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História A Dicotomia das Serpentes - meanie - Capítulo 13


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Notas do Autor


Oi, oi! Gente pra quem não sabe este é o >último< capítulo da fic. Leiam as notas finais para mais informações, aproveitem o capítulo.

Capítulo 13 - Capítulo 12


— Onde ele está? — Seungkwan perguntou assim que Mingyu cruzou o corredor.

Kim não era o melhor mentiroso, mas era a vida de Wonwoo que estava em jogo.

— Com Mei Hu.

— Não devíamos estar discutindo o ataque aos lobos? — O outro questionou e Mingyu lançou um olhar a Vernon que dizia: faça ele calar a boca.

— Quero te mostrar uma coisa. — Vernon disse, convidando Seungkwan a seguir na direção oposta.

Mingyu estava inquieto, ele queria voltar lá e tirar Wonwoo dali, trocar de lugar com ele se fosse necessário, mas os homens de Hiroshi estavam na sua cola.

— Algo está errado. — Jeonghan surgiu de repente parecendo ofegante. — Onde está o Wonwoo? 

Mingyu lhe lançou um olhar informando-o que não estavam sozinhos. Jeonghan pegou sua mão e lhe puxou para um dos quartos vazios, trancando a porta atrás de si.

— Desembucha. — O loiro murmurou. — Cadê ele? Não temos tempo.

— Tempo? — Mingyu questionou confuso. — Do que você está falando?

Jeonghan parecia nervoso e ansioso, ele respirava com dificuldade.

— Onde ele está!? — Rosnou enrolando os dedos no tecido da camiseta de Kim. — Tenho que tirar ele daqui.

— Se você não me disser o que diabos está acontecendo não posso te ajudar. — O outro rebateu. 

— A polícia está vindo, preciso tirar ele daqui.

— Como a polícia... — Mingyu começou, mas de repente ele caiu em realização. — Você... Você entregou ele?

— É um acordo, estou tentando salvar ele, mas se eu não tirar ele daqui antes de chegarem vão levá-lo preso.

— Por que? — Kim parecia não compreender. — Por que você faria isso? Será considerado um rato, vão matá-lo.

— Kim Mingyu... — Ele riu. — Você mais do que ninguém sabe como é se apaixonar por alguém que não devia.

Yoon tinha um ponto.

— Vamos tirar ele daqui! — Suspirou.

Por favor sobreviva. 

Mingyu implorou silenciosamente, ele sabia o quão forte Wonwoo era, não alguém frágil que se deixava vencer com facilidade, mas isso não o deixava menos perturbado com a ideia dele em perigo.

O celular de Jeonghan tocou e ele atendeu no segundo toque, a forma como sua voz soou em seguida fez Mingyu perceber que era a pessoa por quem ele estava apaixonado.

— Eu sei. — Sussurrou. — Mas você precisa garantir que eles demorem pelo menos vinte minutos antes de invadir. Tivemos um contratempo.

A pessoa do outro lado lhe disse algo que fez ele suspirar em frustração, Mingyu não estava gostando de para onde isso estava indo.

— Ok, acho que dez minutos vai ter que servir.

— Dez minutos? — Mingyu perguntou quando a ligação foi encerrada.

— É melhor a gente começar agora então.

Isso não era bom, nada bom.

— Minghao, Seungkwan, Vernon e Jihoon. — Informou. — Você precisa encontrar eles e distrair os homens de Hiroshi.

— Hiroshi? — Questionou o loiro.

— Longa história, só temos nove minutos, a explicação vai ter que ficar pra outra hora.

Mingyu se espremeu até a pequena sala no fim do salão, passando pelo corpo de Mei Hu estirado. Com a pistola em mãos ele se esgueirou pela parede e agarrou a maçaneta pronto para empurrar a qualquer hora, mas tentando não tomar uma atitude precipitada.

Todos os seus esforços foram para o ralo quando ouviu um grunhido de dor e reconheceu a voz de Wonwoo. Ele girou a maçaneta e empurrou a porta, invadindo o lugar.  

 Jeon estava amarrado pelos pulsos acima da cabeça, seus pés não tocavam o chão, sangue escorria de onde a corda estava cortando sua pele e caindo sob seu cabelo e rosto. 

Ele sorriu de maneira dolorida que partiu o coração de Mingyu em um bilhão de pedaços.

— O quão burro você tem que ser pra vir até aqui?

— O suficiente. — Kim rebateu. — Onde ele foi?

— Não sei, mas provavelmente já deve estar voltando.

Guardando a arma Mingyu correu para alcançá-lo, se esforçando para desamarrar a corda, então segurou seu corpo antes que ele caísse.

 — O que ele fez com você? — Murmurou, afagando seu cabelo e respirando seu cheiro familiar enquanto o segurava em meus braços.  

Ele poderia tê-lo tirado de mim.  

 Tirado para sempre.  

— Problemas de ex namorado. — Jeon Zombou.

— Como ele está vivo? — O corvo perguntou.

— Longa história, mas você precisa ir agora. Seokmin se juntou com lobos e raposas não apenas por vingança, as outras organizações nos querem mortos.

— Eu não posso te deixar por um segundo que você já corre para os braços de outro homem. — A voz pegou Mingyu de surpresa e ele de virou para ver o captor de Wonwoo parado na porta. — Acho que estou começando a ficar magoado.

Seu primeiro instinto foi fechar os braços ao redor de Wonwoo e tentar protegê-lo do que quer que fosse que Seokmin estava planejando. Diversão brilhou nos seus olhos quando ele percebe o gesto de Kim para proteger Wonwoo.

— Seu irmão está perdendo sangue, pequeno príncipe. — Zombou. — O que vai fazer? Proteger o seu cachorrinho ou salvar Seungkwan?

Os olhos de Wonwoo brilharam de raiva e desespero, Mingyu odiou aquilo.

— Se você o machucou vai se arrepender de um dia ter cruzado meu caminho. — Ameaçou Jeon. — Vou quebrar cada osso existente no seu corpo.

— Você está muito confiante de que vai ter a chance.

— O que você pretende? — Wonwoo questionou, Kim sabia que ele estava maquinando uma forma de salvar Mingyu, Seungkwan e com sorte a si mesmo.  

 — Eu não sei, mas pretendo me divertir. 

 — Mingyu não tem nada a ver com isso. —  Murmurou.

 — Machucá-lo irá machucar você e isso não tem preço. — A arma tremeu entre seus dedos, mas Wonwoo sabia que ele não hesitaria em atirar.

Sua respiração ofegante indicou ao corvo que ele estava com medo, podia senti-lo em tudo, cada vibração do seu corpo implorando para escapar.

Mingyu odiava ter que vê-lo assim, vulnerável, apavorado.

Sirenes.

A polícia estava ali, provavelmente invadindo naquele instante.

— Corra, encontre Jeonghan e tire o Seungkwan daqui. — Ele sussurrou. — Não olhe para trás e nem volte por mim.

 Wonwoo não respondeu, mas Mingyu sabia que ele estava discordando secretamente. Não lhe dando opção para hesitar ele agarrou seu braço e o empurrou na direção da porta, Seokmin tentou apontar a arma para o príncipe, mas Mingyu se lançou contra o seu corpo, empurrando seu braço na direção oposta, a arma disparou contra o teto.  

— Do que isso se trata? — Kim perguntou conseguindo contê-lo. — Precisa aprender a perder, cara.

— Não é sobre vocês, nem mesmo sobre mim. — O outro rebateu, entrando em um esforço para puxar o braço de volta. — Hiroshi me salvou, se ele não tivesse me achado quando os Jeon me deixaram para morrer...

— E então você se juntou a ele em um plano para tomar o poder. — Mingyu impediu outro disparo, sua altura lhe dava alguma vantagem. — Tá, tá, eu saquei isso, mas não tem que matá-lo.

— Gostaria de não ter. — Seokmin retrucou. — Se chama gratidão, mas considerando suas companhias eu não espero que você entenda.

Mingyu recebeu outra pancada, sua mão escorregou, perdendo a força e deixando seu oponente livre, ele o chutou para afasta-lo e Kim caiu sobre o próprio braço.  

 — Ou nós dois vamos morrer aqui ou seremos presos, mas eu não vou deixar você tocar nele novamente.

— Só um de nós precisa morrer.

 Bang.  

 O mundo de repente tornou-se mudo e tudo que ouviu foi o zunido que veio seguido do barulho estridente capaz de destruir sua audição.  

 Mingyu sentiu a vontade repentina de tossir e sangue espirrou na sua mão quando o fez, havia uma dor esquisita abaixo do seu peito. Apenas quando percebeu a poça de sangue se formar no chão se deu conta que foi baleado. Respirar se tornou a tarefa mais difícil da vida, ele ouviu mais uma série de disparos, mas não sentiu qualquer coisa.  

 A sombra na porta ganhou vida e acabou por ser Wonwoo com uma arma em mãos, os cartuchos caindo um por um enquanto ele descarregava a pistola no corpo imóvel de Seokmin.  

 Em choque e Mingyu não podia culpa-lo.  

Sua cabeça começou a girar e não conseguia mais mover-se, qualquer movimento era doloroso demais.   

Os passos e vozes policiais se tornaram mais audíveis, Wonwoo se abaixou para perto de Mingyu e entrelaçou seus dedos juntos, seus olhos brilhavam com medo ou desespero, Kim não tinha certeza.  

 — Eu te disse para não voltar por mim. —  Balbuciou e acabou cuspindo mais sangue.  

 — Você diz um monte de coisas estúpidas.  

 Olhar para ele e imaginar que podia ser a última última vez era mais doloroso que qualquer ferimento.  

 — Não se atreva a me deixar.

 — Não estou deixando você. — O corvo apertou seus dedos e tentou sorrir mesmo quando seu bonito rosto se tornou um borrão.

 Então o mundo sumiu ao seu redor.  

 Havia apenas escuridão.

Mingyu estava revezando entre consciência e inconsciência, passos, vozes desconhecidas e conhecidas, entre elas a de Wonwoo.

— Ele está perdendo muito sangue.

 — Mais um centímetro e teria atingido o coração. — As vozes eram confusas.

 — Me deixe ficar com ele. — Wonwoo implorou, havia uma dor na sua voz que Mingyu nunca tinha sentido.

 A boca de Kim se abriu tentando chamar seu nome, mas nada saiu.

— Se ficar vão levá-lo preso. — Ele reconheceu a voz de Jeonghan. — Vão cuidar dele, mas precisa deixá-lo agora.

 — Ele está com dor. — Wonwoo apertou seus dedos frios. — Temos que levar ele.

— Não dá tempo! — Jeonghan rebateu.

Wonwoo hesitou por um momento e apertou os dedos de Mingyu mais forte entre os seus.

— Vá... — Sussurrou Jeon para o amigo.

— Não. — Mingyu se esforçou para balbuciar. — Você vai, precisa me deixar agora, não vou morrer tão fácil assim.

O outro abriu a boca para retrucar, mas Kim o impediu.

— Não deixe Vernon ser levado. — Implorou. — Agora vá, já encontramos o caminho um até o outro uma vez, vamos encontrar de novo.

— Vamos. — Yoon ordenou agarrando seu líder para a direção oposta.

[...]

— Você sabia? — Jeonghan perguntou surpreso, balançando as pernas no ar de cima do prédio, ele gostou da visão que teve de Seungcheol lá embaixo.

— Jeonghan eu sei de tudo que acontece ao meu redor. — Wonwoo murmurou. — Com todas as pessoas que me cercam.

— Você não sabia que Mingyu não matou seu pai ou que Seokmin estava vivo. — Ele sentiu o amigo estremecer ao seu lado.

— Não, não sabia. — Sussurrou. — Teria evitado um monte de coisas.

— Sinto muito por ele.

— Qual deles? — Wonwoo zombou. O sol já estava nascendo e Jeon parecia tão bonito com os reflexos laranjas sobre seu cabelo negro.

— Os dois.

— Pelo menos um deles não está morto.

— Você realmente amava ele, né? — Yoon questionou.

— Eu amo! — O outro rebateu.

— Eu estava falando de Seokmin, mas fico feliz que você já tenha aceitado o fato de que o ama. — Ele riu.

Houve um longo silêncio, mas não desconfortável, eles já haviam passado dessa fase.

— O que vai acontecer agora? — Jeonghan perguntou. — A organização...

— Não existe mais organização. — O príncipe disse. — O seu homem ali acabou com tudo.

Ele apontou para Seungcheol liderando seus homens na entrada da mansão das raposas, levando sob custódia um monte de pessoas que foram seus companheiros a vida toda. 

Seungkwan e Mingyu foram levados ás pressas ao hospital, mesmo que o irmão estivesse apenas com um um ferimento de faca sem risco de vida.

— Eu sinto muito por isso. — O loiro continuou. — Eu só-

— Não consegue manter o pau dentro das calças? — Jeon brincou. — É, eu sei.

— Ele faz coisas incríveis com a língua. — Jeonghan provocou. — Não teria resistido também.

— Poupe-me dos detalhes. — Wonwoo revirou os olhos. — Mas eu nunca quis isso, nunca quis ser um líder.

— Eu sei.

— Fez isso por mim?

— Em partes.

Jeonghan não estava mentindo, Wonwoo salvara a sua vida, assim como a de Jun e um monte de outras serpentes. Parte do seu acordo com Seungcheol exigia que Wonwoo saísse ileso da operação para acabar com as cinco organizações porque os Jeon eram a única família que ele tinha conhecido antes de Joshua e Choi.

— Está pronto? — A voz familiar o pegou de surpresa e quando olhou para trás Seungcheol estava parado na porta do terraço esperando por ele.

— Para onde vamos? — O loiro perguntou.

— Para casa.

Yoon sentiu o coração pulsar com afeto porque a palavra casa nunca tinha feito tanto sentido antes.

— O que você vai fazer agora? — Ele perguntou para Wonwoo.

— Vou pensar sobre isso.

— Acha que as serpentes que escaparam virão atrás de mim?

— Vou garantir que isso não aconteça. — Jeon garantiu e chegou mais perto, tirando os fios loiros que estavam caindo sob a testa de Jeonghan de maneira afetuosa e gentil, quase com saudades. — Você está livre velho amigo.
 
Tinha acabado, ele finalmente era digno dos dois homens que amava.

— Ei... — Seungcheol o recebeu na porta, colocando o paletó sob seus ombros. — Você está bem?

— Quero ir pra casa. — Ele respondeu. — Quero ver o Shua.

— Nós vamos.

Jeonghan deu uma última olhada em Wonwoo, ele sabia que não seria a última vez que ouviria falar de Jeon Wonwoo, mas seria a última como líder das serpentes ou príncipe de gelo.

Seungcheol parou na porta antes de saírem do casarão e o abraçou, apertando-o em seus braços como se tivesse medo que ele fugisse.

— Está tudo bem... — Jeonghan garantiu.

— Você me assustou, achei que não daria tempo.

— Eu odeio as coisas que fiz. Odeio e elas estão aqui o tempo todo. Eu tento ignorar, deixar de lado, mas estão sempre aqui. Aquelas imagens na minha cabeça. Quando eu te toco... — As palavras jorraram como água de repente sem que ele conseguisse impedir. — Quando eu toco vocês dois, eu vejo sangue em minhas mãos e sinto que estou deixando essa merda em vocês e eu não quero mais isso, não quero mais ver isso, não quero mais ser isso. Como faço pra isso ir embora?

Choi o beijou no topo da cabeça como se pudesse mandar embora todos os pensamentos negativos com aquele gesto.

— Eu não quero isso para você, para nenhum de vocês. Eu já lhe disse e vou dizer de novo, vamos cuidar de você também, não apenas eu, mas Joshua provavelmente também sente essa necessidade. — Ele beijou Jeonghan suavemente dessa vez nos lábios. — Nós somos seus e você é nosso.

Era tudo que importava agora.

— Vou pedir para alguém te levar para casa, preciso cuidar de algumas coisas ainda. — Choi disse, mas não conseguiu tirar as mãos dele. — Joshua não para de ligar, se você não for para casa agora ele vai arrancar minhas bolas.

O loiro riu, isso era algo que Hong definitivamente faria.

— Quanto a Mingyu? — Jeonghan tinha que perguntar, era o homem que Wonwoo amava.

— Estável. — Apesar da boa notícia o detetive não parecia muito aliviado. — Mas a situação dele com a justiça não é das melhores, ele é o líder de uma das organizações mais poderosas do país. 

— Pode resolver isso? — Jeonghan sabia que seu poder de persuasão era grande, mas esse era um pedido impossível.

— Acha que pode simplesmente bater esses bonitos olhos para mim pra me ter nas mãos? — O moreno zombou.

Yoon riu. — Funcionou da última vez.

— Vou fazer o meu melhor. — Dessa vez Choi falou sério. — Agora vá para casa, quero que você esteja onde é seguro.

— Eu estou.

[...]

Mingyu piscou acordado tentando se reacostumar com a luz brilhando contra seus olhos ainda sensíveis, não demorou para se situar.  

 — Ele está acordando. — Ouviu a voz de alguém.  

Jeonghan invadiu seu campo de visão e acenou diante do seu rosto como se testasse sua visão, Mingyu tentou empurrar seu braço longe, mas havia algo ao redor dos seu pulso esquerdo.

algemas.  

 — Bonita pulseira. — Yoon Zombou.

— Onde está Wonwoo? — Sua voz saiu quase que contra a própria vontade.  

 — Você dormiu por três dias. — Ele disse ao invés.

 — Onde ele está? — Insistiu. Sua cabeça parecia uma explosão de pensamentos.

— Adiar isso só vai piorar a situação, ele está se recuperando. — A voz que veio em seguida pertencia a Seungkwan.

Mingyu ficou aliviado que ele estava bem, apenas alguns curativos aqui e ali.

— Exatamente por isso, eu me preocupo com ele. — O loiro retrucou.

 — Parem de falar como se eu não estivesse bem aqui. — Mingyu se irritou. — Se não me contarem agora, minha saúde será a última com que terão que se preocupar.

 — Rainha do drama. — Jeonghan revirou os olhos.  

 — Você é um idiota, não acredito que ele confiou algo tão importante a você. — Kwan resmungou.

— Vernon...

— Ele está seguro. — O Jeon mais novo garantiu.

 — Agora me digam o que houve. — Exigiu. — Seokmin...

 — Ele está morto. — Jeonghan contou para o seu alívio.  

 Mas então se lembrou que o sangue dele estava nas mãos de Wonwoo e isso o destruiu, ele já havia sofrido demais, se alguém devia carregar essa culpa, esse alguém com certeza não era ele.  

 — Você precisa descansar.

— Eu descansei por três dias.

Muita coisa podia ter acontecido nesse meio tempo e isso o assustava porque Wonwoo não estava ali.

— Me diga o que está havendo. — Implorou. — Me diga onde ele está.

 Jeonghan segurou seu braço e colocou algo entre seus dedos livres, fechando-os para que Mingyu segurasse.  

 Um envelope.  

 — Escuta, ele está protegendo a si mesmo. Quando algo realmente ruim acontece, ele se desliga. — Seungkwan falou empurrando o outro para fora do quarto. — Estaremos lá fora se precisar.

As mãos trémulas de Kim tentaram abrir o envelope sem rasgar porque ao mesmo tempo que estava ansioso, tinha medo do que o esperava.  

Por que ele não está aqui? Por que diabos ele me deixaria uma carta quando tudo que eu preciso é que ele fique do meu lado agora mais do que nunca?  

 Sua cabeça não parava de martelar com essas questões.
 

Você é realmente uma pedra no meu sapato, Kim Mingyu.

Mingyu praticamente podia ouvir a voz irritada de Jeon.

Estou fazendo o possível, negociando com Jeonghan e seu bonito namorado para diminuir sua pena, você provavelmente em breve estará em casa. Seja lá o que casa signifique para você. Não tente me procurar, será em vão. Não tente me encontrar, eu preciso fazer isso primeiro, descobrir quem eu sou. Sairei do país, pretendo construir meu próprio nome, talvez estudar e cuidar de mim mesmo.  

Sou grato por tudo que fez por mim, você me salvou, me mostrou o verdadeiro significado de lar e eu sou grato por isso, não apenas por isso. Porque é o homem mais gentil e leal que já conheci, você se preocupa com as pessoas e as protege, porque você me aceita como sou e diz que tudo bem ser essa pessoa e principalmente por me amar e eu sei que você ama, e mesmo que eu não consiga admitir isso agora eu sei que não preciso te dizer para que você saiba.

Eu não quero perder você. Mas eu tenho um monte de merda para superar. Você merece ser feliz e agora, eu só não acho que eu poderia te fazer feliz. Quero que siga em frente e encontre alguém que mereça cada parte do seu coração, não aceite menos que isso. Se case se desejar, não pense em mim. Gostaria de dizer que farei o mesmo, mas não posso, você é tudo que tenho e é por você que eu vou tentar lidar com meus próprios demônios e buscar ser alguém melhor.

Mingyu procurou pela parte onde Wonwoo diria que ele era um tolo por leva-lo a sério e acreditar em cada uma daquelas palavras, que mesmo se fosse embora jamais faria isso sem se despedir enquanto o olhava nos olhos, mas não aconteceria porque ele o amava demais para simplesmente partir. 

Mas não havia nada.

Ele estava partindo, tão rápido quanto chegou.

[...]

Um mês depois.

Estamos atrasados, desculpe. Pode ir ver como a sra. Hong está, talvez? Estaremos ai em uma hora.

Jeonghan olhou para a mensagem de Seungcheol no celular, eles deveriam estar vendo o novo apartamento no prédio da família de Joshua, mas como sempre ambos estavam atrasados. O estômago de Jeonghan se contorceu. A sra. Hong era sempre muito doce e gentil com ele quando se viam, mas ele ainda se sentia fora do lugar, deslocado. Ela era a mãe do seu homem, um deles, e ele sentia-se envergonhado que ela soubesse que se meteu no relacionamento já estabelecido deles.

— Eaí? — Murmurou quando a mulher abriu a porta. — Digo... Olá... Seungcheol me pediu para ver como está... Não, bem, para passar o tempo com você enquanto eles-

— Tudo bem. — Ela abriu a porta dando passagem pra ele. — Você pode dizer e ai pra mim. E não se sinta mal, isso é uma coisa boa sobre você. Joshua e Seungcheol sempre fingem que não estão aqui para me vigiar.

Jeonghan riu, dando de ombros. — Eles se preocupam. Vamos deixar você maluca quando nos mudarmos.

— Sente-se, Hannie.

Ele o fez, sentindo o nome encher seu peito. Seungcheol o chamava de Hannie, mas ter a mãe de Joshua fazendo o mesmo o deixava completo.

— Desculpe, Choi o chama assim, eu só...

— Não, eu gosto. — Ele disse.

Ela sorriu e Jeonghan percebeu que era o mesmo sorriso de Joshua. 

— É engraçado como a vida funciona as vezes, né? Eu não sei muito da sua história apenas o que Joshua me permitiu saber, mas de todos os lugares que você poderia ter ido, acabou com Seungcheol e tenho certeza que vocês precisavam muito um do outro quando se conheceram. A vida trouxe ele até o meu filho, logo depois você e eu sei que ele precisa de vocês tanto quanto precisam dele.

Jeonghan lutou para não enfiar o rosto entre as mãos, se perguntando se sua mãe teria sido tão compreensível, se apenas teria entendido que eles se amam ou se como o pai, o teria o odiado por querer homens.

— Você não se importa?  — Ele perguntou. — Pode me dizer, sei que toda essa situação é uma merda, você não pode querer isso para ele.

A mulher balançou a cabeça como se repudiasse suas palavras. — Não importa se é diferente ou se as pessoas não entendem. Eu já vi o suficiente da vida pra me importar com isso. Meu menino está feliz pela primeira vez, vocês preencheram com algo bonito todo o feio que eu levei pra vida dele e me deram meu filho de volta. É tudo que importa.

O peito de Yoon doeu com as palavras, a tristeza que sentia com muita frequência começou a se quebrar dentro dele quando ela segurou sua mão.

— Eu quero que eles tenham tudo que merecem, não quero ser aquele que vai estragar tudo para eles, não quero que mudem suas vidas por mim... Quero ser quem eles precisam.

Ela apertou a mão dele e ele repetiu o gesto, mas em seguida a mulher fez algo ainda mais significativo. Ela se inclinou e o puxou para um abraço. Um abraço de mãe, algo que ele nunca tivera em toda a vida e agora tinha, de alguém que conhecia seu passado e sabia quem ele amava, mas não se importava.

A sra. Hong se afastou e enxugou uma lágrima do rosto dele. — Apenas seja feliz e os faça feliz, isso é tudo que eu quero. Agora melhor você ir, eles estão esperando.

Suas palavras fizeram Jeonghan perceber que seu celular estava tocando com o número de Seungcheol na tela. Ele desligou e seguiu para a porta, virando-se para se despedir da sogra.

— Posso vir outras vezes?

— Vai ser uma honra ter a sua companhia.  — Ela despediu-se.

Jeonghan encontrou os dois homens que amava no corredor, Joshua sorriu para ele enquanto Seungcheol estava resmungando sobre algo no telefone.

— O que diabos há com ele? — Perguntou.

— Chan está transando com Soonyoung, — Hong riu e Jeonghan não pôde evitar fazer o mesmo.

— Isso não vai ser legal. — Ele murmurou no mesmo instante em que Seungcheol soltou um palavrão no celular. 

— Vou dar um beijo na minha mãe, eu já acompanho vocês.

 

— Como meu filho está hoje? — Joshua ouviu a mãe perguntar quando entrou no apartamento, ela estava perto da janela e sequer se virou para checar se era mesmo ele.

— Como sabia que era eu? Podia ser Jeonghan ou Cheol.— Ele murmurou, sentando-se, ela fez o mesmo.

— Hannie acabou de sair e Choi sempre diz olá, você é o único que entra com o bico fechado.

Joshua riu, gostaria de negar, mas ambos sabiam que era verdade. — Você tem que admitir que estou melhorando.

— Está.— A mãe concordou. — E é por causa desses meninos.

— Eu sei que não é tradicional... — Por um momento sentiu-se envergonhado, mas afastou esses pensamentos, nunca sentiria-se envergonhado de quem amava. — Sei que é difícil de entender...

— Quem disse que eu ou qualquer outra pessoa além de vocês, precisa entender?  — Ela reconfortou-o. — É tudo que importa.

Joshua soltou a respiração que vinha segurando.

— Perdoe-me a linguagem, mas foda-se quem tem algum problema com isso.

Hong riu ainda mais alto agora, nunca imaginou que ouviria a própria mãe dizer algo do tipo, mas agora que ela sempre passava algum tempo com Jeonghan isso era comum, porém não o preocupava, era divertido vê-la dizer dessa forma para defendê-los.

— Não é tão fácil ou é... Não sei, algumas coisas... — O passado de Jeonghan e o trabalho de Seungcheol, o fato de que estavam em um relacionamento fodido á três. Como cuidariam disso?

— Vai descobrir como fazer isso funcionar, Joshua. — A mãe parecia adivinhar seus pensamentos. — Só precisa acreditar mais em si, esses garotos acreditam, consequentemente eu acredito também.

Estas palavras o atingiram como um abraço e Joshua se apegou á elas, com medo de soltá-las e tudo desabar.

— Eles são meu mundo.  — Ele forçou as palavras através da sua boca.

— Eu sei que são. — Ela segurou sua mão trémula.— Você é um bom homem, Joshua e ama dois bons homens, é tudo que me interessa.

Eles eram, todo mundo sabia que Seungcheol era um bom homem, mas ele sabia que Jeonghan também era independente do que tinha feito no passado. Não importava para Joshua.

Ele tinha tudo.

 


Notas Finais


Então gays, isso mesmo último capítulo, MAS, porém, entretanto, estarei agora mesmo postando o epílogo bem curtinho então fiquem atentos. Eu decidi encerrar a fic >por enquanto< pra não ficar muito cansativo e pq eu senti que não tava mais dando tudo de mim na escrita. Vou agradecer e explicar melhor no epílogo então leiam as notas finais ♥


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