História A divina comédia - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Adivinacomedia, Jongin, Kaisso, Kyungsoo, Nini, Soo, Violence, Yaoi
Visualizações 17
Palavras 1.042
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Poesias, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Espero que gostem.

Capítulo 2 - A máscara cai.


Fanfic / Fanfiction A divina comédia - Capítulo 2 - A máscara cai.

A atmosfera era quase insuportável. A casa havia inundado em um silêncio claustrofóbico. O único som reconhecível era o da mastigação incessante de Kai. Os dentes afiados batiam uns contra os outros enquanto o moreno processava uma torrada inteira. A mão direita permanecia imóvel sobre o tampo da mesa e o olhar dele fixo em mim. Meu antebraço estava enfaixado com uma tala médica poderosa, que o moreno colocara como pedido de desculpas pela manhã.
Já me sentia tonto pelos analgésicos ingeridos meia hora atrás, e minhas pernas tremiam muito. Talvez por estar na presença do mais novo ou simplesmente por receio de irritá-lo novamente.

O demônio em meu quarto salta
Esta manhã para me ver
E, tentando apanhar-me em falta,
Diz-me: “Eu só queria saber,
Entre todas as coisas raras
De que é pródigo seu feitiço,
Entre as jóias negras ou claras
Que ao corpo lhe dão tanto viço,
Qual a mais sublime “
Respondestes ao Tinhoso então:
“ Porque ele é bálsamo que acalma,
Não pode haver predileção
E como tudo me extasia,
Não sei se nele algo me enfara
Ele deslumbra como o dia e como a noite nos ampara.
 

- Em que está pensando? – a pergunta surgiu de repente, arrancando-me daquele devaneio mórbido.

Engoli em seco antes de encarar um ponto qualquer do chão, mantendo a cabeça baixa. Era estritamente proibido o olhar direto, mesmo que ninguém deixasse uma regra explicita, eu sabia bem quais eram as consequências.
 Ajeitei minhas mãos sobre o colo e juntei as pernas, arrumando a postura antes de receber uma bronca ou mais alguma punição física.

- Em você – respondi de forma automática, esquecendo-me completamente da dor. Queria encará-lo, respondê-lo decentemente, mas o medo me prendia a fala, roubava o ar, me tirava a razão e me arrancava a confiança. O medo se deve somente àquelas coisas que podem causar algum dano; As outras não, pois não fazem nenhum mal. 

-
Você mente muito mal, KyungSoo. – aquele tom de voz tão grave; não era um bom sinal. Olhei- o de soslaio, e percebi que Kai também estava a me encarar. Mas... Eram realmente Kai ali ou... um dos outros?

- Não estou mentindo, Nini. – afirmei um tanto hesitante, desviando o olhar para o chão outra vez. Com quem eu estava tomando café da manhã? JongIn ou com qualquer uma de suas varias personalidades?

Ele nada disse. O silêncio voltou a reinar, incansável. O sol ainda não aparecia nítido lá fora, perguntei-me em meu anseio que horas eram. Em que dia estávamos?

- Obrigado por enfaixar o meu pulso, melhorou muito, amor. – agradeci baixinho, quase em um sussurro. Quem me responderia daquela vez?

JongIn parou o que estava fazendo, seu punho cerrado contra a mesa de madeira. Seus olhos caindo sobre mim como dois pontos negros de ódio.
Então levantou, derrubando um copo de café quente e alguns farelos de torrada sobre o assoalho. Afastei-me de imediato, indo para trás e levando a cadeira comigo. Os pés do móvel arrastaram com força pelo chão, deixando-o nervoso. Não era JongIn.

- Não está doendo mais? – indagou, investindo contra mim, enquanto procurava meu braço ferido com os dígitos ansiosos. Tentava agarrar-me pelo ferimento, mas eu esquivava com certa resistência. Sabia o que ele faria e não queria confirmar minha hipótese.

- Por favor, eu não quero voltar para lá. – implorei, no mesmo instante em que minhas costas encontraram o espaldo da parede. Meus olhos arregalados procuravam o ponto de punição demarcado pelo moreno em outra ocasião. Logo encontrei; a porta do armário.
Um armário pequeno e abafado que ficava sempre trancado, ao longo do corredor.

- Não se preocupe, Kai está dormindo agora. E eu pretendo cuidar de você, soo. – murmurou.

O escarnio em sua voz já me era familiar. As expressões pecaminosas e os gestos calculados sempre me tiravam a sensatez. Era assim que eu geralmente os reconhecia. Pela mudança brusca de humor, pelo jeito ou pela voz.
Apesar de viverem todos no mesmo corpo ( com a mesma consciência ) eram muito diferentes entre si.

Angst foi o primeiro a aparecer.  No inicio eu cogitava a ideia de bipolaridade mas, logo os níveis de violência cresceram consideravelmente. As agressões tornarem-se constantes e respectivamente as aparições secundárias. Angst era como um coadjuvante para mim, mas conforme o tempo passava, tudo nele me atraía e me incitava ao afeto. Seus gestos eram feitos da mais suja luxuria e eu sempre procurava um jeito de tê-lo por perto. Pouco tempo depois ele já não precisava de convites ou permissões. Angst tornou-se auto suficiente. Tornou-se independente.

Depois, mais do que a dor, venceu a fome.

Meus pés incertos de seus próprios movimentos agitaram-se; nervosos. A parede era meu único apoio físico, e eu procurava com ardor o psicológico.

- Eu quero o Kai de volta, chame ele! – usei de meu tom mais austero, porém falhei miseravelmente no percurso. Angst olhou-me um pouco confuso, parecia surpreso por minha ousadia, mas também zangado.

- Não... Ele precisa descansar. Não vamos incomodá-lo com nossos problemas pessoais, não é? – sugeriu, aproximando- se lentamente, enquanto escondia as mãos atrás das costas.

Este simples ato foi mais do que suficiente para implantar em mim nervosismo e ansiedade. O que ele pretendia?

Um verdadeiro vira-lata!
e no entanto, por ele,
arrancaria meu próprio fígado: Toma, querido, sem cerimónia, come


 Fechei os olhos devagar, executando uma conta aleatória mentalmente para controlar a respiração pesada.
Senti o hálito morno de café bater contra a parte lateral de meu rosto e eu soube naquele momento: ele estava perto, muito perto.
Mãos calorosas apertaram-me a cintura e caninos semelhantes à navalhas afundaram-me a carne do pescoço.

Ao canto do violino, às candeias tão frias,
Esperas expulsar teu pesadelo então?
Para após suplicar à torrente de orgias
Que este inferno refresque a arder no coração
Mas quem nunca abraçou um esqueleto, em suma?


Um filete de saliva escorreu livre por minha clavícula, molhando-me a pele.
Revirei os olhos; um gemido fino e manhoso escapou. Angst pareceu satisfeito, aprofundando o contato com uma mordida feroz que me arrancou murmúrios de desespero.
Ele estava a sugar meu sangue lentamente. Extraindo de mim um pouco de vida e, enquanto refletia tentando mascarar a dor, indaguei-me se ainda existia algo vivo em meu interior.
 


Notas Finais


Para breve explicação:
I> Um dos protagonistas, no caso o Kai, detém dupla personalidade.
II > A narração será separada por pensamentos, no caso eles aparecerão como citações literárias.
III > Todas as personalidades terão seus respectivos nomes, a primeira se chama Angst.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...