História A difícil arte de seu eu, Newt - Capítulo 2


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Categorias The Maze Runner
Personagens Aris, Ava Paige, Ben, Brenda, Gally, George, Harriet, Newt, Stephen, Teresa, Thomas
Tags Adolescência, Amizade, Descobertas, Drama, Mentiras, Newtmas, Romance, Segredos, Yaoi
Visualizações 108
Palavras 1.678
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Famí­lia, Ficção Adolescente, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - A razão do meu afeto


Fanfic / Fanfiction A difícil arte de seu eu, Newt - Capítulo 2 - A razão do meu afeto

 

Que meu amor seja silencioso, pro meu amado não escutar.

Fernando Pessoa

 

Decididamente não sei como tudo isso começou, nem porque, só sei que quando dei por mim já era tarde demais: eu estava apaixonado.

 

Não sei se foi a maneira como passei a encarar Thomas depois que meu coração o escolheu, porém de alguns meses para cá, posso (não gostaria de) estar enganado, mas venho percebendo alguns sinais de afeto bem incomuns por parte dele em relação a mim, o que só faz a minha cabeça fervilhar ainda mais, pois até onde eu sei e todo mundo também, o meu melhor amigo é hétero e não foram poucas as vezes que ouvi suas confissões e histórias mirabolantes com as garotas.

Estou ficando cada vez mais perdido e confuso diante desse sentimento que cresce e cresce dentro de mim, consumindo cada minuto do meu dia, perturbando-me, espalhando dúvidas e reticências em cada canto do meu cérebro.

Por mais que eu tente não alimentar esperanças em relação a Thomas, não consigo tirá-lo da minha cabeça. Não consigo mais imaginar o meu futuro sem ele.

É igual para todo mundo: quando se está apaixonado não paramos de pensar na pessoa amada em nenhum instante. Tudo o que fazemos, olhamos e sentimos nos faz lembrar sua imprescindível existência no universo, e é impossível não se apaixonar pelo Thomas quando se está diante de seus olhos extraordinariamente brilhantes e expressivos, sua pele clara, os cabelos escuros todo emaranhado, sua silhueta discretamente malhada, seu estilo skatista e definitivamente não há como resistir às covinhas que se formam em suas bochechas quando sorri...

Sei o que estou dizendo! Já estive apaixonado outras vezes nessa minha vida.

Duas vezes, para ser mais preciso.

Experiências platônicas, confesso (e não podiam ter sido diferentes), resultados diretos da minha incapacidade e medo de verbalizar o que sentia, mas nenhuma delas me desestabilizou a ponto de ponderar a mais ínfima possibilidade de me declarar, de me assumir, sair da minha zona de conforto.

Decididamente não sei como tudo isso começou, nem porque, só sei que quando dei por mim já era tarde demais: eu estava apaixonado.

Óbvio que eu achei a situação completamente ridícula, uma impressão equivocada que iria embora da mesma maneira que havia chegado...

Ledo engano.

Os dias se passavam e eu me via cada vez mais assolado, enredado em um conflito absurdo e desafiador; acabei fazendo o que qualquer outro teria feito no meu lugar: busquei me afastar, inventei as mais estapafúrdias desculpas e justificativas e coloquei nossa amizade em risco só para ter a certeza de que tudo o que eu sentia não passava de fogo de palha, mas todos os meus esforços foram em vão e então desisti de resistir, rendendo-me diante da conclusão de que não escolhemos o amor e sim ele que nos escolhe.

A duras penas e por um honorável sentimento de covardia, optei por manter nossa amizade como sempre fora, decidindo, claro, e mais uma vez, por deixar verdades escondidas, construindo, a partir daí, e a cada dia, um novo Newt, me desesperando ao (tentar) imaginar, por mais surreal que possa parecer, um futuro aonde deverei conciliar minhas escolhas sem ferir minha família ou as pessoas que amo.

 

Eu e Thomas temos a mesma idade, estudamos no mesmo colégio e sala de aula, e ele passa a semana e alguns sábados e domingos com os seus padrinhos no mesmo condomínio onde mora minha família.

Desde que ele passou a meio que morar aqui, isso quando tinha uns seis, sete anos de idade, começamos uma amizade muito legal, que com o passar do tempo acabou se tornando uma relação muito próxima, fraternal; invariavelmente nos tornamos amigos inseparáveis, dividindo segredos, medos, ansiedades, dividindo quase tudo.

É claro que ele não sabe sobre minha orientação sexual e muito menos que ele é o amor da minha vida há quase um ano.

Quantas e quantas vezes essa revelação ficou pendurada na ponta da minha língua...

Ainda me lembro de quão horrível foi vê-lo com uma nova namorada depois que eu estava apaixonado. Senti-me traído, trocado, magoado, como se tivesse levado uma facada no peito...

Quase saí gritando que o amava mais que Romeu à Julieta e minha existência só seria completa ao seu lado, porém tive o bom senso de me calar...

O platonismo é algo romântico, que com suas migalhas preenche parte da gente... mas até certo ponto.

Realmente não sei como tudo isso vai terminar, mas espero não desenvolver uma tendência masoquista enquanto aguardo o resultado final (e coerente, se possível) para a briga de foice que meu coração e cérebro vêm travando.

Hoje, pela manhã, fazendo uma prova de Literatura, por mais que eu tentasse, não consegui me concentrar. Minha mente resolvera passear no lado negro da força, assim, de repente, vagando em pensamentos os quais não ousaria revelar a ninguém, levando-me a lembrar de um fato acontecido durante uma aula de natação, logo assim que eu comecei a ter alguns sonhos eróticos com o Thomas.

Alguns não...

Muitos!

Vários!

Vamos combinar que o único gay assexuado na história do mundo foi o representado pelo Tom Hanks em "Filadélfia", mesmo tendo um Antônio Banderas (maior gato na época) ao seu lado...

Vai ver por isso ele, o Tom, ganhou um Oscar...

Enfim, nessa minha recordação imprópria para menores, enquanto o professor de natação distribuía suas instruções para os exercícios a serem praticados, eu estava em pé, dentro da piscina, como os outros rapazes da turma, quando vi Thomas se aproximar; estava atrasado, mas nem por isso com pressa e vestia uma sunga de praia nova, perfeitamente ajustada à sua silhueta malhada, sem excessos.

Foi difícil não tentar desviar o olhar daquelas pernas perfeitas e com poucos pelos, sem falar das coxas grossas que aquele sungão sabia valorizar.

Prazer e angústia oscilaram na minha mente.

Minha imaginação começou a criar uma situação que obviamente em uma piscina de uso coletivo ia ser impossível de se realizar.

Eu precisava conter com a máxima urgência minha extravagância de fora de hora, mas meus instintos (básicos) não obedeciam, restando-me uma única alternativa: a de recorrer desesperadamente à minha peculiar discrição diante de algo super, hiper, mega constrangedor, mesmo não tendo a menor ideia da tonalidade do vermelho que tinha tomado conta da minha cara e a reação nela estampada...

Pelo menos me restava o alívio de estar dentro d'água da cintura para baixo...

 

Aqui estou eu, pensativo, aguardando os poucos minutos que faltam para o término da aula do curso de espanhol.

Minha cabeça está latejando.

Hoje praticamente não vi o Thomas, e quando digo não vi, me refiro a conversar com ele, olhá-lo nos olhos, senti-lo próximo...

Apesar de sentarmos lado a lado na sala de aula, são nos intervalos ou na hora de ir embora que conseguimos falar sobre tudo ou sobre nada.

Não importa.

Os acontecimentos ou as confissões mais picantes, claro, são deixados para depois, à noite, em algum lugar reservado no nababesco condomínio onde moramos.

Essa rotina só é quebrada quando ele está de olho em alguma garota que possivelmente será sua namorada, e se por acaso o namoro já estiver rolando... bem... preciso me contentar com o resto do tempo que sobra, mas agora "esse tempo que sobra" não é mais suficiente para mim...

Olho para o celular pela enésima vez e nenhuma tentativa de contato ou mensagem de Thomas.

Dou de ombros.

Dos males, o menor. Prefiro a expectativa ao desapontamento de ter uma mensagem minha recebida e não respondida, ou uma tentativa de ligação que ele também com certeza não iria atender.

*   *   *

Após aguardar por pelo menos uns vinte minutos sem que qualquer outro transporte comum de uso coletivo apareça, entro no ônibus que atende aos usuários do condomínio onde moro.

Sempre que tenho opção evito usar esse serviço, ainda mais quando estou assim, nem um pouco interessado em socializar, pois sei que vou acabar esbarrando com meia dúzia de conhecidos com caras de reboco mal acabado, filhos de moradores que aprenderam com os pais a como andar de nariz em pé, certos de que são os últimos copos d’água no deserto, ou então alguns condôminos que insistem em colocar em prática o maçante protocolo social de puxar conversa só porque estamos dividindo o mesmo espaço, mesmo que por alguns instantes.

Sentado confortavelmente em sua cabina, o condutor acena com a cabeça quando termino de subir o último dos três degraus, me dispensando logo em seguida um boa tarde sonoro, cumprimento que devolvo apenas com um murmúrio ao mesmo tempo em que estico a mão direita sobre a maçaneta da porta em curva, com área envidraçada, localizada na direção oposta à sua cabina, abrindo-a de pronto.

Enquanto me deparo com a amplitude sofisticada no interior do salão do ônibus, com suas fileiras duplas de poltronas contrastando com o estreito corredor, que para mim mais parece uma centopeia desmedida e multicolorida, procuro visualizar os assentos localizados na traseira, na esperança de encontrá-los completamente vazios...

Graças a Deus nenhuma viva alma está ocupando os seis últimos lugares, reflito ao passo em que sigo no sentido contrário aos passageiros enquanto me apoio nos bagageiros superiores sem desviar um segundo sequer do meu objetivo.

Por conta disso acabo esbarrando em algumas pernas e braços até conseguir alcançar uma das derradeiras poltronas, onde me atiro, abraçando-me à minha mochila a fim de tentar amenizar a sensação arrefecida da “temperatura-era-do-gelo-padrão”, determinada, sem sombra de dúvidas, pela Feiticeira Branca de Nárnia.

Com os olhos fechados começo a fazer planos para quando chegar a casa: irei me isolar no quarto, colocar meus fones de ouvido e viajar pela internet, aonde vou chorar minhas mágoas anonimamente, "conhecer" pessoas por dez, quinze minutos, talvez um pouco mais... Enfim, espairecer.

Ok. Planejar ter paz dentro do apartamento onde moro é como tentar encontrar uma agulha em um palheiro no meio de um tiroteio na faixa de Gaza, mas é o que tem pra hoje!

Abro os olhos e retiro o celular do bolso da calça jeans e encaro o seu visor: Thomas definitivamente me esqueceu!

 



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