História A Duquesa - Capítulo 24


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Duquesa, Época, Naruto, Sasusaku
Visualizações 683
Palavras 4.461
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drabs, Hentai, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 24 - Capítulo XXIII


Sakura observou o rosto de seu marido enquanto ele se sentava diante da lareira bebericando seu vinho do porto. As noites eram seu momento favorito, quando a casa já estava devidamente arrumada e todas as tarefas diárias terminadas. Ela relembrou o quanto se preocupava quando os silêncios entre eles pareciam tão opressivos.

Com o passar do tempo, acabaram por encontrar a felicidade, e os silêncios tornaram-se mais preciosos do que as palavras. Ele podia sentar-se horas diante do fogo com um sorriso em vez de uma expressão taciturna, e fechava os olhos em paz consigo mesmo e com ela. Sakura, então, sentava-se ao seu lado e cochilava com a cabeça apoiada em seu ombro ou em seu colo, enquanto ele afagava seus cabelos.

Ela odiou ter de interromper o silêncio aquela noite, mas já era hora de perguntar o que queria saber. E seria melhor agora, um momento em que ele estava relaxado e tranquilo, do que esperar e ele não estar tão receptivo.

— Sasuke?

— Sim, meu amor.

— Eu gostaria de pedir-lhe algo.

— Pode pedir o que quiser, Sakura. Faço qualquer coisa por você.

Ela suspirou.

— Não estou tão certa se você sabe a importância do que está dizendo. Prometa-me que não ficará zangado.

Ele desmanchou os cachos de seus cabelos.

— Você está demasiado cautelosa com as palavras, minha esposa. Esse comportamento não condiz com sua pessoa. Lembre-se: entre nós, apenas palavras simples. O que você deseja?

— Quero que você me conte sobre Naruto.

A mão dele, que antes desmanchava seus cachos, deteve-se de súbito, e toda a sala pareceu tornar-se gelada a seu redor.

Ela insistiu na pergunta: — Por que ele o odeia tanto? Isso se deve apenas ao ciúme que ele sente? Sempre foi assim?

Sasuke permaneceu calado e ela sentiu que seu corpo tornava-se tenso.

— Por que você pergunta sobre assuntos que estão no passado?

— Porque sei o quanto segredos podem ser danosos para aquele que os guarda. E eu quero fazer parte de sua vida, Sasuke.

— Você já faz parte de minha vida. Você não é apenas uma parte dela. Você é minha vida, Sakura.

— Mais uma razão para que me conte sobre seu passado. Quero saber tudo a seu respeito.

Ele suspirou.

— O quanto Naruto já contou a você? Quando vocês ficaram a sós, ele falou, não falou?

— Sim, mas ele mentiu, Sasuke. Sobre tanta coisa. Eu não sei se ouvi dele duas palavras que fossem verdade nas últimas duas semanas.

Ele contemplou o fogo enquanto pensava no que responder.

— A verdade dele e a minha verdade não são as mesmas, Sakura. Esse é o problema.

— Qual a sua verdade então?

— Nosso relacionamento estava fadado ao fracasso desde o início. Nosso pai preferia a mim, o herdeiro. Nossa mãe preferia a ele, o caçula. E ambos nos manipularam, colocando-nos um contra o outro, fazendo com que brigássemos enquanto eles brigavam entre si. Nenhum de nós dois estava satisfeito com o que nos cabia: ele, a afeição; eu, o respeito. Competíamos por tudo. Quase quebrei meu pescoço tentando pular uma cerca. Ele era um melhor cavaleiro, e nosso pai me proibiu de segui-lo. Naruto riu da proibição e me chamou de covarde. Ele sempre foi destemido, e eu o invejava por isso. Tive de assumir o papel de homem sensato. Especialmente após a morte de nosso pai e com a minha assunção do título que a ele pertencia. Naruto dilapidou toda a compensação que minha mãe insistiu que eu lhe desse e zombou da caridade que fiz a ele. Por fim, acabamos por competir pelo amor de uma mulher. Éramos rivais e, contrariando todo o bom senso, eu a conquistei. Porém, não encontrei felicidade alguma na vitória. Ele jamais me perdoou.

Sakura disse o nome que tanto receava que ele dissesse: — Ino?

— Sim. E você, Sakura, acabou por envolver-se nessa confusão, e tudo recomeçou.

Ela aproximou-se dele e sussurrou: — A confusão, porém, teve um fim diferente, espero. Você está feliz comigo, meu marido?

Ele sorriu, um sorriso triste.

— Estou muito feliz junto de você, minha esposa.

Ela devolveu o sorriso e o abraçou pela cintura.

— Se é assim, jamais o deixarei.

Ele beijou-lhe o alto da cabeça.

— Peço que me deixe agora, minha querida. É hora de dormir. Vá para seu quarto e espere por mim. Logo estarei ao seu lado.

Ela o beijou e o deixou contemplando o fogo, como se as respostas para todas as questões que o afligiam estivessem escritas nas chamas.

Ela subiu as escadas rapidamente, desejando que ele não demorasse a encontrá-la. Fora preocupante vê-lo tão imerso em seus pensamentos a ponto de dar-lhe a impressão de que jamais conseguiria afastá-lo de tal estado.

Saber que suas perguntas foram o estopim das preocupações de seu marido em nada ajudou. Não obstante, era melhor do que vê-lo zangado o tempo todo. E, sem dúvida, melhor do que vê-lo cercado pela tristeza que o acompanhou durante tanto tempo em sua vida. Lamentar pela vida que ele nunca tivera, ser temperamental de vez em quando, era normal, pensou ela. Pelo menos o peso que ele carregava em sua alma tornara-se mais tolerável.

E, quando ele a encontrasse mais tarde, seu humor mudaria rapidamente. Ela estremeceu em antecipação, feliz por ele não ser o homem pomposo que ela esperava, ou um homem velho e cansado, ou até mesmo um belo jovem, mas sim o temperamental, rancoroso e teimoso homem com quem se casara. Um homem capaz de ser amoroso e terno de uma forma que ela jamais pudera imaginar em alguém que, em um primeiro encontro, se enfurecera tanto com a simples ideia de casamento.

Sakura entrou em seu quarto e, como habitualmente fazia, fechou a porta, então percebeu que algo estava errado.

Havia alguém ali. Ela podia sentir que alguém a observava na luz de velas.

Ela se virou devagar, suas costas apoiadas na porta, e viu Naruto deitado, indolentemente, em sua cama. Enojada, percebeu que suas botas enlameadas manchavam a roupa de cama. Em suas mãos, trazia uma pistola já engatilhada e apontada em sua direção.

— O que você está fazendo aqui? — Ela tentou não mostrar o tremor em sua voz.

— Esperando por você.

— Mas como…

— Como entrei aqui? Como consegui entrar em sua casa? — Ele sorriu, e era o mesmo sorriso que ele outrora usara para cortejá-la. Seu tom de voz era calmo, mas o brilho em seu olhar, extremamente sério. — Não é uma tarefa tão difícil quando se possui as chaves. A sra. Terumi ainda a odeia. Mas ela sempre me quis muito bem. Está trabalhando em um hotel na rua principal. Quando você a despediu, deveria ter pedido a cópia das chaves de volta. Quando precisei delas, ela logo se prontificou a fornecê-las.

— E o que…

— E o que eu quero de você? Por que não para de fazer perguntas e me deixa terminar de falar, Sakura? Afinal de contas, é isso o que quero. Terminar o que há entre nós.

— Não há nada entre nós. Está tudo acabado, Naruto. — A voz dela não soou nada convincente.

Ele era dono de uma confiança que a incomodava.

— Pois eu discordo. Estará tudo acabado entre nós quando eu assim o disser.

Ela virou-se para a porta a fim de agarrar a maçaneta e viu, pelo canto dos olhos, que a pistola nas mãos dele seguia seus movimentos.

— Tsc, tsc, tsc. — Ele sacudiu o dedo em uma negativa como se ela fosse uma criança desobediente. — Está cedo demais para que você pense em sair daqui. Relaxe, minha querida. Por que não se senta à sua escrivaninha? E faça isso devagar. Devo alertá-la de que qualquer movimento súbito de sua parte poderá fazer com que me sobressalte e acabe por causar um acidente.

— Você não pretende atirar em mim, pretende? — A voz dela soou não tão firme quanto queria.

— Não, eu não pretendo fazê-lo. Mas, se necessário, eu o farei. Por enquanto, procure ficar tranquila. Agora pegue algumas folhas de papel de carta na escrivaninha e escreva o que eu mandar. Feito isso, sairemos para uma pequena viagem. Caso tudo corra como o planejado, eu a libertarei sem nenhum arranhão.

— Quando você fará isso? — perguntou ela.

— Dentro de alguns dias. Talvez uma semana. Será o tempo necessário para que seu marido perceba que você se foi. Bem como perceba com quem você está e o que esteve fazendo.

— O que estive fazendo? Se esta é uma mais uma de suas rudes tentativas de sedução… Sequestro e estupro? — Ela esboçou um sorriso triste. — Sinceramente, Naruto, é melhor que se retire agora mesmo, ou prepare-se para utilizar a arma que carrega. Prefiro morrer a permitir que me toque.

— Permitir que eu a toque? — A risada dele soou zombeteira e ao mesmo tempo cheia de confiança. — Você tem uma visão bastante distorcida do que ocorre aqui, minha cara. Eu atirarei em você caso tente escapar. E quanto ao resto? Caso eu decida tê-la, certamente não precisarei da arma. Sou muito mais forte que você e perfeitamente capaz de obrigá-la a fazer o que quero.

Os olhos dele passearam pelo corpo de Sakura.

— Seria, porém, muito mais prazeroso para nós dois se você se entregasse a mim voluntariamente assim como a primeira esposa de meu irmão fez.

Ela olhou para ele com repulsa.

— Não me importa o que ocorreu no passado. Se você pensa que serei infiel ao meu marido assim como a primeira esposa dele o foi…

Ele a interrompeu com um aceno.

— Não há necessidade de que você decida nada agora. Não deixo de vislumbrar a possibilidade de que você o faça. Conheço meu irmão melhor do que você. Pode ser que você não se importe com o passado, mas ele continua muito vivo para meu irmão. A ideia de que a esposa passe uma semana em minha companhia, a sós, seja voluntariamente ou não, será mais do que suficiente para que eu consiga o que almejo.

— E o que você almeja, Naruto?

— Destruir, de uma vez por todas, qualquer felicidade que meu irmão possa vir a ter. Fazê-lo perguntar-se pelo resto de sua vida se seu primeiro filho se parece comigo. Destruir toda a confiança dele em você, agora que é muito tarde para expulsá-la. — Ele a encarou. — É tarde para que ele faça isso, não? Você não é mais a desconhecida a quem fui apresentado semanas atrás, mas sua esposa. E meu irmão, certamente, apegou-se a você. Sasuke tem um coração mole no que diz respeito às mulheres. Foi essa fraqueza que fez com que Ino se entregasse a mim, mesmo depois de casados. Ele confiou nela, mesmo com todas as evidências de que ela o traía. Num primeiro momento, ele recusou-se a acreditar, mas quando a verdade lhe foi revelada, era tarde demais para que se desvencilhasse dela. Vejamos como meu irmão se sairá desta vez.

— Desta vez, porém, há uma diferença, Naruto — protestou Sakura. — Eu não o amo. Eu o desprezo. E Sasuke sabe disso. — Encarou-o. — Naruto, você é lindo. E muito charmoso. Talvez eu pudesse ter amado o homem gentil que pensei que você fosse. Mas era tudo mentira. Tudo o que você me disse…

— Nem tudo o que lhe disse era mentira — murmurou ele.

Ela perdeu o controle: — Você tem a audácia de vir ao meu quarto e, a despeito de usar palavras doces, tem uma arma na mão. Suas ações provam que o homem gentil e engraçado que conheci nunca existiu. Há algo muito errado com você, Naruto. E isso me causa repulsa.

O sorriso dele se desfez e ela percebeu que suas palavras o tinham atingido em cheio.

— Felizmente para mim, sua opinião acerca de meu caráter não é algo com que me importe.

Ele apontou a arma para o papel em cima da escrivaninha.

— Você escreverá uma carta a seu marido explicando nossa fuga.

— Eu nunca o farei.

— Sim, você o fará. E, para tanto, usará tinta ou eu usarei seu sangue — ele respondeu friamente sem hesitar enquanto segurava a arma com firmeza.

— Sasuke jamais acreditará que fugi com você de livre e espontânea vontade. — A voz dela perdera um pouco do tom rude.

— Não importará se você veio de livre e espontânea vontade ou se eu tive de arrastá-la pelo cabelo. Quando você voltar, Sasuke dirá que acredita em você. Talvez até acredite em sua própria afirmação. E ele a receberá de braços abertos. Mas nunca deixará de remoer esse fato. Ficará insone deitado ao seu lado, imaginando o que realmente aconteceu no tempo em que esteve comigo. E, quanto mais você reafirmar sua inocência, menos ele acreditará. Obviamente, eu a apoiarei em suas afirmações. Direi, sim, que você é inocente. Acalmarei seu pobre ânimo exaltado. — Naruto riu ironicamente. — Farei exatamente igual ao que fiz quando ele era casado com Ino. Não importará se a tiver deixado ir sem encostar em um fio de seu cabelo. Por mais honestas que sejam minhas afirmações, elas terão menos valor do que qualquer mentira que eu possa inventar.

— Mas eu não sou Ino, Naruto. As coisas não são mais as mesmas. Sasuke mudou. E ele acreditará em mim quando eu lhe contar a verdade.

Espero que assim seja, pensou intimamente Sakura. É certo que não fui confiável no passado, mas ele confiará em mim agora.

Naruto a encarou.

— Acredita mesmo nisso? O quanto ele sabe sobre você? Ela sabe sobre sua guardiã, a notável lady Tsunade?

Ela o encarou com estupor.

— Você, sem dúvida, é a pior pessoa que já conheci. E se pensa que pode me forçar a acompanhá-lo e arruinar a vida de seu irmão tão facilmente, engana-se. Ele e eu somos casados e felizes. Ele sabe a verdade. Digo mais: sabe o que penso acerca de sua patética farsa? — Sakura deu de ombros. — Não funcionou da última vez, quando tentou arruinar minha reputação no baile. Ainda assim, você insiste no erro. Será que um dia irá aprender ou continuará a utilizar-se de armadilhas como chantagem e sequestro até que tais expedientes se esgotem?

Houve um lapso de dúvida nos olhos dele, e Sakura prosseguiu: — Você pode me matar, arrastar meu corpo escada abaixo e colocá-lo aos pés de seu irmão. Porém, não creio que tenha estômago suficiente para isso. — Ela rezou para que estivesse certa. — Eles o enforcarão por ter me assassinado a sangue-frio. E eu posso lhe garantir: uma corda em volta de seu pescoço, comparado à gravata que agora usa, não será nada elegante. E o que dizer de seu irmão? Quando ele o encontrar, duvido que hesitará em colocar uma bala em seu peito. E ele o fará em defesa da honra de sua esposa. Você tem certeza de que quer prosseguir?

Os olhos de Naruto estavam enevoados, e Sakura percebeu que ele baixara a arma.

— Vá agora, Naruto. Sasuke não fez nada tão terrível a você para merecer tamanho ódio. E, se fez, tudo já está no passado. Não deixe que isso destrua o que restou de suas vidas. Esqueça.

A arma, antes apontada para Sakura, agora estava direcionada para o chão. As palavras dela haviam funcionado. Ela podia perceber o cansaço nos olhos dele. Ele tentou falar.

Subitamente, a porta se abriu, e Sasuke irrompeu dentro do quarto. Havia um brilho assassino em seus olhos.

— Eu posso explicar — disse Sakura.

— Não há necessidade de explicações. Posso imaginar o que aconteceu. Afaste-se. — Com os olhos fixos na pistola, ele tomou-lhe a frente. — Saia do caminho, Sakura. Vá para o meu quarto e espere por mim lá. Tudo isso acabará em um instante. Naruto, levante-se e vamos pôr fim nisso de uma vez por todas.

— Sasuke, não. — Ela tentou tomar-lhe a frente, mas ele a empurrou para longe. — Eu não o deixarei aqui.

Não o abandonaria enquanto Naruto estivesse armado, e seu marido, indefeso diante dele.

— Meu irmão, eu não o esperava tão cedo. — Naruto abriu os braços e sorriu enquanto retirava os pés de cima da cama de Sakura.

Sasuke manteve os olhos na pistola que seu irmão carregava enquanto esta mudava seu alvo.

— Você invade minha casa e o quarto de minha esposa e espera que eu não o encontre? Eu adverti os criados para que me alertassem de sua presença. Não sou mais o tolo que costumava ser, Naruto.

Naruto exibiu um sorriso triunfante.

— E como pode saber se não estou aqui a convite de sua esposa?

Sakura sentiu o coração parar por um momento, antes que seu marido respondesse.

— Eu o conheço. E conheço minha esposa. Você pode me tomar por um tolo, mas Sakura sabe que não sou. — Ele sorriu com frieza. — Se ela o tivesse convidado, não iria permitir que eu os flagrasse.

— Sério? Imagino que você esteja certo; afinal de contas, ela é especialista em guardar segredos, não é mesmo? Você sabia que sua esposa foi criada por uma prostituta e um bêbado?

— E é esse o segredo com o qual você a ameaçava? Eu já sabia disso. Soube quando viajei a Londres após o casamento.

Naruto pareceu surpreso e desapontado, e Sasuke lançou a Sakura um olhar de encorajamento.

— E não pense que pode ameaçá-la expondo tal segredo. Eu a apoiarei. Nada disso importa para mim. Suponho, porém, que a família que o sustenta possa suportar mais um escândalo. Ademais, é um segredo muito antigo, estou certo? E agora que todas as dívidas do pai de Sakura estão pagas…

— As dívidas estão pagas? — As pernas dela fraquejaram, e Sakura desmoronou sobre a cadeira.

— Eu estava esperando o Natal para lhe contar. Seria seu presente. — O sorriso de Sasuke era sincero quando olhou para ela. — Meu irmão idiota acaba de estragar a surpresa.

O pai dela estava livre. Ela poderia respirar aliviada sabendo que ele estava seguro. Isso, claro, se sobrevivesse àquela noite. Sakura sorriu para o marido.

Naruto pigarreou, frustrado por ver que suas ameaças não tinham surtido efeito. Então, sorriu.

— Pois muito bem. Então não lhe importa que seu nome seja arrastado na lama por uma aprendiz de prostituta? E o quanto Sakura sabe acerca dos nossos antigos segredos de família, Sasuke?

— Ela sabe o suficiente, Naruto. O resto é melhor que fique esquecido e enterrado junto com aqueles a quem fazem referência, exatamente como tem sido nos últimos dez anos.

Naruto ergueu a pistola de novo e a apontou na direção de seu irmão.

— Você pode ter esquecido, Sasuke; afinal, você não sofreu por causa deles.

— Oh, mas eu sofri, Naruto, embora você prefira acreditar no contrário.

— Tenho certeza de que você sofreu imensamente. — Naruto fitou Sakura. — Seu precioso marido, que sempre teve tudo o que quis desde que nasceu… O título, a terra, a mulher, a herança. Tudo lhe foi entregue de bandeja e ainda assim ele não era feliz. Nem mesmo quando tomou o pouco que me pertencia. Ele lhe contou em que circunstâncias se casou com Ino? Ele lhe contou que a desposou ainda ela sendo minha noiva?

— Noiva?! — Ela olhou para Sasuke.

— Na verdade, ela foi abandonada por você — retrucou Sasuke. — E já estava grávida. E eu não sabia de nada disso até ser tarde demais.

— Está mentindo. Você a quis porque ela era linda. E porque era minha. Você sempre cobiçou o que era meu, Sasuke. Nunca se satisfez com a melhor e maior parte. Você precisava ter tudo, não é? Eu viajei a Londres e estava voltando com um anel para ela. Você esperou que eu partisse e agiu pelas minhas costas.

— Eu já lhe expliquei na ocasião, e juro por Deus que se nossa mãe tivesse me contado toda a verdade antes do casamento, jamais teria casado com ela. Ela não pôde encontrá-lo, pois você fugira outra vez. A família de Ino quis que a justiça fosse feita, e a honra da filha, restaurada. Eles contaram a história à nossa mãe, e não a mim. E nossa mãe fez planos, como sempre, não se importando em como tais planos poderiam afetar nossa família. Nossa mãe nos reuniu. Ino era linda. Era talentosa. Eu fiquei enlouquecido por ela. E como não ficaria? Sabia que algo havia acontecido entre vocês, mas ela nunca me disse que fora algo sério.

— Você podia ter me procurado. Podia ter me perguntado a verdade.

— Eu não queria a verdade. Só me interessava pela mulher. E ela não o quis, Naruto. Um irmão de 18 anos não era prêmio suficiente quando se pode ter alguém muito mais ingênuo e fácil de manipular. E nossa querida mãe não se importou que eu não fosse o pai de meu herdeiro. Se você, seu filho favorito, não poderia ser o novo duque, então seu filho o seria. Foi um plano bem articulado. Mas, como sempre, nossa mãe soube como engendrá-lo.

— E a história se repete — retrucou Naruto. — Nossa mãe escolheu outra noiva para você, que, como a primeira, se apresenta sem honra, mas sequiosa por um título. E você continua sendo o ingênuo que sempre foi.

— E você pensa que pode roubar minha esposa tão facilmente quanto o fez dez anos atrás?

— Caso sua esposa tivesse sobrevivido, ela ainda seria minha. E seu filho, meu herdeiro.

Foi a vez de Sasuke cuspir.

— Se ela tivesse sobrevivido, ela nos teria feito a ambos de tolos, e um herdeiro teria sido o filho de um tratador de cavalos. Nossa mãe foi mais tola que nós dois quando acreditou na história que Ino contou. Até mesmo em nossa noite de núpcias Ino provou ser versada em folguedos sexuais. Folguedos que você nunca ensinou a ela.

— Mentiroso! — A palavra soou como um tiro na voz de Naruto.

— Jure para mim que ela era inocente na primeira vez em que a teve e que você já não era um menino ingênuo nessa época.

— Malditos sejam você, seu título e suas terras! Você se casou com a mulher que eu amava e a deixou morrer!

— E ela nunca amou nenhum de nós dois. Deixe-a morta. Esqueça-a. — Sasuke estendeu a mão a seu irmão sem perder de vista a pistola.

— Não — uivou Naruto e, atirando a arma para longe, atacou o irmão.

Seus punhos acertaram Sasuke vezes sem conta enquanto este resfolegava e recebia os golpes. Sangue saiu de seus lábios partidos, e ele arfou ao receber um golpe na barriga, mas era maior que o irmão e se recompôs. Erguendo os braços, protegeu-se dos golpes desferidos e o empurrou. E, então, suas mãos estavam em volta do pescoço de Naruto.

Naruto continuava a desferir golpes, mas estes se tornaram cada vez mais fracos.

Os olhos do duque estavam distantes e cheios de mágoa, mas as mãos continuavam firmes ao redor do pescoço do irmão.

— Sasuke, já basta. Deixe-o ir. Ele é seu irmão — Sakura suplicou ao marido, temendo que acontecesse um trágico desfecho.

Sasuke afastou o irmão de si, deixando-o estirado no tapete.

— Você estava certo, Naruto. Eu sou demasiado fraco para matá-lo. Embora seja um indivíduo execrável, você é meu irmão. — Ele lançou um olhar desamparado a Sakura. — Mas o que farei com ele? Ele tentará machucá-la novamente, pois sabe que se o fizer, irá me ferir.

— Por que você o impediu, Sakura? Deixe que ele me mate. Permita que ele termine o que começou anos atrás.

Sakura olhou para Naruto ainda estirado no tapete, seus olhos cheios de morte e desespero, as marcas vermelhas em volta de seu pescoço. Voltou-se e abriu sua caixa de joias, de onde retirou algo.

Por fim, encaminhou-se de volta para o cunhado, o medo esquecido.

— Naruto, está tudo terminado. Você perdeu. Não pode mais me usar para ferir Sasuke. Eu não permitirei que faça isso. Mesmo que você consiga se vingar, isso não trará Ino de volta. Nada mudará o passado. Se você não pode viver com isso, se realmente deseja morrer, vá ao encontro da morte em outro lugar. Pelas mãos de seu irmão, isso não acontecerá, pois eu não permitirei que você o envolva nisso.

Percebendo como Sasuke ainda estava agitado, Sakura especulou intimamente se ela seria capaz de fazer o que acabara de dizer, caso as circunstâncias se repetissem.

Abrindo a mão, Sakura deixou que as esmeraldas Haugleigh caíssem sobre o peito de Naruto.

— Quando eu cheguei a esta casa, você disse ser meu amigo. Diga-me: isso era mentira?

Ele olhou para ela e seu rosto desanuviou-se, mas ele nada disse.

— Caso tenha havido algum momento de ternura, algum vestígio de calor humano ou de amizade por mim, sem que tenham sido provocados em prol de suas maquinações perversas e seus planos para prejudicar a esposa de seu irmão, eu lhe agradeço por isso. Neste momento, escolho esquecer tudo o que se passou aqui e lembrar somente de sua bondade para comigo. Porém, não permitirei que fique em minha casa por nem um momento mais se sua permanência fizer com que meu marido e eu nos afastemos. Aceite o colar. Você não pode ter o título ou a casa ou a mim. Mas pode levar este símbolo da honra de sua família. Você certamente merece isso. Leve-o e venda-o. Será mais que o suficiente para que você compre uma patente no exército. Recomece sua vida, Naruto, longe daqui. Se está tão propenso a tirar a própria vida, faça-o em defesa de seu país, e não como decorrência de uma farsa ridícula na qual acabará por morrer pelas mãos de seu irmão.

Ela lhe ofereceu a mão e o ajudou a levantar-se. O colar escorregou, caindo no solo. Naruto o pegou, colocando-o no bolso. Por fim, retirou o pó de suas roupas e esfregou sua mão em torno das marcas vermelhas em seu pescoço. Limpou o suor do rosto com a ponta da gravata e, por um momento, Sakura pôde vislumbrar em seu rosto aquela expressão de “o demônio que se cuide”, que tanto a impressionara no primeiro dia, retomar sua face.

Ele voltou-se para ela, fez uma longa reverência e disse sarcasticamente: — Obrigada, Vossa Graça, por tomar como suas as gentilezas de seu marido e não ser capaz de fazer aquelas que lhe cabem.

Naruto, então, voltou-se para seu irmão e repetiu a mesma reverência sarcástica.

— E obrigado a você, Sasuke, por ter poupado minha vida miserável. Sei que esse seu gesto de altruísmo nos beneficiará a ambos. Não tenho dúvidas de que a jogarei fora, juntamente com todo o dinheiro que conseguir com este patético colar. Ainda não decidi se me esconderei em algum buraco em Londres ou se viajarei de volta ao continente, mas, seja como for, pode ficar tranquilo quanto a um fato: quando eu morrer você não terá meu sangue em suas mãos.

Sakura olhou para seu marido e percebeu que as últimas palavras ditas por Naruto o haviam afetado.

— Eu não posso salvar você de si mesmo, Naruto. Apenas você pode fazer isso. Caso não consiga encontrar a felicidade, espero que pelo menos encontre paz.

Com uma risada amarga, Naruto saiu da sala, o som de seus passos sumindo ao longe enquanto se afastava deles pelo corredor.


Notas Finais


Enfim nos despedimos com o último capítulo. Agradeço a todos que me acompanharam até aqui. Agradeço a @Saltodevil, que é uma inspiração. Um beijão a @Ikii que é a maior fã de A duquesa, e um muitíssimo obrigada, a @Una69, que é a minha ligação com todo o universo do SS.


Sem mais chororô, valeu minas. Nos vemos loguinho com o epílogo, capisco?


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