1. Spirit Fanfics >
  2. A Diaba e a Missionária >
  3. Sertanojo

História A Diaba e a Missionária - Capítulo 20


Escrita por:


Notas do Autor


Oie, little fandom! Voltei com um cap. procês! <3

Tá bem básico, no proximo eu inflamo mais essa situação do Petrix com a Rafa, a Mari com a Bia e por fim Rabia, tá bom? É que faz quase 5 dias mds, aí quero atualizar logo pra vocês ficarem calminhos <3

Enfim, boa leitura =]

Capítulo 20 - Sertanojo


Fanfic / Fanfiction A Diaba e a Missionária - Capítulo 20 - Sertanojo

Pela manhã ensolarada de uma quarta-feira, pouco antes do almoço, Rafaella é chamada no confessionário com um alerta de atenção no painel. No fundo, já desconfiara sobre o possível assunto: o ato agressivo de Gizelly. Para ela, considerariam mais a sua versão sobre os fatos, juntamente com a versão de Gizelly, do que a própria visão da produção. Nada mais justo, pois há uma diferença entre quem participa e quem vê.

A mulher termina de tomar seu chá, pondo a xícara na pia preocupada se teria ou não um tempo minimamente necessário para conseguir lavar a peça de porcelana. Por também estar na cozinha, Petrix se dispõe a lavar, incentivando Rafaella a ir sem se preocupar. E ela o faz, caminha até o cômodo indicado, com sua respiração modificada.

Não gostaria de ver Gizelly sendo expulsa, pior ainda em tal situação.

Com um movimento rápido, Rafa abre a porta do confessionário, caminhando até poltrona e sentando na mesma. Sem muita demora, a voz mecânica do BIG BOSS ecoa pela pequena sala.

— Rafaella, nós percebemos alguns atos equivocados de uma participantes ontem após a eliminação. Queremos esclarecer a situação, saber a sua posição sobre o ocorrido. — Ele diz num tom claro o suficiente para a mulher sentada o entender.

— Tudo bem. Pode me dizer o ocorrido?

— A participante Gizelly arremessou uma lata de alumínio em sua direção, você afirma isso?

— Sim, a Gizelly arremessou, mas não foi na minha direção, foi para cima. Bom, eu acho que foi sem intenção, acabou pegando em mim sem querer. — Rafa tenta explicar, gesticulando com as mãos.

— Então para você, foi um ato impremeditado? — Ele pergunta por fim, recebendo um murmuro afirmativo de Rafa.

A conversa logo termina, com Gizelly sendo chamada na sequência. A mulher mais baixa encara Rafa com ternura, um olhar cabisbaixo... Ela apernas sorri, indicando que estaria tudo bem. Afinal, sabia que Gizelly jamais faria algo do tipo se estivesse sóbria. Gostaria de conversar com ela após a saída do confessionário, então Rafa opta por esperar na sala.

No quarto, ainda dormindo, Bianca acorda sozinha com um desvio mental. Encara a cama, percebendo que dormiu novamente na cama de Rafa. Ela respira fundo, lembrando vagamente da noite passada, juntando forças para se levantar da cama quentinhas.

— Acho que a Gi agrediu a Rafa, algo assim. — Gabi comenta baixo, mas não o suficiente para Bianca deixar de ouvir.

— Sim, mas acho que não acontece nada com ela. — Marcela termina de dobrar algumas peças de roupas que estão na cama.

Seguindo a linha lógica, Bianca se pergunta se a produção do programa já teria chamado Rafa. Rapidamente ela levanta, ajeitando a calça folgada. Só então Bianca repara que a peça de roupa não é sua, identificando ser de Rafa pelo tamanho. Nem conseguir ver o próprio pé a mulher consegue. Ela ri, andando até a sala sem se importar.

— Bom dia. — Bianca se aproxima de Rafa, que está aérea, focando seu olhar em um ponto qualquer do cômodo.

— Bom dia. — Rafa responde a fitando, notando os olhos baixos, pequenos rastros de um sono pesado.

— Tá tudo bem? Eles chamaram você? Vão expulsar a Gi? — Bianca pergunta tudo num fôlego só, sentando sobre os calcanhares.

— Calma. — Rafa diz apoiando a mão no ombro dela. — Sim, eles me chamaram e agora ela tá lá dentro.

— O que você disse? — Bianca não disfarça sua euforia.

— Que não foi intencional. Ela não tava bem, Bia. E só pegou de raspão, nem machucou ou algo do tipo. — O suspiro baixo faz a mulher liberar um pouco da tensão, observando Gizelly entrar no seu campo de visão totalmente arrasada.

— Perdi mil estalecas. — Gizelly informa perplexa, passando as mãos pelo rosto e se aproximando das duas.

— Deveria ser expulsa. — Bianca levanta do sofá num segundo, ficando cara a cara com Gizelly. — Você poderia ter machucado a Rafa!

— Eu sei disso! E eu quero me desculpar. — Gizelly eleva o tom, não querendo brigar com elas.

— Desculpa não é o suficiente. Você precisa se controlar. Se não sabe beber, não beba! — Bianca continua inconformada pela falta de cuidado da mulher.

— Bia, calma... — Rafa se levanta. Assim como Gizelly, Rafa queria resolver tudo na paz, na calmaria.

— Calma é o caralho. — Bianca anda até a cozinha, sendo puxada por Flay. — Se você tivesse machucado ela, Gizelly...

— Mas gente. Eu taquei a lata em você, Bianca? Não! Nem a Rafa tá toda nervosa assim. — Gizelly anda até Rafa, tentando controlar a sua respiração. — Rafa, eu sinto muito, de verdade. Acabei me exaltando e fazendo um ato totalmente perigoso. Desculpa se de algum modo eu te feri. — Ela fala sem jeito, sem saber o que falar direito.

— Tá tudo bem, eu sei que foi sem intenção alguma. Nem precisa pedir desculpa. — Rafa sorri gentilmente para ela.

— Precisa sim! — Bianca aparece novamente na sala, parando ao lado de Gizelly.

— Você também quer perdão, Bianca? Eu não me importo de te dar, se for pra você ficar em paz.

— Eu só quero que você reveja as suas ações. Na hora lá mesmo, eu quase fiz uma merda, mas a Rafa não deixou. — Ela confessa, apontando o dedo na cara da Gizelly.

— Bia, chega. Ninguém machucou ninguém aqui. — Rafa se posiciona na frente de Gizelly, querendo dar um basta na situação.

— Desculpa! Não jogo mais porra nenhuma em ninguém nessa casa, tá bom? — Ela diz rindo, enquanto Bianca sai andando para a área externa da casa. — Que bicho mordeu ela?

— Acho que você sabe muito bem que bicho mordeu ela. — Flay comenta baixo, passando por Gizelly e seguindo os passos de Bianca.

Rafa respira fundo, querendo fazer algo sobre essa situação das duas. Ela então decide ir também atrás de Bianca, tentar a convencer em ir conversar com Gizelly, apenas as duas, civilizadamente. Na grama, Bianca julga Gizelly, a chamando de irresponsável e inúmeras outras coisas.

— Flay, ela é louca. — Bianca aponta para a casa, enquanto murmura alguma coisa.

— Bianca, você melhor do que qualquer pessoa aqui dentro sabe o quanto a bebida mexe com a gente. Ela fez algo de errado e pediu desculpa, você não acha que tá fazendo cena demais? — Flay tenta mostrar os pontos para ela, mas Bianca se nega a enxergar.

— Alumínio, amiga. — Ela ressalta.

— Nem que fosse vidro, minha filha. Não pegou na porra da Rafaella. Você tá ficando cega? Não pegou um milímetro na pele dela. — A voz carregada de sotaque faz Bianca rir, achando a forma em que Flay fala totalmente hilária. — Tá rindo, desgraça?

— Mas se tivesse pego... — Flay a corta, jogando a almofada em Bianca.

— Vai se foder, Bianca. Não pegou, caralho! Deixa de drama, mulher. — As duas caem no riso, nem percebendo a aproximação de Rafaella.

A mulher alta para perto delas, recebendo os olhares de ambas. — Depois a gente continua, tá bom? Não surta não, ein. — Flay empurra Bianca novamente, se levantando da grama e voltando pra casa.

— Veio brigar comigo também? — Bianca diz observando Rafa se sentar ao seu lado.

— Não. Eu só quero saber o porquê disso. — Suas mãos vão até seu cabelo, fazendo um coque desajeitado.

— Você não entende a gravidade dela ter jogado aquela porra em você? — A voz alterada retorna, deixando Bianca novamente inconformada. — Como você tá assim, tranquila?

— Porque não pegou em mim. E mesmo se tivesse, ela não fez na maldade, Bia. Você tava lá na hora, viu que ela estava brincando com a gente. — A calmaria de Rafa irrita Bianca, se negando a entendê-la.

— Mas Rafa...

— Bia, olha. — Ela fita os olhos melancólicos. — A Gi tá mal com isso, ela não fez por mal, você no fundo sabe disso. — Rafa apoia sua mão no braço de Bianca. — Você pode conversar com ela? Tava um clima tão bom entre a gente, brincando...

— Mas você me entende? — Bianca se aproxima dela, encarando o rosto sem qualquer desvio. — Eu fiquei preocupa com você, muito.

— Não precisa se preocupar. — Desvia o olhar, se levantando da grama. O tom emotivo de Bianca a deixa com uma sensação indecifrável, o que Rafa não liga, pois não faz questão alguma de decifrar. — Cê conversa com ela?

— Converso. — Sua falta de certeza faz Rafa rir enquanto se afasta para ir chamar Gizelly.

O pessoal na sala fica inquieto, preocupados com mais um possível surto de Bianca, seguido de uma terceira tentativa de sair do programa. Felizmente Rafa volta e informa que está tudo bem, que ela conversará com Gizelly e tudo mais. Sentindo seu corpo pesado ao extremo, Rafa decide cozinhar para relaxar, mas antes passa no quarto céu para arrumar o cabelo com mais eficiência.

— Gizelly não precisa passar por isso. — Marcela comenta de um jeito sem graça ao ver Rafa na porta.

O clima do quarto parece pesar com a presença de Rafa, ela mesmo percebe isso. Todas ficam em silêncio, com semblantes avoados, como se estivessem sido pegas no flagra. Rapidamente Rafa arruma o cabelo, sentindo um enorme desconforto. Ela respira fundo, passando o olhar pelo quarto e saindo com passos apressados.

Falavam de Bianca, sem dúvida.

Mesmo sem saber o real assunto, não conseguia não se deixar abalar. Entendia a infantilidade, ou o zelo excessivo de Bianca sobre si. Não a julgava, pois considerava estar na mesma posição, talvez até pior. Suas projeções ultrapassavam qualquer justificativa com alguém especial, e não considerou as da empresaria. Automaticamente Rafa se culpa por não ter respeitado o espaço e tempo de Bianca com a situação, mesmo que para si fosse algo totalmente tolo, já que não sofreu ameaça alguma.

A cozinha é ocupada por Lucas e Felipe, os dois cozinham macarrão instantâneo. Eles encaram Rafa, percebendo que a mulher iria mexer em algo ali.

— Você vai usar? — Felipe pergunta, apontando para o fogão.

— Sim, mas não precisa sair. Dá pra usar de boa. — Rafa soca o alho na panela, dividindo o olhar entre a panela e as duas mulheres que se aproximam da porta da cozinha.

— Eu gosto de você, porque você é igualzinha a do Instagram. Só muda o efeito. — Gizelly aperta a bochecha de Bianca, a fazendo gargalhar.

— É que eu sou muito preocupada com quem eu gosto. Desculpa, não foi minha intenção surtar e xingar você. — Bianca abraça a mulher.

Os olhos atentos de Rafa observa a cena inesperada, sentindo seu coração ficar cada vez mais quentinho. Ouvir Bianca dizer que se preocupa com ela, a deixa com um sorriso bobo nos lábios, um ato incontrolável.

— Tudo bem, águas passadas. — Gizelly pisca pra ela, cumprimentando Rafa com um sorriso.

Bianca para ao lado de Rafa, a observando lavar o arroz. Pode ser a coisa mais simples do mundo, mas o fato da mulher mais alta o fazer torna tudo muito diferente, mais atrativo. Ela parece distraída com o alimento, já o colocando em uma panela para cozinhar. Ao terminar de fechar a panela com a tampa, Rafa finalmente eleva seu olhar, focando no rosto de Bianca, a observando sorrir de uma forma gentil. Ela suspira, dando a volta e saindo do ambiente.

Poderia não ser uma das suas conclusões naquele momento, não se importando com harmonia nenhuma vista a situação, mas o fato de Rafa a cobrar isso, de alguma forma, tornava a coisa de suma importância. Não conseguira de forma alguma ir contra suas sugestões, o que acaba gerando um conflito entre personalidades de si mesmo, onde uma parte não se deixa induzir por ninguém e a outra onde se considera correta o suficiente para não dar o braço a torcer.

Gizelly não só torceu o braço, como deu dois tapas na cara alheia sem usar as mãos. A mulher leu todo o jogo de Bianca de uma forma totalmente inusitada pela mesma. No fundo, Gizelly sabia dos motivos pelo qual ela agira de tal forma, e num ato de puro impulso decidiu expôr.

Na hora do almoço, Bianca se agoniza atrás de Flay, a puxando consigo até o gramado.

— O que foi, Bianca? — Ela pergunta se soltando das mãos possessivas de Bianca, que a puxavam pelo pulso.

— Flay, eu não sei como, mas a Gizelly sabe. — Bianca dá uma rápida olhada para trás, tendo um leve receio de que alguém as escute.

— Sabe do quê? — Cruza os braços, querendo que a mulher à sua frente seja mais clara.

— Ela sabe que eu gosto da Rafa. Bem, não é gostar... Mas ela disse que me ajuda a beijá-la. — Bianca conta tudo rápido demais, demonstrando sua euforia.

— Puta merda, e isso é bom? A Rafa vai matar você se ela descobrir... — Bianca rapidamente tapa a boca dela com suas mãos.

— Fala baixo! E é bom sim, porque aí ela me ajuda indiretamente. Amiga, você não sabe o sufoco que é conseguir cantar aquela mulher. — Bianca ri, inclinando seu corpo ao dela.

— Mas cantar a Mari você consegue, né? Só funciona com a lindona lá. — Flay afasta o rosto de Bianca, a vendo fazer biquinho com os lábios para a beijar. — Sai, Bianca.

— É diferente. — Ela continua aos risos, não se contendo de felicidade. — A Rafa tirou "B" ontem, e eu "R". — A animação de Bianca faz Flay a encarar sem reação, a julgando por maluca.

— Quê? Você tá ficando louca? — Flay estapeia o braço de Bianca, ainda sem compreender alguma coisa.

— É uma brincadeira com a latinha. Ontem a noite ela me disse que tirou a letra "B", do nada. Acho que ela tá caindo nos meus encantos. — Bianca se gaba.

— Quais encantos? Conseguir arrotar em palavras? — As duas riem, com Bianca negando com a cabeça. — Você toma jeito, Bianca.

— Hoje na festa eu pergunto a ela. — Ao longe, as duas veem Mari na porta da cozinha, as chamando. — Agora você e a Gi sabem, apesar que só você sabe sobre o beijo.

— Bianca, Bianca... Você finja que não me conhece quando essa coisa explodir. — Flay diz receosa, nem querendo imaginar a reação de Rafa com tudo isso.

— Relaxa, não tem nada aqui pra explodir.

Enquanto caminham de volta à casa, Mari as observa curiosa. Assim que Bianca entra no seu campo, Mari a puxa para um abraço, julgando estar sendo abandonada pela mesma. As duas ficam grudadas na mesa da cozinha, conversando entre si.

— Essa carne tá meio dura. — Mari comenta tentando cortar a carne.

— Bem, não tem como eu saber. — Bianca comenta, elevando o olhar para Rafa.

A mulher respira fundo encarando as duas. Não iria se estressar com quem não se põe a ajudar e só sabe reclamar.

— Quando eu fritei não consegui deixar na ponto, acabou passando. — Ela se posiciona, reparando o pessoal da mesa a olhar.

— Ah bom... — Mari continua tentando cortar a carne, mas Bianca pega para a fazer.

— Calma, eu corto pra você, tá bom? — O som mais agudo na voz de Bianca faz Mari apertar o rosto dela e a beijar na bochecha.

A cena das duas interagindo faz o estomago de Rafa revirar, perdendo aos poucos a vontade de comer. Do outro lado da mesa, Gizelly acha graça da situação, percebendo o desconforto de Rafa com Bianca e Mari. Apesar de achar tal coisa, não consegue compreender como uma mulher feito Rafa pode se deixar cair na lábia de Bianca, ainda mais depois de todo aquele teatro de rivalidade no começo do confinamento. Jamais pensara nas duas dessa forma, como um possível caso, já que sempre achou Bianca bem mais próxima de Mari, e vice versa. Rafa sempre foi reserva demais, não conseguia a imaginar beijando alguém em frente às câmeras.

— Você faz maquiagem também, não faz? — Gizelly pergunta para Rafa, percebendo ainda o incomodo no olhar da mulher.

— Só em mim, nada muito profissional. — Ela desvia seu olhar da cena emotiva à sua frente, focando em Gizelly que está ao lado de Marcela.

— Mentira! Você maquia tão bem, eu amo os seus olhos. — No mesmo instante Bianca a encara incrédula, não entendendo suas intenções.

Flay dá uma risada, cutucando o braço de Bianca para a mesma ver a interação de Rafa e Gizelly.

— Você acha? Obrigada, Gi. Eu sei o básico para me ajeitar do jeito que eu gosto, entende?

— Sim, eu particularmente adoro. Mas então, será que rola você me maquiar hoje? — Ela diz animada, levando o prato até a pia.

— Claro. Só se adiantar cedinho, pra não atrasar, tá bom? — Gizelly concorda, já lavando a louça.

— Você me ajuda aqui? — Ela pergunta.

— Sim, cê lava e eu guardo. — Rafa se levanta da mesa, ignorando qualquer olhar, indo ajudar Gizelly.

A inconformação de Bianca com Gizelly praticamente grita pelos olhos negros dela, querendo arremessar o prato nas duas, como um boomeran. Flay ainda mantém sua postura risonha, sabendo da imaginação fértil de Bianca, que com certeza maldaria as ações de Gizelly com Rafa. Para si, não passara de uma ação qualquer, até porque se a mulher diz que a ajudaria, teria que ser mais próxima da outra.

— Você viu aquilo? Ela não quer me ajudar, ela quer me foder. — Bianca comenta entrando no quarto com Flay, totalmente estérica. — Ela sempre me pede ajuda, Flay.

— Bianca, calma! — Aos risos, Flay tenta acalmar a amiga. — A Gizelly não fez nessa intenção, ela só deve querer ser mais próxima da Rafa.

— Mais? A Rafa praticamente me obrigou a ir conversar com ela contra a minha vontade, se isso não é ser próxima... — Ela joga o travesseiro de Rafa no chão.

— Bianca, para. Você tá ficando maluca? — Flay pega a peça de cama, posicionando no mesmo lugar.

— Amiga, a Gi que é maluca. Ela sempre elogia a Rafa também. E se ela ficou com ciúmes e agora tá tentando roubá-la de mim? — A imaginação de Bianca vaga no limite, a deixando fora de si.

— Eu vou bater em você, Boca Rosa. Mulher, deixe disso. Você veio aqui pra isso? Pra sofrer por mulher? Não era pra divulgar teus produtos? Vai usar Boca Rosa nos outros, maquia todo mundo. — Flay tenta trazer Bianca de volta ao mundo real, pegando a maleta de maquiagem dela e a entregando.

— Flay, eu tô ficando maluca. — Ela se senta na cama, passando as mãos pelo cabelo.

— Ficando?! Você é maluca! — Ela ri, apertando o ombro de Bianca. — Fica tranquila, tá tudo dando certo.

— Tudo bem... — Bianca começa a trabalhar a respiração, com Flay a ajudando. — Vou focar na make, em mim... — No mesmo segundo Gizelly entra no quarto, parando e olhando para as duas. — Anda, sai daqui! — Bianca joga o seu travesseiro na direção de Gizelly.

— O quê? Que isso menina? — Gizelly segura o travesseiro, encarando Bianca, totalmente confusa.

— Crise de ciúmes. — Flay fala, vendo Rafa também entrar pela porta. — É que a Mari me deu num selinho e não deu nela. — Mente, sentindo o seu corpo inteiro tremer assim que a mulher mais alta a encara.

— Boca Rosa, é só você pedir com carinho. — Gizelly mantém seu semblante confuso, mas tenta entrar na onda delas.

— Eu vou... — Bianca sente sua garganta secar assim que Rafa a fita, com aquele semblante sério de revirar qualquer pessoa. Bianca até dá um sorriso de canto para ela, mas a mulher se mantém séria, ajeitando sua cama.

A falta de reciprocidade deixa Bianca num míni-colapso, não conseguindo achar motivos para tal reação. Sua vontade é de a obrigá-la a sorrir. — Vamos tomar um sol? Aproveitar enquanto não fecharam a área externa. Aqui tá um clima pesado demais. — Bianca fala em um tom carregado de deboche, procurando por um biquíni na sua mala.

— Você não vai dormir ali? — Flay aponta para a cama de Rafa, que para a sua infelicidade está de costas.

— De jeito nenhum. — Bianca arregala os olhos, negando as ações de Flay. Ela pega o biquíni, protetor e óculos de sol, saindo juntamente com Flay do quarto. — Sua filha da puta! — Bianca exclama, batendo com seu biquíni em Flay.

— Eu tinha que zoar com a sua cara ciumenta. — As duas riem enquanto trocam de roupa.

— Meu corpo congelou na hora, desgraça. — Bianca corre para dentro do banheiro privado, querendo se trocar com mais segurando.

Na piscina, Manu e Thelma não se aproximam tanto assim de Bianca, a olhando de canto de olho. A mulher percebe a reação e se questiona o motivo, já que não se lembra de ter feito nada de errado. Flay também percebe, mas prefere ignorar, ajudando Bianca a fazer o mesmo. Mari também se junta a elas, se jogando nas costas de Bianca.

— Sereia demais, né Flay? — Mari beija a bochecha de Bianca, segurando o maxilar dela.

— Sereia? Isso aí é uma piranha, das brabas. — As três riem.

— Olha, sua filha da puta. Posso até ser, mas sou romântica. — Bianca sorri com os olhos semicerrados, a deixando com um semblante carismático.

— Amiga, eu posso beijar a sua boca? — Mari pergunta derretida, apertando as bochechas de Bianca.

— Não, nem comecem com as boiolices de vocês. — Flay tira a mão de Mari do rosto de Bianca, evitando qualquer ação afetiva entre as duas.

— Isso é homofobia, sabia? — Bianca joga água em Flay, sendo empurrando para baixo por Mari. Ela consegue voltar à superfície rapidamente, tossindo por ter sido pega desprevenida. — Porra, Mari!

— Olha o cabelinho dela, Flay. Fica todo bagunçado no rosto. — Mari ri de como Bianca fica, toda desajeitada. Ela se solta das costas dela, indo ajudá-la.

 

[...]

 

Horas antes da festa começar, todos já começam a se arrumar. As meninas focam na maquiagem, como já decidido antes, Rafa se dispõe a ajudar Gizelly com essa parte. Bianca termina seu banho ao lado de Mari, já que passaram a tarde inteira na piscina logo após Flay sair para ir dormir. Rafa, ao perceber que a mulher continua dormindo mesmo com todas se arrumando, se põe a chamá-la para ir se arrumar. Flay agradece, caminhando até o banheiro.

As roupas de cada uma chega, num estilo country. Nada demais, considerando o tema sertanejo.

— Será que vai ter fotos da Rafa lá também? — Bianca debocha, indo vestir a sua roupa no banheiro privado, já totalmente maquiada.

— Bianca, você segura essa língua. — Flay a informa, nem imaginando uma possível briga entre a amiga e o líder.

— Adorei. Ficou ótimo em mim. — Bianca sai do banheiro vestida, com um short jeans apertado, botas até o joelho marrons e blusa quadriculada vermelha.

— Eu gostei, você fica bem nessa blusa aí. — Flay a elogia, terminando de pôr a sua calça.

— Mas olha você também, ein? E essas pernas aí? — Bianca a elogia num tom humorado, dando um tapa na bunda de Flay. — Não ouse roubar o meu brilho esta noite. — Ela anda até o espelho, ajeitando o batom e a sombra.

As duas terminam de se arrumar, indo para a sala. Parada perto dos vidros, se ajeitando, Bianca avista Rafa, vidrando seu olhar sobre o corpo da mulher. As vestes combinam ao extremo com ela, desde a sua calça jeans justa à sua blusa branca indo até o antebraço, as botas longas em um tom de cor marrom. Incrivelmente o look combinara com ela.

— Estamos combinando. — Mari diz parando ao lado de Bianca. Ela observa a roupa de Mari, vendo que de fato se ventem parecidas, com diferença apenas na blusa, a dela é um pouco menor do que a sua.

— O bom é que ambas estamos gatas. — Bianca ri, abraçando a cintura de Mari.

— Sim, principalmente você. — Ela sorri para Bianca, que mantém seu olhar à frente, direcionado a Rafa.

Não demora muito e as portas se abrem, permitindo o acesso à festa. Petrix puxa Rafa pela mão, andando ao lado dela, totalmente animado com a decoração da festa.

— Viu! Tudo que a gente pediu. — Ele diz sorrindo para Rafa, que sorri gentilmente para ele.

Bianca roda os olhos com a cena, indo até as comidas. Focaram nos alimentos mais salgados e picantes, assim como toca um rock bem animado. A festa agrada a todos, não teria do que reclamar.

O homem mostra as suas fotos para o pessoal, explicando cada situação do momento em que foram tiradas. Bianca nem se preocupa em escutar, apenas vai catando as comidas pela mesa, provando de tudo. Seu olhar volta a multidão, vendo que o homem agarra a cintura de Rafa com uma das mãos. O fato da mulher nem se incomodar acaba deixando Bianca enciumada, deixando sua mente fluir em pensamentos nada agradáveis.

— Acho que hoje você surta. Não tem uma música boa. — Flay comenta, inconformada com o ritmo da festa. — Isso é velho pra cacete.

— É, né. Petrix. O que esperava? Axé? — Elas riem, andando até os banquinhos.

— Ela parece um urubu em cima da Rafa. Olha só aquilo ali. — Flay aponta para os dois dançando.

— Amiga, daqui a pouco vai ser os sertanejos, ele vai grudar nela. — Bianca ri de nervoso, pensando no que irá fazer para não passar a festa inteira pelos cantos.

— Vamos beber, assim a gente também dança horrores. — Flay percebe o desânimo no semblante de Bianca, se negando a deixar a amiga ficar assim. — Pode se agarrar em mim, eu deixo.

— Cadê a Mari? — Bianca se levanta, terminando de comer um canudinho recheado. Ela ajeita o short jeans, vendo Mari na outra ponta da pista, conversando com Gabi e Manu. — Lá na puta que pariu. — Murmura indignada com a distância. — Você vem comigo? — Flay nega, ainda comendo.

Bianca suspira, indo até lá sozinha, sendo surpreendida com o corpo de Petrix sendo chocado ao seu.

— Desculpa! Eu não queria... — Ele tenta se desculpar aos risos, segurando na mão de Rafa, que também ri do quase tombo dos dois.

— Tudo bem, não machucou. — Bianca fala séria, passando entre eles, os obrigando a soltarem as mãos. Ela nem direciona seu olhar para Rafa, apenas ignora toda a situação e continua seu caminho. — Ei, vamos dançar, amiga. — Bianca chega em Mari, a segurando pela mão.

— Sim, minha flor. Deixa só eu terminar de conversar um negócio aqui.

Enquanto Mari termina de conversar, Bianca sente novamente o incomodo presente nos olhares das meninas. Manu parece desviar sempre do seu olhar, Gabi... nem se fala. Ela tenta a todo custo ignorar tudo isso, implorando mentalmente para Mari terminar logo para poderem se afastar e curtir a festa juntas.

— Ei, Boca Rosa. — Gizelly chama a atenção de Bianca, com um copo na mão. — Não tá bebendo? Que milagre é esse? — Ela ri.

— Eu tô esperando a Mari pra ir lá pegar comigo. — Bianca explica, sentindo Mari a puxar pela cintura, aproximando-a mais de si.

— Por que não vai sozinha? — Gizelly continua rindo, observando Rafa aparecer atrás de Bianca com um copo também em mãos.

— Porque eu quero ir com a Mari. — Ela dá de ombros, apoiando as mãos no ombro da amiga, só então notando a presença de Rafa atrás de si.

— Gi, cê dança comigo? — Rafa pergunta desviando o olhar de Bianca.

— Claro. — Gizelly sai aos risos, percebendo que Bianca não está nas suas melhores versões.

Ela respira fundo, fitando Manu e Gabi, essas param de rir assim que Bianca joga seu olhar sobre elas. O papo parece não ter fim, pois é aprofundado a cada frase dita. Bianca respira fundo, se desvinculando do corpo de Mari, mas a mesma a impede, notando sua impaciência.

— Depois a gente conversa. — Mari gesticula com as mãos. — Vamos curtir a festa, não é? — Ela aperta a mão de Bianca e sorri gentilmente para elas, antes de sair andando até a mesa de bebidas.

— Tudo bem se você quiser ficar lá. — Bianca solta a mão dela, observando as meninas que ainda as encaram.

— O quê? Não, eu quero ficar aqui. — Mari fica confusa. — Por que isso do nada?

— Porque elas estão me tratando diferente desde mais cedo. — Bianca fala e pega um copo, despejando bebida nele.

— Diferente como? Não reparei nisso, pra mim tá tudo normal. — Mari visa o rosto de Bianca com atenção, aflita com a amiga.

— Eu não sei. Não quero pensar nisso agora, talvez seja coisa da minha cabeça ou jogo delas. — Dá de ombros, não se importando com qualquer uma das duas opções. — Todo mundo aqui tem um jogo, mas parece que só eu não tenho.

— Eu também não tenho um jogo, você sabe disso. E tá tudo bem não ter, ninguém é obrigado a criar estratégia todo dia, todo segundo... — Ela faz uma careta, demonstrando a sua repulsão contra o perfil de jogador que tanto cobram ali dentro.

— Por isso que você é tão parecida comigo, você vive os momentos independente de jogo. — Bianca bebe o líquido do copo, ouvindo a música sertaneja.

— Sim, e essa música? Você dança comigo? — Mari pergunta, pegando o copo de Bianca e bebendo do mesmo.

— Claro. — As duas andam até a pista, que já está repleta de pessoas dançando.

Pode até não ser um dos melhores ritmos para o pessoal da casa, mas estes mesmos conseguem se adaptar facilmente ao sertanejo. A vibe sertaneja toma conta do pessoal, despertando o desejo pela dança em todos os participantes. A galera canta mais do que dança, o que de certa forma deixa tudo mais emotivo. Bianca mesmo se recusa a cantar, dançando solta na frente de Mari, que assim como os outros segue cantando e se mexendo. Um pouco mais para o meio, Rafa dança próxima a Gizelly, com Petrix também por perto. Seus passos são bem desenvolvidos, mostrando a sua vocação sertaneja.

Com a garganta já praticamente seca, Bianca corre até as bebidas, enchendo seu copo até o limite. Ela dá um gole, voltando a enchê-lo novamente diversas vezes. Ao parar e olhar ao redor, acaba reparando em Rafa, se aproximando com Gizelly e Manu ao seu lado. A mais baixa desvia o olhar, enchendo o copo e esperando as duas amigas de costas para Bianca. Ela mesmo ignora todo mundo ali, virando seu corpo para frente e o encostando na mesa. Rafa enche seu copo, percebendo o olhar de Bianca sobre si. Por um momento de descuido, os movimentos saem errados e acaba deixando a taça cair, por estar reparando demais no corpo à sua frente.

— Rafa, tá tudo bem? — Manu pergunta a vendo murmurar algo enquanto pega a taça do chão.

— Sim, só escorregou. — Ela respira fundo, pegando um outro recipiente da mesa. Seu olhar ainda se mantém preso à figura pálida, não entendendo o porquê da mulher a encarar tanto.

Nem poderia concluir se seria efeito do álcool ou não, já que não acompanhou suas doses de perto. Passou praticamente a festa inteira ocupada, conversando e dançando com o pessoal, nem se lembrara de álcool algum. Ela rapidamente se culpa por não ter dado atenção para a mais baixa, um sentimento tão incomum, visto que estava curtindo a festa por si só. Não tivera obrigação nenhuma com Bianca, mas mesmo assim a mulher se deixa levar, discordando pela milésima vez do seu lado racional.

— A Mah tá chamando pra dançar, eu vou lá com ela. — Manu fala olhando de Rafa para Bianca, notando que a mais alta ficará por ali com a outra.

— Tá bom, depois eu vou lá. — Rafa dá um meio sorriso para a amiga, a vendo afastar-se. Ela suspira, se aproximando da garrafa de vodka e despejando o conteúdo no seu copo.

O corpo de Bianca fica há centímetros do dela, o que a deixa nervosa sem saber o que falar, pois desde o momento na cozinha que elas não conversam.

— Rafa... — A voz de Bianca sai rouca. Ela ajeita sua postura, ficando com a coluna ereta. Sua mão vai até o balde de metal, capturando com rapidez uma lata de cerveja. — Aqui. — Ela abre a lata, encarando Rafa com um sorriso largo nos lábios.

Rafa encara a lata, não entendendo o que Bianca quer dizer com isso, afinal, já está bebendo e ela claramente a viu pegar a bebida. Mesmo desconfiada, Rafa opta por pegá-la, observando o sorriso de satisfação de Bianca. — Você tirou "B", não foi? — Ela se afasta da mesa, andando para trás do corpo de Rafa.

A mais alta fica em uma espécie de transe. Não passou pela sua mente nenhuma possibilidade da mais nova ter a escutado falar sobre isso na noite passada, muito menos em sua capacidade de a questionar sobre. Por alguns segundos não recordou da impulsividade alheia, se xingando mentalmente por tamanha burrice.

— Uhum. — Rafa murmura, começando a ficar tensa com a proximidade da mulher ao seu corpo. — Eu acabei girando o fecho com muita força. — Ela tenta se justificar.

— Tá bom, vamos tirar a prova aqui, agora. — Bianca dá dois passos para frente, ficando cara a cara com Rafa, não querendo perder qualquer detalhe da expressão facial dela.

Mesmo se sentindo intimidada, Rafa concorda em fazer a brincadeira por uma segunda vez. Com o dedo indicador e o polegar no fecho da lata, ela o puxa com uma certa força para a direita.

— "A..." — Fala por um fio de voz, sentindo o metal da lata pressionar a pele da sua mão. Mais do que concentrada, a mulher pressiona a peça de metal para o outro lado, na mesma ou em maior pressão do que a anterior. — "B." — E o metal é arrancado da lata, caindo no chão. O semblante indecifrável de Bianca faz Rafa arrepiar o corpo por inteiro, negando o sustento do mesmo. — "B" de "banana". — Solta um sorriso, expondo todo seu nervosismo. Bianca continua a encarando da mesma forma, ou até pior. — "Boca..." — As alternativas continuam, deixando Rafa cada vez mais enroscada contra a parede criada por ela mesma.

— Rosa. — Bianca completa, elevando seu indicador até a boca da mais alta. O sorriso astuto estampado nos lábios, entrando em harmonia com os olhos semicerrados que vão diretamente ao rosto de Rafa.

 


Notas Finais


É isso, espero que tenham gostado :)

Obrigada por todooo o apoio que cês dão, é muito bom saber a opinião de vcs e saber que estão curtindo KKK Obriagad também pelo marketing no twitter que PQP é o tempo todo uma divulgação, principalmente da @sejubestlesbian <3 Toda ajuda SEMPRE é bem vinda. Obrigada mesmo, de coração aos envolvidos!

Bjs rabiolas, até o próximo cap.
XoXo #Rabia


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...