História A Deusa do Amor - Capítulo 1


Escrita por: e MacacaDaCasa

Postado
Categorias 4Minute
Personagens Hyun A, Ji Yoon
Tags Hyunaejiyoon, Olddays_project
Visualizações 11
Palavras 3.459
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fluffy, Shonen-Ai
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Minha primeira fic yuri, estou nervosa. Me sinto insegura em relação a essa OS, então seria ótimo saber o que acharam.

Fiquem de olho no OldDaysProject!

Boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Kim Hyuna era a deusa do amor, mais conhecida como cupido para os humanos, há anos os ajudam a encontrar suas caras-metades. Contudo, ela não possuía tempo para buscar seu próprio par romântico, pois era muito ocupada com os humanos e não fazia ideia de como se comportar diante de alguma paixonite.

Jeon Jiyoon estava apaixonada e não sabia o que fazer, então procurou a cupido. Agora, Hyuna teria que ajudá-la a conquistar seu crush, antes que este encontrasse outra pessoa.

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“O plano é simples: Você esbarra nele, derruba seus livros e dá um jeito de encostar nas mãos dele”, explica a deusa, ajeitando a roupa da coreana. “Aí, eu faço minha mágica.”

“Que coisa clichê, unnie!”, riu, fazendo careta. Ganhou um tapa no braço por isso. “Ouch!”

“Não reclama, que eu não estou recebendo pra te ajudar e posso apenas desistir disso, a qualquer momento”, reclama emburrada. “Agora se apressa, porque o Minhyuk já está chegando ao início do corredor”, a empurrou levemente, fazendo-a dar um passo a frente.

Jiyoon fechou os olhos e respirou fundo, antes de começar a fingir estar distraída. Calculou mais ou menos por onde deveria andar e enfim trombou no rapaz alto, derrubando a pilha de livros que carregava.

“Oh, foi mal aí, eu não tinha te visto!”, fingiu só percebê-lo naquele momento, abaixando-se para recolher os livros caídos e entregá-los ao seu proprietário.  “Deixa que eu ajude.”

Buscou juntar o máximo que suas mãos conseguiam levantar e fez questão de roçar os dedos nos do rapaz, este que os equilibrava com uma facilidade invejável. Seguindo o roteiro, já bastante ensaiado, tentou prolongar o contato e o encarou diretamente nos olhos, mesmo com o rosto corando em nervosismo e vergonha do que fazia. Ou pelo menos tentou, pois o garoto lhe ignorava mais que tudo ao redor e não parecia sequer se importar com sua presença. Frustração definia Jeon Jiyoon no exato momento em que Minhyuk apenas murmurou um agradecimento antes de seguir caminho e percebeu como Hyuna provavelmente nem havia visto toda a cena, ocupada com um universitário qualquer.

“Não acredito!”, revirou os olhos, vendo a deusa dialogar animadamente com o humano desconhecido. “Justo agora?!”

Viu-a abraçá-lo demorado antes de este correr em direção a uma bela moça, parecendo nervoso e ridiculamente tímido.

“Era pra estar me ajudando”, lembrou-a, apontando descaradamente para o rapaz com a qual a mulher conversava antes. “Por que não fez isso, unnie?”

“Era um caso de almas gêmeas, tive que ajudar”, deu de ombros, sorrindo sonhadora. “Ah, como eu queria ter uma!”, murmura quase inaudível, com o seu semblante cabisbaixo.

“Hey, ‘tá tudo bem?”, preocupou-se.

“Uhum”, assentiu, forçando um sorriso. “Agora, me diga como foi lá.”

“O de sempre: ele me ignorou, enquanto eu parecia uma idiota”, suspirou frustrada.

“Tenho certeza que não foi tão ruim”, afagou seu cabelo, tentando animá-la. “Você é uma humana cheia de qualidades e muito charme, então não se preocupe.”

Mesmo ainda um tanto desanimada, Jiyoon sentiu seu rosto corando com aquelas palavras tão gentis e por um segundo apenas isso bastou para fazê-la feliz.

“Hum… Obrigada”, se afastou desconcertada.

“Vamos, eu tenho um plano e preciso te preparar para ele!”, se animou, começando a puxá-la pela mão em direção à saída do prédio.

“Vai se concentrar desta vez?”

“Vou, Jiyoon-ah!”, lhe estirou a língua em um ato infantil.


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“Acho que isso é perda de tempo”, bufou de braços cruzados.

Hyuna havia lhe feito ir para aquela cafeteria, usando um vestido apertado e o cabelo preso em um coque frouxo. Segundo a mulher, esse era um truque infalível e, dependendo de sua atuação nele, até o mais difícil dos rapazes se apaixonaria pela Jeon.

“Eu já te disse: meu plano é completamente perfeito!”, deu-lhe um peteleco na testa, com um bico nos lábios. “Não seja pessimista.”

“Você parece uma criança. Tem certeza que tem três mil anos?”, sorriu em deboche.

A deusa fingiu não escutar seu comentário infeliz, preferindo escolher arrumar os fios bagunçados da jovem. Tendo se certificado que nenhum fio de cabelo estava fora do seu lugar, fingiu um sorriso alegre e uma animação que já não fazia parte de seu corpo.

“Prontinho”, bateu palmas, só faltando saltitar para ser mais convincente. “Agora é seguir o combinado e garanto que aquele humano vai morrer de amores por você!”

“Sem exagero, unnie”, pediu tentando disfarçar o seu nervosismo. “Espero que dessa vez dê tudo certo!”, murmura quase inaudível, embora a deusa possuísse uma maravilhosa audição e escutasse até o mais fino alfinete caindo no chão.

Sutilmente respirou fundo antes de seguir para a entrada da cafeteria com um copo de café preto já morno. Minhyuk, que entrava naquele momento no estabelecimento, não percebeu a garota e no segundo seguinte tinha sua camisa completamente suja com o líquido escuro.

“Oh, meu deus! Perdão, senhor!”, disse agitada, começando sua encenação mais que perfeita. “Sinto muito por sua roupa, eu não tinha a intenção”, mentiu, pois esta era exatamente a situação que queria criar.

“Tudo bem”, tentou tranquilizá-la, sorrindo simpático. “Tenho uma reserva no meu carro e o café nem estava quente, então não se preocupe.”

“Eu posso lhe dar o dinheiro para a lavanderia”, ofereceu implorando para que não aceitasse, pois não possuía dinheiro nem para comprar o pão consigo. “Ou te pagar alguma bebida, para recompensá-lo.”

“Não precisa, eu já estou atrasado e só vim buscar meu plano pedido”, negou calmamente, desviando-se da Jeon. “Mesmo assim, obrigado pela preocupação.”

O rapaz deu-lhe um último sorriso gentil, antes de pegar uma sacola reutilizável com seu café da manhã e sair do local, como se nada tivesse acontecido. Jiyoon não poderia estar mais chocada com o desinteresse de seu crush para consigo e todo o seu esforço para manter algum diálogo ou contato.

“Eu tentei Jiyoon-ah, mas não sei o que pode ter dado errado”, Hyuna se justificou.

“Isso só pode ser brincadeira!”, bufou irritada. “Como assim não deu certo?”

“Eu não sei, o garoto só não estabeleceu uma ligação com você e eu tentei durante toda sua prosa”, se amaldiçoou internamente ao perceber como a humana parecia murchar com o resultado. “Provavelmente ele estava muito disperso pela pressa e isso impediu meus poderes de agirem na mente dele, às vezes isso acontece”, tentou reverter à situação.

“Tem certeza?”, lhe olhou esperançosa.

“Absoluta”, sorriu gentil, segurando suas duas mãos com firmeza. “Não tem como ele não prestar atenção em uma garota tão bonita, se não estiver com a mente cheia.”

“Eu estou ridícula”, discordou, sentindo suas bochechas arderem em vergonha e seu coração esquentar.

“Eu posso afirmar que você é a humana mais bela que já vi em toda minha existência, mesmo em roupas mais simples”, contou constrangida em falar aquelas coisas. Pigarreou, afastando-se sem jeito. “Talvez você só precise de um novo visual para se sentir mais confiante.”

“Não sei, não sou muito boa com moda e coisas femininas.”

“Eu te ajudo, não se preocupe. Tenho milênios o suficiente para entender sobre o que vocês, humanos, apreciam”, garantiu, realmente animada agora.


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“Toma, prova isso”, ordenou Hyuna, empurrando uma muda de roupas contra seu peito.

Jiyoon analisou aquelas peças, chegando à conclusão de que elas não fugiam muito do seu habitual: calça jeans, camisa lisa e algum tipo de casaco. Concordando com a escolha de primeiro momento, se dirigiu aos provadores da loja e as vestiu. Saiu, repentinamente, um pouco insegura com o resultado e encontrou a mais velha sentada em um banco, com um bolo de roupas ao seu lado.

“Sabia que daria certinho com você”, sorriu confiante.

Jiyoon teve que concordar ao que se olhou no espelho e viu como até o longo casaco de tricô parecia feito para si.

“Até que não ficou ruim.”

“Claro, é de uma escolha feita pela maior estilista do planeta que estamos falando!”, fez-se de convencida, arrancando algumas risadas da mais nova. “Agora veste estes”, lhe empurrou mais algumas peças, sendo obedecida na mesma hora.

Saindo novamente do cubículo apertado, recebeu palmas animadas da mulher para a combinação da vez e sentiu-se feliz por ela ter aprovado. Vestia um vestido simples e preto, com uma jaqueta vermelha por cima que quebrava um pouco a delicadeza da peça.

“Nunca imaginei que ficaria tão bem em um vestido”, riu alegre.

“Ok, mas agora vá tirá-lo logo, pois há uma pilha de vestimentas para provar”, a apressou, ganhando um estirar de língua em sua direção. “Vamos humana, esta cupido precisa achar o resto de seu guarda-roupa ainda hoje!”, provocou com um riso divertido.

Provaram muitas coisas naquela loja, procurando um bom lugar que vendesse sapatos no shopping. Encontraram uma loja lotada de pessoas, mas resolveram enfrentá-la mesmo assim e acabaram se divertindo bastante escolhendo calçados e diversos acessórios. Em muitos momentos se pegavam distraídas observando uma à outra, mas logo fingiam não tê-lo feito e buscavam algum assunto para se entreterem.

“Você gosta de verde, certo?”, questiona a deusa, seguindo até uma loja escrita ‘cabeleireiro’. “Tem algum problema em cortar o cabelo?”

“Não, até acho melhor um penteado mais curto e não me importo com a cor, só não aceito pintar de loiro ou laranja”, riu fazendo uma careta engraçada.

“Então prepare-se, pois farei uma mudança radical nesse seu cabelo ‘padrão coreano’.”

Jiyoon sentiu um arrepio cruzar sua coluna ao perceber o sorriso “psicótico” da mulher a sua frente. Seguiu-a para o local cheio de pessoas conversando, aparelhos eletrônicos ligados e barulho de tesouras cortando cabelos. Foram recepcionadas por um rapaz um pouco alto e muito bem vestido, segurando um secador de cabelos.

“O que as meninas irão querer?”, sorriu simpático, sendo direto e objetivo.

“Minha amiga e eu queremos mudar o visual, inovar. Pode nos ajudar, MinMin?”, pediu Hyuna fazendo aegyo.

Jeon se segurou para não lhe apertar as bochechas, achando-a muito fofa naquele ato e corou com esse pensamento.

“Claro, meu anjo! Minwoo está aqui para servi-las, e com muito prazer em poder realçar a beleza de duas mulheres tão formosas!”, as guiou até duas cadeiras em frente um enorme espelho, preso a parede por grandes parafusos. “Então, como vai ser?”

“Eu só quero pintar de vermelho e uma hidratação”, quis já deixar claro, tocando seus fios loiros. “Minha amiga quer um chanel preto com algumas mechas em verde escuro.”

“Pode deixar comigo, que quando eu terminar vocês estarão de parar o trânsito!, brincou convencido, jogando um cabelo inexistente.


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Jiyoon estava em seu quarto, se olhando no grande espelho do banheiro. Vestia um conjunto moletom de pijama e refletia sobre seu dia. Em sua mente passava o quão havia se divertido com Hyuna, esta se mostrando uma ótima amiga e maravilhosa como pessoa. Após saírem do salão de beleza a deusa ficara repetindo o quanto a humana estava bonita, não reparando como Jiyoon se sentia encantada com a moça ou como, para a jovem, aquela se tornara a mulher mais bela que já teve o prazer de vislumbrar em toda sua vida medíocre. Não conseguia calcular quantas vezes se perdera observando a beleza angelical da Kim, ou quantos minutos gastara ao longo do dia apenas desejando saber se seus lábios eram tão macios como pareciam, e isto estava matando a garota por dentro. Até aquela manhã, era completamente apaixonada por seu colega de faculdade e agora desejava beijar uma pessoa conhecida por si há apenas três semanas? Como aquilo havia acontecido?!

“Esqueça isso, Jeon Jiyoon!”, se ordenou, batendo levemente em seu próprio rosto. “É carência, apenas carência!”

Respirou fundo e balançou a cabeça para afastar aqueles pensamentos estranhos. Pôs um sorriso no rosto e tentou não parecer tão tensa ao voltar para seu quarto, mas sentia que essa seria uma tarefa impossível de cumprir. A visão que teve ao chegar em seu quarto não ajudou, pois a deusa estava deitada de maneira adorável em sua cama e vestia apenas uma longa camisa sua.

“Olá novamente!”, cumprimentou receosa.

“Hum, você demorou”, resmungou a bela mulher com um bico manhoso nos lábios vermelhos. “Já estava para te buscar naquele banheiro.”

“Desculpe”, sorriu amarelo, passando a mão em seus fios recém-pintados, agora um pouco acima dos ombros.

“Vem deitar, dormir é importante e eu estou com sono”, pediu tímida.

Ainda com um pouco de receio, Jiyoon deitou-se ao seu lado e cobriu-se até o nariz, inconscientemente passando a observar o ser delicado ao seu lado.

“Você está muito bonita com esse corte”, Kim sorriu envergonhada, acariciando os fios escuros da Jeon.

“Você é linda, Hyuna unnie”, deixou-se pronunciar, encarando a deusa com o semblante sério. “Ficou mais perfeita ainda de vermelho.”

“Obrigada”, riu constrangida. “Tenho certeza que Minhyuk também ficará encantado com seu novo visual”, tentou mudar o foco da humana.

“Não quero falar dele agora”, aproximou-se do corpo iluminado pela luz da lua, que entrava pela janela que acabou esquecendo aberta, sentindo-se hipnotizada com aquela visão. “Por que nunca te vejo com alguém?”

“Ah, eu sou solteira”, riu fraco, ficando tensa com a aproximação repentina. “A última vez que me relacionei com alguém, eu ainda era humana como você.”

“Nunca me falou que era humana.”

“É uma história longa e trágica, depois conto com detalhes. Resumindo: meu antigo relacionamento era problemático, aconteceram algumas… fatalidades e eu renasci como uma deusa do amor, mais conhecida como cupido para sua espécie”, explicou com um brilho diferente nos olhos, um mais melancólico e amargurado.

“E nunca tentou encontrar outra pessoa?”, segurou-lhe a destra, dividida entre desejo e compaixão.

“Não tenho tempo para essas coisas e é mais fácil lidar com os namoros humanos que tentar paquerar alguém”, deu de ombros, corando pelo contato das palmas quentes. “E quem iria querer ficar comigo verdadeiramente, sem qualquer interesse escondido?”

“Talvez não tenha procurado direito”, sussurrou-lhe olhando-a intensamente nos olhos claros. “Tenho certeza que muitos te querem pelo que é realmente e não pelo que pode dar.”

Hyuna retribuiu seu olhar, acompanhando-a quando Jeon mudou o foco para seus lábios e aproximou-se, acabando com o espaço entre elas. Um suspiro escapou das bocas conectadas e o brilho da lua pareceu ficar mais forte, antes que a Kim se afastasse desesperada.

“Isso de novo não!”, resmungou, correndo para fechar a janela e todas as brechas por onde a lua pudesse iluminar.

“O que… O que aconteceu aqui?”, questiona Jiyoon assustada.

“Lembra que quando nos falamos pela primeira vez eu disse que coisas estranhas acontecem comigo às vezes?”, indagou ao sentar na ponta do colchão, recebendo um confirmar de cabeça confuso. “Em noites de lua cheia os humanos que estão próximos a mim, ficam sobre efeito de um encantamento e eu viro um objeto de desejo”, conta com os olhos apagados.

“Então, eu… Estava enfeitiçada?”

“Isso acontece sempre que se interessam por mim. Mas dessa vez é diferente, porque você já está apaixonada e não pode ser afetada pelo luar”, virou-se em sua direção, com os olhos marejados. “Pelo menos foi o que eu pensei.”

A jovem sentou-se, não conseguindo olhá-la quando nem sabia mais se era tão apaixonada assim pelo rapaz da faculdade. Sentia-se nervosa ao pensar que talvez houvesse se interessado por aquela mulher.

“Vamos esquecer isso e só dormir?”, sugeriu já se enfiando debaixo do cobertor e torcendo para que ela aceitasse.

Sentiu o colchão ao seu lado afundar e prendeu a respiração quando percebeu braços lhe envolverem por baixo do lençol.

“Boa noite, Jiyoon-ah”, murmurou com a voz um pouco falha, apertando a Jeon entre seus braços antes de afastar-se e se encolher debaixo do grosso cobertor. “Não quero que se afaste de mim também”, sussurrou para si mesma, causando um aperto no coração da outra.

Jiyoon experimentou espiar a mulher após bons minutos no mais puro silêncio e a encontrou dormindo profundamente, nem sonhando em como havia deixado a garota afetada o suficiente para não conseguir seguir seu exemplo.


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“O que está acontecendo comigo?”, perguntou-se Jiyoon durante uma de suas aulas na faculdade.

Desde a estranha noite em que havia beijado Hyuna, não conseguia tirá-la da cabeça e nem sua faculdade era perdoada. Sua mente lhe pregava peças, fazendo-a associar a atualmente ruiva a tudo e não se sentia capaz de executar direito simples tarefas diárias, tal como comer. Além disso, estava se sabotando nos planos infalíveis que a deusa montava e nem era algo consciente, quando via já tinha feito ou não executado algo que as levava a um completo fracasso.

“Três meses, já passaram três meses, não há motivos pra isso!”, puxou os próprios cabelos em frustração. “Por que eu não consigo te tirar da minha mente, Hyuna? Por quê?”

Bateu seu rosto contra a mesa, o esfregando com impaciência e bufou raivosa. Alguns colegas de classe olhavam aquela cena com estranheza e se questionavam o que havia acontecido com a garota para de repente parecer uma maluca.

“Eu preciso fazer um teste, é isso!”, disse subitamente, um pouco alterada e viu seu professor olhá-la em repreensão. “Perdão, sunbae!”, curvou-se rapidamente.

Esperando o alarme tocar para que pudesse sair, começou a calmamente guardar seu material na mochila. Assim que colocou seu último lápis na bolsa, escutou o barulho estridente do alarme anunciando o fim de suas aulas e correu para fora da sala. Tentou ser o mais rápida para conseguir chegar ao portão da instituição antes que Minhyuk passasse por ele, quase caindo em alguns momentos.

“Minhyuk oppa, espere!”, gritou tropeçando em uma pedra, se recompondo rapidamente. “Eu preciso falar com você, oppa!”

Viu o rapaz parar de andar e procurar quem o chamava, abrindo um sorriso a identificou. Chegou ao garoto ofegando e se apoiou nos joelhos até que sua respiração voltasse ao normal.

“Oi, Jiyoon”, cumprimentou-a.

“V-você sabe meu nome?”, questiona surpresa.

“Fazemos ética juntos há dois anos e sempre te vejo pelos corredores com a senhora Kim”, explicou gentilmente.

“Ah, a Hyuna unnie”, murmura com um sorriso amarelo.

“Jiyoon-ah, você não saberia me dizer se a senhora Kim está… Hum… Solteira?”, indaga com a face vermelha.

A jovem pôde sentir um gosto ruim no pé da boca, uma coisa desagradável subindo por sua garganta.

“Por quê?”, questiona desconfiada.

“Eu sei que ela é mais velha…”

“Infinitamente mais velha”, fez questão de dar ênfase, interrompendo a fala do rapaz.

“Enfim… Eu sei da nossa diferença de idade, mas realmente me interessei pela noona. Ela me pareceu uma pessoa agradável, com um bom coração e, inegavelmente bela. Talvez ela goste de me conhecer”, quanto mais falava, mais Jiyoon sentia vontade de enfiar algo em sua boca e gritar que Hyuna era sua.

“Ela não está disponível”, cortou o assunto de uma vez., incomodada com  o rumo daquela conversa.

“Oh, tudo… Tudo bem”, fingiu-se de forte, passando a mão pelo pescoço. “Então esqueça o que eu disse agora”, pediu envergonhado.

“Ok”, sorriu falso, vendo Minhyuk afastar-se de seu corpo cabisbaixo e não conseguiu evitar o alívio, mesmo que se sentisse mal pelo baixo astral alheio. “Não contaria mesmo se a unnie estivesse sozinha, porque ela é minha.”

Corou, finalmente percebendo o motivo para seu comportamento estranho nos últimos meses. A ficha enfim caíra e não poderia estar mais confusa quanto naquele momento.


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“Por que me chamou aqui, Jiyoon-ah?”, sorriu tímida, recebendo um olhar intenso e indecifrável desde que pusera os pés naquela cafeteria. “Já faz um tempo que não nos falamos… senti saudade”, confidenciou.

Mesmo sentindo que poderia vomitar a qualquer segundo de tanto nervosismo, segurou as mãos delicadas com as suas, que tremiam um pouco e começavam a suar. Um pequeno choque gostoso passou pelos dois corpos e as duas moças sorriram com isso.

“Sabe, unnie, eu realmente não imaginei que isso fosse acontecer e não poderia me importar menos com isso, pois valeu muito a pena”, começou com a voz querendo falhar, fazendo carinho na pele sedosa. “Eu só percebi hoje, mas sei que o que sinto é de muito tempo já. É uma coisa muito louca e que não tive nem com o Minhyuk oppa.”

“Onde você quer chegar?”, questionou com o coração disparado.

“Eu gosto de você, Hyuna. Estou, mais exatamente, apaixonada por você”, seu rosto fervia em vergonha, mas fazia um esforço para não desviar os olhos dos da mais velha. “Não sei se foi esse seu amor por romances, ou essa enorme bondade, nem tão pouco se foi sua sinceridade…”

“Eu também gosto de você, Jiyoon”, lhe interrompeu, sorrindo largo.

“Pode repetir?”, sua expressão era de surpresa, mas de longe era perceptível sua felicidade.

“Eu, Kim Hyuna, deusa do amor e cupido nas horas vagas…”, brincou, arrancando uma risada da mais nova. “Com três mil anos de existência e uma beleza naturalmente angelical, estou completamente apaixonada pela humana ranzinza, Jeon Jiyoon.”

Wow!”, sussurrou sem reação, rindo desacreditada. “Escutar isso faz um bem que eu nem imaginava.”

Alguns minutos se passaram enquanto Jiyoon digeria toda aquela informação. Hyuna lhe encarava ansiosa, mordendo o lábio a espera de alguma atitude.

“Anh, namora comigo?”, indaga ainda perdida.

“Sim”, assentiu freneticamente, apertando as mãos da garota.

Ambas sorriram alegres com a situação, suspirando ao absorverem a ideia de que agora pertenciam uma a outra e nada poderia impedir isso. A deusa voltou a morder seu lábio, enquanto Jiyoon finalmente resolvera tomar uma atitude mais ousada e juntou a boca a sua. Fecharam seus olhos, movendo os lábios de forma calma e suave, apenas aproveitando o momento. Jeon segurou-lhe o rosto com delicadeza, afagando suas bochechas e suspirou contra a carne macia de sua boca. Sabendo onde estavam, afastaram seus lábios e permaneceram se olhando com carinho. Não necessitavam de mais nada para serem mais felizes, estavam satisfeitas apenas em saber que teriam uma a outra para se apoiarem quando precisassem, de agora em diante.


Notas Finais


Gostaram? Espero que sim.

Capa: All-for-Jiwon
Beta: Tekirai


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