História A Duquesa - Capítulo 8


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Casamento Arranjado, Drama, Medieval, Romance, Traição, Universo Alternativo
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Palavras 2.154
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá a todos! Desculpe a demora em postar.

Capítulo 8 - Cidade


 

   Acordei em meu quarto. Um cobertor de pele cobria todo meu corpo, me fazendo sentir quente. Virei para o outro lado para ver se Edwin ainda dormia e não o vi deitado. Na noite passada ele se sentou em minha penteadeira e escreveu por muito tempo.. tentei esperar ele terminar mas acabei dormindo. O homem aparentemente perdeu subitamente o nojo que tinha de tocar em tudo que eu ja havia posto a mão antes.

   -”Estás a procurar por mim?” - Seu tom é de deboche. 

  

  Levanto a cabeça para olhar em sua direção. Ele está em pé, uma mão apoiada está no batente da janela de pedra, o que me leva a crer que ele estava observando o lado de fora. Provavelmente meus recentes movimentos na cama chamaram sua atenção.

 

   -”Estava. Não o vi dormir ontem.” - Digo e olho para minha penteadeira, a buscar o livro de capa roxa de Edwin. 

   -”Dormi tarde.” - Meu olhar volta para ele, que apenas da de ombros e volta a observar lá fora, ficando de costas para mim.

 

   Ficamos um minuto em silêncio.

 

   -”Meu senhor, poderias dar-me licença para trocar minhas vestes?” - Peço agora sentada mas ainda sim a me cobrir com o cobertor de peles.

   

   Edwin se vira para mim e dá um pequeno sorriso. 

 

   -”Claro. Como desejar minha senhora. Mas antes gostarias de fazer um convite a ti.” - Ele coloca as mãos para trás e eu arqueio uma sobrancelha.

   -”Que tipo de convite?” - Pergunto curiosa.

   -”A senhora gostaria de ir a cidade comigo? Não é longe.” - Sua timidez é um pouco visível.

   -”Porque? Sempre vais a cidade com teu pai.” - Minha expressão de incredulidade não passa despercebida pelo homem.

   -”Quero apenas comprar um vestido para minha esposa.” - Edwin diz como se fizéssemos isto sempre.

   -”O que está tramando?” - Pergunto, certa de que ele tentará algo.

   -”Perdão?” - Agora é Edwin que parece confuso. 

   -”Tu me vens com este convite deveras.. inexplicável.” - agarro-me mais as peles, na tentativa de livrar-me do nervoso. 

 

  Edwin cruza os braços e revira os olhos.

 

   -”É apenas um convite normal..” - Seu tom irônico estranhamente me acalma.

   -”Não haverá provocações ou brigas… pelo menos da minha parte. Eu prometo.” - Ele levanta as maos em sinal de rendição.

 

   Estreito os olhos, buscando qualquer traquinagem de Edwin. 

   -”Tudo bem.” - Digo por fim. 

   -”Mesmo? Ótimo! Er… Quero dizer.. Deixarei a senhora mudar seus trajes.” - Ele passa rapidamente por mim e fecha a porta.

   

    Olho para a porta velha fechada e uno as sobrancelhas mas minha expressão muda para um sorriso. Levanto-me e vou até o grande guarda roupas. Quero escolher um bom vestido, será minha primeira vez na cidade e quero causar boa impressão. Ao abrir a porta, meus olhos vão de encontro a um cinza claro, seu pano é de cetim, suas mangas longas são simples e possuem apenas pequenos bordados nos pulsos. Decido que irei usar este. O coloco rapidamente e sento-me na penteadeira. Escovo meus cabelos com certa pressa e saio do quarto.

  

   -”Então vamos?” - Edwin pergunta, me fazendo dar um pequeno salto de susto.

   -”Não iremos fazer o desjejum antes?” - Porque ele está com tanta pressa?

   -”Oh.. é claro..vamos. Mamãe deve estar nos esperando.” - Ele sai andando na frente.

 

    Em poucos minutos estamos na sala de jantar.

 

   -”Bom dia meu filho, Bom dia Elara.” - Elena nos cumprimenta com um breve sorriso.

   -”Bom dia mamãe.” - Edwin se senta e logo começa a se servir de pão. 

   -”Bom dia Elena. Como vai?” - Pergunto e pego duas maçãs.

   -”Vou bem minha querida.. Vejo que já estão a se dar um pouco melhor.. já estão até mesmo chegando juntos à mesa. 

   -”Ah. Sobre isso mamãe. Devo avisar a senhora que irei levar Elara à cidade. Ela comprará algum vestido para o baile.” - Edwin parece entediado.

   -”Oh.. É mesmo querida? Que notícia boa!” - Elena olha para mim com um sorriso um pouco… “malicioso”.

   -”Ahm.. é….” - Respondo encabulada a olhar para meu prato. 

 

   Enquanto eu cortava minhas maçãs e comia, Edwin e Elena conversavam. O dia havia começado muito estranho hoje. O que devo esperar? 

 

    -”Elara?” - Edwin pergunta estalando os dedos.

    -”O que?” - Pergunto assustada.

    -”Vamos?” - O homem pergunta um pouco impaciente. 

    -”Er..” - Olho para meu prato que agora está vazio. “-Vamos.” 

 

Eu e ele nos levantamos ao mesmo tempo.

 

   -”Então. Iremos a cavalo?” - Pergunto enquanto seguimos pelo corredor.

   -”Não e sim. Iremos com uma carruagem.” - Ele responde simplesmente, sem dar mais detalhes.

   

    Ao chegarmos perto dos estábulos, uma simples carruagem preta e fechada nos aguardava. Edwin cumprimentou o condutor e abriu a porta para mim e depois entrou, fechando-a atrás de si. 

 

   Ao olhar pela pequena janela, vejo que o castelo vai ficando cada vez mais distante. A neve ainda é presente por todo o caminho. Os pinheiros repletos de neve chamam minha atenção, a taiga é realmente linda. 

   Meus olhos procuram por Edwin. O homem está quieto, parece pensativo. Gostaria muito de saber o que se passa pela sua cabeça.

   

    -”Então Edwin..” - Começo na tentativa de chamar sua atenção. 

 

   Seus olhos turquesas encontram com os meus cinzentos. 

 

    -”O que o fez ter essa súbita vontade?” - Pergunto gesticulando minhas mãos cobertas por luvas de couro marrom escuro.

    

   Um pequeno sorriso culpado brota em sua face.

 

    -”Como irei esconder algo de ti?” - Ele pergunta porém mantenho minha expressão neutra esperando que ele fale. 

    -”Mamãe me deu esta idéia. Disse que seria bom que eu a conhecesse por um dia sem pensar de onde viestes e quem és.” - Edwin completa, voltando a olhar pela pequena janela.

    -”E então?” - Pergunto.

    -”E então o que?” - O homem se volta para mim, confuso.

    -”Pretende esquecer disto por um dia?” - Descanso minhas mãos unidas em cima de minhas pernas e as encaro. Não querendo olhar para o homem ao meu lado.

 

    Edwin solta um suspiro cansado.

 

    -”Chegamos.” - Ele se levanta rapidamente, sem responder minha pergunta.


 

    Ao sair da carruagem, vejo algumas pessoas andando pelas calçadas. Haviam alguns comerciantes vendendo coisas e pequenas lojas. As estradas de terra negra me fazem lembrar do castelo. Edwin chama minha atenção com um pequeno toque em meu ombro. Ao virar o rosto para ele, vejo que está esperando que eu enlace meu braço ao dele.

 

    -”Vamos Khalid. Caminhe comigo.” - Pede gentilmente. 

 

   Andamos sem conversar até chegar a boutique. 

 

   -”Sua Graça. A que devo a honra?” - Um homem mais velho bem vestido, loiro e com olhos extremamente azuis cumprimenta Edwin.

   -”Olá Valter. Viemos em busca de um belo vestido para esta bela senhora.” - Ele levanta um pouco o braço e sorri.

   -”Oh.. Não me diga que é a nova duquesa.” - Sua falsa alegria me faz ficar um pouco incomodada.

   -”Sim.” - Ele diz simples e desenlaça seu braço do meu.

   -”Vamos ao que interessa então Sua graça.” - O homem me chama com um aceno e olho para Edwin.

   -”Vá. Ficarei aqui esperando..” - Ele retira do bolso do casaco seu livro de capa roxa.

 

   Eu apenas aceno com a cabeça e vou ao encontro de Valter.




 

    Presumo que alguns minutos tenham passado. Provei inúmeros vestidos, gostei de alguns mas sempre que pedia a opinião de meu marido tudo que ouvia eram palavras frias como a neve que cai nesta cidade. 

 

   -”Valter.. Tens algum vestido de baile roxo?” - Pergunto olhando para Edwin que agora parecia escrever algo em seu livro.

   -”Sim.. Mas Sua Graça. O Duque não gosta de roxo.” - Valter me adverte.

   -”Não tem problema. Pode mostrar-me?” - Ignoro sua advertência e ele vai buscar o tal vestido.

  

  Espero por poucos minutos e Valter aparece com uma caixa um pouco grande. Não demoro para pegar de sua mão e ir diretamente ao provador. Não peço a opinião de nenhum dos dois. Apenas devolvo a caixa e digo:

 

   -”Levarei este.” - Afirmo convicta, dando duas batidinhas na tampa da caixa.

   -”Mas senhora..” - Valter tenta argumentar.

   -”Está feito.” - Encerro o assunto levantando a mão.

   

   Chego perto de Edwin, que ainda está distraído.

 

    -”Pronto.” - Digo, esperando chamar sua atenção.

    -”Otimo. Chegaremos antes do anoitecer.” - Ele fecha o livro e o guarda dentro do bolso.

    -”Aqui está Sua Graça. Foi    um prazer recebe-los em minha loja.” - Valter entrega a caixa nas mãos de Edwin. 

    -”O prazer foi meu Valter. Mande lembranças a Olga.” - Responde e voltamos para a rua. 

 

  O homem abre a carruagem e põe a caixa dentro, fechando a porta em seguida.

 

     -”Não voltaremos ao castelo?” - Pergunto confusa.

     -”Não. Temos mais um lugar para ir.. Quero mostrá-lo a você.” - Novamente Edwin me dá seu braço e espera que eu entrelace o meu ao dele.

  

    Voltamos a caminhar por mais algumas poucas ruas. Paramos em frente a maior loja que vi na cidade. Ao entrar, as grandes estantes me chamam atenção.

 

  -”É uma biblioteca.” - Afirmo boquiaberta, fazendo o homem ao meu lado dar uma gargalhada breve.

  -”Vamos Khalid.” - Edwin sai andando na frente e eu o sigo.

  -”Edwin meu filho. Já faz algum tempo sim?” - Uma senhora parece alegre em ver o Kalt.

  -”Danyl.. Como vai a senhora?” - Ele cumprimenta a senhora com um carinho que nunca usou comigo.

   -”Muito bem meu filho. Quem é a bela senhora? A Duquesa que seus pais trouxeram do sul?” - Ela pergunta olhando para mim com um sorriso sutil.

   -”Sim. Gostou dela Danyl?” - Edwin sorri enquanto olha para mim.

   -”Como é seu nome querida?” - A senhora parece não se importar com titulos. 

   -”Elara.” - Respondo sorrindo.

   -”Tens um nome lindo Elara. Sou Danyl.. a dona deste mausoléu.” - A senhora se apresenta.

    -”Gosta de ler?” - Danyl parece interessada em me conhecer.

    -”Sim.. Gosto de ler sobre flores.” - Ela levanta as duas sobrancelhas.

    -”Vejo que temos aqui uma outra versão de Rahim. Tenho alguns que pode interessar a ti. Sinta-se a vontade para xeretar minha filha. Leve Edwin com você, esse menino já conhece de tudo por aqui.” - A velha se senta atrás do balcão e meu marido pega minha mão e me leva para mais adentro da enorme biblioteca. 

    -”O que você procura está aqui no fundo. Meu irmão costumava vir bastante aqui e quando tinha preguiça, pedia para eu pegar alguns livros para ele.” - Edwin diz dando de ombros.

    -”Acha que tem algum livro sobre cravos?” - Eu pergunto acanhada.

    -”Eu não acho. Tenho certeza.” - Edwin parece procurar o que perguntei. 

    -”Aqui. Que tal este? É de um homem chamado Roland Blackbear..” - Ele me entrega o livro um pouco pesado. Sua capa é de um cinza escuro.

    -”Posso levar? Seu irmão tem um outro deste mesmo autor.” - Passo a mão pela capa um pouco empoeirada.

    -”Claro. Porque não?” - Edwin poe as duas mãos no quadril e olha para mim com um sorriso terno. 

    -”Obrigada Edwin.” - Sorrio de volta e assim ficamos por alguns segundos. Começo a achar o turquesa dos olhos de Edwin lindo.

    -”Ahm.. que tal voltarmos?” - O homem parece estar um pouco rubro e sai andando na frente.

    -”Tudo bem.” - Respondo sem que ele me ouça.

 

   

   Logo estamos de volta a carruagem.


 

   Volto a ver pela janela apenas pinheiros e neve. A expressão de Edwin me deixa confusa. É como se novamente ele estivesse perdido em pensamentos. 

 

   -”Obrigada por me trazer a cidade. Me diverti muito” - Agradeço.

   -”Não tem de quê. Foi divertido.” - Edwin continua a olhar pela janela, com a mesma expressão de confusão.

   -”O que o incomoda?” - P

ergunto esperando que ele me conte. 

   -”Não é nada. Então.. Como és o vestido que comprou?” - Edwin procura mudar de assunto rapidamente.

   -”É belo.” - Respondo sem vontade, a olhar para a janela.

   -”O que foi? Não gostou dele?” - O homem pergunta.

   -”Gostei. É da minha cor favorita.” - Dou de ombros.

   -”Qual é sua cor favorita?” - Edwin parece curioso.

   -”Roxo.” - Sua expressão se fecha.

   -”Porque?” - O homem parece furioso.

   -”Como assim porque?” - Pergunto irônica.

   -”Porque vais afrontar minha família em nosso baile?” - Seu tom de voz sobe um pouco.

   -”Não és nenhuma afronta.” - Respondo com o rosto virado. 

   -”Chegamos Sua graça.” - Um servo abre a porta e eu sou a primeira a levantar, pegando meu livro e minha caixa atrapalhando-me um pouco. 

   -”Deixe-me ajudá-la.” - Edwin se oferece e eu não o olho. 

   -”Não precisa. Sei fazer as coisas sozinha.” - Respondo grossa e entro no castelo sem olhar para trás. 



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