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História A dama, o pintor e o duque - Capítulo 2


Escrita por: e ____La__Fleur_


Notas do Autor


Konbanwa, mina-san! Vamos ao segundo capítulo!
Violet descobriu o plano de sua madrinha de fazê-la se casar com o duque Stephanotis. E agora? Como ela poderá se livrar das garras de Leon? Talvez, ela precisará da ajuda de um certo pintor atrevido. Vamos ver como será esse reencontro. Enjoy!

Capítulo 2 - O pintor


Já era noite quando Violet conseguiu voltar ao centro da cidade. A rua em direção a casa de sua madrinha estava escura e ainda fazia bastante frio naquele momento.

— Eu devia ter saído com um casaco no dia de hoje… — ela sussurrou, enquanto deslizava as mãos pelos braços, sentindo a pele gelada.

Enquanto ela caminhava, um trio de homens bêbados se aproximou dela.

— Olha só! Que belezinha! Não quer dar uma voltinha com a gente, boneca? — disse um deles.

— Não me interesso. — ela afirmou com firmeza e começou a se afastar.

— Opa, onde vai com tanta pressa? — resmungou outro deles, que acelerou o passo e se colocou na frente dela.

— Saia da frente, por favor! — exigiu Violet. Porém, seu pedido foi rejeitado e os homens começaram a se aproximar dela,  enquanto gargalhavam. Violet, temerosa, empurrou um deles da sua frente e começou a correr.

— Peguem ela! — gritou um dos bêbados.

Violet começou a ser perseguida e entrou em desespero. Porém, antes de chegar até a próxima esquina, ela avistou Gilbert, que tinha uma garrafa de bebida na mão. Ele a avistou se aproximar e sussurrou:

— Hã?! Você por aqui?! 

Sem tempo para explicações,  Violet se abraçou a ele.

— Me ajuda, por favor! — ela gritou, desesperada. Gilbert notou algumas lágrimas descerem pelas bochechas dela.

— Fique atrás de mim, — ele sussurrou e a posicionou nas suas costas. — Ei, caiam fora! A garota é minha! — ele gritou para o grupo.

— Hahahaha. Suma da nossa frente! Nós a vimos primeiro. — reclamou um dos homens.

— Humpf! Então, façamos o seguinte: quem cair por último fica com a garota! — disse Gilbert, que colocou a garrafa no chão e cerrou um pouco os olhos.

— O quê!? Enlouqueceu?! — disse Violet, desesperada.

— Hehehehe. Vamos acabar com ele, rapazes! —  um dos bêbados motivou os outros dois.

Os três homens partiram para cima de Gilbert, porém ele aplacou os golpes dos estranhos com grande destreza e os derrotou com facilidade. Violet ficou atônita com a cena. Gilbert pegou sua garrafa no chão, segurou na mão dela e a puxou. Eles começaram a correr por um dos becos da cidade.

— Vem, vamos sair daqui antes que eles levantem. — ressaltou Gilbert. 

Violet ainda não esboçava qualquer reação e apenas deixou-se ser levada por ele. Uma chuva fraca começou e Gilbert decidiu que seria mais seguro irem para a casa dele. Eles conseguiram chegar até a casa, mas não sem ficar completamente molhados.

— O-obrigada! Você me salvou! — agradeceu Violet, que começou a tremer de frio.

Gilbert sumiu por alguns instantes e retornou com uma toalha  nas mãos. Ele a jogou para Violet. 

— Posso saber o que andava fazendo sozinha naquele lugar a essa hora? Aqui é a capital! É perigoso, sabia?! — reclamou Gilbert, que se jogou em uma cadeira, abriu a garrafa de vinho e começou a bebê-la com entusiasmo.

— Eu só… queria caminhar um pouco… Um… O senhor deveria beber tanto assim? — perguntou Violet.

— Está preocupada que eu vá te agarrar como aqueles idiotas? Não me compare a eles. —  Ele se levantou, deixou a garrafa no chão e foi até Violet. Ele a fez encostar as costas na parede e segurou de leve no queixo dela. —  Até porque se eu fosse fazer algo com você, eu gostaria de estar bem sóbrio… — ele soltou o queixo dela e piscou o olho para ela.

— Porco abusado… —  resmungou Violet, que virou o rosto para o lado.

— Hahahaha. Que boquinha mais suja! Mas, me diga: você não estava na mansão do duque? Não tinha alguma carruagem para lhe trazer de volta? Aquele cretino nem isso fez por você?  — indagou Gilbert.

— Bem…  Eu apenas fugi da casa dele… —  contou Violet.

— Ele tentou fazer algo com você?! —  questionou Gilbert, um pouco irritado.

— Não. Na verdade, foi a minha madrinha. Acho que ela me vendeu para a família do duque… — relatou Violet.

— O que quer dizer? — perguntou Gilbert.

— O baile foi só um pretexto para nós nos encontrarmos. O noivado estava fechado desde o começo e eu creio que não tenho muita escolha, além de ter que me casar com o duque. — disse Violet.

— Você não precisa fazer isso, se não é o que deseja… — argumentou Gilbert.

— Falar para você é fácil! Você é um homem! Você tem liberdade para fazer o que bem deseja. Nós mulheres já não temos a mesma facilidade… — reclamou Violet, que soltou os cabelos do rabo de cavalo e começou a secá-los.

— Então, é isso? Vai se conformar porque é uma mulher? — questionou Gilbert.

— Você fala isso como se fosse algo simples… — reclamou Violet, chateada.

— Mas, é algo simples. É só questão de perspectiva! — disse Gilbert, que foi em direção às escadas. — Vem, vou arranjar roupas secas para você. 

—S-sim… — disse Violet, nervosa.

Enquanto subia os degraus, Violet observou alguns quadros na parede. 

— Você pintou todos eles? — ela perguntou, com a atenção voltada para as imagens.

— Sim, cada um deles. — respondeu Gilbert.

Ela parou em frente a um quadro onde havia uma mulher de longos cabelos loiros e olhos verdes. Gilbert foi até o quarto e ela ficou parada no começo do corredor. De repente, ela sentiu algo ser jogado no seu rosto.

— Roupa seca… — declarou Gilbert.

— Quanta gentileza… — resmungou Violet. — E quem é essa moça do quadro?

— Minha esposa… — respondeu Gilbert.

— O quê?! Então, o senhor é casado?! E ainda ousou de beijar?! É mesmo um rato sorrateiro!— resmungou Violet, que iria jogar as roupas no chão, mas, foi abraçada por trás por Gilbert.

— Hahahaha. Por que as pessoas sempre caem nessa piada? Preste bem atenção nos olhos dela… Parecem similares aos de alguém? — ele sussurrou.

— Eles… parecem com os seus… — ela respondeu e o encarou.

— Essa é uma pintura de minha mãe. Essa é ela quando mais jovem. Agora, ela descansa em paz… — sussurrou Gilbert.

— Sinto muito… — disse Violet. 

— Já faz um bom tempo. Não se preocupe. — ele ressaltou. 

— É um belo quadro, Gilbert. Ela era mesmo linda… — afirmou Violet.

— É verdade. Espero que ela esteja bem onde estiver… — Ele sentiu Violet trepidar um pouco. — Você está trêmula! Deve estar com frio! Troque de roupa, enquanto preparo um chá para você. — ele recomendou.

— Tu-tudo bem… — consentiu Violet. 

Ela entrou no quarto de Gilbert e ficou surpresa com a organização. Aquele lugar parecia impecável e tinha um cheiro agradável. Ela retirou a roupa molhada e vestiu-se com a que tinha recebido. Ela foi até um espelho e sorriu ao olhar a camisa e a calça folgada em seu corpo. Gilbert apareceu no quarto novamente e ficou estático na porta. Violet o encarou e olhou para o chão, envergonhada.

— Fico imaginando o que o senhor deve pensar de uma garota que vai até a casa de um homem solteiro e entra em seu quarto… — ela comentou. Gilbert se aproximou com a xícara de chá.

— Penso que ela é muito esperta em não querer adoecer por estar molhada na chuva só para não ser julgada por uma sociedade de pessoas hipócritas. — ele ressaltou. Violet recebeu a xícara da mão dele e sorriu.

— Você parece bem à frente do seu tempo… — ela afirmou e começou a beber do chá.

— Não tenho tempo para regras bobas, Violet. Não deixaria de viver meus sonhos por causa de normas e comportamentos sociais. Nunca. — explanou Gilbert.

“Falar é fácil…”  — pensou Violet.

 — Bem, eu deixarei o quarto para você. Eu estarei na sala se precisar de algo… ou de mim… Boa noite, senhorita Evergarden. — disse Gilbert, que deu um sorriso malicioso para ela e saiu. Violet ficou com as bochechas coradas e quase cuspiu o chá de volta.

“Como pode ser tão atrevido?!”  — ela pensou, irritada.

Violet deitou-se na cama larga e relaxou entre os travesseiros. Enquanto as gotas de chuva deslizavam pela vidraça da janela, Violet tentava imaginar alguma alternativa para livrar-se do compromisso que sua madrinha havia feito, porém ela temia que o duque, como alguém poderoso e com bastante influência, pudesse tentar machucar seus familiares caso ela se negasse a ficar ao seu lado. Ela pegou um travesseiro e enfiou no rosto.

“Talvez, eu devesse ter ficado na fazenda… Eu devia ter negado o convite da minha madrinha… Ah, o que eu faço agora?” — ela refletia, agitada, enquanto esperneava na cama.

Passada algumas horas sem conseguir dormir, Violet se levantou da cama e decidiu andar um pouco do lado de fora da casa. Mas, quando ela chegou até a sala, deparou-se com Gilbert, que dormia tranquilamente em um dos sofás.

“Humpf… Pelo menos alguém aqui consegue dormir tranquilamente…” — ela o observou, irritada. — “Será que ele está mesmo dormindo?!” — Violet se aproximou devagar e esticou o pescoço para  observá-lo de perto. Ela esticou o dedo, o cutucou, porém Gilbert não se mexeu.

— Parece que ele está mesmo apagado… — ela sussurrou. Violet o ficou observando por um tempo e timidamente levou as mãos até os cabelos de Gilbert e os alisou, suavemente. 

“Gilbert Bouganvillea… Mesmo sendo tão atrevido, talvez eu devesse te agradecer pela ajuda…” — ela pensava, enquanto alisava os cabelos dele. Ela desceu os dedos até o rosto dele e os deslizou por uma cicatriz que ele tinha no rosto. 

“Espera… Onde eu já vi essa cicatriz antes?” — ela pensou.

De repente, o braço de Violet foi puxado e quando ela se deu conta, Gilbert estava por cima dela, ofegante.

—Ahh! Desculpa! Eu não queria te acordar! — ela disse, assustada.

Gilbert levou a mão até o rosto dela e a beijou, com fervor. Violet agarrou as costas de Gilbert, revestida por uma camisa de seda e pressionou os dedos contra o tecido, na tentativa de fazer resistência, porém não teve força suficiente para resistir e o beijou de volta. O corpo de Violet fervilhava com aquele contato e sua pele se arrepiava com a proximidade dele.

— Violet, você se lembra? Se lembra da sua promessa? — sussurrou Gilbert, entre o espaço dos beijos.

—Promessa? — sussurrou Violet.

Gilbert diminui o ritmo do beijo, depositou um um último beijo dos lábios dela e se sentou no sofá, deslizando a mão pelos cabelos lisos. Violet notou certa frustração no olhar dele.

— Gilbert? — ela sussurrou, enquanto se sentou, um pouco atrás dele.

— Tudo bem… Eu vou esperar você lembrar… — disse Gilbert. Ele se levantou, pegou Violet no colo e a colocou em seu ombro.

—Ei! — reclamou Violet.

— Você não deve sair a essa hora. Aqui não é sua fazenda, já te disse! — preveniu Gilbert.

— Agr… — Violet revirou os olhos,entretanto, não fez resistência. Logo, Gilbert a deitou de costas na cama e os dois se encararam. 

— Por acaso não consegue dormir? — ele questionou.

— Não… — disse Violet, envergonhada.

— Quer companhia? — Gilbert perguntou.

— Hã!? Você não perde uma oportunidade, não é? — resmungou Violet.

— Aff… Não é isso que você está pensando, sua mente suja! — debochou Gilbert.

— Hã!? Eu não… eu não pensei em nada, seu tolo! — reclamou Violet.

— Bem, se não precisa de mim, eu vou voltar a dormir. — Gilbert deu as costas para Violet. Ela apertou o lençol com os dedos.

— Espera! Talvez... eu precise de companhia… — afirmou Violet.

Gilbert parou de caminhar e olhou para Violet. Ele voltou a se aproximar dela e se sentou ao seu lado na cama. Os dois ficaram em silêncio. Violet sentia o coração disparar no peito, mas, ao mesmo tempo, não entendia aquela confiança que havia surgido entre ela e Gilbert. Em seus pensamentos, a palavra promessa se repetia várias vezes.

“Promessa… Qual promessa eu fiz?!” — ela pensava, confusa.

— Você se importa se eu deitar ao seu lado? — perguntou Gilbert.

— N-não… — respondeu Violet. 

Gilbert deitou e virou o rosto para encarar Violet. Os dois se encararam mais um pouco, até que ele abriu os braços, como se a convidasse para ficar entre eles. Mesmo receosa, Violet se sentia sozinha e perdida, o que a fez decidir que precisava daquele abraço e quando ela se aconchegou no peito dele, ela sentiu um certo alívio.  Ele alisou os cabelos dela de maneira suave. Violet queria saber o que estava nos pensamentos dele naquele momento. Violet adormeceu logo e Gilbert apenas sorriu, retirando os cabelos do rosto dela.

— Se ao menos, você lembrasse…  — ele sussurrou.

Enquanto isso, no mundo dos sonhos, Violet retornava para uma lembrança feliz de sua infância, que havia ficada perdida com o tempo.

[...]

 

Em meio a uma floresta, Violet acompanhava um garotinho, que seguia um pouco mais à frente. Eles estavam prestes a atravessar um trecho do rio por meio de um tronco de árvore caído.

— Ei, ei! Você pode me esperar?

— Você é sempre lenta assim, garota?

— Eu não uso calças, Gil… 

— Hahahaha. Tudo bem, Violet. Segura minha mão. 

Violet e o garotinho atravessaram o rio e eles começaram a correr em direção a uma frondosa árvore, que continha uma pequena casa de madeira em sua copa.

— O quê?! Ela ainda está em pé!? Ei, você quer subir? — perguntou o garotinho.

— Gil, isso parece meio estragado, não acha? — questionou Violet.

— Medrosa! — o garotinho virou de frente para ela. Ele tinha olhos verdes bem brilhantes e um curativo na bochecha. 

— Não sou medrosa! Humpf! — resmungou Violet, que se aproximou de uma corda e começou a subir.

— Uau! Como consegue? — perguntou o garotinho.

— Eu moro em uma fazenda! Eu subo em árvores, nado no rio… Eu não tenho medo de nada! — afirmou Violet, confiante. O garotinho revirou os olhos, mas, a seguiu. Os dois chegaram até a casa da árvore e daquela altura, conseguiam ver o sol tocar o horizonte. 

— Ah, que bonito! — disse a pequena Violet, admirando o céu. O pequeno garotinho olhou para o rosto dela e seus olhos brilharam.

— Violet… — ele sussurrou.

— Hã? O que foi Gil? — ela respondeu.

— É verdade que você vai embora? — ele perguntou.

— Sim… Dessa vez, em definitivo. A saúde da minha mãe está bem frágil. Meu pai decidiu que o ar do campo será melhor para ela. Talvez, nós não nos vejamos mais, Gil… — ela revelou, entristecida.

— Vi...Violet! — o garotinho agarrou as mãos dela. — Quando eu crescer, eu vou te buscar! Eu…vou te buscar e te tornar a minha esposa! — ele gritou. Violet ficou surpresa e boquiaberta.

— Você… você promete? Você promete, Gil? — ela perguntou, enquanto algumas lágrimas desciam pelas bochechas dela.

— Eu prometo, Violet. — disse Gil.

— Eu prometo te esperar, então… — disse Violet.

— Eu… fiz algo… — disse Gil, que retirou uma espécie de anel feito de arame.

— Oh… — Violet ficou surpresa.

— Eu, Gilbert, prometo que vou me casar com você… — disse o garotinho, enquanto colocava o anel improvisado  no dedo dela.

— Eu, Violet, prometo que serei uma boa esposa para você. — ela colocou o anel no dedo dele e eles se abraçaram. Eles entrelaçaram seus dedos e apenas observaram o sol desaparecer pelo horizonte.

 

[...]

 

— Ei, moça! Acorda!

Violet acordou assustada e se deparou com um rapaz loiro, de olhos azuis. Ela gritou, se arrastou para trás e caiu de costas da cama.

— Ei, para com isso! Está doida?! — reclamou o rapaz.

— Quem é você? — perguntou Violet.

— Eu me chamo Benedict Blue! Eu sou aprendiz do senhor Bougainvillea! E você? — questionou o rapaz.

— Eu… me chamo Violet… — ela disse, se levantando.

— Ah, você é a namorada, não é? — perguntou Benedict.

— Na-não! Só… somos amigos… — ela completou.

“Nem sei o que somos, afinal…” — pensou Violet.

— O senhor Bougainvillea teve que sair para atender um cliente, talvez ele leve o dia todo, pois é uma família mora no interior. Ele pediu para avisar que tem café da manhã para você e disse que você pode ficar o quanto quiser. — disse Benedict.

— Ah, é? — ela disse, decepcionada.

“Será que aquele sonho… será que era ele? Será que são a mesma pessoa?! Eu me lembro que eu passava algumas temporadas aqui, até ir embora com doze anos. Ah! E eu tinha um amigo, chamado Gilbert, porém perdemos contato quando eu fui embora. Aquele curativo no rosto… Será que…” — pensava Violet, quando foi interrompida.

— Alô!? Planeta Terra chamando?! — Benedict estalou os dedos.

— Ah, desculpa… — disse Violet.

— Suas roupas estavam úmidas ainda, assim eu as coloquei para pegar sol. Venha, o café vai esfriar. — ressaltou Benedict.

Mesmo desorientada, Violet desceu para tomar o café da manhã. Em seguida, ela vestiu as roupas, mesmo úmidas e decidiu ir para a casa de sua madrinha.

— Por favor, agradeça a cortesia do senhor Bougainvillea. Eu pretendo conversar com ele depois. — informou Violet.

— Como a senhorita quiser. Até mais! — disse Benedict.

Violet caminhou algumas quadras até chegar a casa de sua madrinha. Quando ela entrou, a mulher correu e a abraçou.

— Violet, minha querida! Eu estava tão preocupada! Onde estava? Por que não me avisou que dormiria fora?! — disse a mulher.

— Madrinha… por que não me contou a verdade? — questionou Violet.

— Hã? Do que está falando? — perguntou  a mulher.

— Por que não me disse que já havia fechado o casamento? — Violet a afastou de si.

— Violet, eu… sinto muito! Não tivemos escolha! — disse a mulher.

— Como assim? — Violet parecia confusa.

— Violet… A doença da sua mãe, que descanse em paz, custou muito caro a seu pai e a mim… Pela saúde da minha irmã, eu adquiri muitas dívidas e, infelizmente, cometi o erro de dever ao duque. Como uma forma de sanar as dívidas, seu pai e eu tivemos que concordar em dar sua mão em casamento… Nos perdoe, Violet… — explicou a mulher.

— Por quê? Por que fizeram isso? Nós daríamos conta do nosso jeito! Eu poderia trabalhar para ajudar a pagar as contas! Nós poderíamos nos virar, madrinha! — gritou Violet.

— Perdão, estávamos desesperados! — ressaltou a mulher.

— Eu jamais os perdoarei! — gritou Violet, que subiu as escadas rapidamente, entrou no quarto e bateu a porta. Ela se jogou na cama e começou a chorar, em desespero. — Eu não o amo! Eu não quero me casar com ele! 

Em meio às lágrimas, Violet adormeceu. Quando ela acordou, ela decidiu que não ficaria de mão atadas. Violet arrumou algumas peças de roupa, as escondeu e esperou todos da casa dormirem para fugir. Ela jogou a mala pela janela em cima de um arbusto, abriu a porta devagar e desceu as escadas nas pontas dos pés. Violet saiu pela porta, pegou sua mala e virou de frente para a casa de sua madrinha.

— Me perdoa… Eu não posso me sacrificar assim… Eu amo vocês demais, porém… eu não quero ser infeliz… — Violet olhou para o céu e sussurrou: — Me perdoa, mamãe.

Violet saiu com uma mala na mão e um guarda-chuva na outra. Dessa vez, ela teria como se defender ou pelo menos, teria como ganhar tempo, caso alguém inconveniente aparecesse. Ela começou a rodar pela cidade e parou por um instante.

— E para onde diabos eu vou agora? — ela sussurrou. Violet começou a ficar um pouco desesperada, porém, tentava manter o controle da situação. — Calma, tem que haver um pensionato por aqui… 

Violet andou por várias pensões, mas, elas estavam lotadas por causa da festa do duque do dia anterior. Ela caminhou até a exaustão e percebeu que não teria outra alternativa. Após certo tempo, ela parou em frente a porta da única pessoa que poderia acolhê-la.

— Hã? Senhorita Violet? — disse Benedict, surpreso.

— Oi… Será que eu posso ficar por aqui por uns dias? — ela perguntou.

— Bem, o senhor Gilbert liberou sua estadia, então entre. — disse Benedict.

— Obrigada! — disse Violet, aliviada.

— Leve suas coisas para o quarto. Eu já estava de saída. Gilbert deve chegar em uma hora ou duas. — explicou Benedict.

— Ah, sim! Claro! — disse Violet.

Benedict saiu e Violet se viu sozinha na casa de Gilbert. Ela aproveitou para observá-la com mais atenção. Ela era bem simples, mas tudo era bem organizado. Ela custava acreditar que aquela casa seria de um homem solteiro. Como forma de gratidão a ele, Violet preparou um jantar simples com o material que tinha disponível. Ela ainda esperou Gilbert aparecer, entretanto ele demorou muito e ela adormeceu na cama dele.

Gilbert chegou em casa bem tarde, deixou seu material na sala e foi direto até a cozinha. Ele achou o jantar pronto e ficou confuso, já que Benedict não costumava fazer esse tipo de favor. Porém, ele comeu, satisfeito. Ele ainda ficou alguns minutos na sala, lendo um livro e depois, decidiu tomar um banho e ir para cama. Após o banho, ele estava exausto demais para ver Violet coberta pelo edredom. Desnudo, ele apenas deitou na cama e quando virou para o lado, sentiu algo macio em sua mão. Ele apertou com certa força.

— Ah…  — Gilbert abriu os olhos de uma vez, quando ouviu um gemido e logo ele encarava Violet, que estava com os olhos fechados. — Violet?! — ele sussurrou.

Violet se arrastou na cama e sua mão terminou no peitoral dele. Ele sentiu os dedos dela alisarem seu peitoral e ele mordeu os lábios. Gilbert segurou a mão dela, para retirá-la de cima do peito dele, mas, Violet levantou um pouco, sonolenta e deitou a cabeça no peitoral dele. Gilbert arregalou os olhos, ficando estático com a aproximação dela. Para não despertá-la, Gilbert apenas relaxou um pouco na cama e beijou a testa de Violet. Ele apenas adormeceu. Quando Violet despertou, ela sentiu a mão dela em uma textura estranha.

“Hã?! O que é isso?” — ela pensou, ainda com os olhos fechados. Violet deslizou a mão e seus dedos envolveram algo estranho.

— Eu tiraria a mão daí, se fosse você… 

Violet abriu os olhos e se deparou com Gilbert. Ela arregalou os olhos e olhou na direção da mão. 

— Ahhh! Gilbert?! Que horas você chegou?! — ela sentou na cama de uma vez e retirou sua mão o mais rápido que pode.

— Bom dia para você também… — ele disse, com seu sorriso debochado de sempre. — Eu cheguei na madrugada… Você parecia confortável no meu peito, então deixei você dormir.

— Ah, minha nossa… — disse Violet, em choque. — Eu… sinto muito pela minha inconveniência!

— Eu achei até agradável… você é bem cheirosa… — disse Gilbert.

Violet fechou a expressão no rosto e jogou o travesseiro na cara de Gilbert.

— Seu atrevido! — ela resmungou e levantou da cama. Gilbert ficou deitado a observando. — Está achando engraçado, não é? Eu vou te dar uma ajuda para se levantar! — Violet puxou o lençol de uma vez e ficou em choque. Ela levou as mãos até o rosto. — Ahhh! Você estava sem roupa o tempo todo?! Seu tarado!

— Eu durmo sempre assim… E qual o problema? É apenas… natural! Para que passar a noite de roupa? — Gilbert deu um sorriso malicioso e se divertia com o constrangimento de Violet. Ela jogou o lençol nele e virou de costas. 

— Eu vou fazer o café! E você, seu despudorado, coloque alguma roupa, pelo menos!  — Violet correu para fora do quarto e Gilbert se segurou para não dar uma gargalhada. Minutos depois, ele desceu as escadas vestido e se aproximou de Violet pelas costas. 

— Um… Veja que prendada você é… — ele sussurrou no ouvido dela. 

— Ahhh! Sai daqui, seu descarado! — disse Violet.

— Oi? Você está na minha casa, sabia? Então, acho que posso fazer o que bem entender... — recordou Gilbert.

— Ah, é?! Mas, comigo não, engraçadinho! — determinou Violet.

— Bem, e o que aconteceu? Você parece preocupada… — disse Gilbert, que sentou à mesa.

— É que… eu fugi de casa… — disse Violet, que o encarou.

— Fugiu? Isso está virando um hábito, não acha? — ele questionou.

— Gilbert, eu não quero me casar com ele!  Eu não quero viver com o duque! — gritou Violet.

— Violet, o duque manda nessa cidade. Você não vai conseguir se esconder por muito tempo, nem mesmo aqui na minha casa. — disse Gilbert.

— E o que faço? — ela perguntou.

— Bem… vejamos… — Gilbert ficou um pouco pensativo e teve uma ideia. — E se você virasse outra pessoa?

— Hã?! Como? — disse Violet.

— Eu posso te arranjar algumas roupas minhas. Você pode se disfarçar de homem, enquanto arranjo algum dinheiro para que você tenha como fugir… — disse Gilbert.

— Mas, para onde eu iria? Eu não conheço lugar algum… — ela disse.

— Então, posso ir com você, se você quiser… — atestou Gilbert, como quem não queria nada.

— Você iria comigo? Iria mesmo? — perguntou Violet.

— Até o inferno se fosse preciso… — respondeu Gilbert, que se levantou e a encarou. Violet se aproximou de Gilbert e segurou em suas mãos.

— Obrigada… — ela sussurrou e o abraçou. Gilbert a abraçou de volta. 

E a partir daquele dia, Violet começou a se disfarçar, tornando-se Pierre, um assistente de Gilbert. E aos poucos, ela foi se habituando a convivência com ele, o auxiliando durante seus trabalhos e cuidando da casa. Não tinham muito tempo para reunir dinheiro, então Gilbert começou a se esforçar ao máximo. E os sentimentos começaram a aflorar, à medida que eles ficavam juntos. Ao mesmo tempo, o duque ficou irritado com o desaparecimento de sua noiva e ativou  a guarda local para buscar por Violet. E as negativas de seus guardas começaram a enfurecê-lo.

 

 Naquela tarde, Gilbert foi atender uma das filhas de um influente mercador da região. Cattleya Baudelaire era a filha mais nova do mercador e completava seus dezoito anos. Como presente, seu pai solicitou os serviços do famoso pintor Bougainvillea. Enquanto negociava com o pai da aniversariante, Cattleya discutia com a nova versão de Violet que tipo de pose ela deveria fazer.

— Ah, estou tão feliz! Eu sempre quis ser desenhada em um quadro. E olha, que maravilha! Escolhi o pintor mais bonito da cidade! Hihihi. Então, ele é solteiro? Você sabe dizer? — perguntou Cattleya.

— Eu… acho que ele é casado… — mentiu Violet, que estava em seu disfarce.

— Acho que não tem problema! Hihihi. Quero só uma diversão! — disse Cattleya, que mordeu a unha. 

— Hã?! — disse Violet, surpresa.

“Que garota mais abusada!” — ela pensou, nervosa.

Durante a sessão da pintura, Cattleya se insinuou da forma que pode: escolheu uma roupa sensual, uma pose provocante, porém, Gilbert apenas fez o seu trabalho. Ele notou que Violet parecia mais irritada que o normal. Quando encerrou a pintura, ele entregou o quadro para um dos funcionários e Cattleya correu até ele e o abraçou.

— Ah, muito obrigada! Eu achei seu trabalho incrível! Em agradecimento, você bem que podia ficar para o jantar… e quem sabe eu não poderia… — dizia Cattleya, quando Violet a puxou pelo braço.

— Perdão, senhorita, nós temos outro trabalho… — disse Violet, disfarçando a voz.

— É que… — Gilbert recebeu um olhar fuzilante de Violet. — Ele tem razão, senhorita. Temos uma reunião importante. Obrigado por sua hospitalidade. — disse Gilbert. Cattleya ficou emburrada e apenas observou os dois saírem pela janela.

— Moleque intrometido. — ela resmungou.

Antes de chegarem até o portão,  Violet ia na frente e pisava forte no chão. 

— Ei, qual seu problema? — perguntou Gilbert.

— Não é nada… — ela respondeu, em um tom irritadiço. 

Gilbert se aproximou e a puxou pelo braço, o que fez o chapéu de Violet cair e revelou seus cabelos. 

Gilbert encarou Violet por um tempo e os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Você derrubou meu chapéu! — ela reclamou.

— Desculpe por isso… — Gilbert olhou para os lados e colocou o chapéu na cabeça dela — Vamos conversar melhor em casa… 

Ao chegarem em casa, Violet foi até o quarto, tirou o chapéu e se sentou na cama.

—Violet, o que está havendo? — perguntou Gilbert

— Eu não sei! Eu não sei explicar! Eu… O que eu sou para você, Gilbert?— perguntou Violet.

— Hã? — ele pareceu confuso. 

— A promessa! Era você? Você era o Gil?! O anel de arame, foi você que me deu?! — perguntou Violet.

— Violet, você lembrou! — Gilbert se abaixou na frente dela e levou as mãos ao rosto dela. — Claro que sim! Era eu, Violet! Eu jamais esqueceria da promessa que fiz a você! Mas, por que você está chorando, Violet?

— Eu não sei… Quando eu a vi abraçada a você… eu senti algo estranho e… — dizia Violet, quando Gilbert a beijou.  Violet se abraçou a ele e eles trocaram um beijo apaixonado. 

— Eu te amo, Violet! Não se preocupe, ninguém poderá me tirar de você! — disse Gilbert.

— Gilbert… Gilbert eu… talvez, eu esteja apaixonada por você também... — disse Violet. 

Um novo beijo foi trocado entre os dois e Violet deitou de costas na cama, com Gilbert entre suas pernas. Os lábios dele deslizaram pelo pescoço dela, enquanto ela inclinava a cabeça para trás e suspirava. As mãos de Gilbert desceram até a camisa de linho e envolveram os seios fartos dela, os apertando com uma força leve. Violet soltou um gemido baixinho. O botões da camisa dela foram abertos com destreza, exibindo seu colo formoso. Violet sentia-se estranha, em meio a um misto de novas sensações, mas, não desejava interromper aquela percepção do deslizar da língua dele em seus mamilos. 

— Ah, Gilbert… — ela gemeu, prendendo o lençol entre os dedos.

A língua do pintor invadiu a boca dela e os beijou tornou-se mais molhado e sensual. Uma das mãos dele deslizou pela barriga dela e invadiu a calça folgada. Os dedos dele começaram a massageá-la de forma lenta, enquanto ele voltava sua atenção para os mamilos dela. Porém, quando ele a invadiu um pouco, Violet se assustou e segurou o braço dele. 

— N-não! Eu… Gil, eu não… 

Gilbert retirou a mão da calça dela  e deu um beijo mais lento em Violet.

— Quando nós fugirmos, poderemos assumir nossa relação. Você será minha linda esposa e eu poderei te mostrar todo meu amor. — sussurrou Gilbert. 

— Eu estarei esperando por esse dia… — sussurrou Violet.

 

Alguns dias se passaram e  rumores sobre a má condição de saúde da madrinha de Violet se espalharam pela cidade. Violet começou a ficar apreensiva e mesmo com os pedidos insistentes de Gilbert, ela resolveu visitá-la no meio da noite. Violet entrou escondida pelos fundo e subiu até o quarto da madrinha, que dormia tranquilamente. Violet se aproximou dela, alisou seu rosto e permaneceu por um bom tempo perto dela. Porém, quando tentou sair da casa, havia uma quantidade considerável de guardas do lado de fora. No fim das contas, aquilo era uma armadilha. Violet foi capturada e levada de volta ao duque. A notícia do aparecimento da noiva do duque se espalhou pela cidade. Gilbert ficou desesperado. Ele precisava de um plano para resgatar sua amada.


Notas Finais


E agora? O que acontecerá com Violet? Será que Gilbert conseguirá salvá-la? Veremos no próximo capítulo!
Kisus


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