História A Dama da Noite - Capítulo 39


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Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Afrânio Cavalcante, Aurélio Cavalcante, Camilo Sampaio Bittencourt, Ema Cavalcante, Ernesto Pricelli, Jane Benedito, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café"
Tags Aurieta
Visualizações 227
Palavras 1.543
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 39 - Incertezas


Fanfic / Fanfiction A Dama da Noite - Capítulo 39 - Incertezas

Camilo tinha os olhos escondidos por trás dos óculos escuros que usava e suas mãos estavam pousadas com cuidado em suas pernas. O carro se movia com rapidez e ele sentia os trancos em seu quadril, que faziam com que seu corpo encostasse no da mãe, que, em silêncio, parecia concentrada na paisagem.

- Não entendo porque não ficaremos no hotel que Darcy recomendou. – Camilo sussurrou, certificando-se que o homem que ocupava o banco da frente não o ouvia.

Julieta virou o rosto para encará-lo pela primeira vez desde que entraram no carro. Tentou evitar olhá-lo. Sentia sua respiração agitada e seu corpo inquieto, amedrontado por aquela viagem, que seria a primeira depois do acidente que sofrera. Não queria se dar conta da tensão que carregava em seus ombros, porque sabia que ele não permitiria que o consolasse da forma que gostaria.

- Aurélio foi muito gentil em nos hospedar em sua casa. – Julieta disse, no mesmo tom. Sua voz escondia uma angústia que não podia demonstrar. Escondia a mãe assustada e aflita pelo medo de um filho que se recolhia diante de seus cuidados.

- Não gostaria de incomodá-lo. – Camilo explicou com seu humor irritadiço.

Aurélio, que ouviu a conversa baixa, virou o rosto para encarar mãe e filho que ocupavam o banco de trás do carro alugado.

- Camilo, por favor, não será incomodo algum. – Aurélio o tranquilizou com um sorriso, ao mesmo tempo que espiava Julieta discretamente. – Tenho um compromisso na capital, de qualquer maneira. Faremos companhia um ao outro.

Camilo sorriu de forma cortês, encorajando Aurélio a voltar seu olhar para a estrada, ajudando o motorista que não conhecia bem o caminho.

- Sei que você se tornou próxima dos Cavalcante agora que ensina Ema, mas não sabia que os laços com Aurélio estavam assim tão estreitos. – Camilo sussurrou, aproveitando que Aurélio conversava com o motorista.

Julieta soltou um suspiro impaciente, ao mesmo tempo que sentia-se corar.

- Nossas famílias são velhas conhecidas, não podemos ignorar que seu pai era sobrinho de Afrânio, pai de Aurélio. Essas relações são mantidas.

Camilo deu de ombros e Julieta o encarou de forma discreta.

- Você está bem? – Ela perguntou cuidadosamente.

- Por que não estaria? – Camilo a encarou com um sorriso exagerado e artificial. – Estamos a caminho de um contrato que poderá nos tirar da miséria. Isso é um bom motivo para se estar bem.

***

O motorista levou as duas malas, deixando-as no centro da sala, onde uma empregada os esperava com um sorriso simpático. Aurélio agradeceu o homem, que aceitou a gorjeta e saiu. Julieta sorriu quando, gentilmente, Aurélio ajudou Camilo a descer os degraus com a cadeira e o agradeceu com um sussurro discreto.

- Que bom que o senhor veio. – Lorena exclamou. Aurélio se aproximou para abraçá-la, depositando um beijo carinhoso em seu rosto. A senhora, que pareceu constrangida, tentou sorrir.

- Esses são uns amigos do Vale. – Aurélio explicou. – Lorena trabalhou com meu pai por muitos anos e agora trabalha para mim.

- E o senhor quase nunca vem. – Lorena disse com reprovação. – É um prazer recebê-los. Chamarei Mauro para que leve as bagagens.

- Não há necessidade. – Julieta tentou dizer, mas um homem alto e jovem já se aproximava, carregando as bagagens dela e de Camilo para os quartos de hospedes.

- Aurélio, é realmente muita gentileza sua nos convidar para ficar aqui. – Camilo disse, por fim. – Não pretendemos passar mais do que um dia, que será necessário para que assinemos o contrato.

- Não quero que se preocupem. Fiquem o tempo que precisarem e quiserem. Como Lorena disse, essa casa está mesmo precisando de visitantes.

- Fico grato. – Camilo disse. Seu tom formal o deixava gracioso, Julieta pensou.

- Lorena o acompanhará, para que se refresque. Mandei arrumar um quarto no andar de baixo. – Aurélio disse. Julieta conteve um suspiro de admiração e gratidão. Sabia que Camilo odiaria ter que pedir ajuda para subir aquela enorme escadaria e aquele gesto parecia facilitar tudo.

Com um movimento leve com a cabeça, Camilo aceitou que Lorena o guiasse até o seu quarto. Depois de pedir licença para o anfitrião, e olhar discretamente em direção à mãe, ele se afastou, recusando a ajuda da empregada que tentou empurrar a cadeira.

Julieta o viu se afastar, perdendo-se pelo corredor estreito de uma pequena sala do lado do escritório de Aurélio e, finalmente, soltou o ar que guardava.

Aurélio, notando seu desconforto e tensão, se aproximou, segurando em suas mãos frias e apertando-as.

- Está tudo bem? – Ele perguntou. Julieta balançou a cabeça afirmando, ao mesmo tempo que suspirava.

- Queria que tudo fosse diferente. – Ela desabafou.

Aurélio entendeu. Ela se referia a Camilo, à forma como ele a tratava. Notava que ela tentava parecer distante e inatingível, mas sentia sua dor ao receber a frieza do filho, mesmo que ela viesse em uma necessidade desesperada e inexplicável de atingi-la.

- Eu preciso me aprontar. – Julieta disse, soltando-se de Aurélio. Sempre que se mostrava descuidadamente vulnerável, tinha o súbito impulso de mudar o foco da conversa, esquivando-se da forma que podia. – A reunião será em duas horas.

Lorena, que voltava, foi cordial ao se oferecer para levá-la até seu aposento.

- Bem, espero que esteja de seu agrado. – Lorena disse, quando Julieta entrou no quarto. Seu olhar era curioso, mas ela o conteve.

- Está ótimo. Obrigada.

- Posso fazer algo mais pela senhora?

- Não, estou bem. Não precisa se preocupar conosco. Não queremos dar trabalho.

- Não será trabalho nenhum, pelo contrário. É realmente um prazer recebê-los. Essa casa fica tão vazia, é bom ter alguém a quem servir.

- Aurélio prefere Londres, não é?

- Sim, o que lamento muito. Mas confesso ter esperança de que ele decida voltar a viver no Brasil. Londres é tão distante...

- Sei que Ema prefere ficar.

- Verdade? – O sorriso de Lorena se iluminou e Julieta se arrependeu de ter lhe contado, sentindo-se uma intrometida. – Ema é uma garota de atitude. Ela vem tentando convencer o pai a ficar, mas ele é teimoso.

- A senhora o conhece bem, não é? – Julieta perguntou.

- Desde que era um menino. – Lorena sorriu. – Ele sempre teve opiniões fortes e um temperamento único, mas, depois da morte da esposa e do pai, se tornou muito difícil. Duro. Parece que tenta se punir. – Lorena suspirou. – A ideia de viver em Londres é uma dessas punições. Parece querer se afastar de todos, manter-se isolado, sentindo a própria dor.

- Por que ele se puniria? – Julieta perguntou, sem conter a curiosidade.

Lorena ficou em silêncio, como se refletisse se deveria ou não responder àquela pergunta. Ao levantar o olhar, encontrou nos olhos de Julieta uma curiosidade genuína e até certa preocupação e se desarmou. Sabia que Julieta era viúva de um primo de quem ouvira muito falar e imaginava que aquela aproximação se tratava de uma provável restauração de laços, que, sabia, Aurélio precisava desesperadamente.

- Ele e o pai tiveram um relacionamento muito difícil. – Lorena disse, por fim. – Aurélio sempre o criticou muito, não entendia suas atitudes, seu comportamento. Afrânio era um homem bondoso e essa bondade sempre o deixou em maus lençóis. Aurélio tentou protegê-lo sendo o oposto do que era, sendo tão contrário às suas atitudes. Infelizmente, quando o senhor Afrânio morreu, eles estavam mais estremecidos do que nunca e, bem, Aurélio não se perdoou.

Julieta ficou em silêncio, sentindo-se tocada por aquele relato. Sabia que havia algo na postura de Aurélio que denunciava um recolhimento inegável, mas não imaginou que se tratasse do pai, e sim da esposa.

- E quanto a sua esposa? – Julieta perguntou. Ao mesmo tempo que as palavras saíram, se amaldiçoou por não contê-las. Sentiu como se invadisse a privacidade de Aurélio.

- Stella era uma boa mulher. E, mesmo que sua morte tenha sido prematura, acho que não maltratou tanto Aurélio como a morte do pai fez. – Lorena suspirou. – Mas, bem, ele me pareceu bem mais animado do que da última vez que esteve aqui. Parece que, finalmente, tem começado a se perdoar. Me pergunto se há alguém o ajudando nisso... – Lorena disse pensativa.

Julieta, se calou, sentindo seu rosto ficar vermelho e seu coração bater mais rápido do que antes. Lorena, que parecia distraída, voltou a endireitar a postura, ficando séria.

- Ah, dona Julieta, me desculpe. Meu filho diz que falo muito e, de fato, concordo com ele em algumas ocasiões. – A senhora riu de forma nervosa. – Sinto muito incomodá-la dessa forma. Eu nem deveria estar dizendo essas coisas.

- Não se preocupe. Eu perguntei. – Julieta sorriu, tentando acalmá-la.

- Ah, não comente com ninguém que lhe contei, por favor. Aurélio é muito discreto.

Enquanto se arrumava para a reunião com Darcy, Julieta refletiu sobre o que a empregada lhe contara. Imaginou Aurélio, sofrendo de um remorso doloroso, que o endureceu e o deixou tão fechado no próprio mundo, obrigando-se a uma reclusão voluntária e afastando-se do lugar de onde vinha.

Ela suspirou, enquanto se encarava no espelho. As palavras de Lorena sobre Aurélio finalmente estar se recuperando, a fizeram conter um sorriso insistente que quase lhe escapou. Adoraria ser a pessoa a puxá-lo do poço fundo onde imaginou que ele pudesse estar, mesmo que, incontestavelmente, ele, nem ninguém, pudesse salvá-la do mesmo abismo.



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