, gripado — o que não falicitava em nada as coisas, uma vez que ele precisava cuidar dele também. Mas não era por isso que Juliette estava brava, o motivo da zanga era o próprio Justin.

Embora tivesse dito que não se importaria se Justin fosse pescar, ela lhe pedira que desse uma jeito no quintal no sábado para não ter que se preocupar com isso também. Só que no sábado ele tivera que trabalhar e, em vez de ligar para Ryan e desmarcar a pescaria, decidira ir pescar no domingo mesmo assim.

Ryan passara o dia inteiro fazendo gracinhas — “Vai ter que dormir no sofá hoje à noite” — e Justin sabia que ele provavelmente tinha razão. Mas dar um jeito no quintal era dar um jeito no quintal e pescaria era pescaria — e, para ser sincero, Justin sabia que nem o irmão de Juliette nem a esposa dele iriam ligar a mínima se houvesse algumas ervas daninhas crescendo no jardim.

Além disso, ele poderia dar conta de tudo quando voltasse e era o que pretendia fazer. Não tinha a intenção de passar o dia inteiro fora. No entanto, como em muitas das suas pescarias, uma coisa tinha levado a outra e ele perdera a noção da hora. Apesar disso, tinha preparado o que diria à esposa: “Nao se preocupe, vou arrumar tudo, nem que leve o resto da noite e precise de uma lanterna.” Poderia ter funcionado, bastaria que ele tivesse avisado à mulher antes de sair. Só que ele havia esquecido e, ao chegar em casa, Juliette já tinha feito a maior parte do trabalho. A grama estava aparada; o caminho de pedestres, livre de plantas,  e ela havia plantado amores-perfeitos em volta da caixa de correio. Devia ter levado horas. Dizer que estava brava era pouco. Nem mesmo “uma fera” seria suficiente. Era a diferença entre um fósforo aceso e um incêndio na floresta, Justin sabia. Já tinha visto aquela expressão algumas vezes ao longo de seu casamento, mas só umas poucas. Engoliu em seco. Lá vamos nós.

— Oi, amor — falou envergonhado. —Desculpe por ter chegado tão tarde. A gente perdeu a noção da hora.

Quando ele estava prestes a iniciar o discurso que ensaiara, Juliette lhe virou as costas e falou por cima do ombro:

— Vou sair para dar uma corrida. Disso você pode dar conta, não pode? — falou, apontando para a grama cortada que precisava ser varrida do caminho de pedestres e da entrada de carros.

Justin teve o bom senso de não responder.

Depois de ela entrar para trocar de roupa, Justin pegou o cooler na mala do carro e o levou até a cozinha. Ainda estava colocando os peixes na geladeira quando Juliette saiu do quarto.

— Estava só guardando o peixe...— Começou ele, e Juliette contraiu o maxilar.

— E aquilo que eu pedi para você fazer?

— Eu vou fazer...Só vou terminar isto aqui, para não estragar.

Juliette revirou os olhos.

— Esqueça. Eu faço quando voltar.

A voz de mártir. Justin não suportava aquilo.

— Eu faço — disse ele.— Eu disse que ia fazer, não disse?

— Do mesmo jeito que disse que daria um jeito no gramado antes de sair para pescar?

Ele deveria simplesmente ter ficado quieto. Sim, ele havia passado o dia pescando em vez de ajudar em casa; sim, tinha deixado Juliette na mão. No entanto,  dentro do contexto geral, aquilo não era tão importante assim, era? Afinal de contas, eram só o irmão e a cunhada dela. Não era o presidente que estava indo visitá-los. Não havia motivo nenhum para perder a razão por causa daquilo.

Sim, ele deveria mesmo ter ficado na dele. A julgar pelo jeito como Juliette o olhou depois de ele falar, teria sido melhor. Quando ela bateu a porta ao sair de casa, Justin chegou a ouvir as vidraças balançarem.

Algum tempo depois de ela sair, porém, percebeu que tinha errado e se arrependeu. Fora um idiota e ela estava certa por ter chamado sua atenção.

Só que ele nunca teria a oportunidade de pedir desculpas.

                      ~∞~

— Continua fumando, é?

Ryan Butler, delegado do condado, olhou para o amigo enquanto Justin se sentava.

— Eu não fumo — respondeu depressa.

Ryan ergueu as duas mãos.

— Eu sei, eu sei...Você já me disse. Se quiser ficar se enganando, por mim tudo bem. Mas mesmo assim eu vou pegar os cinzeiros quando você aparecer lá em casa.

Justin riu. Ryan era uma das poucas pessoas da cidade que ainda o tratavam do mesmo jeito de sempre. A amizade deles era antiga. Fora Ryan quem sugerira a Justin virar policial e havia se tornado seu mentor assim que Justin terminara a formação. Era mais velho — iria completar 29 anos em março do ano seguinte. Não era o tipo de delegado que intimidava as pessoas à primeira vista, mas era observador,  zeloso e  sempre conseguia as respostas que buscava. Nas últimas três eleições, ninguém nem sequer se dera o trabalho de concorrer com ele.

— Mas só vou lá se você parar com essas acusações ridículas — rebateu Justin.

Os dois estavam sentados a uma mesa de canto reservada. A garçonete, atarefada com o movimento do horário de almoço, largou uma jarra de chá e dois copos com gelo em frente aos dois e foi atender o próximo cliente. Justin serviu o chá e empurrou um copo na direção do amigo. 

— Caitlin vai ficar triste — comentou Ryan. — Você sabe que ela tem crise de abstinência quando você passa muito tempo sem levar o Eddy lá em casa — falou, e tomou um gole da bebida. — Então, animado para conversar com Annie hoje? 

Justin ergueu os olhos.

— Com quem?

— A professora do Eddy.

— Foi sua mulher quem comentou?

Ryan deu um sorrisinho maroto. Caitlin trabalhava no gabinete do diretor da escola e parecia estar sempre a par de tudo o que acontecia por lá.

— Claro.

— Qual é mesmo o nome dela?

— Caitlin — respondeu Ryan, seríssimo.

Justin o encarou e Ryan fez ar de desentendido.

— Ah...da professora, você quer dizer? Annie. Annie Wood.

Justin tomou um gole de chá.

— Ela é boa professora? — perguntou.

— Acho que sim. Caitlin disse que ela é ótima e que as crianças a adoram, mas Caitlin acha todo mundo ótimo — falou, então se inclinou para a frente como quem fosse contar um segredo. — E ela comentou que Annie é bem bonita. De parar o trânsito, se é que você me entende.

— E o que isso tem a ver com o assunto?

—  E também falou que ela é solteira.

— E daí?

— Nada. 

Ryan abriu o pacotinho de açúcar e o despejou dentro do chá já adoçado. Deu de ombros.

— Estou só contando o que a Caitlin falou.

— Ah, que bom — retrucou Justin. — Muito agradecido. Não sei como eu teria conseguido passar o dia sem o último relatório da Caitlin.

— Ah, Justin, relaxe. Você sabe que ela vive procurando alguém para você.

— Diga a ela que estou bem assim.

— Eu sei que você está, caralho. Mas a Caitlin se preocupa. Aliás, ela também sabe que você fuma.

— Eu vim aqui só para você encher o meu saco ou tinha algum outro motivo para querer me ver?

— Na verdade,  tinha sim. Mas precisava prepará-lo direito para você não surtar.

— Que papo é esse? 

Na mesma hora em que ele fez a pergunta, a garçonete pôs em cima da mesa dois pratos de churrasco com salada de repolho e bolinhos de milho o pedido habitual dos dois, e Ryan aproveitou para organizar seus pensamentos. Pôs mais vinagrete em cima da carne e temperou a salada com um pouco de pimenta. Depois de  decidir que não havia jeito fácil de dizer aquilo, simplesmente falou: 

— Harvey Wellman decidiu retirar a queixa contra Christian Beadles.

Harvey Wellman era o promotor público do condado de Craven. Havia falado com Ryan naquela mesma manhã e se oferecido para conversar com Justin, mas Ryan considerara melhor ele mesmo se encarregar do assunto.

Justin ergueu os olhos para o amigo.

— Como é que é?

— O caso não se sustentava. Parece que Beck Swanson de repente teve uma amnésia em relação ao que aconteceu.

— Mas eu estava lá...

— Você chegou depois. Não viu o que aconteceu.

— Mas vi o sangue. Vi a cadeira e a mesa quebradas no meio do bar. Vi as que tinham  se juntado.

— Eu sei, eu sei. Mas o que Harvey podia fazer? Beck jurou de pés juntos que tinha caído, que Christian não tocou nele. Disse que estava meio confuso naquela noite, mas que agora se lembra de tudo.

Justin de repente perdeu a apetite e empurrou o prato para o lado.

— Se eu fosse lá de novo, tenho certeza de que poderia encontrar alguém que viu o que aconteceu.

Ryan fez que não com a cabeça.

— Sei que isso incomoda você, mas de que iria adiantar? Você sabe quantos irmãos do Christian estavam lá naquela noite. Eles também diriam que nada aconteceu...E, vai saber, talvez os verdadeiros responsáveis tenham sido eles. Sem o depoimento de Beck, o que Harvey poderia ter feito? Além do mais, você sabe como Christian é. Ele vai fazer alguma outra coisa, é só questão de tempo.

— É isso que me preocupa.

Justin e Christian tinham uma longa história. A desavença há ia começado oito anos antes, quando Justin se tornara policial. Ele prendera o pai de Christian, Nathaniel Beadles, por agressão, depois que jogara a esposa pela porta de tela do trailer em que moravam. Nathaniel havia cumprido pena — embora não tão longa quanto deveria ter sido — e, ao longo dos anos, cinco de seus seis filhos também haviam passado algum tempo na prisão por crime que iam de tráfico de drogas a roubo de carros, passando por agressão. 

Para Justin, Christian era o mais  perigoso  de todos pelo simples fato de ser o mais inteligente.

Desconfiava de que Christian não fosse apenas adepto de pequenos delitos, como o restante da família. Para começar, sua aparência física não condizia com isso. Ao contrário dos seus irmãos, ele evitava as tatuagens e mantinha os cabelos cortados. Havia ocasiões em que chegava a arrumar emprego fazendo serviços braçais. Não tinha cara de marginal, mas as aparências enganam. Seu nome estava vinculado a vários crimes e os moradores da cidade muitas vezes especulavam que ele administrava a entrada de drogas no condado, embora Justin não tivesse como provar isso. Para sua grande frustração, nenhuma das batidas policiais jamais dera em nada.

Christian tinha uma rixa pessoal.

Justin só entendeu isso de fato depois que Eddy nasceu. Tinha prendido três dos irmãos de Christian após uma briga durante uma reunião de família. Uma semana depois, Juliette estava na sala ninando o filho, então com quatro meses, quando alguém jogou um tijolo através da janela. Os dois quase foram atingidos e um caco de vidro feriu a bochecha do bebê. Embora não pudesse provar. Justin sabia que Christian era o responsável por aquilo e apareceu na casa dos Beadles — um conjunto de trailers decrépitos dispostos em semicírculos nos arredores da cidade — com três outros policiais de armas em punho. Os Beadles não apresentaram resistência e, sem  dizer nada, estenderam as mãos para serem algemados e levados à delegacia.

No final das contas, por falta de provas, ninguém foi indicado. Justin ficou uma fera. Depois que os Beadles foram  liberados, confrontou Harvey Wellman em frente à sala do promotor. Os dois bateram boca e quase saíram no braço, até que carregaram Justin de lá. 

Nos anos subsequentes, houvera outros episódios: tiros disparados na proximidade da sua casa, um incêndio misterioso na garagem, coisas que mais faziam pensar em brincadeiras de adolescentes. No entanto, nesses casos também, sem testemunhas não havia nada que Justin pudesse fazer. Desde a morte de Juliette, tudo andava relativamente tranquilo.

Até a última prisão. 

Ryan parou de olhar para o próprio prato e encarou o amigo com uma expressão séria.

— Escute, você e eu sabemos que ele tem culpa no cartório, mas nem pense em cuidar disso sozinho. Não vai querer que as coisas saiam do controle como da outra vez. Você agora tem que pensar no Eddy, e nem sempre está por perto para proteger o menino.

Justin olhou pela janela enquanto o amigo continuava a falar:

— Olhe aqui...Ele vai fazer alguma outra besteira e, se o caso se sustentar, eu vou ser o primeiro a indiciar o cara. Você sabe disso. Mas não vá sair por aí atrás de confusão. Esse cara é perigoso. Fique longe dele.

Justin não reagiu.

— Deixe isso quieto, entendeu?

Ryan agora não estava falando apenas como amigo, mas também como chefe.

— Por que está me dizendo isso?

— Acabei de explicar o porquê.

Justin avaliou o amigo com atenção.

— Mas tem mais coisa, não tem?

Ryan encarou Justin nos olhos por um longo tempo.

— Christian disse que você foi meio truculento na hora da prisão. Ele prestou queixa...

Justin deu um soco na mesa e o barulho ecoou pelo restaurante. Os clientes ao lado se sobressaltaram e se viraram para olhar, mas ele nem reparou. 

— É mentira!

Ryan ergueu as mãos para fazê-lo parar.

— Eu sei, porra, e disse isso para Harvey. Ele não vai fazer nada em relação à queixa. Mas você e ele não são exatamente os melhores amigos do mundo e ele sabe como você fica quando se exalta. Mesmo que não vá registrar a queixa, ele não acha impossível que Christian esteja dizendo a verdade e me mandou avisar você de que mantivesse distância.

— Então o que eu faço se vir Christian comentendo um crime? Olho para o outro lado?

— Não, caralho! Deixe de ser bobo. Caio na sua pele se você fizer isso. Só fiquei longe por um tempo, até que a poeira baixar, a menos que não tenha alternativa. Estou dizendo isso para o seu próprio bem, entendeu?

Foi preciso algum tempo antes que Justin finalmente respondesse.

— Tudo bem — suspirou.

Mas ele tinha certeza de que a história entre ele e Christian ainda não havia terminado.


Notas Finais


Espero de coração que tenham gostado do capítulo. ♡

Ficou grandão auhsuhu terão muitos capítulos como este.

Que vocês quiserem falar comigo aqui está meu twitter Confira maduzinha (@Madudobonde): https://twitter.com/Madudobonde?s=09 estou também pela timeline

Até o próximo capítulo, amores.


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