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História A Entrega do Amor - Capítulo 5


Escrita por: taeclyp

Capítulo 5 - Capítulo Quatro


Capítulo Quatro


Taehyung era uma pessoa vastamente interessante.

Ele me contou sobre alguns ocorridos em sua vida que denunciavam o quão singelo ele era. Vinha de uma família humilde do interior que se mudou para Seoul na procura de um emprego que sustentasse as pilhas de cobranças que acumularam com os anos. Taehyung parecia tranquilo falando sobre isso, e eu não entendia como que ele conseguia agir daquela maneira estando naquela situação.

Taehyung era um cúmulo de serenidade e ingenuidade, o seu coração era tão bonito quanto a sua aparência. Pensar desta forma me fez ter um envolvimento maior com o entregador, isso me assustava um pouco.

- Eu queria ser escritor... - Taehyung murmurou com a voz baixa, brincando com o copo em sua mão de forma cautelosa. Seus dedos delicados chamavam muito a minha atenção, tão bem cuidados e bonitos que me fazia cogitar no que não era bonito no Kim. Entretanto, não havia respostas para esse questionamento. - Mas... acho que isso nunca seria possível.

Pensei ter escutado errado, mas depois de observar o semblante tristonho de Taehyung, conclui que não, eu não havia escutado errado. Ele realmente estava apreensivo com a ideia de não conseguir ser um escritor, eu conseguia vislumbrar isso através de suas orbes que pareciam de tornar opacas. Pela primeira vez, ele realmente parecia pessimista com alguma coisa, alguma coisa que aparentava ser crucial para ele.

- Por que acha que não é possível? - questionei genuinamente curioso, percebendo que o Kim tentava desmanchar a sua feição descontente talvez para disfarçar as suas emoções. Parecia loucura minha reparar em tantos pontos na personalidade daquele homem, mas era quase inevitável evitar isso; Taehyung era alguém fascinante, em meu ponto de vista, gastar horas ao lado dele seria bem mais atrativo e agradável do que qualquer outra coisa.

Talvez eu esteja pensando demais, exagerando demais.

- É muita burocracia para publicar um livro, talvez eu não... consiga. - Taehyung estava sendo pessimista de novo.

- Há várias plataformas digitais que te dão mais acesso para publicar um livro. - a sugestão era em aberto já que eu não sabia com precisão o que o Kim almejava.

Mesmo assim, eu queria o ajudar.

- É que... - Taehyung desviou o olhar, suas bochechas tomavam uma coloração rosada novamente. Era adorável quando isso acontecia, no entanto naquele instante, uma preocupação peculiar surgiu na minha mente. Qual era o motivo de sua vergonha? O que o impedia de seguir os seus sonhos? - Eu não tenho celular... - sua voz parecia se desvanecer a cada palavra, sumindo por completo após a última sílaba. Então era por isso que ele se sentia envergonhado?

Era por isso que os seus belos olhos amendoados não queriam estar conectados com os meus? Me parecia tão injusto...

- E isso não é um problema. - minha voz se sobressaiu mais do que deveria, denunciando o quão miúdo era aquele critério para mim. Se dependesse de mim, Kim Taehyung já estaria sendo o maior escritor da Coreia. Só que... ele não pediu a minha ajuda, e como eu imagino, com certeza ele vai querer que tudo seja de seu próprio mérito. - Taehyung, só me diga que precisa de ajuda e eu vou te fornecer tudo que precisar.

Talvez eu tenha agido de forma impulsiva, mas não me arrependo.

A minha mãe sempre pontuava que o meu comportamento irracional poderia gerar muitos furos na minha carreira, mas ela só se importava com isso, nada mais que JK. Então, talvez agir com o coração não seja tão ruim na minha vida particular...

Acho que isso vai depender integralmente da resposta de Taehyung com a minha proposta.

- O-O quê?... - Taehyung franziu suas sobrancelhas, e eu entendo o porquê que sua feição parece transparecer confusão. Talvez ele me ache louco por propor esse tipo de benefício para um completo estranho que conheci há alguns dias. Eu também me acho um completo louco, mas um louco consciente. - Senhor Jeon-

- Me chame de Jungkook, por favor... eu não sou tão velho assim. - brinquei na intenção de amenizar o clima, ou talvez para me distrair daquele belo sorriso que vagarosamente surgia nos lábios rosados de Taehyung. Será que ele estava sorrindo com a minha proposta ou com a minha piada sem graça?

- Jungkook... - o meu nome dançou em seus lábios, sua voz parecia combinar perfeitamente com sua sonoridade. Acho que eu nunca vou me esquecer do olhar que Taehyung emitia ao proferir "Jungkook"... - Eu realmente agradeço por sua gentileza, m-mas qualquer coisa que você me propor não vai ser tão justo... - ele parecia cauteloso, procurando as palavras certas. No entanto, eu entendia muito bem o que ele estava tentando dizer.

- Então, para ser justo, eu quero te propor uma avaliação. - abri mais uma sugestão, atraindo integralmente a atenção do entregador. Agora seus dedos estavam descansando em seu colo, não tão inquietos como anteriormente. - Conheço um profissional que pode fazer uma avaliação com você, e se ele gostar... - um sorriso irrompe os meus lábios. - Você vai ter tudo que precisa para ser um grande escritor. Justo, não?

Taehyung continuou me fitando, pensativo e inexpressivo. O seu silêncio não me entregava muita coisa, mas estimulava bastante a minha ansiedade. Aquilo só provava o quanto eu queria o ajudar.

- Mas... e você? O que vai ganhar com isso, Jungkook? - sua pergunta me pegou de surpresa.

Eu não pensava em ter algo em troca, eu me contentaria somente por saber que Taehyung estava feliz seguindo o seu sonho...

Mas eu sei que Taehyung não vai aceitar se eu simplesmente o ceder essa chance sem nada em troca.

- Bom, eu sei que você vai negar se eu não pedir nada em troca. - cruzei os meus braços, e como o esperado, Taehyung acenou com a cabeça como se concordasse com o meu ponto. É, ele era muito humilde e justo. - Então eu... proponho outra condição.

- Certo...

- Eu sou... quer dizer, eu conheço um grande cantor. - eu não queria entregar a verdade em uma bandeja tão extensa, algo me dizia que se eu falasse a minha verdadeira identidade, a nossa relação (que ainda estava só começando) poderia mudar. Eu não queria isso... - E, ele definitivamente odeia compor músicas. - era uma verdade absoluta. - Essa pode ser a minha proposta, se você for bem avaliado e trabalhar com o meu amigo, eu vou te fornecer tudo que você precisa.

Taehyung havia desviado o olhar, tão avoado que nem se eu me esforçasse muito conseguiria entender o que ele estava pensando.

Eu esperava que ele aceitasse, era uma boa proposta e seria vantajoso para mim e para ele. No entanto, um peso em meu peito denunciava que a minha mentira poderia me colocar em grandes objeções com Taehyung. Talvez eu... aceitasse arriscar isso só para o ver seguindo o seu sonho.

Pela primeira vez em muitos anos, eu comecei a me sentir realmente útil.

[...]

- Uma avaliação? - Yoongi arqueou suas sobrancelhas, sua habitual faceta entregando o quão exausto ele estava. O Min lidava com uma condição denominada como "devaneio excessivo", era uma grande perda de concentração e de sono. Constantemente ele pensava em cenários fantasiosos e, como um grande escritor, os colocava no papel com facilidade e maestria. No entanto, ele não era completamente feliz com isso, apesar de ser a sua profissão.

Lembro-me perfeitamente de quando nos conhecemos no primário, ele era a típica criança sozinha que preferia desenhar e escutar a professora contando histórias do que se socializar com outras crianças. Ele era especial, e é por isso que até hoje somos grandes amigos apesar de não termos tanto tempo para conversar.

- Uma avaliação. - confirmo a sua pergunta retórica. - Eu vou ter uma turnê daqui a dois dias, queria que você fizesse esse favor 'pra mim antes dessa viagem.

- Você ainda canta? Sua voz realmente é muito bonita Jeonnie. - Yoongi novamente estava se perdendo na sua própria linha de raciocínio, mas eu achava isso fofo e não o julgava. Era algo dele, que o fazia ser ele mesmo. - Ahn... tudo bem, eu faço essa avaliação. Do que se trata?

Um sorriso espontâneo brotou em meu rosto, eu já conseguia visualizar a felicidade de Taehyung quando a notícia chegasse até ele. Felizmente, ele aceitou o nosso acordo e pediu para que eu fizesse tudo com calma, que eu não precisava me preocupar com nada daquilo.

Mas, o seu sonho era muito importante para mim.

Era difícil de entender o porquê, mas algo me mandava fazer isso com o coração aberto.

- Um escritor também, quero que o avalie com honestidade e me diga se ele realmente é adepto 'pra isso. - o instrui, não com tantos detalhes mas Yoongi captaria perfeitamente o que eu queria dizer.

- Oh, claro claro. - Yoongi coçou o nariz, e de relance, consegui enxergar uma linha felpuda passeando pelos braços do meu amigo. - Ari! Diga oi para o tio Jeonnie!

Um gatinho de pelagem escura saiu de trás de Yoongi, os olhos verdes e intensos grudaram em minha face como se ele me avaliasse. Aristóteles era manso, mas muito desconfiado.

- Ei garotão. - ele finalmente cedeu, concluindo a sua análise ao se aproximar do meu colo e pedir por carinho. Bom, Yoongi era apaixonado por gatos, eu acabei aprendendo a lidar com a mudança repentina de humor deles por conta do meu amigo.

- Desculpa... eu acabei me distraindo de novo. - Yoongi respirou fundo, e como de costume, eu tentei o assegurar com um olhar silencioso. Ele sabia que eu não me importava com isso. - Você sabe sobre o gênero literário que ele se sente mais confortável de escrever? Posso elaborar um tema antes para facilitar a avaliação.

- Ele me disse que... - Aristóteles mordeu suavemente o meu dedo, tirando brevemente a minha concentração. - Disse que gostava de drama e romance.

- Que interessante. - Yoongi parecia genuinamente intrigado. - Eu já tenho uma ideia em mente, acho que vai funcionar...

Quando Yoongi falava isso, eu tinha certeza de que coisas boas viriam. Eu confiava nele, Taehyung estava em boas mãos.



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