História A difícil arte de seu eu, Newt - Capítulo 5


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Categorias The Maze Runner
Personagens Aris, Ava Paige, Ben, Brenda, Gally, George, Harriet, Newt, Stephen, Teresa, Thomas
Tags Adolescência, Amizade, Descobertas, Drama, Mentiras, Newtmas, Romance, Segredos, Yaoi
Visualizações 77
Palavras 2.950
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Famí­lia, Ficção Adolescente, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Apenas uma questão de amor


Fanfic / Fanfiction A difícil arte de seu eu, Newt - Capítulo 5 - Apenas uma questão de amor

 

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem; caso contrário os honestos, simpáticos e fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

Martha Medeiros

 

 

Sim, eu amo um homem. E sei que você não pode suportar. Mas é assim. Não é uma questão de ser gay ou não. É apenas uma questão de amor.

 

É armado com este único argumento que o jovem Laurent, protagonista do filme "Apenas Uma Questão de Amor", tenta começar a minar o irredutível preconceito de seu pai.

Guardadas as devidas proporções, não tive como não me identificar com o problema que o lindinho do Laurent enfrenta:

Ele é um rapaz de 23 anos que vive um namoro de fachada com a melhor amiga (Ok. Ainda não criei coragem para isso e nem tenho uma melhor amiga) para evitar que seus homofóbicos pais descubram sua homossexualidade, e as coisas que pareciam já bem difíceis, ficam ainda mais complicadas quando ele se apaixona por um homem maduro e bem resolvido e que está à procura de alguém com quem possa ter uma relação honesta e verdadeira, longe de segredos e mentiras...

Tá!

A arte imita a vida muito bem, mas com uma larga vantagem: nos filmes pode-se mudar o roteiro quando não estiver satisfeito com a história e depois de três cenas e cinco minutos de diálogos bem estruturados, tudo se resolve e surge um final feliz...

Acabei de assistir a essa produção francesa aqui no meu quarto, e claro, tomando todos os cuidados possíveis e imagináveis para não ser surpreendido.

Não que o filme seja repleto de cenas eróticas ou recheado de conotações sexuais deixadas pelo meio do caminho; são três da manhã e minha família sofre da síndrome de walking dead, principalmente dona Ava, que sempre se valeu da prerrogativa de seu Green Card materno para invadir todo e qualquer cômodo do apartamento sem qualquer restrição, e com a aproximação do grande acontecimento que vai ser o casamento de minha irmã Teresa, está mais incontrolável e insuportável do que nunca, infernizando a todos que estão ao seu lado, parecendo ser ela a senhorita de branco que vai deixar para trás sua vida de solteira.

O que fiz eu para merecer isso?

Agora, aqui, deitado, olhando para o teto (apesar da escuridão total que está o meu quarto), volto a refletir sobre os questionamentos propostos pelo filme...

Até onde vale à pena ser honesto consigo e se permitir viver uma vida sem embuste, com a cabeça erguida, sem a preocupação ou temor de que estará incomodando o seu próximo simplesmente por ele achá-lo diferente? E ainda mais em um mundo aonde o progresso e a evolução social do homem esbarram em algumas reações retrógradas e absurdas da mais pura intolerância?

Nos idos do século XIX Oscar Wilde já definia o sentimento entre pessoas do mesmo sexo como O amor que não ousa dizer o nome, e pagou um preço alto por viver esse amor corajosamente, enfrentando a hipócrita sociedade da qual era contemporâneo...

Pois é! O tempo passou e agora estamos em pleno século XXI e ainda há muita gente com teias de aranha no cérebro e eu não sei se gostaria de pagar esse preço, principalmente diante de minha família, e pior ainda, diante da minha mãe.

Imagina dona Ava descobrindo que seu filho é gay?

Para ela deveria ser simples, agindo inclusive com menos estranheza, pois está mais que acostumada com esse universo, afinal de contas tem muitos amigos nessa condição (não sei bem se devo usar o termo condição), mas a socialite Ava Albuquerque de Araújo Saldanha não suportaria outro exemplar dentro de sua família, e já deu provas de sua intolerância a esse respeito quando ajudou a ignorar seu próprio irmão, covardemente execrado pelos meus avós ao se revelar homossexual, morrendo sozinho, desamparado, há uns vinte anos.

Dizem que ele contraiu o vírus HIV e se matou, mas ninguém toca no assunto...

Por que eu não paro de pensar em tudo isso?... É uma boa pergunta.

Esta linha de raciocínio não está me levando a lugar algum, além de fazer minha cabeça fervilhar dentro de um caldeirão na mais alta temperatura... E tudo por causa de uma paixão que eu nem sei se irá, ou melhor, se iria adiante...

Sei que estou sendo redundante, um tanto quanto obcecado, ou até mesmo exagerado, mas nesse momento da minha vida não consigo mais imaginar o meu futuro sem o THOMAS...

Se eu parar de pensar no meu melhor amigo em qualquer instante que seja, EU MORRO!

Graças a Deus ainda me resta um pouco de sanidade e é nela que eu me agarro para tentar refletir e ponderar do por que de eu estar me dando todo este trabalho, alimentando-me de desespero, ansiedade...

Seria tão bom acordar daqui a pouco e toda essa confusão não ter passado de um mero pesadelo...

Estou cansado! Preciso dormir.

*   *   *

Abro os olhos. Aqui estou para viver mais um dia do resto da minha existência sobre a face da terra, e como não podia ser diferente, já apanho o celular ávido para encontrar uma mensagem ou uma chamada perdida do Thomas, mesmo sendo seis e meia da manhã...

NADA!

Quem será a bola da vez que o arrastou para longe de mim?

Sento na cama e deixo escapar um longo suspiro e então faço menção em me levantar, mas sou surpreendido pelo toque do telefone.

Um fio de esperança se acende dentro do meu coração, mas logo me decepciono: é o número da insuportável da Brenda.

Decido ignorá-la, mas como sempre peso os prós e os contras e sei que se fizer isso ela não vai me deixar em paz.

Inspiro profundamente antes de atender.

- Oi - meu cumprimento é tão frio quanto um bloco de gelo do Alaska.

- Você está acordado, Newt?

- Não, Brenda. Isso é uma gravação - respondo entre os dentes - O quê você acha?

- Precisava falar com você sobre o plano que consegui bolar para reconquistar o Thomas definitivamente - o entusiasmo na sua voz me deixa ainda mais irritado.

- Brenda, você me mandou um Whatsapp ontem no finalzinho da tarde sobre isso, não sei se lembra...

- Sim, eu sei, mas é que eu não consegui pregar os olhos de tanta ansiedade. Quase liguei pra você no meio da madrugada...

Reviro os olhos, impaciente. Deus precisa me dar forças.

- Brenda, seguindo as suas orientações - meu tom de voz beira o inflexível -Vamos nos encontrar no intervalo do segundo e terceiro tempo para falarmos a respeito desse mais novo e mirabolante projeto para ter o Thomas de volta, não é isso?

- Dessa vez não tem como dar errado, Newt. Tenho certeza de que o Thomas vai se roer de ciúmes ao nos ver juntos, namorando...

- Na-mo-ran-do? - meneio a cabeça enquanto tento assimilar o que acabei de ouvir - Como assim namorando?

- Vamos fingir que somo namorados, ora essa - ela informa como se fosse a coisa mais natural do mundo.

- Do que você está falando, garota? É claro que eu não vou participar disso. Sem falar que o Thomas não vai acreditar nesse teatrinho e muito menos se importar...

- Isso é o que veremos!

Não tenho tempo de responder ou contra-atacar; a descontrolada desliga o celular sem me dar essa chance e eu, munido da incontestável certeza que define as três leis de Newton, não vou ligar de volta pra ela.

É claro que eu não vou tomar parte dessa loucura. Era só o que me faltava. Até poucas semanas atrás essa arrogante, antipática, metida e intragável nem me olhava na cara, e agora de uma hora para outra vamos ser namorados?

Definitivamente, Deus me dê forças.

Saio do meu quarto pé ante pé até chegar ao banheiro. Não quero estragar ainda mais o meu dia me deparando com a histérica da minha irmã Harriet e nem tampouco, e principalmente, com a estressada da dona Ava.

Enquanto atravesso o corredor, volto a me questionar sobre um dos mistérios do universo que nunca serão revelados: um apartamento de 700 metros quadrados e só eu não tenho um quarto com suíte.

Saio do banheiro.

É impressão minha ou um relativo silêncio está pairando no ar? Ninguém gritando, reclamando...

A paz universal está realmente presente dentro dessa unidade residencial?

Caminho até a sala para constatar se por acaso fui transportado para algum lugar no tempo e no espaço aonde o silêncio dos inocentes é a língua universal. Encontro Teresa acabando de se servir no minibar, que fica sobre o balcão de travertino, integrado à lareira reformada, no canto oposto à porta de entrada do apartamento.

Já me questionei diversas vezes sobre se ter uma lareira dentro de casa em pleno Rio, mesmo que a álcool, mas segundo dona Ava, não há como abrir mão dessa peça que funciona como um indispensável elemento arquitetônico, além da sofisticação que oferece ao ambiente.

Ta! Cada vez mais me convenço de que minha progenitora é a reencarnação da última rainha da dinastia Ptolomaica, a megalômana Cleópatra.

- Ainda faltam quatro dias para o grande evento e a noiva já está enchendo a cara, é isso mesmo? - brinco, ao mesmo tempo em que me aproximo de minha irmã para lhe dar um beijo no rosto.

Teresa vira em um só gole o que está em seu copo e depois me encara, firme, os olhos tão fixos que me sinto petrificado.

- Eu estou me abastecendo agora - ela dá de ombros – Pois não quero estragar a gloriosa manhã de sábado meticulosamente planejada por nossa mãe.

Inevitavelmente começamos a gargalhar.

Sempre me perguntei do por que eu e Teresa nos darmos tão bem, enquanto Harriet nunca fez a mínima questão de participar desse ciclo maravilhoso da fraternidade consanguínea, da cumplicidade que une os irmãos...

- O pai? Vai chegar a tempo para o casamento, né?- pergunto.

- Ele ligou agora de manhã. Vai pegar o voo de sexta à noite assim que terminar a última palestra do Congresso de Cardiologia.

- A casa está um silêncio, isso é muito bom... - comento - Sem a dona Ava e pelo jeito sem a Harriet também...

- Ela foi com a mamãe lá para o navio verificar de perto os últimos preparativos.

PS.: Nossa mãe decidiu deliberadamente que uma cerimônia para 300 convidados no MSC Divina, um dos transatlânticos mais caros do Brasil, seria o projeto mais que perfeito e à altura para recepcionar a cerimônia da filha de uma das socialites mais reconhecidas e badalas do mitie carioca...

- Como assim? - questiono surpreso e um tanto irônico - Está falando da nossa irmãzinha egoísta e que está morrendo de inveja por que você está se casando e não ela? Se a Harriet não saiu daqui acorrentada, em que circunstâncias dona Ava a convenceu em acompanhá-la justamente na supervisão dos preparativos finais desse casamento?

Rimos novamente. Um rápido silêncio se faz entre nós.

- Você está bem, Teresa? Parece triste - pergunto, sentando-me no sofá, não muito distante do minibar.

- E por que não deveria estar? - ela responde ao mesmo tempo em que ensaia um sorriso no canto dos lábios.

- Eu já sei da resposta, mas não custa perguntar: não era você quem deveria estar acompanhando a dona Ava nesses momentos finais? Dando saltos de alegria e compartilhando com ela toda a euforia e o estresse?

Teresa dá de ombros:

- Não me importo em ficar aqui, quietinha. Satisfaço-me em chegar no sábado, dizer sim pro padre, pro Aris, pros convidados, e todos ficarem felizes para sempre... Não é assim que tem de ser?

Ela enche seu copo mais uma vez e me oferece um pouco da sua bebida, o que recuso prontamente, apesar de me sentir bastante tentado.

- Quem não te conhece e ouve você falando assim, do seu casamento, vai pensar que não faz a mínima questão de que ele aconteça...

Teresa coloca o copo pausadamente sobre o balcão de travertino e se volta na minha direção logo em seguida.

- Newt, meu irmão, não aja como a nossa mãe, insistindo no óbvio e ignorando os fatos. Você sabe muito bem que por mim toda essa história de comemoração de casamento nunca teria sequer começado... Entretanto, já que chegamos até aqui e eu não tive forças ou coragem para decidir o contrário, vou seguir essa maré tentando não desapontar as pessoas que estão envolvidas... Pelo menos não muito... E antes que essa sua cabecinha trabalhe mais do que o necessário, não tem nada a ver com o Aris. Eu o amo, e muito.

Ela caminha até a janela, onde estaca, fixando o olhar à sua frente, me dando a impressão de que seus pensamentos estão vagando aleatoriamente diante do céu claro desta manhã de terça-feira.

- Aprenda que na vida fazemos ou abrimos mão de certas coisas pela felicidade da outra pessoa...

Novamente o silêncio domina a sala por um momento.

Não demora muito e Teresa se volta na minha direção, dando as costas para a janela e em seguida se dirigindo até o sofá, sentando-se, por fim, ao meu lado; seu olhar, depositado sobre mim, mescla firmeza e ternura.

- Pelo jeito a tristeza não teria tomado conta só de mim, não é mesmo? Você está bem? Como está o Thomas? - ela me questiona um tanto cuidadosa.

Como está o Thomas?

O que ela exatamente quer saber com essa pergunta?

Eu me retraio.

Em que instante deixei transparecer o tsunami de emoções que está acontecendo dentro de mim? Não é a primeira vez que tenho a impressão de que Teresa desconfia de alguma coisa.

Tento desconversar, mas ela insiste, repetindo a pergunta feita. Desvio então meu olhar para as garrafas no minibar e para apaziguar sua sensibilidade ou seu sexto sentido que sempre parecem estar aguçadíssimos quando o assunto é o meu estado de espírito, eu esboço uma explicação que, de certa forma, possuí uma meia verdade: estou um pouco confuso com a minha vida, com a escola, com os meus dias e a minha A-MI-ZA-DE com o Thomas está indo muito bem, obrigado!

Em seguida arremato alegando ser uma fase da própria adolescência (ou do fim dela), a ansiedade pela vida adulta que está apontando na minha frente, blá-blá-blá...

- Meu irmão... - ela segura o meu queixo com estrema delicadeza a fim de que eu me volte na sua direção - Ser feliz é algo muito fácil de realizar, desde que consiga acertar com as suas setas no alvo e saiba quais são as suas prioridades para que isso possa acontecer. Pare e pense no que realmente está te fazendo infeliz. Para obtermos aquilo que queremos, temos que fazer por onde, ultrapassar as dificuldades, mesmo que os obstáculos deixados pra trás incomodem as pessoas... Não se culpe por nada e nem tente carregar um fardo que não é seu.

Por alguns segundos tenho a impressão de ter parado de respirar.

Posso estar sendo paranoico, mas estou com a impressão de que Teresa está querendo me dizer alguma coisa...

Será que ela está desconfiada de que sou gay? Pior! Será que ela sabe sobre o que sinto pelo Thomas e está esperando o momento certo para me perguntar?

Eu não posso ter deixado brecha...

Tenho certeza de que não deixei...

Teresa está estressada com a aproximação do seu casamento, é isso...

O seu celular toca e de pronto ela o atende. Aproveito para deixar o ar retesado em meu peito escapar pela boca, aliviando-me.

Não demoro a descobrir que é o noivo do outro lado da linha informando que está na portaria lhe esperando. Teresa sugere que ele suba, mas pela cara que faz após ouvir sua resposta, deduzo que Aris deva ter deixado claro de que não irá sair de onde está em hipótese alguma.

-Está tudo bem, Aris? - ela pergunta ao mesmo tempo em que se levanta do sofá.

Faço sinal para tentar saber o que está acontecendo ao mesmo tempo em que aponto para o pulso, sugerindo que seria um tanto cedo demais para alguém (mesmo um noivo, quase marido) chegar na casa de outra pessoa, mas Teresa dá de ombros, como se não estivesse também entendendo nada.

Por fim ela troca mais meia dúzia de palavras com Aris e então desliga o telefone, Seu semblante está tomado de ansiedade.

- Quem sabe ele não quer te fazer uma surpresa? - tento amenizar.

- Conheço o Aris muito bem... - ela afirma enquanto se aproxima da porta - Surpresa realmente não é o seu forte... Mas vou lá, não adianta ficar aqui especulando...

Ela sai rapidamente, fechando a porta atrás de si e me deixando soberano no apartamento. Sônia, a empregada, ainda não chegou.

Logo ouço meu celular tocando Young Folks. É a música que define o toque das ligações de Thomas.

Corro para o meu quarto e de tão afobado que estou acabo escorregando no tapete que fica no corredor e caio com os dois joelhos no chão.

Merda!

Levanto-me com uma dor filha da puta... O celular ainda está tocando, graças a Deus.

Ainda que precisasse me arrastar até o meu quarto, não deixaria Thomas pensar que eu não quero falar com ele.

Atendo, ofegante.

- Tava correndo, Newt?

- Eu? Imagina - como é bom começar o dia ouvindo sua voz, penso comigo, inebriado - Estava indo para o banho quando você ligou.

- Escuta, Newt - ele dispara - Me encontra na frente do colégio meia hora antes da entrada, ok?

- Tá tudo bem?

- Não - Thomas responde taxativo.

- O quê houve?... - nem tenho tempo de terminar a pergunta. Ele já desligou o telefone.

 



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