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História A Encrenqueira Nerd e o Popular 2.0 - Capítulo 22


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Notas do Autor


Demorei pakas em.
Que isso

Capítulo 22 - Capítulo 22


Fanfic / Fanfiction A Encrenqueira Nerd e o Popular 2.0 - Capítulo 22 - Capítulo 22

- Cuuuu!

 Aqui estou eu. Linda e plena, arrumando meu cabelo, que está mais rebelde que eu, para aturar o teatro que vai acontecer lá embaixo daqui a pouco.

 Estou acostumada com os casinhos do meu pai como já bem disse, porém esse negócio de apresentar a namorada, ficar elogiando ela é algo novo. Não estava e nem estou preparada para ver meu pai assumindo um relacionamento mais sólido. Nem mesmo que ele traga mais alguém para morar aqui. Sei que a casa é bem grande, mas se em um determinado tempo ele trouxer alguém para vir morar aqui eu me mudo. Principalmente porque vou entrar em uma universidade logo.

 Tá amarrado perder minha privacidade assim.

 Já tenho que dividir espaço o suficiente com o meu pai. Não preciso fazer isso com uma desconhecida também, que tem um filho aliás. Não faço questão de criar uma relação com mais ninguém.

 Deus, nem namorado eu tenho pra ficar dividindo essas intimidades, quem dirá com o romance de outra pessoa.

 Sim. Sou chata e espaçosa. Foda-se. Cada qual com o seu qual. Ou algo assim.

   - Você vai chegar atrasada. – Layla apareceu na sala sorrindo.

   - Não tem como eu chegar atrasada na minha própria casa. – a olhei através do espelho. – É só eu desce a escada.

   - Você me entendeu. – revirou os olhos.

 Layla está de licença a maternidade, mas como já mencionei também, ela não sossega o cu em casa. Ela aproveita esses momentos em que o marido pode ficar com a bebê dorminhoca para ficar perambulando pela casa, vindo me repreender a cada momento em flagra. Tenho dó da pequena Wendy quando ela crescer. Principalmente se ela não for toda certinha.

   - Você não tem medo de deixar sua filha sozinha com o pai não? – decidi prender meu cabelo.

   - Não. Ele sabe cuidar dela. – sorriu ajeitando minha blusa atrás. – Tá tão linda.

   - Minha linda, desde que a minha mãe me deu a luz eu brilho. – pisquei.

   - Credo, Alice! Não dá pra falar nada com você mesmo. – se afastou.

 Gargalhei.

 Desisti de vez do meu cabelo, seguindo para fora do quarto seguida por Layla. Encontrei meu pai andando de um lado para o outro que nem uma barata tonta. Não era possível que tudo aquilo era nervoso por causa de um jantar.

 Será que ele se sentiu assim quando saiu pela primeira vez com a minha mãe?

   - Você vai fazer um buraco nesse chão a qualquer momento. – me sentei no sofá. – Ainda bem que é você quem paga mesmo.

   - Eles estão atrasados.

   - Atrasados nada. Você quem está com esse cu mordendo não parando quieto.

   - O respeito por seu pai, não tem, né?

   - Já devia estar acostumado.

 Ouvimos a campainha tocar, fazendo com que meu pai se apressasse para atender. Primeira vez na vida que eu vejo esse homem correr. Continuei na mesma posição que estava. Eu que não iria me dar o trabalho de me levantar.

 Um fato sobre mim: Eu odeio visitas.

 Odeia receber visitas. Odeio ser a visita na casa das pessoas. Odeio a palavra visita só por significar o que significa.

   - Essa é a minha filha, Alice. Meu orgulho. – papai sorriu para a mulher.

   - E aí. – levantei uma mão.

   - Olá. – sorriu sem graça.

   - Esse aqui é Tyler. Ele é filho da Alina. – meu pai apresentou.

   - E aí. – repeti o gesto.

   - E aí.

 Entramos em um silêncio mortal logo em seguida, que foi quebrado por uma tosse forçada do meu pai sorrindo totalmente sem jeito. Gente.

   - Deixa eu lhe mostrar minha adega. – se direcionou a mulher que pareceu muito aliviada por sair dessa situação.

 Ambos se retiraram da sala, me deixando sozinha com esse projeto de Ken. Olhei bem para ele e me perguntei como uma pessoa consegue usar tanto gel de cabelo daquele jeito. Tenho medo de encostar ali e sair com a minha mãe toda sebosa.

   - Então... – se sentou ao meu lado. – Vocês não eram daqui, eram?

   - Sempre fomos. – o que era verdade.

   - Sério? Não me lembro de você na escola. – sorriu.

   - Qual escola?

 Se ele soubesse que já estudei em todas as escolas dessa cidade e arredores.

   - Na escola que está estudando agora. – me olhou como se eu fosse uma estranha.

   - Você estuda lá, ou é algum tipo de stalker estranho?

   - Estudo na mesma escola que você. – riu batendo as mãos nas cochas. – Me surpreende nunca ter me visto por lá.

   - Seria uma surpresa eu reparar em alguém daquele hospício. – revirei os olhos. – Acha mesmo que eu olho na cara de cada pessoa daquele lugar?

 As pessoas que eu conheço já são o suficiente para a minha cota de reconhecimento. Não sou uma pessoa muito observadora, e isso não é uma coisa muito difícil de se notar.

 Ele riu.

 Esse cara tá gozando com a minha cara?

   - Enfim. Eu conheço você desde que chegou na escola. – o olhei estranho. – Mais por ser uma aluna nova bem no final do ano. – se justificou.

 Tenho que fazer uma nota mental de me manter bem longe desse garoto. Espero que depois desse jantar ele não acha que somos amigos o suficiente para me cumprimentar na escola. Lhe deixo no vácuo se tentar.

   - Hum. Andei andando uma conhecida nas escolas da região.

 Saudades da minha época de rebeldia. É uma pena ter que andar na linha justo agora. Mas isso não quer dizer que eu não possa fazer uma surpresinha de fim de ano. Qual é? O ano já está acabando. Não tenho nada a perder mais mesmo.

   - Fiquei sabendo que você tem um histórico bem rebelde. – o olhei intrigada. Esse cara tá se saindo um belo psicopata pela breve conversa que estamos tendo. – Sou do grêmio estudantil.

 O olhei desconfiada. Se ele tentar alguma coisa eu sou descer um socão nesse moleque. Não estou nem aí se meu pai perder a namorada depois disso.

 Resolvi ficar em silêncio. Não vou responder mais nada a esse garoto. Também não quero dar brecha para que ele ache que pode começar a puxar algum tipo de assunto comigo. Todo esse papo já foi estranho o suficiente para eu querer manter mais distância ainda.

 Não demorou muito para que meu pai voltasse com a namorada para a sala. Os dois bem sorridentes. Diferente de mim, que fiquei com um maluco psicopata. Continuei quieta no meu canto, mas com uma tremenda vontade de ir a cozinha descobrir de o jantar já estava pronto.

   - Você tem uma adega incrível. – riu com graça. Odeio pessoas que contém a risada por causa de outra.

   - Foi uma vontade que eu sempre tive. E com a ajuda da minha mãe veio esse resultado que você acabou de ver. – disse com orgulho.

 A verdade é que a minha avó é uma senhora alcoólica. Segundo ela, depois de uma certa idade você taca o foda-se e faz quase tudo que te der na telha. Eu disse quase tudo.

 Sempre que vinha aqui em casa ela reclamava da falta de bebida. Então meu pai, que já queria, construiu uma adega. No final vocês sabem. Os dois fizeram a festa. E até meus dezoito anos eu estava proibida de por os pés ali dentro, a não ser que fosse buscar uma bebida pra eles. Mas é óbvio que isso não foi o suficiente para me parar, né. Até parece que eu iria deixar de surrupiar uma garrafa ou duas.

   - O jantar está pronto. – a nossa cozinheira anunciou.

 Me levantei o mais rápido que pude e fui na frente. Ata que eu iria ficar para trás com esse povo doido. Eu estou morrendo de fome e com sérias dúvidas sobre essa família estranha. O garoto é um verdadeiro esquisito e essa mulher eu nem sei o nome. Na verdade eu sei, mas não me lembro. Então se eu não lembro, eu não sei.

 Senti o olhar do meu pai sobre mim assim que todos se acomodaram em seus lugares. Ele que me perdoe, mas eu já sou obrigada a me comportar nas festas que ele me obriga a ir, então ele que não me force a usar a etiqueta em casa. Uma hora ou outra eles vão descobrir a desbocada e relaxada que eu sou.

   - Mas é uma casa realmente encantadora a de vocês.

 Já aprendi em filmes que a palavra encantadora como elogio vem geralmente em tom se falsidade.

   - Obrigado. – meu pai sorriu. – Tentamos deixar tudo do agrado dos dois.

   - Dos três, né. – me pronunciei. – Você sabe como a velha é intrometida.

   - Alice, não fala assim da sua avó. – engasgou.

 Dei de ombros. Tenho certeza que ela fala coisas bem piores de mim por trás.

   - Vocês parecem ter uma boa relação familiar. – deu uma risadinha. – Infelizmente meu filho não tem muito contato com os meus pais. Escolha deles é claro.

 Observei o menino ao meu lado revirar os olhos. Ótimo. Lá vamos nós nos envolver com uma família problemática.

   - Mas, você tem contato com sua família de parte materna, meu bem? – se virou pra mim.

 Que interesse todo é esse?

   - Sim.

 De fato meus avós, pais da minha mãe, são maravilhosos. Nunca tive do que reclamar deles. Faz tempo que não os vejo e me sinto um pouco culpada por isso. Querendo ou não eu sou a única coisa que sobrou da filha deles. Filha única diga-se de passagem. Meus avós até tiveram outros filhos, mas morreram cedo, deixando a minha mãe ser a única a sobreviver mais tempo.

 Quando eu digo mais tempo, foi a mais tempo mesmo. Tempo o suficiente para me dar a luz e viver comigo até meus cinco anos de idade.

 Ela e meu pai se conheceram na adolescência se não me engano. Não digo que eles ficaram juntos desde o começo porque não foi. Pelo menos não de acordo com o diário da minha mãe. Eles se odiavam. Ela o odiava. Só foram ficar juntos na faculdade, desde então não se desgrudaram. Se casaram, viveram trepando por um bom tempo com segurança – é o que eu acho – só então eles me tiveram. Fui motivo de muita alegria, ok?  O que posso fazer se fui muito amada e bem recebida desde o começo?

 Enfim, sei disso porque antes de morrer minha mãe me deixou seu diário. E querendo ou não, sempre que eu podia eu arrancava algumas pérolas do meu pai antes de dormir. Isso quando ele ainda tinha tempo pra mim. Lá pros meus seus, sete anos. Pois é, tive que me esforçar pra caramba para aguardar cada coisinha importante do passado deles que me era contada para guardar pelo menos um pouquinho da minha mãe comigo, já que eu não me lembrava de muita coisa a seu respeito.

 Uau! Como uma simples pergunta pode me fazer rever toda a minha árvore genealógica. Aposto que estou com cara de bocó olhando para o meu prato de comigo. Daqui a pouco eles vão pensar que eu tive um mal súbito do meio do jantar que é meio que importante pro meu pai.

   - Fico feliz por saber disso. Deve ter sido difícil para eles perderem uma filha e seria mais difícil ainda se não mantivessem contato com você. – segurou minha mão por cima da mesa. Que intimidade é essa? – Falo como mãe.

 Ok. Parece que eu não fiquei muito tempo desligada, porém queria ter ficado.

 Puxei minha mão de volta pegando meus talheres, fingindo que iria comer. Fingindo entre aspas, tô morrendo de fome. Os dois continuaram conversando entre eles e eu não fiz questão de participar, nem puxar nenhum assunto. Meu pai de vez em quando falava algo com o filho dela que apenas respondia o necessário. Ele também não parecia tão confortável por estar ali.

 Com o fim do jantar, o senhor João Miguel foi levar a namorada para dar uma volta no jardim de nossa propriedade. Sentiram a ironia? Fiquei sentada em um dos sofás com meus celular na mão trocando mensagem desesperadamente com as meninas somente para não ter que puxar algum assunto com o cara. Mas quem disse que isso impediu dele tentar puxado assunto comigo.

   - Poxa, parece que agora vamos virar irmãos. – coçou a cabeça sem graça.

 Que papo é esse Willis? Cheirou? Fumou? Bebeu?

   - Não acho que seja bem assim. – fiz uma careta.

 Eu não quero um irmão. Eu não tenho idade para ter um irmão. Por mais que isso seja irrelevante, porém dane-se. Estou indignada, não tenho como ser coerente.

   - É uma pena mesmo. Estava pensando em te chamar para sair antes do ano acabar. – riu me olhando com a cara mais lavada que existe.

 What?!

 Que pena mesmo, “irmãozinho".



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