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História A Dama e o Pistoleiro - Capítulo 5


Escrita por: e S_H_Saine


Notas do Autor


Espero que gostem, minhas rosas 🌹

Capítulo 5 - Sobre Desafios e Sentimentos


**

Julieta e o bando se despediram da Sra. Benedito, e partiram logo cedo no outro dia de manhã, conforme o combinado.

Aurélio arranjou uma montaria para a dama. Tratava-se de um cavalo negro com a crina comprida, extremamente majestoso, chamado Soberano. E no que a esposa do banqueiro montou-o e alisou sua pelagem do pescoço, sentiu que iriam se dar muito bem.

"Tem certeza de que consegue acompanhar o nosso ritmo agora, Sra. Sampaio?" o pistoleiro quis saber, ajudando-a a encaixar os pés nos estribos.

"Quer apostar, Sr. Cavalcante?" ela desafiou-o, agarrando as rédeas entre as mãos e desejando poder quebrar o clima estranho que pairava sobre eles desde que se encontraram para o desjejum.

Aurélio sorriu de canto.

"Eu jamais recusaria uma aposta destas." ele assentiu, indo montar Royal Flush "Nos vemos daqui a pouco." avisou aos companheiros e, no que eles assentiram, o casal atiçou os cavalos e saíram  galopando velozmente.

Julieta amava a sensação de liberdade que fazer tal coisa lhe proporcionava. 

Ela costumava percorrer longas distâncias pela propriedade de seu pai quando ainda era uma adolescente. Depois que se casou, contudo, parou com as corridas, sem que soubesse dizer exatamente o porquê. Talvez achasse que não condizia mais com uma mulher em sua posição. Mas, então, ali estava Aurélio Cavalcante de novo, restaurando seu gosto pela vida.

Os dois se entreolhavam às vezes durante o caminho e sorriam um para o outro, algo que fazia o coração de Julieta frequentemente errar uma batida. O olhar dele estava diferente do de dois dias atrás, quando se conheceram na agência bancária, pois parecia mais intenso e mais brilhante, da mesma maneira que o dela devia estar.

"Até aquela árvore?" gritou ele, querendo descobrir quem chegava primeiro.

A dama assentiu e não o esperou contar até três para avançar com Soberano, ainda mais rápido. "Cuidado para não engolir poeira, hein?" zombou dele, já metros à frente, divertindo-se.

"Não vale roubar!" o homem fingiu estar bravo com ela, enquanto tentava alcançá-la.

"Falou o maior ladrão de bancos do Oeste!" ela gritou em retorno, gargalhando e, poucos minutos depois, atingindo o ponto que ele havia determinado.

Ele chegou logo atrás, dando risadas também.

"Nunca mais disputo nada com você." reclamou de brincadeira, bem humorado.

"Se não aguenta perder, é melhor não disputar mesmo." a mulher rebateu, gabando-se, e fazendo-o rir outra vez. Ele não respondeu logo de cara, recuperando o fôlego.

"Você cavalga muito bem, morena." disse por fim, com o mesmo olhar penetrante de sempre, e ela reparou que estava começando a amar quando ele a chamava daquele jeito.

Queria mesmo era poder cavalgar você. Pegou-se pensando e, no mesmo instante, sentiu-se ruborizar pela falta de decoro de sua própria imaginação.

"O que foi?" Aurélio estranhou o silêncio dela "Falei algo errado?"

Julieta deu um sorriso sem graça "Não. Obrigada pelo elogio." respondeu, encarando o chão.

Sem dizer mais nada, o bandido desmontou e foi ajudá-la a fazer o mesmo, segurando-a pela cintura. 

"Agora que eu já sei que você é boa de montaria, vamos ver se você é boa de mira." determinou, puxando a Colt 45 do coldre preso sobre seus quadris e entregando para ela. A Sra. Sampaio espantou-se com aquela prova de confiança e pegou a arma, hesitante. Seu pai havia lhe dado algumas aulas no passado, no entanto, ela já não praticava há anos "Mantenha a coluna reta e o braço bem esticado." instruiu o pistoleiro, posicionando-se atrás dela e segurando seu pulso, fazendo-a mirar num galho retorcido ao longe.

A voz murmurante dele em seu ouvido e sua respiração quente contra o pescoço dela eram desconcertantes demais, entretanto.

"Se importa?" ela então indagou, sugerindo que ele se afastasse.

Cavalcante ergueu as mãos no ar e obedeceu.

Finalmente conseguindo pensar racionalmente, Julieta mirou e atirou. A primeira tentativa foi um fiasco. A segunda pegou de raspão. Já a terceira acertou bem no centro do galho.

"Você viu isso?" ela virou-se contente para ele, orgulhosa de si mesma.

Aurélio lhe sorriu de volta, fitando-a com ternura.

"É seu espírito selvagem se libertando, Julieta. Eu disse que você tinha um." comentou, e a esposa do banqueiro não soube o que responder, notando que a atmosfera entre eles havia mudado e percebendo que sentia medo disso, pois achava que paixão e romance eram coisas que não haviam sido feitas para ela.

“Obrigada, Aurélio. Esses nossos momentos juntos... Tem sido ótimos. De verdade.” resolveu dizer, mesmo que suas emoções estivessem uma bagunça, mesmo que não fosse capaz de definir com certeza o que estava sentindo por ele.

O fora-da-lei levou uma das mãos até os cabelos dela, e correu os dedos pelos fios compridos.

“Poderiam ser melhores, se você quisesse.” pontuou, sedutoramente.

“Eu queria muito, sabia?” a morena resolveu confessar, suspirando “Queria poder provar sua boca, queria poder me entregar para você.” sorriu tristemente, mediante aquele sonho ditoso “Mas eu fiz uma promessa. Eu dei a minha palavra de que seria uma boa esposa. Não só diante de Deus, mas diante do meu pai, minutos antes dele morrer. Consegue me compreender agora?” inquiriu-o, amargurada.

O ladrão desviou os olhos, também chateado “Sim, consigo. E admiro isso em você.” declarou, enfim, inclinando-se para beijá-la na testa.

Eles estavam completamente distraídos um com o outro, quando ouviram sons de cavalo se aproximando. Era o resto do bando que, finalmente, os havia alcançado.

“Tudo bem por aqui?” Januário quis saber, com um ar preocupado, reparando a arma na mão da Sra. Sampaio, a qual, ao dar-se conta, tratou logo de devolvê-la.

“Tudo bem.” o líder assentiu, guardando o revólver no coldre.

“Vamos seguir viagem, então?” Darcy sugeriu, cortando a tensão que pairou no ar.

Aurélio anuiu “Vamos.” disse, e o casal voltou para seus cavalos.

Eles pararam para acampar e almoçar duas horas mais tarde, embaixo de uma arvore frondosa, porém, enquanto as aves que Brandão havia caçado terminavam de assar na fogueira, Januário chamou Aurélio para conversar em particular e Darcy seguiu os dois.

Eles caminharam o suficiente para que Julieta não pudesse ouvi-los, entretanto, logo ela reparou-os gesticular, discutindo alguma coisa acaloradamente. Januário parecia estar acusando Cavalcante e o chefe do grupo tentava se defender, com a ajuda do britânico.

“O que está acontecendo, afinal?” ela perguntou ao soldado, na esperança que ele estivesse disposto a falar naquele dia.

“Eles estão brigando por sua causa.” Brandão disse, casualmente, fixando seus olhos nos dela.

A mulher sentiu-se empalidecer de surpresa “Por minha causa?” pestanejou, vendo o criminoso jogar mais alguns gravetos contra o fogo.

“Januário acha que você é perigosa para Cavalcante, por ele estar se apaixonando por você.” prosseguiu relatando ele, para o assombro dela “Darcy concorda. Eles acham que Cavalcante vai sofrer quando te devolvermos para o seu marido, e isso será ruim para os negócios.” finalizou, deixando Julieta boquiaberta com toda aquela informação.

Ela voltou a olhar para o trio e viu Aurélio cuspir no chão, visivelmente furioso. Ele largou Januário falando sozinho e saiu andando para o outro lado, gritando com Darcy quando este ameaçou ir atrás dele. Por fim, os dois voltaram para o acampamento sem o líder. Julieta queria poder se evaporar e desparecer dali. Jamais quis ser motivo de desavença entre ninguém.

Os quatro almoçaram então em silêncio, mas o pistoleiro não veio se juntar a eles, deixando a morena preocupada. Tomando coragem, ela separou um pouco da comida e levou até onde ele estava sentado, fitando o horizonte.

“Coma, por favor.” suplicou ao aproximar-se, estendendo a cuia.

“Não tenho fome.” teimou o ladrão, com o semblante fechado, evitando encará-la.

“Mesmo assim.” a morena insistiu. Aurélio bufou e aceitou a oferta “Estamos chegando em Valença hoje à noite, não é?” ela quis saber, e o viu assentir com um murmúrio de garganta, enchendo a boca “Quero que me deixem lá. Não precisa me levar até o Rio de Janeiro.” expressou, enfim ganhando sua atenção.

“E por que isso?” ele estreitou os olhos.

Julieta sentou-se na grama junto dele “Não quero continuar sendo motivo de briga entre vocês. E Januário está certo, nós dois não deveríamos nos envolver.” explicou-se, e o homem lhe lançou um olhar de estranheza, tentando entender como ela havia ficado sabendo “Brandão me contou.” ela adiantou-se em dizer, o que o fez rolar os olhos.

“Aquele boca grande...” balançou a cabeça em negativa, fazendo em seguida uma pausa para pensar.

“E...?” ela o instigou.

“E que a resposta é não.” expediu, ignorando a careta indignada que ela fez “Valença é um vilarejo de merda, que não oferece a menor segurança para você. Eu não te deixaria esperando o seu marido lá de forma alguma.” afirmou, se levantando e continuando a comer "Além disso, com quem eu me envolvo, ou deixo de me envolver, é um problema só meu. Não vou permitir que ninguém tome essa decisão por mim e você também não deveria." ultimou, se afastando em direção ao acampamento.

“Aurélio...” a Sra. Sampaio procurou argumentar, mas ele cortou-a.

“Está decidido, Julieta. Fim de papo.” promulgou de costas para ela, em tom autoritário. E, desta vez, a dama soube que não haveria beicinho capaz de fazê-lo mudar de ideia.

**

Eles cavalgaram pelo resto da tarde em silêncio – Julieta sentindo falta da proximidade com o corpo do bandoleiro – e chegaram ao vilarejo à noite, como previsto.

Ali passava a linha férrea, e o bando deveria se preparar para o assalto que fariam no dia seguinte, mas não sem antes passarem pelo Saloon local e relaxarem um pouco.

Aurélio estava certo, Julieta pode constatar. O vilarejo era pequeno e não dispunha de grandes estruturas. Pelo menos, conseguiram uma refeição descente e uma garrafa de uísque.

Ainda se sentindo mal pelo que havia acontecido na hora do almoço, ela olhou ao redor e notou as poucas prostitutas da casa esticando os olhos para cima do líder do bando, mais do que para os outros. Contudo, ele não fez menção de deixar a mesa, embora Darcy e Januário já tivessem desaparecido com duas, o que a fez sentir-se ainda mais culpada.

“Você não vai caçar um quarto também?” ela não resistiu em perguntar, enfadada.

Aurélio deu de ombros, acendendo um cigarro de palha “Sem vontade.” recusou, e no fundo, a mulher gostou de saber disso.

Victor Brandão puxou uma faca e começou a afiar a mesma com uma pedra, e isso deixou a mulher ainda mais entediada.

“Esta bem.” ela decidiu-se, exalando o ar e querendo ver-se livre daquela sensação “Sirva uma dose para mim, então.” solicitou ao belo ladrão, que ergueu uma sobrancelha.

“Você já bebeu uísque antes?” questionou ele, curioso.

Julieta fez uma expressão blasé “Há uma primeira vez para tudo nessa vida, não é?” trocou um olhar demorado com ele, do qual Aurélio tratou de se esquivar, indo servi-la.

“Só cuidado para não ficar bêbada.” avisou-a.

“Não vou ficar.” ela garantiu, virando a dose de uma vez só.

E, no que o líquido desceu queimando sua garganta feito fogo, ela tossiu, sabendo que provavelmente ficaria sim, mas não se importando nem um pouco com isso.

Afinal, ela tinha Aurélio ali para protegê-la. Talvez até dela mesma.

***


Notas Finais


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