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História A Dama do Vale da Névoa - Capítulo 4


Escrita por: ClarisKulaas

Capítulo 4 - A Catástrofe do Jardim


 

Terra, raízes, e restos mortais de diferentes tipos de flores estavam espalhados pelo jardim, ou melhor, por aquele campo de guerra.

Oh, e claro, a cerca de madeira detonada, que parecia zombar de Elena, completava o charme.

Elena mordeu os lábios rachados e olhou para o chão. O que fazer nesta situação? Ajoelhar e pedir perdão? Deitar e rolar?

Reunindo toda sua pouca dignidade restante, ela ergueu a cabeça e olhou para Lady Beneviento. Mas é claro que não conseguiu analisar as expressões da senhora, já estavam escondidas atrás de uma burca totalmente preta. Como ela poderia saber se teria uma morte indolor, ou uma lenta e agonizante?

O rosto coberto de Lady Beneviento se voltou para Elena, e mesmo que nenhuma palavra saísse de seus lábios a jovem se sentiu na obrigação de se explicar.. – Eu... eu... -  A pobre mulher abriu e fechou a boca repetidas vezes, na tentativa de encontrar as palavras certas.  – Eu sinto muito Lady Ben-Bene-Beneduto! – Naquele instante, toda a vida de Elena passou diante de seus olhos. Ela não morreu antes, mas agora... ah, ela iria, ela com certeza iria...

Provavelmente seria a opção dois: a morte lenta e agonizante. A morena olhou com o canto do olhou para os restos mortais do jardim e então de volta para a senhora. Destruir o jardim de uma figura que possui um vínculo muito próximo com a sacerdotisa de seu culto se classifica como sacrilégio? Elena cerrou as mãos o mais forte que conseguiu.

O olhar da mulher de preto também se voltou para o jardim, para Angie e então novamente para Elena. A pobre garota Lupu sentiu-se encolher mais a cada segundo. A única coisa que preenchia aquele silêncio constrangedor era o som da queda d’água a distância.

A senhora inclinou a cabeça para o lado e então ergueu o queixo. Enquanto isso, Elena tentava inutilmente traçar uma rota de fuga. Nenhuma das mulheres moveu um músculo ou disse uma palavra

– Donna! – A boneca, alheia a todo pânico e a todo constrangimento, cumprimentou alegremente sua senhora. – Está aqui é "Elena Lupu". – disse fazendo aspas no ar com seus dedos pequenos. – Nossa nova contratada. – Apontou para a morena. Beneviento, confusa, inclinou a cabeça novamente. – Ela é meio estúpida, mas eu gosto dela. 

Elena evitou se encolher com  os comentários da pequena e continuou assistindo a conversa unilateral entre a boneca e a outra mulher em silêncio.

– Como não precisamos de ninguém? – Questionou Angie indignada. –  É óbvio que precisamos, amiga. Semana passada eu estava andando tranquilamente pela casa quando... – começou a pequena – QUANDO UMA MALDITA TORA ME MADEIRA CAIU DO MEU LADO E QUASE ME ESMAGOU! – A boneca respirou fundo e fechou os olhos. – Eu tenho sorte de estar viva, sabia?

A jovem percebeu que Beneviento suspirou por conta do leve movimento de sua caixa torácica.

– Tem razão, tem razão... talvez ela tenha destroçado o jardim – Angie se aproximou de Elena e colocou uma das mãos pequeninas nas costas da moça. – Violentamente, devo acrescentar. – A boneca fechou os olhos contemplativa. – Mas pensa assim: se matarmos ela, além de ter que lidar com o corpo, você precisaria arrumar toda essa bagunça. E So-zi-nha. – Disse ela sílaba por sílaba enquanto gesticulava para o jardim arruinado com a outra mão.

Com a pouca coragem que lhe restava, Elena se juntou a conversa. Afinal, era a vida dela que estava sendo negociada. –  Eu posso consertar tudo, Milady. Eu já arrumei cercas antes e sou boa com plantas. – Elena endireitou as costas. – Além disso, eu faço de tudo: limpo, cozinho, organizo as coisas. Tudo. – Se gabou. – É só me dizer o que fazer, que eu faço. – Concluiu com um grande sorriso.

– Viu só. Útil e disposta – Disse Angie sorrido. – Vai Donna, dá uma chance. Se tudo dê errado, podemos trocá-la por aqueles discos que Cass encontrou com aqueles caçadores, no verão passado. – Cada vez que uma nova palavra saia da boca de Angie o sorriso de Elena diminuía. – Tenho certeza que a senhora gigantesca apoiaria...

Mais um momento de silêncio e Angie abriu a boca novamente. – Pense nisso como um... - Franziu a sobrancelha tentando encontrar o termo – Como um período de experiência! Quanto tempo demora para ajeitar tudo? Um dia? Dois?

– E nem precisa me pagar pelo conserto do jardim, minha senhora. – Falou a morena – Eu causei isso, eu arrumo. – Concluiu. Elena definitivamente não queria ser trocada por uma velha caixa de discos.

A jovem Lupu arregalou seus olhos abruptamente quando Beneviento de repente começou a caminhar com passos longo em sua direção. A morena, com medo de ofender a senhora ainda mais, ficou plantada no lugar em que estava. Ela tentou manter sua expressão firme, mas o tremor em seu lábio inferior a denunciou.

Quando a mulher velada chegou a pouco mais de trinta míseros centímetros de seu corpo trêmulo e bambo, Elena teve a necessidade de inclinar a cabeça um pouco para cima para olhar nos olhos ocultos da misteriosa dama do vale. Seus batimentos estavam tão descompassados e tão barulhentos, que Beneviento provavelmente poderia ouvir.

A dama estendeu o braço devagar e segurou, com uma gentileza inesperada a mão esquerda de Elena, que estremeceu a sentir a pele febril da mulher mais alta. A jovem engoliu em seco e abaixou o queixo para encarar sua própria mão. Um suspiro involuntário escapou de seus lábios entreabertos.

Um longo corte em diagonal percorria a palma de sua mão. A ferida sangrava levemente, como se tivesse acabado de ser reaberta. a jovem Lupu mal sentia o corte doer.

Surpreendendo Elena, Lady Beneviento retirou do bolso de seu longo vestido um pequeno lenço branco e o pressionou na lesão. A senhora apertou o pequeno pedaço de tecido contra a ferida até que o sangue parasse de escorrer. Quando ficou satisfeita, A dama limpou o resto do sangue da mão calejada da mais baixa.

Subitamente, como se um feitiço tivesse sido quebrado, Beneviento se afastou de Elena rapidamente e manteve uma distância de sete passos entre elas.

Elena piscou uma vez.

Duas vezes.

Três vezes.

O lenço ainda estava com a pobre garota Lupu, que quase não notou quando o apertou. – Hum... – Ela lambeu os lábios – Obrigada... Minha senhora – sussurrou a moça.

Lady Beneviento não se moveu.

– Donna disse que apreciaria se você consertasse o jardim e a parte da cerca que você quebrou. – Disse Angie ignorando o estranho comportamento da senhora. – Mas que voltasse somente daqui a dois dias. 

Espera aí, elas estavam se comunicando telepaticamente? Elena sacudiu a cabeça e se concentrou na boneca.

– Ela também disse que você deve chegar cedo. – continuou – E que se você se atrasar, ela cortaria sua mão e usaria de adubo para as plantas que você destruiu. – Beneviento olhou para a boneca que suspirou. – Okay, ela não disse essa última parte, mas eu apreciaria se você chegasse mais cedo. Porque assim teríamos tempo de fazer mais do que trabalhar. Você sabe brincar de esconde-esconde? É meu jogo favorito. Normalmente Cass, Bela e Dani brincam comigo, mas como ainda está frio elas não podem vir. Talvez no verão elas venham e nós cinco brincamos! Mas me lembra de avisa-las para não te comer...

Enquanto ouvia a divagação de Angie, Elena sentiu Beneviento a encarando sob o véu. Se concentrar no que a pequena dizia tornou-se uma tarefa impossível. A sensação dos olhos da senhora a observando a todo momento, deixou a morena sentindo-se estranha. Era como se a mulher de preto pudesse ler todos os seus pensamentos mais profundos sob aquele véu escuro e aquela fachada imperturbável.  

A morena apertou o lenço com mais força e tentou ignorar seu estômago revirando.

– ... E é por isso que não foi uma boa ideia me jogar na água. – A boneca concluiu seu monólogo e Elena acenou com a cabeça, esperando que aquilo não tenha sido uma pergunta.

Lady Beneviento atraiu a atenção da boneca por um instante e então se retirou. A jovem Lupu observou a estranha e misteriosa mulher velada entrar na velha mansão sombria. Seu subconsciente achou estranhamente familiar a maneira que a dama de preto caminhava.

Somente quanto teve certeza de que a senhora não retornaria, Elena abriu a boca. – Eu acho que devo ir, antes que escureça sabe?

– Já? – A boneca perguntou um pouco desanimada.

– Sinto muito, senhorita Angie, mas tenho que voltar para casa. – Se desculpou.

– Seu sapato está ali. – Apontou a boneca para o velho calçado a alguns metros de distância. A jovem Lupu fez uma careta e se sentiu um pouco ridícula por esquecer totalmente de que estava com um pé descaço. Ela guardou o lenço no bolso de sua saia e foi até o sapato. Abaixou-se e o pegou.

– Bem, tchau então – A pequena acenou.

– Na verdade... – A boneca olhou para Elena. – Os lycanos... os que me perseguiam, eles se foram?

Angie piscou confusa. – Nenhum lycano ousaria se aproximar da propriedade assim, do nada.

– Tem certeza? – Questionou Elena ainda mais confusa.

– É claro que eu tenho certeza, Elena Lupu.

– Absoluta?

–  Por que diabos eu mentira? – A pequena cruzou os braços.

Elena cruzou os braços também e a olhou fixamente tentando identificar qualquer coisa que indicasse que a boneca não estava mentindo. Ao comparar com a presença arrebatadora de Donna Beneviento, a pequena boneca não era tão terrível.

Angie limpou a garganta. – Você já terminou?

– Já. Eu acredito em você. – disse. Elena, então, se virou para ir embora, mas parou e olhou para a pequena novamente. – Na verdade, eu não tenho ideia da direção que fica a trilha principal.

Angie revirou os olhos, mas lhe deu as instruções de como encontrar a trilha e de como chegar na casa novamente. – Então você quer dizer que nem sabia onde a casa ficava? E mesmo assim veio?

Elena deu de ombros – Bem não. Eu não sabia onde a casa estava, mas eu sabia que era depois do cemitério. – Respondeu se sentindo um pouco envergonhada de sua atitude impulsiva.

Ok, ela admitiu que agiu um pouco precipitadamente, mas de jeito nenhum ela continuaria ali sendo jugada por uma boneca de noventa centímetros de altura. – Até sexta. – Mais uma vez ela se virou e foi embora.

– TCHAU DE NOVO! –  gritou a boneca quando a jovem deu quatro passos. – Oh! Quase esqueci. Donna disse que você deve evitar as flores amarelas! – falou Angie.

– Hum? – Elena parou de andar.

– As flores amarelas. Evite-as. – respondeu a boneca.

– As flores amarelas... Tudo bem. – Ela se virou pela centésima vez e finalmente foi embora com um pé descaço e um sapato surrado na mão.

 

***

 

A caminhada de volta para casa foi, por sorte, muito mais calma. Não tinha nenhum lynaco a solta. Eles devem ter voltado para o inferno de onde saíram.... Quando estava longe o suficiente da propriedade de Beneviento, já no cemitério de bonecas, Elena parou para recolocar o calçado nos pés, amarrando-o mais uma vez para que o solado não descolasse. ....Ou eu estava alucinando ou sei lá...  Pensou quando não viu nenhum rastro além dos seus.  Acho que realmente, todos que vão para o território de Beneviento ficam doidos. A morena estremeceu ao se imaginar lutando contra o vento e destruindo todo o canteiro de flores e a cerca da senhora. Tudo isso com a mulher misteriosa a assistindo. Deve ter sido um espetáculo e tanto. 

Ela continuou seu caminho.

Mas sabe o que?  Esse dia foi estranho e absolutamente constrangedor, mas Elena poderia dizer que estava satisfeita com sua conclusão. Ela realmente conseguiu um emprego! Bem, mais ou menos um emprego. Talvez ela não recebesse nada durante o primeiro momento, mas ela acreditava que poderia surpreender a senhora. Se isso acontece a vaga seria a dela. Não é como se houvesse muita concorrência. Nem todo mundo tinha tão pouco senso de sobrevivência quanto ela.

Lembrar-se de que não avisou a ninguém que iria para a floresta hoje, a fez morder a parte interna da bochecha e a pensar no interrogatório que provavelmente teria que responder. Foda-se, quanto tempo eu passei desacordada afinal?  O sol estava baixo, ou seja, era quase pôr do Sol. Elena poderia ter vinte e um anos de idade, mas Leonardo parecia não confiar nela o suficiente para entender que ela pode de virar sozinha. O homem as vezes esquecia de quem cuidou de quem depois que sua mãe se foi.

Leonardo deve ter virado a vila de ponta cabeça procurando-a. E Ainda tinha a questão do seu futuro (provável) emprego.  Como ela iria dizer para o pai que iria trabalhar diretamente para um dos Lordes? Ele os odiava! Ela amava seu pai, mas desde que o homem colocou em sua cabeça que deveria cuidar de todos os passos da filha... Ela nem queria imaginar o que ele faria se descobrisse sobre o encontro com Lady Beneviento e sua boneca pelicular.

Ela riu um pouco ao imaginar o cenário. Se ela tivesse morrido, certeza que ele a ressuscitaria apenas para matá-la de novo. Altos e baixos. Se não considerar a constante preocupação do mais velho, a relação entre pai e filha era bastante tranquila agora.

Quando o sol estava quase se pondo, a jovem chegou aos portões da aldeia.  No caminho de casa, Elena esbarrou em uma senhora que aparentava estar na casa dos cinquentas. – Eu sinto muito! – Ela se desculpou e olhou para a mulher mais velha. Instantaneamente a reconheceu: era Sofia, uma antiga amiga da família e mãe de Beth, Adrian e do jovem Adam. Rapidamente a moça enfiou a mão ferida no bolso e segurou o lenço de Beneviento. Mas ela não notou que sua ação atraiu a atenção da mais velha, que preferiu não fazer comentários.

A mulher sorriu. – Elena! É bom ver você – Ela abraçou a mais nova. – Veio da floresta agora? – Perguntou confusa.

– Sim... – Elena coçou a cabeça. – Eu acabei perdendo a noção do tempo sabe...

A velha estreitou os olhos em preocupação. Desde que Amélia, mãe de Elena faleceu, Sofia atuava como uma figura materna para a garota. Inclusive foi ela quem ensinou a jovem Lupu a ler e escrever, já que seu pai não poderia. – Perdeu a noção do tempo fazendo o que? - a mais velha ergueu a sobrancelha.

– Você sabe, coisas... – Ela deu um pequeno sorriso. Elena não achou que deveria falar de Beneviento para a mulher, pois sabia que a primeira coisa que Sofia faria seria contar ao seu pai.

Sofia olhou no fundo de seus orbes acinzentados, Elena a encarou de volta. – Esses jovens de hoje pesam que nunca tivemos a idade deles... – disse a mulher. – Só tome cuidado com o que anda fazendo por trás das portas fechadas. – A mais velha se despediu. Elena deu de ombros confusa e continuou a caminhada de volta para casa.

Abrindo a porta lentamente, ela rezou para que seu pai não estivesse a esperando. Suas esperanças foram por água a baixo quando ela deu de cara com um Leonardo com uma aparência bastante irritada.

– Oi pai. – Cumprimentou Elena com um sorriso tímido.

– Onde você esteve o dia inteiro mocinha? – Ele cruzou os braços.

– Bem eu... – Pelo menos ele estava irritado o suficiente para não notar o ferimento em sua mão. – Eu passei a manhã quase toda na cidade.

– E as outras cinco horas? – CINCO HORAS?

A garota mordeu os lábios. Ela odiava esses momentos. – Eu saí para esfriar a cabeça e perdi a noção de tempo, tudo bem!? Eu precisava ficar sozinha... – Ela se sentiu um pouco mal por levantar a voz, mas seu dia foi bastante estressante e ela não estava com vontade de ser tradada como uma criança desobediente agora. – Eu não sou mais uma garotinha, pai. Eu sei me virar.

Leonardo respirou fundo. – Eu sei querida, mas eu ainda me preocupo... – O velho homem se sentou em uma cadeira de madeira. – E se algo acontecesse com você? Eu me preocupo...

Elena suspirou e se sentou perto do pai também. – Eu estou bem, pai. Sinto muito por gritar.

– Ao menos você estava com alguém? – Ele olhou para ela. – Você deveria levar alguém quando resolvesse sair sozinha. E aquele garoto, Adrian? Sofia disse que não o viu durante o dia todo também.

A jovem revirou os olhos. – Sair sozinha significa sair sozinha, pai. Eu tô bem. Eu juro.

– Eu sei, eu sei. Mas minha saúde já não é a mesma. É só uma questão de tempo para que eu... Você sabe. – Ele disse. – Me confortaria pelo menos que você tivesse alguém para protegê-la. Ele é um bom homem, Lena.

Até meu pai estava a encorajando a ir atrás de um homem? Cacete, o que há com todo mundo se preocupando com minha vida amorosa ultimamente? – Eu posso me proteger pai. Você me ensinou isso, não lembra? – Ela se levantou. – Vou tomar banho agora. – Ela acariciou o ombro do velho com a mão boa e entrou no outro cômodo do casebre.

Seu quarto atual era o mesmo que ela dividiu com os pais na infância. Depois que Amélia se foi, Leonardo passou a dormir na sala e deixou sua filha ficar na privacidade do quarto. A fechadura estava quebrada, então ela empurrou com os pés uma pedra pesada o suficiente para impedir que a porta abrisse.

Ela foi até a outra porta, que era coberta apenas por uma cortina e entrou no banheiro. A primeira coisa que ela fez foi lavar a mão machucada com água limpa. O sangue seco dificultava um pouco o trabalho, mas não era tão ruim. Ela apreciou a pequena pontada de dor.

Lentamente Elena retirou seu suéter e suspirou aliviada quando viu que seu colar ainda estava lá. Ela estudou seu reflexo pelo velho espelho na parede. E ela estava horrível. Seu corpo estava coberto por hematomas roxos e amarelados e por arranhões, principalmente na região dos antebraços e do ombro. Com a ponta dos dedos, a morena acariciou o local onde ela pensou que um pseudo-lycano tinha abocanhado.

Retirando o resto das roupas ela notou que o resto de seu corpo também estava cheio de contusões e de algumas escoriações. Talvez lutar com uma cerca de madeira não tenha sido a melhor ideia de todas.

Elena juntou tuda roupa em um canto e tomou um banho longo.

Após concluir a limpeza do corpo, ela abriu um pequeno armário. Retirou um frasco de vidro preenchido apenas que a metade. Ela despejou um pouco da substancia pastosa na palma de sua mão ferida e espalhou lentamente. Pelo menos uma infecção ela não pegaria. Ela fez o resto com os ferimentos em seu joelho e o corte desagradável em sua canela.

Ela se secou e se enrolou com a toalha que estava pendurada em um gancho. Elena voltou para o quarto e vestiu uma roupa limpa. Já era quase sete da noite quando ela saiu do quarto e caminhou até a cozinha, separada da sala pela mesa de jantar. Suas narinas foram atacadas pelo aroma inconfundível da comida de seu pai. Mesmo com um cheiro de queimado invadindo seu nariz, ela sorriu mesmo assim para o homem mais velho.

Elena nunca entendeu como seu pai consegui queimar a comida mesmo estando de frente ao fogão, mas seu estômago era forte e ela já estava acostumada com a comida amarga. A morena, de qualquer forma, agradeceu por não herdar os dotes culinários do pai. Geralmente ela era quem fazia o jantar. Elena pensou se ele poderia estar cozinhando para puni-la de alguma forma. Ele não parecia mais chateado, no entanto. Saber que sua única filha estava, de fato, segura foi o suficiente para aliviar os nervos de Leonardo.

Os dois comeram silêncio, mas antes que o mais velho pudesse se levantar da mesa, Elena falou. – Sexta-feira eu tenho que sair cedo e não sei que horas eu devo retornar.

– Por que? Achou alguma coisa? – O homem preguntou depois de beber um pouco de agua.

Elena pensou por um momento. Ela poderia disser que sim, mas ele iria querer saber para quem ela estava trabalhando e o que ela deveria fazer. Isso era uma coisa que ela não poderia responder ainda. Então só havia uma alternativa: mentir

– Não, eu só preciso de um tempo sozinha... – Elena cutucou o canto das unhas.

– Um tempo sozinha de novo é? – O mais velho estreitou os olhos e encarou a filha. – Só fique segura, tudo bem? – Ele respirou fundo. – Eu sei que você não é mais uma criança, e pode se cuidar, mas para mim sempre vai ser minha garotinha.

Elena sorriu para o mais velho e segurou a mão dele. – Eu vou tomar cuidado pai.

E de fato ela iria pisar em ovos quando voltasse para a mansão da mais misteriosa dos quatro lordes. Depois do jantar ela foi juntar sua roupa do dia para lavar. Quando ela pegou a saia marrom, um pequeno pedaço de tecido caiu no chão. Ela se abaixou e estudou a peça.

O lenço era branco, com bordados em roxo, preto e dourado. Além disso era muito macio. Infelizmente um pouco de sangue seco cobriu o que ela imaginou ser o brasão da casa Beneviento. Enquanto estudava a peça mais de perto, Elena ponderou sobre sua possível nova empregadora.

 

...Talvez Donna Beneviento não fosse tão ruim afinal...

 

Ou talvez...

 

Talvez Elena Lupu fosse estupidamente otimista.

 

 


Notas Finais


O que acharam da primeira impressão que Elena teve de Donna, heim? Confesso que aquela parte foi a minha favorita de escrever em toda a fanfic (até agora, claro). Será se trabalhar para os quatro lordes se classifica como vaga arrombada? Eu acho que sim. A vila tá precisando urgentemente de um conjunto de leis trabalhistas. De qualquer forma, o que acharam? Se tiver algum erro pode dizer. Eu reviso, mas sempre esqueço de uma coisa ou outra.

off: o que acham do tamanho atual de capítulos?

off ²: eu tenho quase certeza que os banheiros ficam do lado de fora das casas lá, mas vamos ignorar esse fato hoje... não tenho condições de escrever o banheiro do shrek.


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