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História A dor de ter esperança. - Capítulo 4



Notas do Autor


como uma cicatriz na beira do mundo
sem leão ou gnus abaixo
esse será o mais forte ''I''
a ecoar no abismo

Capítulo 4 - Revival


 

Fazia algum tempo desde a saída de Zeref, e além de Gray e Natsu, ninguém saiu do lugar. Geleia estava do outro lado da sala olhando para a televisão desligada, Levy e Lucy estavam deitadas no sofá, o único som audível naquela sala eram o doce cantarolar de pássaros, alheios aos sentimentos dos presentes.

‘’ Isso é estranho. O Zeref não é de fazer pegadinhas, ainda mais com algo tão sério assim. ‘’ – Pensou Levy – ‘’ Além disso, tem esta garota. Ela simplesmente chegou no meio de tudo isso, esteve conosco e está aqui agora... ‘’

Perdida em seus pensamentos, Levy fitava Lucy, de forma amedrontadora.

‘’ Considerando que Zeref esteja falando realmente a verdade, é muito suspeito uma novata chegar justo no dia. E Zeref a trouxe para cá, mas porquê? Pelo jeito que eles chegaram... Não, Zeref não poderia chamar ela assim apenas por ser atraente... Considerando tudo o que ele sabe, esta garota deve realmente...’’ – Concluía Levy

- Érr... Você pode para de me encarar deste jeito? – Pediu Lucy

- Hmm... – Grunhiu Levy – Ah, desculpe-me. Mas, sabe, Lucy, você meio que caiu de paraquedas aqui no nosso grupo, que tal nos contar um pouco sobre você?

...

- E por isso que o Homem-Aranha venceria o Hulk. – Disse Natsu.

- Considerando todo esse roteiro, sim. – Retruca Gray. – Agora caso fosse um simples combate o Hulk com toda a certeza esmagaria o Spider.

- Spider? Só se for o Anderson Silva. Usar o humor do personagem não é roteirismo, faz parte dele, o Homem-Aranha certamente faria piadas mesmo em um momento sério como em uma... Espere... – Natsu coloca a mão no queixo – hmm...

- Fugindo do debate, típico. – Disse Gray cruzando os braços.

- E se o Zeref for como um Peter Park e todo esse tempo ele estiver salvando o mundo como um justiceiro mascarado?

- Nah, isso é bobagem. Se isso fosse verdade nós saberíamos com os jornais.

- Isso é o que a mídia quer que você pense, controladores filhos da puta! – Disse Natsu socando o ar.

Gray apenas ri e diz:

- Por que caralhos sempre acabamos assim? Mas falando sério, o que você acha sobre esse lance?

- O Zeref, bem, eu não sei. Mas ele não é de brincar, e eu vou ficar aqui de qualquer forma.

- Quer perguntar o que os outros pensam?

- Fazer o que. – Natsu dá de ombros e saí de seu quarto.

- Quem aí quer... – Gray interrompe sua fala ao notar que ninguém prestava atenção nele.

Todos os membros restantes do grupo se encontravam em uma pequena rodinha no tapete da sala, os mesmo se entreolhavam seriamente e esperavam que uma garrada d’água parasse de rodar.

- É... O que diabos vocês estão fazendo? – Perguntou seriamente Natsu se aproximando e colocando a mão direita no ombro de Levy.

- Estamos jogando verdade ou verdade, não é óbvio? – Respondeu Geleia

- Como que isso pode ser óbvio se nem ao menos existe? – Pergunta Gray, se aproximando.

- Ahh, não seja estraga-prazeres, senta aí e entra no jogo. – Ordenou Levy.

Natsu sentou-se entre Levy e Geleia e Gray entre Geleia e Lucy. O jogo começou e a garrafa indicava Gray e Levy.

- Hmm... Gray, esse seu colar aí, o que tem de especial nele? – Perguntou Levy.

- É... Ele é só um presente que minha mãe me deu há muito tempo atrás. – Disse Gray suando frio.

Levy se deu por satisfeita e Gray girou a garrafa novamente. A garrafa parou, indicando Lucy e Natsu. Natsu tentou agir indiferente, enquanto Lucy pareceu sair de um transe.

- Natsu, verdade ou verdade? – Disse Lucy, empolgada.

- Verdade, obviamente.

- Hm... - Murmurou Lucy, fingindo pensar, pois a mesma já sabia o que desejava perguntar. – Me diga, é um costume seu entrar na casa de mocinhas desconhecidas e indefesas?

Os demais se entreolharam, exceto Gray, que ria sarcasticamente.

- Nah... Eu procuro manter uma frequência de no máximo uma vez por mês. – Disse Natsu, enquanto girava a garrafa que indicou Geleia e Gray.

- Sem rodeios ou sacanagens, você sente alguma coisa, se é que você me entende, por alguém dessa roda? – Perguntou Gray com um sorriso discreto no rosto.

- Sim. – Disse Geleia, tentando manter a dignidade e compostura.

Após um breve momento de gritarias e cotoveladas, Geleia girou a garrafa que indicou Lucy e Levy.

 - Me parece que a sorte está ao meu favor – Disse Levy. – Justamente quem eu queria...

A expectativa no ar chegava a ser palpável, porém, para a infelicidade geral, Levy parecia se divertir em manter o suspense. Os demais, fitavam–a em antecipação, seu olhar, subitamente muda de divertimento para desespero.


– Algo vai acontecer! – Exclamou Levy. – Todos pro chão!


Gray e Natsu entreolharam– se por um segundo e correram em total sintonia para detrás da mesa da cozinha, derrubando–a e usando a última como escudo, entre eles e a porta da frente. Levy, que agarrou a mão de Lucy, levou ambas para a frágil segurança que um sofá–cama comum poderia oferecer, enquanto Geleia simplesmente permaneceu sentado com um grande ponto de interrogação no rosto.


‘’ É agora... – Pensou Levy – Algo muito grande e perigoso vai acontecer... Nem mesmo aquele punk ridículo me causou um pressentimento tão horrível!’’


Gray espiava por cima da mesa, enquanto ao seu lado, Natsu encolhia– se e puxava sua estonteante cabeleira rosa, no aguardo de uma explosão ou algo tão surpreendente quanto. Lucy, mesmo suando frio e com calafrios na espinha, checou o cômodo inteiro com o olhar firme.

– Jellal, proteja–se! – Cochichou Lucy.

Mais uma vez, a expectativa do ambiente foi subvertida quando a campainha tocou suavemente. Geleia, que já estava de pé, sorriu e deu de ombros, achando–se superior. Caminhou vagarosamente até porta, enquanto os demais fuzilavam Levy com o olhar.

– Quem bate? – Perguntou Geleia, ao espiar pelo olho mágico.

Ao notar que sua confiável amiga de longa data continuava apreensiva, Gray, armado de uma gigantesca faca de cortar carne e desprovido de sua camiseta, empurrou Geleia para o lado, e usando a parede ao lado da porta de cobertura, esperou.

– Sou eu! – Gritou uma voz familiar para quase todos os presentes.

Todos exceto Lucy suspiram aliviados.

Natsu desfaz a sua barricada e vasculha seus bolsos, em busca da chave. O rosto de Levy queima e enrubesce.

– O que faz aqui, velhote? – Perguntou Natsu, finalmente atendendo a porta.

– Estou resolvendo mais um de seus problemas, garoto. – Disse o não tão simpático idoso que Lucy reconheceu do noticiário.

‘’ Nossa... – Pensou Lucy – Parece que faz anos desde que vi aquele noticiário, mas foi neste mesmo dia!’’

– O que?! Como que qualquer uma desses problemas pode ter sido culpa minha?! – Exclamou Natsu

– Cale a boca e escute. Talvez assim você entenda, e de bônus, ainda aplacará esse fogo que incendia o seu temperamento. – Disse Levy, se recompondo. – Por favor, vovô, entre e aceite uma xícara de chá.

– Temo que o chá ficará para a próxima, filha. – Respondeu o diretor, com cortesia. – Há assuntos de extrema urgência que nós, fadas, precisamos...

– Fala das caça ás fadas? – Interrompeu Lucy. – Como vocês conseguem usar um termo tão bobo para tratar de algo tão sério?! Como que...

O velhote, torcendo o nariz de reprovação, pede silêncio com um gesto. Acima de seu indicador, uma pequena chama dançante, em um magnífico instante, alça voo com suas recém coloridas e formadas asas, até pousar gentilmente na ponta do nariz de Lucy, para enfim, desaparecer como se nunca tivesse sequer existido. Sem necessidade, sem intenção e sem complexidade, contudo, mais belo e sensível que qualquer outra coisa que Lucy já pousou o olhar.

– Fadas, minha doce criança, é, com toda certeza, um termo bobo. – Explicou o amável velhote. – Mas isso não as torna inexistentes. Mostre tecnologia a um homem das cavernas e ele chamará de magia, mostre magia a um homem moderno e ele a confundiria com tecnologia. O truque do ilusionista sempre foi a perspectiva. 

– Ele é assim mesmo. – Sussurrou Gray.

– Sigam–me, meus filhos. – Disse o velho. – Temos muito o que fazer.

...

O velho, que andava rápido, para alguém de sua idade, era seguido por Gray, na dianteira, Lucy e Levy, que caminhavam juntas, e por fim, Natsu.

– Hey! – disse Natsu, apertando o passo. – Vocês estão sentindo falta de alguma coisa?

– Sim, um bom e velho diálogo explanatório. – Disse Levy. – Estamos só indo com a onda há um bom tempo.

Lucy solta um gemido de epifania.

– Sim! Sim! Para onde o Fernandes foi?

– Ei, isso é verdade! Onde ele foi parar? – Disse Natsu, analisando os arredores. – Espere um segundo, onde nós estamos?

O cenário ao redor de Natsu, casas, prédios, árvores e veículos, pareciam se desfazer atrás dele para recrear–se na sua frente, como se estivesse dentro de uma simulação, ou em um episódio de sua antiga série favorita de infância, Arquivo X. Ao se dar conta disto, Natsu consegue enxergar o ‘fim’ do mundo a sua frente, uma imensidão branca que devora e expele sua realidade ao mesmo tempo.

Seus amigos, alheios a situação continuavam a caminhar, tirando a mente de Natsu do choque e forçando– o a agir. Natsu tenta chamar a atenção de seus amigos, mas o vazio os engole. Ele tenta gritar, mas o vazio engole suas palavras. Ele tenta correr, mas o vazio engole suas pernas. Ele tenta lutar, mas o vazio engole suas forças.

Quando restou somente Natsu na imensidão, ele conseguiu ter um último pensamento lúcido.

‘’ Estranho... Sempre pensei que o vácuo fosse um lugar calmo e escuro...Mas não, ele possui uma claridade cega e um barulho ensurdecedor.’’

Quando não havia mais nada, nem mesmo ele, ainda pode se distinguir um eco de uma calorosa e familiar voz.

– Sempre foi... Zeref... resposta... Zeref... não... confie nele... Independentemente do que... não confie nele... e acorde... de uma vez!

Um primitivo instinto, mais antigo que a própria existência, forçou Natsu a obedecer, e ele assim o fez.

Após acordar, tudo o que o rosado conseguia ver era uma junção de cores, todas elas, uma por vez, se fundiam e se colecionavam, se organizaram e por fim, permitiram se distinguir uma das outras. Até que não fosse mais possível ver outra coisa além dele, o infinito e infindável, branco.


Notas Finais


o próximo sai em menos de 3 anos, juro de dedinho


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